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- Peças Teatrais: Mistero Buffo - A divertida comédia circense
Fui neste sábado ao teatro do SESI da Avenida Paulista para assistir à peça “Mistero Buffo”. Com texto original do italiano Dario Fo, direção de Neyde Veneziano e atuação de Domingos Montagner, Fernando Sampaio e Fernando Paz, o espetáculo é divertidíssimo. A comédia circense é simples (não possui cenário requintado nem figurino elaborado) e sua graça está na interpretação dos atores no palco. Enquanto Domingos Montagner e Fernando Sampaio se revezam na caracterização dos variados personagens, Fernando Paz cuida dos efeitos sonoros e musicais. A química e o entrosamento do trio são dignos de nota elogiosa. “Mistero Buffo” se passa na Idade Média, período histórico em que as companhias teatrais tentavam representar os enredos bíblicos para o público pouco instruído da época. Entretanto, ao invés de transmitir as histórias como naquela época e se limitar ao conteúdo religioso, em “Mistero Buffo as tramas e os vários personagens retratados adquirem um aspecto crítico. Apesar das histórias serem antigas, elas evidenciam os mesmos problemas que temos hoje: deturpação da fé em prol da ganância dos homens, o culto exacerbado das celebridades, desigualdade e preconceito social, ambição desmedida e malandragem de muitas pessoas interesseiras. Há cenas muito engraçadas. Destaque para dupla formada por um ceguinho e por um paralítico que foge de Jesus para não ser curada, para a tentativa de um viciado em jogo em fazer uma parceria com Cristo enquanto este está sendo crucificado, para as confusões de um homem que está tentando entrar no restaurante onde a última ceia está sendo servida e para a cena do cemitério onde Lázaro será ressuscitado. Grande parte da graça da peça está na incongruência do linguajar atual para uma trama bíblica. Os figurinos de inspiração medieval com que os atores entram em cena são rapidamente colocados de lado e esquecidos. A partir daí, a interpretação dos atores é limpa, quase sem nenhum acessório ou cenário. E aí eles dão um show! O carisma dos atores também ajuda a peça se tornar mais divertida. A forma como o espetáculo se inicia surpreende a plateia e já provoca muitas risadas. Gostei muito de “Mistero Buffo”. Trata-se de uma peça simples, com ótimo texto e excelente atuação dos atores. É um ótimo programa para um sábado à noite. O espetáculo fica em cartaz até o próximo domingo, dia 20. Há apresentações na quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo. A entrada é gratuita. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe, então, sua opinião sobre as matérias desta coluna. Para acessar as demais críticas teatrais, clique em Teatro. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #DarioFo #NeydeVeneziano #DomingosMontagner #FernandoSampaio #FernandoPaz #LaMínima #peçadeteatro #teatro
- Livros: Uma Curva no Tempo - O sucesso de Dani Atkins
Neste final de semana, li o livro “Uma Curva no Tempo” (Arqueiro), da inglesa Dani Atkins. Ele me foi emprestado há cerca de dois meses pela minha mãe. Achei graça como ela me entregou o livro. Ela o jogou em cima de mim e falou: “Leia isso! Eu li, adorei e agora preciso conversar sobre ele com alguém. Não sei se entendi tudo”. Quem me conhece sabe que isso não se faz. Se alguém aparece com um livro e diz que gostou muito, é óbvio que eu vou querer ler. E se a pessoa ainda diz que não sabe se entendeu, aí minha curiosidade e o meu interesse pela obra alcançam níveis inimagináveis. Só não li a obra de Dani Atkins imediatamente após o comentário da minha mãe porque estava lendo as obras de Graciliano Ramos e tinha um milhão de coisas para ler para as provas finais da faculdade. Agora com as coisas mais calmas, pude ler o livro tranquilamente. “Uma Curva no Tempo” conta a história de uma jovem chamada Rachel Wiltshire, moradora de uma cidade pequena no interior da Inglaterra. Alguns dias antes de ir para a faculdade de jornalismo, ela se reuniu com seus melhores amigos em um restaurante para a despedida da turma. Cada um iria para uma faculdade diferente em uma região do país e provavelmente seria difícil todos se reencontrarem novamente. No jantar festivo, um trágico acidente aconteceu. Um carro desgovernado atingiu a janela de vidro onde o grupo de amigos estava. Jimmy, amigo de infância de Raquel, morreu após salvá-la. Raquel, após ficar muito tempo em coma no hospital, conseguiu se salvar, mas passou a carregar consigo uma cicatriz enorme no rosto. O acidente, a nova condição e o sentimento de culpa pela morte do amigo fizeram a jovem que ambicionava se tornar uma jornalista desistir de cursar a faculdade. Ela se afastou da família e dos amigos e passou a viver em Londres, onde podia levar uma vida solitária e impessoal. Ela também terminou o relacionamento com o Matt, seu namorado desde a época de adolescência, e passou a evitar os homens. Cinco anos após o fatídico acidente, a melhor amiga de Raquel ia se casar, querendo reunir, para a ocasião, novamente o grupo de amigos em sua cidade natal. Raquel sabia que precisaria encarar as dores do passado. Após um tumultuado jantar com os amigos, a jovem decide visitar sozinha, no meio da noite, o túmulo de Jimmy, seu amigo falecido no acidente, no cemitério municipal. Tentando se desviar de objetos e encarar a escuridão do local, Raquel acaba caindo e bate violentamente a cabeça na queda. Ela acorda em um hospital. E ao abrir os olhos, ela se vê diante do pai. Ao invés de um homem envelhecido e com sequelas do câncer que estava tratando, o pai da moça estava em ótimas condições. E para desespero de Raquel, Jimmy estava ao lado do pai. Como assim, ele está vivo? Tentando entender o que está acontecendo, a jovem descobre que ela é uma jornalista de uma conceituada revista e é noiva de Matt, seu antigo namorado. E ela também não tem mais a cicatriz no rosto. Por mais que Raquel tente explicar para todos que aquela não é sua vida, o parecer médico é que a moça está com amnésia, tendo esquecido os acontecimentos dos últimos cinco anos. Por mais que todos a sua volta tentam ajudar, Raquel sabe que sua vida real é completamente diferente daquela. Assim, ela passa a investigar o que aconteceu com sua antiga vida. “Uma curva no tempo” é um excelente livro. Primeira obra de Dani Atkins, esta história é envolvente e conta com um excelente mistério. O suspense segue até o final, que por sua vez é surpreendente e possibilita mais do que uma interpretação. Não preciso dizer que o meu entendimento foi diferente do da minha mãe, o que gerou quarenta minutos de discussão em família. O mais legal do livro é a narrativa em primeira pessoa. Raquel conta o que está acontecendo com ela e, por isso, participamos de suas inquietações, angústias e dúvidas. A jornada dela para descobrir a verdade sobre sua história é, ao mesmo tempo, a nossa. A narrativa é muito bem amarrada e o enredo é ótimo. Os personagens são bem construídos. Apesar de já ter lido histórias que brincam com a questão do tempo, esta é sem dúvida muito original. O livro prende nossa atenção e nos incomodamos toda vez que a personagem principal é retratada como louca pelos demais personagens. Nós sabemos o que ela vivenciou e o que não vivenciou. Sabemos que ela está falando a verdade, por mais que seja difícil de acreditar em sua versão da história. A descoberta do que está acontecendo com Raquel só é desvendada nas últimas linhas do livro. E ela é surpreendente. Assim, o clímax que é postergado durante toda a trama chega ao final e não é decepcionante. Pelo contrário: é incrível. Gostei muito de “Uma curva no tempo”. Este é um livro que mexe com nossa imaginação e faz com que fechamos suas páginas, após a leitura, e fiquemos refletindo. Bem legal! Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? 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- Filmes: O Clã - Suspense portenho
O período da ditadura militar argentina continua rendendo ótimos enredos para filmes. Depois de “O Segredo dos seus Olhos” (El Secreto de sus Ojos: 2010), vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2010, agora temos outra boa produção com uma história ambientada nos anos de chumbo do país vizinho. “O Clã” (El Clan: 2015) é o novo longa-metragem de Pablo Trapero, de “Elefante Branco” (Elefante Blanco: 2012) e o ótimo “Abutres” (Carancho: 2010). Diferentemente dos seus dois filmes mais conhecidos, desta vez Trapero não contou com Ricardo Darín no papel principal. E apesar das atuações impecáveis de Darín, acabamos não sentido falta dele em “O Clã”. Quem rouba a cena aqui é o veterano ator Guilhermo Francella. Baseado em uma história real, “O Clã” se passa no final do período de maior repressão da ditadura militar argentina. A família Puccio, composta pelo pai Arquímedes (Guillermo Francella), pelos filhos Alejandro e Maguila (Peter Lanzani e Gastón Cocchiarale, respectivamente), pela esposa Epifanía (Lili Popovich ) e pelas filhas Adriana e Silvia (Antonia Bengoechea e Giselle Motta, respectivamente) era especializada em sequestrar e matar opositores do regime opressor. Cumprindo ordens dos militares, a família sequestrava, torturava e sumia com os corpos de quem fosse contra os mandos do governo argentino. Desta maneira, os militares terceirizavam a violência imposta aos cidadãos que não concordavam com suas imposições. O problema da família Puccio surge com o fim da ditadura militar. Com a chegada dos civis ao poder, ela fica sem uma excelente fonte de renda. Por isso, o patriarca, Arquimedes, decide continuar com a empreitada. Assim, ao invés de sequestrar opositores do governo, o objetivo agora é raptar pessoas endinheiradas que possam pagar altas somas pelos resgates de seus entes queridos. Desta maneira, os sequestros deixam de ter um caráter político e passam a ser um mero negócio. Sem o apoio governamental, as ações da família Puccio passam a ser mais arriscadas. A polícia começa a prender outras famílias que trabalharam desta maneira para os militares e que agora estavam praticando crimes comuns. Cientes do perigo, Alejandro e Maguila, filhos de Arquímedes, até tentam largar a vida de crimes e seguir suas vidas normalmente. Porém, o ímpeto e a imposição paterna não permitem. Assim, a família, com a ajuda de um militar aposentado e de dois amigos, segue com seus crimes. O filme consegue retratar muito bem os conflitos familiares e transmitir o clima de tensão dos envolvidos. Guilhermo Francella está esplendido como o tirano pai da família. Seu olhar e sua expressão fácil dizem muito sobre o personagem. A narrativa é envolvente e o roteiro está muito bem amarrado. O final é eletrizante e surpreendente. “O Clã” é mais um ótimo filme de suspense argentino ambientado no período mais conturbado do país vizinho. Veja o trailer de "O Clã": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #PabloTrapero #GuilhermoFrancella #CinemaArgentino #Drama #Suspense
- Livros: Quem Mexeu no Meu Queijo? – A novela best-seller de Spencer Johnson
Reli, na última quinta-feira à noite, o livro “Quem Mexeu no Meu Queijo” (Record), o maior sucesso da carreira de Spencer Johnson, psicólogo norte-americano que atua também como escritor desde a década de 1970. Johnson encontrou na literatura uma maneira interessante e direta de apresentar seus estudos sobre o comportamento humano. Suas primeiras obras integraram a coleção “The Value Tale”, em que abordava a importância do indivíduo em ser mais bondoso, de conter a ansiedade, de acreditar mais em si mesmo, de ter paciência, de encarar a vida com humor, etc. Foram 17 livros da coleção publicados entre 1975 e 1979. Mais recentemente, novos títulos foram lançados, aumentando ainda mais a série. O sucesso definitivo do psicólogo-escritor veio quando ele passou a escrever para homens e mulheres do mundo empresarial, até então um segmento pouco explorado pelos livros de autoajuda. Nos anos de 1980, em parceria com o consultor de empresas Ken Blanchard, Spencer Johnson produziu a série “O Gerente-Minuto”. A proposta era oferecer dicas práticas de como os executivos deveriam se comportar no mundo corporativo e no ambiente familiar. Foram seis livros da série, alguns alcançando o posto de best-seller no mercado norte-americano. Aí, em 1998, Spencer Johnson publicou “Quem Mexeu no Meu Queijo”. O patamar de sucesso do autor mudava radicalmente. De um nome conhecido nos Estados Unidos, ele se transformava em uma personalidade famosa nos quatro cantos do planeta. Nesta novela, o autor apresentou uma parábola sobre a dificuldade das pessoas em encarar as mudanças. Com uma linguagem simples, personagens de caráter universal, uma trama simbólica e uma narrativa curta (características típicas das parábolas), “Quem Mexeu no Meu Queijo” se tornou um best-seller mundial. Entre o final dos anos de 1990 e a primeira metade dos anos 2000, era impossível entrar em uma livraria em qualquer país do mundo ocidental e não encontrar o título de Johnson. Calculasse que a obra tenha sido traduzida para quase 40 idiomas e que tenha vendido mais de 25 milhões de cópias. Sinceramente, não gosto muito de livros de autoajuda. Acho, na maioria das vezes, suas histórias bobas, suas abordagens apelativas e seus ensinamentos óbvios. Em alguns casos, até mesmo a postura dos autores desse gênero soa arrogante e muito profética, como se fossem grandes gurus da humanidade. Sei que é implicância minha. Mesmo com esses preconceitos possivelmente tolos da minha parte, admito, estupefato, ter adorado “Quem Mexeu no Meu Queijo”. Lembro de ter ficado impressionado positivamente quando o li pela primeira vez há mais de dez anos. E agora, nessa releitura desta semana, continuo com a avaliação favorável. O livro começa com uma reunião entre antigos colegas de uma escola secundária de Chicago. Composto por adultos, o grupo aproveita a oportunidade para conversar sobre o que a vida lhes reservou nos últimos anos. Se antes eram crianças sonhadoras, hoje são homens e mulheres casados e com profissões consolidadas. Diante das lamentações de muitos ex-colegas, Michael, um dos participantes do encontro, avisa que certa vez ouviu uma história que mudou sua forma de enxergar a vida e, principalmente, de lidar com as mudanças. Trata-se de “Quem Mexeu no Meu Queijo”. Curiosos, os amigos pedem que Michael compartilhe a trama com todos. “Há muito tempo, num país muito distante, quando as coisas eram diferentes, havia quatro pequenos personagens que corriam através de um labirinto à procura de queijo, que os alimentasse e os fizesse felizes. Dois eram ratos, chamados Sniff e Scurry, e dois homenzinhos – seres tão pequenos quanto os ratos, mas que se pareciam muito com as pessoas de hoje, e agiam como elas. Seus nomes era Hem e Ham”. Assim, começa a história contada por Michael aos antigos colegas... No labirinto, Sniff, Scurry, Hem e Ham levavam uma vida tranquila depois que encontraram no Posto C uma quantidade absurda de queijo. Com a descoberta, os dois ratinhos e os dois homens não precisaram mais ficar correndo pelos corredores do labirinto em busca de alimento. A rotina do quarteto mudou radicalmente – para melhor. Entretanto, os dias, as semanas, os meses e os anos foram se passando e o estoque de queijo, pouco a pouco, foi sendo consumido sem que ninguém notasse. Até que um dia, surpresa: os queijos acabaram no Posto C! O choque pelo fim do alimento é diferente entre ratos e homens. Cada dupla de personagens age de maneira distinta. Os comportamentos de Sniff, Scurry, Hem e Ham frente ao conflito indicam as formas como cada um deles encara as mudanças. Alguns teimam em se manter presos a rotina, enquanto outros se dispõem a se aventurar novamente pelos corredores do labirinto, como faziam antigamente. “Quem Mexeu no Meu Queijo” é uma ótima parábola sobre o comodismo, sobre o apreço pela rotina e pela aversão que muitas pessoas têm das mudanças impostas pela vida. A trama dentro do labirinto é espetacular! Um ponto positivo do livro é seu tamanho. Ele tem pouco mais de 100 páginas (e várias delas são ilustradas com desenhos). Sua trama é extremamente enxuta, sendo possível lê-la em menos de uma hora. Spencer Johnson não é aquele tipo de autor que fica enrolando o leitor. Ele vai direto ao ponto. Sua linguagem é o mais acessível possível e sua história é muito didática. A narrativa só é quebrada por pontuações filosóficas das personagens (na verdade, do autor), algo que enriquece a obra e a trama contada. A aparência de simplicidade de “Quem Mexeu no Meu Queijo” pode incomodar alguns leitores mais intelectualizados. Eu, particularmente, gosto de histórias simples e acessíveis. Literatura boa não precisa ser necessariamente literatura difícil. O que mais gostei neste livro é o poder de Johnson em falar muitas coisas de maneira simbólica e em poucas páginas. Se essa não é uma virtude de um ótimo autor, não sei mais o que pode ser. É verdade também que mesmo enxuto, o livro tem algumas partes desnecessárias e um tanto mal desenvolvidas. O prefácio de Ken Blanchard, parceiro de Johnson na série “O Gerente-minuto”, é, por exemplo, uma encheção de linguiça sem fim. E o que dizer dos diálogos do grupo de amigos de Chicago ao final da narração de Michael, hein?! Por vinte páginas, vemos os antigos colegas discutindo suas impressões sobre a história passada no labirinto. Ou o autor está chamando seus leitores de burros (que não conseguem entender por conta própria o conteúdo da parte principal da obra) ou esse foi um recurso para alongar um pouco o livro por natureza diminuto (caso contrário, ele teria apenas 80 páginas – inviável no mercado editorial moderno). Acho que a segunda opção é a mais coerente. Pelo menos é aquela que quero acreditar. Ainda na parte final, também não gostei do jeito como os diálogos dos amigos foram desenvolvidos. Nota-se certo amadorismo do autor em produzir ficção, uma área em que ele estreava com esta novela. Vale lembrar que quase todas as obras de Johnson são compostas por títulos técnicos. No desfecho, há várias personagens falando, sem que o leitor consiga entender suas características e suas histórias de vidas. Além de banais (conteúdos desnecessários), as últimas páginas ficaram bastante confusas (quem é quem no grupo de ex-estudantes e quem falava o quê?). Apesar desses pequenos vacilos (naturais principalmente em se tratando de um escritor novato na ficção), “Quem Mexeu no Meu Queijo” é um livro excelente. Seu sucesso não foi à toa. Dessa vez, eu o li como literatura. Na primeira oportunidade, havia lido como autoajuda. Nos dois casos, ele vai muito, muito bem. Tenho a impressão que a obra de Spencer Johnson seja atemporal. Quanto mais tempo se passa, melhor ela fica. Após a leitura, recoloquei o livro na estante de casa e prometi para mim mesmo que iria relê-la daqui alguns anos. Com certeza, ficarei mais uma vez impressionado positivamente com seu conteúdo. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #SpencerJohnson #Autoajuda #Negócios #LiteraturaNorteAmericana #Livros
- Gastronomia: Picanha & Beer - Carne australiana em Perdizes
No último final de semana, inaugurou um bar-restaurante interessante em Perdizes. O Picanha & Beer, localizado na Rua João Ramalho 647, próximo à PUC-SP, tem como proposta servir carne de primeira com uma boa cerveja. Daí o nome da casa. O corte que dá nome à casa tem origem australiana. Servida em fatias, em porções ou no espeto, esta é a melhor pedida. Os pratos não se restringem a boa e velha Picanha. Há outras boas opções como o espetinho vegetariano para quem não gosta de carne, kafta, porções de costela bovina e suína e espetos de medalhões de lombo suíno e de frango. A variedade de cervejas e destilados também agrada. O Picanha & Beer não é aquele tipo de restaurante para se comer carne com arroz e feijão (estes acompanhamentos nem existem no cardápio). Aqui a carne é o prato principal e quase único. Ele pode ter como acompanhamento exclusivamente as bebidas. Este é o conceito da casa e, por isso, ela se sai bem no que se propõe. O atendimento, apesar dos deslizes naturais de todo estabelecimento que acabou de abrir as portas, é esforçado e simpático. Aberto de terça a sexta-feira à noite e durante o final de semana apenas para almoço, o Picanha & Beer é uma opção interessante para quem mora na região de Perdizes e aprecia uma boa carne e uma boa cerveja. Que tal este post e o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer as demais críticas gastronômicas do blog, clique na coluna Gastronomia. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #restaurante #bar #SãoPaulo #Gastronomia #Churrascaria
- Celebrações: Feliz Aniversário, Bonas Histórias - Ano 1
Hoje é uma data especial. O Bonas Histórias comemora um ano de existência. No dia 1o. de dezembro de 2014, o blog nascia com a proposta de procurar boas histórias nos mais diferentes lugares: livros, filmes, peças teatrais, programas de televisão, sites da internet, nas músicas, etc. Reveja a carta aos leitores que escrevi na época: "Olá, amigos. Sejam bem-vindos ao Blog Bonas Histórias! Esse espaço, como o próprio nome diz, é dedicado à apresentação e ao debate das boas histórias. Pretendo encontrá-las em livros, filmes, peças teatrais, músicas, revistas, fotografias, exposições, eventos, programas de televisão, viagens, vídeos da Internet e qualquer outra representação artística ou jornalística. Sempre que as identificar, irei compartilhar essas narrativas aqui com vocês. Às vezes, tomarei a liberdade de produzir minhas próprias "historietas", fruto de algum debate sobre algum tema específico. Em outras oportunidades, abrirei espaço para amigos e colegas também debaterem e exporem suas visões e opiniões sobre suas próprias obras e sobre materiais de terceiros. A proposta deste blog, portanto, é servir de guia cultural para os apreciadores das boas histórias. Eu me coloco no papel de analisar criticamente cada uma das obras artísticas das quais entrarei em contato, sem a obrigação e o peso de ser ou de parecer um profissional da área. Irei discuti-las essencialmente como um grande apreciador dos mundos das letras e das imagens. Afinal, antes de trabalhar e ser remunerado para produzir conteúdo, eu sempre fui (e sou) um amante da cultura, devorando principalmente livros e filmes. Com a perspectiva de usuário/consumidor e não de produtor, acredito deixar este blog mais leve e divertido. Quem quiser utilizá-lo como referência para o que ler, assistir e visitar, saiba que meus parâmetros para as avaliações serão unicamente meus gostos e minhas percepções. Escreverei sobre os meus sentimentos, os meus entendimentos e minhas impressões em relação a cada obra. Espero que vocês se divirtam tanto quanto eu nesse processo. Até porque, na minha humilde opinião, o mundo no qual vivemos precisa cada vez mais de boas histórias para nos inspirar e seduzir. Feliz daquele que sabe admirar a beleza dos bons enredos a desfilar diante dos seus olhos. Mais uma vez, sejam bem-vindos ao Bonas História. Ricardo Bonacorci - 1o. de dezembro de 2014". Revejo agora estas palavras de um ano atrás para reafirmá-las mais uma vez. A vontade e a dedicação de fazer o Blog Bonas Histórias maior e melhor a cada dia estão mais vivas do que nunca. Feliz Aniversário a todos os envolvidos! Até o próximo aniversário. Que tal este post e o conteúdo do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para acessar os demais posts desta coluna, clique em Premiações e Celebrações. E aproveite para curtir a página do blog no Facebook. #celebração #Aniversário #BonasHistórias
- Livros: Aqui Tem! - O tênis por Fernando Meligeni e André Kfouri
Esta tarde li o livro "Aqui Tem! - Vitórias e Memórias de Fernando Meligeni" (Ediouro). Eu conheci o tenista faz uns dois meses em uma reunião na Editora Évora. A ideia é lançar um novo livro dele (esperem novidades para o primeiro trimestre do próximo ano), desta vez com dicas de como jogar tênis. Durante o encontro, Fernando me pareceu muito gente boa. E fiquei interessado em conhecer mais sobre sua trajetória esportiva. Para isso, precisei adquirir sua publicação em um sebo no centro da cidade porque esta edição da obra não está mais disponível nas livrarias. "Aqui Tem!" é uma parceria entre Fernando Meligeni e o jornalista esportivo André Kfouri. O livro não é uma bibliografia convencional do atleta e sim o relato de boas histórias vividas por Fino, como o tenista é popularmente conhecido, ao longo de sua carreira. Na obra, podemos conhecer os aspectos que o levaram a vir morar no Brasil quando pequeno (ele nasceu na Argentina), o início no tênis juvenil e os treinos quando garoto, a decisão de virar profissional, a escolha pela nacionalidade brasileira, os medos e os dissabores desta profissão, as grandes vitórias e as amargas derrotas e, principalmente, as histórias dos bastidores do circuito profissional do tênis. O mais legal deste livro é a linguagem simples e direta empregada no texto. A sinceridade de Meligeni em expor seus receios, seus erros e suas preocupações chega a ser emocionante. O atleta que nunca foi o melhor tecnicamente da sua geração conquistou muita coisa ao longo da vida por ser persistente e aguerrido. Isso ele tem consciência e fica evidente em suas palavras. Os relatos dos principais jogos da sua carreira também empolgam. Destaque para a vitória sobre André Agassi no Master Series de Roma em 1999 e a conquista da medalha de ouro no Pan-Americano de 2003, vencendo na final Marcelo Ríos. As partidas da Copa Davis e de Roland Garros também são descritas com muito orgulho. Em algumas partes, parece que estamos assistindo ao jogo, tamanha é a emoção na descrição dos lances. Apesar de falar muito de tênis, acho que "Aqui Tem!" é muito mais sobre o tenista Fernando Meligeni do que sobre o esporte por ele praticado. O tenista dá uma aula de como encarar sua profissão e de como se preparar para os grandes desafios da vida. Somente os corajosos e aqueles com o espírito guerreiro conseguem vencer adversários melhores qualificados. Essa é a grande lição de vida de Meligeni. O livro é bem enxuto. Com pouco mais de 200 páginas, com muitas fotos, letras grandes e bom espaçamento entre as linhas, é possível lê-lo em menos de três horas. A leitura é fácil e prazerosa. Gostei muito de ter conhecido mais sobre as histórias da carreira desta atleta que encheu de orgulho nosso país. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #FernandoMeligeni #AndréKfouri #Livros #esportes #Biografia #LiteraturaBrasileira #LiteraturaContemporânea
- Filmes: Capital Humano - Suspense italiano de alto nível
Neste final de semana, aproveitando que estava na Avenida Paulista (como está gostoso passear pela avenida aos domingos, agora que os carros estão proibidos de trafegar por ali!), fui ao Reserva Cultural para ver "Capital Humano" (Il Capitale Umano: 2013). Esta é a última produção do cineasta Paolo Virzi que chega aos cinemas do nosso país. Depois do sucesso retumbante de "A Primeira Coisa Bela" (La Prima Cosa Bella:2010), indicado a 18 prêmios David di Donatello, a maior premiação do cinema italiano, e representante da Itália no Oscar 2011, Virzi novamente aposta no suspense e no drama para angariar expectadores para seu longa-metragem. Em "Capital Humano", testemunhamos logo na primeira cena um atropelamento de um ciclista. O motorista do veículo que jogou o ciclista em um barranco foge sem prestar o necessário socorro. Aí inicia o suspense sobre quem foi o autor do acidente. Vamos conhecendo a verdadeira história aos poucos, à medida que a trama vai sendo revelada aos poucos. Divididos em três atos, o filme aborda três personagens da história: Dino Ossola (interpretado por Fabrizio Bentivoglio), Carla Bernashi (Valeria Bruni Tedeschi) e Serena Ossola (Matilde Gioli). Em cada ato, temos a narrativa sob o ponto de vista de um dos personagens. No final, a quarta parte é completada com o prólogo. Dino é pai de Serena, uma jovem que começa a namorar o filho de um rico investidor. Carla é a mãe do rapaz e esposa do milionário. Dino, querendo se aproveitar da intimidade com o casal cheio da grana, começa a frequentar a casa dos ricaços, em desagrado da filha. Ele quer ser sócio do pai do namorado de Serena e entrar no mundo dos investimentos financeiros. Carla, por sua vez, parece gostar muito da nova namorada do filho. O seu sonho é reabrir o teatro da cidade. Para isso, precisará contar com o patrocínio do marido. Já sobre Serena, só vamos compreender sua verdadeira personalidade no final do filme. Nem adianta nada falarmos sobre ela aqui. Na verdade, só conseguimos compreender realmente os acontecimentos que culminam no acidente quando terminamos de ver o ponto de vista de cada um destes três personagens. O grande mérito de "O Capital Humano" é prender a atenção do expectador do inicio ao fim. O quebra-cabeça dos acontecimentos é apresentado por peças que vão nos surpreendo o tempo inteiro. O vai e volta da narrativa é eletrizante. Só vamos entender de fato o que está acontecendo no finalzinho do filme. Ou seja, mais interessante do que a história em si é a forma como ela é contada. A técnica narrativa utilizada por Virzi é espetacular. A atuação de todos atores é muito boa. Destaque para o trio que é enfocado nos atos: Fabrizio Bentivoglio, Valeria Bruni Tedeschi e Matilde Gioli. Enquanto os dois primeiros comprovam sua experiência e competência, Matilde Gioli mostra seu talento, mesmo sendo ainda bem jovem. O único ponto decepcionante é o humor. Conhecido pelas comédias dramáticas, Paolo Virzi é contido no bom humor desta vez. Apesar do filme ter um clima descontraído (principalmente se considerarmos a temática pesada e as várias críticas sociais feitas), são poucas as cenas que dá para rir. É verdade que não se trata de uma comédia, mas minha expectativa com um filme de Virzi é sempre rir um pouco. "Capital Humano" foi um grande sucesso na Itália, enchendo as salas de cinema do país na época do seu lançamento. O sucesso nas bilheterias foi acompanhando de excelentes críticas no mundo todo. É muito legal poder conferir este ótimo filme mesmo com um atraso de dois anos. Veja o trailer de "Capital Humano": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #PaoloVirzi
- Mercado Editorial – Livros Ficcionais Mais Vendidos no Brasil em 2014
Neste ano, já comentamos aqui na coluna Mercado Editorial a evolução do faturamento das editoras no país, o crescimento das vendas dos livros digitais no Brasil e as obras e os autores mais comercializados nas livrarias brasileiras em 2014. Hoje, vamos apresentar aqui no Blog Bonas Histórias os best-sellers na categoria ficção. Os dados são do PublishNews, a fonte mais confiável do mercado nacional atualmente. O romancista mais vendido em nosso país no ano passado foi o norte-americano John Green. Ele teve o livro mais vendido em 2014 nas livrarias nacionais: “A Culpa é das Estrelas” (Intrínseca). A obra vendeu 642 mil exemplares. John Green também teve mais três títulos entre os sete mais vendidos. “Quem é Você, Alasca” (WMF Martins Fontes) teve 165 mil unidades comercializadas e ficou na terceira posição. “Cidade de Papel” (Intrínseca), o quarto romance mais vendido, teve 149 mil unidades adquiridas por brasileiros. E “O Teorema Katherine” (Intrínseca) ficou na sétima colocação com 99 mil vendidos. Ao todo, John Green ultrapassou a marca de 1 milhão de livros vendidos em nosso país entre janeiro e dezembro de 2014. A segunda romancistas no grupo de best-sellers é a norte-americana Gayle Forman com aproximadamente 240 mil unidades vendidas. “Se Eu Ficar” (Novo Conceito), o segundo colocado no ranking dos romances mais vendidos, teve 179 mil unidades comercializadas e “Para Onde Ela Foi” (Novo Conceito), na nona posição, teve 60 mil. Na sequência temos o francês Antoine Saint-Exupér com o clássico “O Pequeno Príncipe” (Agir) - 136 mil unidades - e o australiano Markus Zusak com “A Menina que Roubava Livros” (Intrínseca) - 126 mil unidades. Os únicos autores brasileiros na lista dos 10 livros ficcionais mais vendidos são Augusto Cury com “A Felicidade Roubada”, oitavo romance mais vendido com 71 mil unidades comercializadas, e Fernanda Torres com “Fim” (Companhia das Letras”, o décimo colocado, com 59 mil exemplares vendidos. Veja o ranking das ficções mais vendidas nas livrarias brasileiras em 2014 segundo o PublishNews: 1) “A Culpa é das Estrelas” – John Green (Estados Unidos) - Intrínseca - 646 mil unidades. 2) “Se Eu Ficar” – Gayle Forman (Estados Unidos) – Novo Conceito - 179 mil unidades. 3) “Quem é Você, Alasca” – John Green (Estados Unidos) – WMF Martins Fontes - 165 mil unidades. 4) “Cidade de Papel” – John Green (Estados Unidos) - Intrínseca - 149 mil unidades. 5) “O Pequeno Príncipe” – Antoine Saint-Exupéry (França) - Agir - 136 mil unidades. 6) “A Menina que Roubava Livros” – Markus Zusak (Austrália) – Intrínseca - 126 mil unidades. 7) “O Teorema Katherine” – John Green (Estados Unidos) - Intrínseca - 99 mil unidades. 8) “A Felicidade Roubada” – Augusto Cury (Brasil) – Benvirá – 71 mil unidades 9) “Para Onde Ela Foi” - Gayle Forman (Estados Unidos) – Novo Conceito - 60 mil unidades. 10) “Fim” – Fernanda Torres (Brasil) – Companhia das Letras – 59 mil unidades. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você se interessa por informações do mercado editorial, deixe aqui seu comentário. Para acessar outras notícias dessa área, clique em Mercado Editorial. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.
- Peças Teatrais: Lampião e Lancelote - A volta do premiado musical
Ontem assisti à peça "Lampião e Lancelote" no teatro do SESI na Avenida Paulista. Livre adaptação de Bráulio Tavares do livro homônimo de Fernando Vilela, direção de Débora Dubois e músicas de Zeca Baleiro, o musical ficará em cartaz até 20 de dezembro. A produção, na verdade, reestreou nos palcos paulistanos neste final de semana. Ela é uma encenação de 2013 que volta agora em comemoração ao cinquentenário do Teatro do SESI-SP. Multipremiado em 2013 (eleito o melhor espetáculo para jovens pela Associação Paulista de Críticos de Arte - APCA, vencedor do prêmio Bibi Ferreira de melhor musical brasileiro, ganhador do Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem de melhor espetáculo jovem e Prêmio Arte Qualidade Brasil para Daniel Infantini como melhor ator), "Lampião e Lancelote" tem a maioria dos atores do elenco original: Marcos Damigo, Luciana Carniele e Vanessa Prieto. Alê Pessoa e Roberto Monastero são os substitutos de Cássio Scapin e Daniel Infantini. A história da peça aborda o duelo entre o cangaceiro brasileiro e o cavaleiro da Távola Redonda do rei Arthur. Lancelote acaba sendo vítima de um feitiço da bruxa Morgana. Por se sentir desprezada pelo cavaleiro, ela lança um feitiço que faz com que Lancelote seja enviado para o Sertão nordestino. Em território inóspito e bem diferente da sua Inglaterra medieval, o cavaleiro precisará desafiar não apenas Lampião como todo o bando do cangaceiro. Quem é o guerreiro mais bravo e destemido? A narrativa é regada com muitas boas músicas e com um texto recheado de ironia e humor inteligente. O cenário também é interessante. O palco é dividido de uma forma que os personagens podem aparecer de todos os lados e permite uma movimentação inusitada. A peça, infelizmente, não é tão movimentada e dinâmica como eu imaginava. A primeira meia hora é muito parada e de certa forma meio entediante. Cuidado para não dormir! A meia hora final é mais interessante e os acontecimentos são precipitados. Apesar da ótima música e a boa atuação dos atores, achei essa peça muito abaixo das oferecidas pelo SESI. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe, então, sua opinião sobre as matérias desta coluna. Para acessar as demais críticas teatrais, clique em Teatro. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #BráulioTavares #FernandoVilela #DéboraDubois #ZecaBaleiro #peçadeteatro #teatro
- Livros: A Barba Ensopada de Sangue – O melhor romance de Daniel Galera
Li, ao longo desta semana, “Barba Ensopada de Sangue” (Companhia das Letras), o quarto e último romance publicado por Daniel Galera, um dos mais talentosos escritores gaúchos da nova geração. Curiosamente (ou seria paradoxalmente?), Galera não nasceu no Rio Grande do Sul e sim na capital paulista. Entretanto, por ter sido levado ainda criança para Porto Alegre, cidade onde cresceu e onde mora desde então, e por escrever suas tramas ambientadas nessa região do país, ele ganhou a cunha de escritor gaúcho. E quem sou eu para questionar ou mudar isso? “Barba Ensopada de Sangue” é considerado o melhor trabalho literário até agora de Daniel Galera. A obra conquistou, em 2013, o Prêmio São Paulo de Literatura como o melhor livro do ano. No mesmo ano, o livro foi terceiro colocado no Prêmio Jabuti, na categoria melhor romance. Nada mal, hein?! Esta publicação já foi traduzida para alguns idiomas e foi lançada em países da América Latina e da Europa. Antes de publicar “Barba Ensopada de Sangue”, em 2012, Daniel Galera tinha em seu portfólio artístico três romances – “Até o Dia em que o Cão Morreu” (Livros do Mal), de 2003, “Mãos de Cavalo” (Companhia das Letras), de 2006, e “Cordilheira” (Companhia das Letras), de 2008 –, uma coletânea de contos – “Dentes Guardados” (Livros do Mal), de 2001 – e uma HQ – “Cachalote” (Quadrinhos na Cia), de 2010, uma parceria com Rafael Coutinho. Em “Barba Ensopada de Sangue”, temos um jovem professor de educação física de nome desconhecido. Ele nasceu em São Paulo e foi criado em Porto Alegre. O rapaz de aproximadamente trinta anos vive angustiado por três tragédias familiares. O pai acabou de se suicidar. Antes de se matar, ele confessou ao filho o que ia fazer, deixando Berta, sua velha cachorra, sob a guarda da personagem principal do livro. Em um passado mais longínquo, Gaudério, o avô paterno do professor de educação física, foi assassinado em Garopaba, uma pequena vila de pescadores em Santa Catarina. As incertezas sobre a vida e, principalmente, a morte do avô também o angustiam. E para terminar, a esposa do protagonista o abandonou para viver com seu irmão. As três gerações de homens desta família, de certa forma, são envolvidas em acontecimentos dramáticos. Com a herança recebida do pai e com a companhia de Berta, a personagem principal do romance decide se mudar para Garopaba. Enquanto vive tranquilamente como professor de natação em uma academia local, ele decide investigar o passado misterioso do avô. Visto como forasteiro pelos catarinenses e como um parente próximo de Gaudério (o avô do professor de educação física era alguém odiado pela população da cidade), o rapaz encontra muitos inimigos, que querem sua saída imediata dali. Para piorar ainda mais sua condição, o rapaz tem uma doença rara. Ele não consegue memorizar os rostos das pessoas. Assim, ele se torna alvo ainda mais fácil do ódio e da violência dos habitantes de Garopaba. Quanto mais se aproxima da verdadeira história de Gaudério, mais o protagonista de “Barba Ensopada de Sangue” arranjará problemas para si. O livro é semi biográfico. O protagonista do romance foi inspirado em um tio que Daniel Galera jamais conheceu. Conforme apresentado no prefácio de “Barba Ensopada de Sangue”, o parente do escritor morou em Garopaba entre as décadas de 1980 e 1990. Ali, viveu discretamente como professor de pilates, treinador de triatletas e como salva-vidas. Somente após a morte deste tio, Galera visitou a pequena vila histórica de Santa Catarina para colher mais informações sobre ele, transformando-o mais tarde em um dos seus personagens mais inusitados. Realmente, “Barba Ensopada de Sangue” é um livro excelente. Ele mistura vários gêneros em suas páginas: romance, drama, mistério, investigação e ação. Praticamente, temos nesta obra um pouquinho de tudo o que faz a alegria dos leitores de ficção. Além de ótimo, o livro é volumoso para os padrões atuais do mercado editorial. Ele possui mais de 400 páginas - o dobro do que temos encontrado nas livrarias hoje em dia. O principal mérito do romance está em criar um ambiente de grande tensão narrativa. O jeito introspectivo, pouco sociável e amargurado do protagonista e o ódio dos moradores de Garopaba torna a trama sujeita, a qualquer momento, a um acontecimento trágico. Isso fica evidenciado na trajetória de Berta. A cachorrinha sofre horrores, provocando as cenas mais tristes do livro para quem gosta dos animaizinhos de estimação. Repare também no foco narrativo escolhido por Daniel Galera. O escritor utiliza-se de um narrador em terceira pessoa muito próximo ao protagonista. Em muitos momentos, o leitor acha que está lendo um texto em primeira pessoa, tamanha é essa proximidade entre narrador e personagem. Este expediente é parecido ao praticado com brilhantismo por J. M. Coetzee, o polêmico sul-africano vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2003. Se não é um recurso totalmente original, ao menos Galera o utiliza com brilhantismo. Boa parte do clima tenso de seu romance se passa pela escolha do tipo de narrador. Curiosamente, essa é uma história ancorada em acontecimentos banais e sujeita à rotina simples do personagem principal. Assim, o livro pode parecer um pouco parado ou com uma velocidade bem lenta. Isso é potencializado pelas muitas descrições de cenários. Muito provavelmente, esse recurso acabe desagradando os leitores mais impacientes. Contudo, sempre que passamos a nos acostumar com a rotina ou a banalidade da vida da personagem principal, algo de surpreendente acontece e a trama ganha uma nova perspectiva. Nesse sentido, desfecho do romance ganha em vitalidade, com incríveis surpresas. A impressão que se dá é que o autor deixou toda a ação do romance para os últimos capítulos. Se “Barba Ensopada de Sangue” tem pouca ação, o mesmo não se pode dizer dos diálogos. A base da construção narrativa desta obra está nas ótimas conversas travadas pelas suas personagens. É através dos diálogos que conhecemos as angústias e as crenças das figuras retratadas. Também gostei muito da construção das personagens. Suas constituições fogem do maniqueísmo piegas que muitos escritores recorrem na hora de produzir seus romances. Em muitos momentos, ficamos na dúvida de quem está certo e quem está errado nesta trama. Gostei muito deste quarto romance de Daniel Galera. “Barba Ensopada de Sangue” é um livro diferente do que tenho lido ultimamente. Essa é, talvez, sua principal qualidade. Ele nos tira da zona de conforto e apresenta um tipo de literatura incomum, principalmente em se tratando de ficção de apelo comercial. Não é à toa que a obra tenha recebido tantos elogios e vários prêmios no cenário nacional. Daniel Galera é um escritor ao mesmo tempo talentoso e original. Ele parece praticar uma literatura com uma estética moderna e pouco afeita a estereótipos. Em alguns momentos, o escritor gaúcho flerta com o experimentalismo. É verdade, que essa audácia pode às vezes funcionar mais em alguns momentos e menos em outros. De qualquer forma, quem gosta de boa literatura precisa conhecer “Barba Ensopada de Sangue”. Se você vai gostar ou não deste romance de Daniel Galera, eu não sei. O que sei é que ele irá mexer com você. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #DanielGalera #Romance #Drama #LiteraturaContemporânea #LiteraturaBrasileira
- Livros: O Clube do Filme – David Gilmour como escritor e pai
Nesta semana, li “O Clube do Filme” (Intrínseca), o livro de não ficção do canadense David Gilmour. Nesta obra, Gilmour, que trabalha como romancista e crítico de cinema, resolveu contar os apuros que passou como pai. Seu filho adolescente simplesmente não queria ir para a escola. O que fazer quando isso acontece?! O escritor resolveu radicalizar e sua experiência é ímpar. O resultado é um livro bonito, original e muitíssimo interessante. “O Clube do Filme” tornou-se best-seller no Canadá, na Alemanha e no Brasil, sendo traduzido para duas dezenas de idiomas. Até hoje, esta é a publicação mais famosa da carreira de David Gilmour no exterior. Lançado em 2007, no Canadá, “O Clube do Filme” é o sétimo livro de Gilmour. Atualmente, o autor possui nove títulos. Todos são romances. Ou melhor, quase todos. A exceção é justamente “O Clube do Filme”, uma obra de memórias. Curiosamente, foi com esta única publicação na categoria de não ficção que o canadense conseguiu expandir o número de leitores para fora do seu país natal. No ano passado, a editora Jardim dos Livros publicou, no Brasil, o mais recente trabalho do autor, “A Perfeita Ordem das Coisas”. No enredo de “O Clube da Luta”, David é um crítico de cinema desempregado e um escritor frustrado que mora em Toronto. Separado de Maggie, ele vive com a segunda esposa, Tina, e com seu único filho, Jesse, um rapaz de quinze anos fruto do primeiro casamento. David está passando por uma grave crise financeira. Sem trabalho, ele tem muito tempo ocioso e muitas contas para pagar. Entretanto, sua maior preocupação no momento é o comportamento do filho. Jesse é um rapaz doce, calmo, independente e inteligente. Seu grande defeito é não gostar da escola. Por isso, o adolescente raramente comparece às aulas do ensino médio e, quando vai, não faz as tarefas nem presta atenção no que os professores falam. O que fazer com um rapaz que não quer estudar, hein? Certo dia, sem saber mais o que fazer para mudar essa situação, David toma uma decisão arriscada. Ele fala que se Jesse não quiser mais ir para a escola, tudo bem. Ele pode sair do colégio, sem problema nenhum. O filho pode continuar morando com ele sem estudar e sem trabalhar. A única condição imposta ao garoto é que ele assista, junto com o pai, a três filmes por semana escolhidos por David. Jesse parece não acreditar no que ouve e prontamente aceita a proposta paterna. Assim, é iniciado o Clube do Filme, apelido carinhoso dado ao encontro cinematográfico de pai e filho. Já no dia seguinte, eles veem “Os Incompreendidos” (Les Quatre Cents Coups: 1959), obra-prima de François Truffaut. Jesse parece não ter gostado muito do filme, mas fica com uma postura reflexiva. No outro dia, a dupla assiste ao “Instinto Selvagem” (Basic Instinct: 1992). Aí, o garoto parece ter apreciado muito mais a sessão caseira. Semanas após semanas, pai e filho conferem regularmente a mais de uma centena de clássicos do cinema. Fazem parte da lista deles: “Cidadão Kane” (Citizen Kane: 1941), “Último Tango em Paris” (Ultimo Tango a Parigi: 1972), “Pulp Fiction – Tempo de Violência” (Pulp Fiction: 1994), “Cantando na Chuva” (Singin' in the Rain: 1952), “O Exorcista” (The Exorcist: 1973), “Mamãezinha Querida” (Mommie Dearest: 1981), “Casablanca” (1942), etc. A dupla não apenas vê os longas-metragens como também os discute calorosamente. “O Clube do Filme” possui uma leitura agradável e rápida. Li suas 239 páginas em um único dia. O conflito da obra é duplo. De um lado temos um pai receoso de estar agindo incorretamente em relação ao futuro do filho, apesar de sua intuição dizer o contrário. Do outro lado, temos um rapaz completamente perdido em meio ao turbilhão de emoções e de sentimentos que é a adolescência. O leitor mergulha simultaneamente no drama de David e nas angústias de Jesse. Confesso que quando peguei este livro para ler, achei que em suas páginas teriam muito mais análises de filmes do que há de fato em “O Clube do Filme”. É verdade que pai e filho discutem alguns longas-metragens ao longo dos capítulos, mas esse elemento fica em segundo plano o tempo inteiro. O importante aqui é a história de David e Jesse Gilmour. Como cinéfilo, admito ter ficado um pouco frustrado com essa escolha do autor. Contudo, ela se mostrou acertada. Se os dois ficassem dialogando sem parar sobre cada grande filme visto, na certa a trama perderia a graça e sua agilidade. Do jeito que está, o livro ficou muito bom. “O Clube do Filme” é uma obra interessante, mas está muito longe de ser uma publicação perfeita. Ela possui muitos altos e baixos. O ritmo, por exemplo, da narrativa vai muito bem na primeira metade. Depois, ele perde em velocidade e força. A metade final do livro mais parece um drama infanto-juvenil. Os problemas e as dificuldades que Jesse passa são típicos da adolescência. Somente seu pai acha excepcionais as angústias do menino. E elas, queiramos ou não, não são justificativas para tirar o rapaz da escola. Somente um louco iria propor algo assim para um adolescente. Outro elemento que não é bem explicado no livro é o papel de Maggie na decisão de tirar Jesse da escola. Parece-me pouco verossímil uma mãe concordar com a proposta de David numa boa. Por que Maggie aceitou isso tão passivamente? Por que ela não se indignou desde o início? Se ela tivesse ido contra a ideia, o conflito teria ganhado em profundidade e pluralidade. E o que posso dizer do final da história, hein? Essa é a parte, no meu ponto de vista, de maior frustração. Apesar do escritor afirmar mais de uma vez que o desfecho é surpreendente, achei-o totalmente previsível. A obra termina exatamente como o leitor minimamente atento previu desde o início. Onde está a surpresa aí, David Gilmour? Apesar destes pontos negativos, de maneira geral “O Clube do Filme” é um livro saboroso e possui uma leitura muito agradável. Minha ligeira frustração deveu-se a minha alta expectativa. “O Clube do Filme” não é um livrão como eu imaginei antes da leitura, mas é uma publicação acima da média. Sua história vale pela postura ousada de David Gilmour em lidar com seu filho problemático e tirar do cinema lições de vida importantes. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #DavidGilmour #NãoFicção #Biografia #Drama #Livros #LiteraturaContemporânea #Cinema #LiteraturaCanadense
















