Sistema de Pesquisa
Resultados encontrados para busca vazia
- Livros: Melhores Contos de Ignácio de Loyola Brandão
Ignácio de Loyola Brandão é um romancista que também escreve contos ou é um contista que obteve sucesso com seus romances? Estas dúvidas me perseguiam enquanto lia "Melhores Contos" (Global), obra com pequenas narrativas publicadas originalmente entre 1976 e 1987. Selecionadas por Deonísio da Silva, importante crítico literário brasileiro, estas historietas mostram a qualidade e a versatilidade do escritor paulista. Ao final do livro, cheguei à conclusão que não é possível apontar Loyola Brandão como sendo apenas romancista ou como sendo simplesmente contista. Ele navega muito bem nos dois gêneros literários, apesar de ter tido mais sucesso com o primeiro estilo. "Zero" (Global) e "Não Verás País Nenhum" (Global) são romances reconhecidos e premiados internacionalmente. Apesar de não ter obtido tamanho sucesso com seus contos, o escritor natural de Araraquara acabou escrevendo mais livros deste tipo do que propriamente romances. A primeira obra dele foi justamente um livro de contos: "Depois do Sol" (Global), publicado em 1965. Depois vieram mais seis obras do gênero: "Cadeiras Proibidas" (Global), de 1976, "Pega ele, silêncio" (Global), de 1976, "Obscenidades para uma dona de casa" (Global), de 1981, "Cabeças de segunda-feira" (Global), de 1983, "O homem do furo da mão" (Global), de 1987, e "O homem que odiava segunda-feira" (Global), de 1987. O livro "Melhores Contos" possui 15 contos extraídos de quatro obras anteriores: "Depois do Sol", "Pega Ele, Silêncio", "Cadeiras Proibidas" e "Cabeças de Segunda-feira". Os contos são: "No ritmo lento do funeral" (sobre uma competição de dança cujos participantes não podem ficar parados por três dias seguidos), "Retrato do jovem brigador" (relato da vida de um jovem jornalista que adorava se meter em brigas), "A moça que usava chupeta" (relação amorosa do narrador com uma prostituta), "Camila numa semana" (relação do narrador com uma moça durante os anos iniciais da ditadura militar), "O homem que viu o lagarto comer seu filho" (atitude passiva do pai ao ver o filho ser devorado por um monstro), "O homem que procurava a máquina" (mistério por trás de uma máquina que revolucionou uma cidade), "O homem cuja orelha cresceu" (desespero de um rapaz que via sua orelha crescer sem parar), "Os homens que esperaram o foco azulado" (sessão de cinema que nunca começa), "O homem que gritou em plena tarde" (desesperado pelo silêncio súbito da cidade, homem começa a gritar), "O homem que descobriu o dia da negação" (pessoas passam a se comportar de maneira atípica), "Obscenidades para uma dona de casa" (esposa recebe cartas pornográficas de um homem misterioso), "45 encontros com a estrela Vera Fischer" (fã apaixonado pela atriz envia-lhe constantemente cartas de amor), "A anã pré-fabricada e seu pai, o ambicioso marretador" (o sonho do pai é ver a filha trabalhando no circo e para isso ele fica dando marretadas na cabeça dela para ela não crescer e ficar do tamanho de uma anã), "A lata e a luta" (homem guarda uma misteriosa caixa em casa) e "Lígia, por um momento" (paixão de um rapaz por uma moça chamada Lígia, que ele vira apenas uma vez na vida). Este livro possui as principais características de Loyola Brandão já constatadas nas duas obras anteriores lidas: linguagem coloquial, estilo jornalístico, humor ácido e histórias com certo devaneio narrativo. Ou seja, ele não apresenta nenhuma novidade estilística. Quase todos os contos têm narrativas em primeira pessoa, geralmente com um homem expondo seu ponto de vista sobre um acontecimento inusitado. O tom das histórias mistura o sobrenatural com a denúncia social. Dependendo da história, me senti lendo uma pequena continuação de "Zero" e "Não Verás País Nenhum". Gostei dos "Melhores Contos". Contudo, achei os romances de Ignácio de Loyola Brandão melhores. Enquanto "Zero" e "Não Verás País Nenhum" são excelentes, este livro de contos é apenas razoável. Mesmo com o esforço de Deonísio da Silva de selecionar contos com certo enredo narrativo, a coletânea não chega a empolgar. Gostei do livro, mas o considerei de qualidade apenas mediana. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #IgnáciodeLoyolaBrandão #ColetâneadeContos #LiteraturaBrasileira #LiteraturaContemporânea
- Filmes: Sobrenatural, A Origem - O melhor terror do ano
Este sim é um bom filme de terror. "Sobrenatural - A Origem" (Insidious: Chapter 3: 2015) consegue assustar e prender o espectador na poltrona da sala de cinema pelos noventa minutos de duração. Gostei muito deste filme! Terceiro longa-metragem da franquia "Sobrenatural", a história desta vez se passa antes das duas primeiras ("Sobrenatural" e "Sobrenatural - Capítulo 2"). Há uma ligação entre as histórias, contudo esta trama pode ser considerada como sendo independente das outras (a família Lambert, por exemplo, não aparece aqui, apesar de ser citada). Dessa forma, quem não viu os outros dois filmes da série pode ver este tranquilamente (se bem que para um filme de terror, a palavra "tranquilamente" não seja a mais indicada) sem correr o risco de ficar perdido, não compreendendo a história. Leigh Whannell foi quem dirigiu a nova produção. Depois de escrever o roteiro e de atuar nos dois primeiros filmes da franquia, Whannell fez sua estreia como diretor. Mais conhecido pela criação e pelo roteiro do espetacular "Jogos Mortais" (em parceria com o incrível malaio James Wan, que desta vez não participa deste longa-metragem), o jovem diretor australiano de 38 anos se saiu muito bem em seu novo "papel". Ele entende do riscado e sabe fazer um bom filme de terror e de suspense. Lin Sha continua sendo Elise Rainier (a paranormal responsável por salvar as pessoas dos espíritos do mal). E novamente temos Angus Sampson como Tucker e Leigh Whannell como Specks. Entretanto, nesta história, o trio ainda não se conhecia e não trabalhava junto. O papel de moça indefesa e atormentada pelo fantasma ficou a cargo da jovem e bela atriz Stefanie Scott. Ela até que se saiu bem interpretando Quinn, no principal papel de sua carreira até aqui. Em "Sobrenatural - A Origem", a paranormal Elise Rainier recebe o pedido da adolescente Quinn Brenner para que ela ajude a moça a contatar a mãe que morreu há um ano e meio e que parece estar tentando entrar em contato com a filha. Em uma sessão espírita, Elise descobre que quem está querendo "falar" com a moça é um espírito maligno e não a sua mãe. A paranormal não pode ajudar Quinn a exorcizar o demônio e por isso a moça fica praticamente sozinha em sua casa diante do espírito do mal. Este não é um filme com um enredo original. Temos nele todos os bons e velhos clichês de um longa-metragem de terror tradicional. Mesmo assim, gostei desta produção. Ela consegue criar uma atmosfera de terror e confere vários sustos. Como sua narrativa foi bem desenvolvida e a trama foi bem filmada (enquadramento preciso, cortes certeiros, ótimo uso dos efeitos sonoros, excelentes cenários, bons figurinos e maquiagem perfeita dos demônios), os méritos do filme se sobressaem à falta de inovação do roteiro. Os sustos aparecem o tempo inteiro! Admito que em várias cenas, fiquei arrepiado de medo. Além disso, há algumas cenas engraçadas para quebrar um pouco o clima de tensão (principalmente quando a dupla de "caça-fantasmas" Tucker e Specks aparece na história). Não há dúvida que em se tratando de acabamento da produção, este filme é uma evolução dos dois anteriores. Os efeitos especiais deixaram o longa-metragem ainda mais interessante. Acho que este foi o melhor filme de terror que vi este ano. Veja o trailer de "Sobrenatural - A Origem": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.
- Gastronomia: Festa da Nossa Senhora da Achiropita - Tradição no Bixiga
Neste final de semana, fui à Festa da Nossa Senhora da Achiropita. A edição de 2015 é 89a do tradicional evento da cidade de São Paulo. Praticamente todo ano sou atraído pelos quitutes vendidos nas barraquinhas das ruas do Bixiga. Sempre realizada aos sábados e aos domingos do mês de Agosto, a Festa da Nossa Senhora da Achiropita acontece nas ruas do Bixiga e é uma homenagem à padroeira do bairro colonizado pelos italianos no final do século XIX e no início do século XX. Cerca de trinta barracas com alimentos e bebidas ficam espalhadas pelas ruas Treze de Maio, São Vicente e Dr. Luís Barreto vendendo pratos da culinária italiana. Quase mil voluntários ficam encarregados da organização e da operacionalização das festividades. O destaque é para a fogazza, o item mais consumido. Aproximadamente doze mil fogazzas são vendidas por noite. O dinheiro arrecadado é destinado às obras sociais da igreja do bairro. Além dos comes e bebes, a festa ainda tem música, show ao vivo na cantina Madonna Achiropita, procissão (realizada no dia 16 de agosto) e missa. A maioria dos frequentadores é composta por famílias, conferindo um ambiente gostoso e familiar ao evento. A organização, a segurança e a limpeza também são pontos elogiáveis. O que mais me chamou a atenção no evento deste ano foi o número reduzido de pessoas participando. Diferentemente das edições anteriores, quando era até difícil andar pelas ruas da festa e a espera na fila das barracas poderia chegar a duas horas (no caso das fogazzas), este ano estava tudo muito tranquilo. Pelo jeito, é o efeito da crise econômica. Também senti falta de alguns pratos. Por exemplo, não vi sendo vendido as pizzas. Uma pena! Em compensação havia algumas novidades, como o antepasto e a berinjela recheada ao forno. Estas são comercializadas na barraca chamada de "Típica". Outro ponto positivo é o preço reduzido das bebidas. Refrigerante e suco estão sendo comercializados por R$ 2,00 e a cerveja por R$ 3,00. É verdade que se trata de produtos Schincariol, mas que está barato está. Como sempre, o item que mais me agradou foi o sanduíche de calabresa. Ele é espetacular. Considero-o até mais gostoso do que a própria fogazza. Não sei o porquê, mas não sou muito fã do prato mais tradicional da festa. Sempre que consumo a fogazza, ela vem com muita gordura e um tanto mole. É verdade que ela é grande e muito bem recheada. Contudo, o que me faz ficar com água na boca é o pão com linguiça. A polenta também estava muito gostosa este ano. A festa vai até o dia 30 de agosto. Aos sábados, ela começa às 18 horas e se estende até às 24 horas. Aos domingos, o período é mais reduzido, indo das 17h30 às 22h30. O preço médio da maioria dos pratos está entre R$ 8,00 e R$ 9,00 e das bebidas está entre R$ 2,00 e R$ 3,00. Que tal este post e o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer as demais críticas gastronômicas do blog, clique na coluna Gastronomia. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #Gastronomia #SãoPaulo #FestaItaliana #ComidadeRua
- Livros: Zero - O romance radical de Ignácio de Loyola Brandão
Um livro único e de grande ousadia estética. Estas são as características mais acentuadas de "Zero" (Global), obra de Ignácio de Loyola Brandão. Ao lê-la, me senti em uma música da Tropicália. Ou em um videoclipe da MTV. Ou mesmo no meio do filme "Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância" (Birdman: 2015). Afinal, as coisas vão acontecendo sem uma lógica pré-definida neste livro. A história é contada por meio de fragmentos, textos desconexos e imagens atiradas diante dos nossos olhos. A narrativa é ao mesmo tempo caótica e engraçada. Livro mais importante da carreira de Loyola Brandão, "Zero" é realmente inquietante e muitíssimo inovador. Não é à toa que foi eleito, em 2000, pelo jornal "O Globo" e pela revista "Manchete" como um dos cem melhores romances do século XX. Também não foi por acaso que a publicação foi censurada pelos militares aqui no Brasil na época em que foi produzida. As autoridades alegaram que a obra ia contra os bons costumes e à moral da sociedade. Editado inicialmente na Itália em 1975, "Zero" só chegaria às livrarias brasileiras de forma definitiva em 1979. Hoje, este livro é apontado com um dos clássicos da literatura nacional. "Zero" conta a história de amor e ódio entre o casal José e Rosa. Você se lembra daquela música do Leandro e Leonardo, "Entre Tapas e Beijos" (1989)? Pois bem: parece que ela foi escrita pensando nos protagonistas do livro (brincadeira!). Depois de se casarem, José e Rosa vivem praticando sexo e brigando. Ou seja, ora se amam, ora se espancam violentamente. Enquanto conhecemos a vida do casal (em detalhes hilários e pitorescos), também somos apresentados a uma infinidade de episódios absurdos que acontecem pela cidade onde eles moram (São Paulo). Há o circo cheio de aberrações. Há a burocracia infernal: uma simples consulta ao médico de um hospital público, por exemplo, pode se transformar em uma maratona para o paciente. A polícia e os militares também são intransigentes, buscando comunistas em todos os lugares e desconfiando de qualquer um. A violência, o pessimismo, a sátira, o grotesco e a desconexão estética e conceitual dão o tom neste livro. Como pano de fundo, temos a repressão (da Ditadura Militar) e o desejo de liberdade (política e de expressão), temas que seriam novamente abordados por Loyola Brandão em uma obra futura: "Não Verás País Nenhum" (Global), na década seguinte. Segundo Antônio Candido, um dos principais críticos literários do país, "Zero" é uma obra de um "realismo feroz". A grande sacada criativa de Ignácio de Loyola Brandão com "Zero" foi ter quebrado a forma tradicional de escrever um romance. O escritor revolucionou a estrutura como o livro foi concebido. Há a tentativa de se reproduzir fielmente sons de gritos, tiros, atropelamentos, músicas, orgasmos e explosões. A vida e os pensamentos dos personagens são esmiuçados sem qualquer vergonha de se expor a realidade nua e crua. Cheio de notas de rodapés (hilárias por sinal), com pequenos desenhos e figuras (às vezes, parece que estamos vendo uma revista ao invés de um livro), com tramas paralelas (inclusive dividindo espaço na diagramação da página onde a história principal é contada) e uma narração em tom caótico, "Zero" pode ser caracterizado como tendo uma estética própria e única. Além disso, a história é contada de maneira fragmentada, um tanto desordenada. Cabe ao leitor a obrigação de ir montando as peças do quebra cabeça atiradas pelo escritor. No meio da narrativa, há vários comentários e inserções que, a princípio, estão desconectados do enredo principal, mas que dão graça e certa leveza à publicação (tão cheia de violência e de cenas pitorescas). O tom do livro é ácido, cheio de explicações corrosivas por parte do autor. A linguagem é popular, com grande oralidade e (propositadamente) um tanto desbocada. Não há pudor em descrever cenas de sexo, violência ou as deformações físicas dos personagens. Loyola Brandão fica muito à vontade para escrever o que bem entende e da forma como deseja. O resultado é um livro caótico e arrojado. Ele atrai, assombra e hipnotiza os leitores. Sem dúvida, um dos melhores livros nacionais que já li. "Zero" ficará em um lugar de destaque na prateleira da minha biblioteca. Merecidamente! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #IgnáciodeLoyolaBrandão #Romance #LiteraturaContemporânea #LiteraturaBrasileira
- Exposições: Ocupação Elomar - Do Sertão para São Paulo
Nesta semana, eu descobri uma bela exposição sendo apresentada no Itaú Cultural da Avenida Paulista. Trata-se da "Ocupação Elomar", mostra dedicada a revelar o universo do artista Elomar Figueira Mello. Elomar nasceu no interior da Bahia e vive em sua fazenda no meio do Sertão nordestino. Mais conhecido por sua música, que é uma mistura das canções populares (dos cancioneiros nordestinos) com o erudito (tradicional música ibérica e árabe do período colonial português), o baiano tem um estilo próprio e muito peculiar. Formado em arquitetura, Elomar também desenvolveu projetos arquitetônicos, escreveu peças de teatro, criou poesias, publicou romances e pintou telas. Ou seja, é um artista versátil que consegue retratar como poucos o dia a dia e a vida do sertanejo. Para divulgar as obras e um pouco da carreira de Elomar Figueira Mello, o Itaú Cultural montou uma pequena casa da fazenda em seu espaço térreo. A casa faz referência à residência atual de Elomar, localizada em Vitória da Conquista, na Bahia, e chamada de Casa dos Carneiros. A aridez do solo, as janelas tipicamente rurais, as cercas, os animais e a música nordestina dão uma excelente ambientação para o lugar, agradando o público visitante da exposição. Dentro da casa, é possível ver os registros, os objetos e as memórias que inspiraram o artista em todas as vertentes. Destaque para as músicas. Mesmo sendo uma pequena exposição, achei a "Ocupação Elomar" muito bem feita, com apresso aos detalhes e preocupada em apresentar todas as facetas do artista. Eu recomendo uma visita. A duração aproximada é de uma hora (para quem for detalhista como eu). A mostra é gratuita e ficará em cartaz até o dia 23 de agosto no Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149 - térreo). Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias do blog. Para acessar as demais análises desta coluna, clique em Exposições. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #ElomarFigueiraMello #Exposição #Mostra #OcupaçãoItaúCultural #Música #MúsicaBrasileira #Pintura #Literatura #LiteraturaBrasileira #teatro
- Livros: Não Verás País Nenhum - O Brasil por Ignácio de Loyola Brandão
Os anos de 1980 foram considerados por historiadores e economistas como a "Década Perdida". Neste período, o Brasil, ao invés de andar para frente, caminhava para trás. A economia não crescia, a população empobrecia, a dívida aumentava e a democracia ainda engatinhava depois de anos de ditadura militar. Diante deste cenário de pessimismo e total apatia, Ignácio de Loyola Brandão lançou "Não Verás País Nenhum" (Global) em 1981. Este livro pode ser descrito como sendo uma ficção científica do terceiro mundo. Afinal, "Fahrenehit 451" (Biblioteca Azul) de Ray Bradbury, "Revolução dos Bichos" (Companhia das Letras) e "1984" (Companhia das Letras) de George Orwell e "Admirável Mundo Novo" (Globo) de Aldous Huxley são ficções científicas desenvolvidas por autores acostumados a viver em países do primeiro mundo. O que eles teriam escrito se tivessem nascidos no Brasil? Parte desta resposta passa pela leitura da obra de Loyola Brandão. "Não Verás País Nenhum" é uma ficção científica do tipo distopia. A distopia é a descrição de uma localidade fora da história e da geografia convencional, em que as tensões sociais e de classes são evitadas por meio da violência governamental ou pelo controle social. De certa forma, a distopia é o contrário de uma utopia. Ao invés de descrever um futuro idílico, ela retrata um cenário sinistro para o amanhã. No caso da obra de Loyola Brandão, o cenário futurista e trágico se passa em São Paulo no ano de 2003. A cidade brasileira é afetada por uma forte onde de calor, provocada pela destruição da floresta Amazônica (a floresta virou um grande deserto). Além das altas temperaturas e da ação mortífera do sol, há anos não cai uma só gota de água do céu. A chuva é algo que a população nem se lembra de ter visto pela última vez. Sem água, todos os animais morreram e não há só uma planta no país. A agricultura e a cobertura vegetal morreram completamente. Assim, todos os alimentos são industriais e artificiais. Para conter a revolta da população, que a cada dia fica mais pobre e desesperada por alimento e água, os incompetentes e corruptos políticos (o país ainda é governado pelos militares) decidiram por vender algumas regiões do Brasil para grandes corporações estrangeiras. Assim, o Norte e o Nordeste deixaram de pertencer ao território da nação. A própria cidade de São Paulo foi dividida para não haver grandes conflitos sociais. Pobres e ricos foram segregados em bairros próprios e o ir e vir pela cidade ficou limitado à apresentação de passaportes (algo parecido com o que acontecia na África do Sul no período do Apartheid). Neste Brasil pós-apocalipse, vive Souza. Homem pacato, ele mora com sua esposa Adelaide em um velho prédio no centro de São Paulo e trabalha conferindo as informações digitalizadas pelo computador (ou seja, um trabalho repetitivo, banal e desnecessário). Souza tem uma vida simples e pautada pela rotina. Acostumado ao dia a dia urbano (superpopulação da cidade, trabalho repetitivo e sem sentido, falta de água, comida industrializada, calor excessivo, violência policial, aumento da pobreza e grande tensão social), Souza é surpreendido quando aparece um buraco em sua mão. Um furo redondo surge na palma de uma de suas mãos, desencadeando várias transformações na vida dele. Para recolocar sua vida novamente nos eixos, Souza precisa compreender o que está acontecendo com o país e a cidade onde mora. Para isso, precisará se rebelar contra o sistema (chamado de "Esquema", um tipo de governo totalitário), tornando seu dia a dia muito perigoso. "Não Verás País Nenhum" é um livro espetacular. Além de divertido, ele consegue ainda ser muito atual (mesmo tendo se passado mais de trinta anos do seu lançamento). Afinal, estamos falando da destruição da floresta Amazônica (a cada dia ela fica menor), os efeitos do clima em nossa vida (o superaquecimento planetário não para), a falta de chuva e de água (principalmente em São Paulo, que passa por uma crise hídrica sem precedentes), os conflitos sociais e regionais (as últimas eleições provaram o quanto ainda há embates políticos entre as diferentes regiões do país) e a violência policial em nossa sociedade (não mais aplicada pelos militares, mas pelas forças de segurança pública). O livro de Loyola Brandão mistura certo ativismo ecológico com críticas político-sociais. A destruição do meio ambiente apenas agravou a condição de vida da população. Os grandes responsáveis pela degradação social, contudo, foram os políticos, responsáveis por depredar o patrimônio nacional em benefício próprio. A população brasileira também foi, de certa forma, culpada pelos acontecimentos, por ser passiva e leniente. O trágico retrato do futuro do Brasil é ao mesmo tempo angustiante e típico da visão tida no início da década de 1980. Naquela época, o país estava realmente caminhando para o desfiladeiro. Com um humor leve, recheado de ironia e com uma atmosfera sufocante, a obra é pautada com várias discussões reflexivas. Ora são os diálogos travados pelos personagens que enriquecem o debate com temas polêmicos, ora são os pensamentos e as divagações do personagem principal (Souza), tentando entender o que está acontecendo a sua volta, que levanta questões relevantes para a discussão. O curioso desta obra é que a medida que a história vai avançando, o estado mental de Souza vai se deteriorando. No final da trama, não sabemos se ele enlouqueceu ou se ele é a única pessoa realmente sã. Pensando bem, às vezes é complicado distinguir os loucos dos gênios e vice-versa. "Não Verás País Nenhum" é uma das principais publicações de Ignácio de Loyola Brandão, tendo sido agraciada, em 1984, com o Prêmio IILA, do Instituto Ítalo-Latino-Americano, como o melhor romance latino-americano editado na Itália do ano anterior (o livro havia sido publicado naquele país em 1983). Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #IgnáciodeLoyolaBrandão #Romance #Distopia #Livros #LiteraturaBrasileira #LiteraturaContemporânea
- Filmes: Jogada de Mestre - Sequestro holandês
Aproveitando que fui à Livraria Cultura do Conjunto Nacional para comprar alguns livros de Ignácio de Loyola Brandão, o autor que será analisado neste mês no Desafio Literário, dei uma passada no Cine Livraria Cultura, ali ao lado, para assisti a um novo filme. O escolhido foi "Jogada de Mestre" (Kidnapping Mr. Heineken: 2015), uma produção anglo-holandesa dirigida pelo sueco Daniel Alfredson, responsável pela filmagem da trilogia "Millennium" de Stieg Larsson ("Os Homens que Odeiam as Mulheres", "A Menina que Brincava com Fogo", e "A Rainha do Castelo de Ar"). O novo filme de Alfredson foi baseado na história real do sequestro do proprietário da cervejaria Heineken. Na época, este foi o maior sequestro do mundo em relação aos valores pagos pelo resgate. Os sequestradores pediram a bagatela de US$ 35 milhões. O caso gerou grande repercussão, pois se tratava de um dos homens mais ricos da Europa. "Jogada de Mestre" se passa na Holanda, no ano de 1982. Neste período, o país europeu passava por uma grave crise econômica. Por isso, os amigos Cor (Jim Sturgess), Willem (Sam Worthington), Cat (Ryan Kwanten), Spikes (Mark van Eeuwen) e Brakes (Thomas Cocquerel) não tinham muitas alternativas para ganhar dinheiro. A empresa dos rapazes estava falida e o prédio no qual eram proprietários tinha sido invadido por um bando de sem-teto. A coisa estava feia em Amsterdam no princípio da década de 1980. Sem conseguir pegar recursos emprestados dos bancos da cidade para dar prosseguimento aos seus negócios, o grupo de amigos decide, durante o Réveillon, sequestrar o homem mais rico do país: Freddy Heineken (Anthony Hopkins), dono da maior cervejaria da Holanda. A Heineken é como se fosse a Ambev dos holandeses. A ideia era pedir um resgate milionário. Com esse dinheiro, o grupo, que era amador no mundo do crime, nunca mais iria se preocupar com a parte financeira. Na cabeça deles, todos os seus problemas seriam resolvidos quando pegassem a bufunfa. Com essa ideia em mente, Cor, Willem, Cat, Spikes e Brakes colocam o plano em prática. Aí começam os problemas deles. Sequestrar Heineken chega até ser fácil. O difícil será conseguir pegar o resgate sem que a polícia desconfie de nada e sem que ela descubra a verdadeira identidade dos criminosos. A tensão e os perigos da empreitada colocam o grupo em cheque. A amizade dos sequestradores e o próprio golpe ficam comprometidos à medida que os perigos aumentam. Assim, as relações do grupo vão se deteriorando. "Jogada de Mestre" é um filme razoável. Ele tem suspense e ação nas medidas certas. O roteiro é bem amarrado e atuação dos atores é adequada (sempre é bom ver Hopkins em ação!). Entretanto, ele não sai disso: de uma apresentação razoável. A história não é muito original. Afinal, quantos filmes de sequestro existem por aí? Vários. Além disso, não é nada inovador mostrar as trapalhadas e as intrigas dentro de um grupo de criminosos. Neste caso, criminosos amadores, porque nenhum dos participantes do sequestro, pelo que o filme retrata, havia cometido um crime desta envergadura. E aí está a grande incongruência do longa-metragem. Por se tratar de uma históia baseada em fatos reais, no final do filme nós ficamos sabendo (através da legenda) o que aconteceu com cada um dos personagens após o sequestro. E os dois principais sequestradores (Cor e Willem) se transformaram em grandes criminosos na Holanda. Como assim?! Como eles podem ter feito esta evolução em tão pouco tempo e em condições tão limitantes? Ficaram essas dúvidas na minha cabeça. Ou eles já eram grandes criminosos antes (coisa que o longa-metragem não mostrou) ou tiveram uma evolução digna de ser narrada em um filme (com um roteiro até mais interessante do que a do sequestro em si). O filme também não demonstra como a polícia fez para chegar às conclusões que levaram a prisão do grupo (sim, o sequestro falhou!). Talvez tão interessante quanto abordar o relacionamento entre os integrantes do golpe durante todo o processo (o filme foca neste aspecto), fosse descobrir como a polícia fez para identificar os bandidos. E isso o filme não mostra absolutamente nada. É uma pena. Dessa forma, "Jogada de Mestre" não passa de um filme meramente razoável. Veja o trailer deste longa-metragem: O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #DanielAlfredson
- Desafio Literário de agosto/2015: Ignácio de Loyola Brandão
Já estamos em um novo mês! Por isso, precisamos mudar de escritor aqui no Blog Bonas Histórias. Em agosto, o Desafio Literário será com Ignácio de Loyola Brandão, um dos principais autores vivos do nosso país. Assim, nos despedimos da literatura do norte-americano John Green e damos as boas-vindas às obras e ao trabalho artístico de Loyola Brandão. Escolhi cinco livros do autor brasileiro para ler e comentar neste período: "Não Verás País Nenhum" (Global), "Zero" (Global), "O Menino que Vendia Palavras" (Objetiva), "Melhores Crônicas de Ignácio de Loyola Brandão" (Global) e "Melhores Contos de Ignácio de Loyola Brandão" (Global). Neste conjunto de títulos, há romances, livros infantojuvenis, contos e crônicas. Há obras antigas e atuais. Acredito que com essa amostra de publicações, conseguirei ter uma boa visão do estilo literário de Ignácio de Loyola Brandão. Ignácio nasceu em Araraquara, interior paulista, em 31 de julho de 1936, dia de Santo Ignácio de Loyola. Por causa da data, recebeu o nome do santo. Desde muito cedo, o rapaz tímido gostava de escrever. Com dezesseis anos, Ignácio já produzia reportagens e críticas de cinema para os jornais da sua cidade. Em 1955, ganhou uma coluna social em um diário de Araraquara. No ano seguinte, Loyola Brandão se muda para São Paulo e passa a trabalhar no jornal "Última Hora". A atividade de jornalista e de crítico cinematográfico iria se prolongar por muitas décadas ainda, sendo o principal ganha-pão do escritor. A primeira ficção de Loyola Brandão a ser publicada foi "Depois do Sol" (Planeta), um livro de contos. A obra foi lançada em 1965. Em 1968, era editado o seu primeiro romance: "Bebel que a cidade comeu" (Global). Estava aí inaugurada a carreira de escritor profissional. Ao longo destes anos, Ignácio produziu mais de 40 livros. Em 1975, o livro "Zero" foi publicado, tornando-se a principal obra de Loyola Brandão até hoje. "Zero" é um livro único e inovador. Com humor ácido, notas de rodapé corrosivas, uma violência descomunal e a linguagem coloquial, ele conseguiu marcar história no mercado editorial brasileiro. Apesar dos prêmios conquistados, o governo militar censurou a obra por alguns anos. No final de 2000, "Zero" foi eleito pelo jornal "O Globo" e pela revista "Manchete" como um dos 100 melhores romances do século passado. Loyola Brandão escreveu contos, crônicas, romances, obras infantojuvenis, livros de viagens, biografias e peças de teatro ao longo de sua carreira. Em 1981, chegou às livrarias brasileiras "Não Verás País Nenhum", uma das mais premiadas obras do escritor. Em 2006, Ignácio escreve "A Altura e a Largura do Nada" e, em 2008, lançou o romance "O Menino que Vendia Palavras", que ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção daquele ano. Ignácio de Loyola Brandão é considerado um dos principais escritores brasileiros da atualidade. Conhecer suas obras e sua literatura é fundamental para quem aprecia este tipo de manifestação artística. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #IgnáciodeLoyolaBrandão
- Filmes: Uma Nova Amiga - A nova polêmica de Fançois Ozon
Nesta segunda-feira, assisti ao filme "Uma Nova Amiga" (Une Nouvelle Amie: 2014). Trata-se de mais uma polêmica produção de Fançois Ozon, um dos principais diretores franceses da nova geração, que se destacou com os filmes "8 Mulheres" (8 Femmes: 2002) e "Swimming Pool - À Beira da Piscina" (Swimming Pool: 2003). É dele também o incrível "Dentro de Casa" (Dans la Maison: 2012), talvez o melhor filme que vi naquele ano. Em "Uma Nova Amiga", Claire (interpretada por Anaïs Demoustier) promete a sua melhor amiga, Laura (Isild Le Besco), no leito de morte desta, cuidar da filha recém-nascida dela e do viúvo, David (Romain Duris). As duas eram amigas de infância e, até então, eram inseparáveis. Com a morte de Laura, Claire decide cumprir a promessa e vai até a casa da falecida para ver como estão a filha e o marido desta. E na primeira visita à residência, ela é surpreendida por um segredo íntimo de David (não vou revelar para não perder a graça de quem for assistir ao filme). O segredo acaba aproximando os dois. Claire e David se tornarão próximos. Muito próximos! As revelações de David, ao mesmo tempo, chocam Claire e a atraem, abrindo caminho para o estabelecimento de uma estranha e complicada relação entre os dois. Este é mais um daqueles filmes de Fançois Ozon que ficarão marcados em nossa memória. O diretor francês é excelente e esta produção também foi muito bem feita. "Uma Nova Amiga" foi destaque em diversos festivais de cinema no ano passado, ganhando o Festival de San Sebastian e permitindo que Romain Duris concorresse ao prêmio de melhor ator no Cesar (o Oscar do cinema francês). Realmente, o ator esteve primoroso no papel de David. Anaïs Demoustier também esteve muito bem como Claire. O ponto forte desta produção, contudo, está na intricada e insólita relação entre os dois personagens principais. Ora eles se atraem, ora de afastam, em um jogo de sedução nada fácil de compreender. Há também certo humor na história. Algumas passagens da narrativa de tão diferentes se tornam cômicas. Em alguns momentos, "Uma Nova Amiga" ganha contornos oníricos e psicanalíticos, o que enriquece ainda mais a trama. Os sonhos e as lembranças da infância de Claire evidenciam as intenções, os desejos e as dúvidas dela em relação ao presente. Compreender as vontades reais da moça é a chave para entender a luta interna na qual ela precisa enfrentar para solidificar a sua relação com David. O ritmo do filme é muito ágil, principalmente no começo. Não se perde tempo com enrolações e frescuras. A fotografia do longa-metragem também é impecável. As imagens são lindas, aproveitando muito bem os cenários, as paisagens e o interior das residências. "Uma Nova Amiga", quando foi lançado na França, gerou muita polêmica. Afinal, a relação entre David e Claire não é nada convencional e foge dos estereótipos da sociedade. Além disso, a maioria dos personagens tem sua sexualidade questionada em algum momento do filme. Nada é fácil de compreender quando estamos falando dos desejos humanos. E abordar esse tema é o grande mérito deste longa-metragem. Imperdível! Veja o trailer desta produção francesa: O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #FançoisOzon
- Filmes: Um Reencontro - A surpreendente produção de Lisa Azuelos
Ontem, assisti ao filme francês "Um Reencontro" (Une Rencontre: 2014) no Reserva Cultural. Dirigido por Lisa Azuelos, que também atuou e ficou responsável pelo roteiro, o longa-metragem me agradou muito principalmente pela forma como a história foi contada (filmada). Pierre (François Cluzet, de "Intocáveis") é um advogado bem-sucedido e com uma vida estável. Tem dois filhos e uma bela esposa, na qual ama e é fiel. Sempre dedicado à família, Pierre conhece a escritora divorciada Elsa (Sophie Marceau, de "007 - O Mundo Não é o Bastante") em uma festa. Elsa é uma mulher bonita, independente, com três filhos e que busca encontrar um homem para amar. Porém, ele não pode ser casado. Ela abomina qualquer relacionamento com alguém que já esteja comprometido. Portanto, um relacionamento entre o advogado e a escritora é algo impossível a princípio. A princípio.... Desde o primeiro instante, Pierre e Elsa são atraídos por uma paixão avassaladora que deixa a lógica e a prudência de lado. Mesmo fazendo de tudo para não se encontrarem, o destino acaba os colocando várias vezes frente a frente. E aí, como fazer para conter os desejos e os impulsos da nova paixão? Pierre precisará decidir entre o amor ao seu matrimônio e a atração por uma mulher linda fora do casamento. Como já falei, gostei muito de "Um Reencontro". Apesar de o enredo ser um tanto convencional (dúvidas de um homem casado entre iniciar um caso fora do casamento e a manutenção da fidelidade à família), o ponto chave dessa produção está na forma como ela foi filmada (aí precisamos dar créditos para a diretora e roteirista Lisa Azuelos). As incertezas, os sonhos, os desejos e os medos dos personagens principais são retratados de uma maneira que às vezes não sabemos se eles estão pensando ou se aquilo está acontecendo de verdade. Ou seja, há certos elementos oníricos na trama. Eles dão graça e profundidade para a história. O filme é praticamente uma coletânea de coisas que poderiam acontecer e não acontecem. De fatos que os personagens sonham em fazer, mas acabam evitando. Além disso, algumas cenas ganham maior apelo e maior emoção como consequência da forma como foram editadas e filmadas. A inovação na edição do filme fica clara na parte em que Elisa e Pierre se encontram após caminharem no corredor do hotel em Londres. Contudo, há outras cenas interessantes nesse sentido. É tão bom ver quando um diretor sai do convencional e tenta (e consegue) encontrar novas opções de filmagem. A química do casal principal também precisa ser mencionada. François Cluzet e Sophie Marceau exalam sensualidade e paixão. Eles estão muito bem em seus papéis e convencem o público desde a primeira cena. Impossível não torcer para eles ficarem juntos. Outro aspecto que gostei bastante foi o final da trama. A história termina surpreendendo o público. Ao invés de jogar para a plateia, com um encerramento ao estilo Hollywood, o filme não faz qualquer tipo de concessão. "Um Reencontro" é um filme muito bom e rápido. Ele não tem nem uma hora e meia de duração. Quando eu vi, ele já tinha terminado. A qualidade dele, portanto, não está nos minutos de duração e sim na forma como foi filmado. Veja o trailer deste longa-metragem: O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #LisaAzuelos
- Filmes: O Ciclo da Vida - Uma bela comédia chinesa
Esta semana faz um ano que o Belas Artes, uma das mais tradicionais salas de cinema de São Paulo, reabriu suas portas depois de alguns anos de fechamento. Com o apoio da Caixa Econômica Federal, o espaço voltou a funcionar a todo vapor. E para comemorar a data marcante, fui até lá para ver alguma novidade. O filme escolhido por mim hoje foi "O Ciclo da Vida" (Fei Yue Lao Ren Yuan: 2012), uma comédia chinesa. Este deve ter sido o primeiro filme desta nacionalidade que assisti no cinema. "O Ciclo da Vida" é uma produção interessantíssima. Fiquei encantando com a história e surpreso com a qualidade da produção (por que os chineses não podem fazer bons filmes?). Boa parte dos méritos da qualidade superior do longa-metragem se deve ao seu diretor, Zhang Yang. "O Ciclo da Vida" é a terceira parte da trilogia produzida por Yang. Anteriormente, ele fez "Banhos" (Xizao: 1999) e "Flores do Amanhã" (Xiang ri kui: 2005). O primeiro é uma comédia que se passa em uma casa de banho de Beijing e o segundo é um drama ambientado em 1976, logo após a morte de Mao Tsé-Tung. Em ambos, o cerne da história é o conflito entre pai e filho. Neste terceiro filme, o enredo mostra o conflito entre três gerações: avô, pai e filho. Ou seja, as obras de Zhang Yang dão uma visão sobre as diferentes gerações da China e as mudanças provocadas em sua sociedade. Em "O Ciclo da Vida", Ge (Xu Hianshan) é um senhor que chega à terceira idade sem esperanças. Depois da morte da segunda mulher, ele se vê sozinho e sem casa. O filho e o neto não querem sua presença e, como única alternativa, ele decide morar em um asilo para idosos. A rotina na casa de repouso é triste e monótona. Os velhinhos que lá moram não têm muita diversão e são controlados com rigor pelos funcionários. As limitações físicas e emocionais afetam o dia a dia de todos e são chocantes quando mostradas ao público de maneira direta. O tédio só é quebrado quando os idosos decidem montar uma peça de teatro. O sonho do grupo é fazer a apresentação teatral em um famoso programa de televisão. Para isso, eles precisam fugir do asilo e empreender uma viagem pelo país até o estúdio televisivo. Afinal, a família e os funcionários da casa de repouso são contra as práticas do grupo. Eles acham que tudo é perigoso para a saúde e para a vida dos idosos. Ao se lançarem ao desafio autoimposto, os velhinhos vão descobrir a força da amizade, relembrarão a importância da solidariedade e vão redescobrir o gosto da independência. Enquanto isso, Ge terá a oportunidade de acertar seu relacionamento com o filho e com o neto, que partem na procura dele e dos demais fugitivos do asilo. "O Ciclo da Vida" mistura humor e drama. Há passagens leves e engraçadas e, em outros momentos, há cenas duras e comoventes, normalmente demonstrando o quanto é difícil envelhecer. A velhice é encarada de frente: expõem-se as múltiplas dificuldades de quem passou dos oitenta e noventa anos, mas também abordam-se as experiências alegres de se poder viver mais. O mais legal desta produção é perceber que seus personagens não estão no "fim da vida", mas sim "no início de uma grande aventura". E isso é uma escolha deles. Ao invés de ficarem sentados vendo televisão, eles decidiram participar do programa de televisão. E para isso, vão enfrentar todos os desafios e vão contestar amigos, familiares e funcionários da clínica onde moram. Trata-se de um bom filme, que vale a pena ser visto e revisto. Assista ao trailer de "O Ciclo da Vida": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #ZhangYang #CinemaChinês #CinemaAsiático
- Exposições: Ocupação Vilanova Artigas - Um dos mestres da arquitetura brasileira
Na sequência de eventos comemorativos ao centenário de nascimento de Vilanova Artigas, o Itaú Cultural traz uma mostra sobre este que é um dos principais arquitetos brasileiros do século XX. "Ocupação Vilanova Artigas", em cartaz desde 24 de junho, apresenta desenhos, plantas e manuscritos originais do arquiteto. As duas principais obras de Vilanova Artigas, o estádio do Morumbi e o prédio da FAU-USP, são detalhadas na exposição. João Batista Vilanova Artigas ficou associado ao movimento arquitetônico chamado Escola Paulista. Apesar de curitibano, ele é considerado um dos principais arquitetos da cidade de São Paulo, tanto pelo conjunto de sua obra ("Casinha", residência no Campo Belo, Edifício Louveira em Higienópolis, estádio do Morumbi, residência Olga Baeta, garagem de barcos do Iate Club e edifício sede da FAU-USP na cidade universitária) quanto pela sua influência sobre as novas gerações de arquitetos. Para Artigas, a arquitetura devia ser pensada com um olhar mais humanista. As construções precisavam dialogar mais com a cidade, integrando os edifícios à vida dos cidadãos. Enquanto percorria o andar do Itaú Cultural reservado à mostra, percebi que havia muitos arquitetos contemplando as obras de Vilanova Artigas. Sem dúvida nenhuma, eles eram os visitantes mais empolgados com a exposição. Tiravam fotos e comentavam cada detalhe das maquetes e dos desenhos do famoso arquiteto. A mostra "Ocupação Vilanova Artigas" tem entrada gratuita e vai até o dia 9 de agosto. O Itaú Cultural fica na Avenida Paulista, 149. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias do blog. Para acessar as demais análises desta coluna, clique em Exposições. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #VilanovaArtigas #Exposição #Mostra #OcupaçãoItaúCultural #Arquitetura
















