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  • Livros: A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água - A comicidade de Jorge Amado

    "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água" (Companhia das Letras) é a divertidíssima novela de Jorge Amado publicada originalmente em junho de 1959 na revista Senhor. A solicitação por uma história do escritor baiano partiu de Carlos Sciliar, responsável pela preparação da revista, que queria um conto de Amado publicado nas primeiras edições da nova publicação. O criador de Gabriela e Dona Flor atendeu ao pedido do amigo e em uma semana a história estava pronta e revisada. A novela foi incluída, em 1961, no livro "Os Velhos marinheiros" junto com o romance "O Capitão de Longo Curso". Em 1967, "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água" ganhou a sua primeira edição independente pela editora Martins Fontes. Rapidamente o sucesso do livro se propagou pelo mundo, sendo publicado em vários países e em vários idiomas. Ele também foi transformado em peças de teatro, balé, filmes e programas de televisão. Jorge Amado criou uma verdadeira obra prima, um clássico da nossa literatura. "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água", pelo seu tamanho e sua dinâmica, não é considerado um romance nem um conto, e sim uma novela. O livro é bem conciso, tendo menos de 100 páginas. Ele foi diagramado em letras grandes e com grande espaçamento de linhas. É possível lê-lo em duas horas. Foi o que eu fiz ontem. Li enquanto ia e voltava de ônibus do trabalho. A história dessa obra é sobre um homem chamado Joaquim Soares da Cunha. Até os cinquenta anos de idade, ele era um respeitado funcionário público de Salvador. Casado, com uma filha, tendo uma situação financeira tranquila e sendo estimado pela sociedade local, Joaquim certo dia resolveu abandonar tudo (família, amigos, casa, emprego, dinheiro e posição social) e se jogar nas ruas da capital baiana como um mendigo. Passa, portanto, a beber, a viver na boemia e se dedicar a vadiagem. Torna-se ídolo dos malandros, dos pés-rapados e das prostitutas das velhas ladeiras de Salvador, ganhando o apelido de Quincas Berro D'Água. Enquanto Quincas Berro D'Água leva uma vida de cachaceiro boêmio, a antiga família dele se envergonha da figura na qual Joaquim se transformou. Quando o livro "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água" começa, já descobrimos que seu protagonista morreu. Tem-se aí o grande mistério da obra: como isso aconteceu? Há basicamente duas versões para o fato: uma da família e outra dos amigos das velhas ladeiras da cidade. Enquanto somos apresentados a essas variantes, tem-se uma disputa sobre como deve ser o velório do falecido. A filha, o genro e os irmãos de Joaquim Soares da Cunha querem enterrá-lo com dignidade e compostura. Por isso, colocam uma boa roupa nele e organizam os procedimentos convencionais de um enterro. Os amigos de vadiagem não concordam com aquilo, querendo outra alternativa para a despedida de Quincas Berro D'Água. Por isso, eles furtam o cadáver do velório e levam o morto para uma última festa, regada com muita bebida, música e animação. A alegria da turma e o nível alcoólico são tão altos que todos acreditam que Quincas está vivo. Essa é uma história cômica e pitoresca. O morto praticamente ganha vida novamente nas mãos dos seus amigos de copo e de farra. As confusões provocadas pelo grupo se arrastam ao longo da poética narrativa, surpreendendo o leitor. Há muitos elementos fantasiosos em "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água" (a filha ouve o pai morto falar, os amigos conversam com o defunto e a natureza parece fazer as vontades do falecido). De certa forma, Jorge Amado se antecipa a geração de romancista latino-americanos que a partir da década de 1960 lançou o gênero Realismo Fantástico. O livro confronta o tempo inteiro os personagens simples e pobres de Salvador com os ricos e bem afeiçoados. Os primeiros são descritos como alegres, espontâneos, sinceros e de bem com a vida. Já os segundos são retratados como orgulhosos, avarentos e mal-humorados. Difícil não se identificar e estimar as figuras simples e divertidas dos tipos populares (Curió, Pé de Vento, Negro Pastinha, Cabo Martim e Quitéria do Olho Arregalado) e desprezar os membros da alta sociedade (Vanda, Leonardo, tia Marocas e tio Eduardo). Uma marca de Jorge Amado é a sua oralidade. O tom da narrativa é parecido com aquele de alguém nos contando uma história em uma mesa de um bar. O narrador conversa informalmente com o leitor, expondo as dúvidas, as versões dos fatos e as impressões dos acontecimentos relatados. Este livro pode ser classificado como sendo da segunda fase da carreira de Jorge Amado, quando o escritor baiano abandonou as críticas sociais e políticas (típicas da primeira fase) e avançou para a crônica de costumes, para o erotismo e para o tropicalismo (segunda fase). Assim, a escrita de Amado deixa de ser ancorada no drama e na tragédia para se embasar no humor e na farsa. "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água" é um livro incrível. Apesar de diminuto em seu tamanho, ele é de grande representatividade para a literatura brasileira. Trata-se de um clássico de nossa cultura e uma leitura obrigatória para quem deseja conhecer o talento de Jorge Amado com a escrita. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JorgeAmado #Romance #Livros #Comédia #LiteraturaClássica #LiteraturaBrasileira

  • Filmes: Jurassic World, O Mundo dos Dinossauros - Volta no tempo

    Ontem eu tive a sensação de ter voltado mais de 20 anos no passado. Isto porque fui assistir ao filme "Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros" (Jurassic World: 2015) no Cinemark do Shopping Tietê Plaza. Praticamente são duas décadas desde o dia em que fui ao cinema para ver "Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros" de Steven Spielberg, o primeiro filme da série. Em 1993, eu tinha apenas doze anos e era um adolescente. Agora, em 2015, estou com barba e fios do cabelo brancos... Dirigido por Colin Trevorrow (da comédia "Sem Segurança Nenhuma" de 2012) e estrelado por Chris Pratt (de "Guardiões da Galáxia", de 2014) e Bryce Dallas Howard (de "Além da Vida", de 2010), este longa-metragem é a continuação da saga da ilha destinada a abrigar dinossauros e a entreter turistas. Admito que não gosto muito de filmes de série. Geralmente, eu já me esqueci dos acontecimentos anteriores quando entro na sala de cinema para ver a continuação (afinal, são mais de vinte anos de intervalo em relação ao primeiro episódio - não assisti aos demais filmes da série). Mesmo assim, fui atraído por "Jurassic World" pela crítica positiva e pela excelente bilheteria das primeiras semanas. Se o pessoal está falando bem e se o público está indo às sessões para vê-lo, por que não conferir se o filme é mesmo bom? A nova história se passa no mesmo Jurassic Park de outrora. Contudo, ele está agora maior, mais moderno e interessante. O problema é que os visitantes estão enjoados das atrações apresentadas. Depois de tanto tempo vendo dinossauros, nada mais é novidade para o exigente público. Para agradar os turistas, a equipe de cientistas chefiada pela doutora Claire (Bryce Dallas Howard) cria um novo tipo de dinossauro, maior e mais temido. Antes de apresentá-lo aos visitantes, o monstro consegue fugir do cativeiro, dando início à destruição do parque. Com o novo dinossauro solto livremente pela ilha, todos correm perigo de morte. Como é possível ver, trata-se do mesmo roteiro do primeiro filme. As coincidências não param por aí. Duas crianças (Nick Robinson e Ty Simpkins) ficam soltas na ilha e são perseguidas pelos dinossauros. Cabe ao casal de mocinhos da trama, Claire e seu funcionário Owen (Chris Pratt), salvá-los. As perseguições e os vilões são quase idênticos ao do primeiro filme. Ver "Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros" é ver uma versão moderna de "Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros". Mesmo percebendo esta imitação de roteiro, o filme tem boas cenas de ação e de aventura. Como é de se esperar em uma produção deste gênero, tudo acontece rapidamente e os personagens não ficam parados. Eles precisam fugir o tempo inteiro ou precisam salvar alguém. É adrenalina pura! Como entretenimento, "Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros" passa de ano com nota sete. Em relação à originalidade, a nota despenca para zero. Em se tratando de nostalgia, aí a avaliação sobe consideravelmente: dez! Ou seja, se você não viu o filme de 1993, assista a este sem problema nenhum. Se você já viu o anterior e deseja matar as saudades dos bons tempos do passado, veja este. Assim como eu, você será chacoalhado por lembranças antigas. Veja o trailer de "Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #ColinTrevorrow

  • Livros: Gabriela, Cravo e Canela - As doces confusões de Ilhéus por Jorge Amado

    Um livro delicioso! "Gabriela, Cravo e Canela" (Companhia das Letras) é saborosíssimo. Comecei com o pé direito a leitura das obras de Jorge Amado deste Desafio Literário. Se o escritor baiano tiver escrito um livro melhor do que este, ele é um gênio. Na verdade, já o estou considerando assim por ter escrito uma obra dessa envergadura, o que dirá se ele tiver em seu portfólio duas ou mais histórias desta mesma qualidade.... Impossível, creio, alguém escrever algo melhor. Publicada originalmente em 1958, esta obra marca uma mudança de estilo de Jorge Amado. Pode-se dizer que "Gabriela, Cravo e Canela" representa a entrada do escritor baiano em uma segunda fase de sua carreira. Depois de lançar títulos mais voltados para temas sociais (primeira fase), dessa vez ele envereda pela crônica de costumes (nova fase). Aborda mais intensamente os tipos populares, os coronéis, as mulheres sensuais, as damas conservadoras, os homens libertinos, os artistas, os empresários, os jovens e os idosos. Portanto, ao invés de falar de intrigas entre povo e burguesa e discutir a relação entre exploradores e explorados, Jorge Amado passa a confrontar valores éticos e culturais do povo, criticando seus hábitos, seus costumes, sua cultura e seus ideais. São exemplos dessa nova etapa, além de "Gabriela, Cravo e Canela", "Dona Flor e Seus Dois Maridos" e "Tieta do Agreste". "Gabriela, Cravo e Canela" narra os principais fatos ocorridos na cidade de Ilhéus, no sul da Bahia, durante o ano de 1925. Esse período foi marcante para o município, pois muitas transformações econômicas, sociais, culturais e políticas ocorreram na localidade a ponto de transformá-la sensivelmente. O livro conta a história de amor do casal Nacib e Gabriela, enquanto aborda a briga política entre o velho coronel Ramiro Bastos e o jovem exportador Mundinho Falcão. No meio desses dois cenários (micro e macro), desfila uma variedade de personagens (coronéis, jagunços, prostitutas, trambiqueiros, artistas, religiosos, retirantes do sertão, comerciantes, amantes, etc.) da sociedade cacaueira de Ilhéus que dá um colorido especial para a história e provoca uma complexa polifonia narrativa. A primeira característica marcante deste livro é a sua alta dose de sinestesia. Ao ler suas páginas, praticamente temos todos os nossos sentidos aguçados. Impossível ficar indiferente a isto. O primeiro sentido estimulado é o olfato. A cidade de Ilhéus cheira cacau ("o perfume das amêndoas do cacau seco, tão forte") e Gabriela exala o odor de cravo e canela (esse elemento é tão importante que está no título da obra). O perfume natural da moça é um importante afrodisíaco, mexendo com a cabeça dos homens do município, principalmente o dono do bar. O paladar também é estimulado. A esposa de Nacib conquista a todos, em parte, pela sua comida. A cozinheira faz doces, salgados e pratos típicos da culinária baiana que encanta as pessoas (principalmente os homens). Quando ela para de cozinhar, um desespero se abate sobre os clientes do bar. Eles praticamente obrigam o proprietário do lugar a recontratar a cozinheira. A visão, outro sentido muito explorado na narrativa, está intimamente ligada à sexualidade das mulheres. Elas são descritas em seus detalhes, como são vistas pelos marmanjos. Os melhores exemplos são Glória e Gabriela. As duas mais belas damas da cidade são as musas dos cidadãos do sexo masculino do município e foram incansavelmente retratadas como são vistas por eles. O tato, por sua vez, aparece mais evidente na relação carnal entre Nacib e Gabriela, principalmente quando o casal vai dormir enroscado ou quando está abraçado. Este aspecto também surge quando os clientes do bar do árabe, aproveitando-se da passagem de Gabriela pelas mesas e cadeiras do estabelecimento, passam a tocar e a mexer no corpo da moça. E por fim a audição é aflorada no linguajar das falas do povo. Cada personagem tem um jeito de se pronunciar. O Doutor é mais erudito, Gabriela fala de forma simplória, Clemente fala errado, Nacib tem um sotaque forte e o coronel Bastos é coercitivo. A segunda característica importante de "Gabriela, Cravo e Canela" é a alta dose de sensualidade de sua personagem principal e sua sexualidade aflorada. Para um livro escrito nos anos de 1950, colocar uma mulher totalmente liberta em relação ao sexo é de uma ousadia ímpar. Gabriela praticamente vai para a cama por vontade própria com qualquer homem que lhe interesse, sem medo, preocupação ou receio religioso. Ela não tem ciúmes dos parceiros e é muito bem resolvida sexualmente (até mais do que os homens com quem convive). Jorge Amado foi muito inovador nesse ponto, provando estar algumas décadas a frente do seu tempo. Se formos analisar atentamente, Gabriela é muito diferente de Emma, personagem principal de "Madame Bovary", romance do francês Gustave Flaubert, e de Luísa, protagonista de "Primo Basílio", obra de Eça Queiroz. Estas duas traíram seus respectivos maridos, carregando a culpa e o peso moral dessa atitude. Gabriela, por sua vez, fazia isso com liberdade e pureza, sem peso na consciência. A moça "cravo e canela" é praticamente o bom selvagem descrito por J. J. Rousseau. A retirante que chegou para trabalhar na cozinha do bar do árabe é boa de coração, livre, não possui maldades em seus atos e vê o sexo como algo normal e corriqueiro. Se deu vontade, por que não? A maldade, assim, está nos olhos da sociedade, nas regras absurdas e nos julgamentos presunçosos das pessoas. A própria instituição do casamento é, nesta obra, interpretada de maneira distinta do senso comum. Não há uma imagem idílica da cerimônia e do ato de se casar. Isso fica evidente no caso de Nacib e de Gabriela. O pior período do relacionamento dos dois foi quando estiveram casados oficialmente. Outra questão importante para ser abordada é a relação entre o progresso e o atraso, retratada o tempo inteiro no livro. Esse jogo paradoxal está presente em quase todas as brigas entre Ramiro Basto e Mundinho Falcão (ascensão dos exportadores frente à decadência dos coronéis do cacau, a tentativa de dragagem do porto da cidade contra a proposta dessa ideia, a multiplicação dos negócios capitalistas em detrimento à economia agrária e de monocultura e a chegada de novos hábitos e costumes contra a visão conservadora da população mais antiga). As rápidas transformações sofridas pela cidade de Ilhéus, forçada a se modernizar pelos novos tempos que estão chegando, provoca choques sociais. Grande parte da graça do livro, a meu ver, está na mudança constante de foco da narrativa, muito bem executada por Jorge Amado. Às vezes estamos lendo sobre os problemas de relacionamento de Gabriela e de Nacib (micro visão), os personagens principais da obra, para logo em seguida estarmos atentos às discussões políticas da cidade (visão macro), que afetam o cotidiano de todos os habitantes. Nesse meio tempo, temos expostas diante de nossos olhos as vidas dos vários personagens da história (visão intermediária). Esse jogo narrativo é espetacular, conferindo graça, agilidade e entusiasmo para a trama. "Gabriela, Cravo e Canela" é um livro maravilhoso. Li suas mais de 400 páginas em quatro dias e fiquei triste ao terminá-lo. Queria prosseguir em sua história e conhecer o restante da vida dos seus personagens. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JorgeAmado #Romance #Livros #Drama #LiteraturaClássica #LiteraturaBrasileira #Fantasia

  • Gastronomia: Arcos da Cantareira - Tradição da Zona Norte

    Quem é da zona norte de São Paulo já deve conhecer o Arcos da Cantareira. Este tradicional restaurante localizado na Avenida Cantareira, no Tucuruvi, tem mais de três décadas de tradição e é considerado um dos principais pontos gastronômicos da região. Eu, sendo da Zona Oeste da cidade, admito que não o conhecia. Isto até ontem, quando visitei o estabelecimento à noite. O Arcos da Cantareira é churrascaria durante o horário do almoço e pizzaria no período noturno. Apesar de a sua história estar ligada fortemente a Portugal (as quatro famílias proprietárias têm origem lusitana e às vezes o estabelecimento é apresentado como sendo um restaurante português), não identifiquei nada que relacionasse uma coisa com a outra. Não há nenhum prato típico no cardápio, nem há qualquer referência na ambientação do lugar com o país da península ibérica. Com um grande e gratuito estacionamento em suas dependências (algo cada vez mais raro de encontrarmos na cidade), os principais apelos da casa são a sua excelente comida (você já fica salivando só de olhar as carnes expostas na entrada) e o custo-benefício. As porções servidas são generosas e os preços são justos. Muitas famílias frequentam o restaurante aos finais de semana e muitos executivos visitam a casa no intervalo do trabalho. O único ponto negativo do Arcos é o atendimento, muito abaixo da média. Os garçons e os funcionários parecem um tanto aborrecidos, raramente sorriem e não se mostram dispostos a servir os clientes de bom grado. Gostei bastante de conhecer o Arcos da Cantareira. Apesar de muito longe da minha casa, ele me agradou pelo sabor da comida (muito boa!) e pelo preço justo cobrado. Quem foi que disse que nós precisamos pagar muito para comer bem em São Paulo?! Em tempos de crise e de inflação alta, é bom encontrar lugares dispostos a oferecer bons pratos para a nossa boca e para o nosso bolso. Que tal este post e o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer as demais críticas gastronômicas do blog, clique na coluna Gastronomia. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #Gastronomia #SãoPaulo #restaurante #Pizzaria #Churrascaria

  • Desafio Literário de junho/2015: Jorge Amado

    Chegamos ao mês de junho e o Desafio Literário agora é outro. Depois de dois autores internacionais (o moçambicano Mia Couto e o inglês Nick Hornby), o escritor que será analisado nos próximos dias aqui no Blog Bonas Histórias é o baiano Jorge Amado. As obras selecionadas para leitura e estudo são: "Capitães da Areia" (Companhia das Letras), publicado originalmente em 1937, "Gabriela, Cravo e Canela" (Companhia das Letras) de 1958, "A morte e a morte de Quincas Berro d'Água" (Companhia das Letras) de 1959, "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (Companhia das Letras) de 1966 e "Tenda dos Milagres" (Companhia das Letras) de 1969. Jorge Amado nasceu, em 1912, em Itabuna na Bahia. Ainda na infância se mudou para Ilhéus, também no sul do estado. Formado em Direito pela Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro, o baiano jamais exerceu a profissão pela qual se graduou. Preferiu atuar como jornalista e romancista. Muito politizado, Amado também foi eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1945. Essa associação com os ideais esquerdistas trouxe muitas complicações para o artista. Preso e exilado várias vezes pela ditadura de Getúlio Vargas e, mais tarde, pela dos militares, Jorge precisou morar fora do Brasil por muitos anos. Casado duas vezes (primeiro com Matilde Garcia Rosa, com quem teve uma filha, e depois com Zélia Gattai, com quem teve dois filhos), Jorge Amado desde muito novo publicou seus romances. Com apenas vinte anos de idade, o baiano teve editado "O País do Carnaval". "Cacau" e "Suor" foram publicados, respectivamente, nos anos de 1933 e 1934. A partir daí, o escritor praticamente lançou um livro por ano. Ao todo foram 49 títulos, sendo os principais sucessos: "Dona Flor e Seus Dois Maridos", "Tenda dos Milagres", "Tieta do Agreste", "Gabriela", "Cravo e Canela" e "Teresa Batista Cansada de Guerra". Muitas de suas obras foram adaptadas para a televisão, para o cinema e para o teatro, dando uma dimensão maior para o trabalho do escritor. Destaques para as novelas "Gabriela, Cravo e Canela" (tanto na versão da TV Tupi quanto na da Rede Globo) e "Tieta" (também da Rede Globo), para o filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos" e para a peça teatral "Capitães da Areia". Jorge Amado é considerado o escritor brasileiro mais famoso de todos os tempos, sendo reconhecido e valorizado inclusive internacionalmente. Suas obras foram traduzidas para 80 países, em 49 idiomas. Vários dos seus títulos foram bem sucedidos no mercado externo. Apesar de ter sido superado recentemente em vendas por Paulo Coelho, o baiano se mantém como proprietário do "verdadeiro estilo nacional de escrever". Seus romances são modernos, ousados e possuem a cara do Brasil. Por isso, o baiano tornou-se a "marca" da literatura brasileira no mundo todo. Voltado essencialmente para as raízes do nosso povo, Amado aborda o cotidiano dos seus conterrâneos, os problemas e as injustiças sociais típicas do país, o folclore, a política, as crenças, as tradições e a sensualidade do povo brasileiro. Depois de dezenas de prêmios e títulos, Jorge Amado recebeu, em 1994, o Prêmio Camões, maior honraria da Língua Portuguesa concedida a um escritor. Era a coroação definitiva de uma carreira de grande sucesso. Em 2001, após sucessivas internações decorrentes de problemas de saúde, Amado morreu alguns dias antes de completar 89 anos. Admito (com muita vergonha) que até hoje eu não tinha entrado em contato com nenhuma obra de Jorge Amado. Nem novela, filme, minissérie ou peça teatral eu vi. Trata-se de uma constatação triste. Se eu pudesse explicar de alguma forma essa falha, diria que foi coincidência. Uma triste coincidência. Ou poderia afirmar que faltou oportunidade... Para recuperar o tempo perdido, terei esse mês para ler cinco livros deste autor e analisar suas obras com a profundidade merecida. Assim, poderia tirar essa mácula da minha alma. Vamos, portanto, parar de papo furado para eu poder mergulhar nos novos livros. Desejem-me boa sorte, por favor! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JorgeAmado

  • Mercado Editorial – Livros Mais Vendidos no Brasil em 2014

    O ano passado foi barra-pesada para o mercado editorial brasileiro. Apesar do faturamento de 2014 ainda não ter sido consolidado, é dada como certa uma retração econômica nesse setor. A previsão dos especialistas é de uma diminuição de receita entre 4% a 6% na venda de livros no país. Em meio ao desânimo e a frustração que toma conta de livrarias e editoras, há aqueles autores e livros que foram bem-sucedidos. Estamos falando, é claro, dos best-sellers. Quais foram as obras e os autores mais comercializados no Brasil em 2014, hein? Aposto que muitos leitores do Blog Bonas Histórias também estão interessados em saber essa resposta. Para solucionar de vez esta dúvida, apresento neste post da coluna Mercado Editorial os dados do PublishNews, a fonte mais confiável do mercado nacional. O PublishNews divulgou recentemente os números consolidados da venda de livros em livrarias em nosso país no ano passado. A liderança ficou novamente com títulos religiosos, obras de autoajuda e romances internacionais. Essa parece ser a preferência dos leitores brasileiros nos últimos anos. Eles leem, principalmente, livros religiosos, publicações com mensagens motivacionais, ficção produzida originalmente em língua inglesa e romances fantásticos. Curiosamente, essa última subcategoria narrativa não teve nenhum livro entre os 12 best-sellers do país em 2014. Com essa pequena introdução, podemos verificar com mais critério o ranking dos livros mais comprados nas livrarias brasileiras em 2014. Veja, a seguir, a lista dos best-sellers no Brasil segundo o PublishNews: 1) “Nada a Perder” – Edir Macedo (Brasil) - Planeta - 870 mil unidades. 2) “A Culpa é das Estrelas” – John Green (Estados Unidos) - Intrínseca - 646 mil unidades. 3) “Ansiedade: Como Enfrentar o Mal do Século” – Augusto Cury (Brasil) - Saraiva - 362 mil unidades. 4) “Destrua Este Diário” – Keri Smith (Canadá) - Intrínseca - 347 mil unidades. 5) “Se Eu Ficar” – Gayle Forman (Estados Unidos) – Novo Conceito - 179 mil unidades. 6) “Quem é Você, Alasca” – John Green (Estados Unidos) – WMF Martins Fontes - 165 mil unidades. 7) “Cidade de Papel” – John Green (Estados Unidos) - Intrínseca - 149 mil unidades. 8) “Não Se Apegue, Não” – Isabela Freitas (Brasil) - Intrínseca - 142 mil unidades. 9) “O Pequeno Príncipe” – Antoine Saint-Exupéry (França) - Agir - 136 mil unidades. 10) “A Menina que Roubava Livros” – Markus Zusak (Austrália) – Intrínseca - 126 mil unidades. 11) “O Teorema Katherine” – John Green (Estados Unidos) - Intrínseca - 99 mil unidades. 12) “Kairós” – Padre Marcelo Rossi (Brasil) - Principium - 98 mil unidades. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você se interessa por informações do mercado editorial, deixe aqui seu comentário. Para acessar outras notícias dessa área, clique em Mercado Editorial. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.

  • Livros: Funny Girl - Nick Hornby nos tempos de I Love Lucy

    Esta é a mais recente obra de Nick Hornby. Depois de um hiato de seis anos sem publicar nada novo (o escritor se dedicou nesse período a adaptar algumas de suas obras para o cinema, além de produzir roteiros cinematográficos e televisivos e letras de música), chega ao mercado editorial "Funny Girl". Aqui no Brasil, a Companhia das Letras é a responsável pela publicação. O último livro do autor tinha sido "Juliet, Nua e Crua", lançando em 2009. "Funny Girl" é uma história de época. Ambientada nos anos de 1960, a obra narra a saída de Barbara, uma jovem bonita e sonhadora, da sua pequena cidade ao norte da Inglaterra, Blackpool, para a Londres. Barbara não aceita o prêmio de Miss Blackpool, ganho em um concurso de beleza, e parte para a capital do país sonhando em se tornar uma comediante. Depois de alguns testes mal sucedidos, ela consegue o papel de protagonista em uma série cômica de televisão chamada de "Barbara (e Jim)". Barbara muda, então, de nome (passa a se chamar artisticamente Sophie Straw) e é alçada ao estrelato. A vida da moça muda radicalmente com o sucesso do programa televisivo. "Funny Girl" aborda a vida de Sophie, os bastidores do seu programa de TV e sua relação com os demais profissionais envolvidos na produção. O mais engraçado dessa história é que a medida que o programa "Barbara (e Jim)" vai fazendo sucesso, mais a realidade vai se misturando com a ficção e a ficção vai se misturando com a realidade. As vidas dos roteiristas (a dupla homossexual Bill Gardiner e Tony Holmes), dos atores (Clive Richarson interpreta o marido de Sophie na série) e do diretor (Dennis Maxwell-Bishop), de certa forma, são influenciadas pelos acontecimentos da tela e, ao mesmo tempo, os episódios e o desenrolar do programa vão sendo moldados a partir das vivências reais dos roteiristas, do diretor e dos atores. Ao ler o livro imediatamente me lembrei da peça "Caros Ouvintes", que vi no mês passado (ver post do dia 4 de Abril). Enquanto a peça teatral narrava os bastidores de uma radionovela na década de 1960, aqui no livro se relata os bastidores de um programa de televisão nos anos de 1960: a parceria e os desafios dos roteiristas, a relação pessoal e de vaidade entre os atores, o trabalho do diretor da produção, as negociações com a diretoria da emissora de televisão, etc. "Funny Girl" traz como grande inovação para a literatura de Hornby o fato de ser a primeira história do inglês que acontece no passado (década de 1960). Também segue uma tendência do autor em explorar protagonistas do sexo feminino (Barbara/Sophie). Depois de iniciar suas primeiras tramas sempre com homens ("Febre de Bola", "Alta Fidelidade" e "Um Grande Garoto"), nas últimas obras a preferência pelo universo feminino tem se aflorado (tudo começou com "Como Ser Legal", cuja protagonista é Kate Carr, uma médica em crise). Admito que fiquei surpreendido com este livro. Ele é bem diferente dos outros de Nick Hornby. Esta obra possui uma temática mais leve, com personagens menos complexados e com um enredo mais despretensioso. Enquanto isso, o autor mantém sua característica de falar da cultura popular de maneira divertida e alegre. O ritmo da narrativa (em terceira pessoa) é fluente e a trama é interessante. O resultado final é muito satisfatório. Gostei muito do livro. Ele é gostoso de ler e de rápida evolução. Li as suas 417 páginas em três noites. Minha conclusão após terminar "Funny Girl": esta obra marca a procura de Nick Hornby por novos caminhos dentro da literatura. O inglês está tentando se reinventar e está diversificando suas histórias. Esse é um ótimo sinal. Mostra o quanto o escritor está amadurecendo e tendo a coragem de experimentar coisas novas. Estou ansioso para saber como será essa evolução nos próximos anos. Minha torcida é que o próximo livro de Hornby não demore, como este, tanto tempo para ser produzido e lançado. Seis anos é tempo de mais... Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #NickHornby #LiteraturaInglesa #LiteraturaContemporânea #Romance #Livros #RomanceHistórico

  • Filmes: O Garoto da Casa ao Lado - Jennifer Lopez como você nunca viu

    Assisti neste final de semana ao filme "O Garoto da Casa ao Lado" (The Boy Next Door: 2015). Esta é a melhor produção de suspense no momento em cartaz nos cinemas brasileiros. A direção é de Rob Cohen, cineasta responsável por "Velozes e Furiosos" (The Fast and the Furious: 2001), "Triplo X" (xXx: 2002) e "Coração de Dragão" (Dragonheart: 1996). O elenco de "O Garoto da Casa ao Lado" é formado pelos jovens Ryan Guzman e Ian Nelson e pelos experientes John Corbett e Kristin Chenoweth. Porém, quem rouba a cena do começo ao fim é Jennifer Lopez. Além de contracenar, ela é a produtora executiva. Próxima de completar 46 anos, J.Lo está deslumbrante. Ela exala sensualidade neste longa-metragem que foge um pouco do perfil dos seus últimos filmes. Ao invés das comédias românticas que Lopez costumava estrelar, temos aqui um thriller de suspense com cenas de sexo e violência. "O Garoto da Casa ao Lado" apresenta a professora de Literatura Claire Peterson (Jennifer Lopez). Traída pelo marido (interpretado por John Corbett) e próxima de se divorciar dele, ela cuida sozinha de um filho adolescente (Ian Nelson). Em um momento de fragilidade, Claire acaba seduzida por Noah Sandborn (Ryan Guzman), um garoto solitário e prestativo que mora na casa ao lado. Em uma noite chuvosa, a professora acaba fazendo sexo com o rapaz. No dia seguinte, Claire já está arrependida. Noah é muito mais jovem do que ela. Além disso, ele é amigo do seu filho e aluno da escola onde ela leciona. Ou seja, não há como aquele relacionamento possa dar certo, pensava ela. Apesar de a professora fazer de tudo para dar um fim na relação com o vizinho, Noah se mostra ciumento e possessivo. A obsessão do rapaz torna-se doentia e violenta. Ele não aceita a rejeição de Claire, insistindo no caso e constrangendo-a tanto em casa quanto no trabalho. O rapaz deseja que Claire se separe uma vez por todas do marido. Se Noah não tiver seus desejos atendidos, ele ameaça revelar a intimidade de Claire daquela noite chuvosa para todos. Se isso acontecer, Claire terá destruída sua já tênue relação familiar e será demitida da escola onde trabalha. "O Garoto da Casa ao Lado" é um ótimo filme. A tensão e o suspense são crescentes. O drama vivido por Claire é comovente. Ela precisa salvar suas aparências, suas relações familiares e seu emprego de um psicopata cada vez mais transloucado. É impossível não ficar maravilhado com a atuação da dupla Jennifer Lopes e Ryan Guzman. Ambos transbordam sensualidade e dramaticidade. Ela está em seu melhor papel no cinema nos últimos anos e ele vive pela primeira vez um grande antagonista. A cena de sexo entre eles também é magnífica. O suspense é crescente. O filme começa morno e vai tendo sua temperatura pouco a pouco aumentada. Na metade do longa-metragem, é impossível desgrudar os olhos da tela. O quarto final da produção é adrenalina pura. O único aspecto negativo está no desfecho. O final da trama é previsível e muito caricato. Vendo "O Garoto da Casa ao Lado", recordei de alguns filmes com a mesma temática: "Atração Fatal" (Fatal Attraction: 1987) e "Revelação" (What Lies Beneath: 2000). A diferença está no tipo de traição. Ao invés de ser o marido que trai, temos agora uma traição da esposa. Como este tipo de deslize do ponto de vista da sociedade (machista) é mais delicado, percebe-se o cuidado do roteirista para contextualizar a situação da esposa (ela estava separada do marido há nove meses e ele já havia a traído antes). Assim, "O Garoto da Casa ao Lado" não possui o choque cultural provocado, por exemplo, pelo filme "Infidelidade" (Unfaithful: 2002). Mesmo sendo um bom filme de suspense (o melhor no momento nos cinemas), é evidente que o novo longa-metragem de Rob Cohen é muito inferior aos seus similares citados aqui. "Atração Fatal", "Revelação" e "Infidelidade" são infinitamente melhores. Veja o trailer de "O Garoto da Casa ao Lado": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #RobCohen #JenniferLopez

  • Livros: Um Grande Garoto - Amizade entre desajustados por Hornby

    "Um Grande Garoto" (Rocco) é o segundo grande sucesso de Nick Hornby no gênero ficcional (terceiro grande êxito se considerarmos o livro de memórias "Febre de Bola"). Lançado em 1998, depois do marcante "Alta Fidelidade", "Um Grande Garoto" agradou os leitores cativos do escritor inglês e se tornou rapidamente um best-seller. Em 2002, a história foi transposta para as telas do cinema, em um filme estrelado por Hugh Grant e dirigido pela dupla de irmão Chris Weitz e Paul Weitz. Neste romance, Will Freeman é um solteirão de 36 anos que nunca trabalhou na vida. Ele vive da herança e dos direitos autorais de uma música natalina feita pelo seu falecido pai, o que lhe confere uma ótima renda mensal. Assim, sua vida financeira é muito confortável. Entretanto, ele tem um sério problema: o que fazer durante os dias e as noites? Sem nada de produtivo para realizar, o rapaz gasta seu tempo ouvindo músicas, assistindo aos programas de televisão, frequentando festas, indo a bares e flertando com as mulheres. Will é um homem que não se compromete com nada e com ninguém. Ele não tem namorada, não interage com a família e não tem grandes amigos. Todas suas atividades diárias são supérfluas. Trata-se, assim, de uma existência vazia e limitada. Isso o começa a incomodar porque ele se torna um parceiro desinteressante para as mulheres. Preocupado com isso, ele inventa que ao invés de ser solteiro e não possuir filhos, ele é um homem separado e com um filho. De repente, Will se torna mais interessante aos olhos das mães solteiras. Esse grupo passa a cortejá-lo, não percebendo a coleção de mentiras contadas pelo rapaz. No meio dessas armações, Will conhece Marcus, o filho desajustado de doze anos de uma dessas mães solteiras. Marcus é um garoto problemático, abalado pela tentativa da mãe em se suicidar. O menino faz tudo o que a matriarca exige, usando roupas antiquadas, ouvindo música antiga, se alimentado de forma saudável e tendo um corte de cabelo esquisito. Assim, se torna alvo de bullying na escola. Sem amigos em nenhum lugar, Marcus se aproxima de Will. A amizade entre os dois é inicialmente conflitosa e atípica. Aos poucos, os dois vão criando vínculos sinceros e amistosos. "Um Grande Garoto" é, portanto, a história da amizade entre dois desajustados. Um homem com a cabeça de adolescente e um menino com dificuldades para passar por esse estágio da vida. Neste livro, temos todos os elementos que caracterizam as obras de Nick Hornby: personagens complexados, imaturos e/ou presos na "eterna adolescência"; referência à cultura pop, com a citação de várias músicas, bandas, cantores, times e jogadores de futebol, programas de televisão e filmes; os personagens principais são figuras masculinas; o enredo gira em torno dos problemas de relacionamento dos personagens; o humor é autodepreciativo; e a linguagem é simples e objetiva. Gostei de "Um Grande Garoto". É uma boa história, com ótimos personagens e um enredo interessante e bem construído. A leitura foi agradável e rápida. Li as pouco mais de 260 páginas da obra em três dias. Porém, a sensação ao terminá-lo é que eu já tinha visto aquele "filme" antes. Como a estrutura do livro é muito parecida aos três livros anteriores que eu li deste autor ("Febre de Bola", "Alta Fidelidade" e "Uma Longa Queda"), fica a impressão de déjà vu. Esse é ponto negativo de um escritor ter uma marca muito forte. Sua literatura fica repetitiva e previsível, cansando às vezes o leitor habitual de suas obras. Para quem se interessar em ler "Um Grande Garoto" e quiser procurá-lo nas livrarias, preciso fazer um alerta. Quem possui agora os direitos de publicação das obras de Nick Hornby aqui no Brasil é a editora Companhia das Letras. Entretanto, ela ainda não fez uma edição para este título, não sendo possível, portanto, adquiri-lo. A única alternativa para os interessados em ler esta história é comprar uma edição antiga, publicada pela Rocco, a editora que possuía os direitos autorais antes da Companhia das Letras. Como é proibida a venda em livrarias de "livros antigos" (sem direito autoral por parte da editora), o jeito é procurá-los em sebos. Foi o que fiz. Não tive dificuldade de achar uma versão em um bom sebo de Pinheiros. Fica a dica! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #NickHornby #Romance #Livros #Drama #LiteraturaInglesa #LiteraturaContemporânea

  • Exposição: Picasso e a Modernidade Espanhola - A arte cubista

    Nesta quarta-feira à tarde fui ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no centro de São Paulo para ver "Picasso e a Modernidade Espanhola". A exposição conta com 87 obras do fundador do cubismo e de outros artistas espanhóis como Joan Miró, Salvador Dalí, Julio González e Luis Fernández. A coleção faz parte do acervo do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, de Madri, na Espanha, e estará à disposição do público paulistano até o dia 8 de junho. Depois, a exposição segue para o Rio de Janeiro, onde ficará até Setembro. "Picasso e a Modernidade Espanhola" ocupa quatro andares do prédio do CCBB. No quarto e no terceiro andares (a exposição começa por cima e o visitante vai descendo, seguindo o trajeto delimitado pela organização) estão as obras de Pablo Picasso. Primeiro entramos em contato com as que abordam a sensualidade e a representação das mulheres. Depois, vemos representações de minotauros (uma fixação e tipo de autor ego do pintor) e algumas gravuras preparatórias à produção de "Guernica", a pintura mais famosa de Picasso. No segundo andar, temos as telas dos demais artistas espanhóis. Vemos, portanto, as obras de Miró, Dalí, González e Fernández. No primeiro andar, temos a apresentação interativa de "Guernica". A exposição termina no subsolo, com algumas peças de natureza morta desses artistas. Para terminar, na hora da saída (no térreo), havia uma apresentação com musica tradicional da Espanha e uma pequena apresentação cênica simulando depoimentos de Picasso. O clima ali estava bem animado. Gostei da exposição. Apesar de haver muitas gravuras em detrimento das telas a óleo, o material apresentado é de razoável qualidade. Ver de perto a geração mais talentosa de artistas espanhóis é sempre emocionante. Há obras interessantes, apesar das mais famosas e importantes dos artistas retratados não estarem presentes. Os únicos pontos negativos de "Picasso e a Modernidade Espanhola" foram a fila de espera e a estrutura do CCBB. Como fui em uma quarta-feira a tarde, não esperei mais de vinte minutos para entrar. Porém, se você for em um final de semana ou em um feriado, se prepare para perder pelo menos uma hora na fila. Como o Centro Cultural Banco do Brasil fica em um prédio antigo, a exposição fica dividida entre os estreitos andares da instituição. Isso atrapalha um pouco o visitante, pois, às vezes, o fluxo fica confuso dentro dos corredores, com as pessoas entrando na sua frente enquanto você analisa uma obra. Na terceira ou na quarta vez, é normal perder a paciência. "Picasso e a Modernidade Espanhola" tem entrada gratuita e a exposição fica aberta de quarta a segunda-feira, das 9 horas às 21 horas. O Centro Cultural Banco do Brasil fica localizado na Rua Álvares Penteado, 112, no Centro. Vale a pena dar uma passada lá para conferir essas obras. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias do blog. Para acessar as demais análises desta coluna, clique em Exposições. E não se esqueça de curtir ​a página do blog no Facebook. #JoanMiró #SalvadorDalí #JulioGonzález #LuisFernández #PabloPicasso #Exposição #Mostra #Pintura #Cubismo

  • Livros: Uma Longa Queda - Nick Hornby e seus quatro suicidas

    Ao terminar a leitura de "Uma Longa Queda" (Companhia das Letras), admito que Nick Hornby subiu vários pontos em meu conceito. Este livro é muito, muito bom. Ele é excelente! Sem sombra de dúvida, é a melhor obra das três que li neste mês deste autor (as outras foram "Febre de Bola" e "Alta Fidelidade"). Esse livro, creio, marca o ponto alto da carreira de Hornby no mundo das letras. Escrito em 2005, "Uma Longa Queda" traz todos os elementos que marcam a escrita do autor inglês: humor autodepreciativo, personagens complexados, referência à cultura pop e linguagem simples e dinâmica. Além desses pontos, Nick Hornby traz, de maneira soberba, vários assuntos polêmicos (como suicídio, pedofilia, deficiência física, envelhecimento, depressão e desequilíbrio emocional), nos quais trata desprovido da preocupação de ser politicamente correto. Ou seja, os encara com coragem e sinceridade. A ironia, a abordagem direta e a reflexão dos personagens são as armas do escritor para debater esses assuntos. A história do livro é sobre quatro pessoas desconhecidas que se encontram por acaso na noite de Ano-Novo no alto de um prédio em Londres para se suicidar. Todas elas estão cansadas da vida e não enxergam mais sentido para continuar existindo. A cena que abre "Uma longa queda" e explica o enredo da obra é sensacional: engraçada, dramática e marcante. Tentarei narrá-la resumidamente aqui. O primeiro a chegar para pular do edifício é Martin. Ele é um famoso apresentador de televisão e teve sua vida devastada depois de fazer sexo com uma menina de quinze anos. Como consequência ao ato, ele ficou preso e perdeu a família (a esposa se separou e não o deixa mais ver as filhas do casal). As pessoas costumam ofendê-lo nas ruas e ele passou a ser o grande vilão do Reino Unido. Quando Martin está se preparando para se jogar do prédio, surge Maureen, uma mulher de meia idade que vive com um filho em estado vegetativo. Ela passa todos os dias da semana e todas as horas do dia cuidando exclusivamente do rapaz. Sua rotina é a mesma há quase vinte anos. Ela não se diverte, não interage com ninguém e não tem qualquer momento de alegria. Cansada desse cotidiano, Maureen se programou para se matar na noite do Ano-Novo. Entretanto, ela começa a discutir com Martin, pois não conseguirá se atirar do alto do edifício se ele a ficar observando. No meio do bate boca, surge uma moça de dezoito anos chamada Jess. A jovem sai correndo em direção à beirada do prédio para se jogar lá de cima. Martin e Maureen conseguem a muito custo segurá-la e ficam chocados quando Jess diz que quer se matar. Para os dois, a moça é muito jovem para aquilo. Assim, Martin e Maureen tentam convencer Jess a não tirar sua própria vida (algo no mínimo curioso vindo de dois suicidas em potencial). Para terminar a cena, surge no alto do edifício um entregador de pizza. O grupo descobre que ele apareceu por lá também para se matar. JJ, como é chamado pelos amigos, era músico e está em depressão por causa da perda da namorada e do fim da sua banda. Não encontrando mais alternativa para seus problemas, ele deseja se matar. A cena termina com o grupo discutindo suas dificuldades e fazendo uma espécie de pacto, que norteará o restante do livro. Para completar, eles acabam por comer a pizza levada por JJ. É ou não é uma cena espetacular?! Na continuação da história, os quatro personagens formam um grupo de amigos (um tanto heterogêneo e problemático) que precisará cumprir o acordo feito na noite de Ano-Novo. Para tal, eles precisaram se ajudar mutuamente e mergulhar na vida do outro. "Uma Longa Queda" tem vários elementos interessantíssimos que valorizam ainda mais a obra e a pitoresca trama. Primeiro é o tipo de narrativa escolhida pelo autor. A história é narrada em primeira pessoa pelos quatro personagens. Eles vão apresentando seus pontos de vista e suas opiniões sucessivamente, em um revezamento constante. Essa opção torna a leitura dinâmica e instigante. Entrar dentro da cabeça desses desmiolados é muito divertido. O segundo ponto é a construção dos personagens. Fazia muito tempo que não via figuras tão complexadas do ponto de vista psicológico quanto essas. Martin, Maureen, Jess e JJ colecionam, cada um, traumas, bloqueios, medos e inseguranças para inundar uma cidade do tamanho de São Paulo. O grupo é um prato cheio para qualquer psicólogo analisar. Impossível ficar indiferente às dificuldades e aos problemas do quarteto. A leveza e o humor da literatura de Hornby é o terceiro ponto a se destacar. Apesar dos temas pesados, a leitura não é maçante e cansativa nem o clima do livro é dark. Pelo contrário. Tudo aqui é leve e até mesmo divertido. O escritor consegue relatar os problemas e as dificuldades dos seus personagens com humor tipicamente hornbiano. E para encerrar, o quarto ponto que merece destaque é, como sempre, a riqueza cultural da cena pop que emoldura o livro de Nick Hornby. Temos a possibilidade, ao longo da leitura, de entrar em contato com referências sobre música, televisão, cinema, peças de teatro e partidas de futebol. Achei incrível este livro. Li rapidamente suas 328 páginas em apenas duas noites, tamanho foi o fascínio e o magnetismo que ele me proporcionou. Quando terminei a obra e fechei suas páginas, pensei: "Nick Hornby é realmente um grande escritor!". Se estivesse usando um chapéu, na certa o tiraria em reverência ao autor inglês. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. 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  • Filmes: Entre Abelhas - Drama e humor com profundidade

    Diferente. Essa é a palavra que resume o filme "Entre Abelhas" (2014). Esta produção da trupe do Porta dos Fundos foge do convencional e do humor grosseiro feito pelo grupo até então, surpreendendo o público ao mergulhar no drama e ao permitir a reflexão sobre alguns temas delicados como a separação, a depressão e a solidão. Com direção de Ian SBF, roteiro de Fábio Porchat e Ian SBF, ambos criadores e sócios do Porta dos Fundos, e vários humoristas deste site (Marcos Veras, Letícia Lima e Luis Lobianco), este longa-metragem é a grata surpresa do cinema nacional deste ano. A história de "Entre Abelhas" se passa no Rio de Janeiro e enfoca a vida do editor de imagens Bruno após sua separação. Com o fim prematuro do casamento, o rapaz entra em depressão e, aos poucos, começa a deixar de ver e de ouvir as pessoas ao seu redor. Praticamente as outras pessoas se tornam invisíveis para ele, gerando vários inconvenientes. Desesperado, Bruno recorre à mãe (Irene Ravache) e ao melhor amigo (Marcos Veras) para ajudá-lo a resolver esse grave problema. Misturando drama e humor na medida certa, o filme leva o público a fazer algumas reflexões interessantes sobre os hábitos da sociedade moderna e sobre como estamos levando nossos relacionamentos nos dias de hoje. Essa produção também fala da depressão, uma doença séria e cada vez mais comum, de uma maneira indireta e subjetiva. Fábio Porchat se saiu muitíssimo bem ao desempenhar seu primeiro papel dramático no cinema. Tão acostumado a fazer humor, o ator mostrou talento e repertório ao mudar o tipo de personagem representado. Essa é a maior prova da maturidade e da evolução do artista. Porchat provou que além de um ótimo humorista e roteirista também pode ser visto como um bom ator. Veja o trailer de "Entre Abelhas": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #IanSBF #FábioPorchat

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