top of page

Sistema de Pesquisa

Resultados encontrados para busca vazia

  • Livros: História da Literatura Ocidental Sem as Partes Chatas - A irreverência de Sandra Newman

    No ano passado, andando despretensiosamente pela livraria Cultura do Conjunto Nacional, encontrei um livro que chamou minha atenção. Seu título: "História da Literatura Ocidental Sem as Partes Chatas" (Cultrix). A autora, Sandra Newman, é uma professora norte-americana de redação e de literatura que também se arrisca na produção de novelas próprias. "História da Literatura Ocidental Sem as Partes Chatas" não é uma obra tão nova assim. Ela foi lançada nos Estados Unidos em 2012 e no Brasil em 2014. Sua proposta também não é das mais originais. Neste livro, Sandra Newman queria fazer uma viagem pelos cânones da cultura ocidental. Ou seja, como este, existem dezenas de publicações com o mesmo objetivo. Qual foi, então, a grande novidade que me motivou a comprar esta obra? A linguagem! De um jeito divertido e desbocado, a autora fala abertamente sobre as principais obras literárias da história da civilização ocidental e dos seus escritores. Nunca um título foi tão fidedigno. Não há partes chatas em "História da Literatura Ocidental Sem as Partes Chatas". Se bem que prefiro o título original, "The Western Lit Survival Kit: How To Read The Classics Without Fear" (algo como "Kit de Sobrevivência da Literatura Ocidental - Como ler os Clássicos Sem Medo" em uma tradução livre). Parece ou não parece divertido?! Impossível não se apaixonar por este livro. Se você gosta de literatura, ficará ainda mais apaixonado por esta área. Se você não gosta, com certeza irá gostar e vai querer ler todos os clássicos. A sensação é que Sandra Newman está conversando conosco em um bar sobre literatura (a bebida e os quitutes, infelizmente, não vêm junto com o livro). Não há nada mais interessante do que essa combinação para quem gosta de literatura. Quem está acostumado com os (enfadonhos) textos acadêmicos, a leitura de "História da Literatura Ocidental Sem as Partes Chatas" é um tanto libertadora. A autora também é muito sincera em suas opiniões e colocações. Seu texto é mistura o tempo todo bom-humor e ousadia. Brincando, ela consegue cativar o leitor e passar sua mensagem com bastante propriedade. Veja o que ela fala, por exemplo, sobre Rudyard Kipling: "Se você está se perguntando o que fez com que esse cara ganhasse o Prêmio Nobel, saiba que ler sua ficção não vai lhe dar a resposta. Dentre seus livros, aqueles que ainda são publicados foram deslizando, aos poucos, para a seção infantil". Ao comentar os romances românticos, ela é direta: "Tudo bem, a maior parte dessa literatura não é muito boa. Tem a profundidade de uma poça d'água. Mas também dá o mesmo prazer frívolo de comer um bolinho com chantili, com a vantagem de não engordar". A explicação sobre Dom Quixote é sublime: "Muitos dizem que Dom Quixote é o melhor romance já escrito. Alguns dos mesmos estudiosos o chamam também de 'primeiro romance'. Seria uma incrível sorte de principiante se o primeiro romance fosse também o melhor. Felizmente, como nossos leitores se lembrarão, os romances já eram escritos havia mais de mil anos, e Dom Quixote é somente um dos primeiros romances a serem equivocadamente chamados de 'o primeiro romance'. O herói é um cavalheiro empobrecido, já com alguma idade, que, tendo lido muitos romances (eu não disse), acaba acreditando que é um cavaleiro andante perseguindo por um feiticeiro do mal". Hilário! "História da Literatura Ocidental Sem as Partes Chatas" possui aproximadamente 400 páginas e é dividido em catorze capítulos. A autoria respeita a ordem cronológica da história literária. Os quatro primeiros capítulos são sobre Grécia, Roma, Idade Média e Renascimento, respectivamente. O quinto é dedicado exclusivamente a William Shakespeare. Seu nome: "William Shakespeare, o Único a Ganhar um Capítulo só para Ele". Impossível ser mais direta do que isso. Os demais sete capítulo são chamados de: "Chegada dos Puritanos", "França e Inglaterra no Século XVII", "Era da Razão", "Os Românticos", "Os Estados Unidos Passam a Existir", "Belo Realismo" e "Realismo Incômodo". Os dois últimos capítulos são dedicados a literatura da primeira metade do século XX e a atual situação dos romances e da poesia na entrada do século XXI. A pretensão do livro é servir de guia para os leitores comuns, apontando o que cada um deve ler dos cânones a partir dos seus interesses e de seus conhecimentos literários. Na introdução, a autora explica: "Este livro trata a literatura ocidental como um parque de diversão. É um guia para os diversos brinquedos; sugere quais são apropriados para todas as idades, quais serão considerados insuportavelmente tediosos por todas as idades e quais talvez exijam bastante de você, mas lhe darão em troca uma experiência que você não vai encontrar em nenhum outro lugar. Para os leitores que já ingeriram um bocado generoso dos Grandes Livros, esta obra oferecerá uma perspectiva unificadora, novas ideia e piadas de mau gosto à custa dos autores dos quais você mais gosta e menos gosta". Para oferecer um guia mais didático aos leitores sobre os cânones, a autora classifica todos os livros analisados em três categorias: importância (histórica), acessibilidade (o quanto é fácil lê-los e, principalmente, entendê-los) e diversão (o quanto é possível se divertir com a leitura). As notas vão de 1 a 10. Segundo estes critérios, obras como "Ilíada", "Odisseia", "Decamerão" e "Crime e Castigo", por exemplo, recebem pontuação máxima em importância. Já "Fausto" de Goethe recebe nota 3 no quesito diversão (ou seja é chatíssimo). Ele só é superado em chatice [pr The "Confidence Man" (não traduzido para o português) de Herman Melville. Esta foi a obra mais chata avaliada por Sandra Newman (nota 1). "Ulisses" de James Joyce é apontado como o livro mais incompreensível (nota 1). "Joyce simplesmente inventou uma maneira interessante de tornar muito difícil a leitura de um romance realista" é a conclusão da autora. Admito que li vorazmente esta obra. Minha pretensão inicial era ler um capítulo por noite, para degustá-lo com calma e bem (como se fosse uma caixa de um bombom saborosíssimo). Não consegui. Engoli a caixa de doce inteira em três noites. É claro que fiquei os dias seguintes um tanto assonado (mas com um sorriso no rosto lembrando as partes mais engraçadas do que havia lido). O único defeito do livro (acreditem, achei um!) é focar quase que exclusivamente na literatura francesa e inglesa, transformando-as em sinônimos de literatura ocidental. É verdade que "História da Literatura Ocidental Sem as Partes Chatas" abre exceções para os maiores nomes da poesia e do romance alemão, russo, espanhol, italiano e grego. Porém, mesmo assim, a impressão é que se não fossem os ingleses, os franceses e os norte-americanos ainda estaríamos praticando a arte rupestre. Como assim não citar Luís Vaz de Camões e sua obra-prima "Os Lusíadas"? Por que excluir totalmente o Realismo Fantástico Sul-Americano? Como é possível não analisar alguém como Jorge Luis Borges (ele só aparece na hora de analisar os escritores europeus e norte-americanos). Até onde sei, a América do Sul e Portugal ainda ficam no lado ocidental do planeta, né? Tirando este detalhe, este livro é para ser colocado na cabeceira de todo amante (principiante) de literatura. Trata-se de uma obra imprescindível para quem deseja iniciar os estudos dos clássicos da cultura europeia e norte-americana. Coloco essa resalva porque o conteúdo de "História da Literatura Ocidental Sem as Partes Chatas" é um tanto superficial (para quem já está estudando ou trabalhando neste campo há muitos anos). A biografia dos autores, a análise dos cânones, a descrição do contexto histórico e análise das correntes literárias são bem resumidas. Esta brevidade é o que torna o ritmo do livro rápido e interessante. Por isso, não espere encontrar aqui análises profundas (não é esta a intenção da autora). Sandra Newman, sou agora seu fã incondicional. E "História da Literatura Ocidental Sem as Partes Chatas" foi, com certeza, uma das obras mais prazerosas que li no ano passado. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #TeoriaLiterária #SandraNewman #LiteraturaNorteAmericana

  • Filmes: Ponto Final, Match Point - A internacionalização de Woody Allen

    Woody Allen é um dos meus diretores de cinema preferidos. Não perco nenhum dos seus lançamentos desde que fiquei deslumbrado com "Vicky Cristina Barcelona" (2008). Também sou daqueles fãs que mergulham nos clássicos do diretor. Das décadas de 1970 e 1980, meus preferidos são "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (Annie Hall: 1977), "Manhattan" (1979) e "Hannah e Suas Irmãs" (Hannah and Her Sisters: 1986). Por isso, sentia-me um pouco mal comigo mesmo por nunca ter conseguido assistir a "Ponto Final - Match Point" (Match Point: 2005). Consegui, depois de tantos encontros e desencontros, desfazer esta mancha em minha história cinéfila, conferindo esta produção neste final de semana. "Ponto Final - Match Point" representou uma guinada na carreira de Woody Allen. Depois de gravar por muitos anos apenas em Nova York (sendo visto como um cineasta melancólico da Big Apple), o diretor enfim partiu para o mundo. Este longa-metragem de 2005, por exemplo, foi gravado inteiramente em Londres. Depois desta experiência bem-sucedida, o norte-americano passou a filmar na Espanha, na França e na Itália, tornando suas tramas mais internacionais. Há quem sempre solte o boato que sua próxima investida será no Rio de Janeiro. Respirar novos ares fez muitíssimo bem para o diretor. Não é à toa que a última década significou, pelo menos na minha visão, o período mais criativo de Allen. Nesta fase mais recente, Woody Allen conseguiu aliar seu humor peculiar com a dramatização de histórias complexas e de assuntos polêmicos. Praticamente vemos na tela versões bem-humoradas de tramas que poderiam muito bem descambar para o dramalhão. Isso só não acontece com o diretor nova-iorquino pelo seu talento cômico singular. Praticamente rimos e nos divertimos, sem culpa, com as situações mais polêmicas e delicadas. "Ponto Final - Match Point" também marcou o início da parceria do diretor com a atriz Scarlett Johansson. Ela seria sua protagonista em "Scoop - O Grande Furo" (Scoop: 2006) e "Vicky Cristina Barcelona" (2008). Como é bom ver Johansson em papéis em que pode explorar seu talento artístico, além da exibir sua beleza descomunal. O enredo de "Ponto Final - Match Point" gira em torno do ex-jogador de tênis Chris Wilton (interpretado por Jonathan Rhys-Meyers). Cansado da vida de viagens e da pressão pelas vitórias do circuito profissional, ele decide se mudar para Londres. Na capital inglesa, o rapaz passa a trabalhar como professor de tênis em um seleto clube da cidade. Um dos seus alunos, Tom Hewett (Matthew Goode), é filho de um rico empresário local. O convívio dos dois se transforma em amizade e, assim, Chris rapidamente se torna amigo da rica família do aluno. Convivendo com os Hewett, Chris Wilton inicia um namoro com Chloe (Emily Mortimer), irmã de Tom. O relacionamento traz muitas vantagens para o rapaz. Ele ganha um emprego melhor (de executivo em uma das empresas do sogro), passa a frequentar lugares caros e é mimado constantemente pelos pais de Chloe (Brian Cox e Penelope Wilton), que desejam o casamento da filha com o ex-jogador de tênis. De repente, dinheiro não é mais um problema na vida de Chris. Contudo, o protagonista da trama fica dividido. Chris Wilton acaba se apaixonando por Nola Rice (Scarlett Johansson), a estonteante namorada de Tom. Desequilibrada emocionalmente e com uma carreira de atriz fracassada, a bela moça é totalmente dependente do namorado milionário. Assim, tanto Chris quanto Nola são as peças frágeis daquela engrenagem social. Um relacionamento entre eles pode significar o fim de uma vida confortável e tranquila para ambos. O que Chris deve fazer? Deve abandonar o luxo e a segurança de um casamento com Chloe ou deve investir em um namoro arriscado e sem futuro com Nola, a mulher que ele verdadeiramente ama? O grande tema deste filme de Woody Allen é, obviamente, a dicotomia entre o amor genuíno e o interesse financeiro. A dramaticidade é potencializada à medida que as decisões são tomadas pela personagem de Jonathan Rhys-Meyers. Suas condutas jogam todos os envolvidos em uma sinuca de bico. As incertezas e as preocupações de Chris Wilton o levam a adiar ao máximo a decisão final sobre tão complexa questão. Um dos pontos que mais gostei do longa-metragem é o das citações literárias. Durante todo o filme, os personagens fazem referências, explícita ou implicitamente, aos clássicos da literatura, pontuando com classe os debates filosóficos em que estão sujeitos. O caso mais óbvio é o do romance "Crime e Castigo" de Dostoievski. Os conflitos e, principalmente, os comportamentos de Chris Wilton se parecem muito com os de Rodion Românovitch Raskólnikov. A referência ao grande sucesso de Dostoievski fez o diretor Woody Allen dizer que "Ponto Final - Match Point" é sua versão cinematográfica de "Crime e Castigo". Gostei muito deste filme. Com mais de duas horas de trama, este é o longa-metragem mais longo da carreira do diretor norte-americano até aqui. A fotografia é ótima, os atores estão esplendidos em suas atuações (Scarlett, casa comigo!) e a tensão vai aumentando aos poucos até desembocar em um final angustiante. O ponto alto, como sempre acontece nas produções de Woody Allen, está em seu roteiro maravilhoso. Não por acaso, ele concorreu ao Oscar de 2006 na categoria de Melhor Roteiro Adaptado. Apesar da excelência do filme, senti um pouco de falta do humor irônico e do clima leve e descontraído que o diretor tem apimentado suas últimas produções. Entretanto, a falta destes elementos é perfeitamente aceitável aqui. Se ele exagerasse na leveza, no humor e na sutileza, não conseguiria recriar o clima tenso e angustiante de "Crime e Castigo". Afinal de contas, estamos falando de um longa-metragem que tem a cara de Dostoievski! Veja o trailer de "Ponto Final - Match Point": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #WoodyAllen

  • Livros: A Distância Entre Nós - O dramalhão indiano de Thrity Umrigar

    Li, em minha última viagem de Minas Gerais a São Paulo de 2017, o romance "A Distância Entre Nós" (Nova Fronteira), da escritora indiana Thrity Umrigar. Nascida em Mumbai, em 1961, Umrigar vive desde a década de 1980 nos Estados Unidos. Após trabalhar como jornalista em importantes periódicos norte-americanos, ela passou, nos últimos anos, a se dedicar ao magistério (é professora de Literatura), à crítica literária e, principalmente, à criação de suas próprias histórias. Entre suas obras mais relevantes estão "A Doçura do Mundo" (Globo), "A Hora da História" (Globo), "Um Lugar para Todos" (Nova Fronteira) e "O Tamanho do Céu" (Nova Fronteira). Seu grande sucesso é "A Distância Entre Nós". Foi esse livro que catapultou a carreira da indiana à lista dos autores mais vendidos. Graças a essa obra, ela é atualmente best-seller mundial. Apesar de Thrity Umrigar morar nos Estados Unidos há muitos anos, seus romances se passam quase que exclusivamente na Índia contemporânea. Os enredos de suas obras giram em torno dos dramas das pessoas comuns. Neles, os indianos sofrem por viver em um país machista e patriarcal. O abismo social é gritante, há elevado índice de pobreza e as taxas de violência e de corrupção são absurdas. Isso tudo embalado por uma cultura conservadora, com rígidas tradições milenares, e por uma religião que perpetua a segregação e a imobilidade social (as castas são a base do hinduísmo, a principal religião do país). O que temos, portanto, é o cenário propício para o desenvolvimento de grandes dramalhões. O sofrimento e a tragédia temperam a vida de quase todas as personagens de Umrigar. A autora confere uma especial atenção às mulheres. Geralmente, são elas as protagonistas das suas tramas, e por consequência, as maiores vítimas da crueldade e das injustiças da sociedade do país asiático. "A Distância Entre Nós" é, talvez, o exemplar mais fidedigno das características literárias de Thrity Umrigar. Nesse livro, acompanhamos a vida de duas mulheres indianas: Bhima e Sera Dubash. Bhima é uma senhora idosa que mora em uma favela de Bombaim. Sendo pobre, analfabeta e de uma casta inferior, seu dia a dia é recheado de sacrifícios, limitações e trabalho pesado. Seu marido e seu filho a abandonaram. Com a morte da filha e do genro, ela cuida sozinha da neta adolescente, Maya, que está grávida. Maya era a única pessoa da família a cursar faculdade. Entretanto, a moça precisou abandonar o curso devido à gravidez precoce e indesejada. Na visão da avó, a neta jogou fora a única chance que tinha para "ser alguém na vida". Bhima trabalha, há muitos anos, como empregada doméstica na casa de Sera Dubash, uma viúva rica e de uma casta superior. Era a patroa da avó quem pagava a faculdade de Maya. Apesar da riqueza material e da vida confortável, Sera possui motivos para sentir desgosto pelo seu destino. O casamento infeliz, a violência doméstica, a solidão após a viuvez, a péssima relação com a família do marido morto, o ódio pela sogra e o distanciamento da sua própria família fizeram da abastada senhora uma pessoa triste e melancólica. Sua única alegria é ver o feliz casamento de sua filha, Dinaz. Dinaz é casada com Viraf, um executivo bem-sucedido que possui um espírito alegre, bondoso e extrovertido. O casal mora na casa de Sera e aguarda a chegada do primeiro filho. Assim, depois de presenciar os sérios problemas matrimoniais que a filha e o genro passaram, Sera se realiza com a felicidade dos jovens que moram em sua casa. A breve chegada do netinho também é motivo para grande expectativa e de felicidade para a viúva. Bhima e Sera são muito próximas uma da outra, chegando a se considerar amigas ou integrantes da mesma família. Elas passam o dia inteiro juntas na casa de Sera e compartilham suas agonias, preocupações e intimidades familiares. Essa relação próxima e amigável entre patroa e empregada é motivo para críticas por parte dos amigos, familiares e vizinhos da família Dubash. Na visão geral dos conhecidos, Sera confere liberdade de mais à doméstica. Todos aconselham a rica senhora a não ser tão benevolente com a empregada, porque logo mais ela irá se arrepender destes atos altruístas. Os integrantes das castas inferiores são, na visão cultural da elite social, indivíduos gananciosos, preguiçosos, pouco confiáveis e de má índole. Para eles trabalharem bem, é preciso ser exigente, impositivo e cruel, características essas que Sera não possui. Ela é passional, compreensível e muito amiga da sua doméstica. Ao mesmo tempo em que adora Bhima, a viúva não consegue ver sua funcionária como um ser humano igual a ela ou mesmo como uma pessoa de verdade. Bhima não pode usar os talheres e os copos da residência, por exemplo. Também não pode se sentar no sofá ou nas cadeiras da casa. A cena em que a empregada, de cócoras no chão e usando uma velha caneca de alumínio, toma chá com a patroa, que, por sua vez, usa uma xícara de porcelana e está sentada à mesa na sala de estar, é emblemática. A dona da casa priva sua funcionária de certos hábitos por sentir nojo dela. Apesar de considerar Bhima uma pessoa limpa, Sera sabe que os indivíduos das castas inferiores vivem em favelas, locais onde a imundice e os péssimos hábitos de higiene prevalecem. Por isso, Bhima é proibida de muitas coisas no lar onde trabalha (sendo vista muitas vezes como um animal doméstico). Embora exista uma amizade sincera, genuína e de longa data entre Bhima e Sera Dubash que as aproxima, é inegável a presença também de um muro invisível entre elas que separa suas vidas em mundos totalmente distintos. Assim, elas estão próximas fisicamente (passam a maior parte do dia no interior da mesma casa), mas suas almas estão segregadas por realidades opostas. Essa é a distância que o título do livro faz menção. O único ponto em comum entre as duas mulheres é o sofrimento diário que ambas passam. Cada uma tem o que se lamentar da vida, do casamento, do destino e da família. À medida que a história de "A Distância Entre Nós" vai se desenrolando, Bhima e Sera precisarão enfrentar a situação mais difícil de suas vidas. A decisão que cada uma tomará para resolver seus próprios problemas irá afetar diretamente a família da outra. Nesse momento, será preciso saber como elas irão se comportar. O que será mais forte: a amizade, a admiração e o companheirismo que as une ou as diferenças e as barreiras sociais e religiosas que as separam? "A Distância Entre Nós" é um belo livro. Publicado pela primeira vez em 2001, ele tem 331 páginas e está dividido em duas partes (chamadas de Livro 1 e Livro 2). A divisão é motivada pelo projeto editorial original da obra, que fazia menção a dois livros ao invés de um só. A edição brasileira integrou as duas publicações em uma só. O que chama a atenção, logo de cara, nessa história é a capacidade narrativa de Thrity Umrigar. A autora indiana consegue instigar o leitor, em todo momento, para cada aspecto novo da história. Às vezes, é difícil parar a leitura. A impressão é que Umrigar vai apresentando a trama à conta gotas para não nos assustar. Afinal, a quantidade de episódios tristes e trágicos é inesgotável. Quando se pensa que nada de pior pode acontecer, lá está a escritora para superar nossas expectativas. Apesar de muito triste, esse não é do tipo de livro que faz o leitor chorar. Ele fica, é verdade, chocado com tantas tragédias, mas não derruba muitas lágrimas (pelo menos isso não aconteceu comigo). Outro componente positivo da obra é a boa construção das personagens. Cada personagem, das principais às secundárias, é descrita com realismo e imparcialidade. O retrato é nu e cru, por vezes brutal. A autora não se preocupa em florear a realidade nem em esconder a sujeira para debaixo do tapete. Tudo é escancarado aos olhos do leitor. É impossível não se emocionar com as vidas e as histórias narradas nesse livro. A sensação é que há muitas tramas dentro do enredo principal. Outra coisa que gostei bastante foi da ambientação ou da caracterização do lugar onde a história se passa. Não há dúvidas que estamos na Índia. O panorama da sociedade indiana e a realidade da cultura hindu são pontos marcantes que "enchem os olhos" do leitor estrangeiro. Umrigar consegue nos transportar para dentro da vida de seu país natal, apresentando seus hábitos, suas crenças, seus valores e suas tradições. Estão ali Mahatma Gandhi, a guerra com o Paquistão, o colonialismo inglês, o preconceito contra os muçulmanos, a paixão pelo críquete, o preconceito social estabelecido pelo sistema de castas, os hábitos alimentares, as grandes empresas indianas, entre dezenas de outras referências culturais. O único ponto negativo é a obviedade nas respostas dos maiores mistérios da história: quem é o pai do filho de Maya, a neta adolescente de Bhima?!; e por que a jovem, que estava na faculdade, "pecou" e "jogou seu futuro no lixo" com a gravidez indesejada? Nem é preciso chegar à metade do livro para elucidar as questões chaves do romance. A falta de opções faz o leitor concentrar suas suspeitas sobre a paternidade em apenas uma pessoa, enquanto a violência pela qual as mulheres passam o tempo inteiro oferece um indicativo preciso para a outra resposta. Mesmo não surpreendendo o leitor em relação aos pontos principais da trama (as surpresas ocorrem em outras esferas), "A Distância Entre Nós" é um ótimo livro. Seus personagens são recheados de dualidades e contradições, o que torna tudo mais complexo, imprevisível e saboroso. A temática dos livros de Umrigar e o estilo literário da indiana se parecem muito com os de seu colega asiático Khaled Hosseini. A única diferença é que ela retrata os perrengues dos indianos, enquanto ele foca nos infortúnios afegãos. Quem quiser saber mais sobre a vida desta que é uma das principais escritoras contemporâneas da Índia pode ler "A Primeira Luz da Manhã", sua autobiografia. No livro autobiográfico, Thrity Umrigar narra os episódios mais marcantes da sua trajetória em seu país natal até sua migração para os Estados Unidos. Curiosamente, até nessa questão é possível encontrar pontos em comum com a trajetória de Khaled Hosseini. Ninguém me tira da cabeça que Umrigar é a versão feminina e indiana do autor de "O Caçador de Pipas" (Nova Fronteira). Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #ThrityUmrigar #Romance #LiteraturaIndiana #Drama

  • Livros: Macunaíma - O moderno herói brasileiro de Mário de Andrade

    Nessa semana, reli "Macunaíma - O Herói sem Nenhum Caráter" (Nova Fronteira), um clássico do Modernismo brasileiro escrito por Mário de Andrade. Publicado pela primeira vez em 1928, esse romance foi rapidamente festejado pela crítica por sua inovação estética, narrativa e linguística. Mário de Andrade escreveu "Macunaíma" durante as férias passadas em um sítio na cidade de Araraquara, interior paulista, em dezembro de 1926. Ele gastou menos de uma semana para produzir o romance inteiro. No prefácio da segunda edição, o autor explica este processo criativo: "Este livro de pura brincadeira, escrito na primeira redação em seis dias ininterruptos de rede, cigarros e cigarras, na chácara de Pio Lourenço, perto do ninho da luz que é Araraquara". Essa é uma narrativa heroico-cômica em que se misturam lendas indígenas, o retrato da vida moderna nos grandes centros urbanos, poesia, história do país, folclore nacional e aspectos da fauna e da flora do Brasil. Todos esses elementos são construídos com total liberdade criativa pelo seu autor, que ainda acrescenta elevadas doses de ironia e deboche. O resultado final é uma contundente sátira do comportamento e da mentalidade típicos do brasileiro. O enredo de "Macunaíma - O Herói sem Nenhum Caráter" começa com o nascimento de sua personagem principal na floresta Amazônica. Filho de integrantes da tribo Tapanhumas, Macunaíma é um índio que desde a infância é tratado como alguém especial. Sua safadeza é algo evidente desde o nascimento. Ainda pequenininho, ele aprontava todas em sua tribo, se interessando particularmente pelas moças bonitas. Quando adulto, ele se torna Imperador do Mato ao desposar Ci, a Mãe do Mato, que até então era uma mulher imaculada. Como rei da Natureza, o herói ganha de sua amada um muiraquitã, amuleto de pedra sagrado. Após a morte de Ci, a relíquia é roubada por um fazendeiro peruano. Venceslau Pietro Pietra estava de passagem pela floresta equatorial quando se apoderou da joia indígena, causando desespero em Macunaíma. O estrangeiro se muda para a cidade de São Paulo, forçando Macunaíma a viajar para a cidade grande. Acompanhado por dois irmãos, Maanape e Jiguê, o protagonista tem o desafio de recuperar seu muiraquitã. Para isso, precisará duelar com Venceslau Pietro Pietra, considerado um gigante cruel comedor de pessoas. "Macunaíma - O Herói sem Nenhum Caráter" foi inspirado nas epopeias que formaram o caráter dos heróis das nações europeias. Contudo, o protagonista brasileiro é retratado como uma pessoa preguiçosa, pouco confiável, despudorada e brincalhona. O fato de Macunaíma ser descrito como uma pessoa sem caráter tem duas explicações. A primeira é que ele muda de corpo constantemente ao longo da história. Ele nasce índio, mas depois vira um homem branco, loiro e de olhos azuis. Seus dois irmãos são ainda mais diferentes: um é negro e outro é indígena. Assim, não se sabe exatamente qual é a verdadeira raça do protagonista (daí a indeterminação do seu caráter). A outra interpretação é que Macunaíma é um homem sem caráter, pois rouba constantemente as mulheres do irmão (e dos demais homens também), não se importando em viver à custa dos outros e gostando de aprontar com todo mundo. Não é surpresa que ele viva fugindo das confusões que apronta. Macunaíma é, portanto, um herói ou um anti-herói nacional? Ele é descrito como preguiçoso, egoísta, mentiroso, safado e pouco confiável. Ao mesmo tempo, é muito inteligente, carismático e corajoso. Para completar, é considerado o Imperador da Natureza, exercendo forte influência sobre todos os seres vivos da floresta. Essa contradição é o que transformou Macunaíma em uma das personagens mais interessantes da nossa literatura. Esse livro de Mário de Andrade também inovou ao utilizar e, principalmente, ao intensificar, como jamais se viu até então, a linguagem oral e popular como base de sua estrutura narrativa. Ao ler "Macunaíma", tem-se a impressão que se está ouvindo o narrador falar. Esse assunto é, inclusive, tema de discussão na própria trama. O protagonista, um indígena, precisa aprender o idioma praticado na cidade de São Paulo. E, curiosamente, são duas as línguas utilizadas pelos habitantes do maior município brasileiro: o português falado e o português escrito. O escritor paulista também abusa das gírias, tanto no vocabulário indígena quanto nas expressões do dia a dia da cidade grande. Parte da graça e do deboche da história passa pela sua construção textual. A oralidade é tão acentuada que muitas vezes é preciso ler devagar a obra para compreender exatamente a mensagem do seu autor. Macunaíma é talvez o símbolo principal do brasileiro moderno: Malandro esperto, amoral, pervertido, carismático, persuasivo e obstinado em conseguir o que deseja. Ele também representa um ideal nacional, desprovido de regionalismo e de influências locais. O protagonista desse livro reúne praticamente a essência dos habitantes de todas as regiões do país, possuindo múltiplas identidades. Até hoje, é difícil não vincular Macunaíma ao perfil típico do brasileiro que vemos todos os dias na televisão, no teatro, no cinema, na literatura, nos jornais e, por que não, nas ruas de nossas cidades. Mário de Andrade foi poeta, contista, romancista, cronista e crítico de arte. Sua estreia na literatura aconteceu, em 1917, com a publicação do livro de poesias "Há uma Gota de Sangue em Cada Poema". "Pauliceia Desvairada", também de poesias, chegaria às livrarias em 1922. Foi nesse ano que o autor participou da simbólica Semana de Arte Moderna de São Paulo, tornando-se, assim, um dos principais artistas modernos do país. "Macunaíma - O Herói sem Nenhum Caráter", publicado seis anos depois da realização da Semana de Arte Moderna, veio para consolidar o estilo literário de Mário de Andrade e do Modernismo brasileiro. É realmente uma obra imperdível. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #MáriodeAndrade #Romance #LiteraturaClássica #Modernismo #LiteraturaBrasileira

  • Livros: O Casal que Mora ao Lado - A estreia de Shari Lapena

    Em maio deste ano, ganhei um excelente presente de aniversário: "O Casal que Mora ao Lado" (Record), thriller da canadense Shari Lapena. Quem me conhece sabe que não há erro ao me presentear com este tipo de produto. Obrigado! Fiquei tão curioso com a sinopse do livro recebido que acabei lendo o romance naquela semana mesmo. Só não postei antes a crítica desta publicação por um detalhe. Estava, nos últimos sete meses, muito envolvido com as análises das obras do Desafio Literário de 2017 (apresentadas semanalmente aqui no Blog Bonas Histórias). Assim, faltou oportunidade para a apresentação de "O Casal que Mora ao Lado". Para reparar essa falha, seguem agora meus comentários sobre esse interessante livro. Shari Lapena trabalhou como advogada e professora de inglês em Toronto antes de enveredar pela ficção literária. "O Casal que Mora ao Lado", seu romance de estreia, teve ótima aceitação tanto da crítica quanto do público leitor. O livro foi recentemente finalista do Goodreads Choice Awards na categoria Mistério e Suspense, importante prêmio do setor. Na lista do New York Times, a obra figurou várias semanas entre as mais vendidas no ano passado. Nada mal, hein?! Atualmente, o thriller de Lapena já foi publicado em mais de três dezenas de países, tornando sua autora uma best-seller internacional. No Brasil, a editora Record, a detentora dos direitos autorais da obra, tem investido bastante na divulgação do romance nas livrarias. O lançamento de "O Casal que Mora ao Lado" no mercado brasileiro ocorreu no começo deste ano. A narrativa do livro começa com o casal Anne e Marco Conti indo para a festa de aniversário de Grahan, o vizinho da casa ao lado que completa quarenta anos. O jantar organizado por Cynthia, a bela e jovem esposa do anfitrião, tem como convidados apenas Anne e Marco. Ou seja, é um evento simples em que os dois casais, amigos há alguns anos, podem se reunir e conversar animadamente em uma noite de verão. Como Cynthia não gosta de crianças, Anne e Marco resolvem deixar Cora, a filha de seis meses, em casa. O bebê fica dormindo sozinho na residência, pois a babá da menina não pode comparecer naquela noite à residência dos patrões. Assim, os jovens pais, munidos com um aparelho de babá eletrônica, ficam monitorando a filhinha de maneira remota. Além disso, eles se revezam para ir vê-la no quarto. A cada meia hora, um deles dá uma passada em casa para conferir se está tudo bem com a criação. A justificativa para essa ação incomum dos Conti (ir a uma festa de aniversário no vizinho e deixar a filha de seis meses dormindo sozinha no quarto) é o precário estado psicológico de Anne. Ela tem sofrido de depressão pós-parto. Desde o nascimento de Cora, a mãe se dedica exclusivamente a filha, não saindo de casa, não vendo os amigos e evitando qualquer tipo de evento social. Para ajudar a esposa na recuperação, Marco insiste para ela ir também à festa, mesmo com a falta em cima da hora da babá. Trata-se de uma ótima oportunidade para Anne se distrair e se divertir um pouco. Ela só aceita deixar a filha sozinha depois de uma ríspida discussão com o marido. Apesar da briga, o casal segue para o jantar de aniversário de Grahan. O problema é que o clima na festa vai esquentando na medida em que a madrugada começa. Os casais se embebedam e Cynthia começa a flertar descaradamente com Marco Conti. A esposa do anfitrião dá em cima do visitante na frente do marido dela e da mulher dele. Anne fica incomodada e quer ir embora, mas Marco insiste para que eles fiquem um pouco mais. Anne, então, fica dividida entre cuidar do marido e voltar para a filha. Quando, enfim, retorna para casa à uma hora da manhã, o casal Conti se assusta ao encontrar a porta da frente da sua residência entreaberta. Anne e Marco entram assustados no lar e correm para o quarto da filha. Uma tragédia aconteceu ali! Cora desapareceu. A menina não está no berço e a polícia é chamada para solucionar o crime. A partir daí, o detetive Rasbach começa a investigar o caso. Na medida em que o policial passa a estudar os envolvidos e os acontecimentos daquela noite, vários fatos surpreendentes são revelados. O sequestro de Cora é um enigma que constrange a todos e jogará luz para o passado sombrio daquela família aparentemente normal e feliz. "O Casal que Mora ao Lado" é um excelente thriller. O principal mérito de Shari Lapena está em construir uma trama recheada de reviravoltas. O livro é uma montanha-russa de emoções. Vilões, mocinhos e vítimas se alternam capítulo a capítulo. Somente depois de lermos a última palavra da última página do romance é que podemos, enfim, garantir que estamos cientes dos fatos ocorridos. Antes disso, é impossível tomar partido de um lado ou escolher alguém para torcer. O(a) responsável pelo sequestro da menina Cora é revelado(a) mais ou menos na metade do livro. Curiosamente, isso não indica o fim do mistério da trama. Pelo contrário. O suspense é potencializado, tornando tudo ainda mais interessante. Neste sentido, o romance de Lapena se parece muito com os filmes de Alfred Hitchcock. A revelação do culpado não é o centro da dúvida do leitor/expectador. O que mexe com a curiosidade de quem acompanha a obra é o que vai acontecer a partir daí. Assim, a sequência de episódios para ocultar o crime é mais emocionante e imprevisível do que o próprio ato criminoso em si. É preciso admitir que a história de "O Casal que Mora ao Lado" não é, em si, muito inovadora. O sequestro de uma menina é algo banal e fartamente apresentado na literatura popular. Não é à toa que este livro lembre muito os romances de Harlan Coben (por exemplo, "Não Há Segunda Chance"), as tramas de suspense de Gillian Flynn ("A Garota Exemplar") e alguns thrillers de Nicolas Spark ("Porto Seguro"). A graça desta trama, por outro lado, está nos desdobramentos do enredo. Estes sim são elementos bastante criativos e empolgantes. Outro ponto que merece elogio é o estilo narrativo de Shari Lapena. Ao mesmo tempo em que ela é objetiva e sucinta, ela consegue compor muito bem o contexto dramático e o perfil psicológico das personagens. O ritmo acelerado da trama (do início ao final) não é sinônimo de história mal escrita ou resumida. Não! Percebe-se nitidamente o trabalho da autora em construir uma trama concisa, densa e que prende a atenção do leitor em todas as fases da obra. Não há aqui um momento em que não aja grande mistério e ação. Gostei tanto do livro que li suas aproximadamente 300 páginas em duas noites. Pode parecer um clichê, mas não consegui largar essa história antes de concluí-la. É literatura de entretenimento, é verdade, mas como é gostoso ler uma história boa, leve e descompromissada. Acredito que não haja quem não goste disso. Por isso, se você estiver em dúvida de qual presente oferecer neste Natal para aquele amigo, familiar ou colega que gosta de literatura, fica aqui a sugestão. Esta é a opinião de quem foi presenteado com "O Casal que Mora ao Lado" no aniversário e adorou. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #ShariLapena #LiteraturaCanadense #Romance #Suspense #Thriller #RomancePolicial #Drama

  • Celebrações: Blog Bonas Histórias - Parabéns pelo terceiro aniversário!

    Hoje, o Bonas Histórias completa seu terceiro ano de existência. Parabéns a todos que participam ativamente dessa empreitada! São muitos aqueles que se envolvem com o blog: visitantes ocasionais em busca de informações específicas, leitores regulares que procuram boas referências culturais e amantes da literatura com o desejo de enriquecer seu repertório. Além dos parabéns por essa data tão especial, também preciso agradecer a todas essas pessoas que fazem nossa história acontecer todos os dias. Muito obrigado!!! Antes de apresentar as novidades para o próximo ano, vou aproveitar esse aniversário para fazer um balanço da trajetória do Bonas Histórias até aqui. O blog vem crescendo em audiência e relevância. Os últimos resultados têm sido muito satisfatórios, nos encorajando a seguir nesse caminho. Desde o dia 1o de dezembro de 2014 já foram publicados mais de 550 posts. A média é de um a cada dois dias. Assim, não é errado afirmarmos que estamos quase que diariamente em contato com nosso público. O número de leitores também cresce de maneira sustentável. As visitações mensais chegaram à casa dos três mil leitores em novembro. Apesar de ser um tráfego ainda ínfimo em se tratando do universo grandioso da Internet, ele possui sua representatividade. Afinal, nosso conteúdo é a literatura e a cultura, temas que normalmente atraem em nosso país apenas um nicho de leitores. Sem falsa modéstia, dentro do segmento de blogs de literatura e cultura, o Bonas Histórias é, nesse momento, um dos mais importantes. Sua relevância é constatada pelo incrível número de citações ocorridas nos últimos meses. O blog é, atualmente, referência no mercado editorial, jornalístico e acadêmico quando o assunto é literatura. Quem nos acompanha atentamente deve ter reparado no aumento de entrevistas que concedemos a importantes veículos de comunicação e para grandes empresas do setor editorial. O crescimento substancial desse tipo de convite em 2017 só reforça nossa impressão do prestígio do Bonas Histórias e da nossa qualidade profissional no cenário nacional. Depois de olharmos para trás e recapitularmos de maneira sucinta o histórico do Bonas Histórias nesse ano, é chegado o momento de nos virarmos outra vez para frente. Afinal, quem vive de passado é museu, né? E quais são as novidades que o blog prepara para o próximo ano? Quais as atrações que 2018 nos reserva? Em primeiro lugar, informo que o Desafio Literário e o Talk Show Literário, as duas principais colunas do Bonas Histórias, serão mantidos. O Desafio Literário irá para sua quarta edição, enquanto o Talk Show Literário terá sua segunda temporada. Cada um deles possui novos elementos que merecem ser comentados aqui. A segunda temporada do Talk Show Literário será ainda sobre os clássicos brasileiros. Se na primeira temporada tivemos doze incríveis personagens da literatura nacional sendo entrevistadas, em 2018 vamos prosseguir com as conversas. Dessa vez meus entrevistados serão: Sérgio (O Ateneu - 1888 - Raul Pompéia), G.H. (A Paixão Segundo G.H. - 1964 - Clarice Lispector), Fabiano (Vidas Secas - 1938 - Graciliano Ramos), Alberto Mattos (Agosto - 1990 - Rubem Fonseca), Maria Capitolina Santiago (Dom Casmurro - 1899 - Machado de Assis), O Analista de Bagé (O Analista de Bagé - 1981 - Luís Fernando Veríssimo), Florípides Guimarães Madureira (Dona Flor e Seus Dois Maridos - 1966 - Jorge Amado), Leonardo (Memórias de um Sargento de Milícias - 1854 - Manuel Antônio de Almeida), André (Lavoura Arcaica - 1975 - Raduan Nassar), Senhorita Simpson (A Senhorita Simpson - 1989 - Sérgio Sant'Anna), Álvaro (A Escrava Isaura - 1875 - Bernardo Guimarães) e João Romão (O Cortiço - 1890 - Aluísio Azevedo). São, novamente, 12 entrevistas. Elas serão publicadas ao longo do ano (uma por mês). Já a quarta edição do Desafio Literário trará oito autores que serão analisados em profundidade. A proposta continua sendo buscar os mais variados perfis de autores, mesclando escritores de vários gêneros, geografias e períodos de tempo. A lista inteira do próximo ano já está pronta. São eles: Abril - J. M. Coetzee (África do Sul), Maio - Juan Carlos Onetti (Uruguai), Junho - Herta Müller (Alemanha), Julho - Rubem Fonseca (Brasil), Agosto - Xinran (China), Setembro - Lloyd Jones (Nova Zelândia), Outubro - Alice Munro (Canadá) e Novembro - António Lobo Antunes (Portugal). A principal novidade do Desafio Literário de 2018 é que o trabalho de análise feito por mim nessa seção se tornará um estudo acadêmico. A pesquisa sobre o perfil do escritor brasileiro Rubem Fonseca, que será divulgada em nosso blog em julho do próximo ano, será apresentada neste mês de dezembro, em primeira mão, no Congresso Internacional promovido pelo Centro Universitário do Sul de Minas (UNIS). Trata-se de um Projeto de Iniciação Científica que desenvolvi para essa instituição de ensino. Ou seja, os acadêmicos da área de literatura receberão o mesmo trabalho que você, leitor do Bonas Histórias, terá à disposição em maio de 2018. Não há indicativo mais relevante para a mensuração da qualidade do nosso Desafio Literário. Além do Talk Show Literário e do Desafio Literário, será criada uma coluna sobre Teoria Literária. Nela, debateremos os principais conceitos da ficção com uma visão mais acadêmica e científica. A proposta é não ficarmos apenas na Crítica Literária, mas aos poucos abraçarmos, por que não, a Teoria Literária e, mais futuramente, a Historiografia Literária. Aí sim o Bonas Histórias ficará mais completo. Também vou continuar publicando meus contos e minhas crônicas no blog. Pelo feedback que recebo dos leitores, muita gente gosta desses textos. Minha ideia é manter a mesma pegada: um conteúdo crítico e contemporâneo que trata das neuroses das pessoas comuns em relação à vida moderna. São essas as principais novidades do Blog Bonas Histórias. Pelo visto, teremos muitas boas histórias para contar até o nosso próximo aniversário, hein? Espero reencontrá-lo(a) ao longo dos próximos meses no blog. Boa leitura, ótimos livros e muita cultura para todos nós! Que tal este post e o conteúdo do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para acessar os demais posts desta coluna, clique em Premiações e Celebrações. E aproveite para curtir a página do blog no Facebook. #celebração #Aniversário #BonasHistórias

  • Análise Literária: Ondjaki

    Completar Completar #Ondjaki #AnáliseLiterária

  • Filmes: Os Parças - O baixo nível do humor nacional

    Na próxima quinta-feira, dia 30 de novembro, estreia no circuito nacional o filme "Os Parças" (2017). Dirigido por Halder Gomes, de comédias pitorescas como "Shaolin do Sertão" (2016) e "Cine Holliúdy" (2011), e estrelado por Tom Cavalcante, Whindersson Nunes, Tirullipa e Bruno de Luca, o longa-metragem promete atrair para as salas de cinema o público identificado com o humor popularesco da televisão aberta. A referência é clara: os programas como "A Praça é Nossa" e "Zorra Total". Não duvido que estejamos falando de um dos possíveis campeões de bilheteria desta temporada. Porém, não espere encontrar grande qualidade nesta produção. Diferentemente de "Até que A Sorte Nos Separe" (2012), "Minha Mãe é uma Peça" (2013), "Se Eu Fosse Você" (2006) e "De Pernas para o Ar" (2010), só para ficarmos em alguns exemplos de blockbusters nacionais, que aliavam humor popular com grande qualidade narrativa e cinematográfica, em "Os Parças" temos um bando de artistas obsoletos e de terceiro escalão repetindo piadas antigas e sem a menor graça. Se você tiver um gostinho um pouco mais apurado, na certa irá odiar este filme. O enredo de "Os Parças" até parece interessante. Um grupo de quatro trambiqueiros do centro de São Paulo, formado por Toinho (interpretado por Tom Cavalcante), Romeu (Bruno de Luca), Ray Van (Whindersson Nunes) e Pilôra (Tirullipa), acaba sem querer metido em um grande mal-entendido. Eles precisam realizar a cerimônia de casamento de Cintia Maria (Paloma Bernardi), uma ricaça paulistana. A moça é filha de Vacário Barola (Taumaturgo Ferreira), o maior contrabandista da Rua 25 de Março. Se o casório da filhinha querida não for realizado como ele espera (ou seja, com muito luxo e bom gosto), o bandido irá matar os responsáveis pela festa com requintes de crueldade. O problema de Toinho, Romeu, Ray Van e Pilôra é que o dono da empresa responsável pelo evento, Mário (Oscar Magrini), fugiu com quase todo o dinheiro entregue por Vacário. Com pouquíssimos recursos em mãos, o grupo terá de organizar o casamento com muita ostentação para agradar ao pai da noiva. E o único jeito de eles fazerem isso é usando a criatividade e o jogo de cintura de quem sobrevive diariamente nas ruas da maior cidade do país. Está armado o cenário para um número incontável de confusões. "Os Parças" tem alguns pontos que merecem elogios. A fotografia é ótima (talvez esse seja o seu melhor quesito). A trilha sonora também é muita boa. A trama em si possui um enredo nonsense e bem engraçado. Porém, os elementos positivos do filme terminam aí. Há vários erros de continuidade durante o longa-metragem que deixam desconfortáveis até mesmo o espectador menos atento. Quanto à lógica narrativa e à questão da verossimilhança, é melhor não entrarmos nessa questão. Elas merecem um post exclusivo só com os pontos que não fazem sentido nenhum na história. O desfecho, que era para ser a parte mais interessante do filme, ganhou uma edição acelerada e capenga. Porém, a pior parte está na qualidade das piadas. Para uma produção cômica, não há nada mais decepcionante do que ver uma enxurrada de tiradas de mau gosto, envelhecidas e preconceituosas. Em suma, o humor de "Os Parças" é previsível e de baixo nível. As personagens repetem velhas piadas e abusam dos estereótipos. Em uma produção de mais de uma hora e meia, o espectador fica mais tempo constrangido com o que vê na tela do que rindo dos acontecimentos. Para agravar o problema, a escolha dos protagonistas foi péssima. Tom Cavalcante, Whindersson Nunes, Tirullipa e Bruno de Luca não conseguem ser engraçados nem cativam a plateia. Eles também não convencem como grupo. Juro que até agora não entendi os critérios dessa escolha. O quarteto não tem química nenhuma. Dos atores, Tom Cavalcante é o mais decepcionante. Usando suas velhas piadas e imitações, ele parece mais o Ribamar do programa "Sai de Baixo" do que um novo personagem ficcional. Será que Cavalcante não tem novas piadas ou não sabe fazer graça com outras coisas? Para um humorista do tamanho dele é muito pouco. Um exemplo didático do que estou falando pode ser visto na cena em que o grande contrabandista da Rua 25 de Março pede aos funcionários da empresa de eventos um show com o cantor Fábio Júnior no casamento de sua filha. Todo mundo na sala de cinema, em poucos minutos de filme, já entendeu como os rapazes farão para enganar o criminoso. Ou o roteirista acha que a plateia é burra ou foi ingênuo de mais para acreditar que surpreenderia alguém no final do longa-metragem. Confesso ter saído muito decepcionado da pré-estreia do filme. É triste ver uma boa ideia tão mal executada. "Os Parças" até pode levar muita gente aos cinemas brasileiros neste fim de ano, mas creio que a maioria do público irá deixar a sessão arrependida da escolha feita na bilheteria. Veja, a seguir, o trailer de "Os Parças": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #CinemaBrasileiro #HalderGomes #Comédia #TomCavalcante #WhinderssonNunes #Tirullipa #BrunodeLuca

  • Filmes: Liga da Justiça - A decepcionante reunião dos super-heróis da DC

    Para os fãs dos super-heróis (em outras palavras, para a comunidade nerd no geral), "Liga da Justiça" (Justice League: 2017) era o filme mais aguardado do ano. Afinal, pela primeira vez no cinema, as principais personagens da DC Comics estariam reunidas em uma mesma produção. Quando mencionamos "Liga da Justiça", os mais saudosistas e, principalmente, os pouco fluentes no universo geek (como eu) podem se lembrar de "Superamigos" (Superfriends), clássico desenho animado das décadas de 1970 e 1980. Nessa célebre produção da dupla Hanna-Barbera, baseada nos quadrinhos da DC, o Super-Homem comandava uma legião de super-heróis no combate ao mal. O grupo agia em sua sede, chamada de Sala da Justiça, a partir das informações transmitidas pelo Coronel Wilcox. O desenho era ótimo e marcou algumas gerações. O filme atual, "Liga da Justiça", mantém-se fiel à proposta original de editora norte-americana. A única modificação necessária para o cinema foi a redução do grupo de super-heróis contemplados na liga. No longa-metragem, o grupo se restringe ao sexteto principal: Super-Homem, Mulher-Maravilha, Aquaman, Batman, Flash e Ciborgue. Para representar essas personagens, foram convocados, respectivamente, Henry Cavill, Gal Gadot, Jason Momoa, Ben Affleck, Ezra Miller e Ray Fisher. Um elenco de primeira, precisamos reconhecer... A direção do filme ficou inicialmente a cargo de Zack Snyder, de "Batman vs Superman - A Origem da Justiça" (Batman v Superman - Dawn Of Justice: 2016), "O Homem de Aço" ( Man of Steel: 2013) e "A Lenda dos Guardiões" (Legend Of The Guardians - The Owls of Ga'Hoole: 2010). Após o falecimento da sua filha durante as gravações, Snyder precisou abandonar a produção às pressas. Assim, Joss Whedon, de "Os Vingadores - The Avengers" (The Avengers: 2012), "Vingadores - Era de Ultron" (The Avengers: Age of Ultron: 2015) e "Thor - O Mundo Sombrio" (Thor - The Dark World: 2013), foi chamado para concluir o filme. O novo diretor, contudo, fez várias alterações no longa-metragem, o que atrasou seu lançamento e elevou ainda mais seus custos (várias cenas foram regravadas). "Liga da Justiça" tinha tudo para ser um ótimo filme. Possuía orçamento de blockbuster, excelente atores, personagens conhecidos, acesso ao que há de mais tecnológico em recursos especiais, dois conceituados diretores à frente do trabalho e uma legião de fãs ao redor do mundo ávidos em ver essa história nas telonas. Infelizmente, o longa-metragem ficou muito aquém das expectativas criadas. Assisti a sua estreia nessa semana e considerei sua trama chatíssima e suas personagens, de modo geral, pouco carismáticas. Na sessão em que estive presente, fiquei com a sensação de que a maioria do público não aprovou o que viu. Acredito que nem mesmo os nerds, fanáticos pela série em quadrinhos, vão apreciar o longa-metragem. O enredo de "Liga da Justiça" é muito simples (e banal). O planeta está para ser destruído. O Lobo da Estepe (interpretado por Ciarán Hinds), um vilão extraterreno, invade a Terra com uma legião de parademônios (espécie de insetos gingantes e demoníacos). O grupo está na eminência de colocar as mãos nas três caixas maternas, que dão segurança à vida humana em nosso mundo. Para impedir que isso ocorra, Batman e a Mulher-Maravilha dão início ao recrutamento de um grupo de super-heróis (entenda-se: convencer Aquaman, Flash e Ciborgue a lutarem com eles). Juntos, o quinteto poderá derrotar o temível inimigo e evitar a destruição da Terra. Com a recente morte do Super-Homem, somente a união dos cinco heróis poderá impedir as pretensões macabras do Lobo da Estepe. Onde "Liga da Justiça" falha realmente? São vários os pontos que comprometem a produção. O primeiro deles é a trama bobinha. Um vilão sem graça com um exército de insetos destruidores invade nosso planeta para acabar com a humanidade (acho que já vi esse enredo pelo menos um milhão de vezes no cinema). Por que eles fariam isso? Pior do que a falta de motivos claros, é a maneira como os vilões irão agir. A busca pelas caixas maternas beira a infantilidade. Nem mesmo as crianças apontarão alguma lógica por trás do poder das três caixas juntas. Para piorar ainda mais, muitos super-heróis estão levando vidas tranquilas longe dos holofotes (e dos perigos de sua profissão) e não desejam se unir para combater um perigoso inimigo da humanidade. Que raio de heróis são esses que não ligam para nada além de sua rotina fútil?! Por que preferem ver o planeta destruído a voltar (ou começar, em alguns casos) a lutar?! Assim, por mais interessantes que sejam os dramas pessoais dessas personagens, eles parecem bobinhos diante do mal maior que, de início, eles recusam combater. Além disso, os cinco super-heróis vivos parecem um bando de incompetentes. Mesmo juntos, eles não conseguem fazer nada direito. Dessa maneira, eles precisam desesperadamente do falecido Super-Homem. Sem a personagem de Clark Kent, o quinteto torna-se presa fácil para os inimigos, sofrendo sucessivas derrotas em combates. Entretanto, o pior aspecto do enredo de "Liga da Justiça" deve-se a ressurreição do Super-Homem (ops, aí foi um pequeno spoiler. Foi mal!). "Como assim?", o espectador fica se perguntando. "Mas ele não estava morto e enterrado há muito tempo?!". Sim, estava. Mesmo assim, o grupo de amigos foi lá e o fez voltar à vida. Acho esse recurso triste. Ou se mata o herói para sempre, como fizeram com Wolverine em Logan (2017) ou não se mata. Matar para depois trazer de volta sem qualquer explicação lógica e científica, não dá! O filme acaba exatamente aí. A volta à vida do Super-Homem representou o falecimento da história da "Liga da Justiça". Uma pena... Os únicos pontos positivos do longa-metragem são: sua ótima trilha sonora, o bom-humor de algumas cenas (principalmente as protagonizadas pelo hilário Flash) e a sensualidade (na maior parte das vezes da lindíssima Mulher-Maravilha e do tipão Aquaman). Em resumo, "Liga da Justiça" é aquele tipo de filme que você reúne várias boas personagens que sozinhas fariam um bom longa-metragem, mas que juntas não dão jogo. Não há qualquer química entre o grupo. O melhor exemplo disso acontece com a Mulher-Maravilha. O filme protagonizado individualmente por Gal Gadot é muito bom. Diria até que ele é a melhor produção cinematográfica de super-heróis de 2017. Nesse filme de agora, porém, a Mulher-Maravilha é subaproveitada. Uma pena! O mesmo poderia ser dito de um longa-metragem que fosse feito somente com Aquaman ou Flash (Dizem que cada um ganhará seu próprio longa-metragem em breve...). Aqui eles também são subestimados. Veja o trailer de "Liga da Justiça" (Justice League: 2017): O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.

  • Filmes: O Homem que Matou o Facínora - James Stewart e John Wayne juntos

    "O Homem que Matou o Facínora" (The Man Who Shot Liberty Valance: 1962) é um Western clássico dirigido por John Ford e estrelado por John Wayne e James Stewart. Aí alguém pode se perguntar: E daí? O que isso tem de mais?! Afinal, John Ford e John Wayne trabalharam juntos de 1928 a 1976, totalizando mais de vinte produções do gênero. Para entender a relevância de "O Homem que Matou o Facínora" precisamos analisar alguns aspectos. Esse foi o primeiro longa-metragem protagonizado conjuntamente por John Wayne e James Stewart, duas estrelas de primeira grandeza do cinema norte-americano entre as décadas de 1940 e 1960. James Stewart era o galã premiado com o Oscar de 1941 pela sua atuação em "Núpcias de Escândalo" (The Philadelphia Story: 1940). Ele foi indicado outras quatro vezes ao prêmio máximo da academia. Seu papel de maior destaque, em minha opinião, foi em "A Felicidade Não Se Compra" (It's a Wonderful Life), obra-prima de Frank Capra. John Wayne, por sua vez, era reconhecido pelo seu carisma. Se ele tinha sua qualidade cênica contestada pelos críticos, era um dos atores mais populares da época. Era inadmissível produzir um bom Western sem Wayne no elenco principal. Seus papéis de destaque foram em "No Tempo das Diligências" (Stagecoach: 1939), "Rio Bravo" (Rio Bravo: 1959) e "Bravura Indômita" (True Grit: 1969). Curiosamente, cada um destes três filmes foi produzido por um grande diretor: John Ford, Howard Hawks e Henry Hathaway, respectivamente. O diretor que mais utilizou os trabalhos de John Wayne foi John Ford. Assim, em 1962, Ford resolveu unir em um mesmo filme as duas estrelas da época: James Stewart e John Wayne. É verdade que os dois já estavam velhos para interpretar o papel de dois jovens, mas isso ficou em segundo plano. "O Homem que Matou o Facínora" ainda contou com a participação de Lee Marvin, Vera Miles e Jason Tully. Muitos dos atores coadjuvantes utilizados nesse filme eram provenientes da época do cinema mudo. O roteiro foi adaptado de um conto escrito por Dorothy M. Johnson. "O Homem que Matou o Facínora" inicia-se com um casal rico chegando à pequena cidade de Shinbone, no Velho Oeste norte-americano. Ransom Stoddard (interpretado por James Stewart) é um famoso senador da República e sua esposa Hallie Stoddard (Vera Miles) é natural daquele município. A chegada dessas personalidades da Capital Federal provoca um alvoroço nos repórteres do jornal local. Eles querem saber o que o ilustre casal está fazendo na cidade. Ao segui-los, descobrem que eles foram até lá para participar do funeral de Tom Doniphon (John Wayne). Aí a pergunta muda: quem seria Doniphon, um morador local desconhecido por todos? Depois da insistência dos repórteres, Ransom Stoddard decide contar a história que se passou décadas atrás, quando ele chegou naquele povoado e conheceu Doniphon, a quem sempre será grato. Recém-formado como advogado nas grandes cidades do Leste, Ransom estava de passagem por Shinbone quando foi atacado pelo bando do grande criminoso da época, Liberty Valance (Lee Marvin). Inconformado com os crimes praticados pelo temido assassino, Ransom decide enfrentar Valance. Contrário à luta armada, o jovem advogado quer prender o bandido pelos meios legais. O problema é que o delegado da cidade é um covarde e ninguém tem coragem de enfrentar diretamente o criminoso. Os únicos que o apoiam são o proprietário do jornal da cidade e um cowboy valente chamado Tom Doniphon. Enquanto Stoddard e Doniphon lutam juntos contra o maior criminoso de Shinbone, eles precisam disputar o amor da mesma mulher. Os dois estão apaixonados por Hallie, a jovem que trabalha em um restaurante local e que cuidou dos ferimentos Ransom após o assalto de Valance. Esta produção tem todos os ingredientes de um grande filme: a história é boa, as interpretações são excelentes, a fotografia é ótima, há mistério e suspense nas doses certas e os personagens possuem valores dignos dos melhores heróis de Hollywood. Apesar do grande mistério da trama ser muito previsível (é óbvio quem é o homem que matou o criminoso, como aponta o título da obra), há boas pitadas de suspense e de ação que prendem a atenção do telespectador. John Ford filmou "O Homem que Matou o Facínora" em preto e branco, quando este recurso já havia deixado de ser utilizado. Com isso, temos um ambiente mais misterioso e clássico. A fotografia é incrível. O filme foi indicado ao Oscar do ano seguinte para o prêmio de melhor figurino. A união de John Ford, John Wayne e James Stewart aconteceria outras vezes. Curiosamente, este foi o trio que fez "O Último Pistoleiro" (The Shootis: 1976), último filme realizado por John Wayne, que faleceria três anos mais tarde. O resultado de "O Homem que Matou o Facínora" é um longa-metragem gostoso de ser ver e que compõe um dos filmes clássicos do cinema. Veja o trailer desse filme: O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JohnFord #JamesStewart #Cinemanorteamericano #JohnWayne

  • Filmes: A Profecia - Um clássico do terror da década de 1970

    Na semana passada, assisti a um clássico do terror do final da década de 1970. "A Profecia" (The Omen: 1977) foi dirigido por Richard Donner, de "Superman - O Filme" (Superman: 1978), "Máquina Mortífera" (Lethal Weapon: 1987) e "Teoria da Conspiração" (Conspiracy Theory: 1997), e foi estrelado por Gregory Peck, de "O Sol é Para Todos" (To Kill a Mockingbird: 1962), trabalho que lhe rendeu o Oscar de melhor ator em 1963. O longa-metragem foi baseado no livro de David Selzes, que também assinou o roteiro do filme. A trilha sonora ficou a cargo do compositor Jerry Goldsmith. Esta produção teve um êxito comercial tão grande que ganhou continuações com outros diretores. "Damien - A Profecia 2" (Damien - Omen II: 1978), "A Profecia 3 - O Conflito Final" (The Final Conflict: 1981) e "A Profecia 4 - O Despertar" (Omen IV - The Awakening: 1991) contam a sequência da história do menino Damien. Em 2006, o diretor John Moore refilmou a trama original de 1977. Em "A Profecia" de Richard Donner, temos um diplomata norte-americano, Robert Thorn (interpretado por Gregory Peck), que trabalhava na Itália, angustiado com a morte do seu filho recém-nascido. O bebê nasceu morto. Preocupado em como faria para dar a trágica notícia à esposa (Lee Remick), o diplomata recebeu, então, o conselho de um padre que acompanhava os trabalhos na maternidade italiana. Ele deveria pegar para criar uma criança que nascera naquela noite, mas a mãe não tinha sobrevivido ao parto. Segundo o padre, o diplomata deveria cuidar do pequeno órfão desamparado como se fosse seu filho legítimo. Além disso, jamais deveria contar a verdade para a esposa. Ela precisava pensar que estava criando o filho biológico. Robert decide fazer o que o padre lhe sugeriu. Ele coloca o nome na criança de Damien (Harvey Stephens) e passa a criá-la como se fosse seu verdadeiro filho. O problema é que a criança que lhe foi dada é na verdade o demônio em pessoa. Assim, a família Thorn passa a criar o Anticristo. À medida que Damien vai crescendo, episódios trágicos vão acontecendo na residência da família: mortes e suicídios misteriosos acontecem provocados pela alma demoníaca da criança. Quem parece descobrir o que se passa ali é o misterioso padre Brennan (Patrick Troughton). O religioso tenta convencer Robert de que está criando um garoto com poderes malignos. Contudo, o pai do menino não acredita. A previsão do padre é aterrorizante: Se Robert não fizer nada, o Anticristo vai matá-lo, vai enlouquecer a mãe e vai se apoderar do poder político do mundo, destruindo toda a humanidade. "A Profecia" é um filme espetacular. Sua trilha sonora é excelente - ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora com "Ave Satani". O final é esplêndido. A reviravolta da trama acontece na última cena. O jovem Harvey Stephens consegue assustar a plateia apenas com seu olhar. O ator mirim chegou a receber uma indicação ao Globo de Ouro pela sua atuação. Os demais atores também estão ótimos. Gregory Peck mostra todo o seu talento como o diplomata Robert que tem um dilema em suas mãos: o que fazer com uma criança que é considera demoníaca? Lee Remick, que nunca pode demonstrar todo o seu potencial como protagonista no cinema, está muito bem com a mãe adotiva de Damien. Este filme faz parte de um período áureo do terror cinematográfico. Entre o final da década de 1960 e os primeiros anos de 1980, tivemos alguns lançamentos marcantes deste gênero: "O Bebê de Rosemary" (Rosemary's Baby: 1968), "A Noite dos Mortos Vivos", (The Night of the Living Dead: 1968), "O Exorcista" (The Exorcist: 1973), "O Massacre da Serra Elétrica" (The Texas Chainsaw Massacre: 1974), "O Iluminado" (The Shining: 1980) e "Poltergeist" (Poltergeist :1982). "A Profecia" faz parte deste seleto grupo. É um filme imperdível para quem gosta de fortes emoções. Veja o trailer deste clássico do cinema: O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #Cinemanorteamericano #RichardDonner #GregoryPeck #DavidSelzes #LeeRemick #HarveyStephens

  • Desafio Literário de novembro/2017: Ondjaki

    O ano de 2017 já está terminando. E, como consequência, o Desafio Literário também se aproxima da sua conclusão. Nesse mês de novembro, o Blog Bonas Histórias analisará o sétimo e último autor dessa terceira temporada do Desafio. A literatura do jovem escritor angolano Ondjaki é quem estará agora no foco dos nossos estudos. Assim, concluímos nossa viagem por todos os continentes: Américas (com Machado de Assis, Nora Roberts e Lya Luft), Europa (com Régine Deforges), Ásia (com Haruki Murakami), Oceania (com Markus Zusak) e, por fim, África (com Ondjaki). Serão lidos e analisados, ao longo de novembro, seis livros do portfólio literário de Ondjaki: "Bom Dia, Camaradas" (Companhia das Letras), romance de 2001, "E Se Amanhã o Medo" (Língua Geral), coletânea de contos publicada em 2005, "Os da Minha Rua" (Língua Geral), outra obra de contos de 2007, "AvóDezanove e o Segredo do Soviético" (Seguinte), romance juvenil de 2008, "A Bicicleta que Tinha Bigodes" (Pallas), livro infanto-juvenil de 2011, e "Os Transparentes" (Companhia das Letras), romance de 2012. Ondjaki nasceu em Luanda, Angola, em 1977. Seu verdadeiro nome é Ndalu de Almeida, sendo Ondjaki o pseudônimo escolhido para representá-lo literariamente. Filho de comandante militar, o pequeno Ndalu foi criado na África e desde cedo se interessou pelo universo dos livros. Aos treze anos já se divertia lendo. Suas leituras iam dos quadrinhos de Asterix às obras de Jean-Paul Satre, passando por Graciliano Ramos e Gabriel Garcia Márquez. No fim da adolescência, Ondjaki seguiu para a Europa para prosseguir nos estudos. Em Lisboa, cursou teatro amador antes de se graduar em Sociologia. Na Itália, fez doutorado em estudos africanos. Na sequência, morou nos Estados Unidos, onde estudou cinema. E desde 2007, o escritor mora no Rio de Janeiro. A estreia de Ondjaki na literatura aconteceu em 2000 com a coletânea de poesias "Actu Sanguíneu". O livro ficou em segundo lugar no concurso angolano António Jacinto. No ano seguinte, chegava às livrarias o primeiro romance do autor: "Bom Dia, Camaradas". A obra foi finalista do Prêmio Portugal Telecom aqui no Brasil. Em 2001 e 2002, respectivamente, foram publicados o livro de contos "Momentos de Aqui" e a novela "O Assobiador". Atualmente, Ondjaki possui 26 obras publicadas em vários países. Seus livros já foram traduzidos para o francês, inglês, alemão, italiano, espanhol, sérvio, sueco, polonês e chinês, estando presentes em quase todos os continentes. Além da versatilidade do angolano - ele escreve em vários gêneros: poesia, contos, novelas, romances adultos, histórias infanto-juvenis, peças teatrais e roteiros de filmes -, chama a atenção os vários prêmios internacionais recebidos pelo autor ao longo desses dezessete anos de carreira. Os principais deles são o Prêmio de Conto Camilo Castelo Branco de 2007 pelo livro "Os da Minha Rua", o Prêmio Grinzane como o melhor escritor africano de 2008, o Prêmio Jabuti de 2010 na categoria livro juvenil com o romance "AvóDezanove e o Segredo do Soviético" e o Prêmio José Saramago em 2013 pelo romance "Os Transparentes". Admito estar empolgado para ler um dos mais premiados escritores da língua portuguesa da atualidade. Com o currículo de Ondjaki, acredito que não sairei desapontado no final de novembro. As leituras desse mês prometem, hein? Sou suspeito para falar, mas acho que o Desafio Literário está demais! Quem quiser acompanhar as análises das obras do angolano selecionadas pelo blog, aqui vai o calendário de posts do Desafio Literário de novembro: no dia 5, domingo, será apresentada a crítica de "Bom Dia, Camaradas". Na quinta-feira da próxima semana, dia 9, será a vez da análise de "E Se Amanhã o Medo". O livro "Os da Minha Rua" será comentado no dia 13 e "AvóDezanove e o Segredo do Soviético" no dia 17. "A Bicicleta que Tinha Bigodes" e "Os Transparentes", por sua vez, serão debatidos nos dias 21 e 25 de novembro, respectivamente. No penúltimo dia do mês, retorno ao Bonas Histórias para apresentar a análise literária completa de Ondjaki, fazendo um apanhado geral do que identifiquei nas leituras ao longo do mês. Espero ter a sua companhia ao longo desse mês aqui no Desafio Literário. Quem sabe você também não fique motivado(a) para ler essas obras. Fica aqui o convite! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #Ondjaki

Bonas Histórias | blog de literatura, cultura e entretenimento | bonashistorias.com.br

Blog de literatura, cultura e entretenimento

bottom of page