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  • Filmes: Meu Passado Me Condena 2 - A boa comédia nacional

    Nesta segunda-feira, dia 9 de novembro, aproveitei a promoção da rede Cinemark chamada "Projeta Brasil" para assistir a mais um filme brasileiro. Esta é a 16a edição desta ação promocional de incentivo ao cinema nacional. O valor do ingresso para os vários filmes brasileiros disponíveis era de apenas R$ 3,00. Fui ao shopping Tietê Plaza e acabei escolhendo "Meu Passado Me Condena 2" (2015). Acreditem: dos títulos disponíveis, este era o único que tive coragem de ver. As melhores produções, eu já tinha assistido, sobrando apenas as tranqueiras. "Meu Passado Me Condena 2" foi dirigido por Júlia Resende, diretora do primeiro filme da série e de "Ponte Aérea" (2014), e contou com as atuações de Fábio Porchat, Miá Mello, Marcelo Valle, Inez Viana e Rafael Queiroga, todos precedentes da versão original. Rodado a maior parte no interior de Portugal, o longa-metragem consegue divertir o público. O humor gira em torno do relacionamento do casal de protagonistas. Na história de "Meu Passado Me Condena 2", Fábio e Miá (os personagens têm os mesmos nomes dos atores) já estão casados há três anos (no primeiro filme, eles tinham acabado de se casar e saíram de lua de mel em uma viagem marítima). O longo tempo de convívio fez o relacionamento descambar. Os vilões, neste caso, são a rotina e os problemas triviais dos matrimônios (a bermuda jogada no sofá, a falta de grana, as saídas com os amigos, os planos distintos do casal, etc). Miá reclama que o marido é imaturo, bagunceiro, não tem uma profissão de respeito, ganha pouco e se esquece de todos os compromissos importantes, desde pagar a conta de luz até a celebração do aniversário do casamento deles. Fábio, por sua vez, se incomoda com o fato da esposa viver reclamando de tudo e ser muito mandona. Ela também não teria senso de humor nem disposição para sair da rotina, focando demais no trabalho e renegando a vida doméstica. Com tantas diferenças e conflitos, Miá resolve comunicar a separação do casal. Chocado com a decisão da esposa, Fábio aproveita a ligação do avô informando a morte da avó para evitar a concretização dos desejos da sua mulher. Se dizendo abalado com a notícia e precisando visitar a família em Portugal, o marido pede o adiamento da separação e exige a companhia da esposa durante a viagem à Europa. Sensibilizada, Miá aceita ir. A viagem irá colocar definitivamente o relacionamento do casal à prova. Fábio vê a viagem como a chance de evitar a separação e conquistar novamente o amor da Miá. Porém, a jornada por terras lusitanas também pode evidenciar ainda mais a diferença entre o casal e decretar de uma vez por todas o rompimento do matrimônio. O filme é engraçado. Achei-o do mesmo nível do filme original. Como não assisti a nenhum episódio da série do Multishow, não vi a peça teatral nem li o livro ("Meu passado Me Condena" é uma história multiplataforma, sendo contada simultaneamente no cinema, na televisão, no teatro e na literatura), não posso afirmar que o filme é melhor ou pior do que as histórias contadas nas outras plataformas. O humor do filme (assim como o drama) é baseado nos conflitos de relacionamento do jovem casal de protagonistas. Há boas cenas e é possível dar várias risadas durante as quase duas horas de duração da produção. As diferenças entre o cotidiano e a vida de brasileiros e portugueses, apesar de cheia de clichês, também conferem alguma graça ao enredo. A fotografia do longa-metragem é muito boa. Júlia Resende conseguiu extrair o melhor dos cenários e das paisagens portuguesas. Filmado na Quinta de Sant'Ana, no Gradil, e em Sortelha, um vilarejo perto da Serra da Estrela com apenas duas centenas de habitantes, o filme retrata muito bem a vida tradicional e bucólica destas localidades no interior de Portugal. Destaque para a atuação da dupla de atores portugueses: Ricardo Pereira (interpretando Álvaro) e Mafalda Rodiles (vivendo Ritinha). Apesar deles não serem tão engraçados quanto os brasileiros, eles conseguiram conferir ba dramaticidade a história. "Meu Passado Me Condena 2" conseguiu atrair mais de 2,5 milhões de expectadores para as salas de cinema do país. Para quem gosta de filmes leves e engraçadinhos (os famosos "água com açúcar"), este é um prato cheio. Eu gostei. Ainda mais por R$ 3,00... Por este preço, não tenho coragem de criticá-lo negativamente. Veja o trailer de "Meu Passado Me Condena 2": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JúliaResende #FábioPorchat #MiáMello

  • Livros: Inteligência Mercadológica - A empregabilidade por José Augusto Minarelli

    Nesta semana, eu li o livro "Inteligência Mercadológica" (Gente) de José Augusto Minarelli. O autor é sócio da Lens & Minarelli Associados, uma consultoria especializada em recolocação profissional e em aconselhamento de carreira, e foi um dos precursores do Outplacemen no Brasil, no início da década de 1980. Eu conheci o empresário e escritor faz três meses em uma reunião na editora Évora. Ele pretende lançar no ano que vem um novo livro que reúna boa parte do conteúdo criado e desenvolvido por ele ao longo de sua carreira. A publicação será dirigida para quem estiver à procura de trabalho. Para conhecer um pouco mais do Minarelli e do Outplacemen, li "Inteligência Mercadológica", sua obra de maior sucesso. O livro é muito bom. O autor consegue abrir a mente do leitor para a importância de analisar mercadologicamente o mercado de trabalho e atuar na busca e na fidelização de clientes. Além disso, é possível perceber a importância do Networking e da boa comunicação com o mercado de trabalho. Curiosamente, ao ler esta obra, percebemos que a maioria das pessoas, quando está à procura de trabalho ou quando possui um emprego, acaba fazendo tudo o que o Marketing Pessoal não recomenda. Aí fica difícil conseguir um novo trabalho rapidamente ou se manter por muito tempo no emprego. A linguagem do livro é super acessível e a obra é recheada de exemplos práticos e reais. A experiência de Minarelli nesta área é muito grande e ele sabe como transferir estes conhecimentos para as páginas da publicação. A leitura é rápida e prazerosa. Quem precisa dar uma reavaliada em sua carreira profissional ou quem está à procura de um novo trabalho, recomendo "Inteligência Mercadológica". Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JoséAugustoMinarelli

  • Mercado Editorial: Livros Digitais – Os números das vendas em 2014

    No ano passado, o mercado editorial brasileiro apresentou a maior redução de faturamento dos últimos dez anos, com uma queda de 5% em relação aos números de 2013. Esse tema já foi tratado aqui no Blog Bonas Histórias. O último post da coluna Mercado Editorial, em junho, foi exatamente uma discussão a esse respeito. Agora, vou trazer uma boa notícia do setor. Diante de tantas informações negativas, ao menos algo de positivo é possível ser extraído dos dados divulgados, no mês passado, pela SNEL, o Sindicado Nacional dos Editores do Livro. A receita das vendas de livros digitais no Brasil, em 2014, cresceu 31% em relação ao ano anterior. De janeiro a dezembro do ano passado, foram comercializados 16,7 milhões de livros digitais no país. As vendas, em 2013, tinham sido de 12,7 milhões. O incrível é saber que, em 2012, apenas 3,8 milhões de títulos deste tipo foram vendidos. Apesar do crescimento substancial nos dois últimos anos, o faturamento dos livros digitais representa apenas 0,3% da receita do setor. É muito pouco. Se 500 milhões de obras impressas são vendidas todos os anos em nosso país, apenas 1,2 milhões de livros digitais são comprados pelos consumidores nacionais. O Brasil, portanto, engatinha quando o assunto é e-book. Vamos acompanhar aqui no Blog Bonas Histórias a evolução dos números deste tipo de livro nos próximos anos. Muitas novidades interessantes estão chegando ao mercado, com grandes empresas entrando com tudo nesse segmento. A expectativa para 2015 é que o crescimento das vendas continue na casa dos dois dígitos. Afinal, diante da grave crise econômica que o país está passando, muito provavelmente haverá uma leva de consumidores dispostos a adquirir livros com preços menores, um dos atrativos dos livros digitais. A conferir! Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você se interessa por informações do mercado editorial, deixe aqui seu comentário. Para acessar outras notícias dessa área, clique em Mercado Editorial. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #LivrosDigitais

  • Filmes: Atividade Paranormal, Dimensão Fantasma - Frustração

    Ontem assisti ao filme "Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma" (Paranormal Activity - The Ghost Dimension: 2015). Fui atraído pelo trailer, visto na semana passada, que me deixou bem impressionado. Aí pensei: nada melhor do que passar o Dia de Finados vendo um bom filme de terror em 3D. Entretanto, acabei saindo da sala de cinema ligeiramente decepcionado. Dirigido por Gregory Plotkin, o mesmo diretor de quatro dos cinco filmes anteriores da série (ele só não comandou a produção do filme original, de 2007), "Dimensão Fantasma" é o sexto filme da franquia "Atividade Paranormal", que já faturou ao todo de mais de US$ 800 milhões. O grande apelo desta vez foi o recurso 3D. Primeiro filme da série filmado neste formato, a promessa era aumentar o medo e o terror dos espectadores. Para um aficionado como eu por filmes de terror era um prato cheio! Em "Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma", Ryan Fleege (interpretado por Chris J. Murray) se muda para uma bela casa com a sua família, formada pela esposa Emily (Brittany Shaw) e pela filha pequena Leila (Ivy George). O irmão de Ryan, Mike (Dan Gill), aproveitando o período natalino, vai passar algumas semanas com a família do seu irmão após um frustrante processo de separação conjugal. Convive também na casa dos Fleege uma babá. O grupo, alguns dias antes do Natal, começa a presenciar fatos muitos estranhos acontecendo na residência. Tudo se origina após Ryan descobrir uma antiga filmadora e algumas fitas de vídeo no subsolo da casa. A câmera filmadora tem a propriedade de visualizar fantasmas e as imagens das fitas de vídeo, de certa forma, abrem um diálogo com estranhas pessoas do passado, que parecem habitar a casa. Com o auxílio da esposa, do irmão e da babá da filha, Ryan começa a gravar os fenômenos sobrenaturais que aterrorizam a todos em sua casa. A única que parece não se abalar com tudo é a filha Leila. A menina faz amizade com Toby, o demônio dos filmes anteriores da série. A menina diz para os pais que Toby irá levá-la embora... Os pais desesperados com a revelação da menina passam a lutar contra os demônios para manter a filha junto deles. "Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma" possui uma boa história. Apesar da narrativa das casas mal-assombradas ser um gênero vasto e que foge pouco do convencional dos filmes de terror, esta trama é um tanto original. O fato dos personagens do presente "conversarem" com os mortos através das fitas de vídeo já gravadas e da câmera de filmar ter capacidade de ver mais do que os olhos humanos podem captar já muda completamente o panorama do filme. A história realmente é boa e possui uma narrativa coesa e interessante ao longo das quase uma hora e meia de produção. O suspense vai aumentando constantemente ao longo do longo-metragem. Então qual é o problema deste filme? O seu principal ponto negativo está nas poucas cenas de terror. Como um filme deste gênero pode provocar tão poucos sustos e medos na plateia?! Apenas no finalzinho, a coisa pega para valer e o clima esquenta um pouco. Entretanto, ele só chega a ficar meio morno. No restante do longa-metragem, ficamos com a impressão de que algo vai acontecer, mas nunca acontece. O suspense vai aumentando, vai aumentando e vai aumentando, para chegar a um desfecho pobre em matéria de terror. À espera do que foi apontado como o capítulo final da franquia "Atividade Paranormal" é frustrante. Para os fãs da série, há pelo menos um alento: Toby foi finalmente visto. O fantasma que assombrou muitas famílias nos últimos mantinha-se, até então, oculto aos olhares da plateia. Agora ele aparece! É uma aparição parcial e pontual, é verdade, mas ele fica diante dos nossos olhos. O recurso 3D é interessante e foi bem utilizado. Contudo, como o filme não provocou tanto medo, ele acabou não ajudando muito na hora de aterrorizar os espectadores. Portanto, a culpa não foi da ferramenta em si e sim do pouco assustador enredo da trama. O 3D serviu, neste caso, apenas como um acessório para tornar as imagens do filme mais bonitas e impactantes. Para quem deseja ver um bom filme de terror, não recomendo "Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma". Apesar de bem feito e com uma boa história, ele pecou no mais importante: o poder de assustar o público. Ou seja, trata-se de um grave defeito para um longa-metragem de terror. Veja o trailer de "Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #GregoryPlotkin

  • Filmes: Um Senhor Estagiário - De Niro e Hathaway juntos

    Neste final de semana fui ao cinema para ver "Um Senhor Estagiário" (The Intern: 2015), comédia de Nancy Meyers, diretora de "Operação Cupido" (The Parent Trap: 1998), "Do Que as Mulheres Gostam" (What Women Want:2000), "Alguém Tem que Ceder" (Something's Gotta Give: 2004) e "Simplesmente Complicado" (It's Complicated: 2009). O filme conta com os excelentes Robert De Niro e Anne Hathaway nos papéis principais. Fui com uma expectativa baixa e saí muito satisfeito com o que presenciei. O longa-metragem é divertidíssimo. Morri de ri o tempo todo. Em "Um Senhor Estagiário", Ben Whittaker (interpretado por Robert De Niro) é um viúvo aposentado entediado com a vida. Depois da morte da esposa, ele passa a viajar compulsivamente, tentando fugir da monotonia do seu cotidiano. Entretanto, ele sempre precisa voltar para casa e encarar a realidade. Depois de tentar afugentar o tédio com muita criatividade, ele se candidata para a vaga de estágio em uma empresa que vende roupas pela Internet. Trabalhando, o senhor de setenta anos acha que irá ocupar seu tempo de uma maneira produtiva. Ben é admitido na empresa e logo passa a trabalhar diretamente com a criadora da companhia, Jules Ostin (Anne Hathaway). A princípio, Jules e os demais funcionários da loja virtual estranham a maneira antiquada e conservadora do novo estagiário. Apesar do choque geracional, não demora muito para Ben, com sua experiência e competência, começar a influenciar a todos, ajudando cada um dos funcionários em algo. Até a exigente e pouco emotiva Jules passa a ver as qualidades do seu estagiário sênior e passa a considerá-lo um amigo. Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que o filme é muito engraçado. As piadas são fartas e inteligentes. O humor é leve e passa longe das piadas grosseiras e chulas que muitas comédias populares se ancoram. Fazia tempo que não ria tanto. Acho que a última vez que ri tanto em uma comédia foi com "As Férias do Pequeno Nicolau" (Les Vacances du Petit Nicolas: 2014), comédia francesa assistida no começo do ano. Além de muito engraçado, "Um Senhor Estagiário" faz a plateia refletir sobre o papel das pessoas idosas em nossa sociedade. Infelizmente, temos certo preconceito ao inserir idosos em vários contextos sociais, como as empresas por exemplo. Achamos, equivocadamente, que eles não poderão ajudar por não estarem conectados com a realidade e com as tecnologias mais modernas. Ledo engano! A experiência, a cultura e a competência deles têm o poder transformador, alterando e melhorando os ambientes em que conseguem ser inseridos. Muitas vezes, mais vale um senhor de setenta e cinco anos do que três jovens de vinte e cinco anos... Os atores principais estão ótimos. Robert De Niro, que desde "Máfia no Divã" (Analyze This: 1999) se enveredou para as comédias, está perfeito como Ben Whittaker. Anne Hathaway continua linda e competentíssima. Sou apaixonado por esta atriz desde "O Diabo Veste Prada" (The Devil Wears Prada: 2006). De Niro e Hathaway formam uma dupla excelente e conseguem levar o filme com classe e bom humor. O ritmo do filme também é muito bom. Há sempre algo acontecendo e há boas cenas de ação. Destaque para a invasão do grupo de estagiários à casa da mãe da dona da empresa. Eles são enviados até lá para apagar o e-mail do computador da proprietária do lugar. Cena hilária! Se você está procurando um filme leve, descompromissado, inteligente e divertido, você irá gostar de "Um Senhor Estagiário". Veja o trailer deste longa-metragem: O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #NancyMeyers #RobertDeNiro #AnneHathaway

  • Livros: Sob a Redoma - Stephen King ecológico e sociólogo

    Eu li "Sob a Redoma" (Suma das Letras) no ano retrasado, quando estava de mudança para Minas Gerais. Enquanto encarava as estradas e os aeroportos mineiros, tinha embaixo do braço esta volumosa obra como companhia. A vontade por lê-la se deu pela minha decepção com o seriado "Under the Dome", transmitido pela TNT. Quando soube que a emissora norte-americana havia produzido um seriado televisivo a partir de uma história de Stephen King, fiquei empolgado. A expectativa inicial foi atendida apenas no primeiro capítulo. À medida que fui assistindo a "Under the Dome", fui me decepcionando cada vez mais. A história era realmente muito boa, o problema estava na produção televisiva, muito mal produzida. No quinto episódio, desisti de assisti-la e corri até a livraria para comprar o livro com a história original. Foi assim que me vi diante das quase mil páginas desta publicação. Ou seja, era uma excelente opção de leitura para quem precisava de muitas páginas para encarar as idas e vindas pelas estradas e pelos céus deste país... "Sob a Redoma" não é um simples romance, como havia imaginado inicialmente, e sim uma complexa saga. Esta obra é uma ficção científica escrita por Stephen King e lançada originalmente no mercado norte-americano em 2009. Trata-se, portanto, da publicação mais recente do autor que iremos analisar neste mês ("Carrie, a Estranha", "O Iluminado" e "A Dança da Morte" são da década de 1970, enquanto "À Espera de Um Milagre" é dos anos de 1990). Apesar de contemporâneo, a história se passa nos dias de hoje, o enredo é baseado em uma ideia que King teve entre o final dos anos de 1970 e o início de 1980. Ele chegou, por duas vezes, a tentar publicar o romance na época, mas não considerou a narrativa suficientemente acabada para editá-la. Depois de reescrever quase toda a história (apenas o primeiro capítulo da ideia original foi mantido), o livro chegou a sua versão definitiva em 2009. A história de "Sob a Redoma" se passa na pequena cidade norte-americana de Chester, no estado do Maine. Em um dia normal, uma grande bolha transparente surge de repente no céu formando um campo de força invisível que isola parte do município. A redoma impede a passagem de pessoas e de coisas. Aviões colidem no céu ao tentar ultrapassá-la. Carros explodem ao se chocarem com o domo. Famílias são separadas pela misteriosa estrutura. Assim, a partir do surgimento inexplicável da redoma, parte da população fica presa dentro da bolha invisível, enquanto os demais habitantes do país ficam do lado de fora. O exército é chamado para destruir o domo. Nenhuma arma é capaz de quebrá-lo. Os mais inteligentes cientistas do país são convocados para esclarecer o enigma e resolver o problema, mas ninguém consegue. A situação começa a ficar crítica, pois o ambiente dentro da redoma começa a se tornar insuportável. A falta de água e comida, o calor excessivo e as brigas entre os habitantes só agravam o desespero geral. Neste ambiente estressante e desesperador, surgem dois grupos de moradores brigando para validar seus pontos de vista. De um lado, há o ambicioso e corrupto político Big Jim Rennie, um tipo de vereador com funções de prefeito (as pequenas cidades norte-americanas não possuem prefeitos e sim uma trinca de vereadores que exercem o poder executivo). Ele é capaz de tudo para se manter no poder e continuar ocultando os segredos da sua família que teimam em aparecer neste momento de grave crise. Do outro lado, está o grupo formado pela jornalista Julia Shumway e o misterioso ex-militar Dale Barbara, que estava passando pela cidade no instante do surgimento da redoma. A dupla, em parceria com a assistente de um médico do hospital local, uma policial corajosa e três crianças atrevidas, vai investigar o que está acontecendo na cidade e vai tentar colocar um basta nas ações abusivas e transloucadas de Big Jim. A primeira questão que surge para o debate é a ecologia. "Sob a Redoma" é uma manifestação direta de Stephen King para o tema da sustentabilidade e da importância dos cuidados com o nosso planeta. A cidade de Chester é um microcosmo da Terra. Os moradores do município estão presos dentro da uma redoma (estamos ou não estamos presos neste planeta em que nascemos?) sem poder sair dela (ou você consegue sair amanhã da Terra se assim desejar?). Enquanto estão presos neste local, os habitantes enxergam passivamente as transformações ambientais que levarão em pouco tempo a morte de todos (agimos ou não agimos desta maneira também?). O mais legal é que esta reflexão sobre a sustentabilidade e o aquecimento do nosso planeta é sutil e pouco ideológica. Ela está inserida no meio da trama sem nenhuma ênfase, crítica direta ou debate enfadonho. Nenhum personagem, por exemplo, emite qualquer opinião sobre este assunto, se colocando a favor ou contra a defesa do meio ambiente. Pelo livro, não sabemos o que os personagens pensam. Sabemos apenas como agem, pela descrição dos seus comportamentos. Assim, cabe ao leitor a reflexão sobre este tema. Outra questão que permeia toda a história é a briga política e as intrigas entre os habitantes da pequena cidade. Mesmo nos momentos mais críticos, quando era natural se imaginar o apoio de todos às ações coletivas e a integração das pessoas para o bem comum, o que prevalece é o individualismo e a mesquinharia. A maioria dos indivíduos acaba pensando apenas em si, o que provoca muitas vezes a piora do cenário externo. A crise política também merece destaque. Ao invés de procurar resolver os problemas dos moradores, os políticos em períodos de crise continuam olhando para o próprio umbigo, querendo lucrar em causa própria e ganhar mais poder. Chega a revirar o estômago quando compreendemos alguns aspectos da natureza humana. "Sob a Redoma" é um livro excelente. Ele prende a atenção do leitor desde o início. Assim, não demora a "pegar", como acontece com a "Dança da Morte", que fica interessante apenas a partir da segunda parte. Os personagens são bem construídos e a narração dos acontecimentos é bem dinâmica. Sempre está acontecendo alguma coisa diferente com alguém. O grande número de personagens, às vezes, embaralha nossa cabeça, mas isto é normal de acontecer em romances muito extensos e com trama tão diversificada. Os pontos negativos desta obra estão relacionados ao maniqueísmo acentuada da história e ao final decepcionante. Assim como acontece em "Dança da Morte", temos aqui dois grupos antagônicos que disputam a primazia pelas propostas do que fazer com a redoma e o poder sobre a cidade. Um é formado pelos vilões e o outro pelos mocinhos e mocinhas (os bonzinhos). Essa dicotomia, de tão evidente e manjada, acaba tornando a trama um pouco previsível e óbvia. É claro que sabemos de antemão para qual lado vamos torcer. É muito clichê reunido em uma só história... A maior decepção, contudo, está no final. Claro que não irei contar o desfecho da narrativa, porém se prepare para algo bem absurdo e pouco real. Não estou nem falando do final catastrófico e catártico que Stephen King tanto gosta, com várias mortes, explosões e sangue para todo o lado. Quem está acostumado a lê-lo, não pode se surpreender com este tipo de fechamento de trama. O que decepciona é outra coisa. A busca por explicações para o aparecimento da redoma e para a solução dos problemas originados por ela acaba elevando nossa expectativa. Assim, quando elas surgem, ficamos muito desapontados com as alternativas encontradas pelo escritor. Era esta, afinal de contas, a justificativa para o grande mistério? Foi assim que eles conseguiram resolver o problema tão grave?! Apesar dos altos e baixos, o que é natural em uma obra tão volumosa, gostei muito de "Sob a Redoma". Ele é um livro que acabamos devorando rapidamente, apesar das suas quase mil páginas. O pouco que vi do seriado televisivo da TNT (cinco episódios apenas), percebi várias mudanças em relação à produção original. Por isso, mesmo que você tenha assistido ou esteja acompanhando a série na TV, não deixe de conhecer também a versão literária. Com certeza, você encontrará ótimas surpresas nela. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. 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  • Filmes: Operações Especiais - Ação policial à brasileira

    O principal gênero do cinema brasileiro nos últimos anos é a comédia. Milhões de pessoas pagaram ingresso para ver os filmes cômicos nacionais. "Se Eu Fosse Você" e "De Perna Para o Ar" levaram cada um mais de três milhões de expectadores. Suas continuações ("Se Eu Fosse Você 2" e "De Perna Para o Ar 2") foram ainda mais exitosas, arrastando aos cinemas quase o dobro do número original de pessoas. "Cilada.com", "Meu Passado me Condena", "Lisbela e o Prisioneiro", "Até que a Sorte nos Separe", "Loucas para Casar" e "Minha Mãe é uma Peça" são exemplos de produções que passaram fácil da marca de um milhão de expectadores. Com esta concorrência, os filmes de ação acabam ficando em segundo plano no cenário doméstico, apesar da maior bilheteria da nossa história ter ocorrido com "Tropa de Elite 2", com público superior a onze milhões de pessoas. Apesar da timidez da oferta de títulos (se comparado às comédias), todos os anos temos bons filmes de ação sendo lançados no mercado. "Assalto ao Banco Central" de Marcos Paulo é um bom filme. "Dois Coelhos" de Afonso Poyart é ótimo e muito inovador. "Cidade de Deus" é hour concour, sendo uma das melhores produções da nossa história. Um pouco mais antigo temos "Ônibus 174". "Segurança Nacional" de Roberto Carminati, "Alemão" de José Eduardo Belmonte e "Salve Geral" de Sérgio Rezende completam a lista com ótimos títulos deste gênero. E por que estou falando dos filmes de ação? Porque hoje fui assistir à "Operações Especiais". Este longa-metragem teve a direção de Tomás Portella, de "Qualquer Gato Vira-Lata" (2011), e contou com ótimo elenco: Cleo Pires, Fabrício Boliveira, Marcos Caruso, Thiago Martins, Antonio Tabet, Fabíola Nascimento e Fábio Lago. A história deste filme enfoca a vida de Francis (interpretada por Cleo Pires). A moça é formada em turismo e trabalha como recepcionista de um hotel na cidade do Rio de Janeiro. Descontente com o salário que recebe e com a vida tediosa que leva, Francis presta concurso público para ser investigadora da polícia. A jovem passa no concurso, conseguindo excelente pontuação. Depois de um breve curso na academia de polícia, onde aprende os conceitos básicos da nova função, ela é integrada a uma equipe especial da polícia. Em sua primeira experiência na nova profissão, Fancis é enviada para a cidade de São Judas do Livramento, no interior do estado do Rio, com a missão de combater a criminalidade local e fazer o índice de violência da região diminuir. A pequena cidade fluminense fora invadida por criminosos foragidos da capital do estado. Após a invasão do Complexo do Alemão, muitos bandidos acabaram se instalando em cidades do interior. São Judas do Livramento foi uma delas e o assassinato cruel de duas crianças acabou chamando a atenção da imprensa e mobilizando a polícia para agir no local. A ordem do delegado Paulo Froes (Marcos Caruso), responsável pela operação, é acabar com a bandidagem e com os crimes que se espalharam pelo município. Sem experiência na polícia, sendo a única mulher do grupo e enfrentando inimigos violentíssimos, Francis precisa encarar a desconfiança dos demais policiais e os seus próprios medos para vingar na nova profissão. Aos poucos, a moça vai conseguindo provar a sua competência e vai conquistando a simpatia dos colegas. Enquanto isso, o grupo precisa colocar na cadeia os bandidos que viraram São Judas do Livramento do avesso. "Operações Especiais" é um bom filme. Está longe de ser um excelente longa-metragem, porém não corre o risco de ser classificado como uma produção de baixa qualidade. Se tivesse que dar uma nota para ele, ficaria com a nota 6, a média na escola onde estudei. Ou seja, ela passaria de ano (raspando, mas passaria...). Seu principal mérito está em narrar a corrupção dentro da polícia e da política nacional. Também demonstra com propriedade a violência nas cidades brasileiras, principalmente as de pequeno e médio porte. Infelizmente, a corrupção é uma praga de toda a sociedade brasileira, não sendo exclusiva de uma classe ou de um grupo específico. Os moradores de São Judas do Livramento ficam favoráveis à ação dos novos policiais até que estes comecem a interferir no dia a dia local, recriminando todo tipo de crime. Aí os policiais cariocas passam a ser os vilões do município, sendo mal vistos pelos habitantes do lugar. O filme de Tomás Portella não é espetacular, mas cumpre bem a sua missão de entreter. Ele possui algumas falhas de enredo e de sequência, mas nada que o torne incompreensível ou desagradável. O ponto positivo mais evidente desta produção está no seu elenco. Os principais atores e atrizes estão perfeitos em seus papéis. Cleo Pires, além de muito gata, consegue dar vida a Francis com todos os medos, insegurança e desejos que a personagem possui. Marcos Caruso como o delegado Paulo Froes e Fabrício Boliveira e Thiago Martins como policiais do grupo especial estão perfeitos. Curioso é ver Antonio Tabet em um papel sério e dramático. E não é que até ele se sai muito bem, convencendo no papel de bandido impiedoso. Outro aspecto que gostei foi o ponto de vista no qual a história é narrada. Não é comum vermos uma mulher policial contando as dificuldades encontradas na sua profissão. Além disso, há o peso de uma "moça comum" ser jogada no meio de uma missão policial sem ter qualquer experiência prévia na função. Ou seja, a trama é bem criativa e original. O expectador se sente na pela de Francis na maior parte do tempo. Infelizmente, "Operações Especiais" não está à altura de "Cidade de Deus", de "Dois Coelhos" e de "Assalto ao Banco Central" em termos de qualidade e força dramática. A história é boa, mas está muito longe de encantar. Contudo, ele está no patamar de "Segurança Nacional", "Alemão" e "Salve Geral". Ou seja, os filmes de ação brasileiro ganharam mais um representante para fazer frente às comédias que invariavelmente invadem as salas de cinema do nosso país. E desta vez, o confronto vai ser com muita bala e tiro. Para cima deles, Francis. Veja o trailer de "Operações Especiais": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #TomásPortella #CleoPires

  • Livros: À Espera de um Milagre - O melhor de Stephen King

    Stephen King é conhecido pelas suas obras de terror, mas o meu livro favorito dele é um que foge totalmente das suas características tradicionais. "À Espera de um Milagre" (Suma de Letras) é um drama ambientado na década de 1930. Lançado originalmente em 1996, em 6 volumes, intitulado "Corredor da Morte", o romance ganhou sua versão definitiva no final daquele ano quando King reuniu os volumes em uma publicação só. "À Espera de um Milagre" também virou filme em 1999. O longa-metragem dirigido por Frank Darabont e estrelado por Tom Hanks e Michael Clarke Ducan arrecadou mais de US$ 130 milhões somente nos cinemas dos Estados Unidos. A produção cinematográfica foi um grande sucesso de bilheteria no mundo todo, mesmo com suas mais de três horas de duração. O filme ganhou cinco indicações ao Oscar daquele ano. Para muitos, esta é a melhor adaptação para o cinema de uma obra de Stephen King. A história do livro narra, em primeira pessoa, as memórias da vida de Paul Edgecombe, um simpático idoso morador de um asilo, que no passado trabalhou na penitenciária de Cold Mountain. Foi como responsável pela ala que abrigava os condenados à morte que Paul conheceu John Coffey. No ano de 1932, Coffey, um negro alto, forte e sem instrução, havia sido condenado pelo estupro e pelo assassinato de duas meninas brancas. Enquanto esperava sua execução na cadeira elétrica, o prisioneiro e o chefe dos guardas da prisão estabelecem forte vínculo de amizade. Conversando e convivendo com John Coffey, Paul descobriu que seu prisioneiro era inocente e possuía um dom misterioso capaz de proporcionar a cura a qualquer doente. Além disso, Paul descobriu o passado mágico e surpreendente do seu prisioneiro. As descobertas do policial lançaram-no a um embate moral: ele devia cumprir a sentença de morte, como o exigido pela Justiça do seu estado, ou devia libertar um homem bom e inocente? Esta dúvida influenciou a relação entre os policiais da penitenciária e dos demais presos. "À Espera de um Milagre" é uma obra sensível e de forte carga emotiva. Exatamente por isso a considero a melhor produção de Stephen King. O escritor consegue nos emocionar sem precisar apelar a uma trama de terror e com muitas mortes e sangue, como é típico da sua literatura. Este romance, que nada tem de horror, possui forte carga de suspense e comove com um drama existencial de um homem que adquire um dom sobrenatural. Além da história ser muito boa, os personagens são riquíssimos e muitíssimo bem construídos. Tanto os policiais quanto os presos possuem características marcantes e parecem ganhar vida em cada página. Paul Edgecombe é um cara bem interessante nos dois momentos da narrativa (quando jovem e mais idoso) e John Coffey é incrivelmente carismático. Até os personagens secundários (destaque para Brutal, Harry, Dean e Del) têm seus atrativos, ajudando a enriquecer ainda mais a trama. Até mesmo um simples ratinho de cela de cadeia (Sr. Guizos) ganha relevância e rouba várias vezes a cena, levando muitos leitores as lágrimas. A forma de escrita da obra também merece destaque. Ela parece mais bem trabalhada do que normalmente encontramos nos outros livros do autor. King é conhecido por um estilo popular e de linguagem simples e de baixa qualidade literária. Estas características surpreendentemente não aparecem em "À Espera de um Milagre". Apesar de manter um linguajar objetivo e acessível, o texto aqui é mais bem trabalhado e possui uma qualidade superior. A magia, o sobrenatural e a fantasia, marcas de King, estão presentes em todos os momentos desta história. Só que dessa vez, estes elementos possuem um tom mais refinado e nobre. Os críticos mais ácidos do autor norte-americano costumam dizer que esta obra nem parece escrita por Stephen King tamanha é sua qualidade literária. Para quem for embarcar nesta incrível aventura, já adianto: o enredo é muito triste. A história é apaixonante e consegue prender a atenção do leitor de uma forma que é impossível parar a leitura a partir de determinado momento. Porém, aqueles possuidores de almas mais sensíveis preparem os lenços de papel porque a chance das lágrimas brotarem é grande. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #StephenKing #LiteraturaNorteAmericana #LiteraturaContemporânea #Romance #Drama #RomanceHistórico

  • Filmes: Perdido em Marte - O náufrago espacial

    Ontem, assisti ao filme "Perdido em Marte" (The Martian: 2015). Estava aguardando ansiosamente este longa-metragem há exatamente um ano, quando li o livro homônimo de Andy Weir narrando as peripécias do astronauta Mark Watney pelo planeta vermelho. O livro é ótimo, a história é muito legal e, por isso, o filme tinha tudo para agradar. Tinha... A nova produção cinematográfica dos estúdios Fox teve a direção de Ridley Scott, responsável por clássicos como "Alien, o Oitavo Passageiro" (Alien: 1979), "Blade Runner, o Caçador de Androides" (Blade Runner: 1982), "Thelma & Louise" (Thelma & Louise: 1991) e "Gladiador" (Gladiator: 2000), e foi estrelado por Matt Damon, de "Caçadores de Obras Primas" (The Monuments Men: 2014), "Compramos um Zoológico" (We Bought A Zoo: 2011) e dos filmes da série "A Identidade Bourne" (The Bourne Identity: 2002). Orçado em U$ 109 milhões, o filme teve como cenário principal o deserto de Wadi Rum, na Jordânia, devido à coloração avermelhada da sua areia. A história de "Perdido em Marte" narra a epopeia vivenciada pelo astronauta e botânico Mark Watney. Ele estava junto com outros cinco astronautas explorando o planeta Marte, em uma missão da NASA, quando uma terrível tempestade pegou a todos de surpresa. Mark é dado como morto pelos colegas e acaba ficando para trás. Os demais integrantes da NASA voltam para a nave e iniciam o retorno ao planeta Terra. Mark, contudo, não havia morrido. Ao acordar, ele se vê sozinho em um planeta estranho e hostil. Começa aí a aventura pela sobrevivência. Mark Watney precisará utilizar todos os seus conhecimentos para adquirir água, comida, oxigênio, abrigo e estabelecer uma comunicação direta com o seu planeta de origem. Além disso, ele deverá encarar os desafios de estar sozinho em Marte, driblando o tédio e a solidão. Watney é praticamente uma mistura de MacGyver, do seriado de mesmo nome, Professor Pardal, dos desenhos animados, e Chuck Noland, personagem de Tom Hanks no filme "O Náufrago" (Cast Away: 2001). A primeira constatação que tive ao ver o filme é que o livro de Andy Weir é muito, muito melhor. Infelizmente, o longa-metragem acabou pecando em alguns pontos, apesar de ter mantido o enredo original da trama. A principal perda foi de agilidade e tensão. No livro, a história é angustiante e o clima de suspense e apreensão acompanha quase todos os lances da narrativa. O ritmo também é incrivelmente acelerado. Mesmo estando falando de um único homem abandonado em um planeta distante e sem ninguém por perto, a história e os acontecimentos não param, prendendo a atenção do leitor. Estas características acabaram suprimidas do filme. A produção de Ridley Scott é, às vezes, meio parada e sonolenta. O ritmo das cenas e a agilidade da narrativa são muito inferiores ao do livro. Não será nenhuma surpresa, portanto, se você notar pessoas dormindo na sala de cinema durante a primeira metade do longa-metragem. Outro prejuízo considerável está no humor. Apesar de uma ou outra cena engraçadinha, o filme não tem o bom humor que o livro exala. Na literatura, Mark Watney é um grande piadista. Parte da explicação para a sua sobrevivência passa pela maneira divertida e positiva de encarar as adversidades. Este aspecto some das telas. A grande perda, porém, do filme está na falta dos detalhes científicos que permitiram a sobrevivência do astronauta solitário por tanto tempo em Marte. Enquanto o livro abusa das descrições de como Watney fez para conseguir água, comida, oxigênio e abrigo e de como ele fez para consertar os equipamentos a sua volta, o filme fica a maior parte do tempo mudo ou passa de forma bem superficial em relação a estes elementos. Ou seja, perdemos ao ver a história na tela uma das questões mais interessantes da publicação original que é a criatividade do personagem principal em driblar as adversidades do dia a dia. Nem tudo são lamentações. O filme "Perdido em Marte" mantém a narrativa original e consegue empolgar um pouco a partir da metade final. Vale ressaltar mais uma vez que a história é ótima e imperdível. Matt Damon também está muito bem no papel de Watney. Ele consegue transmitir o carisma e a sagacidade do seu personagem. Assim, se você não leu o livro e não estiver com o sono atrasado (um perigo para a primeira metade do filme), você poderá gostar deste longa-metragem. Se você leu e adorou a publicação escrita, como eu, na certa se lamentará pela falta de elementos importantes para a contextualização da história. Também não culpe Ridley Scott pelo seu ocaso. Os grandes filmes deste conceituado diretor ficaram no passado e hoje ele tenta manter um bom nível para não manchar sua filmografia. Veja o trailer de "Perdido em Marte": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #AndyWeir #RidleyScot #MattDamon

  • Livros: A Dança da Morte - A saga pós-apocalíptica de King

    É preciso ter fôlego para ler "A Dança da Morte" (Suma de Letras). Este livro de Stephen King possui mais de mil e duzentas páginas. Li esta obra no meio do ano passado e demorei quase um mês para concluí-la. Aproveitei minhas viagens de ônibus por Minas Gerais para percorrer as intermináveis páginas desta publicação. O lançamento original de "A Dança da Morte" foi no ano de 1978, logo após a publicação de "O Iluminado" (Suma das Letras). A editora norte-americana responsável pela edição obrigou, naquela época, Stephen King a cortar mais da metade de "A Dança da Morte", para ela ficar em um tamanho mais condizente com o padrão editorial em voga. Afinal, quem seria o louco de comprar um livro com tantas páginas?! Foi com muito pesar que o escritor retirou mais de 150 mil palavras daquela versão. Apenas em 1990, King, agora um dos escritores de maior sucesso mundial e com poder para impor algumas exigências à editora, pode finalmente lançar a história exatamente como pretendia. A edição ampliada ganhou as 500 páginas que foram inicialmente suprimidas e mais algumas centenas que seu autor acrescentou na revisão. O livro ficou "mais completo" segundo a definição do seu autor. Foi esta nova versão que li e que vou comentar agora. Aclamado por muitos como a melhor obra de Stephen King e considerado pelo próprio autor como seu livro favorito, "A Dança da Morte" é um envolvente romance pós-apocalíptico. Passada durante a década de 1980 (considerado um futuro próximo, pois o romance foi escrito no final dos anos de 1970), em um mundo devastado por uma misteriosa praga que exterminou 99,9% da população do planeta, a narrativa, dividida em três partes (O Capitão Viajante, Na Fronteira e O Confronto), descreve a batalha pela sobrevivência do grupo de pessoas que, por alguma razão, não foram infectadas pelo vírus mortal que causou a quase extinção dos seres humanos do planeta Terra. O livro começa narrando o acidente ocorrido em uma base militar norte-americana de segurança máxima. O acidente desencadeia a proliferação de um vírus letal criado e mantido, até então, em laboratório por cientistas do governo. A praga, ao entrar em contato com as pessoas, provoca gripe e as leva a morte em poucos dias. De certa forma, ela se parece um pouco com o Ebola, que atingiu alguns países da África no ano passado. Na história ficcional, o governo tenta esconder a gravidade da situação ao censurar as notícias. Também tenta conter a epidemia ao isolar cidades e bloquear estradas. Tudo em vão. O vírus se espalha rapidamente e em poucas semanas os Estados Unidos foi inteiramente atingido pela nova doença. Em pouco tempo, o mundo inteiro é afetado também. A Supergripe, a Gripe Azul ou Capitão Viajante, como a doença é chamada, leva a morte de quase todos os habitantes dos Estados Unidos e dos demais países do mundo. Apenas alguns poucos sobreviventes, que possuíam alguma característica genética de resistência ao vírus mortal, passaram ilesos. Estas pessoas, sem saber no início o que fazer e como agir em um mundo quase sem seres humanos, passam a se organizar em dois grupos distintos: um formado por uma senhora extremamente velha e religiosa, a Mãe Abagail, e outro formado pelo ambicioso e misterioso Randall Flagg. Na segunda parte do livro, os seguidores de Mãe Abagail se instalam na cidade de Boulder, no Colorado, e implementam um sistema social e político parecido com que havia antes do aparecimento da Supergripe. Os seguidores de Flagg, por sua vez, se instalam na cidade de Las Vegas e implementam uma autocracia baseada no poderio bélico e na repressão das individualidades. Ficam nítidos, neste momento, a dualidade e o maniqueísmo da história. De um lado, estão aqueles que querem o bem do mundo e das pessoas (seguidores de Abagail). Do outro lado, estão aqueles que querem o mal do mundo e o extermínio das pessoas (seguidores de Flagg). Na terceira parte do livro, ocorre o confronto entre as duas sociedades. Cada um dos lados chega à conclusão que não é possível viver em conjunto, mesmo separados por quilômetros e quilômetros de distância. Assim, é estabelecida a guerra entre as duas comunidades. Tanto Flagg irá atacar a cidade de Boulder quanto Las Vegas será atacada pelos admiradores de Abagail. "A Dança da Morte" não é um romance convencional. Ela é na verdade uma saga. A quantidade de personagens é absurda. O tempo inteiro está acontecendo alguma coisa com alguém. As histórias paralelas são tão interessantes quanto a trama principal. A constituição dos personagens também merece menção elogiosa. Eles são muito bem construídos, com características diferentes e muito peculiares. A maioria deles é bem cativante e parece descrever pessoas reais. Destaque para Homem Lixo (um jovem arruaceiro que adora colocar fogo nas coisas), para Nick Andros (um adolescente surdo mudo muito inteligente), para Larry Underwood (músico famoso e insatisfeito com a vida), para Glen Bateman (professor de sociologia muito pessimista), para Frances Goldsmith (adolescente grávida) e para Stuart Redman (um ex-funcionário de uma fábrica que está há anos desempregado). Os personagens principais da trama são Randall Flagg e Mãe Abagail. Flagg é um ser sobrenatural e de alma negra. Ele é quem comanda o grupo de pessoas localizado na cidade de Las Vegas de maneira ditatorial e de forma cruel. Mãe Abagail é uma senhora com mais de cem anos, simples, muito religiosa e com poder de entrar no sonho e na mente das pessoas. Sua forma de governar Boulder é mais democrática e humana. Flagg e Abagail são os opostos em tudo. A narrativa do livro vai crescendo e melhorando à medida que a história vai ficando clara para o leitor. O começo, com o excesso de personagens e a morte de muitas pessoas por causa da gripe, é um tanto arrastado. Diria que a primeira parte, chamada de O Capitão Viajante, é a mais fraca da obra. A segunda, Na Fronteira, e, principalmente, a terceira partes, O Confronto, são de um ritmo alucinante. É impossível desgrudar do livro a partir de determinado ponto. Basicamente o livro demora certa de 300 páginas para embalar. Porém, depois que embala, ele se torna imperdível... A principal característica de "A Dança da Morte" é o seu maniqueísmo. A história é sobre a luta do bem contra o mal. Mesmo com pouquíssimas pessoas no planeta (a maioria morreu por causa da Supergripe) e com excesso de recursos para todos os sobreviventes, o instinto maléfico de Flagg quer destruir a comunidade formada por Mãe Abagail. O vilão não aceita que alguém viva segundo crenças, valores e filosofia de vida diferentes dos seus princípios. Por isso, deseja a morte dos outros a qualquer custo. O pessoal de Abagail, por sua vez, precisa destruir a cidade dominada por Flagg para conseguir viver em paz. "A Dança da Morte" tem muitas das características típicas de Stephen King. É uma obra extensa. Seu final é dramático e apoteótico. Há muitas explosões, mortes, sangue, violência e maldade. A linguagem é simples e objetiva. O enredo mistura terror, ficção científica e fantasia. A trama é bem dinâmica, prendendo a atenção do leitor a maior parte do tempo. O que diferencia "A Dança da Morte" das obras precedentes do autor é o seu aspecto político e sua análise social. À medida que as pessoas vão morrendo, o governo até então constituído vai perdendo força, vai se definhando até desaparecer por completo. A saúde, a segurança e a educação públicas, as leis, a ordem e a civilidade desaparecem. Roubos, estupros e assassinatos passam a vigorar em uma terra sem leis. Praticamente assistimos as teorias sociais de Thomas Hobbes se materializarem. A humanidade, de certa forma, regride ao seu Estado Natural. O estabelecimento do novo Contrato Social terá características diferentes, segundo a concepção de Mãe Abagail e Randall Flagg. Interessante perceber também como seria o mundo com o fim do capitalismo. O sistema econômico, que regia a maior parte das regiões do planeta, sucumbiu diante do extermínio de grande parte da população. "A Dança da Morte" é um livro muito, muito bom. Ao mesmo tempo em que mexe com nossas emoções, ele permite que façamos uma reflexão sobre a estrutura social e econômica de nossa sociedade. Também nos faz pensar (e temer) os avanços tecnológicos e da ciência (afinal, foi um vírus desenvolvido pelo próprio homem o causador da epidemia). Stephen King é realmente genial. Este livro é imperdível. É daquelas obras que ao acabarmos de ler, já sentimos saudades... Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. 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  • Gastronomia: Casinha Mineira - Fartura na Bela Vista

    Ainda está para chegar o dia em que ficarei decepcionado com a cozinha mineira. Nunca eu saí de um restaurante de comida mineira desapontado com o que encontrei ali. Seja pela quantidade ou pela qualidade, este tipo de cultura culinária sempre me agradou. E não foi diferente desta vez. Fui, na semana retrasada, ao restaurante "Casinha Mineira" e, de modo geral, sai satisfeito com a experiência passada ali. A "Casinha Mineira" foi fundada pela chef Maria Inês, vinda da cidade mineira de Passos, e teve seu primeiro endereço na Vila Olímpia. Em 2013, o estabelecimento se mudou para o local atual, na Rua São Carlos do Pinhal, no bairro da Bela Vista. Na nova casa, de salão simples, paredes de tijolos aparentes e mesas de madeira, o ambiente é despojado e convidativo. Aberto apenas de segunda a sábado na hora do almoço, o cardápio do restaurante tem como destaque a "Vaca Atolada" (costela de boi cozida por várias horas), a porção de torresmo, a feijoada (servida de quarta e sábado) e os "Esquadrões da Obra" (combinação de carne de vaca ou de frango com porções fartas de arroz, feijão e outros acompanhamentos). Prove também, de sobremesa, o "Brigadeiro de Colher". Além de muito gostoso, ele vem servido de uma maneira bem interessante e diferente. O grande diferencial da "Casinha Mineira" é a sua fartura. As porções são individuais, mas é difícil alguém sair com fome dali com a quantidade de comida servida em cada prato. O preço também agrada. Apesar de estar localizado a alguns metros da Avenida Paulista, o estabelecimento não maltrata o bolso dos clientes. A comida é gostosa, fazendo o "estilo caseiro". O que mais me chamou a atenção, contudo, foi o ótimo atendimento. Todos os funcionários foram muito educados e corteses. Destaque para os garçons. Eles possuem um atendimento caloroso e próximo. Se você estiver na hora do almoço pela região da Avenida Paulista, entre o MASP e o prédio da Gazeta, e deseja comer bem sem gastar muito, fica aqui a dica: a Casinha Mineira. Bom apetite! Que tal este post e o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer as demais críticas gastronômicas do blog, clique na coluna Gastronomia. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #Gastronomia #restaurante #SãoPaulo

  • Livros: O Iluminado - A consolidação de Stephen King

    Depois do sucesso meteórico de "Carrie, a Estranha" (Suma de Letras), livro de estreia de Stephen King publicado em 1974, o público e o mercado editorial aguardavam ansiosamente o segundo passo do escritor. Afinal, King era talentoso no romance assim com era nos contos ou tivera sorte de principiante? A primeira obra fora mero acaso ou representaria o início de uma sólida trajetória artística? Seu estilo literário havia chegado para ficar ou ele não conseguiria repetir a fórmula que o consagrara em "Carrie"? "O Iluminado" (Suma de Letras) foi publicado no ano de 1977. E o sucesso da estreia se repetiu com a nova publicação, espantando qualquer dúvida que pudesse haver sobre seu jovem escritor. Para ser mais preciso, "O Iluminado" acabou vendendo até mais do que "Carrie". Rapidamente, o novo livro se tornou best-seller nas livrarias norte-americanas. A boa aceitação da nova obra acabou consolidando a carreia de Stephen King como um autor de histórias de terror. Se "Carrie, a Estranha" foi inspirada em uma reportagem da revista Life e teve como referências duas meninas que o escritor conheceu em sua infância e adolescência para compor as características da personagem principal, para escrever "O Iluminado", King se inspirou em suas próprias experiências. Após visitar o Hotel Stanley, no Colorado, o autor se motivou a escrever sobre um tipo de estabelecimento como aquele, porém bem mais decadente, isolado e fantasmagórico. Sua dificuldade para largar o alcoolismo também permitiu emprestar esta característica ao personagem Jack Torrance, um aspirante a escritor. Na metade da década de 1970, o consumo excessivo de bebida era considerado pela família King o principal problema do seu patriarca, posto assumido alguns anos depois por outros tipos de drogas. O sucesso do livro incentivou a compra dos direitos autorais da história pelo estúdio de cinema Warner Bros. Assim como aconteceu com "Carrie, a Estranha", "O Iluminado" rapidamente virou filme. Em 1980, Stanley Kubrick dirigiu o longa-metragem homônimo que teve Jack Nicholson (no papel de Jack Torrance), Shelley Duvall (como Wendy Torrance) e o pequeno Danny Lloyd (interpretando o menino Danny Torrance). O desempenho de Nicholson vivendo o pai transtornado é antológico. O sucesso também na tela grande desta história acabou elevando ainda mais a popularidade de Stephen King. No início dos anos 1980, seu nome já era considerado um grande chamariz de público, tanto nas livrarias quanto nas bilheterias dos cinemas. A história de "O Iluminado" se passa no Hotel Overlook, localizado no alto de uma montanha do Colorado. O estabelecimento, que outrora foi considerado um dos hotéis mais sofisticados e belos do mundo, ponto de encontro de famosos, poderosos e de gente riquíssima, hoje se encontra em nítida decadência. O movimento é tão fraco, principalmente no inverno rigorosíssimo da região montanhosa, que ele fica fechado nos meses mais frios do ano. Assim, todos os funcionários são liberados e é contratado um zelador para tomar conta do hotel. A contratação de um novo zelador é necessária porque o último, Delbert Grady, morreu recentemente e de forma trágica. Ele enlouqueceu no último inverno por causa do isolamento e acabou matando sua família, antes de se suicidar. Assim, Jack Torrance é contratado para o novo cargo. Jack é um aspirante a escritor que está em fase de reabilitação do alcoolismo. Ele acha que a oportunidade de emprego no Hotel Overlook irá ajudá-lo em vários sentidos: permitirá que conclua uma peça que está escrevendo há anos; o forçará a ficar longe das bebidas; e fará com que fique mais próximo da família, formada pela esposa Wendy e pelo filho de cinco anos Danny. A relação de Jack com a esposa está meio desgastada nos últimos anos. A agressividade do marido quando bebe já trouxe muitos problemas para a esposa e para o filho pequeno. Wendy já cogitou algumas vezes se separar. Portanto, a viagem para o Colorado é a chance do casal voltar a viver em harmonia como no início do casamento. Danny, o filho de Jack e Wendy, não é uma criança normal. Ele tem a capacidade de ouvir os pensamentos das pessoas do presente e do passado. Assim, ele se transportar no tempo, interagindo com aqueles que já morreram. Em um hotel com tantas histórias do passado como é o Overlook, esta habilidade do garoto pode ser um problema. Logo que o inverno começa para valer e a família Torrance fica sozinha no hotel, uma tempestade de neve deixa-os isolados no alto da montanha. Dentro do hotel, eles não podem sair nem podem se comunicar com ninguém das cidades próximas. As estradas ficam bloqueadas. Neste momento, forças sobrenaturais começam a influenciar negativamente o comportamento de Jack. O zelador começa a delirar e a perder sua sanidade mental, colocando em risco a vida da esposa e do filho. Será que o que aconteceu no ano passado com o antigo zelador, Delbert Grady, e a família dele se repetirá novamente com Jack e os Torrance? Este sim é um livro de terror (veja meu post sobre "Carrie, a Estranha" na qual questiono esta classificação para aquela obra). O hotel, por si só, é o ambiente ideal para os acontecimentos sobrenaturais e fantasmagóricos relatados na trama. Jack Torrance também se torna, em determinado momento da narrativa, o grande vilão, disposto a matar a esposa e o filho pequeno. Sem ninguém para recorrer, Wendy e Danny precisam encarar os fantasma do passado do hotel e a insanidade de Jack para sobreviverem. É ou não é uma bela história de terror? Claro que é! O "Iluminado" é um livro mais bem acabado do que "Carrie, a Estranha". Mesmo assim, ele não foge do estilo popular que caracterizou seu autor ao longo dos anos. A linguagem continua sendo direta e simples. King é adapto da objetividade e não faz rodeios para contar a história. Ele utilizada de recursos convencionais e sua literatura não é das mais requintadas. O seu grande mérito é criar um clima de suspense que prende o leitor nas páginas do livro. Seus personagens também são muito bem construídos, exalando complexidade e uma certa dubiedade. O melhor exemplo é Jack Torrance. Ao mesmo tempo que ele é o vilão (e por isso não torcemos para ele em alguns momentos), Jack age de forma maléfica por causa dos espíritos maus que habitam o hotel (portanto, o zelador não tem culpa e, assim, acabamos torcendo por ele para vencer os fantasmas que o influencia negativamente). É possível percebermos muitas semelhanças entre esta e a obra anterior do escritor: o personagem principal é uma criança (ou adolescente, no caso de Carrie) com poderes psíquicos, um dos pais (sempre um louco) é o causador dos problemas do filho (no caso de Carrie, era a mãe a causadora dos problemas), as habilidades incomuns do personagem principal são encaradas como um fardo e não uma dádiva e o ambiente no qual a criança está é perigoso e agressivo (o hotel para Danny e a escola para Carrie). Se formos analisar, a estrutura das duas obras é muito parecida. A base das histórias e a estrutura narrativa é a mesma. "O Iluminado" tem um ritmo ótimo. Os acontecimentos vão se sucedendo em um clima de suspense do início ao fim. O terror é do tipo psicológico (Jack vai ficando louco) e sobrenatural (os espíritos que habitam o Hotel Overlook acabam infernizando a vida da família Torrance). É uma bela história. Não é à toa que se tornou um clássico contemporâneo do terror. Stephen King, após o lançamento do livro, precisou vir a público para dizer que a sua nova obra não era autobiográfica. Parte da imprensa questionava se Jack Torrance não era o alter ego do escritor. Afinal, o personagem de "O Iluminado" era um escritor em início de carreira, sofria com o alcoolismo e vivera algum tempo em um hotel do Colorado, como havia feito Stephen no ano de 1974. O autor se indignou com esta versão, principalmente com a possibilidade de tentar matar a esposa e os filhos pequenos, como Jack fez durante boa parte da publicação. Com o tempo, a crítica especializada e o público perceberam que o grande mérito de King estava em narrar histórias surpreendentes, que jamais poderiam acontecer com ele e com sua família. Com isso, a tese de relato autobiográfico foi se esmorecendo com o tempo. O que ficou foi a força da história de "O Iluminado". Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? 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