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- Filmes: A Festa de Despedida - O humor negro dos israelenses
Semana passada, fui ao Reserva Cultural assistir à comédia dramática "A Festa de Despedida" (Mita Tova: 2014). Dirigido e roteirizado pela dupla Sharon Maymon e Tal Granit, diretores de "Férias de Verão" (Summer Vacation: 2012), esta nova produção israelense surpreende pela maneira arrojada como trata do delicado tema da eutanásia. Ao invés de abordar este polêmico assunto de forma convencional, o filme utiliza-se do humor para narrar a trama, sem abrir mão da profundidade reflexiva. Aí temos o melhor do humor negro israelense. Um pouco constrangidos, os espectadores se deparam invariavelmente rindo de cenas que envolvem mortes, sofrimentos, doenças e perdas. Trata-se de uma experiência sui generis. Divertida sim. E mórbida também. O enredo de "A Festa de Despedida" se passa quase todo em um asilo para idosos em Jerusalém. Neste ambiente, um grupo de amigos desenvolve uma máquina de eutanásia para aliviar o sofrimento de um conhecido. O sucesso da empreitada e a pouca habilidade dos participantes de manterem suas ações ocultas chamam a atenção dos demais moradores do asilo. Rapidamente, novos interessados pela máquina aparecem. Aí o grupo de inventores da terceira idade começa a se questionar: o que estão fazendo é realmente certo? Eles estão ajudando a aliviar a dor dos outros idosos ou estão cometendo assassinatos? Estas dúvidas irão nortear todo o filme. Repare na ótima atuação dos atores principais. Ze'ev Revach (intérprete de Yehezkel) e Levana Finkelstein (no papel de Levana) dão um show. Eles conseguem emocionar o público, ora com o humor ora evocando o drama. Não é para qualquer ator esta proeza de ir da risada às lagrimas de uma cena para outra. A trilha sonora é muito boa. A música embala quase toda a trama, conferindo ainda mais graça a esta produção. A fotografia e a filmagem não apresentam, de modo geral, grandes inovações estéticas, apesar de conseguirem engrandecer algumas cenas. O ritmo do longa-metragem é bom. Ele não é um filme muito ágil, como os norte-americanos, porém não é parado, como uma produção tipicamente iraniana. Neste sentido, ele possui um bom balanço. O grande lance de "A Festa de Despedida" está, sem dúvida nenhuma, em seu humor negro sutil e inteligente. Acho que jamais vi um filme com um humor tão sarcástico como este (lembrei-me um pouco dos filmes da turma do Monty Python, porém os ingleses eram bem mais escachados). Provocar graça em cenas que envolvem mortes, sofrimentos, doenças e perdas exige muita coragem por parte dos roteiristas e dos diretores. E nisso, Sharon Maymon e Tal Granit saíram-se muitíssimo bem. Eu pelo menos adorei! Gostei também da sutiliza da ironia. As piadas aqui são finas e muito inteligentes, às vezes difíceis de serem notadas. Contudo, acredito que a acidez do humor tipicamente israelense pode não agradar a todos. Esta é a particularidade da acidez: ela não agrada a todos os paladares, principalmente aqueles não tão acostumados com a sua intensidade. Também gostei das discussões reflexivas que a história provoca. As mudanças provocadas na trama, fruto das decisões dos personagens, nos levam a pensar sobre o que é certo e o que é errado. As opiniões dos principais personagens mudam dependendo do contexto. Isso é interessantíssimo. Talvez esta seja a grande moral do filme: não há certo ou errado em se tratando de morte e de eutanásia. Cada um tem sua opinião, que pode ser alterada dependo da circunstância e do seu envolvimento com o assunto. Para terminar, preciso comentar algumas cenas que achei excelentes: a do policial rodoviário multando o grupo de praticantes da eutanásia; a senhora, no início do filme, achando que estava falando com Deus por telefone; e a descoberta da opção sexual de um dos personagens (que sai, literalmente, do armário). Contudo, a melhor cena do filme é um musical realizado, no meio do longa-metragem, com as pessoas que optaram por morrer. Ao mesmo tempo que é fúnebre, a cena é poética e emocionante. É preciso muita audácia para propor algo deste tipo em uma produção cinematográfica. Parabéns Sharon Maymon e Tal Granit pelo seu novo filme! Às vezes, em uma sala de cinema, só há uma coisa melhor do que um bom filme: uma boa companhia... Acho que tive tudo isto na quarta-feira passada no Reserva Cultural. Veja o trailer de "A Festa de Despedida": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #SharonMaymon #TalGranit #CinemaIsraelense
- Livros: Carrie, a Estranha - O romance de estreia de Stephen King
"Carrie, a Estranha" (Suma de Letras) foi publicado originalmente em 1974. Trata-se do primeiro romance da carreira de Stepheh King. Até então, o escritor era especializado em criar contos de terror, vendidos normalmente para revistas masculinas. Isto mudou com a publicação de "Carrie". A partir daí, ele virou o principal autor norte-americano deste gênero. O apelido de "Mestre do Terror" grudou em seu nome e nunca mais ele conseguiu desassociá-lo. Um pouco antes da publicação de "Carrie, a Estranha", o filho mais velho do casal King ficou doente e os pais não tinham dinheiro para comprar os remédios para a criança. A vida financeira da família era complicada. Stephen trabalhava como professor de inglês e trabalhava também em uma lavanderia. Nas horas que sobravam, ele ainda escrevia seus contos para vendê-los para as revistas. Mesmo se virando em três ocupações diferentes, ele não recebia uma boa remuneração. Tabitha, a esposa, não trabalhava neste período e ficava cuidando exclusivamente da casa e das crianças pequenas. Pressionada pela necessidade de arranjar dinheiro para os remédios do filho, Tabitha começou a brincar com Stephen para ele inventar uma nova história que pudesse ser vendida para alguma editora. "Depressa, Steve, pense em um monstro", pedia a esposa. Percebendo que a venda de novos contos não traria tanto dinheiro, Stephen resolveu escrever um romance. A ideia era criar uma história sobre uma moça com poderes psíquicos. A inspiração veio da leitura de um artigo da revista Life sobre um caso de poltergeist (espíritos brincalhões). Para constituir a personagem principal da trama, Stephen King se lembrou de duas meninas da sua época de infância/adolescência. Depois de uma tarde intensa de trabalho, as primeiras páginas da nova história não agradaram ao escritor, indo parar no lixo. Quem descobriu as folhas na lata de lixo da casa foi Tabitha. A esposa recolheu os papéis, leu e gostou da narrativa. Contudo, Stephen protestou, afirmando que não sabia nada do universo feminino (o enredo era sobre uma menina) e sobre adolescência (uma menina jovem). Escrever sobre isto seria muito difícil para ele. A esposa, então, se prontificou a ajudá-lo. Saiba decisão. Carietta White, chamada pelo apelido de Carrie, é uma adolescente da cidade de Chamberlain, no Maine. Ela é um tanto estranha (daí o nome do livro). Ela não é de conversar e de interagir com as outras garotas da escola. Ela usa sempre roupas conservadoras e tem hábitos simples. Isto é influência da mãe, Margaret White, uma cristã fundamentalista. A mãe não permite que a filha faça nada típico de uma jovem da sua idade, forçando-a a ficar em casa rezando e seguindo os preceitos religiosos indicados na Bíblia. A vida de Carrie muda quando ela tem sua primeira menstruação. Para azar da moça, este acontecimento ocorre logo depois de uma aula de educação física, quando ela está tomando banho no vestiário do colégio. Carrie se desespera ao ver o sangramento em seu corpo, não entendendo o que está acontecendo. A moça não sabia nada sobre menstruação e pensou que estivesse tendo uma hemorragia. A ignorância da menina é um prato cheio para algumas colegas mais maldosas. Um grupo se forma envolta de Carrie, no chuveiro, para praticar bullying. Quem lidera as agressões verbais é Chris Hargensen, uma aluna rica e mimada, que adora implicar com Carrie e com as colegas mais tímidas. Chris incentiva seu grupo de amigas a jogar absorventes íntimos em cima de Carrie, xingando-a sem parar. Quem "salva" Carrie dos insultos das colegas é a professora de educação física, a senhora Desjardin. Ela é quem expulsa todas as demais alunas do vestiário e quem explica para a moça o que aconteceu com seu corpo. Carrie vai para sua casa e briga com a mãe que nuca explicou para ela sobre menstruação. Margaret White, em sua mentalidade religiosa, acusa a filha de ter pecado. Na visão materna, se a menstruação da garota chegou é porque ela está pecando. Este choque de opiniões entre filha e mãe começa a opor uma à outra, pela primeira vez. Carrie descobre, então, possuir poderes telecinéticos (movimenta objetivos com o pensamento). Para utilizar este dom, a menina começa a praticar esta habilidade em casa, de maneira secreta. Na escola, a vida de Carrie se complica ainda mais. Chris Hargensen, sua rival, é proibida de participar do baile de formatura do final do ano, o grande evento da escola, por causa do seu comportamento no vestiário. Inconformada, a mimada aluna resolve se vingar de Carrie, considerando-a culpada pela sua punição. Mesmo contando com a ajuda de Sue Snell, uma popular garota da escola e ex-amiga de Chris que agora se solidarizou por Carrie, as coisas não ficam fáceis para a filha de Margaret. O plano de Chris é humilhar Carrie em pleno baile de formatura, diante de colegas, pais e professores. E é exatamente isto o que acontece. Depois de ser eleita a rainha do baile, algo de surpreendente e que leva Carrie ao delírio, Chris Hargensen consegue despejar um balde de sangue de porco em cima da inimiga quando ela vai receber o prêmio em cima do palco. Carrie fica revoltada com a humilhação. Afinal, todos os presentes começam a rir dela. Com seus poderes telecinéticos, a moça começa a destruir tudo a sua volta. O salão onde o baile é realizado é trancado pela mente da garota paranormal e começa-se um incêndio no local. Carrie começa, então, a sua vingança contra todos. Não apenas o ginásio vira palco de uma grande destruição, provocada pela mente de Carrie, como toda a cidade de Chamberlain se transforma em um cenário de guerra. Diferente do que a crítica literária aponta, não considero "Carrie, a Estranha" como sendo um livro de terror. Vejo-o mais como sendo uma obra de suspense. Como a personagem principal e heroína é quem possui dons excepcionais, não podemos considerar que ela vá fazer o mal (apesar de aprontar muita destruição e mortes). Por isto não há terror e sim suspense durante a narrativa. Se fossem as vilãs (neste caso, a mãe de Carrie e a colega da menina na escola, Chris Hargensen) que tivessem os poderes telecinéticos, aí sim seria um livro de terror. A linguagem do livro é simples e direta. King escreve de maneira clara e objetiva. Às vezes, temos a sensação que o texto é meio cru, como se o autor não tivesse se preocupado em revisá-lo. Precisamos lembrar que ele tinha pressa em terminar a obra, ganhar o dinheiro e comprar o remédio do filho. E curiosamente, foi este o comportamento de Stephen em relação ao seu primeiro romance. Ele comenta que jamais voltou a ler esta obra e que não fez qualquer alteração no texto desde a publicação da versão original. A obra também é considerada breve, perto dos intermináveis livros de Stephen King. "Carrie, a Estranha" não tem mais do que 200 página. É possível lê-la em duas tardes. Para se ter uma ideia, "O Iluminado" (Suma de Letras), a publicação seguinte do autor, tem quase 500 páginas. Como a maioria dos livros de Stephen King, a força de "Carrie, a Estranha" está em sua história. Há ótimas e marcantes cenas. O início da menina tendo a primeira menstruação no chuveiro do vestiário da escola é um clássico da literatura moderna. A cena final da confusão no baile de formatura também. Depois de King, nenhuma festa deste tipo foi a mesma nos Estados Unidos. Eu, particularmente, tenho um medo danado de formaturas. A imagem de pedras caindo do céu, no quintal da casa de Carrie, também é marcante. O que chama mais atenção nesta história é o seu final. Obviamente, eu não vou contar o desfecho (para não desagradar a quem ainda deseja lê-lo pela primeira vez). Apenas vou comentá-lo superficialmente. King não faz concessões. Seus finais não seguem, geralmente, o final feliz hollywoodiano. Por isto não se surpreenda com o que pode acontecer. Tudo pode acontecer! E normalmente, o final é trágico. O escritor é chegadinho em uma tragédia espetacular. Seus finais, e "Carrie, a Estranha" não foge desta linha, são cheios de explosões, mortes e destruição. Praticamente não vai sobrar (quase) nada e (quase) ninguém para contar a história. O encerramento, de certa forma, é catártico. Outra coisa que gostei é a forma como a história é contada. Ao longo da trama há a inserção de documentos policiais, livros da época, notícias sobre os personagens envolvidos e transcrições com as opiniões de outras pessoas que interagiram com os personagens principais. Temos a sensação, com isto, que a história é verídica. Trata-se de um recurso simples, mas que confere uma graça a narrativa. Se você ainda não leu Stephen King, eu sugiro começar por esta obra. E não me venha assistir aos filmes baseados nesta história porque eles são um tanto distintos do enredo literário, principalmente a primeira produção cinematográfica de 1976. O final, principalmente, é um tanto diferente da escrita por King. "Carrie, a Estranha" teve três versões para o cinema. A primeira, já citada, produzida por Brian De Palma. Outra, de 2002, foi uma produção televisiva. E, mais recentemente, em 2013, um novo filme chegou aos cinemas pela direção de Kimberly Peirce. Se fosse para escolher um, eu ficaria com o primeiro, de Brian De Palma (gosto tanto da história de Carrie, que assisti às suas três versões cinematográficas). Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #StephenKing #Romance #Drama #Suspense #LiteraturaNorteAmericana #LiteraturaContemporânea #Livros #Terror
- Desafio Literário de outubro/2015: Stephen King
Este mês de outubro é um tanto especial para mim, pois poderei abordar no Desafio Literário o meu escritor favorito: Stephen King. O norte-americano completou recentemente 68 anos de vida e é considerado um dos principais escritores de horror fantástico de sua geração. Com mais de 350 milhões de livros vendidos no mundo todo, King é best-seller internacional e teve várias de suas obras transformadas em filmes de sucesso. Para minha análise sobre este autor, escolhi cinco obras dele para serem analisadas: "Carrie, a Estranha" (Suma de Letras), "O Iluminado" (Suma de Letras), "A Dança da Morte" (Suma de Letras), "À Espera de um Milagre" (Suma de Letras) e "Sob a Redoma" (Suma de Letras). Assim, inclui grandes clássicos ("Carrie, a Estranha" e "O Iluminado"), os meus livros favoritos ("À Espera de um Milagre" e "A Dança da Morte") e um obra recente ("Sob a Redoma"). Todos estes livros eu já li e agora irei comentá-los aqui no Blog Bonas Histórias. Esta, portanto, é a principal diferença do Desafio Literário deste mês para os dos meses anteriores. Enquanto nos outros eu tive de ler a maioria das obras dos escritores em foco para tirar minhas conclusões sobre suas características literárias, dessa vez meu trabalho será apenas de rememorar as narrativas das publicações já vistas. Posso dizer que Stephen King é um velho conhecido meu e, inclusive, tema de um curso que ministro na The Open Mind School, escola de cursos livres que aborda temas como Cultura, Entretenimento e Carreira. Sei que a necessidade de se escolher apenas cinco obras para esta análise acaba naturalmente deixando uma infinidade de grandes livros de King de fora. Os fãs do escritor que me desculpem. Saibam que eu também fico com o coração partido por não incluir nesta lista "It - A Coisa" (Suma de Letras), "Christine" (Suma de Letras) e, principalmente, a série "Torre Negra" (Suma de Letras). Quem sabe eu não opte, em outro momento, por deixar a "Torre Negra" como escopo de um estudo à parte. Afinal, os oito livros desta série merecem um mês de análise só para eles. Quem sabe não os analise em 2016. Stephen King nasceu em 1947 na cidade de Portland, Maine. Seu pai abandonou a família quando o menino tinha apenas dois anos de idade. Assim, o pequeno Stephen e o irmão mais velho e adotivo, David, ficaram sob os cuidados apenas da mãe. A matriarca precisou se virar para criar os dois garotos. Eles se mudaram várias vezes de cidade e passaram por algumas privações. Na infância, o principal acontecimento do menino Stephen foi ter presenciado um acidente de trem com um amigo seu. O fatídico episódio que matou o amiguinho pode ter influenciado o lado negro e fantasmagórico do escritor (algo negado pelo próprio autor em suas entrevistas). Na pré-adolescência, após pegar uma doença que o obrigou a ficar alguns meses de cama, Stephen King se tornou um leitor voraz. Preso no leito (e mesmo depois de curado), ele lia todo tipo de narrativa. Sua preferência, obviamente, estava nas histórias de terror dos quadrinhos EC Comics, importante editora deste gênero. Ele também gostava de ver filmes de horror no cinema e na televisão. Desde cedo, o garoto, com a ajuda do irmão David, escrevia histórias fantástica, chegando a vender algumas na escola para os coleguinhas. Stephen King se formou em Inglês na Universidade do Maine. Foi durante seu curso universitário que o escritor conheceu sua futura esposa, a também escritora Tabitha Spruce. Logo ela engravidou e ambos se casaram. Para sustentar a família, King dava aulas de inglês em escolas locais e trabalhava em uma lavanderia. Ele também vendia contos de terror para revistas masculinas, o que ajudava no orçamento familiar. O primeiro romance escrito por King foi "Carrie, a Estranha". Publicado em 1974, rapidamente a história da menina que tinha poderes telecinéticos (de movimentar objetivos através da mente) caiu no gosto popular, se transformando em sucesso editorial. Dois anos mais tarde, Brian de Palma adaptou a história para a sua primeira versão cinematográfica (ela teria outras). O novo sucesso, desta vez, nas telas, aumentou ainda mais a visibilidade do jovem Stephen King. O livro seguinte, "O Iluminado", representou novo sucesso editorial e nova adaptação para o cinema, desta vez pelas mãos de Stanley Kubrick. A história narra os destemperos emocionais de Jack Torrance (imortalizado no cinema com a interpretação de Jack Nicholson) que é enviado com sua família para cuidar de um hotel abandonado durante o período de inverno nas gélidas montanhas do Colorado. Com os sucessos dos dois romances de estreia, Stephen King se transformou, no final da década de 1970, em um dos mais populares escritores norte-americanos da sua geração e um dos principais do gênero de terror de todos os tempos. Por mais que tentasse desvincular do rótulo de "mestre do terror" nos anos seguintes (vários dos seus livros futuros não podem ser classificados dentro desta categoria), ele jamais conseguiu. Para o público leitor, King sempre será o escritor de histórias fantásticas e de horror. King é um escritor prolífico. Ao longo de seus 40 anos de carreira, ele escreveu aproximadamente 80 livros. Ou seja, são quase dois por ano, uma marca realmente incrível. Ainda na década de 1970, ele publicou "A Dança da Morte", considerado por muitos como sua melhor obra. Na década seguinte, vieram "Christine" e "It - A Coisa". Nos anos de 1990, os destaques ficaram por conta de "À Espera de Um Milagre", "Jogo Perigoso", "Eclipse Total" e "Saco de Ossos". Nos anos 2000, o escritor concluiu, com o lançamento de quatro dos oito livros, a série "Torre Negra", iniciada em 1982 com o livro "O Pistoleiro". É desse período também "Sob a Redoma", um longo romance ao estilo de "A Dança da Morte", mas com um viés mais ecológico. Além de romances, King também escreveu livros de não ficção (cinco) e de contos (onze). Também criou um pseudônimo (Richard Bachman) para uma nova leva de histórias. Depois de tentar desvincular-se do pseudônimo por alguns anos, o escritor admitiu sua autoria depois que as suspeitas que era ele por trás de Bachman aumentaram. Além do portfólio extenso de obras e de grande impacto popular e da vendagem absurda na casa das centenas de milhões de unidades, o grande feito de Stephen King talvez seja o número impressionante de adaptações das suas histórias para o cinema. Acredito que não haja um escritor vivo nem morto com mais livros adaptados à sétima arte. Em uma conta rápida, eu calculei mais de cinquenta filmes produzidos. Nesta matemática, acabei excluindo as séries e os programas televisivos. São ou não são números incríveis? É sobre este autor que iremos debater mais durante este mês no Desafio Literário. A primeira obra a ser analisada será "Carrie, a Estranha". Aguarde as novidades sobre a literatura de Stephen King que o Blog Bonas Histórias trará nas próximas semanas! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #StephenKing
- Filmes: O Pequeno Príncipe - A continuação de um clássico da literatura
Demorei para assistir ao filme "O Pequeno Príncipe" (The Little Prince: 2015). Só o fiz na semana passada, no Cinemark do Shopping Tietê Plaza. Acho que ele já esteja até saindo de cartaz. Se ainda estiver nos cinemas, é exibido em poucas salas. Por já conhecer a história de Antoine de Saint-Exupéry, acreditava que não iria me surpreender com este longa-metragem. E me enganei redondamente. Se soubesse que ele era tão interessante, teria ido vê-lo muito antes. Dirigido por Mark Osborne, cineasta responsável por "Hop - Rebelde Sem Páscoa" (Hop: 2010), "Monstro vs. Alienígenas" (Monsters vs. Aliens: 2009) e "Kung Fu Panda" (Kung Fu Panda: 2008), "O Pequeno Príncipe" é uma animação que mistura o estilo stop-motion para parte da narrativa e a animação digital para outra parte da história. Orçado em 60 milhões de euros, esta produção francesa chegou aos cinemas brasileiros em agosto deste ano. A história do filme não é o retrato literal da fábula desenvolvida por Antoine de Saint-Exupéry na década de 1940. E aí está a graça desta produção. Ela narra a vida de uma menina que acabou de se mudar com a mãe para uma nova cidade. A mãe da garota é obcecada pelos estudos da filha, obrigando-a a ficar mergulhada nos livros o tempo inteiro. A menina segue em um ritmo frenético de estudos em seu quarto até um acidente ocorrer na propriedade ao lado. O vizinho, um aviador aposentado, ao tentar decolar com sua velha aeronave do quintal de sua casa, acaba espalhando as peças do avião para todos os lados, inclusive para a casa das recém-chegadas na cidade. Atraída pela figura cativante do bom velhinho da residência ao lado, a garota aos poucos vai abandonando os estudos para aproveitar a companhia do aviador. O ex-piloto conta, então, a história do Pequeno Príncipe. Ele, segundo o filme, é o aviador que conheceu o pequeno personagem da história de Saint-Exupéry. Curiosa para saber o que aconteceu de fato com o menino loirinho da fábula, a menina resolve decolar com o avião a procura do mítico personagem. Aí começam as aventuras de fato do filme. Não é preciso ter lido o livro para compreender este filme, pois a história de Saint-Exupéry é, em suma, contada pelo aviador para a menina. Assim, o expectador pode se situar na narrativa. Contudo, aqueles que já tiveram bom contato com esta obra irão aproveitar muito mais o longa-metragem, principalmente na última parte quando a continuação da história será contada. "O Pequeno Príncipe" é um grande filme. Seu principal mérito está em não reproduzir literalmente a narrativa do livro (para isto, prefira o musical homônimo de 1974 com Richard Kiley no papel do aviador, Steven Warnet no papel do Príncipe e Gene Wilder no papel da Raposa), mas permitir aos amantes dessa obra conhecer a continuação desta história clássica. A menina irá descobrir onde está e como vive o Pequeno Príncipe já adulto, após muitos anos da sua visita ao nosso planeta. É incrível esta parte do filme. Repare nos demais personagens da obra escrita que também reaparecem nesta parte da animação. Os últimos 40 minutos são ótimos! Imperdíveis!!! Durante todo longo-metragem, vivemos a atmosfera da obra de Antoine de Saint-Exupéry. "Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa", "Somente com o coração nós podemos ver com clareza" e "O essencial é invisível para os olhos" embalam a narrativa, conferindo uma carga poética ao enredo. A subjetividade e a profundidade da mensagem não estão aparentes. É necessário um pouco de reflexão por parte do expectador para entender os pontos discutidos pelos personagens (aí os adultos vão aproveitar mais o filme dos que as crianças). O filme de Mark Osborne tem uma narrativa envolvente e bem construída. Há cenas de ação na medida certa e o humor é bem sutil (como no livro). Ou seja, quem não conhece a história do Pequeno Príncipe irá gostar do filme. E quem já conhece, tem tudo para adorar esta animação. Veja o trailer de "O Pequeno Príncipe" (The Little Prince: 2015): O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #MarkOsborne #AntoinedeSaintExupéry
- Filmes: Hipóteses para o Amor e a Verdade - A São Paulo alternativa
Assisti na semana retrasada, no Caixa Belas Artes, ao filme "Hipóteses para o Amor e a Verdade" (2013). Dirigido por Rodolfo Garcia Vázquez, em sua estreia na direção de um longa-metragem, esta produção nacional é uma remontagem para a grande tela da peça homônima exibida em 2010 pela companhia de teatro "Os Satyros". A partir dos depoimentos de residentes, traficantes, prostitutas, transexuais, empresários, músicos e atores da região central de São Paulo, criaram-se várias histórias com onze personagens. As trajetórias ficcionais deles se entrecruzam durante a noite na capital paulista. Dos atores envolvidos no filme, a única personalidade mais conhecida é Nany People. Os demais, Ivam Cabral, Cleo de Paris, Esther Antunes, Fábio Penna, Léo Moreira Sá, Luiza Gottschalk e Paulinho Faria, são rostos desconhecidos do grande público. "Hipóteses para o Amor e a Verdade" foi premiado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Festival Mix Brasil do ano passado. Não existe uma única história neste filme. Ele é constituído de vários fragmentos de narrativas distintas. Há a prostituta entediada, o nerd solitário, a velha catatônica, o ex-marido que se sente culpado pela morte do filho, o travesti guia turístico, o suicida desgostoso da vida, etc. Talvez o principal personagem desse longa-metragem seja mesmo a cidade de São Paulo. Nas três partes do filme (Luz, Consolação e Paraíso), a metrópole é retratada como um local inóspito, violento e desumano. A solidão é ponto que norteia todas as histórias e entrelaça a vida dos personagens. "Hipóteses para o Amor e a Verdade" é um filme diferente. Filmado mais a noite, a escuridão alimenta o mistério e o lado obscuro dos personagens. O enredo é dark e a sensação é de claustrofobia. As tomadas da cidade provocam certa vertigem. São Paulo é retratada como um monstro opressor. O ritmo do longa mistura certa angústia com desespero e loucura. Nenhum dos personagens é normal (é quem é, na verdade?). É triste ver o quanto existem pessoas solitárias na capital paulista. Este é o grande paradoxo desta produção. Enquanto convivem com milhões de outras pessoas, alguns indivíduos conseguem se sentir sozinhos no meio da imensa multidão. E esta solidão provoca comportamentos extremos e loucura, principalmente a noite. O que não falta aqui, neste filme, portanto, são loucos. Praticamente estamos em um manicômio a céu aberto. Recheado de cenas estranhas, frases poéticas e diálogos para muita reflexão, "Hipóteses para o Amor e a Verdade" leva o público a pensar. Essa característica pode incomodar alguns, mais interessados em cenas de ação. Por outro lado, aqueles que gostam de um filme mais artístico vão gostar desses momentos reflexivos. Os pontos altos são a fotografia impecável e a trilha sonora eclética (há mistura de música erudita, eletrônica e MPB). O ponto negativo está com a atuação de alguns atores, bem abaixo da crítica. A falta de uma trama central também deixa o filme sem uma marca própria e acentuada. O excesso de lirismo e de subjetividade também pode ser encarado como elementos negativos. Assim, "Hipóteses para o Amor e a Verdade" é um filme apenas regular. Ele possui algumas histórias boas e outras muito fracas. Na média geral, a nota é um regular cinco. Veja o trailer deste longa-metragem: O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #RodolfoGarciaVázquez
- Livros: Refúgio - A aventura adolescente de Harlan Coben
Cheguei ao último livro de Harlan Coben que me propus a ler neste Desafio Literário de setembro. Depois de conhecer, no final de semana passado, o personagem Myron Bolitar, com o livro "Quebra de Confiança" (Arqueiro), desta vez eu "interagi" com seu sobrinho, Mickey Bolitar. O garoto foi apresentado ao público pela primeira vez no suspense "Alta Tensão" (Arqueiro). Interessado em dar mais destaque ao personagem, Coben decidiu escrever algumas histórias tendo como foco Mickey. Assim, em 2011, foi lançado "Refúgio" (Arqueiro), a primeira obra com Mickey Bolitar como protagonista. Depois vieram mais duas publicações com a sequência da história do adolescente: "Uma Questão de Segundos" (Arqueiro) de 2012 e "A Toda Prova" de 2014. Por uma questão lógica, a minha escolha de leitura foi pelo primeiro livro da nova série. Assim, li neste sábado e domingo "Refúgio". A história de "Refúgio" é sobre o desaparecimento da namorada de Mickey. O garoto de 14 anos ainda está abalado pela morte recente do pai em um acidente de carro e pela ausência da mãe, internada em uma clínica de reabilitação para drogados (ela não superou a morte do marido e caiu nas drogas). Sozinho em uma nova cidade (na verdade, Mickey passa a morar com o tio Myron, porém a relação dos dois não é nada boa, a ponto de podermos considerar que o rapaz vive sozinho), o adolescente precisa lidar com os mistérios da morte do pai e, ao mesmo tempo, passa a investigar por conta própria o repentino sumiço da nova namorada, Ashley. Junto com os novos amigos da escola (Ema e Colherada), ele irá desafiar pessoas poderosas e perigosas para trazer de volta a amada. "Refúgio" é um livro curto. Com pouco mais de 200 páginas, li em duas noites. Sinceramente, não gostei muito dele. Achei um tanto infantil. Ou melhor, considero que seu público-alvo seja os adolescentes. Provavelmente, o escritor tenha se decidido por escrever uma série para os jovens. E para tal, nada mais natural do que criar uma trama de mistério e suspense com um rapaz de 14 anos. A narrativa gira em torno dos problemas e da realidade dos adolescentes. No meio do livro, me senti lendo John Green e Marcos Rey. "Refúgio" poderia ser incluído na série "Vaga-Lume", se essa coletânea aceitasse outros escritores além de Rey. Eu não tenho nada contra as histórias de adolescentes e para adolescentes, porém "Refúgio" é inferior em qualidade às outras obras lidas de Harlan Coben. Os motivos são vários. Primeiramente, é um tanto difícil crer que um menino de 14 anos pode sozinho desafiar criminosos de alta periculosidade. Mickey se envolve em brigas e em tiroteios e, na maioria das vezes, se sai muito bem. Além disso, ele dirige carro e passa as noites fora de casa sem precisar dar qualquer justificativa para nenhum adulto. Ou seja, ele se comporta como alguém muito mais velho do que realmente é. Difícil de crer em algo do tipo... Além disso, novamente a temática do livro é uma repetição das outras obras de Coben. Praticamente podemos considerar "Refúgio" como sendo uma versão juvenil da mistura de "Seis Anos Depois" (ambos possuem uma organização secreta muito parecida) e "Quebra de Confiança" (nos dois livros há um personagem da família Bolitar como protagonista e eles abordam a indústria do sexo e da prostituição). Em "Refúgio", temos novamente uma mulher (garota) desaparecida e um namorado apaixonado em busca do paradeiro dela (já vimos este "filme" antes, não é?). Ou seja, a estrutura da trama se mantém intacta. O livro possui, é verdade, uma narração superágil, envolvente e eletrizante. Você transcorre rapidamente as páginas da obra, curioso para compreender o que está acontecendo. O clima de suspense e mistério é total. Não estou aqui, portanto, questionando as habilidades de Coben de prender a atenção do leitor. Isso ele consegue fazer com maestria. O problema está mesmo na história juvenil e com pouca credibilidade, que gera uma rejeição de um público mais velho, como eu. Outro ponto que não gostei é que o livro termina sem explicar tudo. Diria que ele explica 90% da trama. Os demais 10% devem estar descritos na próxima obra, "Uma Questão de Segundos". É pelo menos esta a sensação que tive ao encerrar a última página de "Refúgio". O autor nos força a ler a continuação da saga de Mickey para compreender totalmente o que aconteceu nesta primeira história. Isso não foi feito, por exemplo, com "Quebra de Confiança". A primeira história de Myron Bolitar se encerra explicando totalmente as questões levantadas em seu enredo. Acho essa forma de escrita mais justa e sincera com o leitor. Assim, não fiquei com vontade de continuar lendo a continuação da série de Mickey Bolitar. Sem dúvida nenhuma, este é o livro mais fraco dos cinco lidos de Harlan Coben até aqui. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #HarlanCoben #Romance #Suspense #Thriller #LiteraturaNorteAmericana #RomancePolicial #LiteraturaContemporânea #Livros
- Filmes: Ricki and The Flash, De Volta Pra Casa - Novo show de Meryl Streep
Falar das qualidades de Meryl Streep como atriz é chover no molhado. Ela talvez seja a melhor atriz norte-americana da atualidade. Ela consegue transformar pequenos papéis em grandes personagens e pequenas produções em grandes longas-metragens. Mesmo assim, foi surpreendente vê-la interpretando Ricki, uma cantora veterana, no filme "Ricki and The Flash - De Volta Pra Casa" (Ricki and The Flash: 2015). Sinceramente, não sabia que Streep, além de excelente atriz, era também uma exímia cantora. "Ricki and The Flash - De Volta Pra Casa" foi dirigido por Jonathan Demme, de "O Casamento de Raquel" (Rachel Getting Married: 2008), "Sob o Domínio do Mal" (The Manchurian Candidate: 2004) e dos clássicos "Filadélfia" (Philadelphia: 1993) e "Silêncios dos Inocentes" (The Silence of the Lambs: 1991), e contou com um orçamento de US$ 18 milhões. Além de Meryl Streep, a nova produção de Jonathan Demme tem as presenças de Kevin Kline (interpretando o ex-marido de Ricki), Mamie Gummer (a filha de Ricki, que também é filha de Streep na vida real) e Rick Springfield (o namorado e parceiro musical da personagem principal, que na vida real também é músico). A história desta comédia dramática relata a vida um tanto decadente de Ricki, a vocalista da banda The Flash, formada por integrantes com mais de cinquenta anos de idade. Cada músico da The Flash possui um emprego formal (Ricki é operadora de caixa de um supermercado) e a noite todos se apresentam juntos em um pequeno bar, onde são as grandes estrelas do local. O problema de Ricki (este é o seu nome artístico, seu verdadeiro nome é Rebeca) é que ela abandonou a família há muitos anos em Indianópolis para viver como artista na costa Oeste norte-americana. O tempo longe do ex-marido e dos filhos será sentido agora quando ela retorna para o convívio com os familiares. O ex-marido telefonou dizendo que uma das filhas de Ricki tinha se divorciado e a moça estava vivendo uma crise depressiva, precisando do apoio materno. Ao voltar para Indianápolis, a cantora veterana descobre o grande ressentimento dos familiares em relação ao seu abandono de décadas atrás. O enredo é baseado na vida da sogra de Diablo Cody, roteirista e produtora do filme, que cantou Rock'n Roll por muitos anos. Cody chega a aparecer no filme, nas cenas finais. Ela dança durante o casamento de um dos filhos de Ricki, quando The Flash toca "I Still Haven't Found What I'm Looking For". O que mais chama a atenção neste filme são as cenas musicais. Ricki e sua banda estão sempre no alto do palco desfilando seu repertório roqueiro. E é impressionante ver Meryl Streep cantando. Ela realmente incorporou a roqueira e convence no papel. Este é, sem dúvida nenhuma, o ponto alto desse longa-metragem. A trilha sonora, como não poderia ser diferente, é ótima. O enredo dramático protagonizado pelos conflitos familiares também puxa o filme para cima. As brigas e os ressentimentos existentes entre os personagens provocam a reflexão sobre se é válido uma mãe abandonar os filhos para viver os seus sonhos pessoais. Nada é óbvio quando analisamos essa questão profundamente. Há, é verdade, outras questões conflituosas: as ideias políticas antagônicas dos personagens, um dos filhos de Ricki é gay, outro leva uma vida hipster de veganismo e anticapitalismo e a nova esposa do ex-marido de Ricki se considera a verdadeira mãe dos filhos do marido. Este é aquele tipo de filme para ver e, principalmente, ouvir. E para aplaudir de pé, outra vez, Meryl Streep. Veja o trailer de "Ricki and The Flash - De Volta Pra Casa": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JonathanDemme #MerylStreep
- Exposições: Kandinsky, Tudo Começa Num Ponto - A arte russa do início do século XX
Ontem, fui ao Centro Cultural do Banco do Brasil, no centro da cidade, ver a exposição "Kandinsky - Tudo Começa Num Ponto". A mostra já passou por outras três cidades brasileiras (Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte), atraindo quase um milhão de visitantes. Ela ficará na capital paulista até o dia 28 de setembro. Para minha surpresa, além das obras de Wassily Kandinsky, pioneiro do abstracionismo, a exposição conta também com a participação de outros artistas russos do início do século XX. São apresentadas mais de 150 peças, entre quadros, objetos, fotos, livros e cartas dos pintores. O acervo vem principalmente do Museu Estatal Russo de São Petersburgo, além de coleções de outros museus russos e da Alemanha, Áustria, Inglaterra e França. A maioria das obras é das duas primeiras décadas do século XX. Gostei da exposição. Há belos trabalhos de Kansdinsky, apesar de ter sentido falta das obras mais relevantes do mestre modernista. As telas dos demais artistas russos, que influenciaram diretamente Kansdinsky, também merecem destaque. Repare nas pinturas sobre vidro. São lindas! Há peças populares do norte do país, da região da Sibéria, que marcaram a fase inicial do precursor do abstracionismo e ajudam a entender a relação da arte de Kansdinsky com o misticismo, a espiritualidade, o folclore, a música e os rituais xamânicos de seu país. A pretensão dos curados da mostra, Evgenia Petrova e Joseph Kiblitsky, é permitir aos visitantes que eles entendam as obras do pintor russo a partir da sua trajetória de vida e da sua relação com a cultura da sua época e do seu país. A proposta é fazer um mergulho no mundo que cercou Kandinsky e o fez conceber sua arte. "Kandinsky - Tudo Começa Num Ponto" ocupa quatro andares do Centro Cultural do Banco do Brasil da Rua Álvares Penteado. A mostra está dividida em cinco blocos: "Kandinsky e as raízes de sua obra em relação com a cultura popular e o folclore russo", "Kandinsky e o universo espiritual do xamanismo no Norte da Rússia", "Kandinsky na Alemanha e as experiências no grupo Der Blaue Reiter, vida em Murnau", "Diálogo entre música e pintura: a amizade entre Kandinsky e Schonberg" e "Caminhos abertos pela abstração: Kandinsky e seus contemporâneos". Destaque para as pinturas do 4o andar e para as do subsolo. Reserve ao menos uma hora para percorrer todo o acervo. A entrada é franca. E não se esqueça: a exposição vai só até a próxima segunda-feira, dia 28. Corra se não quiser perdê-la. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias do blog. Para acessar as demais análises desta coluna, clique em Exposições. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #WassilyKandinsky #Exposição #Mostra #Pintura #Abstracionismo #Fotografia #ArtesPlásticas
- Livros: Quebra de Confiança - A primeira história de Harlan Coben com Myron Bolitar
Neste sábado, li "Quebra de Confiança" (Arqueiro), romance de Harlan Coben. Admito que passei grande parte do dia dedicando exclusiva atenção à leitura do livro. Comecei de manhãzinha e no início da noite já tinha terminado as 270 páginas da publicação. "Quebra de Confiança" é o primeiro dos dez livros da série policial protagonizada por Myron Bolitar, um ex-jogador de basquete que trabalha como agente esportivo. Enquanto negocia com os times os contratos dos seus atletas, o empresário precisa elucidar os crimes e os casos policiais envolvendo seus clientes. Myron se torna, assim, um detetive particular. Lançado em 1995, a obra de estreia da série trouxe popularidade para seu escritor. A partir deste livro, Harlan Coben se tornou um escritor de sucesso e conhecido no mercado editorial norte-americano. A receita do livro: muito suspense e muita ação! Nesta primeira história, Myron Bolitar se vê envolvido com a indústria de sexo e com o submundo dos negócios esportivos. O agente esportivo é chamado pelo seu atleta mais famoso, Christian Steele (jovem jogador de futebol americano), para esclarecer o mistério envolvendo o desaparecimento de uma antiga namorada do rapaz, Kathy Culver. Kathy sumira havia um ano e meio da universidade onde estudava e agora, depois de todos acharem que ela tinha sido assassinada, ela aparece em fotos sensuais em uma revista pornográfica. O que afinal aconteceu com a moça? Ela está viva ou morta? Quem colocou as fotos dela na revista? Por quê? Como empresário de Christian Steele, Myron tem interesse em desvendar o caso, pois um escândalo pode atrair a imprensa e afetar os negócios (Steele está prestes a assinar um grande contrato com um importante time da liga de futebol). Ao lado do antigo parceiro, Windsor Horne Lockwood, mais conhecido como Win, e da ex-namorada, Jessica, Myron Bolitar se lança na investigação sobre o que aconteceu com Kathy Culver. Todos os elementos que fizeram Harlan Coben conhecido estão presentes nesta obra: uma mulher está desaparecida e ninguém sabe o que aconteceu com ela; há vários assassinatos e a polícia não consegue relacioná-los; cabe a um dos personagens (no caso, o agente esportivo Bolitar) investigar por conta própria os mistérios; há também muito romance (Bolitar tenta reatar o namoro com uma antiga paixão, sua ex-namorada que o abandonou há alguns anos); e não faltam cenas de ação e de brigas. O ritmo do livro é muito bom. Cada capítulo acontece algo novo e aos poucos o mistério vai sendo elucidado. Na verdade, o grande enigma só será esclarecido nas páginas finais da obra. E como não poderia faltar: surpresas acontecem a todo instante. O próprio desfecho da trama é surpreendente. A tensão e as incertezas de "Quebra de Confiança" vão aumentando gradativamente, não permitindo que o larguemos. Não é à toa que li o livro em uma tacada só (um dia). Os pontos negativos do livro estão relacionados ao linguajar, ao número de personagens e a algumas inconsistências da trama. O vocabulário empregado por Coben para o livro se baseia na ideia de uma novela popular e acessível ao maior número de leitores. Entretanto, há muitas palavras de baixo calão. A linguagem é muito depreciativa e está muito abaixo dos outros livros que li do autor. Além disso, há muitos personagens nesta obra. Às vezes, fica-se confuso com quem é quem. Os excessos de figuras e de tramas paralelas ajudam a dar movimento à narrativa (sempre está acontecendo algo diferente), contudo a história principal sai um pouco do foco. Existem também algumas inconsistências na história. Por exemplo, Myron Bolitar e seu amigo Win já atuaram pelo FBI. Isto parece sem sentido e não é bem explicado no livro. Não parece muito verossímil um ex-jogador de basquete e um filhinho de papai milionário terem atuado pela polícia federal norte-americana. No contexto geral, gostei de "Quebra de Confiança". É um livro razoável, capaz de entreter um leitor em um domingo ocioso, passado em casa. Admito que fiquei com vontade de ler a sequência da novela de Myron Bolitar. Quem sabe no próximo final de semana não crio coragem e me lance novamente em uma maratona de leitura da próxima história desta série. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #HarlanCoben #Romance #RomancePolicial #Livros #LiteraturaContemporânea #LiteraturaNorteAmericana #Suspense #Thriller
- Filmes: Carga Explosiva, O Legado - A origem de Frank Martin
Uma das séries de ação que mais gostei de assistir nos últimos anos foi "Carga Explosiva". Nos três filmes anteriores, "Carga Explosiva" (The Transporter: 2002), "Carga Explosiva 2" (The Transporter II: 2005) e "Carga Explosiva 3" (The Transporter III: 2008), Jason Statham viveu Frank Martin, um ex-militar das Forças Especiais do Exército norte-americano responsável por transportar cargas especiais e perigosas. Para evitar problemas, Frank segue várias regras criadas por ele mesmo: não saber o nome do cliente que o contrata, não saber o que está transportando, estar sempre vestindo paletó e gravata, usar carros pretos potentes e cumprir rigorosamente os horários estabelecidos. Mesmo assim, ele sempre acaba envolvido em alguma confusão. No primeiro longa-metragem, passado na costa europeia do Mediterrâneo, ele se envolve com a garota que estava, sem saber, transportando. No segundo, enquanto trabalha como motorista de uma família rica, ele precisa resgatar o filho dos patrões, um garotinho de seis anos, das mãos dos sequestradores. E no terceiro, Frank é obrigado a conduzir a filha do chefe da Agência de Proteção Ambiental da Ucrânia, ameaçada de sequestro, em segurança durante uma viagem. Ou seja, "Carga Explosiva - O Legado" (The Transporter Refueled: 2015), que estreou nos cinemas brasileiros na semana passada, é o quarto filme da série. O intervalo de sete anos entre esta e a última produção trouxe várias mudanças. A primeira foi na direção. A dupla Corey Yuen e Louis Leterrier, responsáveis pelos dois primeiros longas-metragens, dão lugar a Camille Delamarre, diretor francês com pouca experiência na direção. Delamarre dirigiu "13o Distrito" (Brick Mansions: 2013) e foi editor de "Carga Explosiva 3". Também dirigiu a segunda temporada da série de TV criada para contar a história de Frank Martin. Infelizmente, a série televisiva "Carga Explosiva", que não contou com a participação do ator Jason Statham, ficou muito abaixo da crítica. Contudo, a maior mudança deste filme para os antecessores foi a troca do ator principal. Assim como aconteceu na série de TV, Jason Statham não participou desta produção. Esta talvez seja a grande perda do longa-metragem. Statham não apenas dava vida ao seu personagem como conseguia transmitir com seu carisma uma vivacidade cômica e misteriosa a Frank. Dessa vez, o personagem ficou a cargo de Edward Skrein, que ficou conhecido como Daario Naharis de "Game of Thrones". Por mais que se esforce, Skrein não consegue tirar da nossa cabeça o Frank Martin de Jason Statham. Além disso, a ausência de François Berléand, como o inspetor francês amigo do personagem principal, também é sentida. Ele era ótimo! Com tantas perdas importantes, a melhor definição para este filme eu peguei um pouco antes da sessão de cinema em que fui começar. Uma moça, sentada atrás de mim na sala, explicou para o namorado sobre o filme. Em suas palavras: "Este é o Carga Explosiva Pirata. Pirata porque não tem nenhum dos atores importantes da série. Eles colocaram este nome, Carga Explosiva, só para atrair mais gente para o cinema". Achei ótima esta definição. Ela está 100% certa. De certa forma, suas palavras conseguiram retratar o que eu sentia e pensava. Em "Carga Explosiva - O Legado" voltamos ao passado. Cronologicamente, esta história se passa antes das outras três. Frank ainda mora na Riviera Francesa e trabalha como transportador. Um dia, ele recebe o telefonema de Anna (Loan Chabanol), uma prostituta que quer se vingar do patrão. Para contar com os serviços do motorista, a moça precisa sequestrar o pai de Frank (Ray Stevenson). Só assim, na base da chantagem, o rapaz irá ajudá-la. Incorporado, na marra, a gangue feminina formada por Anna, Frank precisará proteger suas patroas do cartel russo que domina a Riviera Francesa. Quem não assistiu a nenhum filme da série, provavelmente irá gostar muito de "Carga Explosiva - O Legado". Ele está recheado de cenas de ação, perseguição policial, brigas das boas e suspense. O longa-metragem prende a atenção do expectador. Às vezes, é impossível respirar. Sempre está acontecendo alguma coisa na tela. O humor é inserido na medida certa. Sempre há alguma piadinha ou um comentário sarcástico de algum personagem, o que dá certa graça a produção. A sensualidade também está presente. Cheio de gente bonita e com pouca roupa, o filme agrada aos olhos tantos masculinos quanto femininos. Agora, se você é fã da série, talvez saia decepcionado do cinema. Há várias cenas repetidas, que já vimos nos outros filmes. A cena que abre "Carga Explosiva - O Legado", por exemplo, é idêntica a de um filme anterior. O enredo e as tramas também vão se repetindo. A sensação é que esta produção é um pot-pourri de todos os outros. Aí, mesmo com o conjunto intermináveis de cenas de ação e com uma trama bem amarrada, fica difícil se empolgar com o novo filme. Talvez a grande novidade seja a presença do pai de Frank. Em nenhum dos outros filmes, este personagem teve tanto destaque. E ele consegue trazer graça e diversão para o longa-metragem. Enquanto precisa proteger as amigas e se proteger, Frank passa o filme inteiro cuidando do pai. Lembrei, dessa forma, do filme "Indiana Jones e a Última Cruzada" (Indiana Jones and the Last Crusade: 1989), no qual o arqueólogo vivido por Harrison Ford protege seu pai, o professor Henry Jone, interpretado por Sean Connery. Assim como na produção da década de 1980 de Steven Spielberg, nesta o pai chama o filho a todo o momento de Júnior. Portanto, a maior novidade deste filme também é cópia de uma ideia já utilizada em outra história. Dessa forma, gostei em termos de "Carga Explosiva - O Legado". Ele é até um bom filme de ação e cumpre bem seu papel de entreter. Agora, considerá-lo um filme da série homônima é a parte mais difícil desta história. Para mim, só se for "Carga Explosiva Pirata", como disse a moça atrás de mim na sala de cinema. Veja o trailer deste longa-metragem: O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #CamilleDelamarre #EdwardSkrein
- Livros: Confie em Mim - A alta tensão dos conflitos familiares por Harlan Coben
Concluí, ontem, a leitura de "Confie em Mim" (Arqueiro), romance de Harlan Coben. Este é o terceiro livro do escritor norte-americano que analiso para o Desafio Literário do Blog Bonas Histórias. Eu havia começado a leitura desta obra na segunda-feira e em menos de três dias já a tinha finalizado. Gostei muito das mais de 300 páginas desta publicação. Editado originalmente em 2008 nos Estados Unidos e em 2009 no Brasil, este livro demonstra com clareza não apenas a maturidade, mas também o desenvolvimento do estilo literário de Harlan Coben. Achei "Confie em Mim" um tanto diferente de "Seis Anos Depois" (Arqueiro) e "Não Conte a Ninguém" (Arqueiro). Escrevo isto de forma positiva. Enquanto as duas primeiras obras contavam histórias de homens à procura de mulheres desaparecidas, neste o enredo está mais ligado às relações familiares: entre pais e filhos e maridos e esposas. Desta forma, o livro debate temas polêmicos como o uso de drogas, a facilidade de acesso às informações pela internet, o direito dos pais em espionar os filhos, o suicídio na adolescência, a melhor maneira de se educar as crianças, etc. Ou seja, "Confie em Mim" sai um pouco daquela receita de bolo desenvolvida por Coben: trama na qual um homem apaixonado fica correndo atrás da mulher que sumiu misteriosamente. "Confie em Mim" pode ser definido como uma coleção de várias histórias fragmentadas que se sucedem no subúrbio de Livingston. Acontecem muitas coisas ao mesmo tempo, que aos poucos vão se interligando uma as outras, formando uma história só. A narrativa principal é focada na família Baye. Adam, o filho mais velho de Mike e Tia, é um adolescente que se vê envolto em um mistério: o suicídio do seu melhor amigo, Spencer. Adam fica muito abalado com morte de Spencer e passa a agir de maneira muito suspeita. Mike e Tia passam a investigar o filho até o garoto desaparecer de casa. Aí começa a busca obstinada da família por Adam. Além dos dramas da família Baye, temos: o assassinato de duas mulheres (Marianne e Reba) por uma dupla de psicopatas (Nash e Pietra); a busca obstinada de Susan Loriman para salvar seu filho de 11 anos (Lucas) que precisa de um transplante de rim; as tentativas de Betsy Hill (mãe de Spencer) em descobrir o que realmente aconteceu com seu filho na fatídica noite do suicídio do garoto; os problemas no trabalho de Loren Muse, a nova chefe da polícia; e a disputa entre Guy Novak e o professor Joe Lewiston. Joe ofendeu Yasmin Novak, filha de Guy, e destruiu a infância da garota, alimentando a vontade de vingança do pai da menina. Perceba que é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Isso torna o livro dinâmico e com muita ação. Curiosamente, o excesso de tramas não o deixa confuso nem desalinhado. Coben consegue amarrar muito bem todas as histórias, conferindo um ritmo alucinante à obra. Como uma boa obra de Harlan Coben, aqui também não faltam reviravoltas. Você acha que vai acontecer uma coisa, depois acaba acontecendo outra e no final não é nada daquilo que você imaginava nas duas primeiras vezes. Quem gosta deste expediente, como eu, irá adorar o livro sem dúvida nenhuma. Os climas de suspense e de mistério permanecem o tempo inteiro ao longo da trama. É difícil desgrudar das páginas do livro. Eu, por exemplo, tinha imaginado que iria ler "Confie em Mim" em uma semana e o terminei em apenas três dias, tamanho foi o meu fascínio e a vontade de chegar logo ao final da narrativa. Uma novidade que detectei neste livro foi o aparecimento de alguns comentários do autor sobre os temas debatidos na trama. Harlan Coben normalmente é muito econômico em suas análises. Essa é uma das razões para seus livros serem dinâmicos e ágeis. O escritor prioriza as cenas de ações em detrimento às reflexões. Aqui, pela primeira vez, surgem comentários analíticos. Gostei disso! Coben consegue acrescentar reflexões na medida certa ao livro, sem atrapalhar o ritmo das histórias. "Confie em Mim" é um ótimo livro, com cenas de pura adrenalina, personagens muito bem constituídos, dramas por todos os lados e muito, muito mistério e suspense. Ele está a altura de "Seis Anos Depois" e de "Não Conte a Ninguém", que também são ótimas obras. Também não seria nenhum exagero dizer que ele seja até melhor do que as outras duas publicações mais famosas. O certo mesmo é que gostei muito de "Confie em Mim" e o recomendo. Ótima leitura para você! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #HarlanCoben #Romance #RomancePolicial #Suspense #Thriller #Livros #LiteraturaContemporânea #LiteraturaNorteAmericana
- Peças Teatrais: Urinal, O Musical - Cadê a água?
Ontem à noite fui ao Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, assistir à peça "Urinal - O Musical". É legar ir ao teatro as segundas-feiras. Esta é uma das vantagens de se morar em São Paulo. Praticamente todo dia da semana tem uma peça diferente e boa em cartaz na cidade. "Urinal" é um musical dirigido por Zé Henrique de Paula (direção cênica) e por Fernanda Maia (direção musical). No elenco, há quatorze atores, com destaques para Bruna Guerin, Caio Salay, Daniel Costa, Luciana Ramanzini e Roney Facchini. Na sessão de ontem, Daniel Costa não pode participar e foi substituído, no papel de policial, pelo diretor. A orquestra responsável pelas belas músicas é composta por oito músicos. Zé Henrique importou esta peça dos Estados Unidos. Criada por Greg Kotis e Mark Hollmann, "Urinal - O Musical" foi lançada originalmente em 2001, na Broadway, e fez grande sucesso por tratar de forma sarcástica da crise hídrica. Sua história retrata o cotidiano de uma cidade que sofre há duas décadas com uma grande seca. As consequências da ausência prolongada de chuva aparecem mais intensamente na hora dos habitantes irem ao banheiro. O governo proibiu as pessoas de usarem os banheiros particulares. Agora, os únicos locais aprovados para os habitantes se aliviarem são os banheiros públicos. Esta medida é para aproveitar a urina deles, que mais tarde será transformada em água potável. Quem descumpre as leis é preso e expulso da cidade, sendo enviado para Urinal, um lugar terrível e temido por todos. Quem é responsável por administrar os banheiros e produzir a água necessária para o abastecimento do município é uma empresa particular chamada Companhia da Boa Urina (CBU). A organização, comandada por Patrãozinho (Roney Facchini), um empresário sem escrúpulos, cobra da população pelo uso dos banheiros públicos. Ricos ou pobres, todos são obrigados a pagar. A situação das pessoas mais pobres que já era crítica, elas precisavam contar diariamente as moedas para poder se aliviar, ficou ainda pior quando se aprova uma lei que aumenta consideravelmente os preços cobrados. Aí o povo, comandado por Bonitão (Caio Salay), funcionário de um dos banheiros públicos, se revolta, provocando grande confusão na cidade. A filha do dono da CBU, Luz (Bruna Guerin), é sequestrada pela gangue de Bonitão. A narrativa é contada por um policial (Daniel/Zé Henrique) e por uma garotinha pobre (Luciana Ramanzini), que conversam e analisam a história. A peça é interessante. A história é muito boa (e criativa) e leva a importantes reflexões sobre sustentabilidade, a força coercitiva de governos autoritários, a falta de liberdade do povo e a grande disparidade econômica na sociedade capitalista. É, portanto, uma distopia. Por isto, me senti dentro de um livro de Ray Bradbury da década de 1950 ou de uma obra de Ignácio de Loyola Brandão da década de 1980. O teatro do Núcleo Experimental é pequeno (capacidade para pouco menos de setenta pessoas) e acanhado. Isto confere certo intimismo à peça. A plateia fica quase dentro do palco. Cada espaço foi muito bem aproveitado. O cenário e os figurinos, apesar de simples para um musical tradicional, não comprometem a qualidade do espetáculo. O humor está presente em todos os momentos do musical. Os atores conseguem explorar muito bem o bom texto e a direção de Zé Henrique de Paula está primorosa. Há cenas melhores (como, por exemplo, aquela em que os pobres sapateiam) do que outras (principalmente no início, durante a apresentação da história, as músicas são bem fracas). Ou seja, a peça vai melhorando à medida que vai se desenvolvendo. Depois de um primeiro ato regular, ela ganha um belo segundo ato. O final é ótimo, fugindo do convencional e da necessidade de agradar ao público. O principal ponto negativo da peça ocorreu quando os atores cantavam individualmente. Não era possível ouvir totalmente o que diziam (e eu estava na segunda fileira). O som da orquestra, na maioria das vezes, abafava o canto dos atores. Afinal, pelo espaço reduzido, não havia microfones. Acho que o problema era mesmo da acústica do teatro. Além disso, achei a maioria dos textos das músicas, de certa forma, muito fracos em relação ao conteúdo. Se os diálogos dos personagens eram interessantes, as letras das canções deixaram a desejar. Elas não saiam do lugar comum e não enriqueceram a trama, como é de se esperar em um musical. Contudo, no geral, "Urinal - O Musical" é uma bela peça. Merece ser vista. O Teatro do Núcleo Experimental fica na Rua Barra Funda, 637, no bairro da Barra Funda, próximo ao metrô Marechal Deodoro. O valor do ingresso é R$ 60,00 a R$ 80,00. Há sessões às segundas, sextas, sábados (21 horas) e aos domingos (19 horas). A peça tem duração de pouco mais de duas horas, com um intervalo de quinze minutos entre os dois atos. Ela ficará em cartaz até o dia 12 outubro deste ano. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe, então, sua opinião sobre as matérias desta coluna. Para acessar as demais críticas teatrais, clique em Teatro. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #ZéHenriquedePaula #FernandaMaia #GregKotis #MarkHollmann #peçadeteatro #teatro #BrunaGuerin #CaioSalay #DanielCosta #LucianaRamanzini #RoneyFacchini
















