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  • Mercado Editorial: Livros - Lançamentos em julho e agosto de 2020

    A vida vai voltando ao normal. Pouco a pouco, aqui e acolá, tudo parece retornar aos trilhos. Ora mais ora menos, a locomotiva chamada rotina já parece funcionar como antes para muita gente. No mercado editorial não é diferente. As livrarias reabriram nas principais cidades brasileiras. As editoras retomaram projetos interrompidos. Os escritores voltaram a entregar originais aos editores. Novos títulos já são vistos nas prateleiras das lojas. Feiras e eventos literários outrora cancelados foram reagendados. E (quem diria?!) os leitores, até então ressabiados, já se mostram mais animados para embarcar em novas compras. É a roda voltando a girar e as melancias se ajeitando no balanço da carroça. Contudo, quando analisamos os livros lançados neste bimestre no Brasil, notamos que os resquícios da parada dos negócios dos últimos meses ainda são evidentes no mercado editorial. Em julho e agosto de 2020, por exemplo, as publicações de novas obras foram muito menores do que no ano passado. Até aí nenhuma surpresa. O problema principal é outro. A maioria dos títulos que chegou às livrarias é, infelizmente, composta de relançamentos (livros antigos que ganharam novas roupagens). Isso se aplica tanto à ficção nacional quanto à literatura internacional. Novidade mesmo é ainda artigo raro nas prateleiras. Tenhamos um pouquinho de paciência, por favor! Para você não perder os principais lançamentos do mercado editorial (mesmo quando não temos tantas novidades quanto gostaríamos), preparei uma lista com os novos livros que chegaram às livrarias brasileiras nos últimos dois meses. Entre os títulos ficcionais (romances, novelas, coletâneas de contos e de crônicas, ensaios e literatura infantojuvenil) e as coletâneas poéticas, foram publicadas, em nosso país, 55 obras em julho e agosto. Confira, a seguir, minha listagem: Ficção Brasileira: “A Tensão Superficial do Tempo” (Todavia) – Cristóvão Tezza – Romance – 272 páginas. “Quincas Borba” (Editora Unesp) – Machado de Assis – Romance – 254 páginas. “Menino de Engenho” (Global) – José Lins do Rego – Romance – 144 páginas. “Triste Fim de Policarpo Quaresma” (Editora Unesp) – Lima Barreto – Romance – 248 páginas. “O Sedutor do Sertão” (Nova Fronteira) – Ariano Suassuna – Romance – 248 páginas. “As Confissões de Frei Abóbora” (Melhoramentos) – José Mauro de Vasconcelos – Romance – 416 páginas. “Talvez Ela Não Precise de Mim: Diários de Uma Mãe em Quarentena” (Todavia) – Ana Virginia Baloussier – Novela – 80 páginas. “Quando o Sangue Sobe à Cabeça” (Lote 42) – Anna Muylaert – Coletânea de contos – 136 páginas. “Entre Amar e Morrer, Eu Escolho Sofrer: Um Conto da Pandemia” (Todavia) – Sacolinha – Conto– 40 páginas. “Machado de Assis Afrodescendente” (Malê) – Machado de Assis – Coletânea de crônicas – 352 páginas. “De Paris” (Alameda) – Domício da Gama – Coletânea de crônicas – 430 páginas. “O Sorriso do Leão” (Rua do Sabão) – Leonardo Garzaro – Literatura Infantojuvenil – 320 páginas. “Perdido na Amazônia 1: Dan Contra a Terrível Doutora Nova” (Global) – Toni Brandão – Literatura Infantojuvenil – 176 páginas. “O Pomo Dourado” (Avá) – Kaiser Dias Schwarcz – Literatura Infantojuvenil – 48 páginas. “(Des)apontado” (Amelí) – Edith Chacon & Priscilla Ballarin – Literatura Infantojuvenil – 32 páginas. “A Lesma e a Linha” (Editora do Brasil) – Bia Villela – Literatura Infantojuvenil – 24 páginas. “Pontos de Interrogação” (Global) – Tatiana Belinky – Literatura Infantojuvenil – 24 páginas. “O Elefante e o Urubu – Um Encontro com a Leveza” (Saíra Editorial) – Mauro Pereira Alvim – Literatura Infantojuvenil – 21 páginas. “O Macaco” (Global) – Mary França & Lucas França – Literatura Infantojuvenil – 16 páginas. “Soltei o Pum no Banho” (Companhia das Letrinhas) – Blandina Franco & José Carlos Lollo – Literatura Infantojuvenil – 10 páginas. Ficção Estrangeira: “As Outras Pessoas” (Intrínseca) – C. J. Tudor (Inglaterra) – Romance – 304 páginas. “Bluebird, Bluebird” (Vestígio) – Attica Locke (Estados Unidos) – Romance – 304 páginas. “A Casa Holandesa” (Intrínseca) – Ann Patchett (Estados Unidos) – Romance – 240 páginas. “Hereges de Duna” (Aleph) – Frank Herbert (Estados Unidos) – Romance – 568 páginas. “Damas da Lua” (Moinhos) – Jokha Alharthi (Omã) – Romance – 240 páginas. “Com Amor, Creekwood” (Intrínseca) – Becky Albertalli (Estados Unidos) – Rop mance – 144 páginas. “O Tempo em Marte” (Aleph) – Philip K. Dick (Estados Unidos) – Romance – 320 páginas. “Trânsito” (Todavia) – Rachel Cusk (Canadá) – Romance – 200 páginas. “Tom Clancy´s The Division: Broken Dawn” (Galera) – Alex Irvine (Estados Unidos) – Romance – 308 páginas. “O Caderno de Receitas do Meu Pai” (Bertrand Brasil) – Jacky Durand (França) – Romance – 168 páginas. “A Morte de Ivan Ilitch” (Antofágica) – Liev Tolstói (Rússia) – Romance – 312 páginas. “Estrela Vermelha: Uma Utopia” (Boitempo) – Alelsandr Bogdánov (Rússia) – Romance – 184 páginas. “Histórias Extraordinárias” (Editora Unesp) – Edgar Allan Poe (Estados Unidos) – Romance – 254 páginas. “A Relíquia” (Editora Unesp) – Eça de Queirós (Portugal) – Romance – 256 páginas. “A Cidade Ene” (Kalinka) – Leonid Dobýtchin (Rússia) – Romance – 142 páginas. “O Idiota” (Editora 34) – Fiódor Dostoiévski (Rússia) – Romance – 712 páginas. “O Amante” (Tusquets) – Marguerite Duras (França) – Romance – 128 páginas. “Fragmentos de Um Diário Encontrado” (Hedra) – Mikhail Sebastian (Romênia) – Novela – 96 páginas. “Contos” (Editora Unesp) – Guy de Maupassant (França) – Coletânea de Contos – 152 páginas. “Coraline” (Intrínseca) – Neil Gaiman (Inglaterra) – Literatura Infantojuvenil – 224 páginas. “O Homem-cão: O Confronto Selvagem” (Companhia das Letrinhas) – Dav Pilkey (Estados Unidos) – Literatura Infantojuvenil – 224 páginas. “Fada Mamãe e Eu 2” (Galera Junior) – Sophie Kinsella (Inglaterra) – Literatura Infantojuvenil – 176 páginas. “Eu Sou Uma Menina” (Brinque-Book) – Yasmeen Ismail (Irlanda) – Literatura Infantojuvenil – 33 páginas. “Era Uma Vez Uma Casa” (Amelí) – Dagmar Urbánková (República Tcheca) – Literatura Infantojuvenil – 28 páginas. Poesia Brasileira: “A Clareira e a Cidade” (Urutau) – Rodrigo Novaes de Almeida – 68 páginas. “A Casa Invisível” (7 Letras) – Aurea Domenech – 160 páginas. “Canto Enforcado em Vento” (Kotter) – Rodrigo Gonçalves – 114 páginas. “Imigram Meus Pássaros” (Penalux) – Luciana Nabuco – 118 páginas. “Uma Alegria Estilhaçada: Poesia Brasileira 2008-2018” (Escamandro & Macondo) – Gustavo Silva Ribeiro (org.) – 178 páginas. Poesia Internacional: “Da Presença da Ausência” (Tabla) – Mahmud Darwich (Palestina) – 184 páginas. “Somente Nossos Corações Vão Debater Bravamente” (Figura de Linguagem) – June Jordan (Estados Unidos) – 120 páginas. “Estilhaços – Antologia de Poesia Haitiana Contemporânea” (Demônio) – Henrique Amaral (org.) – 78 páginas. “No Reino da Dinamarca” (Moinhos) – Alexandre O´Neill (Portugal) – 54 páginas. “Dez Poemas Mudados para o Português” (Demônio) – Herberto Helder (org.) – 36 páginas. “Poesia [Gedicht]” (Demônio Negro) – Hermann Hesse (Alemanha) – 24 páginas. Em outubro, a coluna Mercado Editorial trará os lançamentos de setembro e outubro, o quinto e penúltimo bimestre de 2020. Até mais! Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você se interessa por informações do mercado editorial, deixe aqui seu comentário. Para acessar outras notícias dessa área, clique em Mercado Editorial. E aproveite para nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.

  • Filmes: Babenco - O representante brasileiro no Oscar de 2021

    Quando a Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais anunciou, no mês passado, a indicação de “Babenco - Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou” (2019) como o representante brasileiro ao Oscar de 2021, confesso ter torcido o nariz. Minha resistência inicial tinha alguns motivos aparentemente claros: (1) tratava-se de um documentário (gênero, queiramos ou não, com menor apelo em relação aos longas-metragens ficcionais); (2) era uma produção de um(a) diretor(a) estreante (pela primeira vez, Bárbara Paz lançava-se na condução dos trabalhos cinematográficos); (3) esse filme apresentava a trajetória pessoal e profissional de Héctor Babenco, um dos principais cineastas do nosso país (minha sensação era que a Academia Brasileira estava homenageando um dos seus...); e (4) não saía da minha cabeça o histórico recente de escolhas polêmicas da entidade responsável pela seleção do representante nacional à maior premiação do cinema mundial (estaríamos diante de mais uma decisão controversa, hein?!). Preconceito da minha parte? Sim! Essa constatação ficou mais evidente para mim na quarta-feira passada, dia 9, quando fui ao Espaço Itaú de Cinema do Shopping Bourbon Pompéia para assistir a “Babenco”. Bastaram os primeiros trinta minutos de sessão para eu rever totalmente o meu julgamento prévio. Ao final do filme, levantei-me da poltrona com a sensação de que essa foi a melhor indicação brasileira ao Oscar desde “Cidade de Deus” (2002) há quase duas décadas. Se a trama ficcional de Fernando Meirelles promoveu várias inovações cinematográficas naquela época (ao ponto de ser um raríssimo caso de produção estrangeira a ser indicado a quatro categorias do Oscar – MAS NÃO FOI INDICADO AO MELHOR FILME ESTRANGEIRO!!!), o filme de Bárbara Paz traz gratas novidades de ordem narrativa. É até difícil enxergá-lo como um documentário convencional – ele até pode ser um documentário, mas convencional não é, não! O principal mérito de “Babenco” está em subverter a lógica de seu gênero. Esqueça, portanto, a pegada formal, séria, didática e linear dos documentários. O filme de Bárbara Paz mistura vários planos narrativos em uma única linha de relato. Assim, temos várias dicotomias caminhando lado a lado: realidade (cenas da vida de Héctor Babenco) versus ficção (cenas de sua filmografia); relato da carreira do diretor versus intimidade de sua rotina doméstica; presente (fase idosa, pouco antes de morrer) versus passado (infância, mocidade, início no cinema e auge na carreira); universo onírico (sonhos e fantasias do cineasta) versus brutalidade da vida concreta (doenças, visitas aos hospitais, debilidades física e cognitiva); tom de documentário (entrevistas e imagens de Héctor) versus tom de ficção (encenações do que ele e a diretora gostariam de ver representado na tela); e pegada de produção experimental (Babenco ensina Bárbara Paz a como filmar) e pegada de produção de altíssimo nível (a diretora não estava aprendendo nada, ela já sabia o que fazer desde o início). É ou não é incrível uma construção narrativa tão plural e ousada como essa? Admito ter ficado de queixo caído com essa proposta riquíssima. Além de representar o Brasil no Oscar do ano que vem, “Babenco - Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou” conquistou alguns prêmios cinematográficos internacionais. O mais relevante foi o Leão de Ouro do Festival Internacional de Cinema de Veneza de 2019. O filme de Bárbara Paz ganhou o prêmio da crítica independente. Nesse mesmo evento, ele também venceu como melhor documentário sobre cinema. Apesar de sua estreia ter sido em setembro de 2019, no próprio Festival de Cinema de Veneza, “Babenco” só agora chegou ao circuito comercial brasileiro. Até então, ele estava sendo exibido apenas em festivais cinematográficos no país e no exterior. Esse longa-metragem nasceu de um desejo íntimo de Héctor Babenco, cineasta argentino que escolheu o Brasil como sua pátria. Após passar as últimas quatro décadas filmando – suas produções mais marcantes são “Pixote - A Lei do Mais Fraco” (1980), “O Beijo da Mulher Aranha” (1984) e “Carandiru” (2003) –, ele queria fazer um filme derradeiro. E como tema escolheu seus últimos momentos de vida. “Eu já vivi minha morte. Agora só falta fazer um filme sobre ela”, disse para as câmeras do documentário. Aos 70 anos, Babenco estava muito debilitado e sabia que não restava muito tempo de vida. Ele faleceu em julho de 2016, em São Paulo. Coube a esposa do argentino, Bárbara Paz, realizar e viabilizar seu último pedido. Nascida no Rio Grande do Sul, Bárbara Paz se tornou conhecida do grande público entre 2000 e 2001, quando participou e venceu o reality show “A Casa dos Artistas”. A partir daí, ela engatou uma carreira exitosa como atriz, primeiro no SBT e no teatro e depois na Rede Globo e no Cinema. Bárbara protagonizou o último filme de Héctor Babenco, “Meu Amigo Hindu” (2016), lançado pouco depois do falecimento do diretor. Como já falei, “Babenco” é o primeiro trabalho de Paz na direção de um longa-metragem. A atriz-diretora gaúcha e o cineasta argentino se conheceram em 2007. Vindos de relacionamentos longos (ele com a atriz Xuxa Lopes, ela com o ator Dalton Vigh), os dois começaram a namorar naquele ano e, em 2010, se casaram. Entre idas e vindas, a união seguiu até a morte de Héctor. O documentário mostra parte da intimidade do casal e a luta de ambos para vencer as doenças dele. Héctor foi diagnosticado com câncer aos 38 anos de idade. Na época, ele vivia o auge profissional, fora indicado ao Oscar de melhor diretor por “O Beijo da Mulher Aranha”, e ouviu dos médicos que não tinha mais do que alguns meses de vida. Desde então, ele tem feito cinema como uma forma de fugir da morte. Filmado em preto e branco, “Babenco - Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou” tem 75 minutos de duração. O filme não tem um enredo linear. Basicamente, assistimos à mistura de trechos da vida de Héctor em 2015 e 2016 (já muito debilitado pela idade avançada e, principalmente, pelas doenças crônicas) com episódios antigos (cenas da infância, da juventude e da plenitude profissional, quando já gravava títulos de destaque). Além disso, a produção ainda insere trechos dos filmes do diretor (curiosamente, as passagens cinematográficas dialogam intimamente com a biografia do cineasta), criações ficcionais (sonhos do argentino, por exemplo) e montagens especiais (reunião dos amigos para um funeral cênico de Héctor). Um dos elementos que mais chama a atenção em “Babenco” é a sua forte intertextualidade cinematográfica. O filme de Bárbara Paz não apenas presta um tributo à filmografia de Héctor Babenco como também homenageia alguns clássicos da sétima arte. Em relação ao portfólio do diretor argentino, a relação é mais direta. Afinal, assistimos aos trechos dos seus principais trabalhos ficcionais. Nesse momento, ficamos de boca aberta com as atuações inesquecíveis de Paulo José (em “O Rei da Noite”), Reginaldo Faria (em “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia”), Marília Pêra e Fernando Ramos da Silva (em “Pixote – A Lei do Mais Fraco”), Sônia Braga, William Hurt e Raúl Juliá (em “O Beijo da Mulher Aranha), Luiz Carlos Vasconcelos e Milton Gonçalves (em “Carandiru”), Gabriel García Bernal e Paulo Autran (em “O Passado”) e Willem Dafoe (em “Meu Amigo Hindu”). Quanto às citações cinematográficas gerais, aí a pegada é mais sutil. Frases, flashs e músicas fazem referência aos longas-metragens preferidos de Héctor. Obviamente, irá aproveitar muuuito mais o documentário quem conhecer a fundo a trajetória artística de Babenco. Outro ponto admirável é a atuação/participação de Bárbara Paz no filme. Ela incorpora o papel de diretora e, assim, não tem a vaidade de querer aparecer o tempo todo na frente da tela. A gaúcha não invade o espaço do marido, o verdadeiro protagonista da história. Suas intervenções são certeiras e necessárias. Até mesmo a parte mais apelativa e constrangedora do filme (Bárbara dança nua “Singing In The Rain”) é compreensível. Tratava-se de um pedido de Babenco – ele queria que aquela fosse a última cena em que dirigisse. Em outras palavras, Bárbara Paz não age como Pilar del Río em “José e Pilar” (José y Pilar: 2010). No documentário sobre José Saramago, a esposa espanhola tenta a todo momento escantear o escritor português do próprio filme dele (ela achava que o filme era dela!). O que mais gostei em “Babenco” foi o tipo de narrativa escolhido. O filme conta a história de seu protagonista por uma linguagem inovadora. Tão importante quanto o conteúdo é a forma como a trama é apresentada ao público. Com uma pegada não linear e um tom aparentemente caótico, o documentário exige certo repertório da plateia e, principalmente, algum grau de concentração do espectador. Dessa maneira, esse não é um longa-metragem para todos os tipos de público. Infelizmente, a maioria dos frequentadores das salas de cinema exige atualmente narrativas de degustação fácil, rápida e empolgante (leia-se: apreciadores de filmes de super-heróis). Se esse é o seu gosto, talvez “Babenco” não agrade tanto. Por outro lado, se você tiver sensibilidade, algum conhecimento cinematográfico e poder mínimo de concentração, na certa ficará encantado(a) com essa experiência audiovisual. Esse documentário é ao mesmo tempo uma ode à vida e ao cinema. A mensagem de “Babenco” é que a paixão por filmar salvou Héctor da morte precoce. Lembremos o prognóstico médico de quando ele tinha 38 anos! Os poucos meses de vida se transformaram em mais de três décadas de existência. A ânsia por produzir novos longas-metragens, o vício por gravar e a vontade descontrolada em contar histórias acabaram adiando o encontro com a ceifadora. Você até pode não ser fã do cinema de Héctor Babenco (confesso que nunca fui), mas dificilmente você sairá da sessão sem admirá-lo como pessoa e artista. “Babenco” é um filme simplesmente brilhante. Se a premiação do Oscar fosse pautada exclusivamente pelos critérios técnico-artísticos, diria que essa produção de Bárbara Paz é uma das favoritas à estatueta. Contudo, sabemos o quão político é esse tipo de evento, ainda mais na categoria de melhor documentário. Historicamente, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles escolhe seus premiados mais pela temática, pela autoria e pela ideologia das produções não ficcionais. Sob esse ponto de vista, não sei se “Babenco” tem lá grandes chances de sair laureado – talvez seu objetivo seja ficar entre os finalistas, algo que “Democracia Em Vertigem” (2019), de Petra Costa, conseguiu alcançar na última cerimônia. Porém, que o documentário sobre Héctor Babenco merece sim uma estatueta bem dourada, isso também é verdade. Assista, a seguir, ao trailer de “Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou”: A nota triste da semana é que os cinemas em São Paulo continuam às moscas. Já tinha comentado essa particularidade no finalzinho do post sobre “Tenet” (2020). Na sessão de “Babenco”, na quarta-feira passada, tinha apenas uma pessoa comigo na sala. E olha que se tratava de uma exibição noturna. Nas demais sessões do Espaço Itaú de Cinema do Shopping Bourbon Pompéia, não encontrei mais do que meia dúzia de frequentadores. É de assustar essa debandada das exibições cinematográficas. E não me venha dizer que é precaução contra o Covid-19. Pelo movimento incessante nas lojas dos shoppings nos últimos dias, o povo não parece muito receoso com as possíveis contaminações. O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. 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  • Melhores Músicas Ruins: Um panorama histórico

    O que caracteriza um clássico? Esta pergunta levanta debates acalorados. Alguns acreditam que as obras de qualidade muito acima da média devem ser classificadas como clássicas. Outros afirmam que para receber esta nomenclatura, a obra precisa ficar para a posterioridade. E há quem ache que a somatória dos dois conceitos anteriores é o que faz um clássico. Desta forma, sempre fico em dúvida se posso chamar as músicas que marcaram uma época, apesar de não serem de grande qualidade, de clássicas. Aposto que quem tem mais de trinta anos conhece de cabeça as letras das músicas abaixo. É difícil até não cantarolá-las. Independente se as achamos de boa qualidade ou não, podemos chamá-las de clássicas da música popular? Juro que não sei. Abaixo vão 25 músicas que são difíceis de não serem cantaroladas e que, queiramos ou não, fazem parte de nossa cultura musical. Terra Samba - Libera Geral Katinguele - Lua Vai Só Pra Contrariar - Depois do Prazer Rick e Renner - Ela é Demais Kelly Key - Cachorrinho Só Pra Contrariar - A Barata Mc Marcinho - Glamurosa Art Popular - Pagode da Amarelinha É o Tchan - Melo do Tchan Mamonas Assassinas - Pelados em Santos Jota Quest - Fácil Bonde do Tigrão - Cerol na Mão Claudinho e Buchecha - Quero Te Encontrar Cheiro de Amor - Vai Sacudir, Vai Abalar Banda Eva - Vem meu Amor Ara Ketu - Mal Acostumada Asa de Águia - Xô Satanás As Meninas - Xibom Bombom Leandro e Leonardo - Eu Juro Grupo Raça - Tô Legal Exaltasamba - Me Apaixonei Pela Pessoa Errada Titirica - Florentina Wando - Fogo e Paixão Gabriel Pensador - Loira Burra Só Pra Contrariar - Mineirinho Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de canções boas de verdade, acesse a coluna Músicas. Para ver as demais edições deste prêmio, clique em Melhores Músicas Ruins. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #MelhoresMúsicasRuins

  • Melhores Músicas Ruins: Aperitivo para a premiação de 2016

    Aqui vai um aperitivo do que tenho ouvido nesse ano. Para quem não sabe, eu coleciono música ruim. Quanto pior, melhor. A lista final ficará pronta somente no final do ano na eleição das Melhores Músicas Ruins de 2016. Para aqueles que não conseguem esperar pelos vencedores, segue uma pequena amostra de algumas canções que encheram meus ouvidos nada sensíveis nos últimos meses. E imaginar que estamos ainda no começo de junho... O ano promete! “Isso Cê num conta” – Bruno e Marrone “Essa Mina é Louca” – Anitta e Jhana “Tá tranquilo, tá favorável” – MC Bin Laden "De Ladin” – Dream Team do Passinho “Nada, nada” – Henrique e Juliano “Camarote” – Wesley Safadão “Baile da Favela” – MC João (Kondzilla) "Química" – Biel “Pisadinha” – Alex Ferrari “Quando o Mel é Bom” – Simone e Simaria "Metralhadora” – Banda Vingadora “Infiel” – Marília Mendonça “Melhor Assim” – Biel e Ludmilla “Ai Ai Ai Ui Ui” – Thaeme & Thiago “Boca a Boca” – Janderson & Anderson "Gelo na Balada" - Camila e Haniel A divulgação das Melhores Músicas Ruins de 2016 acontecerá aqui no Blog Bonas Histórias em dezembro. Não perca! Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de canções boas de verdade, acesse a coluna Músicas. Para ver as demais edições deste prêmio, clique em Melhores Músicas Ruins. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #MelhoresMúsicasRuins

  • Músicas: Cinquentenário do II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record

    Você é "A Banda" ou é "Disparada"?. Esta era uma pergunta corriqueira nas ruas do país há exatos cinquenta anos. Naquela época, a população brasileira estava polarizada não pela política, como nos dias de hoje, e sim pela música. As canções compostas por Chico Buarque e por Geraldo Vandré/Theo de Barros dividiam corações. A mobilização foi tamanha que as duas canções ganharam torcidas apaixonadas. Isso era reflexo da popularidade do Festival da Música Popular Brasileira da TV Record. Em sua segunda edição, realizada entre setembro e outubro de 1966, os principais compositores e interpretes do país apresentavam suas novidades em busca do Prêmio Viola de Ouro, entregue para a melhor música. Naquele festival, realizado no Teatro Record, na cidade de São Paulo, foram ao palco Elza Soares cantando "De amor ou paz" (de Luís Carlos Paraná e Adauto Santos), Jair Rodrigues com "Canção para Maria" (Paulinho da Viola e Capinam), o grupo MPB-4 interpretando "Canção de Não Cantar" (de Sérgio Bittencourt), Elis Regina com "Ensaio Geral" de Gilberto Gil) entre outros. Contudo, quem chamou mais a atenção dos jurados e do público foi Nara Leão cantando "A Banda" (de Chico Buarque) e Jair Rodrigues com "Disparada" (Geraldo Vandré e Theo de Barros). "Disparada" foi a canção de protesto mais enfática feita no país até então. Era o início da Ditadura Militar e começavam a pipocar músicas contra o golpe de 1964. Na voz grossa e potente de Jair Rodrigues, que vivia seu auge como interprete, a canção ganhava mais força. A letra de Geraldo Vandré (a melodia é de Theo de Barros) fazia uma comparação entre a vida das pessoas e a vida do gado. Assim, como a boiada era confinada e conduzida coercitivamente, o personagem da música, um vaqueiro, era oprimido pelos patrões. Os fazendeiros não eram apenas donos dos animais e das terras, mas também das pessoas. O vaqueiro queria sua liberdade. "Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui rei/ Não por mim nem por ninguém, que junto comigo houvesse/ Que quisesse ou que pudesse, por qualquer coisa de seu/Por qualquer coisa de seu, querer ir mais longe do que eu" diz o desfecho da canção, livrando o personagem do aprisionamento ideológico imposto pelos patrões. Veja a seguir a interpretação de Jair Rodrigues no Festival de 1966 e a letra completa da música: "Disparada" (Geraldo Vandré/Theo de Barros): Prepare o seu coração Pras coisas Que eu vou contar Eu venho lá do sertão Eu venho lá do sertão Eu venho lá do sertão E posso não lhe agradar Aprendi a dizer não Ver a morte sem chorar E a morte, o destino, tudo A morte e o destino, tudo Estava fora do lugar Eu vivo pra consertar Na boiada já fui boi Mas um dia me montei Não por um motivo meu Ou de quem comigo houvesse Que qualquer querer tivesse Porém por necessidade Do dono de uma boiada Cujo vaqueiro morreu Boiadeiro muito tempo Laço firme e braço forte Muito gado, muita gente Pela vida segurei Seguia como num sonho E boiadeiro era um rei Mas o mundo foi rodando Nas patas do meu cavalo E nos sonhos Que fui sonhando As visões se clareando As visões se clareando Até que um dia acordei Então não pude seguir Valente em lugar tenente E dono de gado e gente Porque gado a gente marca Tange, ferra, engorda e mata Mas com gente é diferente Se você não concordar Não posso me desculpar Não canto pra enganar Vou pegar minha viola Vou deixar você de lado Vou cantar noutro lugar Na boiada já fui boi Boiadeiro já fui rei Não por mim nem por ninguém Que junto comigo houvesse Que quisesse ou que pudesse Por qualquer coisa de seu Por qualquer coisa de seu Querer ir mais longe Do que eu Mas o mundo foi rodando Nas patas do meu cavalo E já que um dia montei Agora sou cavaleiro Laço firme e braço forte Num reino que não tem rei Na boiada já fui boi Boiadeiro já fui rei Não por mim nem por ninguém Que junto comigo houvesse Que quisesse ou que pudesse Por qualquer coisa de seu Por qualquer coisa de seu Querer ir mais longe Do que eu Mas o mundo foi rodando Nas patas do meu cavalo E já que um dia montei Agora sou cavaleiro Laço firme e braço forte Num reino que não tem rei "A Banda", por sua vez, era o oposto, uma canção de contraprotesto. Composta pelo até então desconhecido Chico Buarque (na época um estudante universitário de classe média que tentava seus primeiros passos na carreira musical), a letra propunha uma busca pela simplicidade da vida cotidiana em oposição a obsessão panfletária que tomava conta do país. A passagem de uma banda de música pela cidade muda o cotidiano das pessoas por alguns instantes. Esta fração do tempo é suficiente capaz de alimentar o coração e os sonhos dos habitantes, que se esquecem dos seus problemas, das suas frustrações e da violência dos militares. Assim, "A Banda" é uma manifesto lírico de um Brasil poético e humano. Cantando pela voz doce da carismática Nara Leão, a canção rapidamente chega ao sucesso. O disco com a música vendeu em uma semana mais de 100 mil exemplares em setembro de 1966. Veja a seguir a interpretação de Chico Buarque e Nara Leão na final do Festival e a letra da música na íntegra. "A Banda" (Chico Buarque): Estava à toa na vida O meu amor me chamou Pra ver a banda passar Cantando coisas de amor A minha gente sofrida Despediu-se da dor Pra ver a banda passar Cantando coisas de amor O homem sério que contava dinheiro parou O faroleiro que contava vantagem parou A namorada que contava as estrelas Parou para ver, ouvir e dar passagem A moça triste que vivia calada sorriu A rosa triste que vivia fechada se abriu E a meninada toda se assanhou Pra ver a banda passar Cantando coisas de amor Estava à toa na vida O meu amor me chamou Pra ver a banda passar Cantando coisas de amor A minha gente sofrida Despediu-se da dor Pra ver a banda passar Cantando coisas de amor O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou A moça feia debruçou na janela Pensando que a banda tocava pra ela A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu A lua cheia que vivia escondida surgiu Minha cidade toda se enfeitou Pra ver a banda passar cantando coisas de amor Mas para meu desencanto O que era doce acabou Tudo tomou seu lugar Depois que a banda passou E cada qual no seu canto Em cada canto uma dor Depois da banda passar Cantando coisas de amor Depois da banda passar Cantando coisas de amor O público ficou completamente dividido no auditório ao ouvir estas duas canções que se tornaram, mais tarde, clássicas de nossa cultura popular. Metade dos presentes queria que "A Banda" vencesse. A outra parte queria que a vitoriosa fosse "Disparada". A expectativa pela decisão só aumentou quando os jurados declaram que precisavam de mais tempo para julgar. Desta forma, a decisão final foi postergada em algumas semanas. Em outubro de 1966, o auditório da Record em São Paulo esteve novamente lotado. O primeiro colocado seria, enfim, anunciado. Na frente da televisão, milhões de pessoas acompanhavam a cerimônia. Os jornais divulgavam em suas manchetes o evento. O clima era parecido ao de uma final de campeonato de futebol, com as duas torcidas fazendo barulho e vibrando pela sua canção favorita. A rivalidade era tanta que uma torcida chegava a vaiar efusivamente a outra quando esta era cantada. Isso fica evidente no vídeo em que Chico Buarque e Nara Leão cantam "A Banda". Para evitar uma vaia maior de sua torcida aos adversários, Jair Rodrigues educadamente fica ao lado de Chico e Nara batendo palmas e cantarolando a música rival. Ao final das apresentações, saiu o resultado. O primeiro lugar ficou com "A Banda" e com "Disparada". O empate foi a única solução encontrada para elucidar a dúvida de qual era melhor. Pela primeira (e única vez), o Festival terminou empatado com dois vencedores. Nada mais justo. Este era o Brasil de cinquenta anos atrás. Que tal este post e o conteúdo do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para acessar os demais posts sobre o universo musical, clique em Músicas. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #ChicoBuarque #GeraldoVandré #TheodeBarros #NaraLeão #JairRodrigues

  • Músicas: Mamonas Assassinas – 20 anos do sucesso meteórico

    Em 1995, a música brasileira foi atingida por um fenômeno difícil de explicar tanto naquela época quanto hoje em dia. Uma banda juvenil e amadora de Guarulhos chegou ao primeiro lugar das paradas de sucesso com paródias bem-humoradas de grandes hits nacionais e internacionais. As letras engraçadas das canções, o visual escrachado dos garotos, o humor politicamente incorreto das músicas, a mistura de gêneros musicais e o comportamento irreverente da banda conquistaram primeiramente as crianças e depois o Brasil inteiro. Estou falando, obviamente, dos Mamonas Assassinas, o sucesso meteórico da metade da década de 1990. A fama dos Mamonas Assassinas durou pouco mais de um semestre. O único álbum do grupo formado por Dinho (o vocalista e o líder da trupe), Bento Hinoto (guitarrista), Júlio Rasec (vocal de apoio e tecladista), Samuel Reoli (baixista) e Sérgio Reoli (baterista) foi lançado meio que sem querer em maio de 1995. Os Mamonas Assassinas assinaram um contrato com a poderosa gravadora EMI por insistência do filho adolescente do vice-presidente da companhia. O garoto ficou fã da fita demo que encontrou na gravadora e não parava de escutá-la. Perplexos com aquilo, os diretores e produtores da empresa passaram a dar mais atenção ao jovem grupo dono da fita. Assim, os cinco meninos de Guarulhos conseguiram seu contrato e a gravação do seu primeiro (e único) disco. O sucesso foi imediato. Assim que a Rádio Rock tocou pela primeira vez “Vira-Vira”, o público correu às lojas para adquirir o CD. Um fenômeno assim é extremamente raro. Foram vendidas mais de 25 mil cópias de “Mamonas Assassinas” (o álbum tinha o mesmo nome da banda) nas primeiras 12 horas após a primeira execução na rádio. Este é até hoje o disco de estreia mais vendido da história da música brasileira, com quase 2,5 milhões de unidades comercializadas. Em números absolutos, “Mamonas Assassinas” é o décimo álbum de maior sucesso do país. O grupo fez tanto sucesso que, no segundo semestre de 1995, a gravadora fez um acordo inusitado com a Rede Globo e com o SBT. A cada domingo, os Mamonas visitariam um programa de televisão das líderes de audiência. Assim, não haveria concorrência desleal. Se eles fossem ao Domingão do Faustão em uma semana, na semana seguinte a visita seria ao Domingo Legal. E não é errado afirmar que o país parava para ver as músicas malucas do quinteto. “Mamonas Assassinas” tem 14 músicas. As canções mais famosas do álbum são “Pelados em Santos”, a terceira música mais tocada no Brasil em 1995, e “Vira-Vira”, uma espécie de hino do grupo. Enquanto “Pelados em Santos” é uma paródia de “Crocodile Rock” de Elton John, “Vira-Vira” é uma paródia das músicas de Roberto Leal, famoso cantor português. Impossível não rir ainda hoje com suas letras surpreendentes e profundamente irreverentes. Contudo, o álbum não se resume a essas duas faixas. “Mamonas Assassinas” tem uma música melhor do que a outra. “Robocop Gay”, “Mundo Animal”, “Chopis Centis”, “Jumento Celestino”, "Bois Don't Cry", “1406” e “Uma Arlinda Mulher” também são magníficas. Cada uma delas faz uma sátira a algum cantor ou tipo de pessoa. Não sei se o humor politicamente incorreto dos meninos de Guarulhos faria sucesso atualmente, mas naquela época eles eram ovacionados nos quatro cantos do país. Completam o álbum, “Sabão Crá-Crá”, “Cabeça de Bagre II”, “Débil Mental”, “Sábado de Sol” e “Lá Vem o Alemão”. Infelizmente, essa história surpreendente terminou de maneira trágica. Na manhã de 2 de março de 1996, há exatos 20 anos, o avião que trazia para São Paulo os Mamonas Assassinas de um show em Brasília se chocou com a Serra da Cantareira. Os meninos que fizeram o país inteiro chorar de rir, naquela manhã fizeram seu público chorar de tristeza. Para lembrar esse marcante grupo da década de 1990, convido a todos para escutar novamente o álbum “Mamonas Assassinas”. É inegável o talento desses garotos e o quão engraçadas são suas criações. Sinceramente, não sei qual canção é a melhor. Talvez, não haja uma música definitiva, mas sim um disco eterno. Ouça na íntegra “Mamonas Assassinas”: E boas risadas a todos! Que tal este post e o conteúdo do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para acessar os demais posts sobre o universo musical, clique em Músicas. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #MamonasAssassinas

  • Músicas: Cartola - 40 anos do disco de ouro de um gênio

    Em 1976, Cartola gravou seu segundo disco. A primeira gravação tinha acontecido dois anos antes, quando o músico tinha 66 anos. Naquele momento, ele já não acreditava mais que seria possível ouvir sua própria voz em um disco. Mesmo sendo reverenciado no mundo musical por grandes intérpretes (Carmen Miranda, Elis Regina e Francisco Alves cantaram suas músicas), o carioca de origem simples que frequentou a escola apenas até o terceiro ano primário nunca tinha sido, até então, procurado por uma gravadora. Isso mudou em 1974. O primeiro disco de Cartola foi sucesso de crítica e de público. A maior prova disso foi que dois anos depois a sua segunda gravação reuniu a nata da música nacional. Os melhores músicos e produtores da época se envolveram diretamente com esta gravação. O resultado foi a criação de uma obra-prima da música popular brasileira, ainda melhor e mais bem-sucedida do que a primeira. Cartola lançou neste disco de 1976 suas duas músicas mais importantes e conhecidas: "As Rosa não Falam" e "O Mundo É um Moinho". Porém, este não é um disco de apenas duas canções. Somente quando se ouve todas as faixas é possível ver a grandiosidade desta obra e a genialidade de Cartola. Neste LP há "Sala de Recepção" (samba, de 1942, feito em homenagem à Mangueira, escola do compositor), "Peito Vazio", de 1961, e "Preciso Me Encontrar", canção de Candela. Destaques também para "Ensaboa", "Minha" e "Cordas de Aço", que fecha a gravação. O sucesso do disco foi imediato. "As Rosas não Falam" virou trilha de novela da Rede Globo e tornou Cartola ainda mais popular. Os jornais da época não se cansaram de elogiar o artista. Na capa do LP, surge Cartola de óculos escuros na janela de sua residência no morro da Mangueira. Ao seu lado estava sua terceira e última esposa, Eusébia Silva do Nascimento. A homenagem à mulher de Cartola, mais conhecida como Dona Zica, foi justíssima. Afinal, foi ela quem precipitou a criação de "As Rosa não Falam". Vendo o jardim de casa cheio de rosas pela primeira vez, Dona Zica gritou para o marido: "Cartola, vem ver! Por que nasceu tantas rosas assim?". Ele simplesmente respondeu: "Não sei, Zica. As rosas não falam...". Estava criada parte dos versos da música mais famosa de Cartola. Veja a letra da música: As Rosas Não Falam - Cartola (1974) Bate outra vez Com esperanças o meu coração Pois já vai terminando o verão Enfim... Volto ao jardim Com a certeza que devo chorar Pois bem sei que não queres voltar Para mim Queixo-me às rosas Mas que bobagem As rosas não falam Simplesmente as rosas exalam O perfume que roubam de ti, ai Devias vir Para ver os meus olhos tristonhos E, quem sabe, sonhavas meus sonhos Por fim... A primeira faixa do disco é "O Mundo É um Moinho". Esta música foi composta por Cartola em 1973, mas ficou mais conhecida na interpretação feita por Cazuza na década de 1980. A lenda que envolve esta canção diz que ela foi feita para uma das filhas do compositor, que queria deixar a casa do pai mesmo ainda sendo uma adolescente. Por isso, o tom da música é de alerta para os perigos da vida. É possível verificar o carinho e a verdadeira preocupação para com o destino da jovem. Veja também a letra desta canção: O Mundo É um Moinho - Carola (1973): Ainda é cedo, amor Mal começaste a conhecer a vida Já anuncias a hora de partida Sem saber mesmo o rumo que irás tomar Preste atenção, querida Embora eu saiba que estás resolvida Em cada esquina cai um pouco a tua vida Em pouco tempo não serás mais o que és Ouça-me bem, amor Preste atenção, o mundo é um moinho Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos Vai reduzir as ilusões a pó Preste atenção, querida De cada amor tu herdarás só o cinismo Quando notares estás à beira do abismo Abismo que cavaste com os teus pés "As Rosas não Falam" e "O Mundo é um Moinho" são canções clássicas da nossa música e merecem ser reverenciadas sempre. O segundo e melhor disco de Cartola completa 40 anos muito atual e belo. Impossível não se emocionar. Que tal este post e o conteúdo do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para acessar os demais posts sobre o universo musical, clique em Músicas. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #Cartola

  • Músicas: O centenário de Carinhoso

    Em 2017, comemora-se o centenário de uma das principais músicas brasileiras. "Carinhoso" é considerado por muitos como a principal canção nacional de todos os tempos. A extinta revista Bravo, especializada em cultura, elegeu, em 2008, "Carinhoso" como o principal exemplar da música popular de nosso país. Esta canção é fruto da união dos talentos de dois grandes compositores: Pixinguinha e João de Barro. A interpretação mais célebre foi feita por Orlando Silva, mas teve também gravações de Sílvio Caldas, Ângela Maria, Elizeth Cardoso, Elis Regina, Dalva de Oliveira, Maria Bethânia, Radamés Gnattali, Tom Jobim, Arthur Moreira Lima e Jacob do Bandolim. Ao todo, foram mais de 200 gravações diferentes. "Carinhoso" foi composto em partes. Primeiramente, Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana Filho) compôs a melodia em 1917 (daí o centenário da canção). A parte instrumental deste choro trazia grandes inovações. O jovem Pixinguinha (então com vinte anos) quebrava as regras dos choros convencionais que seguiam as influências da polca. Contudo, a canção ficou "esquecida" por muitos anos. Apenas em 1928, ela foi gravada pela Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, grupo musical formado pelo autor e pelo violinista Donga. Entre 1929 e 1934, outras orquestras a gravariam, sem grande sucesso. Vinte anos depois da criação da parte instrumental, João de Barro (também conhecido por Braguinha) compôs a letra. Atendendo ao pedido da atriz Heloísa Helena que queria uma canção para uma de suas personagens teatrais, ele escreveu a letra em 1937. Pixinguinha, que era amigo de João de Barro, ao receber a proposta de letra do amigo a aceitou instantaneamente. A partir deste dia, "Carinhoso" passou a ter uma versão letrada. O inusitado do enredo foi ter colocado um homem cantando, ao mesmo tempo, suas virtudes e as qualidades da mulher amada (algo até hoje incomum). Veja a letra na íntegra: Carinhoso: Meu coração, não sei por quê Bate feliz quando te vê E os meus olhos ficam sorrindo E pelas ruas vão te seguindo Mas mesmo assim, foges de mim Ah, se tu soubesses Como sou tão carinhoso E o muito, muito que te quero E como é sincero o meu amor Eu sei que tu não fugirias mais de mim Vem, vem, vem, vem Vem sentir o calor dos lábios meus À procura dos teus Vem matar essa paixão Que me devora o coração E só assim então serei feliz Bem feliz! Uma vez pronta a canção, o problema foi encontrar alguém que a aceitasse gravar. Os principais músicos da época estavam interessados apenas em "Rosa" (outra canção célebre de Pixinguinha recém-criada). O único que aceitou incluir "Carinhoso" em um disco foi um jovem intérprete de pouco mais de vinte anos de idade chamado Orlando Silva. O "Cantor das Multidões", como ficaria conhecido depois, gravou "Rosa" e "Carinhoso" em um mesmo álbum. O sucesso foi estrondoso. O disco foi um dos mais vendidos da carreira do cantor e alçou Orlando Silva para o patamar das grandes estrelas musicais do país na época. Até hoje é essa a versão mais popular da canção, apesar de inúmeros artistas de primeiro escalão a terem regravado ao longo das décadas. Ouça a versão original de Orlando Silva de 1937: É ou não é uma música incrível? Parabéns, "Carinhoso", pelos seus 100 anos de idade! Uma ótima canção não tem data de validade e pode durar por muitos séculos. Que tal este post e o conteúdo do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para acessar os demais posts sobre o universo musical, clique em Músicas. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #Pixinguinha #JoãodeBarro #OrlandoSilva

  • Músicas: Vamos cantar hoje por São Paulo

    A cidade de São Paulo comemora, neste 25 de janeiro, 463 anos. E para celebrar esta data, nada melhor do que cantar as qualidades e os defeitos desta metrópole de mais de onze milhões de pessoas. Porém, não vamos utilizar o famoso "Parabéns para Você". Vamos hoje recorrer a algumas das canções feitas sobre esta cidade inspiradora. Segundo o pesquisador musical Assis Ângelo, a capital dos paulistas foi tema de aproximadamente 3 mil músicas ao longo da sua história. Este número coloca Sampa como a cidade mais cantada do país, superando até o Rio de Janeiro. A canção mais antiga sobre a metrópole paulistana é "Missa a São Paulo" de 1750. Os dois compositores mais prolíficos foram Itamar Assumpção e Adoniran Barbosa com 25 e 24 músicas sobre São Paulo, respectivamente. Confira 15 músicas que mexem com os corações dos paulistanos sempre que escutadas. E parabéns, São Paulo! 1) "Trem das Onze" de Adoniran Barbosa (cantada pelos Demônios da Garoa) 2) "Sampa" de Caetano Veloso (interpretada pelo próprio) 3) "Paulista" de Eduardo Gudin (cantada por Leila Pinheiro) 4) "Ronda" de Paulo Vanzolini (interpretada por Inezita Barroso) 5) "Êh, São Paulo" de Alvarenga e Ranchinho (cantada pela própria dupla) 6) "Sinfonia Paulista" de Billy Blanco (interpreta por ele mesmo) 7) "São São Paulo" - Tom Zé (cantada pelo próprio) 8) "Sampa Midnight" de Itamar Assumpção (interpretada por ele mesmo) 9) "Lampião de Gás" de Zica Bérgami (cantada por Inezita Barroso) 10) "Isto é São Paulo" de Kazinho (interpretada pelos Demônios da Garoa) 11) "Saudosa Maloca" de Adoniran Barbosa (cantada pelos Demônios da Garoa) 12) "Rua Augusta" de Hervé Cordovil (interpretada por Ronnie Cord) 13) "Lá Vou Eu" de Rita Lee (cantada por Zélia Duncan) 14) "Pobre Paulista" de Edgard Scandurra (interpretada pelo grupo IRA!) 15) "Sampa no Walkman" dos Engenheiros do Hawaii (cantada pelo grupo) Que tal este post e o conteúdo do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para acessar os demais posts desta coluna, clique em Premiações e Celebrações. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #AdoniranBarbosa #ItamarAssumpção #CaetanoVeloso #EduardoGudin #PauloVanzolini #Alvarenga #Ranchinho #BillyBlanco #TomZé #ZicaBérgami #Kazinho #DemôniosdaGaroa #HervéCordovil #RitaLee #EdgardScandurra #EngenheirosdoHawaii #celebração #DataEspecial #Música #MúsicaBrasileira

  • Músicas: Acústico MTV dos Titãs - 20 anos

    Para a indústria fonográfica brasileira, a década de 1990 foi marcada por dois grandes acontecimentos: a consolidação do Compact Disc como mídia preferencial do público e o sucesso da série "Acústico MTV". A conjunção destes dois ingredientes levou o mercado musical ao seu auge. O CD, como o disco ótico digital ficou popularmente conhecido, substituiu o antigo LP (Long Play) no gosto dos consumidores, estabelecendo um novo padrão de produto para este mercado. Apesar de possuir uma qualidade sonora inferior à plataforma anterior, o CD tornou-se hegemônico no mercado. Impossível pensar na música durante esta época sem falar deste formato de armazenamento e de comercialização das canções. Ao mesmo tempo, o público brasileiro viu surgir, durante os anos de 1990, uma franquia bem-sucedida na venda dos álbuns dos artistas nacionais. Estamos falando do "Acústico MTV". A atração brasileira foi inspirada no "MTV Unplugged", programa norte-americano criado, em 1989, pela Music Television, emissora de televisão especializada em música nos Estados Unidos. O "Acústico MTV" nasceu inicialmente como programa de televisão e, na sequência, virou um selo musical. Sua proposta era lançar os sucessos dos principais artistas com uma nova roupagem: com instrumentos acústicos e sem nada elétrico. Esta regra raramente foi respeitada à risca. O sucesso do programa se repetiu nas lojas. O selo "Acústico MTV" era também sinônimo de grande número de CDs vendidos. De 1990 a 2011, foram lançados 34 programas/CDs. Destes, seis venceram o Grammy Latino: Paralamas do Sucesso (em 2000, na categoria rock), Cássia Eller (2002, no rock), Lobão (2007, também no rock), Lenine (2007, pop contemporâneo), Zeca Pagodinho (2007, samba/pagode) e Paulinho da Viola (2008, samba/pagode). Um dos maiores sucessos do "Acústico MTV" ocorreu em 1997. Naquele ano, chegava ao mercado o "Acústico MTV dos Titãs", considerado até hoje como uma das principais produções do rock brasileiro de todos os tempos. O álbum vendeu mais de 1,7 milhão de cópias. Pela primeira vez na história do Acústico, um CD ultrapassava a marca de um milhão de unidades vendidas no Brasil (algo que só seria superado pelo "Acústico MTV do Kid Abelha", em 2002). Os Titãs são uma banda paulistana formada no início da década de 1980. Apesar de ter flertado com vários gêneros musicais, a essência do grupo sempre foi o rock. Considerado um dos grupos mais importante do rock brasileiro, os Titãs tinham em sua formação inicial nove membros, uma quantidade bem acima do convencional. Destes, seis eram vocalistas (Arnaldo Antunes, Branco Mello, Ciro Pessoa, Sérgio Britto, Nando Reis e Paulo Miklos). Obviamente, eles se revezavam no vocal principal e no vocal de apoio. Além de cantarem, Sérgio Britto, Nando Reis e Paulo Miklos se revezavam nos teclados e no baixo. Os outros três integrantes eram André Jung (bateria), Marcelo Fromer (guitarra rítmica) e Tony Belloto (solo). O grupo também era constituído por numerosos compositores de talento. Praticamente, todo mundo na banda contribuía com novas produções de letras e de canções. Cada integrante tinha um estilo diferenciado. Não é à toa que o repertório de músicas memoráveis dos Titãs seja tão elevado e eclético. Colocar uma faixa em um álbum da banda era motivo de satisfação para seus integrantes (e razão para tórridas discussões e disputas internas). Este talento artístico era tão evidente que quase todos os membros que saíram do grupo acabaram seguindo carreiras bem-sucedidas individualmente ou em novas formações. Dos integrantes originais, restam apenas três: Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto. Para as línguas mais venenosas do cenário musical brasileiro, este trio seria composto justamente pelos músicos mais fracos tecnicamente da composição inicial. Eles acabaram permanecendo, pois sabiam que não teriam grandes êxitos sozinhos. Os mais talentosos acabaram saindo por não terem este receio e por buscarem voos mais altos em suas carreiras. O primeiro a deixar o grupo foi Ciro Pessoa. Ele não chegou a gravar nenhum álbum com a banda, mas deixou músicas marcantes como "Homem-Primata", "Sonífera Ilha", "Babi Índio" e "Toda Cor". O baterista André Jung saiu em 1984, após o lançamento do primeiro disco, indo integrar a banda Ira! Arnaldo Antunes deixou o grupo em 1992. Em 2001, Marcelo Fromer morreu atropelado em São Paulo. Nando Reis, em 2002, optou por seguir em carreira solo. O último a pular fora deste barco foi Paulo Miklos, no ano passado. Atualmente, além de Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto, os Titãs contam com Beto Lee (filho de Rita Lee, integrado no ano passado) e com o baterista Mário Fabre (desde 2010). O auge dos Titãs aconteceu no ano de 1997, com o lançamento do seu "Acústico MTV". Gravado em março daquele ano no Teatro João Caetano, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro, o programa de televisão e o CD contaram com várias participações especiais. Arnaldo Antunes, ex-integrante da banda, cantou "O Pulso". O argentino Fito Páez, Marisa Monte, o jamaicano Jimmy Cliff e Marina Lima também participaram, respectivamente, nas faixas "Go Back", "Flores", "Querem Meu Sangue" e "Cabeça Dinossauro". É difícil apontar qual das 21 músicas ("Homem Primata" aparece duas vezes no álbum, uma como mera vinheta e outra em sua versão completa) que compõe do CD é a melhor. Destas, quatro eram canções inéditas do grupo ("Cegos do Castelo", "Nem Cinco Minutos Guardados", "A Melhor Forma" e "Não Vou Lutar"). As demais eram sucessos de álbuns antigos da banda. O "Acústico MTV Titãs" começa com "Comida" (de 1987), uma das músicas mais conhecidas do grupo. Na sequência vem "Go Back" (1984), "Pra Dizer Adeus" (1985), "Família" (1986), "Os Cegos do Castelo" (1997) e "O Pulso" (1989). Completam a primeira metade do CD as músicas "Marvin" (1984), "Nem Cinco Minutos Guardados" (1997), "Flores" (1989), "Palavras" (1989) e "Hereditário" (1993). Depois, vem "A Melhor Forma" (1997), "Cabeça Dinossauro" (1996), "32 Dentes" (1989), "Bichos Escrotos" (1986), "Não Vou Lutar" (1997) e "Homem Primata" (1986). Para terminar, ainda tem "Polícia" (1986), "Querem Meu Sangue" (1984), "Diversão" (1987) e "Televisão" (1985). Realmente, este é um dos melhores álbuns de rock brasileiro de todos os tempos. Entre os "Acústicos MTV", ele rivalize, em termos de qualidade na categoria rock nacional, com o da "Legião Urbana" (1992) e com o do "Ira!" (2004), também memoráveis. Neste mês de março, "Acústico MTV Titãs" está completando 20 anos. Muito legal ouvir novamente estes clássicos da nossa música. Que tal este post e o conteúdo do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para acessar os demais posts sobre o universo musical, clique em Músicas. 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  • Músicas: Só Pra Contrariar - 20 anos do auge do pagode

    É chegado o momento de falarmos de pagode. "De pagode!!! Você tem certeza, Ricardo?!", podem estranhar alguns. "Sim!", respondo com a tranquilidade de quem está convicto da decisão tomada. "Então, você está sem assunto nesta semana ou não tem nada melhor para tratar neste post, né?", outros podem me questionar. Ao invés de ficarem me julgando previamente, porque os inimigos dos pagodeiros não se dão a chance de ler algo a respeito deste gênero?! E o assunto é interessante: o álbum de maior sucesso da história do pagode, que completa, em 2017, 20 anos. É muito complicado conversar de um tipo de música em que muita gente torce o nariz e não quer nem escutar. Ainda bem que nunca sofri de preconceito musical. Sempre tive a humildade suficiente para ouvir de tudo, para só depois avaliar se gostei ou não gostei daquilo. Às vezes, o trem pode não ser muito bom, é verdade, mas mesmo assim eu gosto de ouvir. Fazer o quê?! Não é isso o que acontece também com os alimentos? Gostamos geralmente das tranqueiras, comidas com muito açúcar, gordura ou fritura, renegando no dia a dia as opções mais saudáveis e de melhor qualidade. Por que com a música seríamos diferentes? Até hoje, adoro ouvir rádio (algo cada vez mais fora de moda) e tenho o hábito de trafegar por emissoras desconhecidas da FM. Geralmente é aí onde descubro mais novidades e onde aprendo mais coisas sobre música contemporânea. Também pode ser muito divertido este tipo de incursão pelo submundo da música comercial brasileira. "Mas o que você entende de pagode, Ricardo?! Pelo que tenho visto em seus posts musicais, você tem um gosto mais apurado!", alguém pode insistir na implicância. Olha aí o preconceito novamente. Classificar uma música como sendo boa ou ruim apenas pelo seu gênero é um dos graves erros que muitas pessoas cometem. Por que não pode existir pagode bom? Além disso, eu já fui, admito, um grande apreciado deste tipo de canção. Sempre que falo de música e do preconceito que as pessoas têm de alguns gêneros, recordo uma situação que vivi há muitos anos. Estava conversando animadamente, em um barzinho descolado da Vila Madalena, com uma moça bonitinha que fazia o mesmo cursinho pré-vestibulando que eu. Estávamos em plena década de 1990, vale a pena salientar. Naquele clima de paqueração, ela me perguntou com muita curiosidade: "Que tipo de música você gosta?". Eu, na inocência dos meus 17 anos, respondi com sinceridade: "Pagode". A moça fechou a cara na hora como se eu a tivesse agredido ou a ofendido. "Música é uma coisa muito séria para mim", ela desabafou se afastando com nojo de mim. Esta história parece uma ficção, mas é a mais pura verdade (perguntem a minha mãe: eu contei este episódio para ela na época). A garota nunca mais quis falar comigo só porque eu gostava de pagode... Tornei-me automaticamente um pária aos seus (belos) olhos. Meus dias no cursinho não foram nunca mais tão divertidos como eram antes. Ou seja, este não é um tema tão novo para mim. Para quem não viveu os anos 1990, o pagode era, em uma comparação simplória, o que o sertanejo universitário é atualmente: o principal gênero musical do país. Enquanto arrebatava uma multidão de fãs, ao mesmo tempo, ele tinha um grande público que o odiava intensamente. Bastava ligar o rádio em uma estação popular para ouvir os grupos de pagode soltando a voz. Nos programas de televisão, os infinitos integrantes destes conjuntos se perfilavam no palco para se apresentarem. Havia muita coisa ruim, é verdade. Porém, também havia coisa boa. O mesmo ocorre hoje em dia com qualquer gênero. Enquanto há vários cantores sertanejos péssimos, há as boas opções (Paula Fernandes, Victor & Leo e Fernando & Sorocaba são alguns exemplos do que há de melhor nesta seara). Para cada cantor e compositor bom de MPB, Bossa-Nova ou Jazz, há muitos ruins. Isto é algo natural. O pagode faz parte de uma das vertentes do samba. Ele é mais rápido, harmônico e, na maioria das vezes, mais simples musicalmente. As letras são tradicionalmente do tipo romântica melosa e com rimas fáceis. Há também algumas letras de duplo-sentido que exploram o humor. Este gênero nasceu no final da década de 1970, no Rio de Janeiro, e se espalhou pelo país nos anos 1980. A década de 1990 representou o auge comercial do pagode, com dezenas de grupos se apresentando diariamente pelo Brasil. Destes grupos, um dos mais exitosos e longevos foi o "Só Pra Contrariar". Formado em 1989 por jovens músicos que eram amigos em Uberlândia, Minas Gerais, o "Só Pra Contrariar" tinha a liderança do carismático vocalista Alexandre Pires, conhecido até hoje pelo grande público. O primeiro sucesso do conjunto ocorreu em 1993. Logo em seu disco de estreia, os mineiros chegaram ao topo da parada musical brasileira com "Que Se Chama Amor", uma música romântica, e "A Barata", canção bem-humorada de duplo sentido. O auge do "Só Pra Contrariar" chegou quatro anos após seu primeiro LP. Em 1997, os pagodeiros liderados por Alexandre Pires lançaram um disco homônimo que bateria todos os recordes. Não foi a toa que este álbum entrou para a história da música brasileira. Ele se tornou o disco mais vendido de pagode de todos os tempos, com aproximadamente 3 milhões de unidades comercializadas. Para se ter ideia do que este número representou, trata-se do quarto disco mais vendido do Brasil (considerando todos os gêneros musicais). Ele só perde em vendagem para "Músicas para Louvar o Senhor" do Padre Marcelo Rossi, de 1998 (3,3 milhões), "Xou da Xuxa 3", da Xuxa, de 1988 (3,2 milhões), e "Leandro & Leonardo", da dupla sertaneja, de 1990 (3,1 milhões). Ao ouvirmos novamente este álbum, percebemos os motivos para tanto sucesso. Há músicas que se tornaram clássicas do pagode. "Mineirinho", composição de Alexandre Pires e Lourenço, que ocupa a terceira faixa, é até hoje conhecida e possui seus méritos. Com leveza e bom humor, ela ressalta pontos da cultura e da tradição do povo mineiro. Temos ali a expressão "comer quieto", o "queijo de Minas", os "doces mineiros", o "uai" e as palavras no diminutivo, tão típicas no linguajar popular daquele estado. É uma bela canção. Ouça a música e veja a letra: Mineirinho (Alexandre Pires e Lourenço - 1997): Eu não tenho culpa de comer quietinho No meu cantinho boto pra quebrar Levo a minha vida bem do meu jeitinho Sou de fazer não sou de falar Quer saber o que tenho pra lhe dar Vai fazer você delirar Tem o sabor de queijo com docinho Meu benzinho você vai gostar É tao maneiro uai É bom demais Não tem como duvidar O meu tempero uai Mineiro faz Quem prova se amarra Ai! Ai! Não tem como duvidar Faz! Faz! Quem prova se amarra Faz! Se "Mineirinho" ficou marcado pela música animada e pelo conteúdo inteligente e descontraído, o que falar de "Depois do Prazer"?! Esta canção provoca risos nos ouvintes pela letra abusada e um tanto corajosa. Após ouvir os primeiros versos, aposto que muita gente vai se lembrar desta composição de Chico Roque e Sérgio Caetano. Ela é tão brega e maliciosa que se tornou um clássico do pagode. Quem nunca quis falar para uma ex-namorada ou ex-namorado: "Tô fazendo amor com outra pessoa/ Mas meu coração, vai ser pra sempre teu/ O que o corpo faz, a alma perdoa/ Tanta solidão, quase me enlouqueceu"? Incrível a tranquilidade de se falar tão abertamente em uma traição ou nova relação que nada representou para o eu lírico da música. E o que falar, então, desta outra parte: "Posso até gostar de alguém/ Mas é você que eu amo"? Hilário! Veja, a seguir, a letra completa de "Depois do Prazer" e ouça a interpretação melodramática de Alexandre Pires: Depois do Prazer (Chico Roque e Sérgio Caetano): Tô fazendo amor com outra pessoa Mas meu coração, vai ser pra sempre teu O que o corpo faz, a alma perdoa Tanta solidão, quase me enlouqueceu Vou falar que é amor, vou jurar que é paixão E dizer o que eu sinto com todo carinho Pensando em você Vou fazer o que for e com toda emoção A verdade é que eu minto que eu vivo sozinho Não sei te esquecer E depois acabou, ilusão que eu criei Emoção foi embora e a gente só pede Pro tempo correr Já não sei quem amou que será que eu falei Dá pra ver nessa hora que o amor só se mede Depois do prazer Fica dentro do meu peito Sempre uma saudade Só pensando no teu jeito Eu amo de verdade E quando o desejo vem É teu nome que eu chamo Posso até gostar de alguém Mas é você que eu amo O álbum de 1997 tem pouco mais de 1 hora de duração e 15 faixas. Além de "Mineirinho" e "Depois do Prazer", vale a pena ouvir "Tá por Fora", "Quando é Amor", "Tem Tudo a Ver", "Artilheiro do Amor" e "Cai na Real", respectivamente a segunda, quarta, oitava, nona e décima terceira músicas do LP. Alexandre Pires saiu do "Só Pra Contrariar", em 2002, para seguir carreira solo. Em 2013, ele retornou para a gravação de um CD comemorativo aos 25 anos do grupo. Ao todo, o "Só Pra Contrariar" lançou 14 discos e vendeu aproximadamente 15 milhões de unidades. Viu como falar e ouvir pagode não tira pedaço de ninguém? Deu até para relembrar canções antigas e se divertir com as letras ousadas de algumas músicas da década de 1990. Portanto, nunca mais fuja de alguém que diz ouvir pagode. Isso pode magoar muitos coraçõezinhos por aí... Que tal este post e o conteúdo do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para acessar os demais posts sobre o universo musical, clique em Músicas. 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  • Músicas: A Volta do Boêmio - O auge de Nelson Gonçalves

    A canção "A Volta do Boêmio", lançada em 1957, representou o auge artístico de uma das mais improváveis parcerias da história musical brasileira. Afinal, quem iria imaginar que um ex-pugilista se tornasse um dos mais importantes cantores nacionais ao interpretar sambas-canção criados por um português compositor de fados?! Apesar de improvável, esta história é verídica e teve um final feliz. Os destinos do cantor e do compositor se cruzaram no início da década de 1950, o que alterou completamente a lógica de suas vidas. A dupla conquistou o país com seu talento e é lembrada até hoje como sinônimo de boa música. Nelson Gonçalves, chamado também de "Rei do Rádio", "Rouxinol" e "Frank Sinatra Brasileiro", e o compositor Adelino Moreira (menos conhecido do que o cantor, mas tão importante quanto) foram responsáveis pelo lançamento conjunto de mais de 160 canções. Nelas, basicamente, o primeiro entrava com a voz potente e com a interpretação intensa e o segundo com a criação de letras melancólicas e com melodias afinadas. O álbum "A Volta do Boêmio" é o maior sucesso da dupla. O disco vendeu mais de um milhão de cópias. Este número se torna ainda mais fabuloso quando lembramos que a indústria fonográfica brasileira ainda engatinhava nos anos de 1950. Pela primeira vez na história nacional, um disco ultrapassava os seis dígitos em vendagem. "A Volta do Boêmio", a música principal daquele LP, ficou tão associada à figura de Nelson Gonçalves que nenhum outro artista teve coragem de regravá-la por muito tempo. Era consenso na época que ninguém conseguiria produzir uma versão melhor do que a realizada pelo gaúcho de Santana do Livramento. Apesar de ser uma música incrível, "A Volta do Boêmio" não era a única grande canção daquele disco. Normalmente, um grande LP se fazia pelo conjunto de vários sucessos. O álbum é aberto com "Meu Vício é Você". Ainda no lado A, havia "A Flor do Meu Bairro" e "Mariposa". "A Volta do Boêmio" inaugurava o Lado B. Na sequência, vinha "Fica Comigo Esta Noite". Este lado ainda tinha "Deusa do Asfalto". Não é preciso dizer que todas estas músicas foram compostas por Adelino Moreira. Completam as doze músicas deste disco: "Escultura", "Queixas", "Enigma", "Chore Comigo", "Êxtase" e "Ultimato". Ouça a faixa "A Volta do Boêmio". A canção "A Volta do Boêmio" é, na verdade, uma continuação de outra música composta, em 1952, por Adelino Moreira e Sebastião Santana (e cantada por Nelson Gonçalves, é claro). "Última Seresta" falava de um homem que abandonava a boemia por iniciativa própria, após achar a mulher de sua vida. Ele largava a noite, a festa, os amigos e as serenatas para ficar junto do seu maior amor. A única coisa que ele levava para a nova vida era o antigo violão. Veja a letra desta música e ouça a interpretação de Nelson Gonçalves: Última Seresta (1952): Nesta última seresta Tenho o coração em festa Quando devia chorar Sigo triste por deixar a boemia Porém cheio de alegria Por ela me acompanhar Digo adeus às serenatas, Aos montes, rios, cascatas, E às noites de luar Adeus, adeus minha gente, Uma canção diferente Vai o boêmio cantar. Adeus amigos leais, Que não deixaram jamais Fazer-me qualquer traição Vosso amigo vai partir Mas vai feliz , a sorrir, Com ela no coração, Adeus seresta de amor Adeus, boêmio cantor, Perdoa a ingratidão Pois, para o meu novo abrigo Eu levo apenas comigo Ela e o meu violão. Em 1957, surgia "A Volta do Boêmio", a continuação da história de "Última Seresta". O homem boêmio regressava aos amigos, arrependido por ter deixado a noite e a farra. Curiosamente, o eu lírico da canção afirmava que tinha sido sua mulher quem o havia autorizado a retornar para a antiga rotina. Veja a letra de "A Volta do Boêmio" e, depois, ouça esta canção na voz inconfundível de Nelson Gonçalves. A Volta do Boêmio (1957): Boemia, aqui me tens de regresso E suplicante te peço, a minha nova inscrição. Voltei pra rever os amigos que um dia Eu deixei a chorar de alegria, Me acompanha o meu violão. Boemia, sabendo que andei distante, Sei que essa gente falante vai agora ironizar: "Ele voltou! O boêmio voltou novamente. Partiu daqui tão contente. Por que razão quer voltar?" Acontece que a mulher que floriu meu caminho De ternura, meiguice e carinho, sendo a vida do meu coração, Compreendeu e abraçou-me dizendo a sorrir: "Meu amor, você pode partir, não esqueça o seu violão. Vá rever os seus rios, seus montes, cascatas. Vá sonhar em novas serenatas e abraçar seus amigos leais. Vá embora, pois me resta o consolo e alegria De saber que depois da boemia É de mim que você gosta mais" A canção é, portanto, uma apologia à celebração da vida noturna e a gandaia. A parceria entre Adelino Moreira e Nelson Gonçalves rendeu outros grandes sucessos ao longo dos anos: "Meu Vício É Você", "Fica Comigo Esta Noite", "A Flor do Meu Bairro" e "Meu Dilema" são as minhas outras preferidas. Contudo, a música que marcou esta improvável dupla para sempre foi mesmo "A Volta do Boêmio". Nelson Gonçalves é apontado, até hoje, como sendo o terceiro maior vendedor de discos da história do Brasil. Com 75 milhões de álbuns vendidos, ele só perde para a dupla sertaneja Tonico & Tinoco (150 milhões) e Roberto Carlos (120 milhões). Dos seus inúmeros sucessos e do seu grande repertório, "A Volta do Boêmio" é a mais lembrada pelo público. Esta canção completa, em 2017, 60 anos de vida. É importante as novas gerações conhecerem este belo exemplar de nossa música e as antigas gerações relembrarem este velho sucesso. Que tal este post e o conteúdo do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. 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