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- Cursos: CLIPE – O concorrido curso de preparação de escritores da Casa das Rosas
As inscrições para o CLIPE - Curso Livre de Preparação do Escritor - de 2019 já estão abertas. Elas começaram no dia 17 de dezembro do ano passado e se estenderão até o dia 3 de fevereiro, o próximo domingo. Os interessados podem se inscrever pela Internet, no site da Casa das Rosas, ou presencialmente na recepção da instituição, sediada no comecinho da Avenida Paulista. Nos dois casos é necessário preencher um formulário e entregar um pequeno portfólio literário. As aulas começam em março e seguirão até novembro deste ano. Para quem não conhece o CLIPE, ele foi criado, em 2013, pelo Centro de Apoio ao Escritor, da Casa das Rosas, para desenvolver a escrita criativa em pessoas interessadas em ingressar ou avançar na produção literária. Coordenado por Reynaldo Damazio, o CLIPE é atualmente uma das mais concorridas opções por quem deseja seguir na carreira de escritor. Além de ser um curso de excelente qualidade (os professores são escritores, editores e profissionais de destaque no mercado editorial brasileiro), ele é gratuito. Assim, anualmente, algumas centenas de pessoas se candidatam, ávidas por participar do CLIPE. No ano passado, para se ter uma ideia, as inscrições chegaram aos três dígitos. Como são pouquíssimas as vagas disponíveis, o processo seletivo se torna extremamente rigoroso e excludente. Apenas uma fração dos inscritos acaba agraciada com uma vaga. Muita gente costuma brincar que entrar no CLIPE é mais concorrido do que ser aprovado no vestibular de Medicina da FUVEST. Não sei o quanto essa afirmação é correta estatisticamente, porém, a frase é muito repetida entre os inscritos no curso. Essa multidão de jovens escritores que se inscreve em janeiro na principal atividade educativa do Centro de Apoio ao Escritor da Casa das Rosas mostra o quanto há demanda por atividades de preparação e de formação de escrita literária em nosso país. Minha percepção é que os interessados em fazer o CLIPE não são apenas moradores da cidade de São Paulo. Muitas pessoas de outras localidades acabam atraídas pela proposta e pela gratuidade do curso. Como resultado, acabam se inscrevendo também, tornando o processo seletivo quase que estadual ao invés de municipal. Na minha opinião, em relação à qualidade, o CLIPE só perde para o Curso de Pós-Graduação de Formação de Escritores do Instituto Vera Cruz. Entretanto, o curso do Vera Cruz é um programa de extensão acadêmica (o CLIPE é um curso livre), tem dois anos de duração (versus um ano do CLIPE) e possui mensalidades superiores a mil reais (enquanto o CLIPE é gratuito). No pacote final, o custo benefício do curso oferecido pelo Centro de Apoio ao Escritor da Casa das Rosas é excelente. Para muitos jovens escritores, ele acaba sendo a primeira (e única) opção. O CLIPE tem duas vertentes, a Adulta e a Jovem (para menores de idade). O CLIPE Adulto é anual e possui oito módulos mensais. As aulas vão de março a junho e de agosto a novembro. Os encontros são de 2 horas cada, ocorrendo duas vezes por semana (às quartas à noite e aos sábados à tarde). Dentro do CLIPE Adulto, há duas opções de curso: a Prosa e a Poesia. A escolha do tipo de curso que o participante deseja fazer deve ser discriminada no ato da inscrição. O CLIPE Jovem, por sua vez, é semestral – são quatro módulos mensais. Portanto, há inscrições também em julho para os interessados. Nesta edição de agora, as aulas vão de março a junho. Elas terão 3 horas de duração e ocorrerão às quartas-feiras à tarde. Tanto o CLIPE Adulto quanto o CLIPE Jovem são ministrados na belíssima sede da Casa das Rosas, na Avenida Paulista. O lugar é de um charme irresistível! Confesso, um pouco envergonhado, que todo ano me inscrevo no CLIPE, mas nunca fui chamado. Nas primeiras inscrições, eu ficava muito chateado com o resultado do processo seletivo. Contudo, depois que entendi o quanto a seleção do CLIPE é concorrida e feita com seriedade por Reynaldo Damazio e sua equipe, acabei compreendendo as negativas sistemáticas que venho recebendo. E aí, que tal se inscrever na sétima edição do CLIPE, hein? Quem sabe você não tenha mais sorte do que eu (na verdade, são méritos! – é preciso caprichar nos textos enviados no portfólio literário) e acabe ganhando a oportunidade de fazer um dos cursos de formação de escritores mais desejados do país. Eu, pelo menos, já fiz a minha inscrição para 2019. Boa sorte a todos os inscritos! Que tal o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer os demais posts dessa coluna, clique em Cursos e Eventos. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook.
- Cursos: CLIPE Online - A novidade de 2020 da Casa das Rosas
Vira e mexe, eu comento no Bonas Histórias os cursos de Escrita Criativa que faço ou que gostaria de fazer. E um dos melhores é o CLIPE - Curso Livre de Preparação do Escritor. Oferecido anualmente pelo Centro de Apoio ao Escritor (CAE), do museu paulistano Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, aos escritores em início de carreira, ele é a primeira opção de muita gente que deseja embarcar para valer na literatura (eu faço parte deste grupo). Coordenado por Reynaldo Damazio, o CLIPE é, na minha opinião, o mais renomado curso de Escrita Criativa da cidade de São Paulo, ao lado da Pós-Graduação de Formação de Escritores do Instituto Vera Cruz. A principal vantagem do curso ministrado pela Casa das Rosas é a sua gratuidade (o curso da Vera Cruz é pago), além da ótima qualidade, é claro. E sua maior desvantagem é o fato de ter pouquíssimas vagas disponíveis (são apenas 70 vagas para quase mil candidatos). Dessa maneira, seu processo seletivo é rigorosíssimo (e um tanto polêmico!). Confesso envergonhado que há pelo menos quatro anos eu tento fazer o CLIPE, mas nunca fui aprovado (coisas de escritor sem muito talento!). No ano passado, por exemplo, fiz um post na coluna Cursos e Eventos sobre o Curso Livre de Preparação do Escritor. Naquela oportunidade, comentei o que era o CLIPE e como ele funcionava. Não é porque sou sistematicamente reprovado de sua seletiva que não irei enaltecer a excelência deste curso da Casa das Rosas nem deixarei de incentivar os interessados a se inscreverem, né? Fiz esta pequena introdução para dizer que a Casa das Rosas apresentou uma novidade interessante no final do mês passado. Em 2020, teremos uma versão online do CLIPE. Por causa das interrupções das atividades presenciais do museu, reflexo obviamente da pandemia do novo coronavírus, as aulas migraram para o formato digital. Aí surgiu a ideia: ao invés de disponibilizar essas aulas apenas para os alunos do CLIPE tradicional, por que não abrir uma nova modalidade para outros participantes acompanharem o conteúdo pela Internet? Nasceu, assim, o CLIPE Online, a versão mais enxuta e inclusiva do tradicional curso do Centro de Apoio ao Escritor da Casa das Rosas. Confesso que fiquei encantado com esta proposta. Enfim, poderei fazer este curso... Até agora não acredito! Se você também ficou interessado, é importante se atentar para as diferenças entre esta versão do curso e sua versão tradicional. O CLIPE Online não terá a extensão e a profundidade do curso presencial (que dura um ano). Este será bem mais rápido - serão apenas 12 aulas que deverão ser acessadas em até 21 dias, a partir do primeiro acesso. O aluno terá até 30 dias para enviar os textos propostos pelos professores. Ou seja, estamos falando de uma oficina literária de tiro curtinho (um mês). Além disso, o curso online não terá processo seletivo (ufa!). A única condição é que o participante tenha mais de 18 anos (por enquanto não há previsão para um CLIPE Jovem Online). Por outro lado, haverá cobrança pela inscrição. O valor é de R$ 60,00 para cada participante. A inscrição deve ser feita na plataforma do Hotmart. Comparando com as demais opções do mercado, achei o preço bem em conta (para não dizer barato). O CLIPE Online de 2020 está dividido em três módulos: Conto, Crônica e Ensaio. Cada modalidade terá quatro aulas. Quem irá ministrar o conteúdo de conto será Veronica Stigger, autora de “Opsianie Swiata” (Cosac Naify) e de “Os Anões” (Cosac Naify). Já as aulas de crônicas serão dadas por Marcelino Freire, autor de “Contos Negreiros” (Record) e “Nossos Ossos” (Record). E Tiago Novaes, autor de “Estado Vegetativo” (Callis) e “Algoritmo” (Quelônio), será o responsável pela parte ensaística. Nota-se que o time de docentes é de primeiro nível – nomes de destaque da literatura brasileira contemporânea (sou suspeito para falar porque sou fãnzaço de Veronica Stigger e Tiago Novaes). As inscrições do CLIPE Online vão até a próxima segunda-feira, dia 7 de setembro. As aulas serão disponibilizadas já na terça-feira, dia 8. Vale lembrar que as aulas são previamente gravadas. Se por um lado o participante perde em interação com o professor e com os demais alunos do curso, por outro lado, ele ganha em flexibilidade de horário e de data para assistir aos vídeos. Para ganhar o certificado de conclusão de curso, o aluno deverá entregar as atividades propostas dentro do prazo estipulado. O material produzido no CLIPE Online passará por uma avaliação e poderá se transformar, no futuro, em uma publicação literária a ser divulgada tanto pelo site do Centro de Apoio ao Escritor quanto pela revista Grafias. Gostei tanto da proposta deste curso que já fiz minha inscrição. Se não dá para ir de CLIPE tradicional, vamos de CLIPE Online mesmo. O que não dá é para ficarmos parado, sem um bom programa de desenvolvimento da escrita, né? Mesmo assim saibam que em janeiro de 2021, se a vacina contra o COVID-19 já tiver colocado o mundo de volta nos trilhos, irei à Casa das Rosas preencher a ficha de inscrição do bom e velho CLIPE presencial. Vou ser reprovado outra vez, eu sei, mas continuarei tentando. Que tal o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer os demais posts desta coluna, clique em Cursos e Eventos. E não se esqueça de curtir as páginas do Bonas Histórias nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.
- Eventos: III Encontro de Escrita Criativa – Encerramento do ano da Casa das Rosas
Neste sábado, participei do III Encontro de Escrita Criativa, evento organizado pelo Centro de Apoio ao Escritor (CAE) da Casa das Rosas. O ciclo de palestras marcou a última atividade realizada, em 2018, pela instituição que é voltada para o desenvolvimento e formação de escritores em nosso país. Ao longo deste ano, o CAE promoveu mais de uma centena de eventos entre palestras, feiras, colóquios, viradas, encontros, celebrações de datas comemorativas, cursos, oficinas, workshops, lançamento de livros, leituras coletivas, mesas redondas, debates, fóruns, saraus, clubes do livro e trocas de livros. Não à toa, a Casa das Rosas é vista atualmente como uma das principais entidades promotoras da literatura e da escrita profissional na cidade de São Paulo. A terceira edição do Encontro da Escrita Criativa foi mediada por Reynaldo Damazio, coordenador do CAE, e teve palestras de Leonardo Gandolfi, Ana Rüsche, Julio Mendonça e Simone Homem de Melo. Os convidados, escritores, editores, tradutores, pesquisadores acadêmicos e professores de oficinas literárias, debateram diferentes aspectos da escrita profissional contemporânea, dos caminhos da literatura e da formação de novos autores. O evento ocorreu na sede da Casa das Rosas, na Av. Paulista, 37 - Bela Vista e durou das 11h às 16h. Entre 50 e 80 pessoas assistiram aos debates. No período da manhã, ocorreu a palestra de Leonardo Gandolfi sobre a Escrita Não Criativa. Gandolfi é escritor, poeta e editor da Revista Grampo Canoa e da Editora LunaPARQUE. Ele apresentou, ao longo de quase uma hora, um panorama histórico e conceitual do que se convencionou chamar hoje em dia de Escrita Não Criativa. Em sua explanação, o palestrante usou exemplos nacionais e internacionais e mostrou as tendências atuais deste tipo de literatura. Achei espetacular a palestra de Gandolfi. Eu que não gostava muito desse tipo de produção literária passei a vê-lo com outros olhos. Por isso, no próximo ano, espere encontrar mais análises de livros de Escrita Não Criativa aqui no Blog Bonas Histórias. Em minha lista de leitura, já coloquei “Sessão” (LunaPARQUE) e “Trânsito” (LunaPARQUE), obras, respectivamente, de Roy David Frankel e Kenneth Goldsmith. No período da tarde, tivemos uma mesa-redonda com Ana Rüsche, Julio Mendonça e Simone Homem de Melo. Ana Rüsche é escritora e professora de oficinas literárias. Julio Mendonça é coordenador do Centro de Referência Haroldo de Campos, professor de oficinas literárias, escritor e editor da Revista Ctrl + Verso. E Simone Homem de Melo é tradutora e coordenadora do Centro de Estudos de Tradução Literária da Casa Guilherme de Almeida. No debate do trio, Ana Rüsche optou por oferecer dicas para os escritores que estão começando na profissão. De maneira direta e informal, ela usou sua própria experiência para listar os caminhos da pedra de alguém que almeja se tornar um autor profissional. Esta foi a parte mais interessante e prática do dia, com Rüsche usando todo o seu carisma para dialogar com a plateia. Já Julio Mendonça apresentou a Cooperativa da Invenção, grupo de estudos conduzido por ele que mistura poesia e artes plásticas. O resultado é a produção de experiências performáticas que expandem o alcance das palavras e da interpretação artística. Foi muito legal conhecer o laboratório criativo que ele promove no Espaço Haroldo de Campos. E, por fim, Simone Homem de Melo falou dos desafios do trabalho do tradutor. Ela abordou desde a relação do leitor com a tradução até os aspectos práticos desse ofício. Ao final do evento, Reynaldo Damazio, sempre muito simpático e solícito com todos, brindou os participantes do III Encontro de Escrita Criativa com o livro “Paisagens Menores – Experiências com a Escrita Criativa” (Dobradura). A obra, uma coletânea de ensaios e artigos sobre o fazer literário, foi organizado por Geruza Zelnys e Alexandre Filordi de Carvalho. Adorei a proposta da publicação e vou lê-la nas próximas semanas (obviamente vou publicar um post com a análise crítica deste livro aqui no Blog Bonas Histórias). Adorei a palestra da manhã e a mesa-redonda vespertina. Ou seja, o conteúdo debatido ao longo do dia foi excelente. Mais uma vez, o Centro de Apoio ao Escritor da Casa das Rosas promoveu um evento de alto nível, que contribuiu significativamente para o desenvolvimento de quem deseja se tornar um escritor profissional. Tenho o hábito de frequentar os eventos da Casa das Rosas há pelo menos três anos e, admito, que na maioria das vezes saio impressionado positivamente com o conteúdo transmitido. Além de completa e diversificada, a programação da instituição é de altíssimo nível. Tão bom quanto os eventos é a bagagem profissional e a seriedade dos profissionais envolvidos. Nota-se que todos amam a literatura e estão interessados em compartilhar suas experiências e seus conhecimentos com os alunos. É muito legal ver isso. Por falar no Centro de Apoio ao Escritor e nas atividades desenvolvidas pela Casa das Rosas, no mês que vem prometo fazer um post sobre a edição de 2019 do CLIPE –Curso Livre de Preparação do Escritor. As inscrições para o principal curso promovido pelo CAE serão abertas na próxima semana e quero discutir com vocês alguns aspectos de sua metodologia. Não perca! Que tal o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer os demais posts dessa coluna, clique em Cursos e Eventos. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #CentrodeApoioaoEscritor #CasadasRosas #ReynaldoDamazio #LeonardoGandolfi #AnaRüsche #JulioMendonça #SimoneHomemdeMelo #FazerLiterário #Eventos
- Televisão: Arte 1 ComTexto - Entrevistas com escritores nacionais
Quem gosta de boa literatura brasileira e adora conhecer os detalhes da carreira e das obras dos principais escritores nacionais vai se interessar, na certa, por “Arte 1 ComTexto”. Eu, pelo menos, curto bastante este programa há algum tempo. Sem exageros, o “Arte 1 ComTexto” é o melhor programa de entrevistas sobre literatura da televisão brasileira. Apresentado há três anos por Manuel da Costa Pinto, jornalista e crítico literário, e dirigido por Iano Coimbra, a atração semanal é filmada na Biblioteca do Parque Villa-Lobos. Os bate-papos promovidos ali reúnem autores, poetas, editores, ilustradores, professores de literatura e de oficinas literárias, sócios e diretores de editoras, livrarias e sebos, designers de livros, quadrinistas, curadores de feiras literárias, agentes literários, booktubers, tradutores e revisores. Ou seja, o foco das entrevistas está nos profissionais do mercado editorial. O programa é transmitido pelo canal a cabo Arte 1, especializado em cultura e artes e pertencente ao Grupo Bandeirantes de Comunicação. Criado em 2015, o “Arte 1 ComTexto” foi apresentado em suas duas primeiras temporadas por Pedro Herz, sócio da Livraria Cultura. A direção ficou, naquele momento, a cargo de Caio Luiz de Carvalho. As filmagens aconteciam, nesta época, na espetacular unidade do Shopping Eldorado da rede de livrarias do apresentador. A primeira temporada (em 2015) teve 33 episódios enquanto a segunda (em 2016) teve apenas 19. Boa parte da dinâmica atual da atração foi estabelecida por Pedro Herz e Caio Luiz de Carvalho desde as primeiras entrevistas. Os principais convidados dessa fase foram: Ignácio de Loyola Brandão (1º episódio da 1ª temporada), Contardo Calligaris (5º episódio da 1ª temporada), Luiz Felipe Pondé (8º episódio da 1ª temporada), Bernardo Carvalho (9º episódio da 1ª temporada), Ilan Brenman (14º episódio da 1ª temporada), Laurentino Gomes (17º episódio da 1ª temporada), Ziraldo (27º episódio da 1ª temporada), Marcelo Rubens Paiva (30º episódio da 1ª temporada), Márcia Tiburi (32º episódio da 1ª temporada), Michel Laub (33º episódio da 1ª temporada), Andréa Del Fuego (2º episódio da 2ª temporada), Pedro Bandeira (7º episódio da 2ª temporada), Joca Reiners Terron (10º episódio da 2ª temporada), Tiago Ferro (11º episódio da 2ª temporada), Lilia Schwarcz (14º episódio da 2ª temporada), Milton Hatoum (18º episódio da 2ª temporada) e Marçal Aquino (19º episódio da 2ª temporada). A partir de 2017, Pedro Herz saiu de cena e Manuel da Costa Pinto, um dos principais críticos literários do país, assumiu definitivamente o comando da atração. A direção do programa também mudou de mãos, ficando desde então à cargo de Iano Coimbra. Com o novo âncora e o novo diretor, o programa ganhou o cenário que tem hoje: a belíssima Biblioteca do Parque Villa-Lobos. Com Costa Pinto como entrevistador, o “Arte 1 ComTexto” ganhou em profundidade e variedade, além de se livrar de uma das mais polêmicas figuras do mercado editorial brasileiro (agora Herz está aparentemente focado na administração calamitosa de sua rede de livrarias). Nessa nova fase do programa, as conversas também se voltaram mais para os escritores contemporâneos (um posicionamento acertadíssimo!). A terceira temporada (com duração bianual: de 2017 a 2018) e a quarta temporada (em 2019) tiveram, respectivamente, 52 e 34 episódios. Os principais convidados da nova etapa do “Arte 1 ComTexto” foram: Noemi Jaffe (5º episódio da 3ª temporada), Julián Fuks (8º episódio da 3ª temporada), Nelson de Oliveira (10º episódio da 3ª temporada), Bernardo Kucinski (12º episódio da 3ª temporada), Ana Miranda (17º episódio da 3ª temporada), Ricardo Lísias (20º episódio da 3ª temporada), Tati Bernardi (22º episódio da 3ª temporada), Fabrício Corsaletti (24º episódio da 3ª temporada), Luiz Ruffato (26º episódio da 3ª temporada), André Sant´anna (31º episódio da 3ª temporada), Veronica Stigger (34º episódio da 3ª temporada), Cristovão Tezza (35º episódio da 3ª temporada), Jacques Fux (36º episódio da 3ª temporada), J.P. Cuenca (42º episódio da 3ª temporada), João Anzanello Carrascoza (46º episódio da 3ª temporada), Paloma Vidal (48º episódio da 3ª temporada), Carola Saavedra (49º episódio da 3ª temporada), Ferréz (52º episódio da 3ª temporada), Marília Garcia (2º episódio da 4ª temporada), Lourenço Mutarelli (4º episódio da 4ª temporada), Reinaldo Moraes (9º episódio da 4ª temporada), Marcelo Rubens Paiva (12º episódio da 4ª temporada), Sidney Rocha (13º episódio da 4ª temporada), Ana Maria Gonçalves (22º episódio da 4ª temporada), Raimundo Carrero (27º episódio da 4ª temporada), Antonio Prata (32º episódio da 4ª temporada) e Valter Hugo Mãe (34º episódio da 4ª temporada). Dessa nova lista, excluí os autores que se repetiram (muitos escritores foram entrevistados por Pedro Herz nas duas primeiras temporadas e, mais tarde, foram novamente convidados por Manuel da Costa Pinto na terceira e na quarta temporadas). Repare que a quase totalidade de autores entrevistados no “Arte 1 ComTexto” já tiveram suas obras analisadas na coluna Livros – Crítica Literária do Bonas Histórias. Ou seja, o trabalho deles não é nenhuma novidade para nossos leitores assíduos. Mesmo assim, admito, é delicioso ouvi-los falando sobre o processo criativo da escrita ficcional, os bastidores da carreira de escritor e as particularidades de seus livros. São vários os motivos que fazem o “Arte 1 ComTexto” o melhor programa de entrevistas literárias da televisão brasileira. Em primeiro lugar, temos no comando da atração um profissional que entende MUITO de literatura. É diferente ter um jornalista que gosta de literatura como âncora e ter um jornalista que é especializado em literatura e atua também como crítico literário. Manuel da Costa Pinto faz, obviamente, parte do segundo grupo. Ele é um dos críticos literários mais renomados do Brasil. Notamos seu domínio sobre os temas abordados em cada um dos bate-papos semanais. Isso faz toda a diferença na hora de transformar uma entrevista aparentemente banal em algo diferenciado e único. Além da qualidade do entrevistador, a dinâmica do programa também apresenta agradáveis soluções para os espectadores. O(a) convidado(a) é apresentado(a) rapidamente no início por um box textual. Ou seja, quem não é muito ligado ao universo literário pode ter um resumo da biografia do(a) entrevistado(a). Por outro lado, quem já o(a) conhece não perde tempo com explicações desnecessárias. Logo em seguida, o(a) entrevistado(a) lê um trecho marcante de sua obra. É muito legal ouvir a(o) autor(a) recitando seu trabalho. Só aí começa a entrevista propriamente dita. Fica evidente o quanto essas conversas são bem conduzidas e se tornam interessantes pela rapidez com que acabam. Os 25 minutos do “Arte 1 ComTexto” parecem voar (com as propagandas, a atração dura meia hora na grade de programação do Arte 1). Temos a sensação de que o programa poderia ter o dobro do tempo e, ainda sim, receberíamos um ótimo conteúdo. Porém, compreendo a decisão por um formato mais curto/enxuto (ele deixa uma vontade de quero mais no público). Por fim, é preciso elogiar as qualidades da fotografia e da edição do programa. É verdade que a Biblioteca Parque Villa-Lobos ajuda muitíssimo no visual. Contudo, não podemos tirar os méritos da equipe de Iano Coimbra, que aproveitou o belo cenário para produzir um programa de entrevistas esteticamente impactante. Além disso, o dinamismo da atração fica evidente em cada episódio. As conversas com os convidados se desenrolam com fluidez, maravilhando o espectador apaixonado por literatura. Veja, abaixo, um exemplo de um episódio de “Arte 1 ComTexto”. Essa conversa aconteceu no primeiro semestre do ano passado e teve como convidado o jornalista e escritor João Correia Filho (20º episódio da 4ª temporada). Nesse dia havia uma plateia presente ao bate-papo na Biblioteca Villa-Lobos (algo que não é tão frequente de ocorrer no “Arte 1 ComTexto”, mas que está longe de ser descrito como raro de se suceder). Confira: E aí, curtiu a ideia de acompanhar os trabalhos dos principais autores e profissionais do mercado editorial brasileiro? Obviamente, essas entrevistas foram produzidas para um público seleto: os amantes de literatura. Se você faz parte deste grupinho, saiba que o “Arte 1 ComTexto” passa todas as quintas-feiras, às 22 horas, no Arte 1. As reprises acontecem aos domingos, às 20h30. Os assinantes que possuem o NOW podem acompanhar todas as temporadas da atração desde o primeiro episódio. A nova temporada (a quinta) está para estrear. Como estou viciado em “Arte 1 ComTexto” há três anos, não vejo a hora das novas entrevistas começarem. Que tal o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer os demais posts dessa coluna, clique em TV, Rádio e Internet. 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- Exposições: Santos-Dumont na Coleção Brasiliana - O Pai da Aviação
Impossível recordarmos o ano de 2016 e não nos lembrarmos com saudades dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. E um dos momentos mais emocionantes do evento esportivo foi sua festa de abertura. Nela, os brasileiros puderam mostrar sua cultura e sua brasilidade para todo o planeta. Uma das cenas mais marcantes da cerimônia realizada no Maracanã foi o surgimento de uma réplica real do 14-Bis. O avião criado por Santos-Dumont em 1906 alçou voo no centro do estádio e deu uma volta pelo céu noturno do Rio. As imagens do antigo avião ganharam o mundo e mostraram a beleza da cidade carioca. Além disso, a escolha do brasileiro que é chamado até hoje de "Pai da Aviação" na Europa, em muitas antigas colônias francesas e no Brasil levantou velhas polêmicas nos Estados Unidos. Alguns telejornais norte-americanos voltaram a reafirmar que os inventores do avião são seus conterrâneos, os irmãos Wright. Para os jornalistas destes programas de notícias, a presença de Santos-Dumont na cerimônia de abertura das Olimpíadas não passou de um lapso ufanista dos organizadores brasileiros. Diante deste acalorado (e interminável) debate, ficamos sempre na dúvida. Afinal, quem é o verdadeiro pioneiro na aviação: os norte-americanos ou o brasileiro que viveu vários anos na França?! Para ajudar a esclarecer esta antiga questão e para explicar didaticamente o que aconteceu no início do século XX, o Itaú Cultural está com uma exposição chamada "Santos-Dumont na Coleção Brasiliana". Nesta mostra, os visitantes podem conferir a trajetória de Alberto Santos-Dumont da infância no interior de Minas Gerais (onde nasceu) e de São Paulo (onde foi criado) até sua morte. Cada período da vida do aviador está bem documentado. Destaque para a fase mais produtiva (e famosa) da carreira de Santos-Dumont. Este período foi vivido na capital francesa. Foi na Paris do início do século XX que as invenções do brasileiro foram apresentadas para o público. Os franceses ficaram maravilhados com os recordes superados pelas aeronaves construídas pelo mineiro. O segundo andar do prédio do Itaú Cultural está totalmente dedicado a "Santos-Dumont na Coleção Brasiliana". Ali há fotos originais, documentos, cartas, réplicas de jornais e protótipos de algumas invenções do brasileiro (além do avião, ele foi, por exemplo, o idealizador do relógio de pulso como conhecemos hoje em dia). Além disso, em uma das salas há a apresentação de um filme-documentário sobre a vida e os legados do "Pai da Aviação". Vale a pena assisti-lo. No fim, para coroar a visita à exposição, o público pode conferir de perto uma réplica em tamanho real do Demoiselle, o melhor avião desenvolvido por Santos-Dumont. Juntamente com a apresentação da mostra, o Itaú Cultural preparou alguns eventos utilizando a temática de Santos-Dumont. O principal deles é uma palestra marcada para hoje (quinta-feira, dia 19) que discutirá a relação entre empreendedorismo e inovação com a trajetória do aviador brasileiro mais famoso de todos os tempos. O bate-papo acontecerá às 19h na Sala Vermelha do centro cultural. Santos-Dumont na Coleção Brasiliana" tem entrada gratuita e estará em cartaz até o dia 29 de janeiro. As visitações ocorrem de terça a domingo na unidade da Avenida Paulista do Itaú Cultural. O horário de funcionamento do centro cultural é das 9h às 20h de terça a sexta-feira e das 11h às 20h aos sábados, domingos e feriados. Aos finais de semana e aos feriados, há visitas com educadores que explicam e comentam o acervo. Consulte os horários desta modalidade se esta for sua preferência. Não há restrições para a entrada de crianças. Pelo que vivenciei nesta semana, o público visitante é bem eclético. Havia, inclusive, muitos turistas estrangeiros no local. Não consegui identificar nenhum norte-americano... Reserve ao menos uma hora e meia para percorrer com calma e com atenção todas as salas da mostra. Eu gostei bastante da exposição e acredito que muita gente gostará. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias do blog. Para acessar as demais análises desta coluna, clique em Exposições. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook.
- Recomendações: Retrospectiva - Melhores exposições do Bonas Histórias em 2017
Em 2017, visitei algumas exposições na cidade de São Paulo. Sinceramente, não sei quantas foram ao todo. Só sei que o hábito de frequentar mostras na capital paulista é algo que faço há alguns anos ora semanalmente ora quinzenalmente. Os eventos mais interessantes dessa área sempre rendem posts para a coluna Exposições. Por isso, a proposta é trazer, hoje, na seção Recomendações do Bonas Histórias, uma pequena retrospectiva do que melhor rolou no ano passado nesse campo cultural. Selecionei as cinco melhores mostras visitadas e comentadas aqui no blog em 2017. Confira: 5º lugar: Santos-Dumont na Coleção Brasiliana – Itaú Cultural A exposição “Santos-Dumont na Coleção Brasiliana” ficou em cartaz até o final de janeiro do ano passado no Itaú Cultural da Avenida Paulista. Nessa mostra, o público teve acesso a fotos, documentos, cartas, réplicas de jornais, vídeos-documentários e protótipos de algumas invenções de Alberto Santos-Dumont, o brasileiro que ficou conhecido internacionalmente como o “Pai da Aviação”. 4º lugar: Construções Sensíveis – A Experiência Geométrica Latino-Americana – Galeria de Arte do Centro Cultural da FIESP Em cartaz de abril a junho de 2017 no Centro Cultural da FIESP da Avenida Paulista, "Construções Sensíveis – A Experiência Geométrica Latino-Americana” apresentou as várias vertentes do concretismo e do neoconcretismo latino-americano. As mais de cem peças da mostra contemplam pinturas, desenhos, obras sobre papel, esculturas, objetos, fotografias e vídeos de Joaquín Torres-Garcia, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Edgar Negret, Mathias Goeritz e Gunther Gerzso. 3º lugar: Wanda Pimentel Envolvimentos – MASP O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) apresentou, de maio a setembro do ano passado, a exposição “Wanda Pimentel Envolvimentos”. Nesta mostra, 27 pinturas da série "Envolvimentos", o mais famoso trabalho da pintora carioca Wanda Pimentel, ficaram à disposição do púbico. A maior parte dessas telas foi pintada na segunda metade da década de 1960. Incrível! 2º lugar: Henri Cartier-Bresson, Primeiras Fotografias - Galeria de Fotos do Centro Cultural da FIESP Na metade de 2017, o Centro Cultural da FIESP montou a exposição "Henri Cartier-Bresson, Primeiras Fotografias". A mostra inédita no Brasil trouxe setenta imagens do período inicial da carreira de Henri Cartier-Bresson, um dos mais celebrados fotógrafos do século XX. Quem gosta de fotografia e admira o trabalho do artista francês adorou esta exposição. 1º lugar: Toulouse-Lautrec em Vermelho - MASP O MASP apresentou no ano passado a exposição "Toulouse-Lautrec em Vermelho". A mostra reuniu os principais trabalhos de Henri de Toulouse-Lautrec, o pintor francês que polemizou entre o final do século XIX e o início do século XX. Sem dúvida nenhuma, esse evento cultural foi o mais importante das artes plásticas em nosso país em 2017. A Retrospectiva de 2017 continuará nas próximas semanas. Volto ainda neste mês ao Bonas Histórias para apresentar, na coluna Recomendações, as melhores peças teatrais assistidas e comentadas no blog no ano passado. Até mais! Gostou deste post do Bonas Histórias? Para acessar a lista completa dos melhores livros, filmes, peças teatrais e exposições dos últimos três anos, clique em Recomendações. E não se esqueça de deixar aqui seus comentários sobre o conteúdo do blog. Siga também a página do Bonas Histórias no Facebook.
- Exposições: Japão em Sonhos - Imersão audiovisual pela cultura japonesa
Não é de hoje que a unidade paulistana do Japan House, centro cultural mantido pelo governo japonês em diversas metrópoles globais, apresenta as exposições mais criativas da cidade de São Paulo. Invariavelmente, o público sai surpreendido de suas instalações. Os motivos são variados: alta tecnologia empregada (como a utilizada na sensacional “A Light un Light” de 2018), pelas experiências sinestésicas oferecidas (melhor exemplo foi “Aromas e Sabores” em 2018) e pelas propostas inusitadas (“Architecture for Dogs: Arquitetura para Cães” de 2019 foi divertidíssima). O resultado mais prático da excelência artístico-cultural da Japan House é que o local se transformou em passeio obrigatório para quem gosta de boas e diferenciadas mostras. Comigo não foi diferente. Confesso que não passo três meses sem dar uma conferida no que está rolando por lá. Nesta semana, aproveitei que estava na Avenida Paulista e visitei mais uma vez o centro cultural. Das duas exposições em cartaz atualmente na Japan House, a que achei mais interessante foi “Japão em Sonhos”. Apresentada no andar térreo do edifício, esta mostra permite aos visitantes uma imersão audiovisual por elementos tradicionais da cultura japonesa. Através de projeções em grande escala em mapeamento de vídeo (técnica conhecida como Video Mapping) nas quatro paredes do espaço e de trilhas sonoras ao mesmo tempo delicadas e impactantes, somos expostos a ícones orientais: os samurais, os templos com sua arquitetura típica, as gueixas, as artes marciais, a religiosidade, as crenças sobrenaturais, as montanhas, os festivais tradicionais, as personalidades históricas, a fauna, a flora, os hábitos alimentares, os objetos e os utensílios. Isso tudo é apresentado por uma perspectiva extremamente onírica. Achei a proposta desta instalação simplesmente sensacional. Utilizando-se de elementos aparentemente simples (vídeo e som), “Japão em Sonhos” consegue encantar o público, principalmente os visitantes que se identificam diretamente com a cultura retratada. O público em geral compreenderá a maioria das referências pois muitas são amplamente conhecidas. Porém, somente os visitantes de ascendência oriental ou familiarizados com a realidade japonesa entenderão as especificidades apresentadas. Criada pela empresa Danny Rose Studio, “Japão em Sonhos” foi apresentado no ano passado em Paris. Suas imagens são inspiradas nas gravuras do ukijo-e, movimento artístico japonês do século XVII que se tornou popular no Ocidente no século XIX. Já a trilha sonora foi extraída do trabalho de Ryuichi Sakamoto, músico japonês contemporâneo. Em conjunto com as faixas orquestrais de Sakamoto, há ainda sons extras como tambores japoneses e ruídos da fauna e da flora local. O conjunto audiovisual é o que mais impressiona. Porque separados, eles (som e vídeo) não têm tanta graça. Porém, integrados, eles adquirem força e contundência capazes de emocionar as almas mais sensíveis. Parte do impacto de “Japão em Sonhos” está atrelado ao fato de a exposição não ser 100% uniforme (refiro-me ao conteúdo exposto nas quatro paredes da sala). Cada uma das quatro faces da projeção possui alguma sutil diferença. Assim, o público não fixa seu olhar apenas em uma parede. Muitas vezes, a vontade é de espiar o que está acontecendo em todos os lados do ambiente (algo que, além de ser humanamente impossível, é atrapalhado pela característica do espaço, que tem vigas no centro e não é totalmente quadrado). Além disso, repare que as projeções também incidem sobre o chão da sala (muitas vezes, acabamos nos atentando apenas às paredes). Nem tente procurar uma narrativa linear ao longo de “Japão em Sonhos”. Como toda boa experiência onírica, não há uma linha mestre pautando as encenações. Personagens históricos, acidentes geográficos, objetos de uso cotidiano, festivais religiosos, manifestações culturais, fenômenos da natureza, animais e plantas se revezam aleatoriamente nos vídeos. No começo, estamos em uma floresta habitada por espíritos. Depois, a tela é tomada por A Grande Onda de Kanagawa, de Katsushika Hokusai. Dessa maneira, somos atirados ao fundo do mar. Lá, podemos ver a riqueza marinha da ilha oriental. Daí em diante somos levados a diferentes cenários: cerejeiras em flor surgem em leques ornamentados; visitamos as casas medievais japonesas; assistimos aos duelos de artes marciais; presenciamos o festival realizado com velas sagradas; etc. Quase sempre o tom fantástico sobressai sobre a realidade concreta. Dessa forma, acabamos levados para o mundo mágico do Japão dos sonhos, fantasias e/ou memórias. As escolhas dos elementos visuais desta exposição foram excelentes. A impressão que temos em “Japão em Sonhos” é de estarmos em um mangá eletrônico. A beleza da mostra é passada aos poucos para os visitantes. No início, confesso ter achado a proposta um tanto inocente e tola. Contudo, à medida em que a apresentação foi evoluindo, acabei encantado com sua ideia e, principalmente, com sua execução. Saí maravilhado do centro cultural. O casamento perfeito entre imagens e sons torna única e encantadora a experiência dessa viagem virtual. Outro aspecto que precisa ser elogiado é que o público se senta no chão para assistir as projeções (não tem nada mais oriental do que se sentar no chão, né?). Além de conferir um ar japonês à sala, isso aproxima um pouco mais os participantes. A única coisa que pode suscitar alguma polêmica é o número de pessoas colocado na sala em cada sessão. À princípio, considerei excessiva a quantidade de participantes alocadas ali. Afinal, quanto mais indivíduos no recinto, mais difícil é para ver as projeções. Porém, depois entendi que até mesmo essa dificuldade faz parte da própria experiência visual da exposição (as cabecinhas dos participantes juntam-se perfeitamente às imagens projetadas). Como há muitos orientais na sala, a sensação de estarmos no Japão se potencializa ainda mais. Além disso, como algumas pessoas ficam de pé atrapalhando um pouco o alcance de nossa visão do que está acontecendo em algumas paredes, a impressão é de estarmos nas ruas entupidas de Tóquio. Até nisso, consciente ou inconscientemente, “Japão em Sonhos” acertou. Na minha sessão, notei que havia um público saudosista de sua terra natal. Eram senhores e senhoras de descendência japonesa que puderam recordar-se de sua infância e de seus ancestrais. Muitos eram bem velhinhos mesmo. Foram eles os que ficaram mais emocionados (enquanto isso, muitos adolescentes não desgrudaram os olhos de seus celulares, não acompanhando nada ou quase nada das projeções nas paredes...). “Japão em Sonhos” tem duração de mais ou menos 15 minutos. Assim que acaba uma sessão, outra já começa. Mal o público sai, um novo grupo entra. Tudo é muito bem organizado no Japan House. Como fui em uma quarta-feira à tarde ao centro cultural, peguei uma fila pequena e rápida. Tive muita sorte. Uma nova sessão iniciou assim que entrei em sua fila. Não devo ter esperado nem 2 minutos. Quem for em um final de semana, não espere encontrar a mesma sorte. “Japão em Sonhos” entrou em cartaz em 18 de fevereiro, na época do Pré-Carnaval paulistano, e ficará em exposição até 26 de abril. Ou seja, ainda há quase um mês e meio para você conferi-lo. A entrada é gratuita e o centro cultural japonês abre de terça a domingo (só fecha às segundas-feiras). A exposição é recomendada para todas as faixas etárias (há inclusive um pequeno espaço destinado para quem precisa ficar sentado em bancos). Dependendo do dia em que você for, prepare-se para pegar uma fila considerável. Aos finais de semana, você ficará mais tempo na fila (de meia hora a uma hora) do que na sessão propriamente dita (de 15 minutos de duração). Aproveitando que você estará lá, veja também a outra exposição em cartaz no segundo andar do Japan House. Até 12 de abril, “Construção”, instalação sobre o “escultor de espaços” Tadashi Kawamata, está sendo apresentada gratuitamente aos visitantes. Dessa mostra falarei em um próximo post da coluna Exposições. Não perca as novidades desta seção do Bonas Histórias! Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias do blog. Para acessar as demais análises sobre essa área, clique em Exposições. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook.
- Exposições: Ocupação Rino Levi - O legado do arquiteto e urbanista paulistano
No início do mês, visitei o Itaú Cultural para conferir a exposição “Ocupação Rino Levi”. A mostra é uma homenagem à vida e ao trabalho do arquiteto e urbanista paulistano que revolucionou a paisagem da cidade de São Paulo a partir da década de 1920. Com a contribuição direta de Rino Levi, a capital paulista abandonou definitivamente os ares de localidade bucólica e interiorana e adquiriu a cara de metrópole cosmopolita e vertical que possui atualmente. Das pranchetas de Levi nasceram projetos que ainda hoje são marcos arquitetônicos do município: o Cine Ipiranga, de 1943, o Edifício Prudência, na Avenida Angélica, de 1944, o Teatro Cultura Artística, de 1950, o Hospital Israelita Albert Einstein, de 1958, e o edifício do SESI da Avenida Paulista, de 1979, agora sede da FIESP (aquele prédio com a fachada predominantemente preta e desenho piramidal que chama tanta a atenção por quem passa pela via mais famosa de São Paulo). Fora da capital paulista, o arquiteto e urbanista paulistano foi o responsável pelo Cine Art-Palácio, de 1936, em Recife, pela casa de Olivo Gomes, de 1949, em São José dos Campos, e pelo Centro Cívico, de 1965, em Santo André. Sem sombra de dúvida, Rino Levi é um dos gênios da arquitetura brasileira do século XX. Representante da Escola Paulista de Arquitetura Moderna e fundador da cultuada Rino Levi Arquitetos Associados, ele projetou edifícios, residências, cinemas, teatros, hospitais e museus. Como legado profissional, Levi deixou muito mais do que projetos e tendências arquitetônicas. Ferrenho defensor da regulamentação de sua profissão, contribuiu para alterar o modo de se pensar e de se fazer arquitetura no país, além de ter atuado como professor universitário por muitos anos. Inaugurada em 29 de fevereiro no andar térreo do Itaú Cultural da Avenida Paulista, a exposição “Ocupação Rino Levi” apresenta um acervo interessante sobre o trabalho e a vida do arquiteto e urbanista que ajudou a mudar a cara de São Paulo. O público que visita a mostra tem acesso a fotografias, artigos de jornais, projetos arquitetônicos, maquetes, croquis e plantas de casas e edifícios, documentos pessoais e estudos urbanísticos de Levi. Há também muitos vídeos tanto sobre a personalidade retratada quanto sobre seus trabalhos. Alguns desses vídeos são inéditos, com profissionais atuais discorrendo sobre o legado de Rino Levi e sobre os detalhes dos seus projetos mais relevantes. Além disso, é possível realizar um passeio virtual (graças à realidade virtual) por duas de suas maiores inovações, o UFA Palácio (mais tarde chamado de Cine Art-Palácio) e o Cine Universo, ambos em São Paulo. O primeiro foi um edifício construído na Avenida São João (berço da Cinelândia), em 1936, para abrigar uma sala de cinema com proporções gigantescas para a época (mais de 3 mil espectadores). Para tal, o UFA Palácio foi concebido com o que havia de mais moderno em técnicas arquitetônicas, com preocupações que abrangiam a acústica, a visibilidade, a circulação de ar, a acessibilidade da plateia, o conforto dos clientes e a funcionalidade do espaço. Maravilhoso! Por sua vez, o Cine Universo foi projetado em 1936 e inaugurado três anos depois. O edifício da Rua Celso Garcia (segundo polo cinematográfico mais importante da cidade, perdendo apenas para a Cinelândia) também se tornou referência em desenho para as demais salas de cinema por sua qualidade técnica, pela acústica impecável e pelo visual arrebatador. Vale lembrar que Levi foi um revolucionário na aplicação dos princípios da acústica, o que lhe garantiu muitos projetos em teatros e cinemas pelo país. Diferentemente do UFA Palácio, o Cine Universo foi criado para atender mais pessoas (inicialmente a projeção era de 5 mil espectadores, mas no final acabou com uma capacidade total de 4.300 clientes) e de uma classe social mais simples. Sem os excessos estilísticos do cinema anterior, o Cine Universo ficou conhecido por muito tempo como o maior cinema da América Latina. Realizar os passeios virtuais pelo UFA Palácio e pelo Cine Universo é voltar aos tempos áureos do cinema de rua de São Paulo. É também uma ótima maneira para entender a genialidade de Rino Levi e para conhecer as inovações propostas por seus projetos nas casas de espetáculos (nos cinemas e, por que não, nos teatros). Se as duas estações de realidade virtual estiverem ocupadas, vale a pena esperar o tempo que for preciso para ver os detalhes destas construções incríveis. Não perca a oportunidade de conferi-los, hein? Uma parte curiosa (e não menos interessante) da exposição é aquela destinada aos projetos não aprovados do arquiteto. Rino Levi contribuiu, por exemplo, desenhando prédios e palácios da cidade de Brasília na segunda metade da década de 1950, quando a nova Capital Federal era esboçada pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Os projetos de Levi, como sabemos, foram preteridos pelos da dupla Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Rino Levi também participou da concorrência para o Novo Viaduto do Chá, em São Paulo, nos anos de 1950. A iniciativa de reformulação do espaço, contudo, foi cancelada pela Prefeitura da época. Curiosamente, a ideia de revitalizar essa tradicional área da cidade foi retomada apenas recentemente, mais precisamente no ano passado, pela atual administração municipal (mas, com um projeto totalmente desconectado às propostas de Rino Levi). Mesmo sabendo que a Brasília do arquiteto paulistano e o seu Viaduto do Chá nunca saíram do papel, ainda sim é magnífico passear pelas linhas traçadas em seus croquis. Nascido na capital paulista, em 31 de dezembro de 1901, em uma família italiana, Rino Levi estudou arquitetura na Itália. Ainda morando na Europa, publicou no jornal O Estado de São Paulo uma matéria intitulada de “Arquitetura e Estética das Cidades”. Nesse manifesto considerado pioneiro na valorização da Arquitetura Moderna no Brasil, o jovem estudante destacava a importância da aplicação da filosofia, dos conceitos e das técnicas mais contemporâneas na construção das grandes cidades. Uma vez formado, Levi regressou ao seu país natal em 1926. Justamente nesta época, São Paulo crescia vertiginosamente. Ou seja, juntou-se a fome (da metrópole que urgia) com a vontade de comer (do jovem arquiteto ansioso para mostrar trabalho). Por aqui, Rino Levi começou trabalhando na Companhia Construtora de Santos. Porém, rapidamente fundou a sua própria empresa, a Rino Levi Arquitetos Associados. No início da década de 1930, surgiram os primeiros projetos do seu escritório de arquitetura na cidade de São Paulo: modernos prédios realizados para imigrantes italianos. Contudo, o arquiteto viveria seu auge profissional a partir da segunda metade dos anos 1930. Foi entre 1936 e 1951 que Levi se tornou a cara de São Paulo, realizando memoráveis construções pela metrópole. Seus projetos foram, inclusive, publicados em revistas arquitetônicas nacionais (Revista Politécnica, por exemplo) e internacionais (Architettura, na Itália, e Architecture d´Aujourd´Hui, na França). Na década de 1950, Rino Levi desacelerou um pouco o trabalho de produção de novos projetos. Ele preferiu atuar de maneira mais institucional e acadêmica. É neste período em que participa da formação e da construção do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), onde seria presidente. Levi também trabalhou ativamente na reformulação da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), onde foi professor. Em 1965, Rino Levi faleceu aos 63 anos quando viajava pelo interior da Bahia ao lado do amigo Burle Marx. Mesmo assim, alguns projetos do arquiteto saíram do papel mesmo após sua morte. São os casos do Edifício da FIESP-CIESP-SESI da Avenida Paulista, dos prédios da Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André, e da Torre do Relógio, na Cidade Universitária da USP. “Ocupação Rino Levi” ficará em cartaz no Itaú Cultural até 12 de abril (pelo menos era essa a programação antes do fechamento do espaço por causa do coronavírus). A entrada é gratuita e a exposição é destinada a todas as idades. É verdade que quem trabalha, estuda e gosta de arquitetura e urbanismo irá apreciar mais os detalhes desta mostra. Mesmo assim, a instalação é didática e rica o suficiente para agradar também o visitante leigo. Reserve ao menos uma hora para percorrer todos os espaços da exposição. Foi mais ou menos esse o tempo que levei no último sábado à tarde. Apesar da mostra estar concentrada em uma pequena ala do térreo do edifício do instituto cultural, há muita coisa para ser vista (não confunda compactação espacial com pobreza de acervo, por favor!). Até mesmo aos finais de semana, o público em “Ocupação Rino Levi” não é tão grande. Portanto, dá para apreciar os materiais apresentados ali numa boa. A única parte que requer um pouco mais de paciência do visitante é nas estações de realidade virtual. Se você tiver sorte, não precisará pegar fila. Gostei muito de “Ocupação Rino Levi”. Esta é a 49ª edição do Programa Ocupação do Itaú Cultural. É legal perceber que a coluna Exposições do Bonas Histórias analisou, nos últimos anos, algumas delas: Ocupação Abdias Nascimento (janeiro/2017), Ocupação Cartola (novembro/2016), Ocupação Grupo Corpo 40 Anos (janeiro/2016), Ocupação Elomar (agosto/2015) e Ocupação Vilanova Artigas (julho/2015). Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias do blog. Para acessar as demais análises sobre essa área, clique em Exposições. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook.
- Peças teatrais: Ato Falho - Tragicomédia da vida contemporânea
Está em cartaz, desde 17 de junho, em São Paulo, a peça "Ato Falho", uma tragicomédia sobre a vida contemporânea. Produzido de maneira independente pelas atrizes Bruna Anauate e Tati Lenna e viabilizado por meio de uma exitosa campanha de crowdfunding, o espetáculo oferece um impecável retrato das neuroses do mundo moderno. A ótima interpretação das duas atrizes no palco confere maior força dramática ao excelente texto da peça, levando a plateia a se emocionar de diferentes formas. O público vai da risada espontânea à sensação de desconforto (proposital) em questão de segundos. O resultado final é uma provocante e inteligente reflexão sobre os hábitos que levamos atualmente. "Ato Falho", apesar da aparente simplicidade, é uma peça intensa, profunda e encantadora. Dentro do circuito cênico alternativo da cidade, essa é uma das melhores opções em cartaz neste momento. Ela é ideal para quem gosta de vivenciar o verdadeiro teatro. Nele, as ótimas cenas, o texto muito bem trabalhado e a excelente interpretação dos artistas são a essência. O restante é detalhe, que pode muito bem passar despercebido ou, como é o caso aqui, ser excluído sem comprometer em nada a produção. O enredo de "Ato Falho" se passa na cidade de São Paulo em um dia corriqueiro. Em seis cenas fragmentadas e sem uma ordem cronológica bem definida, a plateia presencia o drama dos moradores desta metrópole caótica. Logo de cara, há a mulher que sofre de prisão de ventre e sonha em conseguir defecar. Diante de seu problema, ela repensa, em pleno banheiro, sua vida a partir da perspectiva do seu intestino. Na sequência, outra personagem derruba um copo cheio de líquido no chão de sua residência. Aquele acidente banal é considerado uma tragédia pela moradora, pois ela não comprou detergente. Onde já se viu se esquecer de comprar os produtos de limpeza para a casa?! No quadro seguinte, duas desconhecidas ficam presas dentro de um vagão do Metrô. Elas começam a conversar e expõem a faceta irônica da impessoalidade do ambiente público. As cenas vão surgindo sucessivamente, compondo quadros ao mesmo tempo hilários e ácidos, tão comuns nos grandes centros urbanos. A quarta enquete é sobre uma mulher que deseja marcar uma operação médica para a mãe. Para tal, precisará superar a burocracia e a pouca autonomia da operadora de telemarketing do plano de saúde. Há também as duas amigas que se encontram na balada. Em meio à alegria de se rever, a dupla não para de tirar selfie. Elas não se preocupam em aproveitar a companhia da amiga há tanto tempo sumida. O que desejam é tirar a foto perfeita daquele instante. Para completar, temos duas personagens que se divertem com a tentativa de suicídio de uma moça obesa. Enquanto a jovem tenta se jogar do alto de um prédio, as duas espectadoras se juntam à enorme plateia na rua para assistir ao deprimente espetáculo como se estivessem em frente à televisão de casa. A riqueza de "Ato Falho" está em sua capacidade de retratar a realidade contemporânea com uma pegada irônica e sensível, sem perder a profundidade dramática. Tudo é muito intenso no palco. A união de ótimas interpretações com um texto apuradíssimo transforma o espetáculo em uma síntese sagaz dos nossos tempos. A proximidade da plateia e o clima intimista do teatro aumentam consideravelmente a sensação dos espectadores estarem vivenciado (de verdade) aqueles situações, ao invés de simplesmente estarem assistindo à encenação. A peça também aborda a melancolia, a solidão, os distúrbios psicológicos, a desumanização, a impessoalidade, o mau uso da tecnologia e os relacionamentos frágeis dos moradores da cidade de São Paulo. O tom sombrio e tenso das cenas é quebrado em parte pelo humor leve e natural das situações. Assim, o público se diverte ao mesmo tempo em que pode refletir sobre suas condutas habituais. É impossível a plateia não se enxergar em quase todas as cenas representadas no palco. A maioria das situações é bastante original e bem trabalhada pelas artistas. A exceção é o quadro da atendente do telemarketing, uma cena um tanto batida e muito caricata. Destaque positivo para a enquete em que o trem do Metrô fica parado por causa de problemas técnicos. Além de ser a cena mais longa, é também aquela em que há elementos mais engraçados e dramáticos da peça. A atuação das atrizes é perfeita neste momento! A vontade que dá é de ver essa enquete várias vezes para observar os muitos detalhes apresentados em cena. Bruna Anauate e Tati Lenna são excelentes atrizes, formadas há quase uma década pelo CPT (Centro de Pesquisa Teatral), celebrada companhia de Antunes Filho. Por isso, não é surpresa nenhuma em ver o belo desempenho cênico da dupla em cima do palco. A grata novidade foi ter descoberto a capacidade delas em produzir um espetáculo artístico de altíssima qualidade do início ao fim. Bruna e Tati são autoras do texto de "Ato Falho" e ficaram responsáveis por quase todos os demais elementos da peça. Além de serem atrizes e dramaturgas, elas também desempenham os papéis de diretoras, cenógrafas, figurinistas e produtoras do espetáculo. Só a iluminação que não conta com a participação direta delas. A dupla inclusive fica na bilheteria, vendendo os ingressos e recepcionando de forma simpática o público no teatro. Ou seja, são duas artistas completas e na plenitude do trabalho cênico. É claro que Bruna Anauate e Tati Lenna, que somente agora passaram a trabalhar em conjunto como produtoras, já realizam suas próprias peças há algum tempo. Bruna, por exemplo, produziu, em 2013, o ótimo "Tem Alguém que Nos Odeia", sobre a intolerância ao homossexualismo. Já Tati integrou o Núcleo de Dramaturgia do SESI, um dos principais formadores de artistas teatrais do país. Sua primeira peça como dramaturga foi "Circo Chernobyl – Um ensaio sobre a peça”, lançada no ano passado. Não é errado afirmar que "Ato Falho" é a produção mais autoral, intimista e interessante da dupla. Se a peça possui figurino, cenário, iluminação e acomodação muito simples (e põe simples nisso) é porque suas produtoras/intérpretes optaram por concentrar toda a atenção e energia no texto e na interpretação, os elementos verdadeiramente importantes. Essa decisão se mostrou acertadíssima. A plateia se emociona e ri com o que vê no palco. O público fica praticamente sem respirar e sem piscar durante os sessenta minutos do espetáculo, tamanha é a força hipnotizante das cenas. O único ponto negativo da peça é o seu local de encenação. O Espaço Cia do Pássaro é um teatro simpático e aconchegante, porém está localizado na República, bem no centro de São Paulo. Essa é uma região que infelizmente se degradou muito nos últimos anos. É chato você levar alguém ao espetáculo e sua companhia ficar com medo de ser assaltada nas ruas escuras e desertas daquela região da cidade. Por isso, a melhor alternativa é ir de carro à Cia do Pássaro, apesar da estação de Metrô do Anhangabaú estar a alguns metros de distância da porta do teatro. "Ato Falho" está em cartaz aos sábado (às 21 horas) e domingos (às 19 horas) no Espaço Cia do Pássaro (Rua Rua Álvaro de Carvalho, 177 – Centro). A temporada vai só até o dia 30 de julho e os ingressos custam R$ 40,00. Por isso, corra se você quiser acompanhar essa interessante peça. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias desta coluna. Para acessar as demais críticas teatrais, clique em Teatro. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook.
- Rádio: Entrevista de Ricardo Bonacorci na Gazeta AM
Na sexta-feira retrasada, dia 25 de setembro, eu fui entrevistado pela rádio Gazeta AM. O debate, com os jornalistas Lucas Strabko, Augusto Cesar e Paulo Sousa, era sobre a carreira de um ghost writer. Como não consegui postar o áudio desta parte do programa neste post, reproduzo, abaixo, a matéria colocada no ar do site do programa. Confiram! Entrevista com o ghost writer Ricardo Bonacorci: A Rádio Gazena AM conversou com o ghost writer Ricardo Bonacorci, autor de livros de gestão e mantenedor do Blog Bonas Histórias. Ele nos contou sobre sua profissão: "Um ghost writer basicamente é um escritor que não aparece para o público. Ele escreve obras, principalmente livros, em nome de outras pessoas. Assim, o dia-a-dia é escrever e pesquisar". Ricardo também comenta a importância de sua trajetória profissional para se tornar um ghost writer: "Eu fui publicitário até completar 30 anos. Então, tive a crise dos 30 e replanejei minha vida. Percebi que o que eu gostava era de escrever. Eu não considero que tenha feito completamente essa transição. Imagino que em 2 ou 3 anos consiga trabalhar exclusivamente como escritor". Sobre ser ético, o ghost writer é pragmático: "Se é combinado, não vejo problemas. O que eu acho errado é quando uma pessoa se utiliza de conceitos, palavras, conteúdo do outro. Isso é antiético. Até por que, muito dos conceitos que o ghost writer escreve nos livros vêm de pessoas como executivos ou consultores. Eu pego os conceitos e transformo em palavras. O conceito é deles, e não meu". O anonimato não é um problema para um ghost writer, conforme esclarece Ricardo Bonacorci: "Eu adoro não ser reconhecido. Quando mais eu ficar desaparecido, melhor. Eu gosto é de escrever e quando as pessoas gostam do livro. Pra mim, um livro é um filho que eu coloco no mundo. Enfim, não tenho muita vaidade e até gosto de ficar em segundo plano" Finalmente, Ricardo fala sobre o maior desafio da carreira de ghost writer: "Cada livro tem suas histórias, sua temática. Precisa ser pesquisado pra escrever com a linguagem da pessoa e o estilo que ela quer. Esse é o grande desafio". Essa foi a entrevista do ghost writer e mantenedor do Blog Bonas Histórias, Ricardo Bonacorci. Que tal o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer os demais posts dessa coluna, clique em TV, Rádio e Internet. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #GhostWriter #Rádio #Entrevista #RicardoBonacorci #FazerLiterário
- Livros: José - A novela autobiográfica de Rubem Fonseca
Li, nesta semana, "José" (Nova Fronteira), a novela autobiográfica de Rubem Fonseca. A obra é apresentada ao leitor como uma ficção, porém é inegável seu caráter de memória. O José da história e do título do livro é o próprio Rubem Fonseca. Para quem não sabe, o nome completo do escritor é José Rubem Fonseca. Nesta narrativa em terceira pessoa, Fonseca apresenta a infância e a juventude de sua personagem. A trama segue até o protagonista completar vinte e poucos anos de vida. Nesta época, José atuava como advogado criminalista (e sua carreira de escritor ainda não tinha começado – até então, ela não passava de um sonho distante). A pergunta que me fiz durante a leitura de "José" foi: por que o autor e sua editora posicionaram esta obra como uma novela e não como um livro de memórias? Sinceramente não sei a resposta. O próprio escritor justifica-se na segunda página da narrativa: "Ao falar de sua infância José tem que recorrer à sua memória e sabe que ela o trai, pois muita coisa está sendo relembrada de maneira inexata, ou foi esquecida. Mas ele gostaria de concluir, ao fim dessas lembranças tumultuadas, que memória pode ser aliada da vida. Sabe que todo relato autobiográfico é um amontoado de mentiras - o autor mente para o leitor, e mente para si mesmo. Mas aqui, se alguma coisa foi esquecida, ele se esforçou para que nada fosse inventado. José cita Proust: 'a lembrança das coisas passadas não é necessariamente a lembrança das coisas como elas foram'". Diante dessas palavras do principal autor policial brasileiro, quem sou eu para discutir o que é ficção e o que é autobiografia, hein?! Publicado em 2011, "José" tem 168 páginas e está dividido em 19 capítulos. Trata-se de uma leitura muito rápida. É possível ler o livro inteiro em duas ou três horas. Foi o que fiz na noite de anteontem. Esta obra é a última narrativa longa (novela/romance) lançada por Rubem Fonseca. Depois de "José", o escritor mineiro só publicou coletâneas de contos: "Axilas e Outras Histórias Indecorosas" (Nova Fronteira), de 2011, "Amalgama" (Nova Fronteira), de 2013, "Histórias Curtas" (Nova Fronteira), de 2015, "Calibre 22" (Nova Fronteira), de 2017, e “Carne Crua” (Nova Fronteira). O enredo de “José” começa com o narrador-protagonista relembrando-se de sua infância. Menino tímido e introspectivo, José era fascinado pela literatura. Desde os oito anos de idade, quando morava em Juiz de Fora, seu passatempo favorito era a leitura. Ele passava boa parte dos dias e das noites mergulhado nas páginas das histórias ficcionais francesas que uma tia, que morava no Rio de Janeiro, lhe enviava. Nos primeiros capítulos desta novela, acompanhamos a vida da família da personagem principal em Minas e, depois, no Rio de Janeiro. Os pais de José eram portugueses que vieram tentar a sorte no Brasil. Eles se conheceram no Rio e se mudaram para Juiz de Fora para empreender. Foi na cidade mineira que José nasceu. No início, a loja de departamento do pai foi um sucesso e a família enriqueceu. Porém, o negócio foi à bancarrota depois de alguns anos. Falidos, eles precisaram voltar para o Rio de Janeiro sem muito dinheiro no bolso. Na então Capital Federal, passaram a levar uma vida mais simples (de trabalhadores humildes). A descoberta do Rio pelo jovem José é um capítulo à parte de sua autobiografia. O menino se mudou para a Cidade Maravilhosa aos oito anos de idade e ficou deslumbrado com tudo o que viu ali. Ao mesmo tempo em que a paixão pela literatura continuava (da ficção francesa ele partiu para os romances policiais norte-americanos, ficando fã deste gênero), o adolescente descobriu a adoração pelas ruas e pelas mulheres cariocas. Literatura, a metrópole dos contrastes e os corpos femininos eram as grandes paixões do agora adolescente. O relato prossegue da adolescência (as primeiras namoradas, a iniciação sexual, o gosto pelo cinema, a relação com os colegas de escola, os primeiros trabalhos profissionais) até o início da vida adulta (forma-se em Direito, passa a trabalhar como advogado criminalista, envolve-se com uma mulher casada, alguns familiares morrem). Curiosamente, o livro termina (fique tranquilo: não há spoiler aqui!) quando José começa a acalentar a vontade de ser escritor. Inclusive, ele havia escrito sua primeira coletânea de contos. Isso ocorreu mais ou menos quando o rapaz tinha dezoito anos de idade. Com o original da obra em mãos, ele entregou o material para a avaliação de um editor especializado em literatura brasileira. Essa história é incrível! Não vou contar o que aconteceu para não estragar as surpresas de quem for ler “José” (não falei que não contava o spoiler!). O que posso adiantar é que a iniciação na literatura do narrador foi uma experiência tão traumática que ele ficou quase duas décadas sem escrever nada. É preciso admitir que a interrupção da história quando José iria virar Rubem Fonseca pode frustrar alguns leitores mais curiosos. Por exemplo, eu gostaria muito de saber mais sobre os relatos do início da carreira literária do autor. Porém, entendi perfeitamente a opção por esse limitado recorte temporal. O narrador-protagonista justifica essa opção na última página da novela: "José resolveu seguir o exemplo de Isaac Bashevis Singer, que ao escrever a sua autobiografia parou nos trinta anos. José resolveu parar um pouco mais cedo. Certamente não conseguiu escrever a história completa da sua vida nesses vinte e poucos anos. Na realidade, como diz Singer, 'a história verdadeira da vida de uma pessoa jamais poderá ser escrita. Fica além do poder da literatura. A história plena de qualquer vida seria ao mesmo tempo absolutamente aborrecida e absolutamente inacreditável'". Impossível não assinar em baixo e não concordar com a proposta do autor. A primeira coisa que chama a atenção em "José" é o seu narrador. A obra é escrita em terceira pessoa. Porém, fica evidente o caráter pessoal desse relato. É como se o Rubem Fonseca de hoje narrasse a história de sua infância e de sua juventude com um olhar de fora, como se estivesse revendo o que passou e não como se quisesse vivenciar outra vez os momentos antigos. Ou seja, o protagonista é o José de ontem, um indivíduo desvinculado do Rubem de hoje. Por isso, a escolha pela terceira pessoa. Ao mesmo tempo que há uma separação formal entre narrador e personagem principal, há uma grande proximidade entre eles. O narrador está fora da trama, mas sabe tudo o que se passa na cabeça do seu protagonista (uma terceira pessoa quase em primeira pessoa). Esse recurso é bastante parecido com o que foi utilizado por J. M. Coetzee, escritor sul-africano vencedor do Nobel de Literatura de 2003, em boa parte de suas histórias ficcionais. No estilo textual-narrativo, “José” acaba lembrando muito a trilogia autobiográfica de Coetzee, composta por "Infância" (Companhia das Letras), "Juventude" (Companhia das Letras) e "Verão" (Companhia das Letras). Outro aspecto interessante de ser percebido pelo leitor em "José" é a relação de episódios reais da vida do escritor com passagens ficcionais de suas obras (essa é a principal explicação para a classificação da obra estar como novela e não como autobiografia). Notei que há muitas semelhanças entre o que Rubem Fonseca (ou seria José?) vivenciou na prática e algumas características de suas personagens ficcionais. É muito legal procurar identificar esses paralelos no texto. Por exemplo, juro que visualizei Mandrake, personagem de "A Grande Arte" (Nova Fronteira) e de outros livros mais de Fonseca, trabalhando em seu escritório de advocacia quando o narrador contou sobre o início da carreira de José no Direito Criminal. Admito ter ficado encantado com o relato franco e sincero de Rubem Fonseca sobre seu passado. Não é preciso dizer que "José" foge completamente das características típicas da literatura do escritor mineiro (ou seria carioca?!). Esse é mais um motivo para ver esta obra como um livro de memórias e não como uma novela ou um romance ficcional. As únicas evidências do Brutalismo, corrente literária na qual Fonseca se tornou o principal representante em nosso país, surgem quando o narrador apresenta o Rio de Janeiro entre o final dos anos 1930 e o início dos anos 1940. É espetacular acompanhar a descrição da capital carioca naquele período, praticamente outra cidade se comparada com a de agora. "José" é um ótimo livro autobiográfico. Quem quiser conhecer mais sobre as duas primeiras décadas de vida de um dos principais autores contemporâneos do Brasil, esta publicação é uma boa escolha. E é com esta obra que encerramos a parte das análises individuais do Desafio Literário de setembro. Na próxima terça-feira, dia 29, irei retornar ao Bonas Histórias para apresentar uma análise geral da literatura de Rubem Fonseca. Até lá, pessoal! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.
- Mercado Editorial: Meu sim ao imposto dos livros
Sei que serei apedrejado por muitos colegas na praça pública das redes sociais. Também sei que serei tachado de traidor da causa por muita gente que não aceita opiniões divergentes. Afinal, como alguém que trabalha no mercado editorial pode ser a favor do novo imposto dos livros, hein?! A questão é justamente esta. Por estar inserido neste setor, não quero privilégios. Na minha visão, um dos grandes problemas do Brasil é que cada um exige vantagens para si e para os seus, independentemente da coletividade. É o famoso olhar para o próprio umbigo (e que se dane todo o resto!). Quem me conhece sabe o quanto abomino qualquer tipo de mordomias que perpetuam injustiças históricas. Não por acaso, estamos na segunda nação mais desigual do planeta. Neste sentido, a reforma tributária que está sendo estudada pelo governo federal, que pretende unificar o PIS e o Confins na nova Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS) e que propõe, entre outras medidas, o fim da isenção dos tributos dos livros, me parece uma medida positiva e, porque não, justa. E falo isso como escritor, editor, crítico literário e, acima de tudo, leitor voraz que devora entre 12 e 20 obras mensalmente. Mesmo tendo a literatura e a leitura como partes fundamentais das minhas rotinas pessoal e profissional, ainda sim não consigo enxergar os livros como um produto tão especial que mereça regalias por parte do sistema tributário nacional. Se filmes, peças teatrais e músicas, para ficarmos em uma comparação dentro do setor cultural, pagam impostos normalmente, por que os livros não deveriam pagá-los? Antes de justificar minha posição a favor da tributação dos livros com mais argumentos, preciso fazer um alerta preliminar. Esta minha concordância em relação ao imposto não tem nada a ver com qualquer posição política e/ou ideológica. Até porque tenho nojo deste governo de extrema direita que envergonha nosso país em qualquer esfera analisada. Quem tem o mínimo de inteligência nota que somos (des)governados por um séquito de loucos que pretende destruir nossas florestas, nossa cultura, nossa educação, nosso sistema de saúde, nossas liberdades individuais, nossa diversidade de estilo de vida, nossas diferenças étnicas e nossas instituições. Feita essa rápida ressalva, voltemos à questão central deste post da coluna Mercado Editorial. É justo taxar os livros com 12% de CBS? Minha resposta é sim. Os livros são um produto como qualquer outro. Errado! Você está se esquecendo da importância social deles, pode gritar alguém mais exaltado que lê o Bonas Histórias com atenção. Não, respondo educadamente e com um ponto de vista mais pragmático. Se os alimentos e as bebidas não-alcóolicas pagam impostos, por que o mercado editorial merece vantagens tributárias?! Se as escolas particulares, fundamentais para a educação de uma parcela da população brasileira, pagam imposto, por que os livros deveriam ficar de fora? É só olhar para o lado e notar que há uma infinidade de produtos e serviços tão importantes quanto os livros para a sociedade: serviços médicos e hospitalares, remédios, tratamento e abastecimento de água, transportes, captação e tratamento de esgoto e lixo, revistas, jornais. E mesmo assim, eles são tributados normalmente sem que mobilizações contrárias em tom raivoso sejam despertadas pelos quatro cantos. Então, o governo deveria isentar todos esses produtos e serviços essenciais, berra alguém lá no fundo com a solução mágica que manterá a antiga vantagem tributária dos livros. Como sou contra os privilégios, não posso aceitar a sua expansão. Afinal, o que é essencial para uma pessoa pode não ser para outra. Para os advogados e os escritórios de advocacia, por exemplo, seus serviços são fundamentais para a sociedade (saiba que, com essa justificativa, essa classe profissional, na nova reforma tributária, pagará menos da metade dos impostos que os demais contribuintes). Para um banco, seus serviços também são essenciais (os operadores bancários também vão pagar menos da metade dos impostos que as outras empresas). As companhias de seguros foram agraciadas com essa mesma vantagem tributária que advogados e banqueiros receberam e pagarão menos impostos com a nova reforma. Você acha justo alguns setores específicos terem este tipo de regalia por parte do governo?! Eu não acho. Exatamente por isso, sou contrário à isenção que igrejas, associações esportivas, partidos políticos, cooperativas e condomínios possuem há anos (estas empresas nem sequer pagam impostos!). O nome disso é privilégio. Repito: PRIVILÉGIO! Se eu não quero que os outros tenham vantagens indevidas, não posso, por consequência, aceitar tê-las para mim. Esse princípio é tão óbvio que fico chocado quando vejo que muitas pessoas não querem aplicá-lo no dia a dia. Contudo, não podemos nos esquecer, a aplicação de 12% de imposto irá destruir o mercado editorial, justificam muitas pessoas deste segmento. Será mesmo?! No meu ponto de vista, o mercado editorial brasileiro já vive há alguns anos em frangalhos (mesmo sem a tributação). O iminente fechamento das principais redes de livrarias (Saraiva e Cultura estão à beira da falência) e de muitas editoras do nosso país não tem nada a ver com a nova ordenação tributária. A crise que essas empresas atravessam é fruto de transformações estruturais deste setor da economia (algo que o mercado fonográfico, por exemplo, passou há 20, 15 anos). Não será o imposto que irá provocar ou acentuar a crise (a crise já existe, é profunda e está vinculada ao modelo de negócio ultrapassado). Então, mais um motivo para não tributar! Certo? Errado. Se todos os setores que apresentam problemas estruturais deixassem de pagar imposto no Brasil, quem iria pagá-los? Sou da opinião que se um modelo de negócio não é viável sem tributo, ele não deveria estar de pé. Essa sua visão, pode alguém me questionar, não considera os efeitos benéficos do letramento para a população de baixa renda. Realmente, o aumento do preço dos livros (que pode chegar a 20% de elevação em alguns casos) será um duro golpe para quem já tem um orçamento apertado e não abre mão do prazer da leitura. Por isso, a importância da promoção dos serviços de bibliotecas públicas e da distribuição gratuita de obras literárias para os mais pobres. Lembremos que no Uruguai, durante a pandemia do novo coronavírus, os livros (que por lá são tributados normalmente) foram inseridos na cesta básica ofertada para a população de baixa renda. Alternativas devem ser pensadas e colocadas em prática para promover a leitura ao máximo. Não é isentando as publicações de imposto que você conseguirá aumentar o índice de leitura do povo e o interesse popular pelas obras literárias. Por falar nisso, o analfabetismo funcional no Brasil atinge níveis indecentes. Muita gente não lê porque não consegue e não porque não quer. Assim, não acha importante ou não aceita pagar um mísero real por um livro. Para aumentar o índice de leitura, precisamos antes de qualquer coisa, elevar a qualidade de nossa educação. Quando entramos na seara de quem realmente lê em nosso país, caímos em erros crassos como o cometido recentemente pelo Ministro da Economia. Paulo Guedes justificou a aplicação de impostos aos livros dizendo que quem lê no Brasil são os ricos. Discordo categoricamente dessa afirmação. Do Oiapoque ao Chuí, nem a maioria dos ricos lê. Nossa elite econômica é tradicionalmente uma das mais boçais do mundo. Aqui, os endinheirados quando compram livros, é normalmente para enfeitar suas estantes. Não vejo uma relação direta entre poder econômico e hábito de leitura. O que vejo são pessoas (pobres, de classe média e ricos) que gostam de ler e, por isso, pagam por um produto que julgam importantes para elas. Não há indivíduos que têm planos turbinados de celular e acham esse tipo de serviço indispensável para sua vida? Não há quem gaste grande parte do orçamento na compra de ingressos de partidas de futebol? Pois saiba que há quem gaste boa parcela do salário (que nem sempre é elevado) para desfrutar do prazer da literatura. Se o livro é algo importante para a pessoa, ela, que comprava um título de R$ 25,00 ontem, não se importará em pagar R$ 30,00 amanhã (na certa, cortará R$ 5,00 de seu orçamento de algo visto como supérfluo). Novo imposto dos livros: seja bem-vindo. Quero que todos os produtos e serviços sejam tributados igualmente. Ao invés de reclamar da incidência de 12% do CBS sobre os livros, ficaria muito feliz se a discussão passasse para a aplicação desse valor nos serviços de advocacia, nos serviços bancários e nos serviços de seguro. E que instituições religiosas, associações esportivas, partidos políticos, cooperativas e condomínios não tivessem qualquer isenção tributária. Pronto falei! Esta é a minha opinião. E que venham as pedras de todos os lados! Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você se interessa por informações do mercado editorial, deixe aqui seu comentário. Para acessar outras notícias dessa área, clique em Mercado Editorial. E não deixe de nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.
















