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- Livros: Palomar - Os contos filosóficos de Italo Calvino
Depois de analisar duas novelas ("Cidades Invisíveis" e "O Visconde Partido ao Meio") e um romance ("Se um Viajante numa Noite de Inverno") de Italo Calvino neste Desafio Literário, chegou à vez de ler um livro de contos do italiano. "Palomar" (Companhia das Letras) é a última obra publicada em vida pelo autor. Lançado em 1983 na Itália, este livro precedeu em dois anos o falecimento de Calvino. "Palomar" reúne 27 pequenas histórias independentes entre si. Elas não possuem uma ordem pré-definida, sendo possível lê-las aleatoriamente. O que as une é o fato de todas possuírem um mesmo personagem principal: Sr. Palomar (que dá título à publicação). Cada conto é a reflexão do protagonista sobre um determinado tema. O livro é dividido em três partes: "As Férias de Palomar", "Palomar na Cidade" e "Os Silêncios de Palomar". Cada uma destas fases possui três capítulos, que por sua vez possuem três contos cada um. Na primeira parte da obra, Palomar está de férias. No primeiro capítulo, ele está na praia. Depois, ele fica no jardim de casa cuidando das flores e analisando os insetos. No terceiro capítulo, ele contempla o céu e pensa na vastidão do universo. A segunda parte do livro é pautada pelas experiências e reflexões do protagonista na cidade grande. Os cenários principais são Roma e Paris. No primeiro capítulo, Palomar está no terraço da sua residência. Nos outros dois capítulos, ele faz compras e visita um zoológico. A terceira e última parte da obra é aquela onde o protagonista fica em silêncio meditando sobre temas filosóficos da vida. No primeiro capítulo, ele apresenta suas impressões de algumas viagens feitas no passado. Depois, fala de aspectos do relacionamento humano. No terceiro capítulo desta seção, Palomar fala da vida e da morte de maneira geral. "Palomar" é um livro difícil. Ele traz várias pequenas histórias de cunho filosófico sobre a vida moderna. Enquanto relata banalmente cenas do cotidiano, a personagem principal fica divagando sobre questões que a atormentam. Ou seja, é preciso prestar muita atenção nas analogias e metáforas feitas o tempo inteiro pelo autor. Por isso, não tenha pressa em avançar até o próximo conto. Leia pausadamente e de forma concentrada cada página. Nesta obra, não se narra nada de especial. Apenas se descrevem cenários, situações e pensamentos do seu protagonista. Esta parece ser uma característica típica de Calvino (isso também aconteceu em "Cidades Invisíveis" e em muitas partes de "Se um Viajante numa Noite de Inverno"). Os contos de "Palomar" são essencialmente descrições de cenários, personagens, objetos e animais. Raramente narra-se algum episódio ou acontecimento de maneira direta e linear. É assustador fazer tal constatação, mas em "Palomar" não há qualquer ação (não espere encontrar uma história com enredo e personagens convencionais). O que há são reflexões sobre a vida, sobre o mundo natural e sobre as relações humanas. Desta forma, é comum o leitor se cansar rapidamente com essa leitura. Isso aconteceu comigo, admito. Ainda bem que a obra é bem enxuta, não chegando a ter mais do que 80 páginas. Li o livro neste domingo de manhã em menos de três horas. Se o leitor não ler atentamente os contos e não refletir sobre as divagações do protagonista, é possível que não se entenda nada. A chave para a compreensão das histórias de Calvino é entrar em seu mundo irônico e bem-humorado. O primeiro conto, por exemplo, deve ser encarado como um desafio a quem o lê. Nele, o autor narra, por três páginas, as impressões de Palomar sobre as ondas do mar. Nada mais do que isso. Um leitor menos corajoso fecharia o livro neste momento para nunca mais abri-lo. Afinal, qual a graça de se ver a análise detalhada das ondas do mar? Nenhuma! Acredito que esta tenha sido a intenção de Calvino. "Quero ver se você vai continuar depois disso", deve ter pensado o italiano. No livro inteiro, praticamente estamos sozinhos com o Sr. Palomar. Sua esposa, a filha, uma banhista, um amigo e um vendedor aparecem pontualmente. Dos 27 contos, só me lembro de três diálogos. Definitivamente, esta não é uma obra em que se contam as histórias das pessoas (até do protagonista não sabemos quase nada). "Palomar" é um livro filosófico que retrata as considerações existencialistas de uma pessoa (do Sr. Palomar, o alter ego de Italo Calvino). Uma característica marcante das obras de Italo Calvino é a ironia fina. Sabendo disso, leia os contos procurando a sacada espirituosa e engraçada do autor. Este talvez seja o livro em que o leitor precise mais de bom humor para seguir na leitura. Se ele levar tudo muito a sério, não conseguirá chegar nem na metade das poucas páginas desta publicação. Repare nas analogias das conversas entre Sr. Palomar e Sra. Palomar com as conversas do casal de pássaros na praia. Analise o quanto um camaleão andando pelo jardim da sala é mais interessante do que um programa transmitido pela televisão. Reflita sobre o ponto de vista do queijo na banca da feira: é ele quem escolhe o comprador ou é o comprador quem escolhe o produto? E veja o paradoxo do homem que observa o céu estrelado enquanto é observado por uma multidão de pessoas. "Palomar" só terá graça se você buscar um sentido divertido para estas questões. Outro elemento típico de Calvino são as frases longas. Há frases que ocupam dez, doze, quinze linhas. O leitor precisa de fôlego para lê-las e, principalmente, para compreendê-las. Não se assuste com tais frases-parágrafos. Encare-as também como brincadeiras do autor. Na certa, ele duvida da sua capacidade de concentração. Se Italo Calvino tivesse escrito esta obra em primeira pessoa, poderíamos dizer que "Palomar" seria um livro de crônicas. Como ele criou uma personagem para descrever seus pensamento e impressões sobre a vida e os relata em terceira pessoa, dizemos que esta publicação é uma obra de contos. Dos quatro livros que li até aqui de Italo Calvino, este foi o único que não gostei. Admito que não tenho estufa conceitual nem maturidade para apreciar as divagações filosóficas do autor. Quem sabe um dia, eu as tenha. No atual momento, prefiro mesmo uma boa história com começo, meio e fim. E, de preferência, sem rompantes reflexivos tão profundos. O quinto e último livro de Italo Calvino que vamos comentar neste Desafio Literário de novembro é "Por que Ler os Clássicos" (Companhia de Bolso). O post com todos os detalhes sobre esta obra será publicado no Bonas Histórias no dia 25. Confira! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. 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- Filmes: O Homem que Sabia Demais - Um Hitchcock para se ver e ouvir
Assisti nesta semana a um clássico de Alfred Hitchcock: "O Homem que Sabia Demais" (The Man Who Knew Too Much: 1956). Esta é versão hollywoodiana do longa-metragem que tinha sido produzido originalmente pelo próprio diretor, em 1934, por um estúdio inglês. A regravação da década de 1950 contou com a participação dos astros James Stewart, de "A Felicidade Não se Compra" (It's a Wonderful Life: 1946), de "Janela Indiscreta" (Rear Window: 1954) e "O Homem que Matou o Facínora" (The Man Who Shot Liberty Valance: 1962), e de Doris Day, de "Ardida como Pimenta" (Calamity Jane: 1953) e de "Ama-me ou Esquece-me" (Love me or Leave me: 1955). "O Homem que Sabia Demais" ganhou o Oscar de Melhor Canção Original de 1957 com "Que Sera, Sera" (Whatever Will Be, Will Be), interpretada pela própria Doris Day. Ele também foi indicado no Festival de Cannes ao Melhor Filme. O longa-metragem teve um orçamento de U$ 2,5 milhões, uma cifra elevada para a época. Suas filmagens aconteceram em Londres e no Marrocos. Assim como "Janela Indiscreta" e "Um Corpo que Cai" (Vertigo: 1958), outros clássicos de Hitchcock, este filme ficou inacessível do grande público por algumas décadas. Isso porque os direitos autorais deles foram dados como herança para uma das filhas do diretor. O problema foi resolvido na década de 1980 e, dessa forma, eles voltaram a ser exibidos. Em "O Homem que Sabia de Mais", a família McKenna está de férias no Marrocos. Ben McKenna (James Stewart) é um médico norte-americano casado com uma ex-estrela da música, Josephine Conway (Doris Day). O casal tem um filho de oito anos, Hank (Christopher Olsen), que os acompanha na viagem. Durante o trajeto de ônibus entre Casablanca e Marrakesh, a família faz amizade com Louis Bernard, um francês muito suspeito (Daniel Gélin). O francês acaba assassinado no dia seguinte no centro de Marrakesh. Quando tentava ajudá-lo, Ben acaba ouvindo as últimas palavras do homem: "Um importante político iria ser assassinado em Londres em alguns dias". Neste momento, Ben e Josephine descobrem que seu filho havia sido sequestrado por um casal de turistas ingleses. A ameaça é clara: se eles contarem para a polícia o que Bernard falou, a criança será morta. Iniciam-se aí as dúvidas morais dos protagonistas: eles devem deixar um homem ser assassinado para salvar a vida do filho? Eles podem confiar nas polícias inglesa e marroquina? O que pais zelosos devem fazer nesta situação? Pode-se acreditar nas palavras de criminosos internacionais? "O Homem que Sabia de Mais" é um belo filme. A trilha sonora é realmente excelente. Ouvir Doris Day cantando é um privilégio. Assim que o longa-metragem acaba, é impossível não cantarolar o refrão de "Whatever Will Be, Will Be". A famosa cena do teatro Albert Hall em Londres também é magnífica. Durante doze minutos, não há um único diálogo nesta sequência que marca o clímax do filme. Apenas vemos os acontecimentos e ouvimos a música tocada pela orquestra no centro do palco. A música dá o tom do suspense e influencia o desfecho da trama. Trata-se de uma sequência de cenas maravilhosa, típica de um mestre como Alfred Hitchcock. A fotografia do filme também é muito boa. Na parte inicial gravada no Marrocos, o diretor de fotografia soube aproveitar muito bem o sol do país africano e os cenários utilizados por lá. Na Inglaterra, os takes são mais sombrios e cinzentos, propícios para os momentos de maior suspense da história. O efeito do Technicolor, tecnologia utilizada na década de 1970 para colorir os filmes em preto e branco, também dá um efeito bem interessante a esta produção. Conferir James Stewart e Doris Day no auge profissional também é bem legal. Eles oferecem uma interpretação madura e comovente, além de embelezarem a tela. Até o ator mirim Christopher Olsen se destaca, encantando o público com sua graça e seus diálogos divertidos. Ele chega a cantar com Day em uma ótima cena no quarto de hotel em Marrakesh. Com duas horas de duração, "O Homem que Sabia de Mais" é um excelente exemplo da competência técnica de Hitchcock na arte de fazer filmes de suspense. Apesar de o diretor inglês ter filmes mais famosos do que este, "O Homem que Sabia de Mais" pode ser colocado na lista das suas dez melhores produções. Sua história é empolgante e o suspense intriga o público do início ao final Veja o trailer de "O Homem que Sabia de Mais": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #AlfredHitchcock #JamesStewart #DorisDay
- Livros: O Visconde Partido ao Meio - Início da trilogia de Calvino
A obra mais famosa de Italo Calvino é "Cidades Invisíveis" (Companhia das Letras), de 1972. Entretanto, o escritor italiano ficou internacionalmente conhecido muito antes da criação da clássica história entre Marco Polo e Kublai Khan. Na década de 1950, Calvino publicou três novelas que integram a trilogia "Nossos Antepassados". Fazem parte desta coletânea "O Visconde Partido ao Meio" (Companhia de Bolso) de 1952, "O Barão nas Árvores" (Companhia das Letras), de 1957 e "O Cavaleiro Inexistente" (Companhia das Letras) de 1959. Essas novelas podem ser lidas independentemente uma das outras, pois possuem tramas distintas. Suas semelhanças e suas complementaridades estão na temática e na mensagem transmitida. Ao abordar personagens nobres do período medieval italiano (viscondes, barões e cavaleiros), o autor trata das fraquezas da alma humana e das injustiças sociais. Ao olhar para o passado, consegue-se descrever com propriedade as dificuldades atuais do homem moderno, um indivíduo alienado, dividido e incompleto. Para conhecer mais desta incrível trilogia, li a primeira parte de "Nossos Antepassados" neste feriado de 15 de novembro. "O Visconde Partido ao Meio" é um livro enxuto. A edição de bolso que tenho em casa, de 2011, tem pouco mais de 100 páginas. Ou seja, dá para lê-la em uma única tarde. Foi o que fiz nesta terça-feira fria e chuvosa de São Paulo. Nesta trama, conhecemos o Visconde Medardo di Terralba, membro de uma das mais nobres famílias da República de Gênova. Ainda muito jovem, ele é enviado ao oriente para combater os turcos na guerra religiosa travada pelos cristãos. Ao chegar ao campo de batalha, o Visconde di Terralba é nomeado tenente pelo imperador, encantado com a presença de um nobre italiano em suas forças. Já no dia seguinte, sem qualquer experiência bélica, Medardo é mandado para a linha de frente do conflito. No meio da carnificina humana, ele é ferido por um turco. Um tiro de canhão o corta verticalmente, arrancando-lhe metade do corpo. Sem a parte esquerda, que fica atirada no campo de batalha, o visconde é tratado pelos médicos cristão e se salva milagrosamente. Ninguém entende como um homem pode sobreviver sem metade do corpo. Uma vez salvo, Medardo é enviado de volta para sua terra natal. Ao chegar em Terralba, o visconde retoma o exercício do poder local. Agora ele se mostra maligno com seus súditos. Além de praticar maldades deliberadas com as pessoas, ele encontra prazer em maltratar animais, destruir a natureza e queimar construções. Medardo torna-se um sádico, insensível aos sentimentos humanos e à compaixão pelos outros. Morando sozinho em seu castelo, o Visconde Medardo di Terralba decide, certo dia, se apaixonar. O alvo da investida do nobre é uma camponesa pura e simples chamada Pâmela. Temendo a crueldade daquele homem, Pâmela recusa o casamento. Entretanto, após a divulgação da decisão da moça, a população de Terralba começa a presenciar episódios de bondade e de generosidade do visconde. Ninguém entende o que está acontecendo com ele. Às vezes, o nobre se mostra muito bondoso e, em outros momentos, mantém a maldade que o caracterizou nos últimos tempos. O narrador da história é um sobrinho bastardo de Medardo. Ainda criança, o jovem conta o que aconteceu em sua cidade com a volta do tio da guerra sangrenta. Tudo se passa a partir do seu ponto de vista, ainda infantil e puro. "O Visconde Partido ao Meio" é uma novela ao mesmo tempo profunda e irônica. O bom humor está presente nas cenas fantásticas que Calvino retrata com leveza e astúcia. O campo de batalha é, por exemplo, um cenário extremamente cruel e sanguinolento. Apesar disso, ele é descrito com um humor escrachado que provoca sorrisos no leitor. O conteúdo da narrativa nos leva a algumas boas reflexões. Por exemplo, o visconde não é a única personagem dividida e incompleta da história. Várias personagens da trama, apesar de fisicamente inteiras, são tão ou mais fragmentadas psicologicamente do que o protagonista. Neste sentido, destaque para o comportamento da mocinha. Pâmela é muitíssimo parecida ao homem que renega, mesmo tendo uma repulsão à figura dele. Falar de bem e de mal é complexo e relativo. Como mostra esta novela, até mesmo aqueles que se propõem a ajudar e que fazem tudo corretamente podem, indiretamente, prejudicar os outros. Prova disso é o impacto negativo que as ações do visconde bonzinho provocaram na comunidade leprosa. Por outro lado, a maldade pode ser encarada como algo relativo e, por vezes, necessário. A vida na família huguenote escancara isso. Um ponto interessante de "O Visconde Partido ao Meio" é sua linguagem simples e acessível. É possível ler sua história sem nenhuma dificuldade. A proposta do autor, muito provavelmente, é deixar o texto simples para que o leitor possa analisar a profundidade das palavras e dos conceitos debatidos na trama. Este é aquele livro que pode gerar horas e horas de discussão se for lido com atenção e houver alguém para debatê-lo. Apesar de possuir um desenrolar e um desfecho previsíveis (no meio do livro é possível saber qual é a resposta para seu principal mistério e o que irá acontecer para solucionar a questão), "O Visconde Partido ao Meio" é uma ótima novela. Sua temática é universal e suas reflexões são atemporais. Em um mundo moderno em que o homem é cada vez mais fragmentado, incompleto e alienado, é legal ler uma alegoria fantástica que trata deste tema na Idade Média. Com sutileza, Italo Calvino aborda um problema atual com a sutileza de um gênio da literatura. A cada obra que leio deste autor, fico mais e mais impressionado com sua excelência. Este italiano é um monstro da literatura mundial! O Desafio Literário de novembro continuará, no dia 21, com o post sobre “Palomar” (Companhia das Letras), o quarto livro de Italo Calvino que o Blog Bonas Histórias analisará neste mês. Não perca os próximos passos do estudo de um dos principais escritores italianos do século XX. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #ItaloCalvino #Novela #LiteraturaClássica #LiteraturaItaliana #Drama #Existencialismo
- Peças teatrais: Peer Gynt - O folclore norueguês de Henrik Ibsen
Na semana retrasada, fui ao Centro Cultural FIESP da Avenida Paulista para ver a peça "Peer Gynt". De autoria do norueguês Henrik Ibsen, que viveu no século XIX e é considerado um dos criadores do teatro moderno, esta produção teatral é original de 1867 e é baseada no folclore nórdico. Nesta versão apresentada agora pelo SESI-SP, a adaptação e a direção ficaram a cargo de Gabriel Villela. No elenco de dezesseis atores e músicos, destaque para Chico Carvalho (que interpreta o protagonista), Maria do Carmo Soares (a mãe de Peer Gynt) e Mel Lisboa (a esposa do Peer). Nesta história, Peer Gynt é um aventureiro meio transloucado que mora em uma pequena vila interiorana da Noruega. Depois da morte do pai, o rapaz passa a gastar a herança paterna com bebedeiras, vadiagem e viagens. Alertado pela mãe sobre seus deslizes e sua postura descabida, Peer resolve viajar o mundo para provar seu valor. Ele se considera um nobre corajoso e destemido, sonhando se tornar rei. Nesta longa viagem pelos quatro cantos do planeta, Peer Gynt encontra seres mágicos, como duendes e ninfas, enriquece de maneira ilícita, perdendo tudo em seguida, tem romances com a princesa da Noruega e com a filha de uma criatura mitológica, foge de perseguidores que desejam assassiná-lo e busca o tempo inteiro a fortuna e o poder imperial. Enquanto isso, sua esposa, que o ama perdidamente, aguarda sua volta em uma simples cabana no meio da floresta em sua vila natal. "Peer Gynt" é uma peça muito bem produzida. Realizada em cinco atos e com pouco mais de uma hora e meia de duração, ela encanta no aspecto visual e auditivo. Seu ponto alto está nos detalhes do cenário e do figurino. De certa forma, acabamos sendo remetidos para a Noruega do século retrasado. Com vários personagens ao mesmo tempo no palco, ficamos hipnotizados pela beleza cênica do espetáculo. Além disso, a peça é toda musicalizada. O espírito transgressor do protagonista é transmitido pelas canções interpretadas pelo próprio elenco. A maioria do repertório musical é de bandas internacionais de Rock'n Roll, como Beatles, Queen e The Doors. Contudo, o teor amalucado da narrativa e os longos monólogos acabam cansando a plateia rapidamente. A sensação é que a peça se arrasta interminavelmente, provocando sono e a dispersão da atenção do público. O fato das canções serem em inglês também frustra quem não consegue relacionar suas letras com as cenas da história do aventureiro norueguês. Só não podemos dizer que "Peer Gynt" é ruim porque a interpretação dos atores é magnífica. Chico Carvalho tem o poder de conduzir a peça com maestria sem vacilar em nenhum momento. Maria do Carmo Soares e Mel Lisboa, agora uma atriz mais madura e com capacidade de demonstrar seu verdadeiro talento (esqueçam da Anita de Manoel Carlos!), foram escolhas acertadas para contracenar com Carvalho. A direção do experiente Gabriel Villela é segura e não dá margens para questionamentos. Entretanto, é difícil sair do teatro com uma boa impressão da peça. A narrativa é o que torna o espetáculo chato. Ficar mais de 100 minutos vendo as maluquices de um jovem sonhador e ouvindo seus discursos reflexivos sobre a vida é enfadonho. Admito que quando as cortinas se fecharam no meio da peça para marcar uma mudança de atos, torci para que ela estivesse terminando definitivamente. Mas não estava. Ainda restava mais metade do espetáculo... "Peer Gynt" fica em cartaz até 18 de dezembro e suas apresentações são de quarta a domingo no teatro do Centro Cultural FIESP (Avenida Paulista, 1313 - Cerqueira César). A entrada é gratuita e não há grandes dificuldades para se conseguir o ingresso. Basta chegar quinze minutos antes do início do espetáculo (de quarta a sexta, ele começa às 15h e aos finais de semana às 15h30) e retirá-lo na bilheteria. Veja o vídeo de apresentação de "Peer Gynt": Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe, então, sua opinião sobre as matérias desta coluna. Para acessar as demais críticas teatrais, clique em Teatro. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #HenrikIbsen #GabrielVillela #ChicoCarvalho #MariadoCarmoSoares #MelLisboa #peçadeteatro #teatro
- Livros: Se um Viajante numa Noite de Inverno - Um Calvino maluco e original
Imagine um livro em que os protagonistas são os próprios leitores (eu, você ou qualquer um que abra as páginas desta obra). O autor não é apenas uma pessoa e sim várias, podendo assumir diferentes estilos narrativos. O tradutor, por sua vez, é um picareta que vive de falsificar seus textos e de confundir editoras e leitores. Para completar a confusão, não há uma história linear com começo, meio e fim. O romance é interrompido, geralmente na melhor parte, e em seu lugar surge uma nova trama totalmente diferente da anterior. A nova narrativa também será interrompida na metade e trocada por outra, em uma sequência alucinante. Isso parece impossível? Bem-vindo(a) à criação mais inovadora de Italo Calvino. Li, nesta semana, "Se um Viajante numa Noite de Inverno" (Planeta DeAgostini). Este é um romance totalmente fora dos padrões convencionais (a começar pelo seu estranho e indefinido título). Esta obra foi publicada pela primeira vez em 1979, quando seu autor já era um importante nome do modernismo italiano. Rapidamente, o livro se tornou tema de debates e de críticas no mundo literário. Afinal, este é um romance metalinguístico. Ele fala, através de uma história amalucada, do ato de produzir e de ler uma narrativa. Portanto, o livro é ao mesmo tempo tema e ferramenta do romance. De tão maluco que é, torna-se um pouco difícil explicar o enredo de "Se um Viajante numa Noite de Inverno". Mesmo assim vou tentar. No primeiro capítulo, um Leitor abre a nova história de Italo Calvino e, quando começa a se interessar por ela, é interrompido drasticamente. No segundo capítulo, há um romance chamado "Fora do Povoado de Malbork". O texto é de autoria do desconhecido polonês Tatius Bazakbal e também está incompleto. "Cadê a minha história original?", pergunta-se o Leitor. Um problema de impressão acabou misturando as duas obras em uma só. Indignado, o Leitor vai até a Livraria para trocar o exemplar defeituoso. Chegando lá, encontra uma Leitora com o mesmo problema. Os dois conversam sobre suas impressões de leitura e trocam telefones. Coincidentemente, a dupla pede ao vendedor da Livraria para trocar a edição com problema de Calvino por uma nova do autor polonês. Eles acabaram gostando mais de "Fora do Povoado de Malbork" do que de "Se um Viajante numa Noite de Inverno". Ao chegarem às suas casas, Leitor e Leitora descobrem que foram enganados novamente. O novo livro não tem nada a ver com aquele de Tatius Bazakbal já iniciado pela dupla. O que eles têm agora em mãos é "Debruçando-se na Borda da Costa Escarpada", um romance inacabado de Ukko Ahti, autor que escrevia em uma língua já morta. Fascinados pela nova história, Leitor e Leitora passam a procurar, juntos, uma tradução deste livro que contenha a sequência da nova trama. Contudo, outra vez eles se deparam com outro romance de outro autor. Quanto mais procuram os finais das narrativas lidas, mais eles conhecem novas histórias inacabadas de uma infinidade de escritores diferentes. O interessante é que no momento em que os protagonistas do romance leem as histórias que caem em suas mãos, nós também as lemos (afinal, nós somos o Leitor ou a Leitora). "Se um Viajante numa Noite de Inverno" intercala os capítulos: ora temos a narrativa enfocando os acontecimentos e os sentimentos do Leitor e da Leitora e ora temos acesso aos livros que eles estão lendo. A genialidade de Calvino está em abordar temas sensíveis à literatura por meio de uma ficção reflexiva, experimental e bem-humorada, que provoca o leitor em todos os momentos. Sem sombra de dúvida é um livro espetacular que causa reações variadas em seus leitores: inconformismo, ironia, diversão, confusão, etc. Impossível ficar indiferente ao seu conteúdo e ao seu formato provocador. Apesar de "Se um Viajante numa Noite de Inverno" apresentar dez histórias diferentes e independentes entre si, não podemos considerá-lo como sendo um livro de contos. Afinal, essas tramas estão ligadas a um enredo maior e único (a procura do Leitor e da Leitura pelo final da história). Por isso, ele é classificado como sendo um romance. Há vários motivos para justificar a grandiosidade desta obra. A ousadia narrativa de Italo Calvino é um bom ponto de partida. Misturar e alterar a ordem dos principais elementos de uma ficção (autor, leitor, trama, editor/editora, tradutor e estilo literário) pode parecer absurdo (e é!), mas o resultado final ficou excelente. Prova disso é que o final do livro é simples e impactante. Diria mais: não imagino um desfecho mais engraçado e contundente para esta obra. É verdade que no meio do livro o leitor fica muitas vezes confuso sem entender direito o que está acontecendo. Entretanto, até isso é proposital. Quem nunca se sentiu assim em um livro convencional? Por que não ficar assim em uma trama totalmente sem pé nem cabeça?! A impressão que temos é que Calvino está brincando conosco. Sua ironia fina e sua habilidade de conduzir a trama para onde deseja (afinal, ele é o autor do romance) nos deixam perplexos (o que é um absurdo, pois somos os leitores e deveríamos imaginar que isso poderia acontecer). Outro aspecto que deve ser citado é a variedade das histórias narradas no livro. Elas são totalmente diferentes em estilo uma das outras. Assim, Calvino produz, ele mesmo, os dez tipos de romances possíveis: romance nebuloso, romance da experiência densa, romance simbólico-interpretativo, romance político-existencial, romance crítico-brutal, romance angustiante, romance lógico-geométrico, romance pervertido, romance telúrico-primordial e romance apocalíptico. Trata-se de uma aula prática de Literatura da melhor qualidade. As discussões dos personagens sobre o processo de escrita-leitura também empolga os amantes desta arte. A questão central é sobre a "Crise de Representação" que afeta a relação entre autores e leitores nos tempos modernos. Com pouco mais de 260 páginas, "Se um Viajante numa Noite de Inverno" é um livro imperdível. Quem gosta de Literatura e adora uma trama desafiante, polêmica e original, não pode deixar de lê-lo. Fica a sugestão de leitura para este feriado! Depois de conhecermos “Cidades Invisíveis” (Companhia das Letras), no dia 9, e "Se um Viajante numa Noite de Inverno", hoje, partiremos para a análise de "O Visconde Partido ao Meio" (Companhia de Bolso), o terceiro livro de Italo Calvino deste Desafio Literário. Esse próximo post será publicado no dia 17. Continue acompanhando os estudos literários do Blog Bonas Histórias de novembro. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. 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- Filmes: À Espera de Turistas - Relembrando as feridas da Segunda Guerra
Na semana passada, assisti ao filme "À Espera de Turistas" (Am Ende Kommen Touristen: 2007). Esta produção germano-polonesa chegou aos cinemas brasileiros apenas em 2012 (ou seja, com cinco anos de atraso) e agora foi reprisada no "Cine SESI-SP no Mundo". Para quem não está sabendo, esta mostra cinematográfica está reexibindo, até o final de novembro, premiados longas-metragens de várias partes do mundo. "À Espera de Turistas" foi apresentado no sábado, dia 5. Ele recebeu vários prêmios em diversos festivais internacionais, inclusive em Cannes. A direção ficou a cargo de Robert Thalheim, de "Eltern" (Eltern: 2013), e os atores principais foram Alexander Fehling, Ryszard Ronczewski e Barbara Wysocka. Nesta trama, Sven Lehnert (interpretado por Alexander Fehling) é um jovem nascido em Berlim que opta pelo serviço voluntário ao militar (na Alemanha, os jovens podem fazer esta escolha). Por isso, ele é enviado para a cidade polonesa de Oswiecim (antiga Auschwitz), onde ficava o mais famoso campo de concentração nazista da Segunda Guerra Mundial. As lembranças do holocausto estão por toda a parte. O principal ponto turístico do lugar é o museu que conta a histórias dos judeus exterminados pelos nazistas. Uma vez em Oswiecim, Sven Lehnert passa a trabalhar para Stanislas Krzeminski (Ryszard Ronczewski), um sobrevivente dos campos de concentração que está idoso e requer cuidados especiais. Logo de cara, Sven percebe que é uma figura indesejada na cidade. Krzeminski o maltrata, sendo arrogante e impaciente com o jovem que veio somente para ajudar. Os demais moradores de Oswiecim também parecem olhar desconfiados para o alemão. Ninguém parece acreditar que alguém vindo do país de Hitler pode ser altruísta. Desconcertado por tanto indiferença e ódio, Sven Lehnert começa a refletir se não fez uma péssima escolha ao servir ali como voluntário. Afinal, seu trabalho será de um ano. Neste instante, surge na vida do rapaz a bela Ania Lanuszewska (Barbara Wysocka). A moça, nascida na cidade, é intérprete e trabalha no museu do antigo campo de concentração atendendo turistas. Sven se apaixona pela polonesa e começa um namoro com ela. Assim, o jovem alemão passa a compreender mais os segredos, as dores, a história e os pontos de vistas dos moradores locais. Achei "À Espera de Turistas" um filme bom, nada mais do que isso. Sinceramente, não compreendi o porquê ele foi tão premiado. Sua temática é forte e pesada, porém não se trata de algo novo no cinema europeu nem no cinema alemão. Falar do Holocausto e de Auschwitz há muito tempo não é um assunto polêmico. Prova disso é que o filme de Robert Thalheim consegue até mesmo fazer algumas piadinhas sobre os dramas do passado. Os pontos mais relevantes do longo-metragem foram as atuações dos seus protagonistas. Alexander Fehling e Ryszard Ronczewski estão espetaculares. Fehling faz um jovem sem ambição e resignado com a vida. Ronczewski, por sua vez, interpreta um idoso que vê sentido em sua existência apenas quando recorda os acontecimentos trágicos do passado. Os dois fazem uma boa dupla de opostos. No mais, não encontrei nada de especial em "À Espera de Turistas". Juro que sai do cinema me perguntando como ele pode ter ganhado tantos prêmios. Talvez seja um problema meu com as produções polonesas. Não consigo ver valor naquilo que os críticos exaltam. Depois que "Ida" (Ida: 2013) ganhou (até hoje não sei como!) o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015, eu não duvido de mais nada. Por isso, é melhor você assistir ao longa-metragem de Robert Thalheim para tirar sua própria conclusão. Veja o trailer de "À Espera de Turistas": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #RobertThalheim #AlexanderFehling #RyszardRonczewski #BarbaraWysocka
- Livros: Cidades Invisíveis - A obra-prima de Italo Calvino
Neste final de semana, li o mais famoso livro de Italo Calvino. "Cidades Invisíveis" (Companhia das Letras) é um dos clássicos da literatura mundial. Publicada originalmente em 1972, esta novela recebeu vários prêmios internacionais. O próprio autor considerava esta a sua obra mais profunda. "Se meu livro Cidades Invisíveis continua sendo para mim aquele em que penso haver dito mais coisas, será talvez porque tenha conseguido concentrar em um único símbolo todas as minhas reflexões, experiências e conjecturas", disse Calvino na década de 1980. Nesta narrativa curta de 150 páginas, o explorador veneziano Marco Polo descreve para o imperador Kublai Khan as cidades mais exóticas pertencentes ao seu vasto território. Os dois personagens são reais (viveram no século XIII), porém a trama é toda ficcional. Kublai Khan é um homem poderoso e seu império engloba grande parte do planeta. Vivendo em seu suntuoso palácio, o imperador se sente entediado. A grande alegria do monarca é quando o seu explorador favorito, Marco Polo, retorna para a capital do reino e descreve suas descobertas. O veneziano, para delírio de Kublai Khan, apresenta em detalhes as cidades mais incríveis que conheceu em suas viagens pelos quatro cantos do mundo. As narrativas de Polo são recheadas de fantasias, magias e surrealismo. As histórias trazidas são tão pitorescas que o imperador desconfia que seu explorador esteja mentindo. Contudo, as descrições das cidades são tão poéticas e com uma beleza filosófica tão acentuada, que Kublai Khan ignora a veracidade dos relatos e continua pedindo incansavelmente novas histórias para Marco Polo. Impossível não fazermos aqui uma comparação com "Mil e Uma Noites", livro árabe do século IX (em que Xerazade conta noite após noite uma longa história para Xariar, rei da Pérsia, que tem o hábito de matar as mulheres depois de passar a noite com elas). "Cidades Invisíveis" é um livro curto (como são as novelas), sendo possível lê-lo de uma só vez (li em pouco mais de quatro horas). Cada capítulo é a descrição sucinta de uma cidade ou um diálogo breve entre Marco Polo e Kublai Khan. Cada capítulo tem, em média, pouco mais de uma página. Por isso, esta obra se parece muito com um livro de contos ou crônicas. Para ser sincero, o começo da leitura é um tanto truncado. "Cidades Invisíveis" é uma obra estritamente descritiva, algo incomum de encontrarmos nos principais livros ficcionais. Marco Polo fica explicando as características de cada cidade visitada. Ele fala de suas geografias, das suas particularidades e dos hábitos de seus cidadãos. Por isso, não há muita graça, a princípio, em seus relatos. Não há muito incentivo para prosseguirmos na leitura de uma história que não avança. No meio do livro, porém, acontece algo surpreendente. O leitor percebe que Marco Polo e Kublai Khan não estão falando de cidades e sim da alma humana. As cidades são metáforas dos comportamentos humanos. Não é à toa que todos os locais descritos possuem nomes femininos: Zora, Fedora, Maurília, Ipazia, Ercília, Eutrópia, Olinda, Bersabéia, Ândria e Laudômia. A beleza deste livro está exatamente aí! Quando percebemos a profundidade filosófica das descrições, acabamos nos apaixonando por ela. Não apenas aceleramos a leitura como temos vontade de retornar para os capítulos iniciais para acharmos peças que ficaram escondidas da nossa primeira leitura. As cidades fantasiosas de Marco Polo revelam aspectos da alma humana escondidos de nós mesmos. Este é um livro em que a significação está mais nas entrelinhas no que no sentido objetivo das frases. Quem não tem sensibilidade para compreender as mensagens subliminares na certa não achará graça nenhuma nesta novela. Quem possuiu sensibilidade literária tem uma probabilidade maior de se fascinar com esta leitura. Por isso, não leia velozmente esta obra. Também é aconselhável rele-la de tempos em tempos (foi o que fiz agora: esta é a minha segunda leitura). Calvino foi extremamente conciso em suas palavras e em sua trama. Este é um livro para ser degustado lentamente (com uma leitura atenta e detalhada) e repetidamente. Só assim poderemos captar boa parte da mensagem do autor. "Cidades Invisíveis" está dentro da lista dos dez melhores livros que li em minha vida. Com propriedade, ele é considerado um clássico da literatura mundial. Agora que tive noção da qualidade absurda de Italo Calvino, estou mais motivado para prosseguir na leitura dos demais livros do italiano. Se suas outras obras tiverem 10% da qualidade de "Cidades Invisíveis", meu Desafio Literário de novembro será excelente. E por falar nisso, o segundo livro de Italo Calvino que vamos analisar neste Desafio Literário é "Se um Viajante numa Noite de Inverno" (Planeta DeAgostini). O post sobre esta obra estará disponível no Blog Bonas Histórias no dia 13. Boa leitura para todos nós! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #ItaloCalvino #LiteraturaItaliana #Existencialismo #LiteraturaClássica #Novela #Drama #RomanceHistórico
- Músicas: Iracema - 60 anos da criação de Adoniran Barbosa
Adoniran Barbosa é um compositor conhecido pelas suas músicas alegres e bem-humoradas. Ao introduzir nas canções a oralidade do linguajar simples dos paulistanos da metade do século XX e ao retratar situações corriqueiras das camadas mais pobres da capital paulista, ele revolucionou o samba. "Tiro ao Álvaro", "As Mariposa" e "Um Samba no Bixiga" são exemplares desta capacidade de Adoniran em fazer algo divertido com histórias banais. Até mesmo quando ele fala de algo triste (como a derrubada da casa, em "Saudosa Maloca", um encontro malsucedido, em "Samba do Ernesto", ou a impossibilidade de passar a noite com a amada, em "Trem das Onze"), o tom é alegre e descontraído. Isso não acontece em "Iracema". Esta talvez seja umas das músicas brasileiras mais trágicas da história. Seus versos finais são de uma triste profunda: "E hoje, ela vive lá no céu/ E ela vive bem juntinho de nosso Senhor/ De lembranças guardo somente suas meias e seus sapatos/ Iracema, eu perdi o seu retrato". A canção, considerada até hoje um clássico nacional, completa 60 anos em 2016. A primeira gravação desta melodia ocorreu em 1956 e foi feita pelos Demônios da Garoa, principais intérpretes de Adoniran. O sucesso foi imediato. A canção trágica se tornou uma das principais do repertório do grupo. Em 1978, Clara Nunes regravou "Iracema" dando um tom mais passional. Outra vez o sucesso foi retumbante. Adoniran Barbosa escreveu "Iracema" muito provavelmente tendo como inspiração uma notícia de jornal sobre o atropelamento de uma mulher na Rua da Consolação. Há outra versão em que o compositor teria feito a letra da música para um amor não correspondido. Com a canção, teria matado figurativamente aquela mulher da sua vida. "Iracema" narra o lamento de um homem pela morte de sua amada. Faltando vinte dias para o casamento, a noiva atravessou a Rua São João sem olhar para os lados e foi atropelada, morrendo tragicamente. O enredo da história não é cantado e sim falado no meio da canção. Na versão de Clara Nunes, o próprio Adoniran explica para os ouvintes o episódio. Se formos analisar bem, trata-se de uma canção teoricamente pouco comercial. Quem iria apreciar uma música com este enredo fúnebre?! A lógica diz que pouca gente. Uma das primeiras pessoas a ouvir a canção foi Nair Belo, amigo do compositor. Quando o amigo mostrou sua nova composição, a atriz sentenciou: "Adoniran, você está louco?! O que é isso, fazer um samba sobre mulher atropelada? Ninguém vai gostar disso, de uma coisa dessas, pode ter certeza". O tempo mostrou que Nair Belo estava errada. Veja a letra desta canção: "Iracema" (1956) - Adoniran Barbosa Iracema, eu nunca mais que te vi Iracema meu grande amor foi embora Chorei, eu chorei de dor porque Iracema, meu grande amor foi você Iracema, eu sempre dizia Cuidado ao travessar essas ruas Eu falava, mas você não me escutava não Iracema você travessou contra mão E hoje, ela vive lá no céu E ela vive bem juntinho de nosso Senhor De lembranças guardo somente suas meias e seus sapatos Iracema, eu perdi o seu retrato. Iracema, fartava vinte dias pra o nosso casamento Que nóis ia se casar Você atravessou a Rua São João Veio um carro, te pega e te pincha no chão Você foi para Assistência, Iracema O chofer não teve curpa, Iracema Paciência, Iracema, paciência E hoje, ela vive lá no céu E ela vive bem juntinho de nosso Senhor De lembranças guardo somente suas meias e seus sapatos Iracema, eu perdi o seu retrato Veja a interpretação dos Demônios da Garoa: E agora confira a versão de Clara Nunes, de 1978, com o acompanhamento do compositor: É difícil apontar qual das duas versões é a melhor, não? Depois de "Trem das Onze", "Iracema" é a principal música de Adoniran Barbosa. Ela está na lista das principais canções da música popular brasileira. Trata-se de um samba original e muito criativo, além de profundamente triste. Que tal este post e o conteúdo do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para acessar os demais posts sobre o universo musical, clique em Músicas. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #AdoniranBarbosa #DemôniosdaGaroa #ClaraNunes #Música #MúsicaBrasileira #MúsicaPopularBrasileira #Samba
- Desafio Literário de novembro/2016: Italo Calvino
No Desafio Literário de novembro, teremos Italo Calvino, um dos principais escritores italianos do século XX. Nascido em Cuba, em 1923, ele se mudou ainda bebê para a Itália, país natal de seus pais. Formado em Letras, Calvino atuou como jornalista, crítico literário e escritor, se notabilizando como romancista, contista e novelista. Sua obra mais conhecida é "Cidades Invisíveis", um dos clássicos da literatura mundial. Também fazem parte do apogeu do seu trabalho a trilogia "Nossos Antepassados" ("O Visconde Partido ao Meio", "O Barão Nas Árvores" e "O Cavalo Inexistente"), produzida na década de 1950 e que tornou seu autor conhecido mundialmente, "As Cosmicômicas" (Companhia das Letras), coletânea de contos publicada em 1965, e a novela "Se um viajante em uma noite de inverno", publicada no final dos anos de 1970. Italo Calvino teve uma atuação política destacada. Assim como Pablo Neruda e tantos outros escritores do seu tempo, o italiano foi um assíduo militante de esquerda. Socialista, Calvino se manteve fiel às orientações do Partido Comunista até 1956, quando os soviéticos invadiram a Hungria. Diante dos crimes praticados por Stalin na Europa oriental, Italo produziu uma carta pública de renúncia aos ideais soviéticos, que se tornaria célebre. Apesar de se manter esquerdista até o final da vida, o escritor rompeu definitivamente com o modelo comunista da União Soviética. Quando faleceu aos 61 anos, em 1985, Italo Calvino era o escritor italiano contemporâneo mais traduzido no mundo e considerado um candidato ao Prêmio Nobel de Literatura. É este o autor que irei analisar neste mês. As cinco obras escolhidas do italiano são: "Cidades Invisíveis" (Companhia das Letras), "Se um Viajante numa Noite de Inverno" (Planeta DiAgostini), "O Visconde Partido ao Meio" (Companhia de Bolso), "Palomar" (Companhia das Letras) e "Por que Ler os Clássicos" (Companhia de Bolso). Ou seja, começarei pelas novelas mais famosas do autor: "Cidades Invisíveis" e "Se um viajante em uma noite de inverno". Na sequência, lerei a primeira parte da sua trilogia "Nossos Antepassados" ("O Visconde Partido ao Meio"). E por fim lerei um livro de contos ("Palomar") e um exemplar das suas crônicas literárias ("Por que Ler os Clássicos"). Acredito que com esta programação chegarei ao final de novembro com elementos suficientes para produzir uma boa análise crítica de Italo Calvino. Quem quiser me acompanhar por estas descobertas, será muito bem-vindo(a). O Desafio Literário de novembro começará efetivamente no dia 9, com o post sobre “Cidades Invisíveis” (Companhia das Letras), a primeira obra de Italo Calvino que iremos analisar no Blog Bonas Histórias. Não perca! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #ItaloCalvino
- Exposições: Ocupação Cartola - Os detalhes da vida e das obras do sambista
Nesta quarta-feira, fui ao Itaú Cultural para ver "Ocupação Cartola". Esta exposição é sobre Cartola, o mais famoso sambista vindo da Mangueira. A mostra entrou em cartaz no mês retrasado e ficará à disposição do público até 13 deste mês. "Ocupação Cartola" apresenta a biografia e as principais obras de Angenor de Oliveira (1908-1980), que ficaria mais conhecido pelo apelido de Cartola. A mostra explica, inclusive, o porquê deste apelido. O sambista que foi um dos fundadores da escola de samba da Mangueira compôs algumas obras-primas da música nacional: "As Rosas Não Falam", "O Mundo é um Moinho", "Tive Sim", "Preciso Me Encontrar" e "Alvorada". Assim, conhecer a vida e as composições de Cartola é se aprofundar na história musical brasileira do século XX. A mostra está no piso térreo do Itaú Cultural. Ali são apresentados os manuscritos originais das composições do sambista, fotos da vida de Cartola e de sua família e vídeos com apresentações do compositor e de vários de seus renomados intérpretes. Há também uma série de documentários sobre a vida e sobre as obras do mangueirense. No meio do espaço, há uma encenação real do restaurante "Zicartola", que o músico teve com sua terceira e última esposa, apelidada de Zica (daí o nome do estabelecimento). O restaurante se tornou famoso ponto de encontro de cantores cariocas no início da década de 1970. Quem conhece a história das músicas e da vida de Cartola não encontrará nenhuma novidade na exposição. Mesmo assim, é gostoso rever algumas das passagens memoráveis da vida do compositor. Quem deseja ser apresentado pela primeira vez à trajetória do sambista e aos detalhes de suas obras saíra, com certeza, mais maravilhado da "Ocupação Cartola". Trata-se de uma excelente oportunidade para aprender sobre um ícone do samba nacional. Ali é possível conhecer, por exemplo, as histórias por trás da composição de "As Rosas Não Falam" e ter a dimensão do que foi o lançamento do disco "Cartola" em 1976, o segundo LP do sambista. Este disco é apontado até hoje como uma das grandes referências musicais do país. Por isso, não deixe de ler a crônica de Oswald de Andrade de 1976 sobre este lançamento. A ideia de montar o "Zicartola" no meio da exposição foi excelente. O público se sente realmente visitando o local. Repare nos detalhes do restaurante, como os guardanapos personalizados e as réplicas dos cardápios. A melhor parte da exposição, pelo menos para mim, está nas músicas. Por onde se anda, é possível ouvir uma das célebres criações de Cartola. O sistema de som do lugar é bom e é possível apreciar com calma cada canção. O espaço reservado a "Rosas Não Falam" é emocionante. Vá com tempo para apreciar cada cantinho da mostra. Eu gastei uma hora para percorrê-la detalhadamente, mas não duvido se alguém ficar mais. "Ocupação Cartola" tem a curadoria da equipe do Itaú Cultural e da cantora Fabiana Cozza. A entrada é franca. Como a exposição ficará mais duas semanas em cartaz, não perca tempo para vê-la. Quem gosta de samba, de boa música e da cultura popular do nosso país com certeza vai gostar. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias do blog. Para acessar as demais análises desta coluna, clique em Exposições. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #Cartola #Exposição #Mostra #Música #MúsicaBrasileira #Samba #OcupaçãoItaúCultural
- Filmes: O Que Traz Boas Novas - Professor argelino, escola canadense
Ontem, fui ao Centro Cultural FIESP Ruth Cardoso, na Avenida Paulista, para assistir a um filme do "Cine SESI-SP no Mundo: Panorama Contemporâneo". Em sua nona edição, a mostra cinematográfica tem uma importante novidade. Ao invés de focar em um único país como estava fazendo até então, o festival de 2016 apresenta uma coletânea de produções de diferentes lugares do mundo. Em comum, todos os filmes ganharam prêmios internacionais nos últimos anos. São longas-metragens da Alemanha, Bélgica, Canadá, Croácia, Espanha, França, Grécia, Montenegro, Sérvia e Uruguai. O longa-metragem em cartaz neste sábado era uma comédia-dramática canadense. Vencedor de 30 prêmios, como o de Melhor Filme Canadense no Festival de Toronto de 2012 e um dos indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2012, "O Que Traz Boas Novas" (Monsieur Lazhar: 2011) teve a direção e o roteiro do talentosíssimo Philippe Falardeau, de "Não Sou Eu, Eu Juro!" (C'est pas moi, je le jure!: 2008), vencedor do Festival de Berlim 2009 com o Urso de Cristal, e de "A Boa Mentira" (The Good Lie: 2014), primeiro filme norte-americano do diretor canadense. "O Que Traz Boas Novas" começa com uma tragédia. Em uma escola em Montreal, a professora de uma das turmas do ensino fundamental se suicida em plena sala de aula. Todos no colégio ficam traumatizados. A diretora tenta, então, encontrar um substituto rapidamente para as crianças não perderam o ano letivo. Entretanto, ninguém quer trabalhar em um lugar onde a antecessora se matou. Sem opções, ela escolhe o único professor que se candidatou ao posto: um imigrante argelino. Bachir Lazhar (interpretado por Mohamed Fellag) é o professor substituto. Ele possui métodos totalmente diferentes dos aplicados naquela instituição de ensino. Em seu país natal, Lazhar estava acostumado ao ensino tradicional, algo em desuso no Canadá. Apesar do choque cultural e do início tumultuado do novo professor, as crianças, com o tempo, parecem gostar do estilo autoritário do argelino. A situação de Bachir Lazhar, contudo, é mais complexa do que parece no primeiro momento. Seu passado e sua situação no Canadá podem atrapalhar seu trabalho na escola. O filme de Falardeau toca em temas sensíveis: suicídio, imigração, traumas pessoais, intolerância religiosa e estilos de educação. O humor é leve e ajuda a minimizar o tom pesado que seria normal de se encontrar em uma produção com temas tão densos. Além disso, a narrativa é toda ela emotiva e poética, o que confere mais brilho ao longa-metragem. A atuação dos atores mirins é digna de elogio. A maioria, em sua primeira produção cinematográfica, dá um show de interpretação. Repare na pequena atriz Sophie Nélisse (ela faz a meiga Alice, a aluna predileta do professor Lazhar) e no jovem Émilien Néron (ele faz o traumatizado Simon). A riqueza e beleza deste roteiro estão na situação do protagonista. A cada momento, descobre-se algo revelador e obscuro do passado de Bachir Lazhar (não vou citar quais para o filme não perder parte da graça). Os métodos e as posturas do argelino são incompatíveis com um professor atualizado e contemporâneo. Mesmo assim, ele consegue excelentes resultados. O que é incongruente com a lógica moderna de ensino. Além disso, o passado de Lazhar não o credencia àquele posto. "O Que Traz Boas Novas" é um excelente filme. Não é à toa que foi tão premiado. Mergulhar nos dramas pessoais e coletivos daquela escola canadense é um convite ao riso fácil e à lágrima persistente. Veja o trailer de "O Que Traz Boas Novas": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #PhilippeFalardeau #MohamedFellag
- Exposições: Por Trás da Máscara, 50 Anos de Persona - O clássico de Ingmar Bergman
O filme "Persona" (1966) é um clássico do diretor Ingmar Bergman. O longa-metragem conta com as duas atrizes que se revezaram no acompanhamento de quase toda a trajetória cinematográfica do sueco: Bibi Andersson e Liv Ullmann. Apesar de ter realizado outras obras-primas, como "Sétimo Selo" (Det Sjunde Inseglet: 1956) e "Morangos Silvestres" (Smultronstallet: 1957), "Persona" é considerado pela crítica como o ápice da carreira de Bergman. Para comemorar o cinquentenário desta célebre produção, o Itaú Cultural está com a exposição "Por Trás da Máscara: 50 Anos de Persona". Nela, é possível conhecer detalhes sobre o filme e sobre seus participantes (diretor e atores). A mostra ficará em cartaz de 15 de outubro a 6 de novembro. Ela está localizada no segundo andar do centro cultural. "Por Trás da Máscara: 50 Anos de Persona" apresenta cadernos de trabalhos do diretor e trechos originais do roteiro, além de extenso material fotográfico e audiovisual sobre o longa-metragem. A mostra foi produzida pela fundação Bergmancenter, que cuida do legado artístico de Ingmar Bergman. Esta é a primeira vez que grande parte deste acerto sai da Suécia. A exposição é realmente ótima. Ela apresenta detalhes sobre esta criação, detalhando o momento vivido pelo diretor (ele estava internado em um hospital quando montou o roteiro). Há a tentativa de explicar também várias passagens do filme (só uma tentativa, porque acredito que nem mesmo Ingmar Bergman sabia conscientemente o que estava produzindo). O documentário que aborda o prólogo (parte inicial do filme que tem 7 minutos com cenas desconexas e surrealistas) é bem interessante. Evidentemente, quem conhece e já assistiu "Persona" irá aproveitar muito mais a visitação na mostra. Aqueles que descobriram o filme ali terão muito mais dificuldades para compreender as diferentes facetas deste longa-metragem que é classificado como um dos mais originais e difíceis do cinema europeu de todos os tempos. O Itaú Cultural abre de terça a domingo. O horário de funcionamento durante a semana é das 9h às 20h e aos finais de semana e feriados é das 11h às 20h. A entrada é franca. Quem é cinéfilo e aprecia as obras Ingmar Bergman, este é um programa obrigatório. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias do blog. Para acessar as demais análises desta coluna, clique em Exposições. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #IngmarBergman #BibiAndersson #LivUllmann #Cinema #Exposição #Mostra #Fotografia
















