top of page

Sistema de Pesquisa

Resultados encontrados para busca vazia

  • Livros: O Silêncio das Montanhas - O terceiro romance de Khaled Hosseini

    Admito que ler o terceiro livro seguido de Khaled Hosseini foi demais para mim. Na trigésima página de "O Silêncio das Montanhas" (Globo) empaquei. O meu subconsciente, de alguma maneira, me impediu de avançar na leitura, reclamando: "Lá vem mais tristeza pela frente! Cara, você não merece isso!". Assim, permaneci algumas semanas sem conseguir abrir as páginas desta obra. Depois de tanta letargia, enfim, acabei com o bloqueio e li o livro inteiro neste final de semana. Afinal de contas, tinha um Desafio Literário para concluir, não é mesmo? "O Silêncio das Montanhas" é o terceiro e último romance escrito pelo afegão Khaled Hosseini. Publicado pela primeira vez em 2013, esta obra também alcançou o status de best-seller mundial. Em cinco meses, o livro já tinha vendido aproximadamente três milhos de unidades nos Estados Unidos. A história central gira em torno dos irmãos Abdullah e Pari. Em 1952, as duas crianças eram órfãos de mãe e moravam com o pai na aldeia de Shadbagh (longe de Cabul, a capital do país). A pobreza do lugar e as dificuldades da vida precária não eram empecilho para a dupla ter uma infância agradável e sonhadora. Sem a mãe, cabia a Abdullah, de dez anos, cuidar da irmã menor, com apenas três. A ligação entre os dois era muito forte. A dupla era inseparável. Contudo, em uma decisão difícil, o pai decidiu "vender" Pari para um casal rico de Cabul, no outono de 1952. Sem dinheiro para sustentar sua casa, ele aceitou entregar a filha caçula. Este acontecimento marcou a vida de Abdullah. Sem a irmã mais nova, a vida do rapaz ficou com um buraco existencial. A partir deste enredo, várias outras histórias são contadas. "Silêncio das Montanhas" possui nove capítulos que direta ou indiretamente estão relacionados à trama dos irmãos separados na infância. Em cada capítulo, um personagem diferente narra sua vida em primeira pessoa. Há alguns capítulos que são narrados em terceira pessoa, mesmo assim o foco é uma única personagem. No capítulo inicial temos o próprio pai de Pari descrevendo a viagem que fez com os filhos pelo deserto afegão. O destino era Cabul, local da entrega da filha. O casal rico que não conseguia engravidar e que queria a menina vivia na capital do país. Depois, temos o próprio Abdullah, com dez anos de idade, relatando o episódio que marcaria sua vida para sempre. Na sequência, é a vez de conhecermos a história da mulher que se casou com o pai das crianças após a morte da mãe delas. O quarto capítulo é a carta que o tio das crianças escreveu para um grego chamado Markos, nos anos de 2000. A quinta história acontece em 2003 e tem como protagonista um médico afegão chamado Idris. Ele morava há muitos anos nos Estados Unidos e viajou para o Afeganistão, após a queda do Talibã, para cuidar da reapropriação de um terreno da família. Depois, lemos uma entrevista da nova mãe de Pari, uma poetisa que foi morar com a filha na França. A entrevista foi publicada em uma revista europeia. Ao mesmo tempo, ficamos sabendo como é a vida europeia de Pari, agora uma mulher de mais de vinte anos. O sétimo capítulo é sobre Adel, um menino de treze anos que morava com os pais em uma mansão construída onde era a antiga aldeia de Shadbagh. A história se passa em 2009, após a expulsão do Talibã da localidade. Na sequência, é a vez do grego Markos contar a sua história. Ele explica como saiu de uma ilha grega, onde morava com a mãe, e se tornou médico de uma organização humanitária em Cabul. Para encerrar, a última parte do livro é narrada pela filha adulta de Abdullah, Pari. A moça que vivia com o pai nos Estados Unidos tinha o mesmo nome da tia que ela não conheceu. A trama se passa em 2010. É aqui que a história central do livro se fecha e a relação entre todas as personagens da obra se resvalam. "O Silêncio das Montanhas" é um grande livro. Ele possui alguns elementos que já vimos na literatura de Hosseini: trama trágica (prepare-se para chorar muito!), episódios de violência brutal, mergulho na realidade da sociedade afegã e história que apesar de tristes possuem uma beleza poética. Porém, é possível constatar algumas mudanças de estilo do escritor. A opção escolhida para contar a vida dos irmãos separados na infância é muito interessante. A partir da multiplicidade de narrativas, que às vezes parecem completamente desvinculadas da trama principal, consegue-se compreender os detalhes da história de Abdullah e Pari. Além disso, os vários personagens diferentes (inclusive com diferentes vozes/narradores), as épocas distantes (da década de 1950 à de 2010) e os lugares distintos (Afeganistão, Estados Unidos, França e Grécia) dão mais profundidade e riqueza ao drama. Praticamente, temos vários capítulos que podem ser lidos como contos. O que irá uni-los é a narrativa do primeiro e do último capítulo. É a introdução e o desfecho do livro que dão sentido ao miolo da obra. É como se o final explicasse as demais partes da publicação (e não o contrário, como é mais comum). Se "O Caçador de Pipas" (Nova Fronteira) e "A Cidade do Sol" (Nova Fronteira) eram obras quase idênticas no conteúdo e no formato, o mesmo não pode ser dito de "O Silêncio das Montanhas". Neste terceiro romance, temos menos influências dos acontecimentos geopolíticos que envolveram a história do Afeganistão. É como se os destinos das personagens fossem menos deterministas. Eles foram construídos mais pelas decisões familiares, as opções individuais e pelo acaso do que pelo lugar onde as pessoas estavam ou moravam. Trata-se de uma grande evolução nas narrativas do autor. É claro que o panorama trágico do Afeganistão continua lá, mas desta vez ele não influencia tão decisivamente a vida dos envolvidos, tornando-se um aspecto secundário na narrativa. O desfecho do romance mantém o estilo de Khaled Hosseini: melancólico e, ao mesmo tempo, esperançoso e poético. Apesar das mudanças de alguns aspectos formais de sua literatura, o autor apresenta, através desta publicação, um resultado final parecido aos dos dois primeiros livros. Você derrama muitas lágrimas para depois ficar maravilhado(a) com a narrativa lida. Este é a essência de Hosseini. Isso ele não alterou em nada. Para quem estiver ansioso pela conclusão do Desafio Literário deste mês, aviso desde já que a análise completa da literatura de Khaled Hosseini será postada aqui no Blog Bonas Histórias no dia 28. Não perca o desfecho dos nossos estudos literários de outubro! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #KhaledHosseini #LiteraturaAfegã #Romance #Drama #LiteraturaContemporânea

  • Filmes: Noite de Verão em Barcelona - Histórias catalãs sobre o amor moderno

    Nesta passada, assisti ao filme espanhol "Noite de Verão em Barcelona" (Barcelona Nit d'estiu: 2013). A produção do jovem diretor Dani de La Orden está em cartaz em várias salas de cinema do país. O longa-metragem foi a primeira grande empreitada de La Orden na direção de uma ficção cinematográfica. Antes, ele havia produzido documentários e atuado como codiretor. A receptividade de "Noite de Verão em Barcelona" foi tanta que o diretor rodou dois anos depois sua continuação: "Noite de Inverno em Barcelona" (Barcelona, Nit d'hivern: 2015). Mais recentemente, ele dirigiu a comédia "El Pregón" (2016), ainda sem título em português. "Noite de Verão em Barcelona" apresenta seis histórias de amor que se passam no dia 18 de agosto de 2013 na cidade catalã. Neste dia, o cometa Rose atravessou o céu do continente europeu, inspirando muitos casais e influenciando seus relacionamentos. Nestas histórias, temos de tudo: as inseguranças do primeiro amor adolescente, a paixão reprimida por causa do casamento, a relação homossexual entre dois jogadores de futebol, a disputa entre dois amigos pela mesma mulher, a crise conjugal com a chegada do primeiro filho e o romance platônico entre um casal que é separado pelo destino desde a infância. O mais interessante do filme é a forma como as tramas são narradas. Ao invés de transmiti-las de maneira separada (uma de cada vez), o que seria mais natural, elas são apresentadas simultaneamente (as cenas estão misturadas). Com isso, podemos acompanhar suas evoluções paralelamente (apresentação, complicação, clímax e desfecho). Outro aspecto legal é perceber que o final nem sempre é feliz e romântico. Tudo depende da situação e do contexto. Alguns desfechos, por sua vez, são abertos, cabendo uma interpretação do expectador. A variedade das histórias também impressiona. É difícil apontar qual é a melhor. Aqui não há receitas prontas e maniqueísmos. O valor de "Noite de Verão em Barcelona" está nos detalhes e nas sutilezas de suas tramas. Os atores estão bem em seus papéis e ajudam na execução dos enredos. A beleza do longa-metragem está também na despretensão. Ele não quer provocar grandes reflexões de um tema clássico. Aqui o que vale é vivenciar as dificuldades dos relacionamentos modernos. Os amores, independentemente das idades, das opções sexuais e das classes sociais, são complicados e requerem muito esforço das pessoas. Nada é simples quando aprofundado. Apesar da grande quantidade de personagens e das várias narrativas que se sucedem simultaneamente, o filme não fica confuso em nenhum momento. Rapidamente, o expectador consegue se situar em todas as histórias e consegue acompanhá-las bem. Também não há qualquer julgamento de valores. O certo e o errado ficam à cargo da interpretação pessoal de cada um. Gostei de "Noite de Verão em Barcelona". Trata-se de um filme simples e com um ótimo roteiro. E anote este nome: Dani de La Orden. O espanhol que hoje tem 27 anos tem potencial para ser um dos grandes diretores da sua geração. Aguardemos suas novas produções. Veja o trailer deste longa-metragem: O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #DanideLaOrden

  • Celebração: O Dia do Poeta - Parabéns do Bonas Histórias

    O POETA (Vinicius de Moraes - 1962): "Olhos que recolhem Só tristeza e adeus Para que outros olhem Com amor os seus. Mãos que só despejam Silêncios e dúvidas Para que outras sejam Das suas, viúvas. Lábios que desdenham Coisas imortais Para que outros tenham Seu beijo demais. Palavras que dizem Sempre um juramento Para que precisem Dele, eternamente". Parabéns poetas de ontem, de hoje e do amanhã por esta data. 20 de outubro: O dia do poeta! Que tal este post e o conteúdo do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para acessar os demais posts desta coluna, clique em Premiações e Celebrações. E aproveite para curtir a página do blog no Facebook. #Poesia #ViniciusdeMoraes #celebração #DataEspecial

  • Exposições: Calder e a Arte Brasileira - A origem da arte cinética

    Fui nesta terça-feira ao Itaú Cultural e conferi uma ótima exposição sobre Alexander Calder. Nascido, em 1898, nos Estados Unidos e falecido em 1976, Calder foi responsável pela formação do neoconcretismo no Brasil. Abraham Palatnik, Antônio Manuel, Cao Guimarães e Rivane Neuenschwander, Carlos Bevilacqua, Ernesto Neto, Franklin Cassaro, Hélio Oiticica, Judith Lauand, Lygia Clark, Lygia Pape, Luiz Sacilotto, Waltercio Caldas e Willys de Castro foram alguns dos artistas, direta e indiretamente, influenciados pelas obras do norte-americano. A mostra "Calder e a Arte Brasileira" foi inaugurada no final de agosto e ficará em cartaz até o dia 23 de outubro. A curadoria é de Luiz Camillo Osório. A exposição ocupa três andares do centro cultural (primeiro andar e dois subsolos). Além das criações de Alexander Calder, há a apresentação de obras de 14 artistas fortemente influenciados pelo norte-americano. Calder foi pioneiro na arte cinética. Segundo esta concepção, as esculturas ganham leveza e movimento. Feitas normalmente de aço e arame, as obras surpreendem o público por contestarem a lógica da física. A pergunta que normalmente se faz é: como isso está de pé? Outra questão interessante é tentar descobrir o que as esculturas representam. Às vezes, é necessário um olhar abstrato para reconhecê-las. Em outras oportunidades, é preciso olhar para as sombras que elas formam no chão para desvendar o mistério. Menos conhecidas do que as esculturas, as pinturas de Calder e de seus seguidores também estão presentes em "Calder e a Arte Brasileira". Apesar de serem interessantes, elas perdem em impacto quando comparadas às artes plásticas. Gastei cerca de uma hora para percorrer os três andares do Itaú Cultural. O bom é que hoje não havia muitos visitantes e deu para apreciar as obras com calma e atenção. Não sei se isso é possível em um final de semana. A mostra é gratuita e ficará em exposição mais uma semana. Por isso, se apresse. Se você estiver pela região da Avenida Paulista, dê uma passada por lá para conferir a arte cinética de Alexander Calder. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias do blog. Para acessar as demais análises desta coluna, clique em Exposições. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #AlexanderCalder #Exposição #Mostra #ArtesPlásticas #ArteCinética

  • Livros: A Cidade do Sol - O drama das afegãs por Khaled Hosseini

    Em 2007, Khaled Hosseini lançou seu segundo romance: "A Cidade do Sol" (Nova Fronteira). Embalado pelo sucesso de "O Caçador de Pipas" (Nova Fronteira), best-seller antecedente, "A Cidade do Sol" rapidamente foi alçado à lista dos livros mais vendidos dos Estados Unidos. A crítica também recebeu muito bem esta obra, que de certa forma consolidou a literatura de Hosseini. Estava provado que "O Caçador de Pipas" não era "sorte de autor principiante". O romancista afegão tinha realmente talento literário. Além disso, ele havia encontrado uma fórmula editorial bem-sucedida. Ao narrar com lirismo e charme os dramas da população do seu país natal, Khaled Hosseini transformara-se em um best-seller mundial. Nesta nova trama, conhecemos a vida sofrida de duas mulheres afegãs: Mariam e Laila. A diferença de idade entre as duas é de quase quinze anos. Apesar de suas histórias serem contadas no início de maneira separada, no meio do livro elas se cruzam. A violência da sociedade patriarcal do islã conservador irá uni-las em uma única tragédia. Mariam era uma filha fora do casamento. Jalil, pai da menina, era um rico homem de negócios de Herat, cidade afegã do interior do país. Sua mãe, Nana, era empregada doméstica na casa de Jalil. Mesmo tendo três esposas, Jalil engravidou a empregada. Para não ter seu nome desonrado pela família e pela alta sociedade local, ele mandou Nana e sua criança morarem em uma casa localizada fora da cidade. Uma vez por semana, Jalil ia visitar as duas, levando mantimentos e alguns presentinhos. O sonho de Mariam, à medida que crescia, era conhecer seus irmãos, que moravam na mansão paterna no centro da cidade. Ela também queria visitar o cinema que Jalil possuía em Herat. Ao completar quinze anos, a menina pediu como presente de aniversário a ida com o pai até o cinema. Ela idolatrava Jalil e não entendia porque ele não a deixava partilhar mais sua vida. Um dia, Mariam fugiu de casa e foi visitar o pai na mansão dele. Ele não a recebeu e fez a menina dormir na rua. Ao voltar para casa decepcionada, Mariam encontrou a mãe morta. Ela se suicidou achando que a filha havia a abandonado. Só depois da tragédia familiar, Jalil recebeu a filha bastarda em sua casa. Contudo, as três esposas do empresário, desconfortáveis com aquela visita indesejada em sua residência, arranjaram rapidamente um casamento para a menina. Mariam foi prometida e entregue a Rashid, um sapateiro de Cabul de mais de quarenta anos. Assim, da noite para o dia, ela foi enviada à capital do Afeganistão para servir ao seu marido (patrão). O pai da menina, em nenhum momento, se opôs aquele plano macabro que condenaria sua filha para sempre. Rashid se tornou, dessa forma, o vilão da narrativa ao maltratar diariamente Mariam. Como ela não conseguiu engravidar dele, o sapateiro passou a espancá-la e a desprezá-la cada vez mais. A esposa, segundo a cultura tradicional afegã, era uma mistura de escrava sexual e de empregada doméstica do marido. Quinze anos mais tarde, Mariam já não era mais uma menina e havia se tornado uma mulher de quase trinta anos muito castigada pelo tempo e pelo tirano esposo. Sem os encantos da juventude, ela se acostumou à constante violência doméstica. Neste momento, em plena Guerra Civil que o país atravessava, Rashid trouxe para seu lar uma vizinha chamada Laila. A menina de treze anos tinha visto sua casa ser destruída e seus pais morrerem com a queda de um míssil. Ao ver aquela criança muito ferida e sem ninguém para cuidar dela, Mariam implorou para o marido aceitar aquela pobre jovem em sua casa. Rashid afirmou que não era certo uma solteira viver na casa de um homem casado. Além disso, ele não achava justo ter que alimentar outra boca. A única forma de Laila passar a viver ali era se casando com ele, agora um homem sexagenário. Sem esperanças, Laila aceita a proposta de casamento, para desgosto de Mariam. Da noite para o dia, a menina bonita tornou-se a rainha da casa de Rashid. A vida de Miriam piorou ainda mais, tendo agora que servir de empregada do marido e de sua nova amante. Por isso, a primeira esposa passou a odiar a segunda. Quando a jovem ficou grávida, o ódio de Miriam só aumentou. Contudo, o temperamento sórdido de Rashid conseguiu unir as esposas. Contra a violência e a tirania do marido, as duas mulheres, com o tempo, passaram a unir-se contra o vilão em comum. Elas não eram inimigas uma das outras, descobriram depois. O marido era o responsável por transformar suas vidas em algo terrível. Unidas, elas passaram a combatê-lo de todas as formas. "A Cidade do Sol" tem muitos elementos parecidos ao romance "O Caçador de Pipas". A narrativa é uma sequência de dramalhões sem fim. Quando você acha que a história não pode piorar para as personagens, ela piora ainda mais. Quando se acha que se chegou ao fundo do poço, descobre-se que o poço não tem fim. Outra vez parece que estamos em uma telenovela mexicana. A diferença é que agora o enfoque é sobre a vida feminina na conversadora sociedade afegã (em "O Caçador de Pipas", o relato era sobre a vida dos homens). Como cenário à narrativa principal, temos mais uma vez os acontecimentos históricos e geopolíticos que permearam o Afeganistão ao longo das décadas de 1970 até hoje. A vida das personagens é afetada pelas constantes guerras e conflitos que marcaram esse país. A chegada ao poder do Talibã, nos anos 1990, representou um alívio momentâneo à população local, cansada de tanta guerra e morte. Se a violência armada parou, a violência aos civis não parou nunca com os radicais islâmicos comandando a nação. Como em "O Caçador de Pipas", temos em "A Cidade do Sol" um desfecho trágico e melancólico, com pitadas sutis de esperanças quanto ao amanhã. Mesmo com todas as tragédias, dramas, violências e injustiças vivenciadas pelas personagens, acabamos admirando a trama e o jeito poético de Hosseini em escrever. O escritor constrói seu romance de maneira magnífica. É impossível não gostar do que lemos, apesar da história ser digna dos mais sórdidos enredos de terror. Gostei muito de "A Cidade do Sol". Quem for coração mole, prepare-se para chorar horrores ao longo das quase 370 páginas. Um belo romance também se faz com muita tristeza, como já provara a britânica Emily Brontë na metade do século XIX. Em pouco mais de uma semana, retorno ao Desafio Literário de outubro para comentar o terceiro, e até aqui, último romance de Khaled Hosseini: “O Silêncio das Montanhas” (Globo). O post com a análise desta obra estará disponível no Blog Bonas Histórias no dia 24. Confira! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #KhaledHosseini #LiteraturaAfegã #Romance #Drama #LiteraturaContemporânea

  • Filmes: Amor Certo Hora Errada - A boa comédia-romântica canadense

    Com a supremacia do cinema norte-americano, acabamos esquecendo muitas vezes de acompanhar as produções cinematográficas vindas do Canadá. A maioria dos diretores e dos atores canadenses de maior destaque acaba migrando para o país vizinho. Recordo, por exemplo, de Jean-Marc Vallée do "Clube de Compras Dallas" (Dallas Buyers Club: 2013) e de Xavier Dolan de "Mommy" (Mommy: 2014), diretores com ótimo desempenho em Hollywood nos últimos anos. Em relação aos atores, podemos citar Keanu Reeves (naturalizado), Jim Carrey, Pamela Anderson, Evangeline Lilly e Michael J. Fox. Aí surge a pergunta: e os filmes canadenses? Sinceramente, não me lembro de algum que tenha visto nos últimos quatro anos. Talvez os longas-metragens de maior sucesso recente tenham sido o suspense "A Garota da Capa Vermelha" (Red Riding Hood: 2010) e a comédia "Meus 533 Filhos" (Starbuck: 2011). Neste cenário de certo desconhecimento (pelo menos da minha parte, reconheço), assisti ao "Amor Certo Hora Errada" (The Right Kind of Wrong: 2013). Este filme, que foi desprezado pelo nosso circuito comercial de cinemas na época de seu lançamento, foi dirigido por Jeremiah S. Chechik. O diretor canadense é mais conhecido pelos trabalhos realizados para a televisão do seu país do que para o cinema. Os principais atores desta comédia-romântica vieram de séries televisivas norte-americanas, como Sara Canning (fez Jenna Sommers na série "The Vampire Diaries") e Ryan McPartlin (do seriado "Chuck"), ou estavam escondidos há algum tempo, como Catherine O'Hara (a mãe de Kevin em "Esqueceram de Mim"). O único um pouco mais famoso é o protagonista, o australiano Ryan Kwanten, de "Jogada de Mestre" (Kidnapping Mr. Heineken: 2015). Este filme retrata a história de Leo Palamino (interpretado por Ryan Kwanten). A esposa dele, Julie (Kristen Hager), pede a separação por não aguentar mais o jeito displicente, pouco ambicioso e atrapalhado do rapaz. O sonho de Leo é ser escritor, mas sua única obra publicada foi um grande fracasso. Para ganhar um dinheiro, ele trabalha como lavador de pratos em um restaurante local. Esta vida simples e pacata é tudo o que Julie mais odeia. Para extravasar sua raiva em relação ao marido, Julie escreve um blog chamado "Porque você é uma droga". Nele, ela expõe publicamente todos os defeitos e os episódios mais delicados da vida de Leo. Rapidamente, o site se torna um sucesso nacional e, depois, vira um livro best-seller. Leo Palamino é a chacota de sua cidade, visto com desdém por todos. No auge de sua decadência e má sorte, o rapaz encontra Colette (Sara Canning) e se apaixona pela moça ao primeiro olhar. O problema é que este encontro se dá no dia do casamento dela. A partir daí, a vida de Leo é dirigida para conquistar Colette. A moça, por sua vez, está muito feliz com seu casamento. O marido, Danny (Ryan McPartlin), é o que as mulheres chamam de "cara perfeito": rico, bonito, inteligente, romântico, responsável e com bom emprego. Ou seja, ele é o oposto de Leo. Por isso, não há o porquê Colette abandonar o atual marido para ficar com um pé rapado que se comporta como um psicopata, seguindo-a por todos os lados. "Amor Certo Hora Errada" é uma comédia-romântica diferente. O protagonista é um homem que foge do padrão sonhado pelas mulheres, enquanto o vilão (o marido de Colette) tem o perfil desejado por quase todas. Para que, então, deveríamos torcer para Leo e Colette ficarem juntos? O desenrolar do filme explica esta questão. A grande qualidade do filme está na criatividade do seu enredo, na boa atuação dos atores e na fotografia deslumbrante da paisagem do Canadá. A trama está amarrada em um roteiro engraçado e um tanto original. Não é comum encontrarmos um tipo tão excêntrico como protagonista de uma comédia-romântica. Por isso, acredito que muitos que não gostem de produções deste gênero (estou falando aqui principalmente dos homens), podem apreciar este longa-metragem sem preconceitos. À medida que conhecemos mais Leo Palamino, começamos a refletir se não é ele quem está certo e o restante das pessoas erradas. Dá para dar boas risadas em algumas cenas inusitadas. Formado por um grupo experiente de atores, mas que não está acostumado a receber papéis de destaque no cinema e na televisão, o elenco tem boa atuação. Ryan Kwanten e Sara Canning conseguem empolgar no papel de casal protagonista. Kristen Hager é uma vilã sutil e delicada, enquanto Ryan McPartlin compõe com charme um vilão ao estilo canastrão-chique. Até os papéis secundários estão em boas mãos. Catherine O'Hara é a sogra desmiolada e Will Sasso e Andrea Stefancikova são o casal apaixonado e ninfomaníaco. As cenas externas de "Amor Certo Hora Errada" são de tirar o fôlego. O filme foi gravado parte em Alberta (no interior canadense) e parte em Los Angeles (Estados Unidos). Os takes da cidade canadense são incríveis. A beleza da natureza da América do Norte é para fazer qualquer um invejar e desejar viajar para lá. "Amor Certo Hora Errada" é um filme gostoso de assistir. Despretensioso, engraçado e leve, ele consegue divertir um público variado. O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JeremiahSChechik #SaraCanning #RyanMcPartlin #CatherineOHara

  • Filmes: Nerve, Um Jogo Sem Regras - Uma ação alucinante

    No finalzinho de setembro, assisti ao filme "Nerve - Um Jogo Sem Regras" (Nerve: 2016), mas acabei não postando aqui a análise que fiz dele. Como gostei muito desse longa-metragem, vai aqui a publicação das minhas impressões, apesar do atraso de aproximadamente três semanas. "Nerve" foi lançado nos cinemas brasileiros no final de agosto e teve a direção da jovem dupla formada por Ariel Schulman & Henry Joost, de "Atividade Paranormal 3" (Paranormal Activity 3: 2011) e de "Atividade Paranormal 4" (Paranormal Activity 4: 2012). Os atores principais foram Emma Roberts, de "Família do Bagulho" (We're the Millers: 2013) e de "Se Enlouquecer, Não se Apaixone" (It's Kind of a Funny Story: 2010), e Dave Franco, de "Negócios Fora do Controle" (Unfinished Business: 2015). Nesta história, conhecemos Vee (interpretada por Emma Roberts). Ela é uma jovem tímida e traumatizada pela morte do irmão mais velho. Por isso, ela se recusa a se arriscar e, principalmente, a contrariar a mãe, que quer a filha por perto o tempo inteiro. A melhor amiga de Vee é Sidney (Emily Meade), uma moça desinibida e muito popular no colégio. Sidney joga um jogo chamado Nerve, que mistura realidade virtual com ações no mundo físico. Neste jogo, há dois tipos de pessoas: os jogadores e os observadores. O primeiro grupo deve fazer missões reais que atraiam a atenção do segundo grupo. Quanto mais observadores tem uma pessoa, mais popular ela é. Sidney é uma das jogadoras com mais fãs, enquanto Vee nunca se interessou pela brincadeira. Isso muda depois de uma briga entre as amigas. Para provar que não tem uma postura passiva frente à vida, Vee resolve, em um final de tarde, entrar em Nerve como jogadora. Em sua primeira atividade, Vee conhece Ian (Dave Franco), um jogador aparentemente iniciante. Os dois realizam com êxito suas primeiras tarefas juntos. As vitórias iniciais dão dinheiro e a conquista de muitos observadores. Rapidamente a dupla se torna muito popular. Vee quer parar a brincadeira ali, mas ela precisa de dinheiro para pagar a faculdade. Assim, ela se empolgada com os possíveis ganhos financeiros cada vez maiores. Contudo, as missões se tornam cada vez mais arriscadas. "Nerve - Um Jogo Sem Regras" é um ótimo filme de ação. O roteiro é bem redondo e recheado de cenas que deixam o expectador com o coração na boca. Emma Roberts e Dave Franco estão ótimos como protagonistas. A química do casal principal também ajuda no desenrolar do longa-metragem. O principal aspecto positivo deste filme é a originalidade do seu enredo. Um jogo virtual transportado para o mundo real que vicia as pessoas (seja para jogar ou para ficar assistindo) é um tema atual. Em tempos de "Pokémon Go", de voyeurismo de "Big Brother" e de exibicionismo de "Facebook", o jogo Nerve bem que poderia ser factível. O vício dos jovens (e das pessoas de modo geral) com os aparelhos tecnológicos e com o uso da Internet é aqui elevado a graus assustadores. Ou seja, trata-se de um retrato atual e fidedigno dos nossos tempos. Apesar de o final descambar para um duelo um tanto maniqueísta e recheado de clichês, seu desfecho é extremamente positivo. "Nerve" consegue ser uma produção sobre adolescentes que não fica restrita a este público. Quem gosta de uma boa aventura que mistura ficção com realidade, vai gostar deste longa-metragem. Só não sei se ele ainda está em cartaz nos cinemas. Se ainda estiver, deve estar saindo do circuito comercial. Por isso, corra para assisti-lo porque vale a pena. Veja o trailer de "Nerve": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #ArielSchulman #HenryJoost #EmmaRoberts #DaveFranco

  • Livros: O Caçador de Pipas - O romance de estreia de Khaled Hosseini

    No final de semana passado, li "O Caçador de Pipas" (Nova Fronteira), obra de estreia na literatura do médico de origem afegã Khaled Hosseini. Este romance foi lançado em 2003 e se tornou best-seller nos Estados Unidos em 2005, quando alcançou o topo da lista de livros mais vendidos do jornal New York Times. A história de "O Caçador de Pipas" foi adaptada para o cinema, em 2007. Esta trama é contada em primeira pessoa pelo personagem principal, Amir. Ele nasceu no Afeganistão em uma família rica de Cabul, mas na adolescência foi morar nos Estados Unidos. Na América, ele reconstruiu sua vida ao lado do pai e, depois, da esposa Soraya, uma professora também de origem afegã. Apesar da vida tranquila no novo continente, as lembranças da infância não saem da mente de Amir. Ele se arrepende por ter traído seu melhor amigo, Hassan. Os traumas de infância o prendem ao passado. Essa triste realidade pode mudar depois que um telefonema feito aos Estados Unidos por Rahim Khan, antigo sócio do pai de Amir, que vive no Paquistão, levanta a possibilidade de reparação dos antigos pesadelos do rapaz. Amir pode, enfim, ajudar Hassan, mostrando de uma vez por todas que ele é um homem bom e correto. Assim, Amir, agora um cidadão naturalizado norte-americano, precisará viajar de volta para seu país, dominado pelos Talibãs, para corrigir o seu sombrio passado. Para explicar ao leitor a importância daquela viagem e o que realmente se passou em sua infância, o narrador começa a relatar sua antiga vida no Afeganistão, entre as décadas de 1960 e 1970. A mãe de Amir morreu durante o parto do filho. Assim, o garoto passou a viver na mansão da família apenas com o pai, chamado de Baba, que nunca mais se casou. O pai era um homem muito rico de Cabul e sempre deu tudo o que o filho precisava e queria. A vida luxuosa era um peso para Amir porque ele não era compreendido pelo pai. Por gostar de ler e ser um tanto covarde, Baba achava que tinha algo de errado com o filho. A incompreensão paterna fez com que Amir se aproximasse ainda mais de seu amigo Hassan. Hassan era filho do empregado da casa da família, Ali, e adorava o amigo-patrão Amir. Os dois garotos eram inseparáveis. Contudo, a amizade entre os jovens sofreu um abalado irreversível no inverno de 1975. No dia que era para ser o mais feliz da vida de Amir, afinal ganhara um campeonato de pipas para orgulho de Baba, se transformou no pior. Nada mais foi igual ao que era antes a partir desta data. As coisas só pioraram até culminar com a saída de Hassan e Ali da casa de Baba. A culpa daquele rompimento, na visão de Amir, era unicamente dele. "O Caçador de Pipas" é um livro incrível. Além de a história ser muito boa, ela é contada magistralmente por Khaled Hosseini. Outro ponto positivo deste romance é podermos conhecer as tradições, a cultura e a história afegã. Os acontecimentos geopolíticos e históricos que permearam o Afeganistão desde a década de 1970 estão presentes fortemente na trama, afetando diretamente a vida dos personagens principais. É possível analisar, por exemplo, como a população local viu a acessão ao poder dos Talibãs e como eles transformaram a vida de todos naquele país. Para quem gosta de drama, esse romance é um prato cheio. Ao lê-lo, me recordei das telenovelas mexicanas: repletas de tragédias, traições, maldades e reviravoltas trágico-cômicas. A paternidade e os laços familiares variam à medida que a verdade vai sendo revelada. "O Caçador de Pipas" é um dramalhão ao estilo de uma telenovela mexicana, porém com tempero afegão e transcrito para a literatura. Apesar de ser uma história muito triste, há muita beleza nessa narrativa. O desfecho é espetacular. Hosseini confere uma visão poética e humana para um relato violento e trágico. As emoções que o leitor sente durante o romance são variadas. A única coisa que não se altera é o resultado delas: as lágrimas rolam várias vezes durante o livro. Os personagens são muito bem construídos e há boas reviravoltas na trama. O maniqueísmo é também relativo. Muitos dos personagens principais não podem ser classificados precisamente como sendo bons ou maus. Tudo depende do contexto, do ponto de vista e da situação. Isso torna esta obra ainda mais rica. Um ponto muito interessante de reflexão de "O Caçador de Pipas" é o destino das pessoas. Segundo Khaled Hosseini, seus personagens não podem fugir do destino pelo qual estão amarrados. A vida pode dar várias reviravoltas, mas ninguém passa impune do que precisa passar, seja das coisas boas quanto das ruins. "Caçador de Pipas" é um romance marcante, que tem a propriedade de se fixar em nossa mente por muitos e muitos anos. Trata-se de um ótimo exemplar do que há de melhor na literatura mundial contemporânea. O Desafio Literário de outubro segue com a análise do segundo romance de Khaled Hosseini: "A Cidade do Sol" (Nova Fronteira). O post com os comentários sobre essa outra obra do escritor afegão estará disponível no Bonas Histórias no domingo da próxima semana, dia 16. Não perca. Até lá! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #KhaledHosseini #LiteraturaAfegã #Romance #Drama #LiteraturaContemporânea

  • Filmes: Desculpe o Transtorno - A fraca comédia romântica de Gregório Duvivier

    No final de semana passado, assisti à comédia "Desculpe o Transtorno" (2015). Fui ao cinema para ver esta produção porque sou fã do trabalho de Gregório Duvivier e de Clarice Falcão. Para mim, Duvivier é atualmente um dos principais comediantes brasileiros da atualidade. Sua postura engajada e politizada (geralmente com viés esquerdista) o transformou em alvo fácil da direita reacionária. Ou seja, além de talentoso, ele é muito corajoso por emitir suas opiniões de maneira sincera em um momento em que ser de esquerda no Brasil é algo pejorativo. Apesar do roteiro deste longa-metragem ser creditado a Adriana Falcão, roteirista de vários filmes recentes como "Se Eu Fosse Você" (2006), "A Mulher Invisível" (2009) e "O Inventor de Sonhos" (2012), era um tanto óbvio que Gregório Duvivier e Clarice Falcão também participassem da criação dos textos. Por isso, a minha expectativa era elevada. Com tanta gente talentosa junta, era impossível não se produzir uma boa comédia. Infelizmente, eu estava enganado... A direção ficou a cargo do talentoso Tomás Portella, de "Operações Especiais" (2014), "Qualquer Gato Vira-Lata" (2011) e "Meu Nome Não é Johnny" (2008). No elenco, há vários nomes conhecidos do humor nacional: Marcos Caruso, Dani Calabresa, Rafael Infante e Zezé Polessa. A trama de "Desculpe o Transtorno" gira em torno da dupla personalidade (daí o nome do filme) do personagem Eduardo/Duca (Gregório Duvivier). Após a morte da mãe, que morava no Rio de Janeiro, o rapaz, morador de São Paulo, passa a dar vazão a duas personalidades completamente distintas: do paulistano certinho e careta (Eduardo) e do carioca irresponsável e alegre (Duca). A alteração de comportamento provoca várias situações inusitadas. Para se ter uma ideia das diferenças entre as duas personalidades, enquanto Eduardo é fiel à sua noiva Viviane (Dani Calabresa), Duca se apaixona por Bárbara, uma carioca destrambelhada (Clarice Falcão). A ideia do roteiro do filme é até interessante. A proposta é brincar com as diferenças de hábitos de paulistanos e cariocas. Contudo, o longa-metragem não consegue produzir uma só cena engraçada. As piadinhas (fracas e raras) são óbvias e bem batidas. Fazia tempo que não via uma produção com tantos clichês. Não consegui dar uma risada sequer durante todo o filme. Além disso, a história vai se arrastando desde o início. Definitivamente, trata-se de uma comédia fraquíssima. O único ponto positivo é a boa produção fotográfica. As cenas são realizadas em ótimos takes de São Paulo e do Rio de Janeiro. Assim, o longa-metragem tem um belo panorama de fundo. O problema é que o roteiro não conseguiu acompanhar a beleza visual do cenário. Tomás Portella mostra-se, mais uma vez, um diretor muito mais competente em filmar ação do que comédia. Se "Operações Especiais" e "Meu Nome Não é Johnny" são bons filmes, "Qualquer Gato Vira-Lata" e "Desculpe o Transtorno" são fraquíssimos. Juro que me senti perdendo tempo assistindo a este filme. Sai decepcionado do cinema. Veja o trailer de "Desculpe o Transtorno": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #GregórioDuvivier #ClariceFalcão #AdrianaFalcão #TomásPortella

  • Desafio Literário de outubro/2016: Khaled Hosseini

    No Desafio Literário deste mês, temos uma indicação da minha irmã Marcela. Ela não só insistiu para que eu lesse e analisasse as obras de um dos seus autores favoritos, como pediu para que a citasse como a responsável por esta escolha. Celinha, aí está o seu pedido sendo atendido. Afinal, é mês do seu aniversário e já considero este como sendo o seu presente de aniversário. Parabéns! O escritor foco de outubro é Khaled Hosseini. Este afegão de 51 anos se tornou mundialmente conhecido quando sua obra de estreia, "O Caçador de Pipas" (Nova Fronteira), se tornou, em 2005, o livro mais vendido da lista do jornal New York Times por quatro semanas. Khaled nasceu em Cabul, mas desde muito novo foi morar fora do Afeganistão. Filho de diplomata, ele viveu na França a partir dos 11 anos e aos 15 se mudou definitivamente para os Estados Unidos, onde se naturalizou. Formado em medicina, profissão na qual trabalha a maior parte do tempo, Khaled Hosseini atua também como romancista. Casado e com dois filhos, o médico-escritor continua morando nos Estados Unidos com a família. Até agora, Khaled Hosseini publicou três romances. "O Caçador de Pipas" foi lançado em 2003 e é sua obra mais conhecida. A história foi adaptada para o cinema em 2007. Nesta trama, conhecemos Amir, um afegão adulto que é atormentado por algumas lembranças da infância. Vindo de uma família rica de Cabul, o rapaz se arrepende de ter traído o seu melhor amigo quando ainda era criança. Como cenário, temos os acontecimentos geopolíticos e históricos que permearam o Afeganistão entre as décadas de 1970 e 1980. O segundo romance foi "Cidade do Sol" (Nova Fronteira), lançado em 2007 na esteira do sucesso comercial de "O Caçador de Pipas". Nesta nova trama, temos outra vez como cenário a sociedade tradicional afegã. Contudo, ao invés de enfocar a realidade masculina, como na obra antecessora, temos agora o ponto de vista feminino. Mariam de 33 anos e Laila de 15 anos tentam mudar o destino de suas vidas. As duas, como todas as mulheres afegãs, são peças secundárias, dependentes e frágeis da cultural patriarcal do seu país. "Cidade do Sol" recebeu uma enxurrada de críticas positivas e chegou ao posto de segunda publicação mais vendida do site da Amazon por algumas semanas entre 2007 e 2008. A terceira, e por enquanto última, obra de Hosseini foi "O Silêncio das Montanhas" (Globo Livros). O livro foi lançado em 2013 e aborda a relação entre dois irmãos afegãos, Pari e Abdullah, que são separados na infância. A forte ligação existente entre eles não se desfaz com o tempo, apesar da distância e das dificuldades impostas pela sociedade do Afeganistão. Apesar de naturalizado norte-americano e de ter sido criado a maior parte do tempo segundo a cultura ocidental, Khaled Hosseini tem suas obras totalmente ancoradas na realidade do seu país natal. Com os atentados terroristas de 11 de Setembro e a guerra dos Estados Unidos contra o Afeganistão, o interesse do mundo para o até então desconhecido país asiático cresceu. Com isso, muitas pessoas passaram a procurar informações sobre a realidade do Afeganistão. Graças a essa característica, a literatura de Hosseini ganhou evidência. E graças a essa situação, o público leitor pode conhecer um tipo de escritor extremamente talentoso. É este o autor foco do Desafio Literário de outubro: Khaled Hosseini. Vou ler suas obras na ordem cronológica em que foram lançadas. Assim, começarei por "O Caçador de Pipas". O post com a análise do romance de estreia de Hosseini estará disponível no Blog Bonas Histórias no próximo sábado, dia 8. Não perca o Desafio Litertário de outubro! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #KhaledHosseini

  • Filmes: Homem nas Trevas - O suspense do uruguaio Fede Alvarez

    Neste final de semana, aproveitando uma viagem a Minas Gerais, assisti a um excelente filme de suspense/terror. "Homem nas Trevas" (Don't Breathe: 2016) entrou em cartaz nos cinemas brasileiros há três semanas e é sem dúvida a melhor produção do gênero no momento em exibição nas telonas. "Nerve - Um jogo sem regras" (Nerve: 2016) está um pouquinho atrás no quesito suspense/terror, porém também é um belo filme. Dirigido pelo jovem uruguaio Fede Alvarez, "Homem nas Trevas" é o seu segundo trabalho hollywoodiano do diretor, que ficou internacionalmente conhecido pelo excelente curta-metragem uruguaio "Ataque de Pânico!" (Ataque de Pánico!: 2009). "A Morte do Demônio" (Evil Dead: 2013) representou a estreia de Alvarez nos Estados Unidos e transformou-o em um dos especialistas em filmar histórias aterrorizantes. "Homem nas Trevas" consegue angustiar o expectador com as reviravoltas na trama insólita. Stephen Lang é o ator mais experiente do elenco. Neste longa-metragem, ele está acompanhado por uma turma jovem e afinada: Jane Levy foi protagonista em "A Morte do Demônio", Dylan Minnette fez "Alexandre e o Dia Terrível, Horrível, Espantoso e Horroroso" (Alexander and the Terrible, Horrible, No Good, Very Bad Day: 2014) e Daniel Zovatto atuou em "Corrente do Mal" (It Follows: 2015). O quarteto tem atuação destacada neste filme, quase que monopolizando as cenas (a bela Jane May Graves aparece muito pouco). Este filme é sobre um trio de jovens criminosos especializados em assaltar residências. Eles vivem em uma decadente Detroit pós-crise da indústria automobilística e precisam recorrer aos furtos para sobreviver. A única moça do trio, Rocky, decide que aquele é o seu último assalto. Depois dele, ela se mudará para Los Angeles, onde poderá levar uma vida normal. Seu grupo de assaltantes é formado pelo namorado e pelo melhor amigo, Alex, que dá pinta de ser apaixonado pela moça. O plano do novo roubo, elaborado pelo namorado de Rocky, é invadir a casa de um aposentado. O idoso mora sozinho em um abandonado bairro da cidade. Segundo informações, ele seria um ex-militar que teria guardado em sua residência cerca de US$ 300 mil. Essa bolada teria sido ganha em uma indenização após a morte da sua única filha. No dia do assalto, Rocky e Alex descobrem algo um tanto peculiar sobre a futura vítima: ele é cego. Isso poderia facilitar a execução do plano do grupo, ao mesmo tempo em que levanta questões éticas: seria aceitável roubar um velhinho cego? O que era para ser uma tarefa extremamente fácil se transforma em algo muito complexo. O ex-militar transformou sua casa em uma fortaleza, a prova de invasores. Além de possui um cachorro bravo e muito bem treinado como cão de guarda, o lar do aposentado é um campo minado para qualquer pessoa. Uma vez dentro da casa, o trio de jovens bandidos será colocado à prova. Eles não imaginam o que descobrirão naquele lugar sinistro e o que precisarão passar para conseguir sair com vida e com a fortuna do morador. Apesar de cego, o ex-militar possui os demais sentidos aflorados e não será fácil vencê-lo em seu campo de atuação: sua residência. "O Homem nas Trevas" é um excelente filme de suspense e terror. A trama é muito bem amarrada e recheada de surpresas. Descobrir onde a fortuna do aposentado está e pegá-la é fácil. O difícil será sair vivo daquele lugar aterrorizante. As descobertas que os assaltantes fazem no interior do lar também são chocantes. Mesmo sendo ladrões de um idoso cego, a torcida o tempo inteiro é para que os jovens consigam ganhar essa batalha. O que mais gostei desta produção é o clima claustrofóbico (o filme quase todo se passa dentro de uma residência à noite) e as reviravoltas na trama. Em todo momento, algo surpreendente acontece. Quando você acha que a batalha entre os dois lados (bandidos e morador) acalmou, ela recomeça com toda a intensidade, em intermináveis brigas e agressões. A fotografia peculiar também é bem legal. Filmar no escuro da noite em uma residência sombria é um ótimo recurso para os filmes de terror, porém é de uma empreitada de difícil execução, que "O Homem nas Trevas" faz bem. Apesar do desfecho da trama ser um tanto previsível e o roteiro do longa-metragem ser recheado de clichês, sem dúvida nenhuma esta é uma ótima produção. Fede Alvarez mostra-se um diretor excelente neste gênero cinematográfico. Trata-se de um longa-metragem que vale a pena assistir nos cinemas. Veja o trailer de "O Homem nas Trevas": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #FedeAlvarez

  • Livros: Veronika Decide Morrer - A loucura ficcional de Paulo Coelho

    Entre 1965 e 1967, Paulo Coelho foi internado três vezes na Casa de Saúde Dr. Eiras, hospício do Rio de Janeiro. A família acreditava que o menino tímido e introspectivo que passa a maior parte do tempo lendo tivesse algum problema psíquico. A tentativa de suicídio de Paulo na adolescência só agravou o drama. Por isso, o livro "Veronika Decide Morrer" (Objetiva), lançado em 1998, tem muitos elementos autobiográficos. A história foi adaptada para o cinema duas vezes, sendo a versão mais conhecida a da diretora Emily Young de 2009. Neste livro, conhecemos Veronika, uma bela jovem eslovena que trabalha como bibliotecária e mora em Ljubljana, a capital de seu país. A moça não encontra mais sentido para viver, achando sua rotina vazia e entediante. Por isso, resolve se suicidar com uma overdose de calmantes. Contudo, o suicídio fracassa e ela é enviada para um hospício particular de Ljubljana. Lá ela passa a viver entre os loucos. O Dr. Igor é o médico responsável pela clínica e resolve fazer uma experiência com a nova paciente. Ele informa que Veronika só tem uma semana de vida, pois seu coração está muito fragilizado. O doutor também faz com que a notícia vaze pelos quatro cantos do hospício. Rapidamente, não apenas Veronika sabe que seus dias estão contados como os demais pacientes e funcionários ficam sabendo do triste destino naquela mulher jovem e bonita. Entretanto, esta informação é falsa. Dr. Igor sabe que sua paciente está cheia de vida e não deverá morrer tão cedo. A perspectiva da iminente morte de Veronika provoca transformações no hospício. Não apenas a moça começa a encarar a vida de outra maneira como isso é compartilhado com os demais pacientes. Eduard, um jovem esquizofrênico que não conversa com ninguém, e Mari, uma advogada internada com Síndrome do Pânico, tornam-se amigos de Veronika e começam a refletir sobre o valor da vida. A probabilidade da morte da amiga mexe muito com eles. "Veronika Decide Morrer" tem 220 páginas e segue o padrão dos romances de Paulo Coelho - rápido e fácil de ser lido. Li esta obra em duas noites. O ponto positivo deste livro está em sua história. Aproveitando-se de uma experiência real tida na adolescência, o autor consegue construir um enredo interessante sobre a loucura e a vida em um hospício. A forma como ele retrata a clínica e seus pacientes é incrível. A discussão de quem é ou não louco em nossa sociedade, apesar de não ser original, é ótima. O fato de muitos pacientes do hospício de Ljubljana não terem qualquer doença psíquica e mesmo assim desejarem permanecer ali é revelador. Lembrei muito do filme "Um Estranho no Ninho" (One Flew Over the Cuckoo's Nest :1975), longa-metragem do diretor Milos Forman com uma excelente atuação de Jack Nicholson fazendo Randle Patrick McMurphy (um dos seus papéis mais marcantes no cinema). O problema deste livro de Paulo Coelho não está em seu conteúdo (não é à toa que a história foi adaptada duas vezes para o cinema) e sim em sua forma. Infelizmente, o escritor transforma uma ótima ideia e um romance mediado. O excesso de religiosidade (às vezes, me sinto lendo uma obra de alguém que quer me evangelizar), o romantismo barato e platônico (as personagens se apaixonam instantaneamente) e algumas cenas paranormais (almas que deixam momentaneamente os corpos e ficam flutuando pelo ambiente, por exemplo) tomam espaço da narrativa, empobrecendo a história. O capítulo, no meio do livro, em que o autor entra na história e explica um pouco sobre a sua vida é desnecessário e um tanto piegas. Quem já tiver lido Paulo Coelho antes, perceberá que ele não "muda o disco". Suas obras sempre acabam girando em torno do tema "a pessoa precisa seguir seus sonhos" e "a religião conforta as almas humanas". Elas nunca saem disso. Acreditei que o bom enredo de uma jovem que tenta o suicídio e é enviada para um tratamento em um hospício fosse alterar este padrão, mas me enganei. Na metade do livro já é possível prever tudo o que vai acontecer. Não há nenhuma surpresa até o desfecho. Talvez quem leia Paulo Coelho pela primeira vez não sinta isso tão nitidamente, mas que já leu pelo menos um livro dele vai se incomodar. Ou seja, "Veronika Decide Morrer" é uma ótima história transformada em um romance medíocre. Quem sabe eu não assista ao filme da diretora Emily Young para ver se ela soube trabalhar melhor a trama quando adaptou esta história para o cinema. Somente agora, após a leitura dos cinco livros de Paulo Coelho, me sinto pronto para produzir uma análise completa e abrangente da literatura do escritor brasileiro de maior sucesso internacional. Na próxima quarta-feira, dia 28, vou postar aqui no Bonas Histórias a conclusão do Desafio Literário de Paulo Coelho. Não perca! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #PauloCoelho #LiteraturaBrasileira #Romance #Drama #LiteraturaContemporânea

Bonas Histórias | blog de literatura, cultura e entretenimento | bonashistorias.com.br

Blog de literatura, cultura e entretenimento

bottom of page