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  • Livros: O Plano Perfeito - O thriller de Sidney Sheldon

    Aproveitei que não conseguia dormir ontem à noite para ler "O Plano Perfeito" (Record). Comecei a leitura deste livro de Sidney Sheldon por volta das 19h e terminei às 2h da manhã de hoje. Décimo quinto romance do escritor norte-americano, "Plano Perfeito" foi publicado pela primeira vez em 1997. Esta é a história da publicitária Leslie Stewart e do advogado Oliver Russel. Os dois se conheceram quando ele estava iniciando a campanha eleitoral para governador do estado de Kentucky. Sem o apoio de ninguém, o advogado não tinha dinheiro para fazer uma boa divulgação do seu nome. A única agência de publicidade que aceitou prestar esse serviço gratuitamente foi a empresa em que Leslie trabalhava. Assim, a moça passa a cuidar desta conta. Muito bonita e extremamente inteligência, Leslie se apaixona por Oliver. O namoro dos dois engata, enquanto a candidatura dele naufraga. A paixão do casal foi tão forte que Oliver e Leslie marcam o casamento para dali algumas semanas. Alguns dias antes do casório, Leslie Stewart descobre pela imprensa que o noivo havia se casado com a filha de um importante senador norte-americano enquanto viajava a trabalho pela França. Por amar muito Oliver, a publicitária resolve não polemizar, aceitando amargamente o destino. Com o casamento de conveniência, Oliver Russel consegue o apoio necessário dos políticos do seu estado e vence a eleição. Com o sucesso no governo do estado, ele depois se torna presidente da República. Enquanto vê o progresso da carreira do antigo noivo, Leslie Stewart passa a nutrir grande ódio por Oliver. Ela sente que ele trocou seu amor pelo poder. Por isso, ela promete vingança. Depois de casar com um dos homens mais ricos do Estado Unidos e ficar com a herança inteira dele, Leslie passa a comprar veículos de comunicação no país e no exterior. Seu plano é se tornar proprietária de um grande conglomerado de comunicação. Com esse poder em mãos, ela irá lançar uma ofensiva para derrubar o presidente. Enquanto não destruir Russel, ela não irá descansar. "O Plano Perfeito" tem 300 páginas e é possível de lê-lo em uma noite. Este é um livro diferente de Sidney Sheldon. No início, acreditamos que o enredo irá se repetir: Leslie Stewart, a moça bonita, inteligente e de bom coração, irá enfrentar o vilão que destroçou seu coração. Oliver Russel é o mulherengo, infiel e interesseiro que coloca as ambições políticas a frente dos desejos do coração. Contudo, a medida que a trama vai se desenrolando, esta impressão inicial vai se desfazendo. A história se torna atípica. O desejo de vingança de Leslie Stewart vai aos poucos transformando a personagem de heroína em vilã. A reviravolta que a narrativa sobre no final é digna dos mestres do suspense. Sidney Sheldon consegue escrever escondendo o "jogo" do leitor o tempo inteiro. O que parece muitas vezes não é de fato. E o que não parecia é realmente. Depois que o pano caiu e descobrimos o verdadeiro enredo, tudo faz sentido. "O Plano Perfeito" é um ótimo thriller. Ele possui poucos elementos românticos, característica esta que foge um pouco do estilo do autor. Sidney Sheldon sempre usou e abusou do romantismo exacerbado em suas obras. Nesse sentido, admito que gostei muito dessa particularidade de "Plano Perfeito". Não que eu não goste de tramas românticas, porém acho que um escritor deve mostrar versatilidade e trabalhar com outros gêneros. Quando o autor se apega fortemente a passionalidade dos personagens, os enredos se tornam muito repetitivos e um tanto previsíveis. Exatamente por isso, o maniqueísmo fortemente presente nas histórias do norte-americano se torna mais complexo. É difícil precisar quem é o vilão e quem é o herói nesta narrativa surpreendente. Não se angustie se no meio da leitura você trocar a torcida pelo personagem favorito algumas vezes. Isso será normal. Quem gosta de mistério e principalmente de suspense irá adorar essa história. O quinto e último livro de Sidney Sheldon que será analisado neste mês no Desafio Literário é "A Outra Face" (Record). O post com a crítica desse livro estará disponível no Blog Bonas Histórias no dia 25. Não perca! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #SidneySheldon #Romance #Suspense #Thriller #LiteraturaNorteAmericana #LiteraturaContemporânea

  • Filmes: Escritores da Liberdade - Lições de uma professora idealista

    Domingo à noite assisti ao filme "Escritores da Liberdade" (Freedom Writers: 2007). Este longa-metragem teve a direção de Richard LaGravenese, de "P.S. Eu Te Amo" (P.S. I Love You: 2007), e contou com o protagonismo de Hilary Swank, atriz de "A Inquilina" (The Resident: 2010), "'Dívida de Honra" (The Homesman: 2014) e "P.S. Eu Te Amo" (P.S. I Love You: 2007). Com pouco mais de uma hora e meia de duração, este drama consegue emocionar até mesmo os corações mais resistentes. Admito que chorei bastante vendo o filme. "Escritores da Liberdade" conta a história real da jovem professora Gruwell (Hilary Swank). Novata na profissão, ela é enviada para lecionar em uma escola pública da Califórnia. Sua primeira turma é do primeiro ano (colegial). O bairro e a escola são barra pesadas, com guerras de gangues e muita violência. A turma que Gruwell encara logo de início é formada por alunos problemáticos. Todos a odeiam porque ela é branca e aparenta ser de classe social abastada. Contrariando os conselhos da família e superando os perigos por tentar educar aqueles adolescentes, a novata percebe que não conseguirá ser bem-sucedida na empreitada se realizar o trabalho de forma convencional. Por isso, ela lança mal de uma metodologia própria e alternativa de ensino. O seu jeito de ensinar surpreende os alunos e cria sérios problemas para ela. Os colegas de profissão e o diretor da escola passam a vê-la com maus olhos. Devo admitir que fiquei encantado com o filme e com a história real de Gruwell. Se a trama não fosse baseada em fatos verídicos, acredito que a narrativa não teria a força que teve. Às vezes, era difícil de acreditar nas coisas que a professora fazia. Além de um belo roteiro, apreciei a atuação dos atores. Hilary Swank está novamente impecável em seu papel. Contudo, o que mais chama a atenção é o desempenho dos atores que interpretaram os alunos. Quase todos eram novatos na atuação cênica e mal tinham saído da adolescência. Eles foram impecáveis. A escolha de pessoas reais que passaram pelo horror do Holocausto para interpretar seus próprios papéis também foi uma escolha acertada, dando grande verossimilhança às cenas. A trilha sonora também é interessante e os diálogos são espetaculares. A parte em que os alunos conversam com a senhora que protegeu Anne Frank foi incrível. Gostei tanto que até repito aqui um pequeno trecho: - Eu nunca tinha conhecido um herói. A senhora é minha heroína - disse um dos alunos à senhora europeia. - Oh, não! - respondeu ela - Não, não, meu jovem, não. Eu não sou uma heroína. Não! Eu fiz o que tinha que fazer, porque era a coisa certa a fazer. Foi só isso. Nós somos todos, pessoas comuns, mas mesmo uma simples secretária ou uma dona de casa ou um adolescente podem, mesmo que com pequenas atitudes, acender uma luzinha em uma sala escura. Não é? Fantástico. Simples e bela a mensagem. O único ponto que admito que não gostei no filme foi a ambientação da escola. Se a instituição de ensino parece barra pesada e decadente, essa impressão deve ser sentida apenas para os norte-americanos. Aqui no Brasil, a escola retratada onde a professora Gruwell atou parece excelente. Somente quem entrou em algumas instituições educacionais públicas em nosso país pode entender o que estou dizendo. "Escritores da Liberdade" é um dos melhores filmes que assisti nos últimos anos. A mensagem é linda e a história é maravilhosa. Quem gosta de se emocionar, com certeza vai gostar dessa bela lição de vida. E não se esqueça de ficar atento à legenda final. A professora Gruwell consegue nos surpreender até mesmo quando o filme termina e os créditos narrativos da história surgem no encerramento. Veja o trailer de "Escritores da Liberdade": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #RichardLaGravenese #HilarySwank

  • Livros: Manhã, Tarde & Noite - O romance policial de Sidney Sheldon

    Neste final de semana, li "Manhã, Tarde & Noite" (Record), um dos principais livros da carreira de Sidney Sheldon. Publicado pela primeira vez em 1995, este foi o décimo quarto romance escrito pelo norte-americano. Diferentemente das duas obras anteriores que li deste Desafio Literário, "Nada Dura para Sempre" (BestBolso) e "Se Houver Amanhã" (Best Bolso), "Manhã, Tarde & Noite" é uma trama de mistério. Podemos caracterizá-lo até como sendo um romance policial. Em alguns aspectos dá para compará-lo, em questão de gênero narrativo, aos romances de Agatha Christie ou de Harlan Coben. Nesta história, conhecemos o bilionário Harry Stanford. O empresário de sucesso, considerado como um dos homens mais ricos do mundo, teve uma vida familiar conturbada. Ele deu um golpe no pai para ficar com a fortuna e o comando das empresas da família. Depois, se casou e teve três filhos. A esposa, contudo, se suicidou quando descobriu que o marido tinha um caso com a governanta da mansão e que a funcionária esperava uma filha do patrão. Esta tragédia foi responsável pela fragmentação do clã. Os filhos legítimos passaram a odiar o pai e deixaram de viver com ele antes de atingirem a adolescência. A governanta desapareceu da residência, fugindo grávida. A partir daí, Sr. Stanford passou a viver solitário. Esses eventos são revividos, de certa forma, no momento em que Harry Stanford morre misteriosamente quando viajava em seu iate pelo litoral europeu. Após o enterro do empresário, os três filhos se reúnem para ouvir o testamento. O que era para ser uma partilha tranquila dos bens do odiado pai se torna um problema quando a filha bastarda reaparece para pegar sua parte na fortuna. Os irmãos legítimos ficam indignados e se colocam contra a divisão igual da herança paterna. Os advogados do escritório que cuidava da herança de Harry Stanford são chamados para elucidar a questão. Por causa disso, é iniciada uma investigação para saber se a moça que surge pela primeira vez perante todos é realmente filha do bilionário falecido. Como o corpo de Harry desaparece do cemitério onda fora enterrado, uma complexa trama se sucede. Nem tudo o que parece é comprovado pelos advogados. Há até a suspeita que o Sr. Stanford teria sido assassinado. "Manhã, Tarde & Noite" tem 350 páginas e é dividido em três partes: Manhã, Tarde e Noite. Na primeira parte conhecemos o enredo da história. Na segunda, descobrimos quem é o vilão. Na última parte, temos o desfecho da narrativa. Escrito na terceira pessoa, o clima na primeira metade da obra é de mistério. Sidney Sheldon consegue sustentar o enigma da trama com classe. Todos os personagens são dúbios, podendo estar envolvidos com a morte do milionário de alguma forma. A segunda metade do livro é de ação. Uma vez descoberto (por parte do leitor) quem é o vilão, a narrativa se desenvolve rapidamente. Nessa parte, ainda teremos algumas surpresas em relação aos personagens secundários. Nem sempre quem parecia ser bonzinho é de fato assim e nem sempre que parecia ser mal se prova verdadeiramente vilão. Nesta obra, temos algumas características que já podemos atribuir ao estilo de escrita de Sidney Sheldon, afinal elas aparecem pela terceira vez (no terceiro livro lido dele). A primeira questão é a força dos personagens femininos e seu protagonismo. As mulheres, salvo raríssima exceção, são as pessoas mais confiáveis e com nobre caráter das histórias. O papel de herói sempre é destinado a alguém do sexo feminino. Se alguma dama comete algo de errado, é porque foi induzida por um homem. Os homens, como regra geral, são gananciosos, possuem mau-caráter, são colocados na posição de vilões ou têm o espírito fraco. Os únicos que não são assim sãos os parceiros ou futuro parceiros românticos das protagonistas mulheres. Os príncipes encantados são perfeitos, afinal. A história também é fortemente banhada por componentes românticos. O sentimento passional guia tanto os heróis quanto os vilões. Todos, ou quase todos, possuem uma paixão e têm seus comportamentos guiados pela busca deste amor. Apesar de escrever suas histórias em terceira pessoa, o autor consegue guardar muitos mistérios do leitor. Sheldon consegue escolher bem as palavras e o contexto narrativo para enganar o leitor. Por isso, é comum encontramos muitas reviravoltas em sua trama, o que torna a leitura mais divertida. Algo que aprecio no estilo de Sheldon é que ele utiliza-se de uma linguagem simples e objetiva. Suas tramas são aceleradas e não há espaço para enrolações ou questionamentos filosóficos. A narrativa segue sempre de maneira veloz, sobrepondo-se a descrição dos personagens e dos cenários. As histórias ficam recheadas de ação e de conflitos dramáticos. "Manhã, Tarde & Noite" é um livro muito bom. Ele começa em tom meio morno, como se não prometesse nada de excepcional. Na metade da publicação, contudo, os enigmas e as perguntas levantadas são tão complexos e variados que atiçam a curiosidade de quem está lendo. Aí não dá mais para parar a leitura. Apesar de ter gostado desta obra, admito que gostei mais das publicações lidas anteriormente ("Nada Dura para Sempre" e "Se Houver Amanhã"). De alguma forma, elas possuem mais o estilo do autor. Sidney Sheldon não é um mau escritor de mistério policial, porém, se fosse para ler um livro deste gênero, obviamente iria recorrer aos autores especializados neste tipo de narrativa. O Desafio Literário volta ao Blog Bonas História no dia 21 com a análise do romance "O Plano Perfeito" (Record). Assim, caminhamos para a parte final da investigação sobre a literatura de Sidney Sheldon. Não perca os próximos passos do Desafio Literário de agosto. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #SidneySheldon #RomancePolicial #Romance #LiteraturaNorteAmericana #LiteraturaContemporânea #Suspense #Thriller

  • Gastronomia: Pizzaria Mascarpone - O DNA de um sucesso comercial

    É muito legal descobrir pequenos negócios com jeito de empresas que vão prosperar e crescer muito nos próximos anos. Enquanto vários micro e pequenos empresários sofrem com a crise econômica e não sabem o que fazer para voltar a operar no lucro, outros empreendedores encontram a fórmula do sucesso e caminham no rumo certo. É o caso da Pizzaria Mascarpone. Com duas unidades, ambas na Zona Oeste de São Paulo (Vila Romana e Pirituba), o estabelecimento voltado exclusivamente para o delivery apresenta soluções inovadores em um mercado caracterizado pelo conservadorismo. A Mascarpone não é uma pizzaria comum. Todos os seus processos de trabalho foram pensados para otimizar os recursos e o tempo. Há profissionais específicos para cada função. Há um pizzaiolo para abrir a massa e outro para rechear a pizza. Há uma pessoa que coloca a redonda no forno e outra que só as retira de lá de dentro. Ou seja, é uma linha de produção. A quantidade de recheio é pré-determinada, assim como o tempo em que as pizzas assam também é rigorosamente controlado. Com isso, há a certeza que todas as pizzas terão a mesma qualidade e que serão entregues rapidamente. Isso é muito legal! A qualidade dos produtos produzidos pela Pizzaria Mascarpone é boa. A massa tem crocância e o recheio não decepciona. Suas pizzas não são do tipo que pesa, que estufa o estômago. Elas são leves. Até mesmo as opções mais simples são saborosas. Pelo visto, os ingredientes ajudam na manutenção da qualidade final dos produtos finais. Ao criar uma linha de produção, a Pizzaria Mascarpone consegue praticar preços bem mais baratos do que similares com a mesma qualidade. Os valores das pizzas variam em cinco faixas: R$ 18,99, R$ 26,99, R$ 31,99, R$ 36,99 e R$ 43,99. Durante a semana, o valor máximo é de R$ 28,99. Encontrar uma pizza de mussarela (desculpem, mas para mim mussarela se escreve com 2 "s") em São Paulo com boa qualidade por menos de R$ 20,00 é algo que muitos consumidores pensam ser impossível nos dias de hoje. Não é! Mascarpone é uma pizzaria que entrega prioritariamente um ótimo custo benefício. Em tempos de crise econômica, encontrar uma pizzaria que ofereça uma qualidade acima da média com preços abaixo da concorrência é um achado para os clientes. Exatamente por isso, o sucesso da Mascarpone. Aos finais de semana, são vendidas quase que mil pizzas em cada uma das unidades da empresa. Acredito que em pouco tempo a empresa conseguirá expandir para outros bairros e regiões da capital paulista. Afinal, o mais difícil eles conseguiram: encontrar a fórmula do sucesso. Portanto, memorize esse nome. Nos próximos anos, é possível que sua pizzaria favorita seja a Mascarpone. Pelo menos é assim aqui em casa desde o final do ano passado. Que tal este post e o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer as demais críticas gastronômicas do blog, clique na coluna Gastronomia. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #Gastronomia #restaurante #Pizzaria #SãoPaulo #Pizza

  • Livros: Se Houver Amanhã - Um dos melhores romances de Sidney Sheldon

    Li, nessa semana, a segunda obra de Sidney Sheldon do Desafio Literário de agosto. O livro escolhido foi "Se Houver Amanhã" (BestBolso). Publicado pela primeira vez em 1985, "Se Houver Amanhã" é a sétima produção literária do best-seller norte-americano. O sucesso do livro foi tanto que no ano seguinte a trama ganhou uma adaptação para a televisão. A minissérie televisiva teve Madolyn Smith Osborne, Liam Neeson e Tom Berenger no elenco principal. O livro é grande, com mais de 400 páginas. Demorei quatro noites para concluí-lo. A obra é dividida em três partes. Cada parte representa uma etapa da vida da personagem principal, Tracy Whitney. Na primeira seção, a jovem é apresentada como tendo uma vida dos sonhos. Ela trabalha como analista em um conceituado banco da Filadélfia. Recém-promovida, Tracy irá se casar com o filho de um magnata local. O rapaz está apaixonado por ela e é tido como um rapaz perfeito. Para completar o cenário idílico, Tracy está grávida. O bebê do casal virá em breve. Por isso, ela se considera a mulher mais sortuda do mundo. Sua vida é perfeita, julga. Os problemas de Tracy Whitney começam quando ela retorna à Nova Orleans para o enterro da mãe. Em sua cidade natal, a jovem descobre que sua mãe se suicidou. O motivo foi à falência da empresa da família. O culpado foi um empresário que deu um golpe na viúva para ficar com o dinheiro da companhia fundada pelo falecido pai de Tracy. Indignada com a injustiça, Tracy invade a casa do empresário em busca de retratação. Esse é o princípio de uma série de mal-entendidos que culminará com a prisão da moça. A acusação é de invasão à propriedade privada, tentativa de homicídio e roubo de uma obra de arte. A pena é de 15 anos. Condenada, Tracy é abandonada pelo noivo. Sem ninguém mais para ajudá-la, ela acaba trancafiada em uma cela imunda. Na penitenciária estadual, Tracy passa a ter uma nova vida. Ela é uma condenada da justiça e passa a viver entre criminosas perigosas. Seu objetivo passa a ser sobreviver naquele ambiente opressor. Na primeira noite, é estuprada pelas colegas de cela e perde o filho que esperava. Depois, passa a fugir das investidas de homossexuais que cortejavam seu corpo. Naquele ambiente, sua beleza era uma inimiga. A segunda parte do livro inicia-se após a saída da prisão da moça. Agora, Tracy Whitney quer vingança. Ela irá destruir a vida de todos aqueles que contribuíram para colocá-la atrás das grades. Uma vez terminada a vingança, ela busca recomeçar sua vida. Contudo, ela não consegue. Ninguém quer dar emprego para uma ex-presidiária. Sem conseguir um trabalho convencional e honesto, ela parte para a criminalidade. A carreira de ladra de luxo de Tracy é o mote da última parte do livro. Nesse momento da história, ela se muda para a Europa e passa a viver dando golpes em museus, bancos e milionários no Velho Continente. Com o tempo, ela se torna a maior ladra do mundo, conhecida pela coragem e esperteza. Um policial norte-americano de uma empresa privada de segurança é incumbido de prendê-la. Assim, enquanto precisa roubar os ricos, a moça precisa fugir da polícia. Gostei muito de "Se Houver Amanhã". A leitura é agradável e dinâmica. Os acontecimentos ocorrem sucessivamente e de maneira rápida deixando a trama ágil. A linguagem simples e direta de Sidney Sheldon também ajuda. Ele não perde tempo com nada que não seja essencial. Temos nessa publicação um Sheldon que esbanja bom humor e sacadas hilárias. Os golpes aplicados por Tracy são excelentes. Além de serem desenvolvidos por uma mente criativa e inteligente, eles possuem doses de sarcasmos e ironia. As viagens da personagem principal pelos diferentes países europeus também confere certo charme ao livro. O aspecto mais interessante dessa obra é acompanharmos a evolução da personalidade de Tracy Whitney. Se no começo da história ela era uma moça fútil, frágil e idealista, no final ela se transforma em uma mulher prática, forte e realista. É impossível não torcer por ela. Mesmo sabendo que o que ela faz é errado (roubar coisas sempre é um crime), acabamos vibrando quando seus planos são bem-sucedidos. Nesse caso, a polícia se torna a vilã da história. Engraçado isso, né? Gostei tanto dessas três partes do livro que não sei qual é a melhor. A vida na prisão é dura e exige muita força de vontade da personagem principal para encarar as adversidades. A fase em que ela se vinga dos seus inimigos externos também é ótima. É divertidíssimo ver como Tracy consegue derrubar seus inimigos, um a um, usando apenas sua inteligência. E o que falar da fase de ladra profissional?! Os crimes de Tracy vão se sucedendo sem que a história perca graça e dinamismo. Um roubo é melhor e mais desafiante do que outro. Não dá para largar as páginas do livro. Como na publicação anteriormente lida ("Nada Dura Para Sempre"), temos aqui também um cenário de uma mulher sozinha contra o mundo (no livro anterior, era um trio de mulheres contra os homens). Sem ninguém para contar, Tracy precisará usar sua beleza e, principalmente, sua inteligência para passar a perna em todos a sua volta. "Se Houver Amanhã" também tem altas doses de romantismo. Se Tracy descobre rapidamente que seu antigo noivo era um homem indigno do seu amor, ela passa a nutrir um sentimento especial pelo criminoso Jeff Stevens. O rapaz de corpo atlético é o rival da moça na prática criminosa. Depois, os dois se tornam uma dupla bem-sucedida na arte de enganar a sociedade. Apesar da protagonista ser do sexo feminino, não considerei esse livro como tendo um público-alvo prioritariamente feminino. Acredito que muitos homens vão gostar dessa trama divertida e instigante. Eu particularmente gostei bastante. Se quisesse, Sidney Sheldon poderia ter iniciado uma série de histórias com essa personagem. O enredo estava todo pronto e permitia tranquilamente a extensão da trama para novas histórias. O final de "Se Houver Amanhã" indica exatamente isso. É uma pena que ele não tenha continuado. Com certeza, eu leria mais dessa história. O Desafio Literário prossegue no próximo dia 15, quando retorno ao Blog Bonas Histórias para analisar "Manhã, Tarde & Noite", um romance policial de Sidney Sheldon. Até lá! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #SidneySheldon #Romance #Suspense #Drama #LiteraturaNorteAmericana #LiteraturaContemporânea

  • Filmes: Se Deus Vier que Venha Armado - A frustração do novíssimo cinema nacional

    Assisti, na semana passada, ao filme "Se Deus Vier que Venha Armado" (2013). O longa-metragem representou a estreia de Luís Dantas na direção. Produzido há três anos, o filme chegou ao circuito comercial apenas no final do ano passado. Foram várias as premiações: prêmio de melhor diretor, fotografia e ator no Festival Iberoamericano, prêmio de melhor filme, diretor e fotografia no FestAruanda e prêmio de desenvolvimento de roteiro da Secretaria Municipal de São Paulo. A crítica especializada rasgou elogios ao longa-metragem. Há quem o tenha classificado como um exemplar do Novíssimo Cinema Nacional. Com uma expectativa altíssima, fui ver o filme. Em "Se Deus Vier que Venha Armado", conhecemos a história de dois jovens: Damião (interpretado por Vinicius de Oliveira) e Joilson (André Franco). Damião é presidiário e recebeu o indulto do Dia da Mãe. Passará o final de semana fora da penitenciária. Por ser integrante do PCC, facção criminosa que domina as prisões paulistas, ele recebe a missão de cometer um crime. Enquanto prepara a ação criminosa, Damião viaja com o amigo de infância, o adolescente Palito (Ariclenes Barroso), e a professora do garoto (Sara Antunes) para Santos. Joilson, por sua vez, é um cabo de polícia novato. O jovem policial precisará encarar um grave levante de presidiários que aterroriza a cidade de São Paulo. Assim, a vida dos dois jovens irá se cruzar tragicamente. Quem é fã da literatura de João Guimarães Rosa e, mais especificamente, de "Grande Sertão: Veredas" (Nova Fronteira) se lembrará que o título do longa-metragem é uma frase de Riobaldo. No mais famoso romance rosiano, o narrador e protagonista dizia que o Sertão era uma terra tão perigosa que se Deus quisesse aparecer, que viesse armado (para não correr risco de passar apuros). Maravilhosa referência intertextual! Sinceramente, não achei nada de mais neste filme. Contar a história do levante do PCC não é algo novo. "Salve Geral" (2009), por exemplo, fez a mesma coisa com muito mais mérito. Retratar a vida na favela também não é algo inovador, assim como não é surpresa o antagonismo entre policiais e bandidos. Há inúmeras produções com mais êxito nesses sentidos. "Se Deus Vier que Venha Armado" também não traz nenhum recurso cinematográfico que mereça qualquer elogio. A fotografia, muito elogiada nos concursos nacionais, não apresenta, em minha opinião, nada acima da média. A atuação dos atores varia de mediana a ruim. A trilha sonora é apenas regular. Qual é o grande legado desse filme, então? Juro que não enxerguei. Considerá-lo como um legítimo integrante do chamado Novíssimo Cinema Nacional é um absurdo. Não é possível um longa-metragem com um enredo e uma execução meramente mediana receber tantos elogios e destaques. Ou nosso cinema está caminhando em um patamar baixo de qualidade ou meus olhos estão ficando destreinados para apreciar bons filmes. Veja o trailer de "Se Deus Vier que Venha Armado": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #LuísDantas

  • Livros: Nada Dura Para Sempre - O décimo romance de Sidney Sheldon

    Comecei a leitura das obras de Sidney Sheldon por "Nada Dura Para Sempre" (BestBolso). Li esse livro neste sábado. Ele possui pouco mais de 300 páginas e a leitura é bem rápida. Esse é o décimo romance escrito pelo norte-americano. Publicado originalmente em 1994, a história ganhou uma adaptação para o cinema já no ano seguinte: "Nada Dura Para Sempre" (Nothing Lasts Forever: 1995). Dirigido por Jack Bender (diretor da série "Lost"), o longa-metragem teve o protagonismo de Gail O Grady, Brooke Shields e Vanessa Williams. Essa história começa em um tribunal. A jovem médica Paige Taylor é acusada de matar propositadamente um paciente para receber sua herança avaliada em um milhão de dólares. Todas as testemunhas chamadas pelos juízes depõem acusando a doutora. Para os funcionários do hospital público de São Francisco, onde a Dra. Taylor fazia residência, ela é uma profissional incompetente, fria e antiética. A imprensa está contra ela, lançando reportagens chamando-a de "Discípula do Diabo". A condenação da moça parece uma questão de tempo. O único que confia na inocência da médica é seu namorado, Jason Curtis. Nem mesmo o advogado de defesa da doutora acredita que ela não é a assassina. De repente, a trama volta cinco anos no tempo. Nesse passado, conhecemos todos os personagens da trama. Paige Taylor é uma residente que está começando seu trabalho no hospital de São Francisco. Ela foi uma estudante de medicina muito dedicada e sonha em ajudar as pessoas menos favorecidas. Apaixonada por um amigo de infância, Paige aguarda o rapaz voltar da África (ele trabalha em uma ONG que ajuda os necessitados) para se casarem. No primeiro dia em São Francisco, Paige conhece Honey Taft e Kat Hunter, outras duas residentes que estão começando o trabalho no hospital. Rapidamente, as três se tornam as melhores amigas e passam a morar juntas. Honey Taft é herdeira de uma família milionária e trabalha como médica apesar de não ter aptidão para tal. Seu sonho é ser enfermeira, mas a família não deixa. Para conseguir permanecer na profissão, a moça faz sexo em troca de favores. Assim, consegue avançar na faculdade e entrar no hospital. Mesmo não sendo bonita, ela desenvolveu desde jovem uma habilidade para deixar os homens caidinhos por ela. Nisso, ela é competentíssima. Kat Hunter, por sua vez, é a mais competente estudante da sua turma. Ela teve as maiores notas da história da sua universidade e é admirada pelo seu profissionalismo. Ela também é muito bonita. Sua beleza impressiona a todos. Os homens do hospital dão em cima dela insistentemente, mas a moça não quer nada com ninguém. Ela odeia os homens desde que foi abusada pelo padrasto na infância. A Dra. Hunter ainda precisa enfrentar o racismo. Ela é negra. As três amigas precisam provar seu valor no hospital que estão fazendo residência. O pior problema do trio é o machismo imperante naquele local. As três são as únicas médicas residentes da sua turma. Os médicos, as enfermeiras e até os pacientes não querem mulheres trabalhando como doutoras ali. Os homens as veem como invasoras do seu ambiente de trabalho e como presas sexuais. As três jovens médicas precisam superar as adversidades típicas da profissão (longas jornadas, pouca estrutura do hospital público e casos complexos dos pacientes), além de implodir o preconceito sexista naquele lugar. À medida que os anos vão passando, começamos a conhecer melhor Paige Taylor. Assim, quando a história avança continuamente no tempo e chegamos novamente ao tribunal, já sabemos se ela é culpada ou inocente. Temos ciência do que realmente aconteceu, podendo escolher se torcemos contra ou a favor da médica. "Nada Dura Para Sempre" é uma história simples e gostosa. Ela prende a atenção do leitor e, por isso, é possível lê-la de uma só vez (li durante a tarde e o começo da noite de ontem). Sidney Sheldon utiliza-se uma linguagem simples e direta. Não há recursos literários muito sofisticados aqui. O autor concentra seus esforços na criação do enredo e dos personagens. Isso ele faz com excelência. A sensação é que estamos realmente dentro de um hospital. Sheldon faz bem o balanço entre recriar a rotina médica e tornar a trama verossímil. No meio do livro, acreditei que o autor já tivesse trabalhado mesmo em um hospital público de verdade... O que chama mais atenção nessa história é o contexto prioritariamente feminino. As três principais personagens são mulheres. Elas precisam provar seu valor em um mundo essencialmente machista. A maioria dos homens é retratada como inimigos das moças, desejando-as unicamente para fins sexuais. Para superar todas as adversidades (profissionais e pessoais que cada uma possui), elas não têm mais ninguém para ajudá-las. Elas estão sozinhas no mundo. Na verdade, elas contam apenas com o apoio mútuo do trio de amigas. Cada uma delas terá uma estratégia distinta para conseguir ser bem-sucedida no hospital. A força interior das personagens femininas dessa história é absurda. Elas possuem caráter, coragem e atitude para enfrentar todas as diversidades. São elas as heroínas, enquanto quase todos os homens são os vilões. Os poucos integrantes do sexo masculino que não são encarados como vilões são vistos como príncipes encantados que estão ali para salvar as princesas modernas das trevas que elas se encontram. Às vezes, elas confundem um vilão com príncipe e um príncipe com vilão. Essa busca explícita ou implícita pela outra metade torna o enredo do livro bastante romântico. Mesmo trabalhando muito e desejando serem respeitadas profissionalmente, as protagonistas continuam acalentando sonhos matrimoniais. Praticamente desejam ser resgatadas pelo príncipe encantado daquela selva moderna que é o hospital. O único ponto negativo é que o livro não possui qualquer surpresa ou reviravolta. A trama segue previsivelmente do início ao fim. Os fatos vão se sucedendo de maneira automática. Um leitor atento consegue prever o que irá acontecer depois da leitura de um quarto da obra. Isso, evidentemente, é um tanto frustrante. Gostei bastante de "Nada Dura Para Sempre". A história e seus personagens são marcantes. O enredo é simples e bem executado. Acredito que o público feminino vá gostar mais dessa obra do que o público masculino. Com a leitura dessa primeira publicação, pude perceber que Sidney Sheldon cumpre bem seu papel de produzir uma literatura de entretenimento. Se a história das três jovens médicas será esquecida por mim daqui um ano, pelo menos nesse sábado ela conseguiu me cativar. O segundo livro do Desafio Literário de agosto é "Se Houver Amanhã" (Best Bolso). O post com a análise desta obra estará disponível aqui no Blog Bonas Histórias no dia 11. Não deixe de acompanhar o estudo sobre a literatura de Sidney Sheldon. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #SidneySheldon #LiteraturaNorteAmericana #LiteraturaContemporânea #Romance #RomancePolicial #Suspense #Drama

  • Filmes: Pacto Sinistro - Patricia Highsmith por Alfred Hitchcock

    Assisti, nessa quarta-feira à noite, à "Pacto Sinistro" (Strangers on a Train: 1951). Baseado no romance homônimo de Patricia Highsmith (autora de thrillers criminais como a série Ripliad do personagem Thomas Ripley), o filme teve a direção de Alfred Hitchcock, o mestre do suspense. O longa-metragem, estrelado por Farley Granger, Robert Walker e Ruth Roman, foi indicado ao Oscar de melhor fotografia em 1952. Em "Pacto Sinistro", o jogador de tênis Guy Haines (interpretado por Farley Granger) conhece Bruno Antony (Robert Walker), filho de um milionário, durante uma viagem de trem. Bruno mostra saber tudo sobre a vida do tenista, sendo muito indiscreto em sua abordagem. Guy não consegue se desvencilhar do desconhecido e os dois vão almoçar em um dos vagões privados da composição. Durante a refeição, Bruno mostra ser um vadio e um tanto desequilibrado mentalmente. Inadvertidamente, o esportista admite estar namorando Anne Morton (Ruth Roman), filha de um senador, mas não pode se casar com ela. A antiga esposa dele, Miriam (Kasey Rogers), que o traiu, não aceita a separação e deseja se aproveitar da situação para faturar algum dinheiro. Ao mesmo tempo, Bruno explica que odeia o pai, que exige que ele trabalhe e seja alguém na vida. Após as lamentações de ambos, Bruno propõe um plano macabro: e se cada um assassinasse a pessoa que provoca a infelicidade ao outro? Segundo o filho do milionário, o plano é perfeito. Ninguém iria desconfiar da autoria dos assassinatos. Se Bruno matasse a esposa de Guy e Guy matasse o pai de Bruno, a polícia jamais desconfiaria deles. Afinal, eles não iriam ganhar nada com o crime praticado diretamente. Para se livrar do lunático e parecer polido, Guy afirma gostar do plano, se despedindo de Bruno e desembarcando na estação. O que era para ser um gesto meramente educado foi interpretado como uma aprovação da proposta. Para surpresa do tenista, Bruno coloca a primeira parte do plano em prática e mata a ex-mulher de Guy. Assustado com o assassinato e com a abertura de uma investigação policial, Guy ainda tem mais um problema: Bruno exige que ele cumpra sua parte no acordo, caso contrário irá contar para a polícia que ele era o mentor do assassinado da ex-mulher. O que Guy deve fazer? Ele fica em uma sinuca de bico. "Pacto Sinistro" é um belo filme. O suspense sobre o que vai acontecer e como Guy Haines vai lidar com a situação norteia todo o drama. A tensão permanece do início ao fim. Trata-se, portanto, do melhor de Alfred Hitchcock. O mestre do suspense consegue deixar a plateia com o coração na mão durante a uma hora e meia de produção. Não é à toa que "Pacto Sinistro" se tornou um clássico da sétima arte com a temática "viagem de trem". O estilo do filme, como era típico dos longas-metragens de suspense na década de 1950, é noir. Com sombras até mesmo durante as cenas diurnas, contraste acentuado entre claro e escuro, iluminação low key e uso de ângulos de câmera não convencionais, a dramaticidade da história se acentua consideravelmente. Outro ponto positivo dessa produção é a atuação de Robert Walker. Ele está magistral no papel de Bruno Antony. Sua fisionomia debochada e paranoica torna seu personagem ainda mais assustador, capaz de qualquer coisa para conseguir seus objetivos. É impossível não se emocionar com sua interpretação. E o que dizer da cena final rodada no parque de diversões? Na metade do século passado, Hitchcock conseguiu filmar um carrossel desgovernado, colocando os personagens principais em perigo. Com qual tecnologia ele fez isso para deixar tão verossímil a cena? A resposta: não utilizou efeitos especiais. O que vemos realmente aconteceu, em uma corajosa decisão do diretor. É de tirar o chapéu. Legal também acompanhar a partida de tênis já no trecho final do filme. Muito bem filmado e editado, o jogo mostra-se completamente diferente ao praticado hoje em dia. Os tenistas procuram atuar o tempo inteiro avançando até a rede e utilizam quase que apenas a empunhadura continental. Ao ver essas cenas, me lembrei do livro "6/0 Dicas do Fino" (Generale) de Fernando Meligeni, no qual ele cita essas características nos primórdios da modalidade. Gostei muito de "Pacto Sinistro". Quem estiver procurando uma boa história de suspense e um ótimo longa-metragem de ação, acredito que essa seja uma opção interessante. É sempre bom ver ou rever Hitchcock. Veja o trailer de "Pacto Sinistro": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #PatriciaHighsmith #AlfredHitchcock #FarleyGranger #RobertWalker #RuthRoman

  • Desafio Literário de agosto/2016: Sidney Sheldon

    Quando eu era moleque no final da década de 1980 e início dos anos de 1990, sempre encontrava um livro de Sidney Sheldon em algum lugar. Era na casa dos meus pais, na residência dos meus tios ou nos apartamentos dos meus amiguinhos de escola. No consultório dentário ou na secretaria da escola de inglês, sempre havia alguém empunhando um dos seus livros. Parecia que Sheldon era onipresente. Ele estava em todos os lugares ao mesmo tempo com uma de suas publicações. Vendo a quantidade de obras vendidas, eu pensava comigo: "Esse cara deve ser um excelente escritor. Afinal, todo mundo o lê". Curiosamente, quando eu falava isso para as pessoas "adultas", eu ouvia uma crítica negativa. "Ele, na verdade, é um péssimo escritor. Por isso todo mundo o lê. Se fosse bom mesmo não faria sucesso!" era o que me diziam. Na época, eu não entendia aquilo. Na verdade, até hoje não compreendo muito bem esse paradoxo. Como uma obra literária era interessante para o público, mas não era louvada pela crítica?! Esse paradoxo manteve-se vivo dentro de mim por todo esse tempo. Por isso, escolhi Sidney Sheldon para integrar o Desafio Literário de agosto do Blog Bonas Histórias. Agora vou conhecer um pouco esse best-seller que me "perseguia" em minha infância e adolescência. Quero descobrir, afinal de contas, qual o segredo do seu sucesso e por que ele vendia tanto nas décadas de 1970 a 1990, apesar das pessoas torcerem o nariz para suas histórias. Sidney Sheldon nasceu com o nome de Sidney Schechtel no ano de 1917 em Chicago, nos Estados Unidos. Após trabalhar alguns anos como vendedor, locutor de rádio, entregador de encomendas e compositor musical, Sidney se consolidou como roteirista de Hollywood a partir da década de 1950. No cinema, produziu vinte e cinco filmes. Também fez roteiros para mais de duzentas e cinquenta produções televisivas e seis peças teatrais. Na década de 1970, passou a escrever romances. Dezoito livros seus foram publicados no mundo inteiro entre 1970 e 2004. O sucesso como escritor foi retumbante. Todos os seus dezoito romances entraram, em algum momento, na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times, totalizando uma vendagem superior a 300 milhões de cópias. As obras literárias de Sidney Sheldon foram traduzidas para mais de cinquenta idiomas e foram distribuídas para aproximadamente cento e oitenta países. Não é à toa que o Guinness Book o intitula como o "escritor mais traduzido no planeta". Isso explica um pouco porque eu encontrava suas obras em todos os lugares... A publicação de estreia de Sidney Sheldon foi "A Outra Face" (Record), lançada em 1970. A história de suspense ganhou as páginas dos livros porque seu autor achou que o enredo era muito complexo para ser transmitido no cinema, na TV ou nos palcos. A consequência dessa decisão surgiu no ano seguinte. Em 1971, "A Outra Face" ganhou o Edgar Allan Poe Award como o melhor livro estreante do ano. O grande sucesso de púbico veio com o segundo lançamento, em 1974. "O Outro Lado da Meia-Noite" (Record) atingiu o primeiro lugar na lista dos mais vendidos do jornal "The New York Times". Esta continua sendo a obra mais vendida do escritor. A partir dos dois primeiros sucessos literários, Sidney Sheldon passou a priorizar a carreira de romancista, deixando de lado o cinema e o teatro. Na sequência, vieram mais dezesseis best-sellers. Muitas dessas histórias foram depois adaptadas para o cinema. Sidney Sheldon faleceu em 2007. Até hoje, ele é o único escritor agraciado com a maior premiação nas três principais indústrias culturais norte-americanas: cinema (Oscar), literatura (Edgar Allan Poe Award) e teatro (Tony Award). Em uma comparação livre, é como se um jogador tivesse conquistado a Copa do Mundo em três categorias esportivas diferentes: futebol, voleibol e tênis. Incrível! Para o Desafio Literário deste mês, escolhi cinco obras para ler. "A Outra Face" foi inserida na lista porque foi a obra de estreia de Sheldon. Os outros quatro livros foram selecionados aleatoriamente: "Nada Dura Para Sempre" (BestBolso), "Se Houver Amanhã" (BestBolso), "Plano Perfeito" (Record) e "Manhã, Tarde & Noite" (Record). Vou começar a leitura de Sidney Sheldon por "Se houver Amanhã". Boa leitura! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #SidneySheldon

  • Filmes: Hot Rhythm - Água com Açúcar da década de 1940

    Quem me conhece, sabe que adoro filmes antigos. Descobrir "novidades" no cinema das décadas de 1930, 1940, 1950 e 1960 está entre minhas atividades culturais mais divertidas. Estou falando isso porque na semana passada assisti a "Hot Rhythm" (1944). Esta comédia musical é de 1944. Apesar do seu sucesso, eu nunca a tinha visto. O longa-metragem foi o único da careira do diretor William Beaudine, especializado em séries televisivas com animais: "Lassie" de 1965 e "As Aventuras de Rin Tin Tin" de 1954. Esta produção é estrelada por Robert Lowery (mais conhecido pelo papel de Batman, no seriado "Batman & Robin" de 1949), Dona Drake (mais famosa como cantora do que atriz), Irene Ryan, Tim Ryan III (que também foi o roteirista) e Sidney Miller. A história de "Hot Rhythm" se passa essencialmente em uma produtora musical. A empresa produz jingles (propagandas) e discos de cantores tradicionais. Jimmy (interpretado por Robert Lowery) e Sammy (Sidney Miller) são amigos e escritores de jingles. Certo dia, a dupla conhece a cantora Mary, recém-contratada pela produtora para cantar jingles. Impressionado com a beleza da moça, Robert convida a moça para fazer um teste como cantora convencional. Ele se passa por produtor, omitindo que seja um músico publicitário (algo visto como pejorativo). A moça aceita e um disco-demonstrativo dela é gravado. Contudo, uma confusão dentro da empresa faz com que o disco seja produzido de verdade e lançado no mercado. Dez mil cópias são distribuídas para as lojas. Assim, o dono da produtora, Sr. O'Hara (Tim Ryan III) fica em maus lençóis. Sua companhia não tem o direito autoral da música cantada. A fim de evitar um processo judicial e a falência da produtora, Sr. O'Hara e sua atrapalhada secretária Polly (Irene Ryan) vão tentar resolver a situação de maneira pouco convencional. Esse é o estopim para uma série de confusões e novos problemas que se desenrolam em cascata. "Hot Rhythm" é um filme muito legal. Trata-se de uma típica comédia musical da metade do século passado. O humor é leve e inocente, por vezes um pouco forçado. É possível recordar-se das produções de Billy Wilder - como "Quanto Mais Quente Melhor" (Some Like It Hot: 1959) - e de Howard Hawks - "Os Homens Preferem as Loiras" (Gentlemen Prefer Blondes: 1953). Em uma comparação mais nacional, é possível se lembrar das comédias de Mazzaropi e Oscarito. "Hot Rhythm" é aquele tipo de longa-metragem que muitos o definem como "Água com Açúcar". Se assim for, trata-se de uma excelente "Água com Açúcar". O grande mérito da produção de William Beaudine está no roteiro dinâmico. O filme é sim engraçado e a trilha sonora é muito boa. Contudo, a principal qualidade de "Hot Rhythm" está em sua história dinâmica. Os problemas da trama vão se desenrolando sucessivamente e velozmente. Fica difícil largar o filme no meio. Além disso, muitas coisas acontecem simultaneamente, com os vários personagens envolvidos em tramas paralelas que se misturam indiretamente. Aí quem rouba a cena é a atriz Irene Ryan. Ela acaba ofuscando o casal de protagonistas (Robert Lowery & Dona Drake). Atuando como uma secretária desmiolada e ambiciosa, é dela (e de Tim Ryan III, interpretando seu patrão) as cenas mais divertidas do filme. O humor é no estilo do seriado "I Love Lucy". Irene Ryan até parece (um pouco) fisicamente com Lucille Ball. Gostei muito desta produção. "Hot Rhythm" é aquele filme para se assistir em uma tarde ou noite fria. Em baixo da coberta, com um chocolate quente à mão e bem acompanhado, é impossível não rir das trapalhadas dos personagens dessa história singela e bem formulada. Veja um trecho de "Hot Rhythm" em que a bela Dona Drake demonstra seu talento musical: O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #WilliamBeaudine #RobertLowery #DonaDrake #TimRyanIII #IreneRyan #SidneyMiller

  • Filmes: A Morte Lhe Cai Bem - Ótimo elenco e roteiro

    Semana passada, assisti ao filme "A Morte lhe Cai Bem" (Death Becomes Her: 1992), excelente comédia dirigida por Robert Zemeckis. Zemeckis teve outras produções mais marcantes no cinema: a série "De Volta para o Futuro" (Back to the Future: 1985, 1989 e 1990), "Uma Cilada para Roger Rabbit" (Who Framed Roger Rabbit: 1988), "Forrest Gump - O Contador de Histórias" (Forrest Gump: 1994), "Naufrago" (Cast Away: 2000) e "O Expresso Polar" (The Polar Express: 2004). São quase duas dezenas de trabalhos na direção com excelentes resultados. Sempre fui fã do diretor e adorei a maioria dos seus longas-metragens. Apesar disso, fiquei muito surpreso com a audácia de "A Morte lhe Cai Bem". Estrelado por Meryl Streep, Goldie Hawn e Bruce Willis, o filme tem um roteiro inovador. A história é primorosa e engraçadíssima. Trata-se de um clássico dos anos 1990. Helen Sharp (interpretada por Goldie Hawn) é uma escritora iniciante insegura de si. Noiva do famoso cirurgião plástico Ernest Menville (Bruce Willis), Helen vai a uma apresentação teatral de sua grande inimiga: Madeline Ashton (Meryl Streep). Madeline é uma atriz decadente e egocêntrica que sempre quis passar Helen para trás. Agora que a inimiga está estrelando um musical vexatório e humilhante, a escritora decidiu revê-la. Contudo, ao apresentar Ernest para a atriz, Helen perde o noivo. O cirurgião abandona-a e se casa com Madeline. A rejeição é demais para a moça. Ela passa a comer obsessivamente e se isolada da sociedade, adquirindo problemas psicológicos. Catorze anos depois, Helen convida o casal para o lançamento de seu novo livro. Ernest Menville e Madeline Ashton se surpreendem ao encontrar a antiga conhecida completamente transformada. Além de estar magra, ela está muito jovem e extremamente sexy. Seu sucesso literário também é avassalador. O aparecimento de Helen deixa Madeline paranoica. Ela quer ficar mais jovem e bonita do que a amiga de infância a qualquer custo. Helen, percebendo que o casamento entre Ernest e Madeline é apenas de fachada, tenta acabar de vez com o relacionamento dos dois. Ela começa a dar em cima do cirurgião de forma descarada. Isso faz a atriz não medir esforços para superar a rival em relação à estética. Nesse momento de desespero, Madeline conhece uma mulher incrivelmente sensual chamada Lisle von Rhoman (Isabella Rossellini). Lisle promete rejuvenescer a cliente milagrosamente. Para tal, basta adquirir uma poção mágica que lhe dará a juventude eterna. É o que ela faz. Contudo, a poção tem alguns efeitos colaterais indesejados. Isso parece não incomodar a ambiciosa Madeline. Mais jovem e atraente e disposta a manter seu matrimônio, a atriz inicia uma batalha violenta com Helen pela supremacia estética. As duas disputam também o privilégio de viver ao lado de Ernest Menville, que por sua vez quer distância das duas malucas. Inicia-se, assim, uma grande guerra entre os três. A cada momento os adversários alteram-se. Se o enredo parece (por esta descrição) engraçado, estranho e maluco, garanto que ele é bem mais. Não contei muitas particularidades da trama que tornam o filme ainda melhor. Não posso estragar a graça do longa-metragem para quem não o assistiu, né? "A Morte lhe Cai Bem" é um filme espetacular. Seu roteiro me fez lembrar muito o incrível roteiro de "Quero Ser John Malkovich" (Being John Malkovich: 1999), produção de Spike Jonze. Enquanto ambos são surpreendentes e engraçadíssimos, eles também conseguem criticar ferozmente a sociedade atual. Se "Quero Ser John Malkovich" aborda o culto das celebridades, "A Morte lhe Cai Bem" trata da obsessão pela juventude e pela beleza eterna. Além do belíssimo roteiro, a atuação do trio de protagonistas é de tirar o fôlego. É um tanto óbvio dizer isso, mas Meryl Streep, Goldie Hawn e Bruce Willis estão ótimos. Não consigo imaginar seus personagens sendo interpretados por outros atores. O trio consegue conferir um humor trágico-cômico ao filme. Eles têm a sensibilidade de mostrar o lado sombrio e desesperador dos seus personagens. Apesar de ter ótimos efeitos especiais (ganhou o Oscar de 1993 nesse quesito), "A Morte lhe Cai Bem" não é aquele tipo de filme que chama a atenção unicamente pela técnica pós-filmagem. Os efeitos especiais servem aqui para conferir mais graça e nonsense à história, dando credibilidade ao conteúdo e as cenas filmadas. Repare nas cenas de brigas e de acidentes dos protagonistas. Impossível não se divertir com elas. Robert Zemeckis pode ter tido filmes mais premiados ("Forrest Gump - O Contador de Histórias"), mais celebrados ("De Volta para o Futuro"), com melhores efeitos especiais ("Uma Cilada para Roger Rabbit"), mas nenhum deles teve um roteiro mais inovador do que "A Morte lhe Cai Bem". Esse é aquele tipo de longa-metragem para ser visto e revisto algumas vezes. Veja o trailer de "A Morte lhe Cai Bem": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #RobertZemeckis #MerylStreep #GoldieHawn #BruceWillis

  • Livros: Confesso que Vivi - As memórias de Pablo Neruda

    O quinto livro de Pablo Neruda que me propus a conhecer neste Desafio Literário de julho foi "Confesso que Vivi" (Difel), sua obra de memórias. Li a autobiografia do poeta chileno nesse final de semana. Em cerca de 350 páginas, Neruda narra os principais episódios de sua vida, da infância até a velhice. Escrito ao longo de vários anos pelo autor, o livro foi publicado pela primeira vez em 1974, alguns meses após a morte do chileno. Ou seja, a obra consegue percorrer toda a vida do poeta, até momentos antes do seu falecimento. Dividido em doze capítulos, "Confesso que Vivi" segue uma ordem cronológica. Apesar de o autor deixar claro no início que contará a sua história embalado por suas lembranças, a publicação segue uma linha temporal. Após algumas partes introdutórias sobre a infância e adolescência do poeta, chegamos à fase adulta. Ela inicia-se quando Neruda deixa o interior chileno e se muda para a capital Santiago, onde vai fazer faculdade. Concluído o curso, Pablo Neruda ingressa no corpo diplomático do seu país. Ele se torna cônsul, sendo enviado para várias regiões do mundo. Inicialmente vai trabalhar em pequenos e desconhecidos países asiáticos. Depois, é enviado para a Argentina e a Espanha. Trabalha também no México e na França. O livro narra suas aventuras por essas nações. Tendo uma carreira (paralela) de sucesso desde cedo na poesia, Pablo Neruda sempre foi muito cortejado por onde passou. Assim, pode conhecer inúmeras personalidades do seu tempo. À medida que visita os principais países do mundo, ele naturalmente conhece e se torna amigo de muita gente historicamente importante. Na parte final do livro, ficamos sabendo da volta de Pablo Neruda ao Chile. Seu trabalho político, a eleição para Senador da República, a perseguição política, o exílio e a atuação na campanha política de Salvador Allende. Nessa parte, há também uma homenagem aos principais amigos do poeta e uma reflexão sobre a poesia e sobre o papel do escritor. A obra termina quando Allende é deposto pelos militares chilenos. Isso aconteceu alguns dias antes do falecimento do poeta. "Confesso que Vivi" é uma obra incrível, maravilhosa. Admito que fiquei positivamente surpreso com seu conteúdo. Como Pablo Neruda sempre escreveu suas poesias sobre seus amores e suas desilusões amorosas, acreditei que em sua obra de memórias fosse conhecer a vida romântica do escritor. Ledo engano! O poeta chileno já havia escrito muito a esse respeito, deixando essa questão em último plano. O que não era tão conhecido era sua vida política, sua atuação diplomática, seu hall de amizades e as intensas viagens pelo mundo. É exatamente esse o foco da publicação de memórias. A primeira sensação que tive ao ler essa obra foi: "Uau! Que vida foi essa!". Pablo Neruda esteve sempre no lugar certo e no momento exato quando a história do século XX se escrevia. Ele se reuniu com Mahatma Gandhi nos primeiros encontros de Paz do líder indiano, esteve na Espanha quando Francisco Franco deu o golpe de estado e conheceu os japoneses que armaram o ataque a Pearl Harbor. Esteve na Rússia na época da formação do movimento literário "Formalismo Russo", atuou intensamente para a eleição do primeiro presidente comunista do Chile e esteve na França durante a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Além disso, foram seus amigos Pablo Picasso, Luiz Carlos Prestes, Jorge Amado, Frederico García Lorca, entre outros. Conheceu Josef Stalin, Anastásio Somoza García, Fidel Castro, Che Guevara e mais um tanto de políticos. A impressão que tive é que Pablo Neruda foi um Forrest Gump do seu tempo. Você se recorda do protagonista do filme "Forrest Gump - O Contador de Histórias" (Forrest Gump: 1994)? Neruda esteve indiretamente ligado aos principais acontecimentos do século XX. Era como se ele estivesse sempre na antessala onde os principais episódios ocorreram. Isso é bem legal! Outra coisa que me chamou a atenção foi a forma descompromissada que Neruda escreve em prosa. Sua história de vida é narrada de forma gostosa, intercalando episódios relevantes, memórias de situações inusitadas e uma interpretação poética da vida. É impossível largar o livro depois que se começou a ler. A impressão que tive é que o poeta estava conversando comigo durante as 350 páginas de "Confesso que Vivi". Outro aspecto digno de nota é o nome do livro. Esse é um dos melhores títulos de autobiografias que conheço. Ao mesmo tempo em que brinca com o leitor (é óbvio que Neruda viveu), ele também consegue sintetizar a grandiosidade da vida do poeta (o chileno viveu intensamente sim! E como!). Quem gosta da poesia e das obras poéticas de Pablo Neruda, precisa ler sua autobiografia. A vida do chileno, acredite, foi tão intensa e magnífica quanto suas obras. Na sexta-feira, dia 29, retorno ao Blog Bonas Histórias para apresentar o conclusão sobre o Desafio Literário de julho. Para tal, vou analisar de maneira completa a literatura de Pablo Neruda. Não perca o próximo post do Desafio Literário. Até lá! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #PabloNeruda #Memórias #LiteraturaChilena #Autobiografia

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