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  • Filmes: O Presente - A boa estreia de Joel Edgerton no suspense

    No final de 2015, após ver o trailer no cinema de dois filmes que iriam ser lançados neste ano, fiquei empolgadíssimo, aguardando ansiosamente suas estreias. E não é que elas aconteceram quase que simultaneamente. Foi difícil me decidir entre “O Presente” (The Gift: 2015) e “Boneco do Mal” (The Boy: 2016). Acabei optando, nesta semana, pelo primeiro por um motivo simples: ele estava saindo do circuito e essa poderia ser a última chance de vê-lo na telona. O segundo, por sua vez, tinha acabado de chegar aos cinemas e eu teria, assim, mais algumas semanas de prazo para conferi-lo. “O Presente” é o longa-metragem de estreia do ator australiano Joel Edgerton na direção. Ele ficou conhecido pelas atuações como Ramses em “Êxodo: Deuses e Reis” (Exodus - Gods And Kings: 2014) e como Tom Buchanan em “O Grande Gatsby” (The Great Gatsby: 2013). Além de dirigir “O Presente”, Edgerton também atua nessa produção. Ao seu lado estão Jason Bateman e Rebecca Hall. Neste filme, temos um casal bem-sucedido, formado por Simon (Jason Bateman) e Robyn (Rebecca Hall). Eles se casaram a pouco tempo e estão de mudança para uma nova cidade. Após escolherem uma bela casa, eles vão fazer compras. Em uma das lojas, Simon encontra Gordo (Joel Edgerton), um antigo amigo de infância. Após uma conversa protocolar, Simon e Gordo se despedem. No dia seguinte, Gordo envia um presente ao antigo amigo na nova residência deste. Os moradores ficam surpresos ao perceber que Gordo sabia o endereço. Nas semanas seguintes, Gordo passa a visitar o casal. Ele também passa a enviar constantemente presentes aos moradores daquele lar. Enquanto Simon fica cada vez mais incomodado com as visitas e os presentes do antigo colega de escola, Robyn se afeiçoava pelo excêntrico amigo do marido. Gordo, aos olhos de Robyn, apesar da sua pouca habilidade social, é uma boa pessoa. Contudo, um segredo do passado irá provocar grandes reviravoltas nessa história, mudando a opinião dos personagens. O que mais gostei desse filme foi a atuação de Joel Edgerton, tanto na direção quanto interpretando o misterioso Gordo. É difícil apontar onde o australiano se sai melhor. Jason Bateman, muito atrelado às comédias românticas, também está muito bem em um papel no qual ele não está tão acostumado a desempenhar. Nessa hora, percebe-se seu talento interpretativo. Outro ponto que chama a atenção é o enredo. O longa-metragem é recheado de surpresas e reviravoltas na trama. Em determinado momento, não é possível saber quem é o “mocinho” e quem é o “vilão” dessa história. O final da trama também é surpreendente, não sendo possível prevê-lo de antemão. O final aberto (com múltiplas interpretações) ajuda a elevar a qualidade do filme. Ou seja, trata-se de um ótimo suspense. O principal ponto negativo é que, em determinados momentos, o filme se torna um pouco parado. Algumas cenas são arrastadas, conferindo uma certa sensação de tédio. Rebecca Hall também parece pouco à vontade no papel de Robyn. Apesar de alguns deslizes, um aqui e outro ali, gostei muito de “O Presente”. Agora é conferir o “Boneco do Mal” e saber qual deles é melhor: o suspense de hoje ou o filme de terror de amanhã. Veja o trailer de "O Presente": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JoelEdgerton #JasonBateman #RebeccaHall

  • Livros: O Mistério do Cinco Estrelas - O maior sucesso de Marcos Rey

    “O Mistério do Cinco Estrelas” (Ática) é o maior sucesso da carreira de Marcos Rey, escritor paulistano conhecido principalmente por suas obras direcionadas ao público infantojuvenil. É verdade que Marcos Rey, pseudônimo de Edmundo Donato, também escreveu muitas coisas para os adultos: principalmente livros e roteiros televisivos e cinematográficos. Inclusive, chegou a conquistar relevantes prêmios do mercado editorial por esses trabalhos (dois Jabuti, um Juca Pato e um APCA). Porém, o que o tornou cultuado foi a produção de romances policiais para as crianças e os adolescentes. A maioria dessas histórias foi publicada pela Editora Ática na famosa Coleção Vaga-Lume. E nenhum livro de Marcos Rey e da Vaga-Lume, que contava com outros autores, vendeu tanto quanto “O Mistério do Cinco Estrelas”. Foram mais de três milhões de exemplares comercializados, o que transformou este título em um dos maiores best-sellers da história do país. Ou seja, é impossível falar de literatura infantojuvenil sem citar Marcos Rey e seu grande sucesso. Publicado em 1981, “O Mistério do Cinco Estrelas” é um romance policial protagonizado por um adolescente da cidade de São Paulo. A obra foi tão bem-sucedida entre a garotada que deu origem a uma série literária. Leo, Ângela e Guido, os personagens principais do romance, voltaram a estrelar novas tramas do autor. “O Rapto do Garoto de Ouro” (Ática), de 1982, “Um Cadáver Ouve Rádio” (Ática), de 1983, e “Um Rosto no Computador”, de 1992, dão sequência ao romance de 1981. Todos esses livros de Marcos Rey foram publicados pela Coleção Vaga-Lume. Lembro com saudosismo dessas histórias porque as li na minha infância. Assim como acontece ainda hoje em muitas escolas públicas e privadas do país, as obras da Vaga-Lume faziam parte do currículo de leitura dos estudantes nas décadas de 1970, 1980 e 1990. As narrativas da coleção serviam de ferramenta pedagógica. Eram a última etapa do letramento dos estudantes: a leitura crítica. Eu e meus coleguinhas adorávamos esses livros. Raramente alguém se recusava a lê-los. Traumático mesmo foi quando os professores deixaram de sugerir essas obras e passaram a pedir a leitura de José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Lima Barreto... Aí, os protestos começaram! Aproveitei que achei, no último final de semana, “O Mistério do Cinco Estrelas” na estante de casa para reler este livro. Assim, depois de um hiato de algumas décadas, pude degustar o melhor de Marcos Rey. E admito ter ficado mais uma vez encantado. O romance é realmente saboroso. Leonardo Fantini é um garoto de quinze anos morador do Bexiga, bairro italiano de São Paulo. De família pobre, Leo, como é mais conhecido pelos amigos e pelos familiares, arranjou trabalho há pouco tempo em um hotel cinco estrelas da cidade de São Paulo. O emprego de mensageiro (bellboy) no Emperor Park é ótimo, pois rende muitas gorjetas no final do mês. Leonardo, que passou a frequentar a escola à noite, está adorando sua nova rotina. Isso até apertar, em um dia aparentemente normal, a campainha do 222. O hóspede daquele quarto é o Barão, um senhor gordo e milionário. Conhecido na cidade inteira por fazer doações a campanhas beneficentes, o Barão pede de maneira simpática ao bellboy para ele buscar seus jornais. Leo atende o pedido com eficiência e rapidez. Contudo, ao retornar ao 222 com os periódicos em mãos, nota que há um corpo atirado em baixo da cama. Para piorar, o Barão está com a roupa suja de sangue e o recebe na porta com certo nervosismo. Leonardo entra em desespero e conta o que viu a Guima, o porteiro do hotel. Guima é amigo dos Fantini e foi quem ajudou Leo a conseguir aquele emprego. À princípio, o porteiro não acredita no que o menino diz. O Barão é um homem com reputação inabalável e o Emperor Park Hotel é um estabelecimento de renome. Crimes como o descrito pelo bellboy são inimagináveis ali. No dia seguinte, Leo vai à lavanderia do hotel e acha o corpo que viu no quarto 222. Nesse momento, ele leva uma pancada na cabeça e cai desacordado no chão. Quando desperta, o corpo sumiu novamente. Ciente que não está imaginando coisas, o bellboy procura Percival, o gerente do hotel. Para surpresa do protagonista, Percival não só não acredita em seu relato como diz que há uma acusação de roubo envolvendo Leo. Alguém teria roubado um isqueiro de ouro do quarto do Barão no dia anterior. Leonardo se diz inocente e deixa o gerente revistá-lo. Percival acha o objeto no bolso do novato. Segundo o jovem funcionário, alguém teria colocado propositadamente o isqueiro em seu bolso para incriminá-lo. A pessoa teria feito isso quando ele estava desacordado na lavanderia. Obviamente, Percival não acredita na versão do rapaz. Dessa forma, Leo é demitido do hotel e ninguém no Emperor Park acredita em sua versão de assassinato. Triste com os acontecimentos, Leo decide investigar por conta própria o estranho fato que presenciou no 222. Alguns dias depois, o protagonista descobre, através de uma nota do jornal, que o corpo de um homem foi achado boiando no Rio Tietê. Intrigado com a notícia, Leo vai ao IML, Instituto Médico Legal, para reconhecer o morto. Trata-se da mesma pessoa que ele viu embaixo da cama do Barão. Com essa evidência, Leo conta tudo o que sabe para o delegado. Mais uma vez, ninguém acredita nele. Ao visitar o hotel, a polícia descobre que o rapaz está sendo acusado de mais roubos. Ao invés de testemunha de um crime, o protagonista do romance se transforma em um procurado pela polícia. Ao mesmo tempo, bandidos perigosos parecem querer matar o adolescente. Acuado, Leo pede ajuda para seu primo Guido, um rapaz de vinte anos paralítico que anda de cadeira de rodas, e para seu amigo Guima. O trio investigará o que aconteceu de fato no quarto 222. Leo também será ajudado por Ângela, sua “quase namorada”. A menina que pertence a uma família rica parece gostar muito do rapaz. “O Mistério do Cinco Estrelas” é um livro curtinho. A obra tem pouco mais de 100 páginas. Sua leitura é extremamente rápida (no caso do leitor ser um adulto, obviamente). Concluí o romance em pouco mais de duas horas. Na certa, uma criança ou um adolescente (o verdadeiro público-alvo da publicação) levarão muito mais tempo. Como um romance policial infantojuvenil, “O Mistério do Cinco Estrelas” é excelente. A trama de Marcos Rey tem tudo o que um bom thriller precisa possuir: muito suspense, bastante ação, ótimas personagens, doses certas de romantismo e um belo enigma. O mistério embala a trama do início ao final. Gostei também do humor do texto e da excelente ambientação da cidade de São Paulo. Nesse último caso, repare no quanto o Bexiga e os Fantini, uma típica família italiana do tradicional bairro, são magistralmente descritos. Eu juro que consegui visualizá-los. Marcos Rey, em muitas obras, é um exímio cronista da realidade e das pessoas de São Paulo. Outro ponto positivo é a construção das cenas. O autor é preciso em colocar seu protagonista em situações de perigo. Desde a primeira página, há ação. Leo e seus amigos conseguem escapar tanto da polícia quanto dos bandidos ao unirem coragem e inteligência. Em certo ponto, “O Mistério do Cinco Estrelas” é quase que “O Fugitivo” (Coleção Estadão) do público infantojuvenil. Que J. M. Dillard me desculpe pela comparação inusitada (e, talvez, estrambólica), mas Leonardo Fantini é a versão brasileira e adolescente do Dr. Richard Kimble. Eu adorei este livro quando o li pela primeira vez na infância. Lembro bem de tê-lo escolhido como o meu favorito dentro da Coleção Vaga-Lume. Curiosamente, o mesmo aconteceu agora. Mesmo adulto, com trinta e muitos anos passados, achei a trama de Marcos Rey encantadora. Se tivesse filhos, juro que leria esta obra para eles. Afinal, nada como um bom romance policial infantojuvenil para despertar nos pequenos o gosto pela leitura e pela literatura. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #MarcosRey #LiteraturaInfantojuvenil #RomancePolicial #ColeçãoVagaLume #LiteraturaBrasileira #LiteraturaClássica #Romance

  • Livros: 6/0 Dicas do Fino - Fernando Meligeni e a técnica do tênis

    No início do próximo mês chegará às livrarias de todo o país o livro “6/0 Dicas do Fino”. Lançado pela editora Évora (selo Generale) e escrito por Fernando Meligeni, ex-tenista profissional e hoje comentarista de tênis dos canais ESPN, a obra tem como principal propósito ensinar a modalidade aos seus praticantes, sejam eles jogadores profissionais, juvenis ou amadores. Li esse livro no último final de semana, presente dos editores da Évora, e fiquei encantado com a proposta. Meligeni teve uma sacada inovadora ao se preocupar em ensinar a nova geração os segredos do seu esporte. É raro encontrarmos isso entre nossos esportistas. A maioria, quando se envereda pelo mercado editorial, se preocupa apenas em narrar sua biografia e enumerar suas conquistas. São pouquíssimos os casos de ex-campeões que se interessam em passar seus conhecimentos e suas experiências para os novos praticantes. Por isso, parabéns Meligeni pela preocupação! “6/0 Dicas do Fino” contem 60 capítulos e cada capítulo é uma dica que o autor dá aos leitores. Essas dicas são divididas em 9 partes: Tênis é um esporte incrível (explicações sobre a relevância da prática dessa modalidade), Tênis é técnica (orientações de golpes e movimentos), Tênis é estratégia (dicas sobre o aspecto tático), Tênis é mente (trabalho psicológico do atleta em quadra), Tênis se ganha dentro e fora da quadra (preparação antes, durante e após o jogo), Tênis é treino (dicas do que e como treinar), Tênis é profissão (noções de como é a carreira profissional e como fazer uma transição adequada do circuito juvenil para o profissional), Tênis também é um jogo de duplas (dicas para quem joga essa modalidade) e Tênis é relacionamento entre pais, filhos e técnicos (conflitos típicos entre as partes envolvidas nesse esporte). O mais interessante do livro é que enquanto apresenta suas dicas, Meligeni ilustra cada passagem com exemplos que aconteceram com ele e com outros jogadores do circuito juvenil e profissional. Assim, a impressão que dá aos leitores é que o autor está conversando com eles. Como se estivesse no sofá de casa assistindo a um jogo ou em uma mesa de bar batendo papo com os amigos, Fininho, como o ex-tenista é mais conhecido no esporte, conversa de maneira informal revelando os principais problemas do tênis, sejam eles dentro ou fora da quadra. Este livro é leitura obrigatória para quem é aficionado por tênis. “6/0 Dicas do Fino” estará disponível em e-book nos próximos dias na Amazon (Kindle), Cultura (Kobo), Apple Store, Google e Saraiva. A versão impressa chegará às livrarias no início do próximo mês. O valor deve ficar entre R$ 50,00 e R$ 60,00. Meligeni fará o lançamento do livro no Rio de Janeiro durante o Rio Open e em São Paulo durante o Brasil Open. Para os tenistas de todas as idades, esse lançamento é imperdível! Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #FernandoMeligeni #LiteraturaContemporânea #esportes

  • Livros: Na Minha Cadeira ou na Tua? – A vida de uma cadeirante por Juliana Carvalho

    Aos dezenove anos de idade, a então estudante de publicidade Juliana Carvalho foi internada às pressas em um hospital de Porto Alegre. À princípio, ela pensara ter contraído uma forte virose que a deixava com febre alta e dores de cabeça e nas articulações. Sem qualquer problema de saúde prévio, a moça estava mais preocupada com as provas que perderia na faculdade e com sua ausência nas festinhas dos colegas do que com o diagnóstico médico. Afinal, Juliana achava que não seria nada muito grave. A principal suspeita da família, logo de cara, era que ela estivesse com meningite. Em dois dias no hospital, entretanto, seu quadro clínico piorou sensivelmente. Ela precisou ser internada em uma UTI com grande chance de morrer. O que estaria acontecendo com uma jovem até então saudável e ativa? Após muitos exames, os médicos decretaram: Juliana tinha mielite longitudinal multifocal consequência do lúpus. Em outras palavras, a moça teve uma doença autoimune rara que causa inflamação na medula. Com isso, ela jamais teria de volta os movimentos das pernas. A vida de Juliana se transformou completamente da noite para o dia. De repente, ela se tornou uma cadeirante. Ela sobreviveu da séria doença e dos momentos dramáticos passados na UTI, mas precisaria encarar a nova rotina com muitas limitações. Essa história é real e serve de base para “Na Minha Cadeira ou na Tua?” (Terceiro Nome), o primeiro livro de Juliana Carvalho. Nesta obra de memórias, a escritora gaúcha explica como foi acordar em uma nova condição e voltar a descobrir os prazeres simples da vida. Como cadeirante, ela precisou readquirir a independência perdida, aprender a dirigir veículos adaptados, voltar a estudar, entrar no mercado de trabalho, frequentar os eventos sociais e, principalmente, retomar a vida sexual. “Na Minha Cadeira ou na Tua?” é um relato sincero, desbocado, inteligente e muito bem-humorado das descobertas de Juliana Carvalho como cadeirante. Nascida em Porto Alegre, em 1981, Juliana Carvalho é atualmente publicitária, apresentadora de TV e blogueira. A gaúcha apresenta o programa “Faça a Diferença” na TV Assembleia do Rio Grande do Sul e mantém os blogs “Comédias da Vida Aleijada” e “Sem Barreiras”. Além disso, ela dirigiu o curta-metragem “O que os Olhos Não Veem, as Pernas Não Sentem” (2008), filme premiado no Festival Claro Curtas de Cinema. Juliana escreveu “Na Minha Cadeira ou na Tua?” quando tinha 28 anos. O livro, sua estreia na literatura, foi lançado em 2010. A publicação possui pouco mais de 220 páginas. Sua leitura é rápida e agradável. Li o livro inteiro em duas tardes, neste finalzinho de janeiro. “Na Minha Cadeira ou na Tua?” é dividido em três partes. Na primeira, chamada de “Uma Cadeira em Meu Caminho”, conhecemos Juliana antes da inflamação na medula. Essa é a parte do livro com mais páginas. Nesse momento, acompanhamos a história da escritora da infância à entrada na faculdade. Vemos ali uma menina normal, cheia de planos, muito sapeca e extremamente sociável. O relato vai até o instante em que ela é diagnosticada com a doença que quase tirou sua vida. Em “Pernas Pra Que Te Quero”, a segunda parte deste livro de memórias, avançamos no tempo e já vemos Juliana como cadeirante. O impacto do pulo temporal é forte. A menina sonhadora de outrora agora luta para fazer coisas básicas de sua rotina. Ao mesmo tempo, a Juliana brincalhona, alegre e sensível de antes se mantém intacta, mesmo diante das novas dificuldades. Ela encara cada adversidade com muito bom humor. O espírito faceiro da escritora contagia o leitor, que se diverte com as piadinhas infames que ela faz com suas novas condições. A cena dela indo para o motel com um rapaz sem uma perna é tragicômica. Contudo, Juliana Carvalho não comete o erro de retratar sua realidade apenas de maneira colorida. A gaúcha também escancara os momentos de depressão e de angústia. Afinal de contas, quem está livre de períodos de melancolia e de baixo astral, hein? Acho que ninguém. Na última seção da obra, chamada de “Cotidiano, Inclusão e Acessibilidade”, temos um texto engajado da autora sobre a condição dos cadeirantes em nosso país. Nesse instante, Juliana apresenta as dificuldades das pessoas que precisam se locomover de cadeiras de rodas pelas cidades brasileiras, os avanços nas leis de acessibilidade, os preconceitos de parte da população e o que ainda precisa ser feito para os cadeirantes serem mais ativos em nossa sociedade. “Na Minha Cadeira ou na Tua?” é um livro muito bom! Tão interessante quanto a história de vida da escritora é a maneira como ela colocou isso nas páginas de sua memória. A proposta de primeiro apresentar a infância, a adolescência e o início da vida adulta de Juliana para só depois apresentar seus dramas como cadeirante é uma sacada genial. Para mim, que gosto de analisar as engrenagens narrativas das tramas, esse é o ponto alto desta publicação. O leitor vê, na primeira parte do livro, uma menina cheia de vida, com vários planos para o futuro e extremamente ativa. Ao imaginar o que vai acontecer com a moça, ficamos com certa dor no coração. A segunda parte é um tapa na cara de todos. Além de expor com objetividade e emoção as angustias de Juliana, entendemos que é possível dar a volta por cima e encarar a realidade como ela é. Além de uma lição linda de vida, aprendemos muito sobre a rotina dos cadeirantes. Também é elogiável o humor da escritora. Apesar desta história estar recheada de cenas e episódios tristes, o texto de Juliana Carvalho é leve, divertido e muito inteligente. Acabamos sendo envolvidos pelo espírito positivo e zombeiro da autora. Com isso, acabamos rindo (com certo constrangimento, é verdade) de várias situações que ela passou. O principal mérito de “Na Minha Cadeira ou na Tua?” está em apresentar a realidade vivida pelos cadeirantes com coragem e sinceridade. Como consequência, acabamos ficando conectados à Juliana e às demais pessoas que utilizam cadeiras de rodas. Quando isso acontece, atingimos o primeiro passo no combate ao preconceito e em favor da conscientização geral da importância da inclusão social. Neste sentido, além de uma ótima escritora, Juliana Carvalho se mostra uma das mais importantes militantes da acessibilidade dos cadeirantes em nosso país. Impossível não ficar fã dela após a conclusão da leitura de “Na Minha Cadeira ou na Tua?”. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? 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  • Filmes: A Grande Aposta - Um dos concorrentes ao Oscar de 2016

    No último final de semana, assisti ao filme “A Grande Aposta” (The Big Short: 2015), um dos concorrentes ao Oscar desse ano. A produção de Adam McKay, cineasta que acabou se destacando mais como roteirista – no excelente Homem-Formiga (Ant-Man: 2015) e no bom “Tudo por um Furo” (Anchorman 2 - The Legend Continues: 2013) – é baseado no livro de Michael Lewis. O longa-metragem tem um elenco de peso: Christian Bale, Steve Carell (muito bem em um papel dramático), Ryan Gosling e Brad Pitt (quase que irreconhecível em um papel de um homem mais velho). Este filme aborda os episódios que suscitaram a grave crise financeira mundial de 2008. Enquanto toda a economia norte-americana vivia o boom do mercado imobiliário, alguns profissionais do mercado financeiro descobriram que algo estava errado naquele sistema. O país vivia uma bolha insustentável que mais cedo ou mais tarde teria terríveis consequências para todo mundo. Neste cenário, alguns homens conseguiram perceber a chegada da iminente derrocada econômica. Assim, passaram a apostar suas fichas contra o sistema imobiliário. Neste grupo estão: Michael Burry (interpretado por Christian Bale), dono de uma investidora de médio porte; Mark Baum (Steve Carell), o dono de uma corretora que fica indignado com a corrupção e as malandragens do sistema financeiro do seu país; e uma dupla de jovens investidores da Bolsa de Valores, ajudados pelo famoso investidor de Wall Street, Ben Rickert (Brad Pitt). Todos eles sofreram por serem vozes dissonantes. A virada só acontece no fatídico dia de 2008 quando o sistema ruiu. O grande mérito da “A Grande Aposta” é abordar um assunto árido e complicado com leveza e boa didática. Às vezes, parece que estamos assistindo a um documentário. Outras vezes, parece que estamos em uma comédia. Nos momentos em que o tema financeiro fica mais espinhoso, surgem cenas em que pessoas de fora do mundo econômico (pode ser um cozinheiro em seu restaurante ou uma estrela do show business tomando banho em sua banheira) explicam de forma didática os meandros das finanças. Para isso, usam exemplos práticos do dia a dia. Sensacional! Outra sacada muito boa é quando os personagens se voltam para a câmera e começam a explicar detalhes da história para o expectador. Ao melhor estilo Wood Allen, temos a sensação que aquela observação é dirigida especialmente para a gente. Pelo humor debochado, também nos lembramos do espetacular “Lobo de Wall Street” (The Wolf of Wall Street: 2013), filme de Martin Scorsese sobre os meandros do mundo financeiro. Outro ponto muito interessante do filme é o clima de tensão que se cria. Mesmo sabendo o final (a bolha imobiliária explode e leva pânico para os mercados do mundo todo, provocando recessão e desemprego nos quatro cantos do planeta), a agonia vivida pelos personagens que aguardam este momento é de tirar o fôlego. Quem mais sofre com isso é Michael Burry, o primeiro a prever esse desfecho, alguns anos antes dele ocorrer. A espera dele parece interminável. “A Grande Aposta” é um belo filme. Até mesmo aqueles que têm repulsão ou dificuldades para compreender o mundo financeiro vão gostar. Afinal, este longa-metragem usa o mercado financeiro apenas como cenário para apresentar a ganância, as intrigas, os conchavos, a corrupção e ambição da sociedade capitalista moderna. O filme debate questões morais que nos rondam no dia a dia e que formam a base do sistema econômico atual. É de assustar! Veja o trailer de "A Grande Aposta": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #AdamMcKay #MichaelLewis

  • Livros: A Rua das Ilusões Perdidas - A literatura engajada de John Steinbeck

    Nesse final de semana, li “A Rua das Ilusões Perdidas” (BestBolso), uma das obras mais importantes de John Steinbeck, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1962. O norte-americano, que viveu entre 1902 e 1968, escreveu “A Leste do Éden” (Record), “Ratos e Homens” (L&PM Editores) e “As Vinhas da Ira” (BestBolso), suas publicações mais famosas. John Steinbeck ficou conhecido como um escritor que denunciava as injustiças sociais e o drama vivenciado pelas classes menos favorecidas. Os enredos de suas obras giravam em torno das greves dos trabalhadores, a vida nômade dos imigrantes e da exploração dos trabalhadores humildes. “A Rua das Ilusões Perdidas”, publicado originalmente em 1945, faz parte deste contexto. Nesta história, conhecemos os moradores da Rua Cannery Row, localizada no subúrbio de Monterey, fictícia cidade da Califórnia. Nessa rua há um prostíbulo frequentado por todos os homens da região, um mercado de um comerciante chinês que vende de tudo, um terreno baldio usado como moradia pelos mais pobres e uma casa usada como uma república de vadios. Completa o cenário a presença de um laboratório científico naquela localidade. Ou seja, quase todos os moradores dessa rua são pessoas das classes sociais menos favorecidas: prostitutas, cafetões, malandros, marinheiros, apostadores e bêbedos. Os únicos personagens com dinheiro ou cultura são o comerciante chinês Lee Chong (com dinheiro) e o cientista Doc (com cultura). O enredo desse livro se dá na tentativa de Mark e seus amigos (vagabundos e bêbedos que moram de graça em uma casa de propriedade do chinês Lee Chong) de oferecer uma festa surpresa para Doc, o ilustre vizinho de quem todos gostam. O grupo de rapazes precisa superar as suspeitas dos demais moradores da rua e as dificuldades financeiras para dar uma festa compatível com o prestígio do cientista. Gostei muito desse livro. Ele conseguiu retratar de maneira espirituosa e delicada o dia a dia das pessoas simples que frequentam a Rua Cannery Row. Cada um dos moradores daquela rua foi apresentado com grande respeito e sem qualquer preconceito. Os valores das pessoas estavam no que desejam e faziam e não no que tinham ou no que consumiam. A pobreza, principalmente após a depressão econômica dos anos de 1930, foi encarada como um problema situacional e não como falta de caráter de quem não queria prosperar. Ao ler esse livro de John Steinbeck me recordei das obras de Jorge Amado, principalmente aquelas da sua primeira fase, que abordavam questões sociais e enfocava os menos favorecidos. “A Rua das Ilusões Perdidas” é um clássico da literatura norte-americana que faz jus ao seu prestígio. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JohnSteinbeck #LiteraturaNorteAmericana #LiteraturaClássica #Novela #Drama

  • Recomendações: Retrospectiva - Melhores peças do Bonas Histórias em 2015

    Na primeira semana de janeiro, demos início à Retrospectiva de 2015 do Blog Bonas Histórias. Naquela oportunidade, listamos, em um post específico, os 10 melhores livros analisados aqui no blog no ano passado. Agora é a vez de fazermos o mesmo com as cinco melhores peças teatrais que acompanhamos. No próximo mês, retorno a este tema para terminar a Retrospectiva de 2015. Para concluirmos a lista integral de Recomendações do Bonas Histórias, faltam ainda os cinco melhores restaurantes, os cinco melhores filmes e as cinco melhores exposições analisadas no ano passado. Por ora, vamos às peças teatrais mais marcantes. Melhores Peças Teatrais vistas e analisadas em 2015 no Blog Bonas Histórias: 1) O Homem de La Mancha - Teatro do SESI 2) I'Illustre Molière - Teatro do SESI 3) Caros Ouvintes - Teatro do TUCA 4) Urinal - O Musical - Teatro Núcleo Experimental 5) Mistero Buffo - Teatro do SESI Gostou deste post do Bonas Histórias? Para acessar a lista completa dos melhores livros, filmes, peças teatrais e exposições dos últimos três anos, clique em Recomendações. E não se esqueça de deixar aqui seus comentários sobre o conteúdo do blog. Siga também a página do Bonas Histórias no Facebook. #Retrospectiva #peçadeteatro #teatro

  • Filmes: O Bom Dinossauro - Animação abaixo da média da Pixar

    A Pixar foi responsável por revolucionar a animação nos cinemas. São frutos da imaginação criativa de seus profissionais produções como "Toy Story - Um Mundo de Aventuras" (Toy Story: 1995), "Monstros S. A." (Monsters, Inc.: 2001), "Procurando Nemo" (Finding Nemo: 2003), "Ratatouille" (Ratatouille: 2007), "Up - Altas Aventuras" (Up: 2009) e "Divertida Mente" (Inside Out: 2015). O êxito desses filmes se fez tanto pelas críticas elogiosas quanto pelas bilheterias retumbantes. Os estúdios da Pixar receberam 27 Academy Awards, 7 Globos de Ouro, 11 Grammy Awards e diversos outros prêmios ao longo de sua história. Dos seus quinze filmes, quatorze trouxeram retorno financeiro considerável. Dessa forma, fui ao cinema com a expectativa lá na altura para o novo lançamento do estúdio. O décimo sexto filme da Pixar, agora pertencente ao grupo Disney, é "O Bom Dinossauro" (The Good Dinosaur: 2015). E saí muito desapontado da sessão. Infelizmente, essa é a animação mais fraca que eu já assisti da empresa criada por Steve Jobs. Em "O Bom Dinossauro", temos a história de amizade do dinossauro adolescente Arlo e o jovem humano Spot. Como assim, homens e dinossauros convivendo ao mesmo tempo? A explicação é dada logo no início do filme. Ao invés do asteróide que se chocou com a Terra, há milhões de anos, decretar a extinção dos dinossauros, o corpo celeste passou raspando pelo nosso planeta sem provocar grandes danos. Assim, depois de milhares de anos, homens e dinossauros começaram a conviver paralelamente. Arlo é um dinossauro atípico. Ao invés de ser grande, corajoso e carnívoro, ele é pequenininho (perto do tamanho dos integrantes de sua família), medroso e herbívoro. Ou seja, ele é uma decepção para todos. Isso até o integrante mais fraco da família, após um acidente, cair no rio e ser levado para longe do lar. Sozinho no perigoso mundo jurrásico, Arlo precisará provar seu valor. Para isso, contará com o bravo Spot. O menino da raça humana é valente e destemido. A dupla precisará superar as adversidades para regressar ao lar. O principal problema de "O Bom Dinossauro" é que ele é muito infantil. Diferentemente das outras produções da Pixar que tinham o público adulto como o principal alvo, esta inverte a lógica e tem as crianças como público principal. Assim, os pais que acompanhavam seus filhos no cinema acabaram entediados. Na sessão em que fui até as crianças se mostraram descontentes com o que viram. Foi um tal de choradeira para cá, gritos para lá e lamentações por todos os lados. A narrativa do filme é até bem construída, passando uma mensagem interessante sobre o poder da superação, do amadurecimento e do estabelecimento da amizade sincera. Contudo, a animação não possui o charme e o carisma dos seus precedentes. Os personagens dessa vez não empolgam e o enredo não é muito criativo. Assim, a história vai se arrastando, arrastando e arrastando... Talvez se a animação não tivesse a grife da Pixar, eu poderia tê-la assistido com uma expectativa mais baixa e não ter saído tão decepcionado do cinema. Para quem viu recentemente "Up - Altas Aventuras" e "Divertida Mente", "O Bom Dinossauro" é infinitamente mais limitado. Diria que nem dá para compará-lo aos sucessos dos últimos anos. Sem sombra de dúvida, é o pior filme feito até aqui pelo famoso estúdio da Disney. Vamos torcer para que esse deslize tenha sido pontual e que as próximas animações tenham a qualidade em que estamos acostumados. Isso ficará mais claro no meio deste ano, quando será lançado "Procurando Dory" (Finding Dory: 2016), sequência de "Procurando Nemo". Em 2017 está previsto o terceiro filme da série "Carros" (Cars 3: 2017). É esperar para ver! Veja abaixo o trailer de "O Bom Dinossauro": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #Pixar

  • Gastronomia: Pizzaria Stravaganzza - Boa massa em Perdizes

    Na semana passada, estive na Pizzaria Stravaganzza em dois horários. Acabei almoçando na terça-feira e jantando no local na sexta-feira. Ou seja, acabei conhecendo o lugar em seus dois períodos de trabalho. E fiquei positivamente impressionado com o estabelecimento. No almoço, os clientes têm a sua disposição um buffet variado com saladas, pratos quentes, grelhados, carnes, peixes e sobremesa. A comida é gostosa e o ambiente é agradável. O melhor, contudo, é reservado para a noite. O charme do local aumenta quando o sol se põe. Neste momento, sai o buffet e surgem os pratos à la carte feitos de massas. As pizzas e as panquecas se tornam o destaque do cardápio. E como elas são gostosas! A minha pizza favorita é a calzone chamada Stravaganzza. Seu recheio é feito com pequenas tiras de presunto magro e mussarela, acrescidos com queijo Catupiry. A melhor panqueca, em minha humilde opinião, é a de calabresa. Hummm! Tão bom quanto os pratos servidos é o clima da pizzaria. À noite, principalmente, ela fica mais charmosa e romântica. É um local ideal para ir a dois. Opte pelas mesas do piso superior, onde o clima intimista e a tranquilidade são maiores. No almoço, podemos degustar uma refeição saborosa e variada. Outra questão legal é o preço justo dos pratos e do buffet. O princípio do estabelecimento é: "servir comida da melhor qualidade por um preço justo". Isso não fica apenas na filosofia empresarial e é transformada em prática diária. O serviço também é simpático e divertido. Os donos estão sempre por perto dando sugestões e aconselhando os clientes. A Pizzaria Stravaganzza fica na Rua Doutor Franco da Rocha, 418, em Perdizes. Ela abre de segunda a sexta na hora do almoço e à noite ela abre de terça a domingo. Que tal uma pizza hoje? Que tal este post e o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer as demais críticas gastronômicas do blog, clique na coluna Gastronomia. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #Gastronomia #SãoPaulo #restaurante #Pizzaria #Pizza

  • Livros: O Burrinho Pedrês - Guimarães Rosa embrulhado para presente

    Ontem, li "O Burrinho Pedrês" (Nova Fronteira) que ganhei de presente de Natal da minha irmã. O conto de João Guimarães Rosa foi publicada originalmente em 1946, como parte do livro "Sagarana" (Nova Fronteira), obra de estreia do escritor mineiro. "Sagarana" é um livro de contos que se tornou um marco em nossa literatura por causa da sua linguagem inovadora (criação de Neologismos e uso de várias figuras de linguagem) e dos temas relacionados à vida rural de Minas Gerais. "Burrinho Pedrês" é a primeiro e mais famosa história de "Sagarana". Escrito em terceira pessoa, esta trama de Guimarães Rosa tem como personagem central o velho burrinho chamado Sete-de-Ouros. A história abrange um dia da vida do bichinho. Sete-de-Ouros é convocado para fazer parte de uma excursão de vaqueiros que levará a boiada de um rico fazendeiro local, chamado Major Saulo, para o abate. O burrinho segue a jornada ao lado de cavalos de boa montaria, sendo ridicularizado por todos por estar velho e lento. Enquanto a cavalgada é realizada, os boiadeiros vão contando suas histórias, narrando casos e episódios sensacionais do passado. O grupo segue caminho até se deparar com um rio. As fortes chuvas que castigavam a região fazem com que o rio ficasse cheio de água e perigoso para a travessia. O que fazer para cruzá-lo? O grupo de boiadeiros se divide entre os que temem a travessia e aqueles que aceitam se arriscar mesmos com o perigo iminente. Sete-de-Ouros é escolhido para abrir caminho. Atrás do animal mais idoso do grupo, os cavaleiros seguem com seus cavalos. Aí temos o clímax da novela e o surpreendente desfecho da narrativa. "O Burrinho Pedrês" é uma típica história de Guimarães Rosa. Ele possui vários neologismos, uso de metáforas, a aplicação de linguajar que mistura o erudito e o popular e o emprego de forças mágicas. Além disso, temos aqui uma moral interessante: a experiência adquirida ao longo dos anos é decisiva para a compreensão do mundo e para a sobrevivência. É possível ler este conto em algumas horas. O livro que li, pertencente à "Coleção Saraiva de Bolso", possui pouco mais de setenta páginas. A leitura só não é mais rápida porque temos diante dos nossos olhos palavras organizadas por Guimarães Rosa. Assim, é preciso ler com atenção para compreender o que está sendo narrado e o que está sendo contado de maneira subliminar. Gostei do livro. Ele é simples e envolvente. Desbravar a narrativa de Guimarães Rosa é sempre desafiante. Esse é aquele desafio que me intriga. Ao final da obra, refletimos sobre a importância do conhecimento e o respeito que devemos ter pela velhice. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JoãoGuimarãesRosa #LiteraturaBrasileira #LiteraturaClássica #conto #Regionalismo #Modernismo

  • Filmes: Os Oito Odiados - Um Tarantino bem Tarantino

    Quais as características dos filmes de Quentin Tarantino? Suas produções são recheadas de violência, confrontos sangrentos, cenas com muita ação e adrenalina, ironia fina, bons diálogos, personagens desajustados, referência à cultura pop, ótimas trilhas sonoras, belíssimas paisagens e excelentes jogos de câmera. São exemplos desse DNA cinematográfico: "Cães de Aluguel" (Reservoir Dogs: 1992), "Pulp Fiction - Tempo de Violência" (Pulp Fiction: 1994), "Kill Bill - Volume 1" (Kill Bill: Volume 1: 2003), "Bastardos Inglórios" (Inglourious Basterds: 2009) e "Django Livre (Django Unchained: 2012). Essa combinação toda provoca, naturalmente, muitas polêmicas. O cineasta sabe disso e aproveita o falatório da crítica para promover ainda mais seus longas-metragens. Por que estou falando sobre isso? Porque neste sábado, fui ao Itaú Cinema do Bourbon Shopping para ver "Os Oito Odiados" (The Hateful Eight: 2015), o novo filme de Tarantino. Nesta oitava produção do diretor norte-americano de 52 anos, temos exatamente tudo aquilo que o consagrou. Falo isso elogiando a contundência artística de Tarantino e não o menosprezando. Afinal, nada melhor do que seguir com uma receita que está dando certo e tem agradado ao público. "Os Oito Odiados" é mais um faroeste do cineasta. Nessa história, conhecemos dois caçadores de recompensas: John Ruth, conhecido como "Carrasco" (interpretado por Kurt Russell) e Marquis Warren (Samuel L. Jackson). No meio de uma grande nevasca, ambos levam suas recompensas para uma cidade, onde receberão considerável soma de dinheiro. Enquanto "Carrasco" leva sua prisioneira viva, uma famosa bandida chamada Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), Warren leva os seus mortos. No meio da viagem, os dois caçadores de recompensas encontram o xerife Chris Mannix (Walton Goggins). O encontro levante suspeitas de todos os lados. Ninguém pode confiar em ninguém, pois estes tipos de homens não pensam duas vezes antes de meter uma bala na cabeça do outro. A tensão aumenta quando o trio chega a um abrigo chamado Armazém da Minnie. Eles precisam aguardar o fim da forte nevasca no interior dessa hospedaria. O problema é que lá estão quatro sujeitos mal-encarados. O convívio naquela residência reserva muitas suspeitas e intrigas. Os oito viajantes têm muito em comum e várias arestas para acertar. Ninguém confia em ninguém e todos podem ser inimigos de todos. Quem gostou dos filmes anteriores de Quentin Tarantino, com certeza irá gostar desse também. Além de todos os elementos já citados (muita violência, sangue, ação, adrenalina, ironia, bons diálogos, personagens desajustados, cultura popular, boa trilha sonora e bela fotografia), dessa vez ainda temos uma forte tensão psicológica (ninguém sabe em quem confiar, não identificando quem é o inimigo e quem é o aliado) em um ambiente claustrofóbico (a maior parte do filme se passa na pequena choupana na beira da estrada). As ações dos personagens são muito mais sutis do que nos filmes anteriores. Isto é, até o confronto final acontecer. Aí será bala para todos os lados como estamos acostumados nos longas-metragens do cineasta. Outro ponto elogiável é a atuação de Samuel L. Jackson e Jennifer Jason Leigh. Na verdade, todos os atores estão ótimos. O elenco é estrelado e muito experiente. Cada um conseguiu representar muito bem seu personagem. Ao final do filme, é quase impossível saber quem esteve melhor. Se não fosse o talento absurdo de Jackson, essa discussão iria se prolongar por horas. O que mais posso falar de "Os Oito Odiados"? Sinceramente não sei. Trata-se de mais um ótimo filme de Tarantino, com todos os elementos que caracterizaram o cineasta ao longo de sua carreira. São duas horas e meia de filme que passam em um piscar de olhos. A plateia fica hipnotizada com a tensão do enredo e não tira os olhos da tela um segundo se quer. Quem gosta de cinema e do diretor norte-americano precisa correr para as salas de cinema. A seguir vai o trailer do filme. Confira! O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #QuentinTarantino

  • Exposições: Ocupação Grupo Corpo 40 Anos - Memórias da companhia

    O Grupo Corpo, a principal companhia de dança do país, está comemorando 40 anos de vida. Para celebrar a data, o Itaú Cultural está com a exposição "Ocupação Grupo Corpo 40 Anos". Desde 5 de dezembro de 2015, quem visita o centro cultural, na Avenida Paulista, pode conhecer um pouco da história do grupo minero que já realizou mais de 35 espetáculos, viajou para mais de 40 países, contou com a participação de mais de 100 bailarinos e teve a contribuição de vários músicos famosos que embalaram com suas melodias as coreografias do grupo. A mostra é constituída principalmente por fotos e por vídeos de apresentações do grupo. Logo na entrada da exposição, nos deparamos com uma sala escura em que a única parte iluminada é a parede com os nomes grafados das cidades onde o Grupo Corpo já se apresentou. Na seção seguinte, temos um mural enorme com fotos dos bailarinos e dos músicos em suas viagens pelo mundo. Aí temos imagens dos passeios pelas cidades visitadas, cenas dos ensaios, revelações dos bastidores dos espetáculos e algumas tomadas das encenações. São mais de mil fotos tiradas pelos próprios integrantes durante o tempo em que permaneceram no grupo. Entre os murais fotográficos, temos pequenas salas onde vídeos das antigas apresentações do Grupo Corpo são reapresentados aos visitantes. Vale a pena sentar e conferir as performances dos bailarinos. Na saída da amostra, nos deparamos com uma bailarina ensinando, através de uma tela de tamanho real, os passos de algumas danças. O público tenta seguir as orientações da artista e repetir ao menos algum dos passos. A "Ocupação Grupo Corpo 40 Anos" é uma mostra interessante e descontraída. A entrada é gratuita e ela fica em exposição até domingo agora, dia 17 de janeiro. O Itaú Cultural fica na Avenida Paulista, 149. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias do blog. Para acessar as demais análises desta coluna, clique em Exposições. E não se esqueça de curtir ​a página do blog no Facebook. #GrupoCorpo #Exposição #Mostra #Dança #DançaContemporânea #Fotografia #OcupaçãoItaúCultural

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