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- Exposições: Quase Roteiro - Centenário de Murilo Rubião
Semana passada, fui à Casa das Rosas para uma palestra sobre "Autopublicação - E-book". Aproveitei e visitei o espaço destinado às exposições. A mostra de momento é sobre o escritor Murilo Rubião. "Quase Roteiro - Centenário de Murilo Rubião" é a exposição que apresenta a vida, a trajetória literária e as obras do escritor mineiro. A curadoria é de Cleber Cabral e o evento é patrocinado pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Através de fotos, cartas, livros, objetos e manuscritos, conhecemos um pouco da vida do escritor. Murilo Rubião nasceu em 1916 (o centenário é do seu nascimento), em Carmo de Minas, e faleceu em 1991. Ele foi um dos principais escritores da literatura regional brasileira nas décadas de 1940 e 1950. Ao lado de Jorge Amado (Bahia), Graciliano Ramos (Alagoas) e José Lins do Rego (Paraíba), Rubião retratou os hábitos e as pessoas de Minas Gerais. Suas obras não são extensas, mas muito relevantes: "O Ex-Mágico" (1947), "O Pirotécnico Zacarias" (1974), "A Casa do Girassol Vermelho" (1974) e "O Homem do Boné Cinzento e Outras Histórias" (1990). A literatura do mineiro foi caracterizada pelos elementos fantásticos, o roteiro absurdo, os personagens surreais e liberdade narrativa. Os fãs mais fanáticos de Murilo Rubião podem ficar frustrados com o tamanho da exposição. "Quase Roteiro - Centenário de Murilo Rubião" está restrito a algumas salas da Casa das Rosas. Isso não é uma particularidade dessa mostra e sim do espaço cultural. As exposições na Casa das Rosas são normalmente enxutas. Assim, quem tem a expectativa de ver muitas coisas e conhecer a fundo a trajetória do escritor não verá muitas novidades. Já aqueles que não conhecem o mineiro e desejam uma apresentação introdutória sairão, possivelmente, mais satisfeitos. "Quase Roteiro - Centenário de Murilo Rubião" está em cartaz desde 5 de julho e ficará em exposição até o final desse mês. A Casa das Rosas está localizada na Avenida Paulista, 37. A entrada é gratuita. Quem estiver passado pela região, agora tem mais um atrativo para visitar a Casa das Rosas. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias do blog. Para acessar as demais análises desta coluna, clique em Exposições. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #MuriloRubião #CleberCabral #Exposição #Mostra #Literatura #LiteraturaBrasileira
- Livros: Canto Geral - A história da América em versos de Pablo Neruda
No último final de semana, li "Canto Geral" (Bertrand Brasil), um dos principais livros de Pablo Neruda. O próprio autor considerava esta a principal obra de sua carreira. Escrito no final da década de 1940, o livro apresenta a história do continente americano em uma perspectiva inovadora. Os versos denunciam as injustiças históricas que os países da América Latina sofreram ao longo dos séculos. Vilões e heróis são reclassificados a partir da perspectiva do poeta. Publicado oficialmente no México em 1950 e clandestinamente no Chile no mesmo ano, "Canto Geral" se transformou em um clássico da literatura hispano-americana e mundial. Neruda escreveu os versos dessa obra quando fugia do Chile. Ele precisou atravessar a cordilheira dos Andes para entrar no território argentino. O poeta, nessa fase de sua vida, era perseguido pelo governo chileno. Sempre identificado com o partido comunista, ele teve seu mandato de senador da República cassado e viveu foragido quando a ditadura de direita tomou o poder em seu país. "Canto Geral" é um livro distinto do portfólio de Neruda. A primeira diferença está em seu tamanho. Com mais de seiscentas páginas, essa publicação é muito grande. A título de comparação, nenhum dos três livros de poesia que já li do autor ("Ainda", "Cem Sonetos de Amor" e "Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada") tem mais de cem páginas cada uma. Outra particularidade está na temática. Ao invés de cantar em versos o mundo sentimental (seus amores e sofrimentos românticos), dessa vez Pablo compromete-se a narrar a história do continente americano. Sua poesia visa explicar os acontecimentos mais importantes ocorridos no território da América do Sul, da América Central e da América do Norte. Ele cita quase todos os países da região. Acredito que não falte nenhuma nação relevante. Assim, "Canto Geral" é a epopeia latino-americana. Se Homero cantou as aventuras gregas da antiguidade em "Ilíada" e "Odisseia" e Camões cantou as aventuras portuguesas em "Os Lusíadas", Pablo Neruda narrou em versos a história do seu povo neste livro. A obra é uma aula de geografia e de história da América. Ali desfilam os principais personagens do continente: reis indígenas, colonizadores espanhóis, revolucionários que lutaram pela independência dos países latino-americanos, os libertadores e os ditadores nacionais. A perspectiva do autor é inovadora e com um viés esquerdista. Isso é bem interessante e fica mais evidente quando ele cita o Brasil. Os dois personagens que mereceram ser descritos foram Castro Alves e Luis Carlos Prestes. Ambos foram considerados os libertadores do Brasil. O primeiro por ser abolicionista e por produzir textos poéticos em prol dos escravos negros. O segundo por pegar em armas e lutar contra a burguesia capitalista que oprimia o povo pobre. "Canto Geral" é divido em quinze partes. A obra começa descrevendo a geografia do continente. As belezas da fauna e da flora dos vários cantos da região são cantadas pelo poeta. Depois, Neruda apresenta a carnificina provocada pelos exploradores europeus, que dizimaram a população indígena. Inicia-se, assim, a fase de revoltas. Entram em ação os libertadores do continente. Uma vez independente, os países passam a ser governados pelas oligarquias locais (caudilhismo). Nova fase de injustiças e opressão ao povo. Os inimigos, nesse instante, não são mais os estrangeiros, mas sim os conterrâneos. O poeta também fala de problemas típicos do século XIX: imperialismo norte-americano, Macarthismo e princípio da Guerra Fria (polarização entre capitalismo e comunismo). A exploração latino-americana deixa de ser feita pelos europeus e passa a ser feita pelos vizinhos do Norte. Na parte final, Pablo Neruda passa a discutir o estágio atual do seu país. Os últimos anos da década de 1940 no Chile são marcados por golpe militar e pela perseguição política. O poeta narra a viagem de fuga que teve de fazer (deixando seu país natal) e o exílio que foi obrigado a passar no exterior. Na última parte, ele faz uma recapitulação da sua vida desde o dia do seu nascimento. "Canto Geral" é uma obra de tirar o fôlego. O livro é muito bom. Para se apreciar com mais intensidade, é necessário um bom conhecimento da história do continente latino-americano. As partes que mais gostei, não por coincidência, foram aquelas em que compreendia em detalhes o que o autor estava narrando. É verdade que há breves legendas contextualizando o que está acontecendo e apresentando os principais personagens. Mesmo assim, os conhecimentos prévios são fundamentais. A abrangência da obra também merece destaque. Pablo Neruda fala de quase todos os países da América. É incrível o seu conhecimento geográfico e histórico da região. Ele fala com a mesma propriedade sobre o Chile, a Argentina e os Estados Unidos como fala do México, de Cuba e do Brasil. Aborda o tempo pré-colonial aos tempos modernos. A impressão é que ele fala de tudo e de todos. Em "Canto Geral", Pablo Neruda utiliza-se de rimas livres. Ele também não se preocupa com as métricas dos versos. O estilo de sua poesia é mais moderno. Isso confere certa leveza à obra. De certo modo, a forma mais descompromissada é compensada com a densidade temática. Gostei muito dessa obra. Demorei alguns dias para concluí-la, mas valeu a pena. Agora tenho a real noção da grandiosidade de Pablo Neruda. Um poeta que produz uma obra desse gênero só pode ser um gênio da história da literatura mundial. O Desafio Literário caminha agora para sua reta final. No dia 25, segunda-feira, publicarei aqui no Blog Bonas Histórias a análise da quinta e última obra de Pablo Neruda deste estudo, o livro de memórias "Confesso que Vivi". Até lá! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #PabloNeruda #Poesia #LiteraturaChilena
- Filmes: Argo - Ben Affleck e a geopolítica da década de 1980
Assisti, no último final de semana, ao filme "Argo" (Argo: 2012), a terceira produção dirigida por Ben Affleck. Com um atraso de quatro anos, pude acompanhar essa que foi apontada como a melhor obra do jovem diretor até agora. Affleck, que já havia dirigido com sucesso "Medo da Verdade" (Gone Baby Gone: 2007) e "Atração Perigosa" (The Town: 2010), recebeu o reconhecimento da crítica cinematográfica com "Argo". O filme conquistou o Oscar de 2013 como o melhor longa-metragem daquele ano. Depois disso, o diretor voltou a trabalhar apenas como ator, estrelando sucessos como "Batman vs Superman - A Origem da Justiça" (Batman v Superman: Dawn Of Justice: 2016), "Garota Exemplar" ( Gone Girl: 2014) e "Aposta Máxima" ( Runner Runner: 2013). Em "Argo", retornamos aos dias mais tensos do ano de 1980, quando a crise diplomática entre Irã e Estados Unidos colocou os dois países em estado de pré-guerra. Baseado em fatos reais, o filme logo no início explica os acontecimentos vividos no Irã no ano de 1979. A Revolução Islâmica colocou no poder o aiatolá Khomeini, levando o país a uma radicalização política. Rapidamente, os Estados Unidos foram alçados como o pior inimigo dos iranianos. Exigindo o retorno do antigo xá que havia fugido para a América, os iranianos invadem a embaixada norte-americana, fazendo seus funcionários de reféns. Contudo, seis diplomatas conseguem escapar, fugindo e se abrigando na casa do embaixador canadense. Inicia-se, assim, o desafio da CIA. Ela precisa resgatar os seis norte-americanos no Irã antes que os fanáticos daquele país descubram que eles fugiram da embaixada invadida. Para isso, é escalado o agente secreto Tony Mendez (interpretado pelo próprio diretor Ben Affleck). Especialista neste tipo de operação, Mendez cria um plano arriscado. Ele irá se passar por um cineasta canadense que deseja produzir um filme de ficção científica no Irã. Com a desculpa de que irá visitar o país para avaliar locações, ele pretende trazer os diplomatas de volta como integrantes da sua equipe. O problema é que os iranianos não são bobos. Qualquer passo dado equivocadamente poderá resultar na morte de todos os envolvidos e agravar ainda mais o conflito diplomático entre as nações. "Argo" é realmente um ótimo filme, digno de um Oscar. O que chama atenção logo de cara é que ele consegue simplificar o caos geopolítico daquele período histórico. As cenas da primeira parte da produção acontecem velozmente, porém elas não deixam o expectador confuso. Uma pequena introdução feita em animação é fundamental para esclarecer o contexto. Esse recurso e a forma didática das primeiras cenas filmadas são propositais, pois o objetivo não é descrever em detalhes a situação política daquela época e sim narrar a aventura do agente secreto Tony Mendez em terras iranianas. O roteiro do filme é muito bom. A história em si é ótima, possuindo algumas histórias dentro da temática principal (por exemplo, para parecer que é um diretor de verdade, o personagem principal começa a procurar uma história verídica de filme para rodar). O suspense e a tensão permanecem durante todo o longa-metragem. O filme não se torna cansativo porque há a inserção de cenas engraçadas, de ação e de um genuíno drama humano. Com isso, o ritmo da produção se torna muito ágil. Algo muito interessante que surge nas entrelinhas é o fato de que o filme não demoniza os iranianos como os únicos vilões, algo fácil e lógico que poderia ter sido feito. Quem reparar atentamente nas cenas e nos diálogos perceberá que os norte-americanos possuem grande responsabilidade pelos acontecimentos. A má administração diplomática e os interesses políticos e econômicos dos norte-americanos levaram o governo e a população iraniana a reagir contra seu principal inimigo naquele momento. Assim, não há um maniqueísmo claro na relação Estados Unidos-Irã. Outra questão muito forte é o quanto os norte-americanos dão valor à vida de seus compatriotas. No início ficamos admirados com o patriotismo e a preocupação dos governantes. Entretanto, logo depois, ficamos chocados ao constatar como a opinião e a postura dos líderes da maior nação do planeta muda. Aí, as questões geopolíticas se tornam mais importantes do que a vida das pessoas. A grandeza de "Argo" está justamente aí: ele não apenas narra uma excelente história (que por si só é digna de premiação) como consegue fazer isso levantando várias questões reflexivas. Este é aquele filme que assistimos com a respiração presa, de tanta tensão que gera. Ao final, com a respiração de volta, começamos a meditar sobre quem são os heróis e os vilões da narrativa. Nada aqui é simples e fácil de concluir. Os atores têm suas atuações potencializadas pela ausência de efeitos sonoros e visuais. Ben Affleck faz um Tony Mendez com características bem reais: ele sofre, tem dúvidas e não tem certeza que seu plano irá dar certo. Essa é a principal qualidade da sua interpretação, conferindo veracidade ao seu personagem. Também gostei muito da fotografia do filme. A técnica utilizada dá a impressão que estamos realmente nos primeiros anos de década de 1980. Além disso, a brincadeira de misturar às vezes cenas reais da época com as filmadas aumenta mais a sensação de que estamos vivenciando os acontecimentos do passado. Para quem perdeu, como eu, a oportunidade de ver essa joia do cinema contemporâneo quando ela foi lançada nos cinemas há quatro anos, veja em DVD ou na televisão. A TV a cabo, mais precisamente as emissoras especializadas em filmes, deve passá-la. Se você não quiser esperar a programação da operadora, compre um DVD e aprecie esse ótimo filme. Ele valerá o investimento feito. Veja o trailer de "Argo": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? 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- Premiação: Conto Culatra será premiado pela ALSJBV
Fiquei muito feliz com uma notícia recebida na semana passada. O conto "Culatra", de minha autoria, foi um dos vencedores do Prêmio Fábio de Carvalho Noronha, oferecido anualmente pela Academia de Letras de São João da Boa Vista (ALSJBV). A narrativa ficou em terceiro lugar no XXIV Concurso de Prosa e Poesia. A premiação foi na categoria Prosa, a única em que participei na edição deste ano. O primeiro lugar na categoria Prosa Adulta ficou com Robson Batista dos Santos Hasmann, de Águas da Prata (SP), com o conto "O Tempo em Todos os Cantos". A segunda posição ficou com Márcio Dias, de Poços de Calda (MG), com o conto "Onde Fica?". O concurso promovido pela ALSJBV chegou, em 2016, à sua vigésima quarta edição e teve algumas centenas de inscritos de todos os estados brasileiros, além de ter tido participantes de Portugal, Angola, Moçambique, Estados Unidos, Japão e Alemanha. Neste ano, a ALSJBV completa 45 anos de existência, uma data especial que deve ser celebrada por todos os literatos e amantes da literatura. "Culatra" é uma narrativa curta que será apresentada aqui no Bonas Histórias em 2018. Essa trama integrará a série "Paranoias Modernas", uma coletânea de contos de minha autoria que será divulgada com exclusividade na coluna Contos & Crônicas. Aguardem que logo mais vocês conheceram essa história. A premiação do Concurso de Prosa e Poesia de 2016 acontecerá no dia 27 de agosto em São João da Boa Vista, município paulista que faz divisa com o sul de Minas Gerais. O local do evento, como reza a tradição, será na própria sede da Academia de Letras da cidade. "Culatra" será publicado pela Academia de Letras de São João da Boa Vista em uma Antologia juntamente com as demais prosas e poesias vencedoras. Desde já, agradeço a uma pessoa muito especial pela conquista deste prêmio: ao professor Alex Donizeti do Rosário do Grupo Educacional Unis. Graças a ele, fui incentivado a iniciar a produção literária nesse tipo de gênero. Também recebi ótimas instruções de como fazê-la. Obrigado, mestre, pelo apoio e pela motivação. Sem você, essa premiação não teria acontecido. Fica aqui também registrado o meu agradecimento à Lucelena Maia, presidente da Academia, e à Carmen Romano, coordenadora geral do concurso, pela promoção à literatura e pelo convite para participar da festa de congratulação. Estarei aí com vocês com muito orgulho no mês que vem. Até mais. Que tal este post e o conteúdo do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para acessar os demais posts desta coluna, clique em Premiações e Celebrações. E aproveite para curtir a página do blog no Facebook. #RicardoBonacorci #ALSJBV #Premiação #LiteraturaBrasileira
- Livros: Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada - O jovem Pablo Neruda
Nesse domingo, li mais um livro de Pablo Neruda. "Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada" (Martins) foi a primeira grande obra do chileno. Publicada em 1924, ela foi escrita quando o poeta tinha apenas vinte anos de idade. Seu conteúdo está relacionado aos primeiros amores e, por consequência, as primeiras desilusões afetivas do escritor. Nessa publicação, Neruda relaciona o erotismo do corpo feminino aos fenômenos da natureza. O amor inocente e puro do poeta parece invocar o mundo externo em uma perfeita comunhão estética. A representação dos sentimentos das primeiras relações amorosas de Neruda surge metaforicamente encenada pela fauna e flora local. Assim, a solidão resultante da ausência da amada é comparável ao escurecer provocado pelo crepúsculo. Os beijos e os carinhos a dois são como a produção de mel pelas abelhas. A dependência atiçada pelo amor intenso é parecida com a necessidade de ar e de alimento pelos seres vivos. A doçura das partes do corpo da mulher é tão afrodisíaca para o homem como são as flores e o néctar das plantas para os pássaros. E os momentos carnais vividos com a outra metade são tão intensos como as tempestades no mar e as agitações do céu. Abaixo estão alguns fragmentos extraídos dos poemas chamados de Amor. "Ah vastidão de pinheiros, rumor das ondas quebrando, lento jogo das luzes, solitária cabana crepúsculo abatendo-se em teus olhos, boneca, caramujo terrestre, em ti a terra canta! Em ti os rios cantam e minha alma se perde neles como tu o desejas e fazia para donde tu o querias". "Silenciosa, minha amiga, solidão do solitário desta hora das mortes e cheia das vidas do fogo, pura herdeira do dia destruído". "Eis que manha chega de tempestade em um coração do verão. Como alvos lenços de adeus passeiam as nuvens, e o vento os sacode com suas mãos andarilhas. Incontável coração do vento batendo sobre nosso silêncio enamorado". "Recordas-te como era no último outono. Era a boina gris e o coração em calma. Em teus olhos guerreavam as chamas do crepúsculo e as folhas caíam na água de tua alma. Apegada em meus braços como uma trepadeira. as folhas recolhiam tua voz lenta e em tua calma". "Abelha branca zumbe ébria de mel em minha alma e te estorces em lentas espirais de fumaça. Sou o desesperado, a palavra sem ecos, o que perdeu tudo, e o que tudo esvai". Das poesias intituladas de amor, a que mais gostei foi a de número doze (os poemas são numerados de um a vinte). Confira-a na íntegra: "Para meu coração basta-me teu peito, para tua liberdade basta, minhas asas. De onde minha boca chegará até o céu o que estava entorpecido sobre tua alma. É em ti a ilusão de cada dia. Chegas como o orvalho das corolas. Socava o horizonte com tua ausência. Eternamente em fuga como a onda. Eu falei que cantavas com o vento como os pinheiros e como os mastros. Como eles é alta e taciturna e entristeces de pronto, como uma viagem. Acolhedora como um velho caminho. Te povoam ecos e vozes nostálgicas. Eu despertei e às vezes migraram e fugiram os pássaros que adormeciam em tua alma". A poesia 15 foi posteriormente musicada por Vicente Bianchi e interpretada por Arturo Gatica. Como toda poesia de amor juvenil, essas contêm o exagero e a extravagância do impulso do autor pouco contido e sem qualquer experiência de vida. Aí estão as principais qualidades e defeitos do texto. Em "Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada" temos um jovem Pablo Neruda extremamente passional e platônico. Assim, suas poesias se tornam sinceras (percebe-se que vieram dos seus mais nobres sentimentos) e imbuídas de uma força arrebatadora (como são típicas dessa idade) - essas são as qualidades. Ao mesmo tempo, elas são infantis e completamente desvinculadas da realidade - aqui estão seus defeitos. Por isso, a melhor parte do livro surge no final. Quando o escritor toma "um pé na bunda" da sua amada, ele escreve a tal canção desesperada que complementa o título da obra. Esse desfecho tem a profundidade da primeira parte, mas possui um tom realista e concreto que a outra não tinha. "Abandonado como o impulso das auroras. É a hora de partir, oh abandonado! Sobre meu coração chovem frias corolas. Oh sentina de escombros, feroz cova de náufragos! Em ti se ajuntaram as guerras e os vôos. De ti alcançaram as asas dos pássaros do canto. Tudo que o bebeste, como a distância. Como o mar, como o tempo. Tudo em ti foi naufrágio! Era a alegre hora do assalto e o beijo. A hora do estupor que ardia como um faro. Ansiedade de piloto, fúria de um búzio cego túrgida embriaguez de amor, Tudo em ti foi naufrágio!". O livro é interessante. De rápida leitura, se gasta aproximadamente uma hora para lê-lo com atenção. Contudo, ele está longe de caracterizar a fase de maturidade e excelência de Neruda. "Ainda", livro lido há alguns dias, é uma obra muito mais rica e profunda (fora escrita nos últimos anos de vida do chileno). "Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada" serve para termos uma noção do potencial que tinha o jovem Pablo Neruda no início da carreira. Ele estava, nessa altura, um pouco distante do poeta que seria condecorado como um dos principais do século XX. É verdade que Neruda já possuía, nesse início de trajetória profissional, um talento enorme e suas obras já continham elementos e características que o definiriam como poeta: sentimentalismo exacerbado, o canto de amor à mulher amada, a criação de neologismos, os versos não metrificados, as rimas livres, a linguagem ousada e a citação da natureza para descrever seus sentimentos e os encontros amorosos. Já é possível notar em "Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada" o DNA de Pablo Neruda como poeta. Porém, para conhecermos o ápice da escrita desse autor, precisamos avançar na leitura dos livros produzidos durante a fase mais madura de sua vida. É com esse objetivo que começarei a ler "Cem Sonetos de Amor" (L&PM Pocket), sua obra mais conhecida e que será analisada em um post do Desafio Literário no dia 15. Não perca as próximas novidades sobre Pablo Neruda no Blog Bonas Histórias. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #PabloNeruda #Poesia #LiteraturaChilena
- Filmes: Sem Filhos - A comédia argentina mais vista em 2015
O cinema argentino é pródigo em produzir ótimas histórias. Por isso, assisti com elevada expectativa à comédia de maior sucesso por lá no ano passado: "Sem Filhos" (Sin Hijos: 2015). Este é o segundo longa-metragem do jovem diretor Ariel Winograd. "Meu Primeiro Casamento" (Mi Primera Boda: 2011), sua produção de estreia, levou multidões aos cinemas portenhos, tornando-se a maior bilheteria de 2011 naquele país. Agora, Winograd repetiu o feito. Com Diego Peretti, Maribel Verdú e a pequena Guadalupe Manet no elenco, o seu novo filme chama a atenção, logo de cara, pelo roteiro inusitado. Em "Sem Filhos", conhecemos Gabriel (interpretado por Diego Peretti). O rapaz é divorciado e possui uma filha pequena, Sofia (Guadalupe Manet). A menina tem nove anos e é fruto do primeiro casamento dele. Ela é a razão de existência do pai. Os dois fazem tudo juntos, sendo inseparáveis. A vida com a filha acaba trazendo alguns dissabores para Gabriel. Ele não consegue arranjar uma nova namorada, mesmo estando separado há quatro anos. O amor que ele sente pela filha acaba afastando as possíveis interessadas. Isso muda quando ele reencontra sua antiga paixão de juventude. Em uma tarde, enquanto trabalha em sua loja de instrumentos musicais em Buenos Aires, Gabriel atende a uma bela cliente que resolveu entrar ali para adquirir um presente. Vicky (Maribel Verdú) é uma antiga amiga da adolescência do proprietário do estabelecimento. Recordando-se do passado, os dois decidem ir a uma festa e o romance engrena. Contudo, Vicky tem horror por crianças. Ela odeia todas as crianças do mundo, não se vendo namorando um homem com filhos. Imediatamente, Gabriel afirma não possui nenhum filho, deixando claro que também não gosta de crianças. Cria-se, assim, um grande impasse. O rapaz passa a esconder a filha da namorada e a namorada da filha. Essa é a principal graça da trama. O sujeito chega a transformar (desmontar e remontar) sua casa toda vez que uma delas sai e a outra vem. É ou não é um bom enredo para uma comédia moderna? Foi por causa dessa proposta de roteiro inusitada que fui ver o filme, apesar dele já ter saído há algum tempo do circuito comercial. Porém, sai bem frustrado. O resultado final dessa produção deixa muito a desejar. A proposta é boa, mas sua execução não está a altura da ideia. O filme até tem uma fotografia e uma trilha sonora razoáveis. As esquisitices dos principais personagens também ajudam a criar as condições para o surgimento dos conflitos. O problema está na forma com a história foi construída e no desempenho dos atores. Rapidamente, o longa-metragem fica enfadonho. O que era para se tornar algo engraçado, torna-se um tanto dramático e piegas. Quanto mais avança, mais chato ele fica. O final é digno de pena - fique tranquilo(a) que não costumo contar o spoiler. Se o filme como um todo tiraria uma nota mediana para passar de ano, o seu desfecho fique com nota vermelha. Além de ser previsível, a última parte consegue estragar tudo o que foi construído anteriormente, em um claro sinal de que o roteirista desperdiçou uma boa ideia quando a colocou no papel. Os atores também não ajudam em nada. Diego Peretti, Maribel Verdú e Guadalupe Manet formam um trio que não possui química nem entrosamento. Em nenhum momento conseguimos torcer por algum deles. Seus conflitos também parecem artificiais e sem sentido. É claro que o roteiro fraco os atrapalhou, mas cada um deles poderia ter feito um pouco mais, principalmente os atores mais experientes. Não gostei do filme! Chato (pouquíssimas cenas engraçadas) e previsível (o último terço do longa-metragem não tem nenhuma novidade), "Sem Filhos" não empolga como imaginei que faria. Ele pode até ter alcançado um sucesso retumbante de bilheteria, mas está muito distante de obter os prêmios conquistados pelo primeiro filme de Ariel Winograd. Se "Meu Primeiro Casamento" foi visto com bons olhos pela Academia de Cinema da Argentina, dessa vez, "Sem Filhos" deve ter decepcionado os críticos em relação à sua qualidade. É uma pena! Winograd, visto como uma promessa por conseguir agradar tanto a crítica quanto a massa de telespectadores, acabou fazendo muitas concessões nesse novo filme. Assim, decepcionou o primeiro grupo, enquanto mantém algum crédito com o segundo. Será que suas próximas produções irão angariar uma multidão de fãs se suas obras apresentarem essa tendência de diminuição de qualidade? Essa é a dúvida que fica em minha cabeça depois de constatar a fraqueza de conteúdo deste último longa-metragem. Veja o trailer de "Sem Filhos"(Sin Hijos: 2015): O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #ArielWinograd #DiegoPeretti #MaribelVerdú #GuadalupeManet #CinemaArgentino #Comédia #ComédiaRomântica
- Livros: Ainda - Canto à terra natal de Pablo Neruda
Curiosamente, começarei a leitura das poesias de Pablo Neruda por uma de suas últimas obras. "Ainda" (José Olympio) foi publicado um pouco antes da morte do poeta ocorrida em 1973. O livro é enxuto (77 páginas) e possui apenas vinte e oito poemas. É possível lê-lo em um quarto de hora. Escrito quando o escritor chileno estava idoso e exilado na Europa, essa publicação narra as impressões saudosistas de Neruda sobre sua terra natal. Surge, então, o Chile que o escritor conheceu em sua infância e adolescência. Acompanhando o pai que era maquinista de trem, o jovem Neruda pode conhecer de perto, nas primeiras décadas do século XX, as várias regiões de seu país: Temuco, Yumbel, Angol, Boroa, o vulcão Osorno e a baleeira de Quintay. Há também muitas citações à Araucânia, onde ele nasceu e cresceu. Para se apreciar a leitura de "Ainda", é preciso lê-lo de maneira contínua (em uma batida só). Os poemas não são independentes, mas sim interligados entre si. Esse é o primeiro aspecto que chama a atenção do leitor. A obra é uma pequena epopeia, pois os vinte e oito poemas contam uma única história. E que história é essa? No início ficamos em dúvida: se a narrativa é sobre a vida do autor e sua família ou se ela é sobre o país em que ele nasceu? A resposta surge no poema VI: "Perdão se quando quero contar minha vida é a terra o que conto. Esta é a terra. Cresce em teu sangue e cresces. Se se apaga em teu sangue te apagas". Aí está o grande brilho desse livro. Assim como Ítalo Calvino descreveu as diferentes personalidades humanas narrando os vários tipos de cidade do mundo, em "Cidades Invisíveis" (Companhia das Letras), Pablo Neruda só consegue se caracterizar como homem e abordar sua vida e trajetória quando narra os detalhes da terra de onde veio e de onde cresceu. Assim, o deserto chileno é uma metáfora para o sentimento solitário do poeta. As geleiras nos cumes montanhosos do país, por sua vez, são semelhantes aos cabelos brancos dos homens idosos. Os vulcões são a força interna e a paixão que há dentro de cada chileno. Há também algumas passagens memoráveis. Além do poema VI que possui, por si só, uma beleza filosófica, há outras tantas nessa publicação. No início, o poeta relaciona sua história pessoal (capítulos) às características de sua cidade natal (Araucânia): "Araucânia, rosa molhada, diviso dentro de mim mesmo ou nas províncias da água tuas raízes, as copas dos desenterrados, com os larícios rotos, as araucárias mortas, e teu nome refulge em meus capítulos como os peixes pecados no cesto amarelo!". Veja essa passagem sobre o vulcão de Osorno: "Harpa de Osorno sob os vulcões! Soam as cordas escuras arrancadas ao bosque. Olha-te no espelho de madeira! Consome-te na mais poderosa fragrância de outono quando os ramos deixam cair folha por folha um planeta amarelo e sobe sangue para que os vulcões preparem fogo cada dia". O encerramento é magnífico: "Aconteceu meu poema para ti, para ninguém, para todos". Durante toda obra, Pablo Neruda utiliza-se de alguns neologismos criados especificamente para expressar os seus sentimentos. Isso fica evidente, por exemplo, no poema XXVII com o termo "cinturista" (um tipo de parasita). Além disso, há muitas referências à cultura, à história e à geografia chilena. Para compreender o texto em sua totalidade é necessário algum conhecimento prévio desses aspectos. Cholga (espécie de mexilhão típico da costa do Chile), Francisco Pizzaro (explorador espanhol que subjugou os povos indígenas da América do Sul), Alonso de Ercilla (soldado e poeta do célebre poema "La Araucana"), Yumbel (cidade chilena) e Osorno (vulcão ativo) são alguns exemplos. Apesar desse toque específico da cultura chilena dificultar um pouco a leitura de "Ainda" por quem não vive ou viveu no Chile, essa característica confere uma graça ainda maior ao texto. Como Neruda pode falar de sua terra se ele não utilizar referências locais? Impossível! Assim, esse tempero local é parte do esforço do autor para se apresentar ao leitor da maneira mais fidedigna possível. O livro é muito bonito. Simples, porém muito impactante. A sensação que temos ao terminar "Ainda" é que Pablo Neruda conseguiu sintetizar sua vida e sua personalidade através da narração das paisagens que conheceu durante sua infância e adolescência. A conclusão que chegamos é que o homem adulto é formado essencialmente pelas experiências vividas na juventude e por sua interação com a terra natal. Essa relação entre natureza e personalidade fica mais forte quando lembramos que o Nobel de Literatura de 1971 precisou se exilar do Chile quando estourou o Golpe Militar em seu país. As saudades de casa e o saudosismo natural da velhice ajudam a compor as páginas desse belo livro. No próximo dia 11, retorno ao Blog Bonas Histórias para comentar o segundo livro de Pablo Neruda deste Desafio Literário, "Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada". Não perca! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #PabloNeruda #Poesia #LiteraturaChilena
- Exposição: Arquivo Ex Machina - O turbulento século XX da América Latina
Domingo passado, fui ao Itaú Cultural, na Avenida Paulista, para ver a exposição fotográfica “Arquivo Ex Machina – Arquivo e Identidade na América Latina”. Ocupando dois andares do prédio do centro cultural (primeiro andar e subsolo), a mostra apresenta trabalhos fotográficos dos brasileiros André Penteado e Eustáquio Neves, do chileno Bernardo Oyarzún, do equatoriano Coco Laso, do boliviano Javier Nuñez del Arco, do argentino Marcelo Brodsky, do português João Pina, da mexicana Mayra Mendoza, do peruano Jorge Villacorta e do colombiano Andrés Felipe Orjuela. Em comum, a representação através de imagens do conturbado século XX nos países latino-americanos. Em “Arquivo Ex Machina”, podemos ver a escravidão dos indígenas bolivianos nos campos de mineração do seu país, a luta armada dos Zapatistas no México, os efeitos da ditadura militar argentina, o papel do narcotráfico na sociedade colombiana e a realidade violenta das ruas brasileiras. A sensação, ao sair da exposição, é que vivemos em um continente em constante ebulição. O século XX parece que teima em não querer terminar nos países latino-americanos. A revoltas populares, a criminalidade em tons epidêmicos, a escravidão, o extermínio das minorias e a repressão política são fantasmas que rondam diariamente a sociedade em todos os cantos da América hispânica. Gostei da exposição. Apesar de sua temática forte e um tanto polêmica, ela nos faz refletir, além de repassar a história de nosso país e dos países vizinhos. “Arquivo Ex Machina – Arquivo e Identidade na América Latina” ficará em cartaz até o dia 7 de agosto no Itaú Cultural, localizado na Avenida Paulista 149. A entrada é gratuita e de livre acesso para todos os públicos. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Deixe sua opinião sobre as matérias do blog. Para acessar as demais análises desta coluna, clique em Exposições. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #AndréPenteado #EustáquioNeves #BernardoOyarzún #CocoLaso #JavierNuñezdelArco #MarceloBrodsky #JoãoPina #MayraMendoza #JorgeVillacorta #AndrésFelipeOrjuela #Exposição #Mostra #Fotografia
- Desafio Literário de julho/2016: Pablo Neruda
Chegou a vez de Pablo Neruda no Desafio Literário do Blog Bonas Histórias. Depois de dois romancistas (Graciliano Ramos, em maio, e Agatha Christie, em junho), vamos abordar, agora em julho, as obras e a carreira de um poeta. O chileno ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1971, consolidando-se como um dos principais poetas de língua espanhola do século XX. Pablo Neruda nasceu, em 1904, na interiorana cidade de Parral. Seu nome de batismo era Neftalí Ricardo Reyes Basoalto. Sua mãe morreu quando ele tinha apenas um mês de vida. O menino foi criado pelo pai, maquinista de trem, e pela mãe adotiva, com quem o pai se casou quando o filho tinha dois anos de idade. A família viveu na cidade de Temuco, capital da região de Araucania e da província de Cautín. Desde a adolescência, o rapaz sempre gostou de escrever e iniciou aí sua trajetória como poeta. Já prevendo sua futura profissão, adotou o pseudônimo de Pablo Neruda em homenagem ao escritor checo Jan Neruda. Após alguns destaques em concursos literários locais, o Neruda chileno se mudou aos dezessete anos para Santiago do Chile, onde estudou pedagogia e francês na Universidade do Chile. Após algumas premiações na capital do país e com as publicações de alguns poemas nas principais revistas de prestígio nacional, o jovem poeta é reconhecido por seus pares como um dos principais escritores chilenos. Pablo Neruda tem, assim, publicado o seu primeiro livro em 1924: "Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada". Apesar de ter escrito essa obra com apenas vinte anos, aqui estão alguns dos seus mais conhecidos poemas. Misturando o erotismo dos corpos femininos com a descrição apurada da natureza, o poeta conseguiu produzir belas e celebradas composições poéticas. Dois anos mais tarde é iniciada a carreira diplomática. A nomeação como cônsul na Birmânia abre caminho para que o poeta viaje pelo mundo e conheça grandes escritores do seu tempo. Mais tarde se tornaria cônsul na Espanha e no México. A carreira literária segue em paralelo à vida diplomática. Durante a década de 1930, lançou alguns livros de poesia que alcançaram prestígio internacional. O principal deles é "Residência na Terra", de 1935. Escrito na Birmânia, os poemas possuem um tom pessimista e um clima surreal. Amargurado pela distância da sua terra natal, o poeta cogitou até o suicídio nessa época. Por sua temática diferenciada do portfólio do chileno, mais propenso à exaltação dos amores, esse livro é um marco na carreira de Neruda. Sempre identificado com a ideologia comunista, Pablo Neruda precisou voltar para o Chile quando estourou a Guerra Civil na Espanha, para onde partiu depois da Birmânia. Novamente em seu país, foi eleito, em 1945, senador da República. Nessa época, o poeta já era internacionalmente conhecido, tendo viajado para o exterior com grande frequência para apresentar seu trabalho literário. A partir dos anos de 1950, as publicações do artista tornam-se mais constantes. Essa fase, que duraria até o início da década de 1970, é disparada a mais produtiva do chileno, com aproximadamente um lançamento por ano. O Nobel de Literatura de 1971 veio coroar esse trabalho. Segundo sul-americano eleito com o prêmio máximo da literatura mundial (a primeiro foi a também poeta chilena Gabriela Mistral, em 1945), Pablo Neruda colocaria para sempre seu nome entre os maiores escritores da história. Suas principais obras dessa fase dourada da carreira são: "Canto Geral", publicado no México, em 1950, e "Cem Sonetos de Amor", lançado no México, em 1959. "Cem Sonetos de Amor" possivelmente é a obra do chileno que se disseminou com mais intensidade na cultura contemporânea. Seus poemas foram citados no filme "Patch Adams - O Amor é Contagioso" (Patch Adams: 1998) e foram transformados em canção por Peter Lieberson. No final da vida, Neruda lançou "Ainda", coleção de poemas que narram o período da sua infância e adolescência. Viajando com pai maquinista de trem, o jovem Neruda pode conhecer a natureza e a gente chilena, fundamentais para sua formação como homem. Um câncer na próstata tirou a vida de Pablo Neruda em setembro de 1973. Antes, porém, o poeta escreveu um livro de memórias no qual pode autobiografar sua vida. "Confesso que Vivi" chegou às livrarias um ano após o falecimento do seu autor. Na Espanha, essa obra foi a segunda mais vendida no país no ano de 1975. Pablo Neruda se tornou um ícone cultural a ponto de se transformar em um personagem cinematográfico. Em 1994, o filme "O Carteiro e o Poeta" (Il Postino: 1994) narra uma história ficcional em que o poeta chileno, em exílio na Itália por razões políticas, ensina um carteiro analfabeto a escrever seus versos poéticos. Esse é o personagem do Desafio Literário de julho. Vou ler suas obras mais ou menos respeitando o estágio de vida do autor e não o ano de suas publicações. Assim, começarei com "Ainda", com poemas que tratam da infância e adolescência do chileno. Depois mergulharei em "Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada", sobre os primeiros amores de Neruda. Na sequência, me atentarei para “Cem Sonetos de Amor” e "Canto Geral", obras da fase mais madura do poeta. E terminarei lendo seu livro de memórias "Confesso que Vivi". Esta é a programação do Blog Bonas Histórias para os próximos 30 dias. É ou não é um bom cardápio para o gélido mês de Julho que se avizinha? Quem tiver interesse em conhecer mais profundamente a literatura de Pablo Neruda, aconselho a ler também essas obras e acompanhar as minhas análises críticas ao longo das quatro próximas semanas. Venha comigo e boa leitura a todos! Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. 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- Filmes: Prefeito Chinês - As loucuras da ditadura chinesa
No último domingo, assisti a mais uma produção em cartaz na Mostra “Ecofalante de Cinema Ambiental”. O filme era um dos que eu tinha maior expectativa de conferir no início dessa quinta edição do festival. “Prefeito Chinês” (The Chinese Mayor: 2014) é um documentário dirigido por Zhou Hao e celebrado no festival de Sundance do ano passado. Nesse longa-metragem de aproximadamente uma hora e meia, podemos verificar um pouco da megalomaníaca e destemperada política pública chinesa dos dias de hoje. Em “Prefeito Chinês”, acompanhamos o dia a dia do prefeito Geng. O senhor de 54 anos é o líder de Datong, cidade chinesa que já fora capital nacional há 1.600 anos. Querendo reviver os tempos dourados do município, Geng resolve colocar em prática um plano ambicioso. Ele quer que Datong deixe de ser conhecida como a cidade mais poluída da China (a exploração mineral transformou o lugar em antro de fuligem e esgotou o subsolo da região) e passe a ser o centro cultural do país. A proposta, a princípio, parece lógica e interessante. Contudo, o problema está em sua execução. Para viabilizar esse sonho, Geng quer restaurar a antiga muralha que protegia a cidade nos tempos milenares, não permitindo que ninguém ocupe o seu perímetro. Assim, é necessário destruir grande parte da cidade e deslocar 30% dos habitantes do município para outro lugar. Aí começam os problemas! Para realizar essa desocupação em massa, o prefeito Geng provoca grande transtorno aos moradores de Datong, além de onerar os cofres do distrito. Milhares de pessoas ficam repentinamente sem suas casas, algumas sendo abandonadas a própria sorte. A política comunista na China atual, para quem não sabe, é mandatória. Não há Justiça, garantia aos direitos individuais ou democracia. Os funcionários das empresas de demolição chegam para derrubar as casas nem que para isso precisem arrancar à força os moradores. O documentário é incrível! Acompanhamos os delírios do prefeito enquanto vemos os transtornos causados por sua política aos moradores da cidade. É possível constatar também o enriquecimento dos donos das construtoras responsáveis pela demolição do lugar, enquanto a dívida municipal alcança cifras bilionárias. Ás vezes, tudo parece um enredo ficcional. Porém, é tudo verdade e aconteceu de fato em Datong. A câmera tem acesso quase que irrestrito a rotina do prefeito. Somente em alguns momentos, o cinegrafista e o cineasta são proibidos de filmar. Nessa hora, parece que os políticos estão tratando de temas que não desejam divulgar ao público. A medida que o filme se desenrola, vamos nos afeiçoando a figura folclórica do prefeito. Ele é daquele tipo de administrador que acorda cedinho e vai dormir tarde da noite, abrindo mão de sua vida pessoal em prol da sua profissão. Há momento em que esquecemos os graves transtornos causados pela sua política e a achamos até válida. Essa sensação ilusória de que é possível realizar algo dessa magnitude sem danos sociais provoca uma grande reviravolta na trama. O melhor foi reservado ao final! O desfecho do documentário é surpreendente. Somente aí conseguimos entender que o personagem principal é um homem lunático. A sequência de imagens da cidade totalmente destruída é autoexplicativa. O plano para reconstruir Datong é apenas uma desculpa esfarrapada de alguém megalomaníaco. Mais importante do que reconstruir é destruir. Tão interessante quanto essa conclusão é verificar a reação da população local. O povo sai à ruas para protestar. É engraçadíssimo o motivo da revolta popular. Gostei muito do “Prefeito Chinês”. Ele está à altura da expectativa que criei a seu respeito. Vale a pena conferi-lo. Assistindo-o, podemos compreender um pouco mais como as coisas na China contemporânea acontecem tão rapidamente. Pobre de sua população, que vive sem direitos legais e fica à mercê de administradores de todos os tipos. Confira, a seguir, o trailer do filme. O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #ZhouHao #CinemaChinês #CinemaAsiático
- Filmes: O Conto da Tundra - A batalha pela salvação da tundra europeia
Fui à Reserva Cultural, nessa sexta-feira, assistir ao documentário "O Conto da Tundra" (The Tundra Tale: 2013). Esse filme de René Hander faz parte da Mostra "Ecofalente de Cinema Ambiental", em cartaz na cidade de São Paulo desde quinta-feira. A proposta do festival é apresentar curtas, médias e longas-metragens em que a temática da sustentabilidade prevaleça. São produções do mundo todo, divididas em onze temáticas: Cidades, Consumo, Economia, Mudanças Climáticas, Povos & Lugares, Recursos Naturais, Competição Latino-Americana, Panorama Histórico - Foco França, Sessões Especiais, Concurso Curta Ecofalente e Mostra Escola & Circuito Universitário. Reserva Cultura, Caixa Belas Artes, Centro Cultural São Paulo, Biblioteca Mário de Andrade, Cinemateca Brasileira e Cine Olido são os principais locais onde a programação da mostra está disponível até o dia 29 de junho. "O Conto da Tundra" é um documentário germano-norueguês que retrata os desafios dos moradores dos povoados da Tundra europeia para manterem seu modo de vida tradicional. O problema é que a região está sendo alvo de intensa disputa econômica, principalmente na Rússia, o que acarreta a chegada de várias empresas de mineração, dispostas a destruir o meio ambiente local para retirar a riqueza do subsolo. A Tundra é o ecossistema localizado no norte do continente, próximo ao Ártico. Não há estradas para se chegar até seus poucos povoados. Ali só se chega de helicóptero e com veículos próprios para a neve. Esse isolamento permitiu aos habitantes do lugar conservar seu modo de vida artesanal, tradicional e charmoso, no qual a caça das renas selvagens é o principal ganha pão. Isso fica evidente quando conhecemos o dia a dia da pacata vila de Krasnoschchelye, na Tundra russa. O povo originário do lugar, os Sámi, tenta conter o avanço de empresas internacionais dispostas a destruir o meio ambiente local para extrair minerais da terra. O esforço para conter o capitalismo predatório é o trabalho de uma atuante mãe de família que desempenha também o papel de política/representante do povoado. Ela viaja pela Rússia e pela Noruega expondo os perigos que seus conterrâneos correm e angariando apoio político para a perpetuação do modo de vida dos Sámi. "O Conto da Tundra" é um filme interessante. Conhecer o modo de vida arcaico e simples dos habitantes da Tundra é muito legal. Suas crenças e suas visões do mundo são completamente opostas às nossas dos grandes centros urbanos. A vida em família, em comunidade, próxima da natureza e voltada para os elementos mais básicos da existência humana nos emociona. A trilha sonora é boa e a fotografia é espetacular. A dimensão da Tundra e as cenas da natureza (principalmente aquelas com as renas) enchem nossos olhos. Os únicos pontos negativos são: o filme é, em alguns momentos, meio parado (afinal, não há muita coisa para mostrar no povoado de Krasnoschchelye) e algumas pessoas ficam muito intimidadas com a presença da câmera (deixando-as travadas e um tanto envergonhadas). Apesar disso, esse é um documentário que vale a pena ser visto por quem deseja conhecer povos e culturas distantes. Além disso, trata-se de uma produção política: a busca pela preservação da Tundra europeia. Veja o trailer de "O Conto da Tundra": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #RenéHander
- Livros: E Não Sobrou Nenhum - A mais famosa história de Agatha Christie
Li, nessa sexta-feira, o quinto e último livro de Agatha Christie para o Desafio Literário de junho. E deixei o melhor para o final. Considerado por muitos como a melhor obra de suspense de todos os tempos, "E Não Sobrou Nenhum" (Globo) foi a história da Rainha do Crime mais vendida em todo o planeta. Aproximadamente 100 milhões de livros foram comercializados desde 1939, ano de sua primeira publicação. "E Não Sobrou Nenhum" também pode ser encontrado como "O Caso dos Dez Negrinhos", seu nome original ("Ten Little Niggers"). A mudança no título se deu quando a obra chegou ao mercado norte-americano. Lá a palavra "negrinho" foi encarada como um possível sinal de preconceito racial. Para evitar acusações racistas, "Ten Little Niggers" virou "And Then There Were None" ou "Ten Little Indians". No Brasil (onde a influência norte-americana é maior), o livro foi publicado como "E Não Sobrou Nenhum", enquanto em Portugal (onde a influência britânica é mais acentuada), o título ficou "As Dez Figuras Negras". Até os anos de 1950, essa obra foi lançada em nosso país com outro nome: "O Vingador Invisível". Ou seja, é uma confusão dos diabos. Polêmicas a parte, trata-se de um grande sucesso editorial. Mais tarde, essa história foi adaptada para o teatro e para cinema com grande êxito. Em 1943, a trama foi teatralizada com o nome "O Caso dos Dez Negrinhos". Dois anos mais tarde, o diretor René Clair lançou o longa-metragem com esse enredo com o nome "O Vingador Invisível" (And then There Were None: 1945). Nas décadas seguintes, mais um punhado de filmes foram lançados com essa temática tanto na televisão quanto no cinema. A história do livro se passa basicamente na Ilha do Negro, localizada na costa de Devon, na Inglaterra. O nome do lugar é fruto de algumas rochas negras que parecem com o formato de um rosto humano. Para lá são convidadas oito pessoas por um anfitrião misterioso, o Sr. U. N. Owen. Pelas notícias veiculadas nos jornais do país, a ilha particular e deserta foi recentemente comprada por um milionário. Curiosos para saber quem é esse indivíduo e atraídos por uma carta endereçada especialmente para eles, os oito indivíduos desembarcam naquela localidade com a finalidade de aproveitar alguns dias de mordomias, descanso e diversão. Os convidados são bem heterogêneos e nenhum se conhece: há um juiz idoso, uma solteirona de meia idade, um médico bem-sucedido, um ex-policial aposentado, uma professora do ensino infantil, um playboy amante de carros, um militar da reserva e um malandro trambiqueiro. O grupo se junta ao casal que cuida da mansão da ilha. Ou seja, são apenas dez pessoas naquela residência isolada do mundo. A Ilha do Negro não possui comunicação com o continente e o transporte só pode ser feito através dos barcos vindos dos povoados a beira mar. Surpreendentemente, nenhum dos convidados nem os empregados conhecem o tal Sr. U. N. Owen. Além disso, o proprietário milionário não está ali no momento. Segundo informações enviadas por correspondência, ele irá surgir nos próximos dias. Esses são os primeiros mistérios da trama: Quem é o tal Sr. Owen?; e o que ele deseja dos convidados? Logo após o primeiro jantar na casa, episódios estranhos começam a acontecer. Primeiramente, um dos convidados morre misteriosamente ao ingerir uma bebida alcoólica. Logo depois, uma gravação em um gramofone informa que todos naquela residência são assassinos, descrevendo a data, a situação e os nomes dos assassinados. A tensão do local aumenta quando se descobrem as ameaças do anfitrião misterioso e ausente. Assim como em um poema antigo espalhado pela mansão, as dez pessoas daquele local irão morrer. É esta a promessa do dono do lugar. Inicia-se, então, a busca por saber o que está acontecendo. Enquanto as mortes são efetuadas sucessivamente, os sobreviventes precisam se proteger ao mesmo tempo em que devem encontrar o real assassino. Isso tudo sabendo que foram abandonados pelo pessoal em terra. A ilha está sem comunicação com o continente e fugir ou pedir ajuda não é possível. "E Não Sobrou Nenhum" é uma história incrível. Ela possui todos os elementos de um grande suspense: ilha deserta, uma mansão misteriosa, personagens contraditórios e suspeitos, ambiente fantasmagórico e mistério envolvendo um poema antigo. O clima é de tensão do início ao fim. Não é à toa que mais tarde muitos desses elementos foram banalizados pelas futuras tramas de mistério. A narrativa é feita em terceira pessoa, algo incomum em se tratando de Agatha Christie (os outros quatros livros lidos nesse "Desafio do Mês" foram escritos em primeira pessoa). Além disso, a história não possui como personagens principais os investigadores (Hercule Poirot e a dupla Thomas Beresford e Prudence Cowley nem aparecem por aqui). Na verdade, os detetives e a polícia só surgem no final, de forma um tanto tímida. Os principais envolvidos nessa trama são os dez habitantes da residência, que ao mesmo tempo são vítimas e suspeitos. A construção psicológica desses personagens merece uma exaltação. Não há nenhum bonzinho ou santinho no grupo. Contudo, eles sofrem com a tensão do ambiente e ficam sujeitos aos dramas que qualquer um sentiria se fosse abandonado para o sacrifício em uma ilha deserta. Assim, é difícil saber se, como leitores, tememos ou torcemos pelas personagens. É um misto de curiosidade e resignação. Outro ponto positivo dessa narrativa é a sua velocidade. Ela se desenvolve muito velozmente. O livro não é longo e é possível lê-lo em uma tarde. Tudo acontece rapidamente por aqui. O estilo de escrita é direto e focado na ação. Não há enrolação ou componentes supérfluos. A linguagem é simples e clara. "E Não Sobrou Nenhum" é realmente um livro digno da fama alcançada. A história é muito interessante e o final é tipicamente Agatha Christie, ou seja, surpreendente. Só iremos saber o que aconteceu de fato quando percorrermos todas as linhas da publicação. É no último capítulo em que o mistério é finalmente desvendado. Curiosamente, sabemos do desfecho porque o(a) assassino(a) resolve nos contar. Ele(a) escreve uma carta, coloca-a em um garrafa e a joga ao mar. Afinal, este é um daqueles típicos assassinatos perfeitos, em que a polícia não consegue desvendar os fatos. Gostei muito de "E Não Sobrou Nenhum". Merecidamente é um clássico do romance policial moderno. Para quem está acompanhando o Desafio Literário de junho, aviso que no dia 27, próxima segunda-feira, retornarei ao Blog Bonas Histórias para postar a análise completa da literatura de Agatha Christie. Não perca a última parte da investigação sobre a maior romancista policial de todos os tempos. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #AgathaChristie #LiteraturaInglesa #Romance #RomancePolicial #LiteraturaClássica #Suspense
















