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  • Mercado Editorial: As Ficções Mais Vendidas no Brasil em 2015

    Em março deste ano, apresentamos no Blog Bonas Histórias a lista dos livros mais vendidos no ano passado em nosso país. Como havia no topo do ranking muitas obras para colorir e títulos religiosos, achei interessante retornar à coluna Mercado Editorial para listar os livros de ficção mais vendidos no Brasil em 2015. Assim, acredito que poderemos compreender melhor a preferência literária e o gosto romanesco dos leitores nacionais. Este é o objetivo do post de hoje. Para não cair em qualquer erro estatístico, vou mais uma vez recorrer aos dados do Publishnews, o portal de notícias mais confiável do mercado editorial brasileiro atualmente. Nas dez primeiras posições do ranking das ficções mais vendidas nas livrarias nacionais no ano passado temos exclusivamente literatura em língua inglesa. São essencialmente autores norte-americanos e ingleses. A britânica E. L. James aparece com três livros, todos da coleção erótica “Cinquenta Tons de Cinza”: “Grey” (Intrínseca) – primeiro lugar, “Cinquenta Tons de Cinza” (Intrínseca) – sexta posição, e “Cinquenta Tons Mais Escuros” (Intrínseca) – nona colocação. O trio vendeu, ao todo, mais de 250 mil unidades. Logo atrás, temos a norte-americana Gayle Forman, com os romances da série “Se Eu Ficar”: “Se Eu Ficar” (Novo Conceito) – segunda posição, e “Para Onde Ela Foi” (Novo Conceito) – quinto lugar. As duas obras venderam conjuntamente mais de 160 mil exemplares em nosso país. Na sequência da lista de best-sellers aparecem os norte-americanos John Green, “Cidade de Papel” (Intrínseca) – terceira posição, e Anthony Doerr, de “Toda Luz que Não Podemos Ver” (Intrínseca) – quarto lugar. O top 10 dos romances mais bem-sucedidos é completado pela escritora inglesa Paula Hawkins, “A Garota do Trem” (Record) – sétima posição, pela irlandesa Cecelia Ahern, “Simplesmente Acontece” (Novo Conceito) – oitavo lugar, e pela inglesa Jojo Moyes, “Como Eu Era Antes de Você" (Intrínseca) - décima posição. O primeiro autor que não é de língua inglesa na lista dos mais vendidos é Umberto Eco (Itália), com seu “Número Zero” (Record), na décima primeira posição. E o primeiro brasileiro é Chico Buarque, com “O Irmão Alemão” (Companhia das Letras), no décimo oitavo lugar. Confira, a seguir, a lista completa das 10 ficções mais vendidas em nosso país em 2015, segundo o Publishnews: 1) “Grey” (Intrínseca) - E. L. James (Inglaterra) – 174 mil unidades vendidas 2) “Se Eu Ficar” (Novo Conceito) - Gayle Forman (Estados Unidos) – 100 mil unidades vendidas 3) “Cidades de Papel” (Intrínseca) – John Green (Estados Unidos) – 94 mil unidades vendidas 4) “Toda Luz que Não Podemos Ver” (Intrínseca) - Anthony Doerr (Estados Unidos) - 71 mil unidades vendidas. 5) “Para Onde Ela Foi” (Novo Conceito) - Gayle Forman (Estados Unidos) – 65 mil unidades vendidas 6) “Cinquenta Tons de Cinza” (Intrínseca) - E. L. James (Inglaterra) – 43 mil unidades vendidas 7) “A Garota do Trem” (Record) - Paula Hawkins (Inglaterra) - 42 mil unidades vendidas 8) “Simplesmente Acontece” (Novo Conceito) – Cecelia Ahern (Irlanda) – 40 mil unidades 9) “Cinquenta Tons Mais Escuros” (Intrínseca) - E. L. James (Inglaterra) – 36 mil unidades vendidas 10) “Como Eu Era Antes de Você” (Intrínseca) – Jojo Moyes (Inglaterra) - 34 mil unidades vendidas Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você se interessa por informações do mercado editorial, deixe aqui seu comentário. Para acessar outras notícias dessa área, clique em Mercado Editorial. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #MaisVendidos

  • Gastronomia: Uma feirinha no coração da Avenida Paulista

    Essa é para quem gosta de comida de rua. Há uma feirinha gastronômica entre a Avenida Paulista e a São Carlos do Pinhal, bem ao lado do MASP. Localizada na Alameda Rio Claro (na parte fechada aos carros), a feira existe há pouco mais de três anos. Seu início foi intermitente e sazonal, mas o sucesso de público exigiu a sua abertura fixa e diária. Desde o ano passado ela fica aberta quase o dia inteiro (das 10h até as 21h). De final de semana, o fechamento é adiado até o início da madrugada. Fui novamente no último final de semana lá. O que mais me agrada no local é a sua variedade. Há várias barraquinhas com um monte de tranqueiras: comida mexicana, massa, hamburger, sanduíche natural, pastel, acarajé, yakissoba, hot-dog, batata recheada, crepe, lanche de pernil e sei mais lá o que. Se a pessoa não achar algo que goste é sinal de que ela é muito chata para comer. O fato de muitas vezes ter uma banda ao vivo também contribui para deixar o clima mais agradável. O preço é adequado para a região (não podemos nos esquecer que estamos na Avenida Paulista). Os pontos negativos são a pouca disponibilidade de mesas e assentos e a qualidade da comida. Nos horários de maior movimento é quase impossível comer sentado. Outra questão que intriga é a qualidade dos pratos. Eles são razoavelmente gostosos, mas nada acima do convencional. Não espere um quitute com toque gourmet ou um prato com excelência dignada de uma estrela no Guia Michelin. Lembre-se: estamos falando de comida de rua. E tão importante quanto o gosto é a higiene. Nesse segundo aspecto, aparentemente, o lugar recebe uma boa nota. Ou seja, se você estiver pela região da Avenida Paulista e precisar comer algo rápido para matar a fome fora do horário, fica aqui a dica: Feirinha Gastronômica da Alameda Rio Claro. Que tal este post e o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer as demais críticas gastronômicas do blog, clique na coluna Gastronomia. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #Gastronomia #SãoPaulo #ComidadeRua #lanchonete

  • Filmes: Capitães da Areia - Os meninos de rua de Jorge Amado

    "Capitães da Areia" é o filme lançado, em 2011, por Cecília Amado, neta de Jorge Amado, que estreava no papel de diretora. A obra é baseada no romance homônimo do escritor baiano, publicado originalmente em 1937. O lançamento nos cinemas deste longa-metragem marcou os dez anos da morte do escritor, falecido em 6 de agosto de 2001, e o início das comemorações do centenário de nascimento de Jorge Amado (ele nasceu em 10 de agosto de 1912). "Capitães da Areia" teve orçamento de R$ 9,2 milhões e atraiu aos cinemas nacionais pouco mais de 35 mil espectadores. A história do filme narra as aventuras de um grupo de meninos pobres de Salvador durante a década de 1930. Comandados por Pedro Bala e intitulados "Capitães da Areia", o grupo de crianças e adolescentes foi abandonado por suas famílias e agora vive em uma comunidade do trapiche. Para sobreviverem, eles praticam uma série de pequenos crimes, o que fazem ser perseguidos pela polícia e ser mal vistos pela sociedade baiana. Pedro Bala (Jean Luís Amorim), Professor (Robério Lima), Gato (Paulo Abade), Sem Pernas (Israel Gouvêa) e Boa Vida (Jordan Mateus) são os personagens principais. Pouco antes da metade do filme, Dora (Ana Graciela) se junta ao grupo após ficar órfã, sendo a primeira menina a integrar a trupe. Querida por todas, ela é chamada de "Mãezinha" pelos meninos, por cuidar deles. Dora se apaixona por Pedro Bala e os dois dão início ao namoro. A produção cinematográfica de Cecília Amado respeita, em termos, a obra literária do avô. Apesar de manter os principais personagens e os mais importantes episódios da narrativa, no filme os acontecimentos ocorrem em uma ordem distinta ao do livro. Além disso, a constituição física de alguns personagens não bate com a descrita da obra original de Jorge Amado. Por exemplo, no filme nem Pedro Bala nem Dora são loiros. Além disso, algumas adaptações foram feitas no longa-metragem. O padre José Pedro tem pouco destaque no filme. No livro, seu papel tem muito mais relevância. Querido de Deus, o capoeirista, teve mais sorte e não teve sua participação podada nas telas. Pedro Bala tem uma fuga distinta no reformatório onde ficou preso. Essas pequenas alterações do enredo original não prejudicaram a produção. A única que não gostei foi em relação ao desfecho da história dos meninos. Enquanto no livro, Jorge Amado afirmava o destino de cada um dos personagens, explicando o que lhes aconteceu, no filme o Professor explica para José, irmão de Dora, o que ele acha que pode acontecer com cada um. Ou seja, a afirmação se transforma uma mera previsão, sem a obrigação de acontecer. A trilha sonora foi muito bem escolhida. Ela consegue retratar a cultura e o jeito baiano de ser. Consegue transmitir o mundo da malandragem dos meninos de rua e da capoeira. Passa as influências africanas e da religiosidade tão presentes em Salvador. E soube intensificar a emoção, o drama e ação nos momentos mais críticos da narrativa. A principal característica do filme "Capitães da Areia", assim como era a proposta do livro, é retratar de maneira realista a vida dos meninos pelas ruas de Salvador. E isto ele conseguiu. Para tal, a produção optou por escolher apenas crianças e adolescentes pobres sem experiência no cinema para interpretar os papéis da turma de Pedro Bala. O trabalho de seleção do elenco foi demorado e exigiu de mais da equipe. Todos os atores mirins foram selecionados a partir de pesquisas em comunidades carentes de Salvador. A busca mobilizou 22 ONGs e se estendeu por quase dois anos. Israel Gouvêa, intérprete do Sem Pernas, por exemplo, foi descoberto em uma clínica de reabilitação por Cecília Amado. A atrofia em suas pernas e em parte do seu corpo são reais, frutos de um acidente quando ele era um bebê. A preparação do elenco demorou dois meses. A escolha de um elenco inexperiente e formado exclusivamente por meninos e meninas que conheciam a realidade vivenciada nas telas teve suas vantagens e suas desvantagens. As vantagens estavam no maior realismo das cenas e no sotaque baiano dos atores. A desvantagens estavam na pouca qualidade interpretativas dos atores (algo esperado pela idade e pela inexperiência deles) e nos problemas de dicção da maioria deles. "Capitães da Areia" é um bom filme. Não apresenta tão intensamente as polêmicas e o debate social do livro original, mas consegue levar o público a refletir sobre o drama das crianças de ruas, que de certa forma continua sendo um tema atual no Brasil contemporâneo. Além disso, as adaptações e alterações do enredo original se mostraram, na maior parte das vezes, acertadas, não afetando a qualidade da narrativa. Veja o trailer de "Capitães da Areia": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JorgeAmado #CecíliaAmado

  • Passeios: Diálogo no Escuro - Experimentando o mundo sem a visão

    Este é, provavelmente, o melhor passeio disponível na cidade de São Paulo no momento. Eu já tinha ido há cinco anos em uma atividade destas em Campinas e admito que ela me marcou profundamente. Por isso, estou visitando-a mais uma vez, agora que ela está em minha cidade natal. “Diálogo no Escuro” é uma exposição que roda o mundo com a proposta de conferir uma experiência única aos seus visitantes. Em uma hora, somos inseridos em um mundo no qual nos tornamos cegos. Você já se imaginou vivendo como um cego?! Pois essa exposição permite essa experiência incrível por quase uma hora! Em ambientes sem qualquer iluminação (a escuridão é total), somos desafiados a encarar nossos medos e “enxergar” o mundo com os demais sentidos. É sensacional como nossa audição e nosso tato ficam aflorados. Conseguimos perceber o ambiente sem utilizar a visão. Atravessamos ruas, vamos ao bar, andamos de barco e caminhamos na floresta sem enxergar nada. O mais interessante do "Diálogo no Escuro" é que somos assessorados o tempo inteiro por uma pessoa, que descobrimos depois ser cega. No meio da escuridão, são eles (os deficientes visuais) que nos guiam e nos ajudam o tempo inteiro. Nesse novo ambiente, somos incapazes de ver a realidade e nos virar sem passar por situações constrangedoras. Senti-me em uma obra literária de Saramago. Instalada no Unibes Cultural (antigo Espaço Judaico, ao lado da estação Sumaré do Metrô - Rua Oscar Freire, 2.500), o “Diálogo no Escuro” acontece de segunda a sábado, das 10h às 19h. O ingresso varia de R$ 24,00 a R$ 30,00. Às terças-feiras, a entrada é gratuita. Quem procura atividades diferentes, divertidas e estimulantes, esse é o passeio certo! Com certeza, você não vai esquecer dele por muito tempo... Que tal o conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para conhecer os demais posts dessa coluna, clique em Passeios. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #Passeios #SãoPaulo #DiálogonoEscuro

  • Filmes: Quincas Berro D'Água - A comédia escrachada de Jorge Amado

    O filme "Quincas Berro D'Água" foi produzido em 2010 e teve direção de Sérgio Machado, cineasta baiano conhecido por ter produzido o roteiro de "Madama Satã" (2002) e "Abril Despedaçado" (2001) e pela direção de "Alice" (2008) e "Cidade Baixa" (2005). Adaptação da obra literária "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água", de Jorge Amado, o filme contou com a participação de Paulo José (no papel principal, sendo Quincas Berro D'Água), Mariana Ximenes (como Vanda), Marieta Severo (Manuela) e Milton Gonçalves (Delegado Morais). Filmado inteiramente em Salvador, onde a história original se passa, "Quincas Berro D'Água" teve orçamento de US$ 6,5 milhões e bilheteria modesta nos cinemas brasileiros, com pouco mais de 170 mil ingressos vendidos. Ele ganhou dois troféus no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, no ano de 2011: melhor direção de arte e melhor figurino. O enredo deste longa-metragem aborda a vida de Joaquim Soares da Cunha, um funcionário público de Salvador, pai de família, homem íntegro, pessoa honrada e sujeito trabalhador. Ou melhor, a narrativa não é sobre a vida e sim sobre a morte dele, pois quando a história começa Joaquim acabou de falecer. Na verdade, desculpe a nova retificação, a história não é sobre a morte de Joaquim Soares da Cunha. Afinal, ao morrer, homem trabalhador, de vida regrada, convencional e passada junto à família tinha deixado de existir havia muito tempo. O falecido era mais conhecido, nos últimos anos, pelo apelido: Quincas Berro D'Água. Vivendo da bebida, da vadiagem, de pequenos biscates e do vício ao jogo, Quincas era o orgulho dos amigos e vergonha para a família. Conhecido como o "Rei dos Vagabundos", o sujeito abandonou a família para viver nas noites e nas ruas de Salvador. Assim, pensando mais um pouco, é necessário fazer mais uma correção (a última, prometo!). O enredo não é sobre a morte de Quincas e sim sobre as mortes dele. O plural faz referência ao fato do corpo do falecido ter sumido após os amigos dele o retirarem do velório para uma despedida digna: a última grande farra. Agora sim: o enredo é sobre as mortes de Quincas Berro D'Agua. A primeira aconteceu no seu quartinho pobre, após uma noite de vadiação. E a segunda ocorreu após a despedida homérica protagonizada pelos seus amigos no velório. A comédia de Sérgio Machado tem o mérito de respeitar a maior parte da narrativa de Jorge Amado. Contudo, algumas diferenças entre a produção literária e o roteiro do filme se fazem evidentes. A primeira: no filme, Quincas conta a sua história, depois de morto, utilizando-se de suas memórias. O falecido explica como foi o seu último dia de vida. No livro, também somos apresentados logo de cara a morte do personagem principal. Entretanto, não é Quincas que conta a sua própria narrativa. Essa mudança foi muito favorável ao filme. Com Quincas contando sua história em off, ficamos mais próximos do personagem, entendendo seu ponto de vista. Outra diferença: enquanto no livro a primeira morte é descoberta por uma amiga que vai visitar Quincas de seu quartinho (ele lhe prometera dar ervas), no filme o responsável pela descoberta é um amigo que vai visitá-lo (o rapaz estava intrigado porque Quincas não apareceu na noite passada na festa do seu aniversário de 72 anos). A própria idade do personagem principal é distinta nas duas obras. No livro, ele tinha 60 anos. A inserção no filme de um delegado de polícia (Delegado Morais) para investigar o desaparecimento do corpo ajudou na narrativa, tornando-a mais cômica e dando maior agilidade as cenas. Os amigos de Quincas, enquanto farreavam, precisavam fugir da polícia, protagonizando boas cenas de ação e perseguição. O desfecho de Vanda também é diferente no filme em relação ao livro. Curiosamente, gostei mais do final da história da filha do falecido no filme do que na obra escrita. Aqui, ela abandona as convenções sociais e consegue dar vazão aos seus desejos e às suas vontades. De certa forma, ela repete um pouco os passos do pai, que há muitos anos decidiu se entregar aos prazeres. Apesar de pequenas mudanças, a história retratada na tela é quase idêntica ao do livro. O humor está presente em todo momento do filme. A graça se faz mais pelos comentários do falecido do que pelos acontecimentos surreais protagonizados pelos amigos do morto (Curió, Negro Pastinha, Cabo Martim e Pé-de-Vento). Ao vermos na tela o passeio noturno dos amigos com o corpo de Quincas, na farra e na bebedeira, é impossível não se recordar do filme "Um Morto Muito Louco" (Weekend at Bernie's: 1989). Assim, a originalidade da obra de Jorge Amado, que foi um marco para a literatura brasileira, perde considerável força dramática e graça nesta adaptação ao cinema por causa da comparação com o filme norte-americano que tinha um enredo parecido. Ou seja, se em 1959 "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água" era uma história original e engraçada, fruto de um livro inovador, em 2010, "Quincas Berro D'Água" é um filme convencional e de tema batido. O filme consegue retratar a diferença entre os dois estilos de vida do personagem principal. De um lado a existência convencional, em família, onde o trabalho enobrece o homem e a imagem social define a posição que ele tem diante dos amigos. Do outro a vida marginal, onde a bebida, o sexo, a vadiagem e falta de trabalho são valorizados. Também fica nítido o preconceito de classes sociais. A família de Joaquim Soares da Cunha quer manter as aparências, respeitando a memória do falecido, desvinculando-o da imagem de Quincas Berro D'Água. Para isto, humilham e desprezam as pessoas pobres, amigas de Quinca, que resolveram visitar o velório. Vanda, filha do falecido, e Manuel, o genro do morto, encarnam a figura dos ricos metidos e sem solidariedade, preocupados apenas em manter a imagem que construíram na sociedade. Sem se preocupar com as aparências e imbuídos pelo espírito de amizade e lealdade, os quatro amigos de Quincas são retratados de maneira caricata e muito engraçada. Quincas lembra muito o personagem Vadinho, de "Dona Flor e Seus Dois Maridos". A diferença é que Berro D'Água era um senhor que abandonou a família depois de velho para viver uma vida de prazer e luxúria, enquanto Vadinho era jovem e morreu cedo enquanto aproveitava ao máximo os prazeres mundanos. "Quincas Berro D'Água" é um filme razoável. Chega a ser engraçado em algumas partes e consegue entreter o público, de maneira geral. A atuação dos atores é apenas regular. Paulo José (não é fácil interpretar um morto), Mariana Ximenes (como a vilã) e Marieta Severo (não convence no papel da espanhola Manuela), os mais experientes, não conseguiram ir além do convencional. Assim, de todas as adaptações de Jorge Amado para o cinema, esta é aquela que apresenta resultado mais fraco. Este filme não tem a força dramática e o humor surpreendente de "Dona Flor e Seus Dois Maridos", não tem a graça e o carisma da história de "Gabriela" e não consegue criticar a sociedade com tanta contundência como "Capitães da Areia". Veja o trailer de "Quincas Berro D'Água": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JorgeAmado #SérgioMachado #PauloJosé

  • Livros: O Ateneu - Adolescência em foco por Raul Pompéia

    Li, nesta semana, um dos clássicos da literatura brasileira: "O Ateneu" (Pinguin & Companhia das Letras). Publicada originalmente em folhetim pelo jornal Gazeta de Notícias, em 1888, a principal obra da carreira de Raul Pompéia foi lançada também em livro naquele mesmo ano. O pioneirismo de "O Ateneu" está no fato de ter trazido, pela primeira vez, os dramas da adolescência para a literatura nacional. A obra é autobiográfica já que seu autor recorreu às lembranças de sua juventude, passadas em um colégio interno no Rio de Janeiro, para compor o romance. Raul Pompéia seria, assim, o alter ego do protagonista. Com cerca de 320 páginas, "O Ateneu" é uma criação que mistura vários estilos literários. Ele possui elementos do Realismo, do Naturalismo, do Impressionismo e até do Expressionismo. Ou seja, trata-se de um romance único na literatura brasileira. A história deste livro é narrada em primeira pessoa pelo seu protagonista, Sérgio. Sérgio é um homem adulto que decide contar em detalhes os dois anos que passou em um famoso colégio interno da corte carioca. O Ateneu era uma instituição de ensino da metade do século XIX destinada a educar os filhos da elite do Rio de Janeiro. Comandado pelo cruel diretor Aristarco, o colégio só aceitava meninos. É no ambiente opressivo da escola interna que Sérgio morou e estudou entre os 11 e os 13 anos. O narrador relata suas angústias e seus sonhos. Recheado de maldades e de rivalidades entre os estudantes, o Ateneu é um microcosmo da sociedade da época. Ali, os estudantes aprendem rapidamente a lei do mais forte e a necessidade de fazer alianças com os estudantes mais velhos. Também aprendem a usar o sexo como moeda de troca e de favores, além de construírem uma tênue rede de relacionamentos ancorada em privilégios, injustiças e hipocrisia. O estilo deste romance de Raul Pompéia mescla a sutileza psicológica (neste sentido, parece mais com as obras Realistas) com a descrição da podridão moral das personagens (aqui, há maior semelhança com as histórias Naturalistas). Como o livro é muito descritivo e fortemente ancorado nos sentimentos e nas impressões do seu narrador, a trama se torna lenta e enfadonha. Confesso que em várias oportunidades fiquei entediado. Precisei de muita força de vontade para chegar ao desfecho da trama. Por mim, largaria a leitura antes da sua metade. Ainda bem que precisava tecer uma análise crítica sobre o livro. Isso me obrigou a seguir adiante e concluí-lo. Após retratar o cenário do livro (como é a vida no colégio interno) e apresentar as primeiras intrigas (disputas entre os estudantes), o romance se torna repetitivo e sem grandes acontecimentos. Na certa, Raul Pompéia teve uma excelente ideia em querer narrar o dia a dia na escola em que viveu na adolescência, mas faltou coragem (ou criatividade) para apresentar episódios realmente consideráveis. Ele preferiu focar sua atenção na descrição de seus colegas e de seus mestres. Ou seja, a preocupação maior do autor não estava nos fatos e nas ações e sim nas características e na moral das personagens. Por isso, a dificuldade que tive em prosseguir na leitura... O que chama mais a atenção nesta história é a descoberta brutal da sexualidade pelos estudantes. Os alunos mais novos, menores e mais fracos são alvo da investida lasciva dos alunos mais velhos, maiores e mais fortes. Trata-se da lei da selva: os mais adaptados ao ambiente sobrevivem. Neste cenário de crueldade, a única forma dos alunos desfavorecidos serem poupados das ameaças e das violências é formando alianças com os estudantes que "comandam" o colégio. Em troca da oferta de proteção e de amparo, os mais velhos, os maiores e os mais fortes exigem favores sexuais dos seus protegidos. É o que chamamos atualmente de amizade colorida. Alguns meninos assumem o papel de machos dominadores e outros de fêmeas dominadas. É por isso que em seus primeiros dias no Ateneu, Sérgio é aconselhado por Rebelo, um dos seus colegas: "Faça-se forte aqui, faça-se homem. Os fracos perdem-se (...). Os rapazes tímidos, ingênuos, sem sangue, são brandamente impelidos para o sexo da fraqueza; são dominados, festejados, pervertidos como meninas ao desamparo (...). Faça-se homem, meu amigo! Comece por não admitir protetores". Os medos e as fraquezas de Sérgio, entretanto, são superiores a sua dignidade. Acovardado, ele aceita a proteção de Sanches, que logo irá exigir a retribuição pela amizade. Compreendendo a dinâmica social do lugar, Sérgio mais tarde faz amizade com Bento Alves, um rapaz forte e corajoso. Outra vez, o protagonista assume o papel de mais fraco e de sexo frágil na relação. A nova amizade mais parece um namoro infantil do que uma relação igualitária entre dois amigos do mesmo sexo. Assim, a homossexualidade permeia quase todos os relacionamentos entre os alunos. O único momento em que Sérgio e os demais alunos assumem uma postura heterossexual é quando contemplam platonicamente a filha e a esposa do diretor do colégio. A beleza das duas toma conta do imaginário da garotada. Elas são as musas do colégio. Enquanto a maioria dos estudantes é apaixonada pela filha de Aristarco, Sérgio prefere a esposa do diretor. Ele a enxerga como uma mistura de mãe zelosa e de mulher sensual, sofrendo, assim, do Complexo de Édipo. Sinceramente, não gostei de "O Ateneu". Espera um romance mais movimento e com maior quantidade de ações dramáticas. Não é isso o que ele nos proporciona. A sensação é que as 320 páginas poderiam ser resumidas, sem perda de conteúdo, em meras 30 páginas. O restante é enrolação ou descrições chatas de cenários, situações irrelevantes ou de sentimentos banais do protagonista. Se eu fosse você, não perderia meu tempo com esta leitura. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #RaulPompéia #LiteraturaClássica #LiteraturaBrasileira #Romance #Drama

  • Filmes: Gabriela - A sedutora criação de Jorge Amado

    “Gabriela" é um dos filmes produzidos por Bruno Barreto, cineasta que ficou conhecido pela direção de "O Que é Isso, Companheiro", produção nacional indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1997, e "Dona Flor e Seus Dois Maridos", de 1976, a segunda maior bilheteria da história do cinema brasileiro. Baseado na obra "Gabriela, Cravo e Canela" de Jorge Amado, este longa-metragem foi produzido em 1983 e filmado na cidade fluminense de Paraty. Sônia Braga e Marcello Mastroianni interpretam Gabriela da Silva e Nacib al Saad. E Antônio Cantafora, Paulo Goulart, Jofre Soares e Flávio Galvão são, respectivamente, Tonico Bastos, João Fulgêncio, Coronel Ramiro Bastos e Mundinho Falcão. Diferentemente do que aconteceu com o filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos", que seguiu estritamente a narrativa do livro homônimo, "Gabriela" teve algumas alterações em relação à obra da qual foi inspirada. Primeiramente, o início do filme é distinto ao do livro. Logo de cara conhecemos Gabriela (algo que no livro demora um pouco para acontecer). Ela é uma imigrante do Sertão nordestino. Ela foge da grande seca que se abateu na região, indo para o Sul da Bahia. O destino é Ilhéus, região próspera, de cultivo de cacau. A região também é conhecida pelos seus coronéis e pelas disputas sangrentas perpetuadas à bala. Chegando à cidade, Gabriela conhece Nacib al Saad, turco dono de um movimento bar chamado Vesúvio. O local é ponto de encontro dos importantes homens de Ilhéus e de debate sobre os acontecimentos do município. O gringo está a procura de uma cozinheira e contrata Gabriela. A moça, que possui o dom da culinária, rapidamente conquista o coração do turco. Além de cuidar da cozinha do restaurante com grande êxito, a moça também cuida da casa do patrão e vira a sua amante. Enquanto a história de Nacib e Gabriela se sucede, tomamos conhecimento dos bastidores da política local. O jovem e rico Mundinho Falcão é o forasteiro, vindo do Rio de Janeiro. Ele traz o progresso para a cidade com seus vários empreendimentos (novas agências bancárias, empresa de ônibus, jornal diário, construção de avenida na praia e, principalmente, a contratação de um engenheiro para reformar a barra da cidade), provocando muitas mudanças na cidade. Coronel Ramiro Bastos é o representante do poder local e é quem mais se sente incomodado com a atuação do jovem empresário. Mundinho e o Coronel Ramiro começam a disputar o poder político de Ilhéus. O povo se divide na hora da eleição, entre o político conservador, que já fez muito pela cidade, e o político moderno, que promete fazer muito pela região. A disputa entre Mundinho e o Coronel Ramiro provoca brigas, intrigas e grande instabilidade na cidade. Como esta história de Jorge Amado possui muitos personagens e muitos acontecimentos, o filme, obviamente, optou por priorizar apenas alguns. Mesmo assim, ainda temos muitos episódios sendo narrados e vários personagens sendo retratados, o que confere uma grande agilidade à narrativa do longa-metragem. A impressão que se tem é que sempre está acontecendo alguma coisa importante. Quase sempre são fatos sociais e familiares envolvendo as personalidades mais conhecidas de Ilhéus, em uma mistura de fofocas, intrigas e polêmicas, normalmente envolvendo casos de amor e traição. Quando as questões não se relacionam aos assuntos do coração, são brigas políticas. Tudo isso é discutido sem cerimônias nas mesas do bar Vesúvio. Sônia Braga está impecável como Gabriela. A graça, a sensualidade, a inocência e a simplicidade da personagem são muito bem retratadas pela atriz. A escolha de Marcello Mastroianni para representar Nacib al Saad, por sua vez, foi um tanto equivocada. Apesar do grande ator italiano conferir maior importância a esta produção com a sua presença, é difícil acreditar que ela seja um árabe turco. Sua figura e seu sotaque são mais representativos de um europeu. Assim, não combinou a imagem do ator com a imagem do personagem Nacib. Para tentar atenuar um pouco esta questão, em determinada passagem do filme, o proprietário do bar Vesúvio afirma não ser turco e sim italiano. Mas como?! Onde isto aparece na obra de Jorge Amado? Além disso, como é possível confundir um turco com um italiano? Se Nacib al Saad é italiano por que todos os tratam como turco?! Estranho. A emenda saiu pior que o soneto. A trilha sonora é muito boa. Temos músicas personalizadas com a temática sobre Gabriela cantadas nas vozes de Gal Costa e Tom Jobim. Destaques para "Modinha para Gabriela" e "Tema de Amor de Gabriela". Melhor que isto, impossível! A sensualidade e o erotismo, marcas de Jorge Amado, estão presentes no filme. Gabriela é filmada completamente nua várias vezes. Quando vestida, suas roupas são decotadas, sensuais e com pouco pano. Ela encanta os fregueses do bar de Nacib quando anda por entre as mesas distribuindo os quitutes feitos por ela. Cortejada pelos coronéis da cidade, que lhes prometem um mundo de riqueza, Gabriela prefere continuar vivendo sua vida simples ao lado do turco. Os problemas surgem quando Gabriela e Nacib se casam. O peso das convenções sociais afeta as relações entre os dois. Esta é a questão principal tanto do livro quanto do filme. Entretanto, no filme não é possível abordar com grande profundidade esta questão. Outro ponto negativo é o corte brusco das cenas. Muitas vezes, mal acaba uma cena e outra se inicia imediatamente. A rapidez entre a transição das cenas confere grande agilidade ao filme, mas também transmite a sensação de falta de cuidado e acabamento da produção. O filme também não consegue retratar a complexidade e a riqueza da personagem Gabriela. Ela tem um coração puro e não tem preconceitos sexuais. No livro de Jorge Amado, ela tem vários parceiros sexuais. No filme, a moça é mais contida e menos liberal. Aqui, ela não tem quase nenhum parceiro, além do marido. A exceção é Tonico, o amante e melhor amigo do marido. Ou seja, na produção cinematográfica, ela é retratada apenas como uma moça com alma infantil, mas não como uma mulher madura sexualmente e moderna em relação aos seus hábitos sexuais. Desta forma, fica um pouco estranha a descoberta da infidelidade de Gabriela, algo que no livro é encarada de forma natural (já esperada). Assim, a Gabriela de Bruno Barreto não é a mesma de Jorge Amado. "Gabriela" é um bom filme. Seus principais méritos e seus maiores defeitos são frutos da complexidade da obra de Jorge Amado. Não é fácil reproduzir as várias histórias paralelas, as dezenas de personagens e os inúmeros acontecimentos da Ilhéus de Jorge Amado em uma obra de pouco mais de uma hora e meia de duração. A concorrência com a telenovela da Rede Globo, filmada em 1976, também não ajudou o filme. A novela foi um sucesso de crítica e de público. De certa forma, ao assistir ao longa-metragem sete anos mais tarde, muita gente fez comparações. A escalação de Sônia Braga para o mesmo papel nas duas produções (ela participou tanto no filme quanto na telenovela) alimentava ainda mais as comparações entre as obras. Veja um trecho de "Gabriela": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JorgeAmado #BrunoBarreto #SôniaBraga #MarcelloMastroianni

  • Especial: Cinema de Jorge Amado - Apresentação da série

    Infelizmente, vivemos em um país que pouca atenção dá para a literatura. A maioria dos brasileiros lê poucas obras, quando as lê. Há um vasto contingente de pessoas que nem sequer lê um livro por ano. Neste cenário de completa aridez literária, como explicar a popularidade e o sucesso de Jorge Amado? O que o escritor baiano fez para conseguir se tornar conhecido e inserir suas histórias na cultura popular brasileira? Apesar de seus livros serem excelentes, o que permitiu a Jorge se tornar tão conhecido em seu país de origem foram as adaptações de suas obras para o cinema e, principalmente, para a televisão. Se não houvesse esta migração das tramas das páginas dos livros para as telas, muito possivelmente a popularidade do escritor não seria tão alta como é ainda hoje. Para se ter uma ideia do quanto as comparações entre as duas formas de narrativa (impressa e eletrônica) são discrepantes, veja esses dados: enquanto o filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos" foi visto por mais de 10 milhões de pessoas no cinema somente no Brasil, em todo o mundo (incluindo nosso país) a vendagem de livros de Jorge Amado não alcançou essa marca. Ou seja, mais pessoas no Brasil viram uma história do escritor baiano transformada em filme do que o autor teve em vendagem de livros (considerando-se todas as suas obras) no mundo todo. Esta análise foi feita comparando literatura com cinema. Se fossemos analisar o alcance das telenovelas e minisséries televisivas, principalmente as produzidas pela Rede Globo, o alcance das histórias de Amado na população brasileira se multiplicaria exponencialmente. Por isso é importante analisarmos também o cinema para compreender a importância das narrativas de Jorge Amado na cultura popular brasileira. Assim, vou utilizar esse mês de abril para assistir aos filmes com as histórias do escritor baiano. O objetivo é construir um cenário mais completo da obra de Amado (para quem se recorda, no ano passado li as cinco principais obras do baiano). Três dos filmes analisados foram gravados nas décadas de 1970 e 1980: "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976), "Tenda dos Milagres" (1977), "Gabriela" (1983). Recentemente novas obras foram filmadas: "Quincas Berro D'Água" (2010) e "Capitães da Areia" (2011). É em relação a estas cinco produções cinematográficas que me proponho a analisar neste mês no Blog Bonas Histórias. A programação de posts dos filmes de Jorge Amado é a seguinte: "Gabriela" - Post em 5 de abril de 2016 "Quincas Berro D'Água" - Post em 11 de abril de 2016 "Capitães da Areia" - Post em 15 de abril de 2016 "Dona Flor e Seus Dois Maridos" - Post em 21 de abril de 2016 "Tenda dos Milagres" - Post em 25 de abril de 2016 Não perca esse Especial do Cinema de Jorge Amado que será apresentado neste mês no Bonas Histórias. Bom filmes a todos! Que tal este post e o conteúdo do Blog Bonas Histórias? Aproveite e deixe seu comentário. E não se esqueça de curtir a página do blog no Facebook. #JorgeAmado #Cinema #CinemaBrasileiro

  • Livros: A Outra Volta do Parafuso – O clássico de suspense de Henry James

    Neste final de semana, reli um clássico do suspense. “A Outra Volta do Parafuso” (Penguin Companhia) é um dos livros mais famosos de Henry James, escritor realista nascido em Nova York, em 1843, e que viveu a maior parte da vida na Inglaterra, país em que se naturalizou após o início da Primeira Guerra Mundial. Estudioso das narrativas literárias, James foi um dos principais críticos literários da língua inglesa, além de ter sido um escritor ficcional extremamente inovador. Vale lembrar que foi ele quem inventou o recurso do flashback na literatura e quem melhor aprimorou a narração indireta. Nada mal, hein? Os romances mais conhecidos de Henry James são “Pelos Olhos de Maisie” (Penguin Companhia), de 1896, e “Retrato de uma Senhora” (Companhia de Bolso), de 1881, além do próprio “A Outra Volta do Parafuso”, publicação de 1898. Curiosamente, essas três obras integram as duas primeiras fases dos trabalhos ficcionais do autor, desenvolvidas já em Londres, cidade onde ele fixou residência em 1876. Entretanto, James não produziu apenas romances. Ele criou narrativas curtas, peças teatrais, ensaios sobre viagens, obras biográficas e trabalhos sobre a teoria literária. Não é errado afirmarmos que Henry James foi um dos escritores mais completos na virada do século XIX para o século XX. O que torna “A Outra Volta do Parafuso” tão especial é que esta história influenciou (e, acredite, ainda influencia) sensivelmente a produção das histórias de terror nos últimos 120 anos. Não existiria, por exemplo, Stephen King, William Peter Blatty, David Seltzer, Ira Levin, Richard Matheson e H. P. Lovecraft sem o trabalho de Henry James. Não podemos falar de livros e de filmes de suspense hoje em dia sem recordarmos o que o norte-americano naturalizado inglês fez no final do século XIX. Boa parte dos recursos considerados atualmente como convencionais em uma trama assustadora estão presentes em “A Outra Volta do Parafuso”. Não falei que James foi um escritor inovador e talentosíssimo?! O livro nasceu a partir de uma encomenda feita por uma revista literária ao romancista norte-americano. O veículo de imprensa queria distribuir aos seus leitores uma história que se passasse no período de Natal e que comovesse seu público de uma maneira diferente. Henry James lembrou-se, então, de uma narrativa horripilante ouvida há alguns anos na casa do bispo de Canterbury. O religioso contou a história de duas crianças perseguidas por fantasmas na casa de campo da família. A partir desse enredo, James, com sua maestria, construiu uma trama recheada de surpresas e perigos. “A Outra Volta do Parafuso” começa com um pequeno prefácio. Um grupo de amigos está reunido ao redor do fogo em uma casa de campo. É época de Natal e não há muito o que se possa fazer ali. Por isso, eles começam a contar histórias de terror. Uma das mais marcantes é do fantasma de Griffin, que assusta uma inocente criança. As narrativas despertam as lembranças de Douglas, um dos visitantes mais introspectivos do grupo. Ele diz que as histórias ouvidas ali não são nada perto de uma que ele conheceu, essa sim verdadeiramente assustadora. Curiosos, os amigos pedem, então, que ele conte sua terrível história. Porém, Douglas diz preferir outra alternativa. Ele diz ter essa trama registrada em um manuscrito produzido pela própria protagonista, a antiga preceptora de sua irmã mais nova. A história foi escrita há muito tempo, logo depois do primeiro trabalho da preceptora, então uma jovem de apenas vinte anos de idade e sem muita experiência de vida. De tão impressionado que ficou com o que leu, o rapaz achou melhor trancar aquelas folhas em uma gaveta em seu quarto. Agora, depois de muitos anos, ele quer enviar uma carta para um funcionário seu trazer o material para ser lido. Se todos concordarem em aguardar mais alguns dias, Douglas promete ler a história para os amigos em primeira-mão. A curiosidade é tamanha que muitos dos visitantes da casa de campo adiam o retorno das férias apenas para ouvir a trama diabólica do tímido amigo. Na primeira noite após a chegada do manuscrito, Douglas cumpre a promessa e inicia a leitura do material. Aí, começa efetivamente o enredo de “A Outra Volta do Parafuso”. O narrador passa a ser a jovem preceptora e os capítulos da obra são numerados normalmente. A sensação é que o leitor está ao lado de Douglas na sala da casa de campo ouvindo sua leitura, um relato em flashback da protagonista (a nova narradora) da trama. A moça não tem seu nome revelado em nenhum momento da obra. Esse recurso aumenta ainda mais o mistério sobre a narrativa. Em seu relato em primeira pessoa, conhecemos a jovem recém-chegada de uma pequena localidade de Hampshise. A moça atende a um anúncio de emprego em Londres. Ela vai até a mansão de Harley Street, onde um charmoso cavalheiro lhe faz o convite para ser a preceptora de duas crianças, Miles e Flora. A dupla é sobrinha do milionário. Os pais de Miles e Flora morreram e, agora, o tio é o único parente vivo dos meninos. Sem paciência e tempo para cuidar da educação das crianças (na verdade, o tio é um bon vivant, interessado apenas em usufruir da sua beleza e de sua fortuna), ele quer que a jovem cuide de todos os aspectos da vida dos pequenos. Para isso, ele a enviará para a casa de campo em Bly, um lugar seguro e saudável no interior do país onde Miles e Flora vivem tranquilamente. Na casa, trabalha Mrs. Grose, uma empregada antiga e leal. Segundo o empregador, a moça terá total autonomia para fazer o que acredita ser o correto, porém em hipótese nenhuma deve entrar em contato com o tio dos meninos. Ele não quer ser importunado em hipótese nenhuma com questões relativas aos sobrinhos e ao trabalho da preceptora. Essa é a única condição que ele exige da nova funcionária: não ser incomodado com nada. Empolgada com o alto salário oferecido para o cargo, a narradora segue para seu trabalho em Bly. Logo de cara, ela fica encantada com a magia do lugar e a meiguice dos meninos. Miles e Flora são as crianças ideais. Inteligentes, obedientes e carinhosas, elas recebem muito bem a nova preceptora. Contudo, à medida que vai conhecendo a casa em Bly, a moça descobre os segredos terríveis do lugar. A morada da família é visitada por dois fantasmas. A dupla sobrenatural é composta por antigos funcionários do local. Peter Quint, o antigo mordomo, e Srta. Jessel, a preceptora anterior das crianças, parecem habitar a casa e possuir desejos malignos em relação a Miles e Flora. A jovem narradora da história se desespera em tentar proteger a inocência das crianças para um mal tão terrível como aquele. Sem poder entrar em contato com o tio dos meninos, a moça terá que resolver a questão sozinha. Ela terá no máximo a ajuda da Srta. Grose, que apesar de medrosa é uma companheira honesta e bem-intencionada. “A Outra Volta do Parafuso” é um romance pequeno se pensarmos no tamanho de sua narrativa. São apenas 200 páginas. Por pouco, ele não poderia ser classificado como uma novela. Sua leitura é bem rápida. É possível concluir a obra integralmente em duas tardes ou, no mais tardar, em três noites. A primeira coisa que chama à atenção do leitor neste romance de Henry James é a quantidade de elementos típicos das tramas de terror que esta história possui. Em outras palavras, este livro é recheado de clichês. Repare: um grupo de amigos que fica em volta do fogo contando histórias assustadoras à noite; uma casa isolada no interior do país que possui um segredo sinistro; fantasmas que assustam crianças inocentes; e uma jovem corajosa disposta a enfrentar sozinha entidades sobrenaturais. Confesse que você já viu esses recursos narrativos em vários livros e filmes de terror! Para ser franco, há muitas obras atuais que reúnem não apenas um ou vários desses elementos, mas todos eles. Paradoxalmente, essa constatação só prova a excelência da literatura de James. “A Outra Volta do Parafuso” foi escrito no finalzinho do século XIX. Ou seja, se sua trama parece tão moderna aos olhos do leitor contemporâneo, trata-se de um dos principais méritos de seu escritor. Ele não tem culpa que os roteiristas e romancistas das últimas doze décadas não evoluíram muito, repetindo descaradamente suas fórmulas até hoje. Outro ponto elogiável é a quantidade de reviravoltas que esta história tem. O tempo inteiro, Henry James acrescenta algo novo e surpreendente à trama, prendendo à atenção do leitor. Este é aquele tipo de livro que basta ler as primeiras páginas para você ficar grudado nele. Gostei também da forma como o romance foi contado. Escrito em primeira pessoa, temos contato com a visão e, principalmente, as opiniões da narradora, a jovem preceptora das crianças. Em muitos momentos, ficamos em dúvida se ela está realmente certa em suas análises. A questão que intriga o leitor mais atento é: o que a protagonista está nos descrevendo possui um fundo de verdade ou será que ela enlouqueceu e está divagando? Adorei esta dúvida que permeia o conflito da metade para o final do livro. Repare também no espetacular desfecho do romance. Se muitas histórias de terror atuais pecam em seu final, “A Outra Volta do Parafuso” dá uma aula de como uma narrativa deve ser concluída. Talvez os escritores e roteiristas de hoje não tenham aprendido tudo o que deveriam com Henry James. A literatura do norte-americano naturalizado inglês continua sendo um primor para os olhos dos bons leitores. Adorei ter relido esta obra. Confesso que agora estou curioso para mergulhar na leitura de “Pelos Olhos de Maisie”, considerado por muitos críticos literários como a obra-prima de James. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #HenryJames #LiteraturaNorteAmericana #LiteraturaInglesa #LiteraturaClássica #Romance #Suspense

  • Filmes: Ovelha Negra - O drama dos criadores de ovelhas da Islândia

    Ontem, no Reserva Cultural, assisti ao filme islandês "Ovelha Negra" (Hrútar: 2015). O roteiro e a direção ficaram a cargo de Grímur Hákonarson, um jovem cineasta especializado em documentários e em curtas-metragens. A estreia de Hákonarson nos longas-metragens ocorreu no ano passado justamente com esta produção. "Ovelha Negra" foi um dos destaques do Festival de Cannes de 2015. Esta história aborda a relação tumultuada entre dois irmãos fazendeiros que não se falam há 40 anos, apesar de morarem um ao lado do outro. Gummi (interpretado por Sigurour Sigurjónsson) e Kiddi (Theodór Júlíusson) criam ovelhas na Islândia, país conhecido por possuir mais destes animais do que pessoas. A veneração dos islandeses por suas criações beira o fanatismo. Vivendo no interior do país e morando sozinhos em suas propriedades, Gummi e Kiddi não têm muito que fazer em suas fazendas. Eles levam uma vida de trabalho pesado e de pouca diversão. Os únicos momentos de carinho e ternura dos dois são direcionados aos seus bichos. Além de se odiarem, os irmãos desprezam-se mutuamente. Devido à vida bucólica e desinteressante, a principal época do ano para os fazendeiros é o concurso que seleciona a melhor ovelha da cidade. Este é o grande evento social do lugar no ano. Por isso, a empolgação de Gummi e Kiddi em participar da premiação. O segundo lugar de Gummi se torna uma derrota para ele quando o vitorioso é revelado: a ovelha negra (daí o nome do filme) do seu irmão. Gummi inicia aí a investigação do animal campeão e suspeita que o bicho tem scrapie, uma doença incurável e contagiosa. Ao saber que o irmão está por trás das suspeitas da sua ovelha, Kiddi fica revoltado, ameaçando o irmão. A relação que já não era boa entre eles se torna péssima. Para desespero dos criadores locais, os veterinários da cidade apontam que a ovelha negra de Kiddi tem realmente scrapie. Com isso, todos os fazendeiros precisam exterminar seus animais para que a doença não se alastre para fora dos limites da cidade. O drama dos criadores irá acabar unindo os irmãos, apesar das diferenças e dos rancores do passado. "Ovelha Negra" é um filme parado e monótono, como a vida de seus protagonistas. Se a paisagem é deslumbrante, o longa-metragem carece de diálogos e de ação. O drama dos irmãos é comovente, mas muito cansativo e pouco explicativo. Acho que cochilei três vezes na sala de cinema. Se houve uma explicação para o porquê da briga entre eles, sinceramente não vi (devia estar dormindo). Também não entendi a classificação que esta produção recebeu: drama e comédia. Tudo bem chamar este enredo de drama, mas onde é que viram alguma cena ou passagem engraçada neste filme?! Comédia?! Esta classificação é talvez o elemento mais divertido do filme. O final é surpreendente. O desfecho aberto pode incomodar quem prefira saber exatamente como a história termina, mas irá agradar quem goste de interpretação poética, dúbia e fragmentada. "Ovelha Negra" é um filme razoável (fui muito bonzinho agora, pois quase escrevi fraco). Não entendi o porquê da grande recepção que ele teve em Cannes. Este é daqueles filmes que esquecemos em menos de uma semana depois de tê-lo visto. Acho que poderia ter gastado meu dinheiro com o ingresso de outro filme. Veja o trailer de "Ovelha Negra": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #GrímurHákonarson

  • Livros: Carreira Sustentável - Profissionais com Inteligência Mercadológica

    Um conceito interessante que li no livro de José Augusto Minarelli chamado "Carreira Sustentável" (Editora Gente) é o da Inteligência Mercadológico. Inteligência Mercadológica, para o autor, é a habilidade do indivíduo de perceber e de atender às necessidades e aos desejos do mercado consumidor extraindo vantagens financeiras deste processo. A partir da identificação das vontades das pessoas e das empresas é possível desenvolver serviços profissionais que resolvam os problemas dos outros. Assim, aproveitam-se as oportunidades de negócios existentes para gerar faturamento. Em outras palavras, Inteligência Mercadológica é quando a pessoa tem consciência dos "verdadeiros" conceitos de Marketing e os utiliza no dia a dia para fechar mais negócios. Um profissional com este tipo de habilidade consegue se destacar no mercado de trabalho por promover trocas satisfatórias com seus clientes. Ele está mais integrado aos demais agentes do mercado e consegue trafegar com mais facilidade nas diferentes relações comerciais estabelecidas neste ambiente. Ele percebe oportunidades, promove soluções e acompanha atentamente a evolução da demanda. Também fica com sua marca (seu nome) em evidência, criando uma fama e uma reputação positiva para si. O esforço para promover-se e para comunicar seus produtos é digno de nota. Todo local, todo encontro, todo interlocutor e todo instante são ideais para se realizar a divulgação da sua marca e dos serviços prestados. Esta pessoa se faz conhecida e lembrada pelos clientes. Ela sabe vender ideias e produtos, se destacando como um bom vendedor dos seus próprios serviços profissionais. De tão segura de si e ciente da importância da prestação dos seus serviços, ela não tem vergonha de oferecer sua mão de obra para o mercado. E sabe cobrar adequadamente pelo que é ofertado. Além disso, este profissional fica de olho, o tempo inteiro, nos fatores que lhe garantem sua permanência e sua boa posição no mercado. Mede constantemente a satisfação dos clientes e se esforça para agradar cada vez mais sua clientela. A capacidade de utilizar os conceitos mercadológicos é considerada um tipo de inteligência pessoal segundo uma extensão, aqui proposta, das múltiplas inteligências desenvolvidas por Daniel Goleman. Daniel Goleman é um psicólogo formado pela Universidade de Harvard que desenvolveu, na década de 1980, o conceito da Inteligência Emocional. De acordo com esta teoria, as pessoas possuem vários tipos de inteligência (inteligências múltiplas) e cada um deles proporciona uma determina habilidade para o indivíduo. Esta concepção veio atualizar a proposta anterior de que a inteligência de uma pessoa era medida exclusivamente pelo raciocínio lógico e pelas habilidades matemáticas e espaciais. O professor Howard Gardner complementou a teoria de Goleman, estabelecendo os sete centros (ou tipos) de inteligência: Linguística (capacidade de ler, escrever e de se comunicar através de palavras), Lógica ou Matemática (capacidade de fazer contas e de raciocinar), Musical (capacidade de perceber o ritmo, o som e a melodia), Visual ou Espacial (controle da noção de espaço, volume e perspectiva), Sinestésica (domínio sobre os sentidos do próprio corpo), Interpessoal (estabelecer e manter relacionamentos entre as pessoas) e Intrapessoal (capacidade de conhecer a si mesmo, suas emoções e pensamentos). Assim, o conhecimento de uma pessoa e sua capacidade intelectual não estão limitados ao raciocínio lógico e as habilidades matemáticas e espaciais (calculados pelo famoso teste de Q.I. - Quociente de Inteligência). A Inteligência do ser humano está dividida em várias categorias distintas, sendo bem variada. Pelé, por exemplo, o melhor jogador de futebol de todos os tempos, tinha grande Inteligência Visual/Espacial. Ele tinha total controle dos seus movimentos e conseguia ter a exata noção de espaço, de volume e de perspectiva do campo de jogo. Ele fazia gols, driblava e dava passes geniais com grande facilidade. O que ele fazia naturalmente dentro das quatro linhas, os demais jogadores tinham (e têm) muita dificuldade para realizar. Entretanto, Édson Arantes do Nascimento não tinha (tem) habilidade musical. Cantar nunca foi a sua grande virtude. Quem teve grande Inteligência Musical foi Mozart, compositor que conseguiu criar e tocar músicas de forma primorosa. Com apenas cinco anos de idade, o austríaco já compunha e se apresentava para as principais realezas europeias do século XVIII, encantando a todos com suas melodias e o seu talento precoce. Porém, Wolfgand Amadeus Mozart não tinha uma capacidade interpessoal muito desenvolvida. Ele tinha sérias dificuldades para se relacionar com as pessoas a sua volta. Quem teve vasta Inteligência Interpessoal foi o primeiro ministro inglês Winston Churchill. Ele sabia se comunicar e negociar com grande desenvoltura. Apesar das situações complexas e críticas nas quais esteve envolvido, principalmente durante a Segunda Guerra Mundial, ele se saía muito bem quando precisava interagir com outros indivíduos. Contudo, Winston Churchill não tinha uma Inteligência Lógico/Matemática muito desenvolvida. Quem teve esse tipo de habilidade foi Isaac Newton. O físico, que viveu entre os séculos XVII e XVIII, revolucionou a ciência com suas teorias. Sua principal obra, Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, descreve a lei da gravitação universal e explica as "Três Leis de Newton", base para a mecânica clássica. É possível perceber, com estes exemplos, como cada uma das personalidades relacionadas acima conseguiu se destacar no campo em que tinha habilidade natural e grande inteligência específica, apesar das limitações nos outros campos. O que Goleman e Gardner se esqueceram de incluir em sua teoria foi a Inteligência Mercadológica. Assim como um jogador de futebol precisa da Inteligência Visual/Espacial, assim como um músico precisa da Inteligência Musical, um político precisa da Inteligência Interpessoal e um físico precisa da Inteligência Lógico/Matemática, um profissional inserido no mercado de trabalho precisa da Inteligência Mercadológica para crescer e prosperar. A Inteligência Mercadológica pode ser comparada a um software mental que o profissional carrega o tempo todo com ele. É através deste software que ele enxerga o mundo a sua volta, analisa as situações do ambiente externo, se relaciona com as pessoas e toma suas decisões. Na ausência da competência mercadológica, a pessoa acaba não conseguindo identificar a sua volta uma extensa gama de oportunidades que poderia render-lhe trabalho e remuneração. Por outro lado, quando o indivíduo possui esse componente aflorado dentro de si, ele se torna um empreendedor, transformando-se em proprietário de empresas de prestação de serviço ou de produtoras de bens de consumo. Normalmente, ele acaba contratando para trabalhar com ele as pessoas sem Inteligência Mercadológica, para atuarem em tarefas operacionais e ligadas à execução dos processos. Existem graus variados de Inteligência Mercadológica. Há profissionais com baixo nível, outros com nível intermediário e alguns com elevado patamar de competência em Marketing. Infelizmente, a maioria das pessoas, em nossa sociedade, possui baixíssimo grau deste tipo de inteligência. Elas estão mais preocupadas em atender às suas próprias necessidades e em satisfazer aos seus próprios desejos do que se voltar para entender as vontades dos outros. Essas pessoas não veem o trabalho como um ato de servir. Não conseguem olhar para o mercado de trabalho como um local com potencial de obter negócios rentáveis e duradouros. Elas vão atrás apenas das vagas formais de emprego, se esquecendo da infinidade de trabalhos e de remunerações que existem no mercado. A ausência ou o baixo grau de Inteligência Mercadológica não quer dizer que estes profissionais não tenham desenvolvido os outros tipos de competências apontados por Goleman e Gardner. É comum encontrarmos pessoas com elevadíssimo nível de Inteligência Linguística, Lógico/Matemática, Musical, Visual/Espacial, Sinestésica, Interpessoal ou Intrapessoal, mas com limitações no Marketing. E aí está o elemento chave que impede ou atrapalha a ascensão profissional destes indivíduos. Sem o conhecimento e o uso dos conceitos de Marketing, fica difícil a conquista de clientes e o progresso do negócio próprio, seja a venda dos serviços profissionalizantes ou a viabilização de um empreendimento comercial. Para desenvolver a Inteligência Mercadológica, José Augusto Minarelli afirma que o profissional precisa mudar seu modelo mental. Por isso, na maioria das vezes, não é fácil efetuar esse aprendizado. O aprendizado mais complexo e difícil para o ser humano é aquele ligado aos hábitos e à concepção do mundo que o indivíduo carrega dentro de si. Apesar disso, desenvolver a Inteligência Mercadológica vale a pena. Ela traz benefícios reais para quem a assimila e, principalmente, para quem a aplica no dia a dia: diferencia os profissionais aos olhos dos clientes, garante longevidade ao exercício da profissão ou na administração do empreendimento comercial, melhora o relacionamento com os consumidores, eleva a satisfação dos compradores e propicia uma quantidade maior de vendas e de negócios gerados. Para os profissionais experientes, a Inteligência Mercadológica representa sobrevivência e perenidade na carreira. Para os novatos, é fator que facilita o ingresso ao mercado de trabalho, tanto como empregado quanto como prestador de serviços. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #JoséAugustoMinarelli #Negócios #LiteraturaBrasileira #LiteraturaContemporânea

  • Livros: Blogs do Além – O humor inteligente de Vitor Knijnik

    Reli, neste final de semana, “Blogs do Além” (Realejo), o bem-humorado livro de Vitor Knijnik com pseudo crônicas de importantes personalidades nacionais e internacionais. Eu li esta obra pela primeira vez em 2011, quando ela foi lançada. Na época, eu era tão fã da coluna “Blogs do Além” que Knijnik mantinha na revista Carta Capital que saí correndo pela cidade para comprar o livro assim que soube de sua publicação. Toda semana, eu começava a leitura da revista de Mino Carta pelas páginas da seção de Vitor Knijnik. Achava a proposta do colunista simplesmente genial e seu texto magnífico. Agora, reli esse livro para poder comentá-lo aqui no Blog Bonas Histórias. A coluna “Blogs do Além” consistia em divulgar páginas fictícias de grandes personalidades mortas como se elas pudessem conversar conosco sobre questões atuais e históricas. Assim, tínhamos textos psicografados (em primeira pessoa) de Jean-Paul Sartre, Ayrton Senna, Agatha Christie, Gandhi, Barão do Rio Branco, Platão, John Lennon, Simone de Beauvoir, Sigmund Freud, Luís Vaz de Camões, Napoleão Bonaparte, Lady Di, Yuri Gagarin, Charles Miller, Mao Tsé-tung, Carmen Miranda, Charlie Chaplin, Coco Chanel, etc. Obviamente, Vitor Knijnik se passava por essas figuras, relatando seus depoimentos de maneira muito engraçada. Em muitas oportunidades, chorei de rir lendo sua coluna. O livro “Blogs do Além” é uma compilação de 99 colunas publicadas por Knijnik na Carta Capital entre 2008 e 2010. Esta é a primeira obra literária do autor. Vitor Knijnik é gaúcho e trabalha como publicitário na cidade de São Paulo, sendo atualmente sócio de uma agência de publicidade. A coluna “Blogs do Além” conquistou, em 2010, o Prêmio do Júri do The Bobs na categoria The Best of Blog. Ou seja, foi eleito o melhor blog de humor do mundo pela Deutsch Welle, uma das maiores empresas de mídia da Alemanha. Nada mal, hein?! A graça do livro “Blogs do Além” começa com as misturas inusitadas feitas por seu autor, sempre com muita inteligência e sarcasmo. A brincadeira aqui está em trazer de volta grandes personalidades póstumas como se elas ainda pudessem se manifestar diretamente com o público leitor através de blogs. Como o próprio Knijnik escreve ironicamente no prefácio desta obra, ele tem a capacidade de psicografar essas personalidades sempre em português, uma espécie de idioma universal dos grandes nomes da humanidade. Hilário! Para achar graça nos textos de Knijnik é preciso, antes de qualquer coisa, repertório. Cada linha dos blogs dessas personalidades já falecidas faz referência a passagens históricas e conceituais de seus autores. Não vá querer achar graça nos relatos de Simone de Beauvoir, por exemplo, se você não conhecer a relação dela com Jean-Paul Sartre. Não espere rir do texto de Charles Muller se você não souber a realidade atual do futebol brasileiro. E não imagine também soltar gargalhadas do blog do PC Farias se você não se lembrar de quem ele foi, o que fez e, principalmente, como morreu. Grande parte do humor do livro está ligado à capacidade do leitor em relacionar aspectos do passado e do presente. Um dos elementos mais interessantes do trabalho de Vitor Knijnik está em misturar, o tempo inteiro, a chamada “alta cultura” com a cultura popular. Assim, temos filósofos gregos falando sobre as letras de pagodes brasileiros, esportistas do passado comentando piadas contemporâneas sobre eles mesmos, William Shakespeare reclamando dos comentários dos internautas sobre suas obras, Jung explicando como se deu a briga dele com Freud e pensadores clássicos debatendo as ações dos políticos brasileiros no Congresso Nacional. Além de misturar alta e baixa cultura, há também a intersecção entre a realidade do exterior com as questões típicas do dia a dia no Brasil. Por exemplo, Michael Jackson afirma, em seu blog, que irá votar em Antony Garotinho nas próximas eleições do Rio de Janeiro. Afinal, ele não vive sem um garotinho... E George Orwell analisa os programas de televisão Big Brother Brasil e A Fazenda, a partir dos seus romances que inspiraram essas atrações. Como é possível reparar, em muitos casos há uma linha tênue entre o humor feito e o politicamente incorreto. Isso fica mais claro no material sobre Ayrton Senna, Monteiro Lobato e Michael Jackson. Sinceramente, eu gostei do tipo de humor aplicado em “Blogs do Além”. Não vi nada ofensivo nem algo que pudesse ultrapassar o limite do ético e do bom gosto. Outra mistura muito interessante é entre passado e presente. Santos Dummont reclama veementemente sobre as condições dos aeroportos nacionais. J. D. Salinger faz uma análise das grandes tragédias a partir das perspectivas dos leitores de “O Apanhador no Campo de Centeio”, seu romance clássico. E Henry Ford tenta revolucionar mais uma vez a indústria automobilística. “Blogs do Além” é uma leitura realmente muito divertida. O livro possui aproximadamente 240 páginas. Como seu texto é leve e engraçado, é possível ler a obra inteira em uma única tarde ou em duas noites. Foi o que aconteceu comigo no último final de semana. Li (pela segunda vez) o livro ao longo da tarde de sábado. De pontos negativos sobre a obra, posso apontar o prefácio de Mino Carta (texto muito genérico, que não dialoga com a proposta do livro nem enaltece o trabalho de Knijnik), o projeto gráfico tímido (que em alguns momentos dificulta a leitura) e a falta de padrão entre o tamanho dos capítulos (há blogs com apenas uma página e outros com três). Infelizmente, há também algumas piadas que envelheceram e que se tornam difíceis de serem compreendidas atualmente (por isso, a necessidade cada vez maior de legendas – o que atrapalha a leitura e tira a espontaneidade do texto). Apesar de adorar o trabalho literário de Vitor Knijnik e a ousadia de “Blogs do Além”, achei que o livro é menos engraçado do que as colunas da revista Carta Capital. Curioso isso, né? Minha hipótese é que quando os blogs psicografados estão inseridos no interior de uma publicação séria, eles se tornam ainda mais divertidos. Além disso, esse material é para ser lido aos poucos (um por semana é uma boa dose) e não de maneira contínua. Quando reunidos em uma única obra e lidos na sequência, grande parte da graça do seu texto fica diluída. Ao menos foi essa a impressão que tive. Se dou nota 10 para a coluna “Blogs do Além”, para o livro dou um mísero 7. É uma boa nota, é verdade, mas muito inferior à avaliação que tenho do material publicado na revista. De qualquer maneira, “Blogs do Além” é uma leitura obrigatória para quem gosta de uma proposta literária inteligente e bem-humorada. Este é um dos livros mais inovadores que vi nos últimos anos em nosso país. Ele foi muito bem projetado e muitíssimo bem executado. Gosto de ver quando um trabalho encanta os leitores de forma perspicaz. Sou um grande fã até hoje de Vitor Knijnik. Ele teve uma ideia que gostaria de ter tido. Porém, ele possui um talento para viabilizar sua proposta que admito jamais possuir. Por isso, minha sincera admiração por seu brilhantismo. Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você é fã de literatura, deixe seu comentário aqui. Para acessar as demais críticas, clique em Livros. E aproveite para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #VitorKnijnik #LiteraturaBrasileira #Comédia #LiteraturaContemporânea

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