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- Filmes: As Férias do Pequeno Nicolau - Para começar o ano rindo
Neste comecinho de ano, fui ao cinema com a minha irmã e com a minha mãe. Ou seja, o cineminha de ontem foi um programa de família. Fomos ao Reserva Cultura, um dos meus espaços favoritos para ver um bom filme. Escolhemos "As Férias do Pequeno Nicolau" (Les Vacances du Petit Nicolas: 2014), filme francês do diretor Laurent Tirard. Eu estava ansioso para ver esse longa-metragem desde o início de Dezembro, quando soube do seu lançamento aqui no Brasil. "As Férias do Pequeno Nicolau" é a continuação do aclamado "O Pequeno Nicolau" (Le Petit Nicolas: 2009), comédia dirigida pelo mesmo Laurent Tirard que foi sucesso mundial. "O Pequeno Nicolau" é uma série francesa de histórias em quadrinhos escrita por René Goscinny e ilustrada por Jean-Jacques Sempé. Os quadrinhos da dupla, publicados entre 1956 e 1964, abordam o universo infantil do menino Nicolau de maneira bem humorada. O garoto está sempre causando confusão com suas relações com os adultos (com os pais, com os professores, com os vizinhos, etc.) e com as demais crianças (os amiguinhos, os colegas de escola, as namoradinhas, etc.). A primeira transposição das histórias em quadrinhos de René Goscinny e Jean-Jacques Sempé para o cinema aconteceu em 2009. O Filme "O Pequeno Nicolau" é espetacular. Não me lembro de ter rido tanto quanto no dia em que assisti a esse filme. As aventuras de Nicolau e de seus colegas de escola são hilárias. Praticamente chorei de rir durante os 90 minutos do filme. Por isso, a minha expectativa com o lançamento no Brasil do filme com a segunda história do personagem francês era elevada. Chamado de "As Férias do Pequeno Nicolau", o longa-metragem aborda a viagem da família de Nicolau para o litoral da França. Logo no começo do filme, percebe-se uma mudança importante: Nicolau cresceu um pouco. O ator anterior que interpretava Nicolau, Maxime Godart, foi substituído por Mathéo Boisselier. Apesar do elo emocional com a imagem de Maxime Godart e com o excelente trabalho realizado pelo ator mirim, o novato Mathéo Boisselier dá conta do recado, fazendo o telespectador esquecer rapidamente do antigo interprete. A presença dos mesmos atores que fizeram os pais do garoto na outra história ajuda na manutenção do clima de continuidade da obra (não é necessário ter assistido ao filme anterior para compreender este). "As Férias do Pequeno Nicolau" é tão engraçada quanto o primeiro filme. Apesar do universo infantil ser retratado com incrível bom humor, esse é um filme para adultos e não para as crianças. Vi muitos meninos e meninas saírem da sessão de cinema um tanto frustrados, diferentemente dos adultos, que saíram encantados com a ironia, o humor e leveza da história. Posso garantir que as risadas ouvidas na sala de cinema eram todas dos adultos e nenhuma das crianças presentes. O enredo desse filme é a viagem de Nicolau com os pais e a avó materna para a praia. A família vai aproveitar as férias de verão no litoral para descansar e se divertir. Antes de viajar, Nicolau recebe um beijo de sua "namoradinha" da escola e já se imagina casando com ela. No litoral, o garoto faz novos amigos e conhece uma menina um tanto estranha. Nicolau passa a acreditar que seus pais vão querer casá-lo com ela. Para evitar tal fatalidade, ele e seus novos amigos farão de tudo para afastar a menina e a família dela do hotel onde estão hospedados. Aí começam as confusões. Apesar de ter achado "O Pequeno Nicolau" um pouco superior a "As Férias do Pequeno Nicolau", acredito que este será um dos filmes mais engraçados do ano. Quem quiser rir com a inocência, as travessuras e a imaginação do universo infantil, "As Férias do Pequeno Nicolau" é uma excelente opção. Já estou torcendo para o lançamento do terceiro filme da série. Não tenho notícias sobre a previsão da nova gravação, mas estou ansioso para que ela aconteça o mais rápido possível. Veja o trailer de "As Férias do Pequeno Nicolau": O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. E aproveite também para curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.
- Análise Literária: Sidney Sheldon
O Desafio Literário de agosto teve como foco de análise as obras e a carreira literária de Sidney Sheldon. Li neste mês cinco livros do escritor norte-americano: "A Outra Face" (Record), "Se Houver Amanhã" (BestBolso), "Nada Dura Para Sempre" (BestBolso), "Plano Perfeito" (Record) e "Manhã, Tarde & Noite" (Record). Sidney Sheldon nasceu em Chicago, nos Estados Unidos, em 1917. Ele casou três vezes e teve duas filhas (ambas do segundo matrimônio). O primeiro casamento durou apenas dois anos, enquanto o segundo terminou por causa do falecimento da esposa. A terceira esposa de Sheldon ficou com ele até o falecimento dele em 2007. A carreira artística de Sidney Sheldon se consolidou após a Segunda Guerra Mundial. Depois de se frustrar ao não conseguir se tornar um compositor musical, ele teve mais sorte em Hollywood ao virar um conceituado roteirista. Sheldon produziu ao longo da vida 25 filmes e 250 roteiros televisivos. Foi ele o criador, por exemplo, da famosa série "Jeannie é um Gênio" (I Dream of Jeannie), produzida entre 1965 e 1970. Além disso, escreveu seis peças teatrais. A principal delas foi "Redhead". Na década de 1970, a carreira de Sheldon sofre uma grande reviravolta. O norte-americano passa a dar mais atenção à produção literária do que às produções cinematográficas e televisivas. Sua publicação de estreia foi "A Outra Face", lançada em 1970. Esta história foi criada inicialmente para virar um roteiro de filme. A ideia original de Sheldon era retratá-la nas telas do cinema ou da televisão. Contudo, o autor percebeu que a trama era elabora de mais para ser filmada. O drama psicológico do protagonista seria melhor retratado nas páginas de um romance. Foi o que o escritor fez. O livro conquistou em 1970 o título de "Melhor suspense do ano" pelo New York Times. No ano seguinte, ganhou o prêmio Edgar Allan Poe Award de "Melhor Livro de Estreia". A carreira de Sidney Sheldon na literatura estava, portanto, iniciada com o pé direito. "A Outra Face" é um suspense psicológico e policial. O leitor não sabe o que efetivamente acontece durante boa parte da trama, precisando descobrir junto com o protagonista, um psiquiatra famoso. As dúvidas sobre a real condição mental do personagem principal é que dão o tom ao suspense. Ou ele é o grande vilão ou é a vítima de uma elabora intriga. Achei esta obra muito parecida, em relação ao suspense e ao estilo narrativo, com as histórias escritas atualmente por Harlen Coben. Neste livro de estreia, ainda não vemos as características literárias que mais tarde marcariam Sidney Sheldon. Contudo, a narrativa é intrigante e bem desenvolvida, com alguns elementos bem interessantes. Por exemplo, quase todos os personagens apresentam algum problema psicológico grave, deixando a história saborosa. O grande sucesso de público veio com a segunda publicação. Em 1974, foi lançado "O Outro Lado da Meia-Noite". A nova história chegou ao posto de primeiro lugar na lista dos mais vendidos do jornal "The New York Times". A partir daí, o nome de Sidney Sheldon jamais sairia da lista de best-sellers e da cabeça dos leitores. O êxito literário fez o autor focar exclusivamente na criação de livros a partir deste instante. Ao todo foram publicados 18 livros entre 1970 e 2004. Todos os seus romances entraram, em algum momento, na lista dos mais vendidos do jornal "The New York Times". Sua vendagem total ultrapassou os 300 milhões de exemplares. As obras literárias de Sidney Sheldon foram traduzidas para mais de 50 idiomas e foram distribuídas para aproximadamente 180 países. Não é à toa que o "Guinness Book" o intitula como o "escritor mais traduzido no planeta". A segunda obra que li do autor foi "Se Houver Amanhã". Publicado pela primeira vez em 1985, esta foi a sétima produção literária do norte-americano. O sucesso do livro foi tanto que no ano seguinte a trama ganhou uma adaptação para a televisão. Neste momento, já encontramos um escritor maduro e ciente do seu estilo literário. Admito que dos livros lidos de Sheldon, este foi o meu favorito disparado ("O Plano Perfeito" ficou na segunda posição). Aqui já podemos ver as características que marcaram a carreira do autor. A narrativa é agradável e dinâmica. Os acontecimentos ocorrem sucessivamente e de maneira rápida deixando a trama ágil. O escritor não perde tempo com nada que não seja essencial. A linguagem simples e direta de Sidney Sheldon também ajuda. Ele não se utiliza de recursos literários muito sofisticados. O autor concentra seus esforços na criação do enredo e dos personagens, fazendo isso com excelência. Há também lances de bom humor e sacadas hilárias. Uma das suas principais qualidades é retratar de maneira bem verossímil os cenários onde a narrativa se passa. O leitor se sente junto com a protagonista quando ela é presa em um presídio federal, assim como parece acompanhá-la depois pelas viagens pelo mundo. Outra marca de Sheldon é o feminismo exacerbado e o romantismo dos seus personagens. Estas características talvez fiquem mais claras de serem compreendidas em outro romance do escritor. "Nada Dura Para Sempre" foi o décimo romance do norte-americano, tendo sido publicado pela primeira vez em 1994. No ano seguinte, acabou adaptado para a televisão. Nesta história, as três principais personagens são mulheres. Elas precisam provar seu valor em um mundo essencialmente machista. A maioria dos homens é retrada como inimigos das moças, desejando-as unicamente para fins sexuais. Para superar todas as adversidades, elas não têm mais ninguém para ajudá-las (assim como a protagonista de "Se Houver Amanhã" estava sozinha em um mundo infestado por homens de péssima índole). A força interior das personagens femininas é absurda. Elas possuem caráter, coragem e atitude para enfrentar todas as diversidades. São elas as heroínas, enquanto quase todos os homens são os vilões. Os poucos integrantes do sexo masculino que não são encarados como vilões são vistos como príncipes encantados que estão ali para salvar as princesas modernas das trevas que elas se encontram. Às vezes, no meio da trama, elas confundem um vilão com príncipe e um príncipe com vilão. Isso é desfeito obviamente no final. Esta busca explícita ou implícita pela outra metade torna os enredos bastante românticos. Mesmo trabalhando muito e desejando serem respeitadas profissionalmente, as protagonistas continuam acalentando sonhos matrimoniais. Praticamente desejam ser resgatadas pelo príncipe encantado da dura realidade em que vivem. Estas mesmas características (feminismo, romantismo, linguagem simples e narrativa ágil) podem ser encontradas em "Manhã, Tarde & Noite", um dos principais livros da carreira de Sidney Sheldon. Publicado pela primeira vez em 1995, este foi o décimo quatro romance do escritor. A única diferença é que esta história possui elementos de mistérios, parecendo neste quesito com "A Outra Face". Podemos caracterizar o livro como sendo um thriller policial. Sidney Sheldon consegue sustentar o enigma da trama com classe. Todos os personagens são dúbios, podendo estar envolvidos com a morte do patriarca da família. Em "O Plano Perfeito", um dos últimos romances produzidos por Sidney Sheldon (foi o décimo quinto da lista de dezoito), já encontramos algumas novidades narrativas. Publicado originalmente em 1997, temos outra vez uma trama com uma estrutura parecida aos livros anteriores: uma mulher sozinha no mundo combatendo a tirania e a maldade dos homens. Novamente, conhecemos uma jovem bonita e inteligente abandonada quase que na porta da igreja pelo noivo que a trocou por interesse político. As semelhanças param por aí. A medida que a trama vai se desenrolando, esta impressão inicial vai se desfazendo. A história se torna atípica. O desejo de vingança da protagonista vai aos poucos transformando a heroína em vilã. A reviravolta que a narrativa sobre no final é digna dos mestres do suspense. Sidney Sheldon consegue escrever escondendo o "jogo" do leitor o tempo inteiro. Depois que o pano caiu e descobrimos o verdadeiro enredo, tudo faz sentido. "O Plano Perfeito" é um ótimo thriller de suspense. Ele possui poucos elementos românticos, característica esta que foge um pouco do estilo do autor. Sidney Sheldon sempre usou e abusou do romantismo exacerbado em suas obras. Nesse sentido, admito que gostei muito dessa particularidade de "Plano Perfeito". Não que eu não goste de tramas românticas, porém acho que um escritor deve mostrar versatilidade e trabalhar com outros gêneros. Quando o autor se apega fortemente a passionalidade dos personagens, os enredos se tornam muito repetitivos e um tanto previsíveis. Exatamente por isso, o maniqueísmo fortemente presente nas histórias do norte-americano se torna mais complexo neste livro. É difícil precisar quem é o vilão e quem é o herói nesta narrativa surpreendente. Não se angustie se no meio da leitura você trocar a torcida pelo personagem favorito algumas vezes. Isso será normal. Em resumo, gostei bastante de ter conhecido a carreira e a produção literária de Sidney Sheldon. Acho que consegui desmistificar um pouco este escritor que na década de 1980 e 1990 sofria de tanto preconceito da crítica, sendo apontado como um autor raso e superficial. Suas histórias são boas e cumprem bem o papel de entreter o público interessados em tramas românticas e feministas. Se Sidney Sheldon não fosse um excelente escritor, ele não teria alcanço os prêmios que obteve. Vale a pena lembrar que ele foi o único escritor, até hoje, agraciado com a maior premiação nas três principais indústrias culturais norte-americanas: cinema (Oscar), literatura (Edgar Allan Poe Award) e teatro (Tony Award). O próximo autor do Desafio Literário é alguém tão polêmico quanto Sidney Sheldon (pelo menos, no Brasil). Em setembro, o Blog Bonas Histórias analisará a literatura de Paulo Coelho, o escritor brasileiro mais vendido no mundo. Não perca a próxima edição do Desafio Literário. Gostou da seleção de autores e de obras do Desafio Literário? Que tal o Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre as Análises Literárias do blog, clique em Desafio Literário. E não deixe de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #SidneySheldon #AnáliseLiterária
- Melhores Músicas Ruins: Premiação de 2021
A sétima edição do tradicional evento musical do Bonas Histórias premia as 21 melhores canções ruins do ano passado. Confira os vencedores. Chegamos à sétima edição do Prêmio Melhores Músicas Ruins. Esse evento já pode ser considerado uma tradição do Bonas Histórias e é indiscutivelmente um dos principais eventos (ou não) do mercado fonográfico brasileiro. Conforme reza a cartilha dessa honrada premiação, a comissão julgadora se reuniu no último dia do ano (nunca se sabe quando surgirá uma nova boa canção ruim, né?) e selecionou as 21 melhores músicas ruins de 2021. Os vencedores serão apresentados no post de hoje da coluna Melhores Músicas Ruins. Antes, porém, de anunciar os felizardos e merecidos ganhadores do Orelhão de Ouro (primeiro lugar), do Orelhão de Prata (segundo lugar), do Orelhão de Bronze (terceiro lugar) e dos Orelhões de Lata (do quarto ao vigésimo primeiro lugares – também chamados de finalistas), precisamos mais uma vez explicar no que consiste o Prêmio Melhores Músicas Ruins e detalhar sua mecânica. A comissão julgadora do prêmio se chama SOSAMOR – Sociedade Orelhuda Secreta dos Adoradores das Músicas Orgulhosamente Ruins. Os integrantes do SOSAMOR (pronuncia-se SOS AMOOOOOOOOOOOR) são os mesmos desde a primeira edição e seus nomes são mantidos em sigilo ABSULUTO por segurança (as más línguas vão dizer que o verdadeiro motivo é vergonha na cara). Eles escolhem no último dia de cada ano as melhores músicas ruins daquela temporada. Só entram na escolha canções brasileiras (BRASIIIIIIIIIIIILSILSIL). E o que caracteriza uma música ruim? Curiosamente, essa pergunta sempre surge na mesa do bar (local onde os premiados são normalmente selecionados). A questão é simples. Se você ouvir uma das faixas selecionadas pela SOSAMOR e não concordar que ela seja ruim, então procure ajuda psicológica ou médica. E como se escolhe as melhores músicas ruins, hein? Aí é mais fácil ainda. Escolhemos as que mais nos agradam. E podemos gostar de coisas ruins? Sabe de nada, inocente! Atire a primeira pedra quem não gosta daquilo que é comprovadamente ruim. Há quem diga que as coisas boas da vida não têm a menor graça. E na música esse ditado politicamente incorreto se encaixa perfeitamente. Chega de papo furado e vamos aos vencedores do VII Prêmio Melhores Músicas Ruins. O ganhador do Orelhão de Ouro de 2021 foi a espetacular “Tapão na Raba”, o Forró eletrizante de Raí Saia Rodada. Nem mesmo o fato dessa canção ter versos idênticos a “Volta Bebê, Volta Nenem” (a sexta colocada), Piseiro de DJ Guuga e DJ Ivis (“Eeeeeeeeeu tô com saudade...”), maculou sua excelência artística. Há quem diga que essa coincidência (coincidência?!) tornou essa faixa ainda melhor. Parabéns aos envolvidos! Essa é a primeira vez em três anos que o vencedor das Melhores Músicas Ruins não foi um Sertanejo. Os ganhadores nas edições de 2020, 2019 e 2018 foram, respectivamente, “Três Batidas”, de Guilherme & Benuto, “Todo Mundo Vai Sofrer”, de Marília Mendonça, e “Dona Maria”, de Thiago Brava. O último Orelhão de Ouro entregue para alguém de fora do universo sertanejo aconteceu no prêmio de 2017, vencido pelo desde já clássico "Fazer Falta", Funk de MC Livinho. O Orelhão de Prata e o Orelhão de Bronze de 2021 foram, respectivamente, para os sertanejos “Lance Individual”, dos magistrais Jorge & Matheus, e “Batom de Cereja”, dos incansáveis Israel & Rodolfo. Afinal, por mais que o Forró Eletrônico (pode chamá-lo de Piseiro ou mesmo de Pisadinha) tenha dominado a cena musical brasileira no ano passado, ainda sim o bom e velho Sertanejo se mantém firme e forte nas primeiras posições. Completam o ranking das cinco primeiras posições das Melhores Músicas Ruins de 2021 “Não, Não Vou”, Piseiro de Mari Fernandez, e “Girl from Rio”, o Pop internacional de Annita. Os demais integrantes do Orelhão de Lata são faixas de Funk, Sertanejo, Forró/Forró Eletrônico/Piseiro/Pisadinha. Infelizmente, nesse ano não tivemos representantes do Rap, do Hip-hop, do Pagode, do Samba e da MPB entre os finalistas. Apesar de não ter figurado nas primeiras posições do VII Prêmio Melhores Músicas Ruins, Marcynho Sensação foi um dos destaques da última temporada musical brasileira (quase escrevi que ele se tornou a grande sensação do ano passado!). O cantor de Piseiro emplacou nada mais nada menos do que três hits no Orelhão de Lata, cada um com um parceiro musical diferente: “Rolê” (15ª colocação), com Tarcísio do Acordeon, “Revoada no Colchão” (19ª posição), com Zé Felipe, e “Parada Louca” (21ª colocação), com Mari Fernandez. Sem dúvida nenhuma, 2021 foi o ano de Marcynho Sensação (vencedor na categoria Revelação). Os prêmios das Melhores Músicas Ruins foram entregues em uma cerimônia fechada (até mesmo para a imprensa) na última quinta-feira à noite (também conhecido como ontem). Veja, a seguir, a lista completa dos vencedores do Prêmio Melhores Músicas Ruins de 2021. Se você tiver coragem, ouça-as também: 21ª posição: “Parada Louca” – Mari Fernandez e Marcynho Sensação - Piseiro 20ª posição: “Macetada” – Mila, Felipe Amorim e Jerry Smith – Funk 19ª posição: “Revoada no Colchão” – Zé Felipe, Marcynho Sensação – Piseiro 18ª posição: “Foi Pá Pum” – Simone e Simaria – Sertanejo 17ª posição: “Tipo Gin” – MC Kevin o Chris - Funk 16ª posição: “Chega e Senta” – John Amplificado – Forró 15ª posição: “Rolê” – Tarcísio do Acordeon e Marcynho Sensação – Piseiro 14ª posição: “Coração Cachorro” – Avine Vinny e Matheus Fernandes – Forró 13ª posição: “Disco Arranhado” – Malu e DJ Lucas Beat – Funk 12ª posição: “Vai Lá em Casa Hoje” – George Henrique & Rodrigo e Marília Mendonça - Sertanejo 11ª posição: “Galopa” – Pedro Sampaio – Funk 10ª posição: “Meia Noite” – Barões da Pisadinha – Piseiro 9ª posição: “Acaso” – Vitor Fernandes – Piseiro 8ª posição: “Preta do Cabelo Cacheado” – Th CDM – Funk 7ª posição: “Carinha de Neném” – Japãozin - Piseiro 6ª posição: “Volta Bebê, Volta Nenem” – DJ Guuga e DJ Ivis – Piseiro 5ª posição: “Girl from Rio” – Annita – Pop 4ª posição: “Não, Não Vou” – Mari Fernandez – Piseiro 3ª posição: “Batom de Cereja” – Israel & Rodolfo – Sertanejo 2ª posição: “Lance Individual” – Jorge & Matheus – Sertanejo 1ª posição: “Tapão na Raba” – Raí Saia Rodada – Forró Parabéns a todos os vencedores da sétima edição do Prêmio Melhores Músicas Ruins! Se o ano de 2021 não foi nada fácil para ninguém, ao menos tivemos o privilégio de ser agraciados com verdadeiras joias do mercado fonográfico brasileiro. Agora é esperar que nossos artistas mantenham para 2022 esse nível de excelência. Até a próxima! Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Se você é fã de canções boas de verdade, acesse a coluna Músicas. Para ver as demais edições deste prêmio, clique em Melhores Músicas Ruins. E não esqueça de nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.
- Talk Show Literário: Sexta Temporada - Apresentação
Darico Nobar continua conversando com as personagens clássicas da literatura brasileira. Confira o calendário de entrevistas em 2022. Fãs do Talk Show Literário, trago boas novas. Saí agorinha pouco de uma reunião que foi realizada nas dependências suntuosas (ou não) do Bonas Histórias. Esse encontro foi feito às portas fechadas e teve a participação de Darico Nobar e da diretoria desse prestigiado (ou não) blog. Eu só estive presente na sala porque alguém precisava fazer a ata – algo inimaginável para quem ocupa o cargo de diretoria ou é estrela de programa de televisão. O resultado da reunião foi, além de uma overdose de stress na corrente sanguínea de todos os participantes, o sim de nosso querido (ou não) apresentador. Darico aceitou realizar uma nova coletânea de entrevistas para o Bonas Histórias. Essa é a boa notícia, tá? Pelo menos para mim, para os diretores da empresa e para os fãs do Talk Show Literário. Talvez o Sr. Nobar possa pensar diferentemente da gente, já que ele saiu da sala um tanto contrariado. Vai saber! Em suma, gastei um parágrafo inteiro desse memorável (ou não) post para dizer que teremos, em 2022, mais uma série de programas de televisão com as personagens mais célebres da literatura brasileira. Uhu! É ou não é motivo para sair gritando e comemorando por aí, hein? Foi exatamente o que fiz antes de chegar esbaforido à minha mesa e começar a escrever essas, como diria Erasmo Carlos, mal traçadas linhas. Se eu não tiver perdido a conta (algo que ocorre regularmente quando recorro às operações básicas da matemática), essa será a sexta temporada do Talk Show Literário – Clássicos Brasileiros. Não à toa, temos aqui uma das colunas mais longevas (ou sim) do Bonas Histórias – só perde para Desafio Literário e para Contos & Crônicas em quantidade de edições seriais. A ideia é realizar, nesse ano, uma sequência mais enxuta de episódios. Afinal, em 2020 e 2021, o Talk Show Literário teve apenas nove entrevistas anuais. Vale lembrar que nas primeiras três temporadas foram gravados 12 programas (um por mês) em cada uma delas. Não preciso dizer que a pandemia de Covid-19 foi a grande vilã. Ela atrapalhou bastante a programação de gravações pois vários convidados se recusaram a comparecer ao nosso estúdio, mesmo com os rígidos protocolos que seguimos (ou não). E como o contrato de Darico Nobar com o Bonas Histórias estipulava a realização de 60 entrevistas ao todo, ficaram faltando seis – três do ano passado e três do ano retrasado. Será que essas contas estão certas, Santo Deus? Às vezes me arrependo de não ter prestado atenção às aulas da Professora Lurdinha. Aí nossos diretores, profissionais gabaritados na arte do convencimento (as más línguas dirão que são intransigentes, as boas línguas, também chamadas de puxa-sacos de plantão, dirão que são persuasivos), fizeram o solícito e animado (ou não) apresentador aceitar o cumprimento contratual na íntegra. Curiosamente, Darico Nobar só concordou com a solicitação (chamemos de solicitação, tá?) do quadro diretivo do blog após ser alertado sobre os itens 56 e 75 do papel que nossos diretores enfiaram em sua cara. Depois disso, ele não reclamou mais (pelo menos não dentro da sala e na presença das autoridades da nossa companhia). Portanto, teremos o que defini como sendo um chorinho televisivo (acompanhando a reação de Nobar, a expressão “chorinho” não foi usada aqui por acaso). Ficou interessado(a) na programação de 2022 do Talk Show Literário? Claro que sim. Então, segue abaixo a lista das seis entrevistas que serão apresentadas nessa sexta temporada do programa. Coloque esses episódios na sua agenda e curta os derradeiros bate-papos da principal atração literária da televisão brasileira: - 30 de abril de 2022 – Entrevista 1: Macabéa – A Hora da Estrela – 1977 – Clarice Lispector. - 30 de maio de 2022 – Entrevista 2: Stanislaw Ponte Preta – Febeapá – 1966 – Sérgio Porto. - 30 de julho de 2022 – Entrevista 3: José Maria – Meninos Sem Pátria – 1981 – Luiz Puntel. - 6 de outubro de 2022 – Entrevista 4: Cecília Mariz – O Guarani - 1857 - José de Alencar. - 24 de novembro de 2022 – Entrevista 5: Dirceu – Marília de Dirceu – 1792/1799/1812 – Tomás António Gonzaga. - 5 de janeiro de 2023 – Entrevista 6: Claudius Hermann – Noite na Taverna – 1855 – Álvares de Azevedo. Boas entrevistas para todos em 2022! E um abração para você, Dariquinho! ------------------------------ O Talk Show Literário é o programa de televisão fictício que entrevista as mais famosas personagens da literatura. Assim como ocorreu nas cinco primeiras temporadas, neste sexto ano da atração, os convidados de Darico Nobar, personagem criada por Ricardo Bonacorci, são os protagonistas dos clássicos brasileiros. Para acompanhar as demais entrevistas, clique em Talk Show Literário. Este é um quadro exclusivo do Blog Bonas Histórias. E não se esqueça de deixar seu comentário aqui, falando o que achou desta iniciativa e da entrevista realizada. Para receber as novidades do blog, acompanhe nossas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.
- Talk Show Literário: Claudius Hermann
O sexto e último entrevistado desta temporada é um dos narradores-protagonistas de Noite na Taverna, a coletânea de contos de Álvares de Azevedo. [As câmeras ocultas registram a cena. É uma sala fumacenta. Na mesa central, há dois copos e um frasco de vinho espanhol. Uma dupla de homens ébrios está sentada ao redor das bebidas. Os demais revolvem-se no chão. Dormem ali mulheres desgrenhadas, umas lívidas, outras vermelhas. A taverneira cambaleia para lá e para cá enchendo canecas e esvaziando almas. Ela só para o triste bailado para espalhar a sujeira pelo mobiliário do salão. Para tal, usa como ferramenta um pano maltrapido]. Darico Nobar: E tu, Claudius?! Chegou a tua vez. Não vai falar nada, hein? Já evoquei ao cemitério do passado os meus cadáveres. Ergui os sudários para amostrar as nódoas de sangue. Fale um pouco de você, companheiro. O que tem a me dizer? Claudius Hermann: Pois bem! Se queres respostas, então tragas interrogações. Perguntes ao sepulcro a história do moribundo! Se levarás os segredos ao túmulo seguro, mesmo com o peito sob ameaça do punhal inimigo, não sei. [Apanha o vinho com volúpia, enche o copo e entorna um longo gole]. Desse lado da mesa, meu coração não tem o maldito remorso das revelações dos amigos. [Limpa a boca com a manga da camisa]. Mas sejas breve. O algoz espera a vítima. Até a hiena tem fome de cadáver. Estou pronto! [Abre os braços como se estivesse sendo crucificado]. Darico Nobar: Não tenha medo, por favor. Perguntas, até onde eu saiba, não arrancam pedaços de ninguém nem decretam o mal súbito antes da hora. [Dá um tapinha amigável no ombro do outro]. Você fala como se estivéssemos em um programa de televisão, tal qual o Talk Show Literário. Ou em um interrogatório policialesco. Relaxe! Estamos em uma simples e despretensiosa conversa de velhos confidentes. Nessa taverna escondida do mundo, podemos suscitar nossas lembranças mais góticas. Claudius Hermann: Mentira!!! Quando me vens falar em literatura, eu te digo – aí há verdades inspiradas pela natureza dos fatos, como naqueles versos cantados por Homero. Com a humanidade inteira ajoelhada sobre os túmulos da dúvida, nunca mais saberemos o que é realidade e o que é ficção. Mas quando me falam em verdades ficcionais, em linhas autobiográficas e nas imaginações de leitores atrevidos, eu te digo – Mentira! Mentira! E Mentira! Três vezes mentira!!! Tudo é verídico e tudo é invenção nas páginas dos livros. Vivemos sob a miragens dos desertos. Darico Nobar: Na certa, você deve sonhar com alguns dos versos de Charles Baudelaire ou com alguma coletânea de narrativas de José Cadalso! [Solta uma gargalhada]. Voltemos para o nosso mundinho, tá? Começo inquerindo sobre suas finanças. Quando te conheci, você era um rapagão entalado na prata. Não era, Claudius? Claudius Hermann: Eu era rico, muito rico. Em Londres, ninguém ostentava mais dispendiosas devassidões. Nenhum nabado, numa noite, desperdiçava somas como eu. O suor de três gerações derramei no leito dos prazeres e no chão das orgias. Mas, perdi tudo mesmo num páreo! Um lance malsucedido no turfe levou minha fortuna inteira. Darico Nobar: Se arrepende do envolvimento com os cavalos? Claudius Hermann: As amazonas me fizeram mais mal do que qualquer montaria. Meu único arrependimento foi ter conhecido Eleonora, meu anjo demoníaco. Darico Nobar: Oh, a lindíssima duquesa! Foi amor à primeira vista? Claudius Hermann: Ela era bela como tudo quanto passa mais puro a concepção do estatuário. Acho que foi mais obsessão à primeira vista do que amor. Minha fraqueza, sabe Darico, era a covardia. Jurei que uma noite gozaria aquela mulher. Fosse veneno, beberia o mel daquela flor, o licor escarlate daquela taça. Darico Nobar: Mas a duquesa era casada, não?! [O amigo concorda com o polegar direito erguido]. E o que o duque Maffio achou dessa história de você se engraçar com a mulher dele? Claudius Hermann: Para um louco, não há prejuízo da honra nem do adultério. Amava e queria. A minha vontade era como a folha de um punhal – ferir ou estalar. E o duque não soube de nada. Até a noite do suborno do lacaio. Darico Nobar: Ai, ai, ai. Isso não está me cheirando bem. Claudius Hermann: Cheiro? É como diz aquele velho poema. “Sonho de glórias só me passe a furto/ Qual flor aberta a medo em chão de tumbas/ Abatida e sem cheiro/ O meu amor/ O peito o silencia/ Guardo-o bem fundo/ Em sombras do sacrário”. Darico Nobar: Esse papo tá ficando sombrio, muito esquisito mesmo... Claudius Hermann: Temes que eu confesse meus piores crimes e os maiores dos meus pecados. Acreditas que minha língua irá tropeçar num cadáver mais adiante? Darico Nobar: Vamos mudar de assunto, por favor! Falemos um pouco dos nossos companheiros de farra e de prosa. Pode ser, Claudius? Claudius Hermann: Bravo! Bravo! Darico Nobar: Você sabe por onde anda Solfieri? Claudius Hermann: Solfieri está em Roma, cidade do fanatismo e da perdição. Deve estar perambulando a sós no cemitério de Verano em busca de um anjo cataléptico. Ou está entretido em uma orgia interminável na casa da condessa Bárbara. Darico Nobar: E de Bertram, você sabe de algo? Claudius Hermann: Está brigando com o vício no jogo, perdido nas bebidas e embriagado pela adrenalina dos duelos. Ele tornou-se um ladrão de cartas, um homem eclipsado por mulheres e orgias. É agora um espadachim terrível e sem coração. Tudo porque foi abandonado por um mancebo andaluz. Darico Nobar: Abandonado por um mancebo?! É isso o que você está me dizendo? [O outro homem balança a cabeça para cima e para baixo com a tranquilidade que a convicção lhe traz]. Tem certeza? O Bertram com um rapaz?! Claudius Hermann: É o que parece, Darico. Dizem que vivia com um moço de traços femininos que bebia como um inglês, fumava como um sultão, montava a cavalo como um árabe e atirava as armas como um espanhol. E à noite, segundo o próprio Bertram, amava como uma dama de lupanar. Darico Nobar: Estás ébrio, Claudius?! Claudius Hermann: Sim, mas não é minha culpa. [Pega a caneca e a levanta ferozmente]. Oh, vazio! Meu copo está vazio! Olá, taverneira, não vês que as garrafas estão esgotadas? Não sabes, desgraçada, que os lábios da garrafa são como os das mulheres – só valem beijos enquanto o fogo do vinho ou o fogo do amor os borrifa? Darico Nobar: Não se preocupe, amigo. Ela já vai trazer mais vinho. [Faz sinal para mais uma rodada]. E o que Gennaro tem feito de bom? Sabe de algo? Claudius Hermann: Continua com aquela ideia fixa de vingança que tu conheces tão bem. [A taverneira coloca uma nova garrafa na mesa e sai]. Quer matar quem o quisera matar. Quer humilhar quem o humilhara. [Enche o copo e entorna um longo gole, mas estremece]. Miséria! Loucura! Gennaro continua vivendo na total soberba. Darico Nobar: Aquele lá não tem jeito. [Também se serve de mais vinho. Aproveita e enche a caneca do companheiro de mesa]. E você tem notícias de Johann? Claudius Hermann: Johann voltou para Paris. Continua vagando à noite em busca de duelos pueris. Com ele é assim: insulto por insulto e sangue por sangue. E nada como um bom duelo mortal para lavar a honra de um infante com o coração despedaçado. Darico Nobar: Nem me diga. Temo pela vida do nosso amigo, o mais espevitado da trupe. Claudius Hermann: Tu sabes dos perigos que Johann se lança, Darico. [O outro homem abre um sorriso melancólico de concordância]. Com ele, não há meio de paz depois de um trupicão fortuito ou de um leve esbarrão na rua. Sem pestanejar, nosso amigo revida com um bofetão ou uma luva atirada à face do oponente. Daí para a criação de inimigos e o convite para uma disputa do tipo só-um-sai-vivo é um pulo. Darico Nobar: Claudius, não é um conto isso tudo? Claudius Hermann: Pelo inferno que não! Recebo regularmente cartas deles todos. Cada um me informa suas últimas sandices. [Desabotoa o sobretudo e mostra o bolso interno da vestimenta. Ali estão guardadas incontáveis correspondências]. Não fico um mês sem receber notícias daquele bando de libertinos. Darico Nobar: Eu posso ver alguma correspondência? Claudius Hermann: Senhor, sou um homem de honra. Quando eu morrer, tomais esse casaco e acharás cartas para o deleite até dos mais curiosos. Por ora, peço-te – Deixai-me em paz com meus princípios, minha consciência e minha dignidade! Darico Nobar: Totalmente compreensível, Claudius. Totalmente compreensível! [Abre um sorriso de felicidade]. E com essa overdose de honestidade moral, vou encerrar a prosa. [Faz novo sinal para a taverneira, que surge prontamente]. Por gentileza, traga a conta. Já encerramos por hoje. Claudius Hermann: Ainda não! Antes de terminarmos, permita que eu faça uma saúde convosco? [O apresentador concorda e os dois homens enchem as canecas até a borda, enquanto a moça se dirige aos fundos do estabelecimento]. Um brinde à agonia volutuosa do amor, ao nome de todas as prostitutas, ao último crepúsculo da vida, ao inventor do sonífero, à amizade longa e profunda e, sim, a Ele. Darico Nobar: A quem? A Deus?! Claudius Hermann: Ao nosso Deus literário. A Lord Byron, o maior de todos!!! [Batem os copos e viram o líquido com entusiasmo]. Taverneira: Aqui está, senhor. [Entrega o papel]. Darico Nobar: Obrigado. [Assim que larga o copo, pega a conta e confere o valor]. Claudius, a despesa desta noite é por minha... [Ao voltar-se para o amigo, o encontra dormindo com os braços e a cabeça em cima da mesa]. Por Deus, ele dormiu. [Fala agora para a mulher de pé ao seu lado, que parece não se impressionar com a cena]. Ou está bêbado ou enlouqueceu de vez. [Pega algumas moedas do bolso e entrega à funcionária da taverna]. Eu preciso ir agora. Tenho um programa para gravar. Por favor, deixe o Sr. Hermann descansar. [Se levanta]. Quando ele acordar, diga que mandei felicitações. Taverneira: Sim, senhor. Grata! [Darico Nobar deixa o recinto em passos apressados a caminho dos estúdios do Talk Show Literário. Enquanto isso, Claudius Hermann dorme embebido do último trago de vinho e da fumaça dos cachimbos das mesas vizinhas. As câmeras são desligadas]. ------------------------------ O Talk Show Literário é o programa de televisão fictício que entrevista as mais famosas personagens da literatura. Assim como ocorreu nas cinco primeiras temporadas, neste sexto ano da atração, os convidados de Darico Nobar, personagem criada por Ricardo Bonacorci, são os protagonistas dos clássicos brasileiros. Para acompanhar as demais entrevistas, clique em Talk Show Literário. Este é um quadro exclusivo do Blog Bonas Histórias. E não se esqueça de deixar seu comentário aqui, falando o que achou desta iniciativa e da entrevista realizada. Para receber as novidades do blog, acompanhe nossas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.
- Mercado Editorial: Livros - Lançamentos em novembro e dezembro de 2022
Veja os 125 títulos de ficção e poesia que foram publicados no Brasil no último bimestre deste ano. O bom e incansável 2022 pode estar nos últimos suspiros, mas a coluna Mercado Editorial está com saúde para dar e vender. Enquanto a multidão se prepara para dar adeus ao ano velho e anseia pelas boas-vindas ao ano que vai nascer, eu dou os últimos pulinhos nas ondas do Bonas Histórias para apresentar os 125 livros de ficção e poesia que foram lançados no Brasil em novembro e dezembro de 2022. Em clima de novo tempo, apesar dos castigos, estamos com a literatura, estamos nas livrarias quebrando as algemas impostas à cultura. Além da lista dos títulos recém-publicados, como já é tradição bimestral do blog, vou comentar rapidamente nessas pacíficas linhas (o falecido Erasmo Carlos diria mal traçadas linhas...) as novas obras que mais chamaram minha atenção. Antes que alguém venha estragar os bons fluídos emanados pela virada do calendário, alerto que o foco da coluna Mercado Editorial, que hoje está inteiramente decorada de branco e vem em clima de Réveillon, é o romance, a novela, a coletânea de contos, a coleção de crônicas, a seleção de ensaios literários, a literatura infantojuvenil e a antologia poética. O gênero não ficcional que me desculpe, mas para o Bonas Histórias o que vale são os textos mais artísticos. Por isso, eu sempre canto nessa época do ano: Chama de irracional, chama de irracional, acabou o livro ficcional. Não faz mal, não faz mal, leia revista ou jornal. Depois desse disparate, vamos sem demora para o conteúdo principal do último post do blog em 2022. Na estante da literatura brasileira, meus destaques entre os títulos recém-lançados vão para “O Antigo Futuro” (Companhia das Letras), romance de Luiz Ruffato, “Araras Vermelhas” (Companhia das Letras), coletânea poética de Cida Pedrosa, “Deixe a Música Contar” (7 Autores), novela de Roberto Marcio e “Pequenas Vinganças” (Globo Livros), coletânea de contos de Edney Silvestre. Repare que escolhi propositadamente uma obra de cada modalidade literária para esse recorte: uma trama ficcional longa (romance), uma trama ficcional mediana (novela), uma coletânea de tramas ficcionais curtas (contos) e uma antologia poética (poesia). Ou seja, trago novidades para todos os gostos e para os mais diferentes estilos de leitura. Você não tem mais desculpas para começar janeiro sem um bom livro em mãos, né? Iniciamos o mergulho na literatura nacional falando do romance, o gênero literário tido como onipresente nas livrarias mundo à fora. “O Antigo Futuro” é o mais recente trabalho de Luiz Ruffato, um dos mais premiados autores contemporâneos do nosso país. No novo drama do escritor mineiro, acompanhamos a saga de um paulistano de classe média baixa. Traumatizado com a violência das grandes cidades brasileiras, o rapaz se mudou para os Estados Unidos em busca de dias melhores. Na condição de imigrante, o protagonista sofre os dissabores da rotina puxada, das saudades da família e da difícil imersão na sociedade local. Enquanto tenta conquistar a América, a personagem principal do livro rememora a saga de sua família, uma história pontuada por tragédias, solidão e infelicidade. Inicia-se, assim, uma série de flashbacks. O mergulho nas lembranças vividas no Brasil irá mostrar não apenas uma família com graves problemas como também um país com incontáveis chagas sociais. Os aspectos mais legais de “O Antigo Futuro” são: (1) o ritmo alucinante da prosa de Ruffato; (2) as descobertas ácidas da trama; e (3) a ambientação aterrorizante que permeia o romance inteiro (tanto no presente quanto no passado do protagonista/família do protagonista). Em outras palavras, temos aqui um livrão para quem deseja começar 2023 com o pé direito (ou seria com o olho direito, hein?!). Se você já leu “Eles Eram Muitos Cavalos” (Boitempo), minha obra favorita do autor, e a pentalogia “Inferno Provisório” – “Mamma, Son Tanto Felice” (Record), “O Mundo Inimigo” (Record), “Vista Parcial da Noite” (Record), “O Livro das Impossibilidades” (Record) e “Domingos Sem Deus” (Record) –, vale a pena conhecer as novidades da literatura de Luiz Ruffato. Depois do bom “O Verão Tardio” (Companhia das Letras), temos outro belíssimo título que foge do lugar comum. O segundo livro que gostaria de comentar hoje na coluna Mercado Editorial é a nova coletânea poética de Cida Pedrosa. Depois do sucesso retumbante de “Solo para Vialejo” (CEPE Editora), a poetisa pernambucana apresenta “Araras Vermelhas”. Nos versos desta publicação, Pedrosa relata os detalhes da Guerrilha do Araguaia, um dos eventos políticos mais simbólicos entre o fim da década de 1960 e o início dos anos 1970. Ao mesmo tempo em que assistimos à violência estatal, ao autoritarismo militar e à falta de esperança da população mais simples da região da Amazônia, também podemos atestar, na poesia impecável do livro, a força de vontade e a coragem de uma parcela de brasileiros que pegou em armas na tentativa de mudar o triste panorama social do país e da região Norte. Confesso que desde que li “Canto Geral” (Bertrand Brasil), obra-prima de Pablo Neruda, sou fã da transformação em versos das passagens históricas mais dramáticas do nosso continente. Justamente aí está a graça da leitura de “Araras Vermelhas”. O mais recente livro de Cida Pedrosa mistura a beleza poética (pelos versos sempre elegantes e afiados da autora) com a feiura social (pela descrição de uma das passagens mais infelizes da história nacional). O resultado é uma publicação espetacular, que deve colocar outra vez o nome da poetisa entre as personalidades literárias mais comentadas do Brasil no próximo ano. Esse título está com cheirinho de best-seller e de candidato aos principais prêmios da literatura nacional em 2023. A conferir nos próximos meses se minha previsão se concretiza. Entre figuras tão consagradas da literatura brasileira, trago um novato na cena ficcional. Afinal, não é só de medalhões que a arte brasileira contemporânea é constituída, né? “Deixe a Música Contar” é a terceira publicação de Roberto Marcio e, o que é mais legal, sua primeira novela. Quem acompanha há mais tempo o Bonas Histórias na certa se lembrará do autor mineiro que tão boas impressões já deixaram aqui no blog. Comentei na coluna Livros – Crítica Literária os dois títulos iniciais de Marcio: “Andantes das Gerais” (Páginas Editora), coletânea de crônicas de 2020 sobre as viagens realizadas pelo escritor, e “Janelas Visitadas” (7 Autores), coletânea de contos de 2021 com dramas contemporâneos. Cada vez mais à vontade no papel autoral (ele também é revisor e tradutor), Roberto Marcio apresenta agora uma narrativa com mais fôlego. “Deixe a Música Contar” é a novela histórica que mistura música, dramas familiares e viagens. Ou seja, podemos enxergar a nova trama como a junção temática do que já fora trazido em "Andantes das Gerais” e “Janelas Visitadas” (chamo isso de consistência ficcional!). Em um mergulho no passado familiar (o pai era mineiro de Diamantina e a mãe era uma dinamarquesa que veio morar no Rio de Janeiro), o protagonista de “Deixe a Música Contar” quer descobrir suas raízes e entender alguns de seus comportamentos e gostos pessoais. Para tal, ele usa a imersão na realidade mineira (visita Diamantina pela primeira vez) e realiza a investigação na biografia paterna. Pretendo ler essa obra em janeiro e se ela for realmente boa como os títulos anteriores do autor, farei uma análise completa dela na coluna Livros – Crítica Literária. Portanto, aguardem novidades sobre “Deixe a Música Contar” para os próximos meses. Ainda falando de literatura brasileira, trago o novíssimo trabalho de um dos meus escritores nacionais favoritos. Edney Silvestre lançou nesse finalzinho de ano “Pequenas Vinganças”, uma coletânea de breves narrativas ficcionais. Nas tramas dos nove contos do livro, acompanhamos passagens violentas, episódios trágicos e fatos injustos da história do Brasil a partir do ponto de vista de personagens comuns. Aí somos levados ao campo de batalha da Guerra do Paraguai, às residências da elite carioca no auge da Era Vargas, aos bastidores sociais do Período Militar, à desigualdade social das grandes cidades do país e ao drama provocado pela quarentena imposta pela pandemia do novo coronavírus. Quem leu “Vidas Provisórias” (Intrínseca) ainda poderá matar saudades dos protagonistas do romance. O mais interessante da leitura de “Pequenas Vinganças” é que o leitor tem a sensação de estar caminhando por textos de crônicas (tamanha é a sua fidedignidade e contundência narrativas) e não por textos de uma coleção de contos (as figuras, os cenários, as ambientações, os contextos históricos e as situações seriam mesmo ficcionais?!). Por falar em impressões, acho que Edney Silvestre ainda não publicou um livro ruim. Todas as suas obras são impecáveis, dignas de rasgados elogios. Como é possível um autor ser tão competente por tanto tempo?! Sinceramente não sei. A única coisa que sei é que não perco seus lançamentos. Vamos abrir espaço também para a literatura internacional. Afinal, como diriam os apresentadores de televisão das antigas: na Austrália agora já é ano novo!!! Em novembro e dezembro de 2022, meus destaques da estante da ficção gringa vão para “O Mistério Henri Pick” (L&PM Editores), romance policial do francês David Foenkinos, “A Mandíbula de Caim” (Intrínseca), thriller do inglês Torquemada, “Balada de Amor ao Vento” (Companhia das Letras), romance dramático da moçambicana Paulina Chiziane, e “Moçambique com Z de Zarolho” (Dublinense), novela satírica do também moçambicano Manuel Mutimucuio. Confesso que não li ainda “O Mistério Henri Pick” (sim, o título do livro não tem mesmo a palavra “de” entre “O Mistério” e “Henri Pick”, o que causa certo estranhamento – para mim, o correto seria “O Mistério de Henri Pick” ou “O Misterioso Henri Pick”). Contudo, já conheço sua trama. Como isso é possível, Ricardo?! A resposta é simples, caro(a) e desconfiado(a) leitor(a) do Bonas Histórias. Em junho de 2020, assisti à adaptação cinematográfica da obra de David Foenkinos no Festival Varilux em Casa, uma espécie de edição extra da tradicional mostra de cinema francês. Vale a pena dizer que o Festival Varilux em Casa foi lançado no auge da quarentena da pandemia da Covid-19 para aplacar a crise de abstinência dos cinéfilos mais inveterados (põe o dedo aqui que já vai fechar quem se identificou com a parte final da frase anterior). Atualmente, o catálogo do evento está disponível no Looke, plataforma brasileira de streaming de filmes e seriados de TV. Dirigido e roteirizado por Rémi Bezançon, o filme “O Mistério de Henri Pick” (Le Mystère Henri Pick: 2019) – repare que no título do longa-metragem surgiu o tal “de” que faltou no nome da versão brasileira da obra literária; vai entender!!! – foi uma das melhores produções daquela mostra atípica de cinema da Varilux. Mesclando comédia e suspense, o enredo cinematográfico de “O Mistério de Henri Pick” aborda de maneira muito inteligente vários aspectos do fazer literário. Não à toa, fiz uma análise completa do filme de Bezançon na coluna Cinema naquela oportunidade. Vale a pena ver (ou rever) a crítica. E qual foi a minha surpresa ao constatar que a L&PM Editores comprou os direitos do livro que serviu de inspiração para o longa-metragem e o traduziu para o português. Desde novembro, temos acesso diretamente ao romance de David Foenkinos em nosso idioma. Publicado na França em 2016, “O Mistério Henri Pick” se tornou um dos maiores sucessos do autor depois do espetacular “Charlote” (Bertrand Brasil). Se o filme é incrível, tenho a impressão de que a versão literária deve ser de tirar o fôlego. Se as festas de final de ano não afetaram minha percepção editorial (algo que às vezes acontece, tá?), “O Mistério Henri Pick” é um dos mais interessantes lançamentos nessa virada de 2022 para 2023. Ainda na esfera dos romances policiais internacionais, precisamos falar de “A Mandíbula de Caim”, o livro mais cultuado (e, para mim, supervalorizado!) de Torquemada. Uma das grandes novidades de dezembro é que essa obra ganhou uma nova versão em português. A responsável por tal proeza foi a Editora Intrínseca. Torquemada é o pseudônimo de Edward Powys Mathers, inglês que desenvolvia palavras cruzadas para o jornal The Observer na década de 1930. Em “A Mandíbula de Caim”, temos um dos mais difíceis quebra-cabeças da literatura mundial. Afinal, o leitor precisa desvendar por conta própria seis assassinatos em pouco mais de duas centenas de páginas. O problema é que o conteúdo da obra vem totalmente embaralhado. Cabe a cada leitor montar a ordem e a estrutura das histórias porque o autor inglês não facilitou o trabalho de ninguém. Quem lê essa obra de Torquemada tem a impressão de que os originais do livro caíram no chão e as páginas se espalharam aleatoriamente. A partir dessa breve síntese da característica principal do romance, o que acho de “A Mandíbula de Caim”, hein?! Para ser franco com você, não acho a menor graça no conteúdo deste título. Para mim, “A Mandíbula de Caim” está mais para uma trama confusa (na qual suas páginas foram mexidas ao ponto de confundir e não instigar os leitores) do que um enredo sagaz e desafiador. Saudades de você, Agatha Christie! Admito que não tenho a menor paciência para ficar montando um livro que já deveria vir pronto. Para completar, não conheço ninguém que tenha desvendado os segredos de “A Mandíbula de Caim”. Qual a graça, então, de tentar elucidar enigmas quase que indecifráveis?! Para mim, nenhuma. Entretanto, é inegável o charme deste romance de Torquemada, que atrai a curiosidade de milhões e milhões de leitores nos quatro cantos do planeta há quase 90 anos. Se você tiver coragem e paciência, boa leitura! Eu admito que não tenho nem coragem nem paciência. Para encerrarmos definitivamente o passeio pelas novidades editoriais do último bimestre de 2022, vamos viajar até a África lusófona. Provando que a literatura moçambicana vai muito além dos títulos de Mia Couto, os leitores brasileiros tiveram acesso neste finalzinho de ano a dois livros encantadores, um romance e uma novela, de uma dupla de compatriotas do autor de “Terra Sonâmbula” (Companhia das Letras) e “O Fio das Missangas” (Companhia das Letras). O romance em questão é “Balada de Amor ao Vento”, narrativa longa de estreia de Paulina Chiziane, a vencedora do Prêmio Camões de 2021. Ainda bem que a Companhia das Letras está empenhada em lançar no Brasil as principais obras de Chiziane após ela conquistar a principal honraria literária da língua portuguesa. Em junho, a maior editora brasileira da atualidade republicou “Niketche – Uma História de Poligamia” (Companhia das Letras), obra-prima de Paulina Chiziane e clássico da literatura moçambicana. Agora, recebemos a primeira prosa longa da autora. Curiosamente, “Balada de Amor ao Vento” não é apenas o primeiro romance de Paulina Chiziane (ele foi lançado originalmente em 1990) como é também (acredite se quiser) o primeiro romance publicado em Moçambique por uma mulher. O enredo desta obra gira em torno dos encontros e desencontros amorosos de uma jovem moçambicana. Após se apaixonar perdidamente pela primeira vez, a protagonista de “Balada de Amor ao Vento” vivencia a dor da rejeição. E, para piorar ainda mais o quadro afetivo, logo em seguida ela sofrerá ainda mais ao constatar como é espinhosa e injusta a sociedade moçambicana. Diante de um país machista, patriarcal e, por vezes, poligâmico, ela precisará lidar com o retorno efêmero e contraditório do amado. Em um texto extremamente bonito, delicado e forte, Paulina Chiziane mostra o porquê é uma das principais autoras do nosso idioma. Provando que a literatura de Moçambique não está restrita aos escritores clássicos (sim, desde já Mia Couto e Paulina Chiziane são cânones), o jovem Manuel Mutimucuio apresenta “Moçambique com Z de Zarolho”, uma novela ao mesmo tempo cômica e crítica à colonização portuguesa na África. Na bem-azeitada e inteligentíssima ficção de Mutimucuio, o governo moçambicano decide abolir a língua portuguesa como o idioma pátrio. Em seu lugar, foi adotada a língua inglesa como a oficial. Na cabeça das autoridades, a razão do subdesenvolvimento e da pobreza da nação africana passa diretamente pelo idioma falado pelo povo no dia a dia. Uma vez que os moçambicanos passem a falar o inglês no cotidiano, um idioma universal e usado pelas maiores potências capitalistas, na certa Moçambique irá crescer, progredir e enriquecer. A partir dessa decisão, as vidas das pessoas comuns serão gravemente afetadas, cada uma de um jeito distinto. Impossível não gostarmos de uma trama tão criativa e sagaz como essa, né? Em muitos sentidos, “Moçambique com Z de Zarolho” me lembrou as mais cômicas e sátiras narrativas saramaguianas. Aos 37 anos, Manuel Mutimucuio é uma das principais e mais originais vozes literárias da nova geração moçambicana. E, acredite se quiser, “Moçambique com Z de Zarolho” é apenas a segunda publicação do autor (e seu título de afirmação). Vale a pena conhecê-lo. Feitas tais observações sobre os principais lançamentos do mercado editorial brasileiro em novembro e dezembro, vamos, a seguir, para a lista completa com os 125 livros da ficção e da poesia que foram publicados em nossas livrarias no sexto e último bimestre de 2022. Confira aí: FICÇÃO BRASILEIRA: “O Antigo Futuro” (Companhia das Letras) – Luiz Ruffato – Romance – 224 páginas. “Lição de Autonomia” (Darkside) – Enéias Tavares – Romance – 384 páginas. “Os Ratos” (Todavia) – Dyonélio Machado – Romance – 192 páginas. “As Aventuras de Lucas Camacho Fernandez” (Companhia das Letras) – Jorge Furtado – Romance – 184 páginas. “Sina” (Darkside) – Márcio Benjamin – Romance – 224 páginas. “Dia Um” (Companhia das Letras) – Thiago Camelo – Romance – 208 páginas. “1618” (Darkside) – Cesar Bravo – Romance – 368 páginas. “A Vida e as Mortes de Severino Olho de Dendê” (Intrínseca) – Ian Fraser – Romance – 304 páginas. “Todos Se Lavam no Sangue do Sol” (Darkside) – Paulo Raviere – Romance – 224 páginas. “Além da Fumaça” (Labrador) – Edvaldo Silva – Romance – 208 páginas. “Deixe a Música Contar” (7 Autores) – Roberto Marcio – Novela – 144 páginas. “O Manto da Noite” (Companhia das Letras) – Carola Saavedra – Novela – 160 páginas. “A Solidão do Amanhã” (Dublinense) – Henrique Schneider – Novela – 128 páginas. “Laços Invisíveis” (Labrador) – Sara Jordani – Novela – 160 páginas. “Sem Luta Não Se Vive” (Gryphus) – Almir Ghiaroni – Novela – 144 páginas. “Pequenas Vinganças” (Globo Livros) – Edney Silvestre – Coletânea de Contos – 160 páginas. “Tu Não Te Moves de Ti” (Companhia das Letras) – Hilda Hilst – Coletânea de Contos – 144 páginas. “O Corpo Desvelado – Contos Eróticos Brasileiros 1922-2022” (CEPE Editora) – Organização de Eliane Robert Moraes – Coletânea de Contos – 592 páginas. “Educação Natural – Textos Inéditos e Póstumos” (Record) – João Gilberto Noll – Coletânea de Contos – 240 páginas. “Tempo Aberto – Oito Décadas em Oito Contos de Grandes Autores Brasileiros” (Record) – Alberto Mussa, Nélida Piñon, Francisco Azevedo, Antônio Torres, Carla Madeira, Nei Lopes, Claudia Lage e Cristovão Tezza – Coletânea de Contos – 184 páginas. “Mundos Paralelos – Ficção Científica” (GloboClube) – Alexey Dodsworth, Enéias Tavares, Iana A., Jim Anotsu, Lady Sybylla, Roberta Spindler, Toni Moares e Vic Vieira Ramires (Organização de Ana Rüsche) – Coletânea de Contos – 128 páginas. “Mundos Paralelos – Horror” (GloboClube) – Cláudia Lemes, Cristhiano Aguiar, Duda Falcão, Flávia Reis, Flávia Muniz, Márcio Benjamin, Nathália Xavier Thomaz e R. F. Lucchetti (Organização de Oscar Nestarez) – Coletânea de Contos – 128 páginas. “Garrafas que Sonham Macacos” (CEPE Editora) – Everardo Norões – Coletânea de Contos – 144 páginas. “Água com Gás & Outros Contos” (Almedina Brasil) – Elza Galdino – Coletânea de Contos – 124 páginas. “Disritmia” (Malê) – Ronald Lincoln – Coletânea de Contos – 168 páginas. “Tênebra – Narrativas Brasileiras de Horror” (Fósforo) – Cruz e Sousa, Machado de Assis, Olavo Bilac, Julia Lopes de Almeida e Aluísio Azevedo – Coletânea de Contos – 456 páginas. “As Vozes da Minha Cabeça” (Labrador) – S. Ganeff – Coletânea de Crônicas – 208 páginas. “Crônicas Inéditas” (Companhia das Letras) – Vinicius de Moraes (Organização de Eucanaã Ferraz e Eduardo Coelho) – Coletânea de Crônicas – 416 páginas. “Futuro Ancestral” (Companhia das Letras) – Ailton Krenak (Organização de Rita Carelli) – Coletânea de Crônicas e Ensaios – 128 páginas. “A Arte da Biografia – Como Escrever Histórias de Vida” (Companhia das Letras) – Lira Neto – Coletânea de Ensaios – 192 páginas. “A Vida por Escrito – Ciência e Arte da Biografia” (Companhia das Letras) – Ruy Castro – Coletânea de Ensaios – 184 páginas. “A Escrita de Maria Firmina dos Reis na Literatura Afrodescendente Brasileira – Revistando o Cânone” (Malê) – Algemira de Macêdo Mendes – Coletânea de Ensaios – 178 páginas. “As Artemages de Saramago” (Companhia das Letras) – Leyla Perrone-Moisés – Coletânea de Ensaios – 160 páginas. “Maria Firmina dos Reis – Vida Literária” (Malê) – Luciana Diogo – Coletânea de Ensaios – 178 páginas. “Sombra do Sul – Volume 2 de Luzes do Norte” (Galera) – Giullianna Domingues – Infantojuvenil – 352 páginas. “Rumores da Cidade” (Alt) – Lucas Rocha – Infantojuvenil – 344 páginas. “Rebeldes, Revoluções e Outras Coisas que as Princesas Gostam” (Rocco) – Bruna Salles – Infantojuvenil – 336 páginas. “Um Passo de Cada Vez” (Seguinte) – Iris Figueiredo – Infantojuvenil – 264 páginas. “Você Não É Invisível” (Objetiva) – Lázaro Ramos – Infantojuvenil – 112 páginas. “Samambaia Canibal – Um Astuciado Antropófago-Tropicalista” (Escarlate) – Tiago de Melo Andrade (autor) e Amanda Lobos (ilustradora) – Infantojuvenil – 96 páginas. “Minúscula” (Brinque-Book) – Fran Matsumoto – Infantojuvenil – 56 páginas. “Boi da Cara Preta” (L&PM Editores) – Sérgio Capparelli (autor) e Eloar Guazzelli (ilustradora) – Infantojuvenil – 56 páginas. “Contos de Fraldas” (Companhia das Letrinhas) – Tino Freitas (autor) e Talita Hoffmann (ilustradora) – Infantojuvenil – 48 páginas. “Ser O Que Se É” (Companhia das Letrinhas) – Daniel Kondo e Pedroca Monteiro – Infantojuvenil – 48 páginas. “Flor” (Bertrand Brasil) – Cintia Barreto (autora) e André Flauzino (ilustrador) – Infantojuvenil – 40 páginas. “Entre Sonhos e Dragões” (Companhia das Letrinhas) – Adriana Carranca – Infantojuvenil – 40 páginas. “A Bailarina que Pintava Suas Sapatilhas” (Globinho) – Ingrid Silva (autora) e Monge Lua (ilustradora) – Infantojuvenil – 32 páginas. “Domingo na Praça” (Galerinha) – Leo Cunha (autor) e Marilia Pirillo (ilustradora) – Infantojuvenil – 32 páginas. “O Rupestre” (Globinho) – Alexandre de Castro Gomes – Infantojuvenil – 32 páginas. “Maia e Valentim” (L&PM Editores) – Paula Taitelbaum – Infantojuvenil – 28 páginas. “A Amiga Bruxa” (Ases da Literatura) – Gabriela Metzker – Infantojuvenil – 24 páginas. “Onde Está a Boneca da Catarina?” (Labrador) – Sulamita Medina – Infantojuvenil – 20 páginas. FICÇÃO INTERNACIONAL: “O Mistério Henri Pick” (L&PM Editores) – David Foenkinos (França) – Romance – 280 páginas. “Balada de Amor ao Vento” (Companhia das Letras) – Paulina Chiziane (Moçambique) – Romance – 176 páginas. “A Mandíbula de Caim” (Intrínseca) – Torquemada (Inglaterra) – Romance – 216 páginas. “Mau Comportamento” (Fósforo) – Mary Gaitskill (Estados Unidos) – Romance – 256 páginas. “O Passeador de Livros” (Intrínseca) – Carsten Henn (Alemanha) – Romance – 224 páginas. “Primavera dos Sonhos” (Arqueiro) – Nicholas Sparks (Estados Unidos) – Romance – 304 páginas. “Cálculo Mortal” (Bertrand Brasil) – J. D. Robb (Estados Unidos) – Romance – 434 páginas. “Pista Negra” (L&PM Pocket) – Antonio Manzini (Itália) – Romance – 272 páginas. “O Coração É Um Caçador Solitário” (Carambaia) – Carson McCullers (Estados Unidos) – Romance – 368 páginas. “Aniquilar” (Alfaguara) – Michel Houellebecq (França) – Romance – 480 páginas. “Aqueles Que Deveríamos Encontrar” (Alta Novel) – Joan He (Estados Unidos) – Romance – 384 páginas. “Uma Breve História dos Tratores em Ucraniano” (Intrínseca) – Marina Lewycka (Ucrânia/Inglaterra) – Romance – 304 páginas. “A Lista do Juiz” (Arqueiro) – John Grisham (Estados Unidos) – Romance – 320 páginas. “Peter Camenzind” (Todavia) – Hermann Hesse (Alemanha/Suíça) – Romance – 168 páginas. “Honra” (Globo Livros) – Thrity Umrigar (Índia) – Romance – 368 páginas. “O Caminho das Adagas – Volume 8 da Série A Roda do Tempo” (Intrínseca) – Robert Jordan (Estados Unidos) – Romance – 592 páginas. “O Guardião de Segredos de Jaipur – Volume 2 da Série A Pintora de Henna” (Versus) – Alka Joshi (Índia/Estados Unidos) – Romance – 322 páginas. “A Bala que Errou o Alvo” (Intrínseca) – Richard Osman (Inglaterra) – Romance – 320 páginas. “A Escola de Boas Mães” (Globo Livros) – Jessamine Chan (Estados Unidos) – Romance – 336 páginas. “Os Doze Dias de Dash & Lily – Volume 2 da Série Dash & Lily” (Galera) – David Levithan e Rachel Cohn (Estados Unidos) – Romance – 240 páginas. “Murphy” (Companhia das Letras) – Samuel Beckett (Irlanda) – Romance – 272 páginas. “Watt” (Companhia das Letras) – Samuel Beckett (Irlanda) – Romance – 384 páginas. “Fome Azul” (Dublinense) – Viola Di Grado (Itália) – romance – 192 páginas. “Homens e Monstros” (Intrínseca) – Patrick Ness (Estados Unidos/Inglaterra) – Romance – 560 páginas. “De Férias Com Você” (Verus) – Emily Henry (Estados Unidos) – Romance – 392 páginas. “Para O Lado de Swann – Volume 1 de À Procura do Tempo Perdido” (Companhia das Letras) – Marcel Proust (França) – Romance – 488 páginas. “À Sombra das Moças em Flor – Volume 2 de À Procura do Tempo Perdido” (Companhia das Letras) –Marcel Proust (França) – Romance – 528 páginas. “Continência do Amor” (Intrínseca) – Tess Wakefield (Estados Unidos) – Romance – 336 páginas. “Dr. Love” (Alt) – Leisa Rayven (Austrália) – Romance – 432 páginas. “O Palhaço no Milharal” (Alta Novel) – Adam Cesare (Estados Unidos) – Romance – 352 páginas. “Depois Daquele Verão” (Buzz) – Carley Fotune (Estados Unidos) – Romance – 304 páginas. “O Mago do Kremlin” (Vestígio) – Giuliano da Empoli (Itália) – Romance – 256 páginas. “O Passageiro” (Alfaguara) – Cormac McCarthy (Estados Unidos) – Romance – 392 páginas. “O Desafio da Herdeira” (Arqueiro) – Courtney Milan (Estados Unidos) – Romance – 368 páginas. “Memória do Fogo – Caixa Especial” (L&PM Pocket) – Eduardo Galeano (Uruguai) – Coletânea de Romances – 1.184 páginas. “Moçambique com Z de Zarolho” (Dublinense) – Manuel Mutimucuio (Moçambique) – Novela – 128 páginas. “Sobre Minha Filha” (Fósforo) – Kim Hye-jin (Coreia do Sul) – Novela – 144 páginas. “Um Lugar Muito Distante” (Arqueiro) – Jenny Colgan (Escócia) – Novela – 128 páginas. “O Caso da Governanta” (Arqueiro) – Courtney Milan (Estados Unidos) – Novela – 160 páginas. “Na Companhia dos Homens” (Malê) – Véronique Tadjo (Costa do Marfim) – Novela – 120 páginas. “Sou Uma Tola por Te Querer” (Tusquets) – Camila Sosa Villada (Argentina) – Coletânea de Contos – 208 páginas. “A Loteria e Outros Contos” (Alfaguara) – Shirley Jackson (Estados Unidos) – Coletânea de Contos – 264 páginas. “Princesas Dark” (Darkside) – Charles Perrault (França), Hans Christian Andersen (Dinamarca), Irmãos Grimm (Alemanha), Jeanne Marie Leprince de Beaumont (França) – Coletânea de Contos – 176 páginas. “As Histórias de Pat Hobby” (Dublinense) – F. Scott Fitzgerald (Estados Unidos) – Coletânea de Contos – 160 páginas. “As Américas: Um Sonho de Escritores” (Estação Liberdade) – Phillippe Ollé-Lapeune (França) – Coletânea de Crônicas e Ensaios – 336 páginas. “Duas Solidões – Um Diálogo sobre o Romance na América Latina” (Record) – Gabriel García Márquez (Colômbia) e Mario Vargas Llosa (Peru) – Coletânea de Ensaios – 112 páginas. “García Márquez – História de Um Deicídio” (Record) – Mario Vargas Llosa (Peru) – Coletânea de Ensaios – 616 páginas. “Pessoa – Uma Biografia” (Companhia das Letras) – Richard Zenith (Estados Unidos/Portugal) – Biografia – 1.160 páginas. “De Volta a Taipei” (Alt) – Abigail Hing Wen (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 464 páginas. “Dinastia Americana” (Intrínseca) – Tracey Livesay (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 384 páginas. “Flores Feitas de Espinho” (Rocco) – Gina Chen (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 384 páginas. “Lore Olympus – Volume 2 de Histórias do Olimpo” (Suma) – Rachel Smythe (Nova Zelândia) – Infantojuvenil – 368 páginas. “A Garota que Eu Fui” (Rocco) – Tess Sharpe (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 352 páginas. “Por Essa Eu Não Esperava” (Intrínseca) – Jesse Q. Sutanto (Indonésia/Singapura/Inglaterra) – Infantojuvenil – 336 páginas. “Fisgados pelo Amor” (Intrínseca) – Tessa Bailey (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 336 páginas. “Fumaça Branca” (Seguinte) – Tiffany D. Jackson (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 320 páginas. “Oito Horas” (Paralela) – Lia Louis (Inglaterra) – Infantojuvenil – 304 páginas. “Um Sonho em Tóquio” (Seguinte) – Emiko Jean (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 296 páginas. “Almanaque Heartstopper” (Seguinte) – Alice Oseman (Inglaterra) – Infantojuvenil – 160 páginas. “Aya de Youpougon – Volume 3” (L&PM Editores) – Marguerite Abouet (Costa do Marfim) e Clément Oubrerie (França) – Infantojuvenil – 128 páginas. “Isadora Moon Faz Aniversário” (L&PM Editores) – Harriet Muncaster (Inglaterra) – Infantojuvenil – 128 páginas. “Gui e o Anjo dos Sonhos – Livro 2 da Série Anjos da Guarda” (Arqueiro) – Lucinda Riley e Harry Whittaker (Irlanda) – Infantojuvenil – 64 páginas. “Todos os Cachorros do Meu Bairro” (Globinho) – Philip C. Stead e Matthew Cordell (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 48 páginas. “Linhas” (Companhia das Letrinhas) – Suzy Lee (Coreia do Sul) – Infantojuvenil – 48 páginas. “Papai Pinguim” (Globinho) – Lindsay Camp (Inglaterra) – Infantojuvenil – 32 páginas. POESIA BRASILEIRA: “Textos Para Tocar Cicatrizes” (Alt) – Igor Pires – 352 páginas. “Poesia, Te Escrevo Agora” (Alfaguara) – João Cabral de Melo Neto (Organização de Regina Zilberman) – 272 páginas. “Araras Vermelhas” (Companhia das Letras) – Cida Pedrosa – 144 páginas. “Poética Revelada” (Labrador) – Lino Giavarotti Filho – 96 páginas. POESIA INTERNACIONAL: “Garotas em Tempos Suspensos” (Círculo Poemas) – Tamara Kamenszain (Argentina) – 160 páginas. “Poemas Tardios” (Rocco) – Margareth Atwood (Canadá) – 176 páginas. “Poema de Amor Pós-Colonial” (Círculo Poemas) – Natalie Diaz (Estados Unidos) – 160 páginas. Para nos ler, para nos ler, para nos ler. No novo ano, apesar dos perigos, a gente se encontra debatendo na coluna Mercado Editorial. Fazendo leituras, fazendo análises, fazendo literatura no Bonas Histórias. Que tudo se leia no ano que vai nascer. Muito livro na mão e publicações para emprestar e comprar. Feliz 2023! Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você se interessa por informações do mercado editorial, deixe aqui seu comentário. Para acessar outras notícias dessa área, clique em Mercado Editorial. E aproveite para nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.
- Crônicas: O Ano que Esperávamos Há Anos - Dezembro de 2012
Se a Fiel Torcida já estava nas nuvens com o título da Libertadores, a temporada do Timão se tornou perfeita com a conquista do Mundial de Clubes no Japão. 1º de dezembro de 2012 - sábado Chegamos, enfim, ao último mês de 2012. Todos os acontecimentos transcorridos até aqui pareceram mágicos. É um tanto difícil de acreditar que os sonhos esboçados no início do ano se concretizaram. De janeiro para cá, a Fiel Torcida pôde explodir de emoção com a mais esperada conquista da história do Timão. Apesar de os corintianos estarem ainda sob overdose de felicidade, dezembro promete ser ainda mais emocionante para os integrantes do Bando de Loucos. Tudo por causa do Mundial de Clubes da FIFA, a última glória almejada pela nação do Parque São Jorge. Antes de começar o Mundial, é preciso terminar o Campeonato Brasileiro de uma vez por todas. Amanhã será disputada a última rodada do nacional. De importante, o domingo não reserva nadinha de especial em relação à tabela de classificação do Brasileirão. Tudo já está decidido: Fluminense campeão; Atlético Mineiro, Grêmio e São Paulo na Libertadores; Atlético Goianiense, Figueirense e Palmeiras rebaixados; e Sport Recife deverá ser o quarto time a frequentar a Série B em 2013. Nesse cenário de grande monotonia esportiva, os únicos atrativos do próximo final de semana são os clássicos estaduais. Como vem acontecendo nas rodadas finais de turno do Brasileirão, os rivais de cada estado se enfrentam diretamente. Por isso, o Corinthians pegará o São Paulo no Pacaembu. O mando de campo será do tricolor. Mesmo com a alta rivalidade do Majestoso, os dois clubes encaram o jogo como um mero preparativo para as decisões que terão mais à frente. O São Paulo está na final da Copa Sul-Americana. O adversário da equipe do Morumbi será o Tigre da Argentina. O Timão, por sua vez, irá embarcar para ao Japão na madrugada de segunda para terça-feira e disputará a glória máxima do futebol mundial. O técnico Tite já anunciou a escalação de força máxima para o duelo de domingo. "É um preparativo para o Mundial. A ideia de usarmos os titulares é que eles estejam acelerados e com ritmo para o torneio no Japão", disse o gaúcho no CT corintiano. São grandes, portanto, as chances da formação colocada em campo no Majestoso ser repetida na semifinal do Mundial. Fábio Santos, a grande dúvida corintiana durante a semana, se recuperou da contusão sofrida e está confirmado para ir a campo. O único jogador poupado será o zagueiro Paulo André, com dores na panturrilha. Em seu lugar entrará Wallace. O Corinthians enfrentará o São Paulo com: Cássio; Alessandro, Wallace, Chicão e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Douglas e Danilo; Emerson e Guerrero. Se vencer o jogo final do Campeonato Brasileiro, o Corinthians poderá terminar com a melhor campanha do segundo turno. Ou seja, além de viajar embalado com uma deliciosa vitória sobre o principal rival, ainda vamos ostentar o título simbólico de campeão do returno. Para completar, somente um bom resultado amanhã no clássico ajudará a torcida corintiana a se esquecer do último Majestoso, quando o tricolor ganhou de virada com dois gols de Luís Fabiano. O pior de tudo é que eu estava presente na arquibancada naquele dia. 2 de dezembro de 2012 - domingo O domingo na capital paulista foi de sol forte, o que deu um colorido especial ao clássico entre Corinthians e São Paulo. O dia esteve realmente lindo! Mesmo sem maiores ambições no Brasileirão, as duas torcidas se mobilizaram para assistir ao Majestoso simplesmente pelo prazer de derrotar o adversário. O Pacaembu recebeu bom público. Nas arquibancadas, o predomínio era de são-paulinos, os mandantes. Minutos antes da partida começar, chegou a notícia bombástica: o São Paulo resolveu escalar o time inteiramente reserva. O treinador da equipe do Morumbi, Ney Franco, não achou válido arriscar os principais atletas em um jogo sem importância (?!) e preferiu preservá-los para as finais da Copa Sul-Americana. O favoritismo, que já pendia para o lado corintiano, aumentou ainda mais nas últimas horas. A vantagem técnica do Timão ficou evidente logo no começo do jogo. Os jogadores comandados por Tite faziam forte pressão sobre a defesa adversária. Assim, conseguiam roubar a bola e chutar com perigo ao gol são-paulino. Não demorou e em uma dessas roubadas, Douglas desarmou o zagueiro tricolor e passou para Guerrero chutar rasteiro. Goooooooooool do Corinthians. 1 a 0 em menos de 10 minutos. A sensação é que dessa vez nós iríamos golear. Na jogada seguinte, o São Paulo tratou de apagar esse pensamento da mente corintiana. Em um lançamento em profundidade, o meio-campista tricolor ficou livre e empatou a partida. Tudo igual novamente no Majestoso. O gol encheu os atletas do São Paulo de moral e eles passaram a dominar a partida. Era difícil de acreditar, mas os reservas do Morumbi estavam colocando os campeões da Libertadores na roda. O segundo gol tricolor veio em um chutaço de fora da área. A bola foi parar no ângulo de Cássio. 2 a 1 para os são-paulinos. Perdendo o clássico, o Timão saiu mais para o ataque e as chances voltaram a aparecer. Guerrero, o melhor no lado corintiano, concluiu várias vezes com perigo. Se não fossem as defesas salvadoras do goleiro oponente, o peruano teria empatado. O problema é que o gol não saiu e Guerrero sentiu uma fisgada no joelho. Precisou ser substituído ainda no primeiro tempo. Em seu lugar, entrou Jorge Henrique, que mal pisou no campo e marcou um gol legítimo. Infelizmente, o bandeirinha marcou equivocadamente impedimento. No começo do segundo tempo, Jorge perdeu a cabeça, chutou o adversário e foi expulso. Com um homem a menos, o Corinthians não conseguiu mais pressionar o rival e ficou suscetível aos contra-ataques. Em uma rápida descida, o São Paulo sacramentou a virada com o terceiro gol. Falha grotesca de Wallace! 3 a 1 e festa tricolor no Pacaembu. Eles nos derrotaram usando a equipe reserva. Inacreditável! O Timão terminou o Brasileirão no sexto lugar, com 57 pontos (no segundo turno, ficamos na terceira posição). Com os compromissos da competição nacional devidamente encerrados, agora podemos pensar exclusivamente nas obrigações internacionais, a maior meta corintiana no segundo semestre de 2012. 3 de dezembro de 2012 - segunda-feira Hoje, segunda-feira, 3 de dezembro de 2012, foi mais uma data histórica para a torcida corintiana. Novamente o Bando de Loucos demonstrou todo o fanatismo, a empolgação e a confiança na conquista do título mundial pelo Timão. O que era para ser uma simples viagem para a competição da FIFA se transformou em uma grande mobilização da Fiel, ávida por se despedir de seus heróis. A programação corintiana era simples para esta segunda-feira. Os jogadores e a comissão técnica iriam passar o dia concentrados no CT Joaquim Grava. À noite, seguiriam direto para o Aeroporto Internacional de Guarulhos, distante apenas dez quilômetros do QG alvinegro. Lá embarcariam, já na madrugada de terça, em um avião fretado para Dubai, nos Emirados Árabes. A ideia era ficar um dia no país do Oriente Médio antes de seguir viagem para o Japão. Sabendo disso, a Fiel Torcida quis se despedir dos atletas no aeroporto. A massa queria desejar boa sorte e passar boas vibrações aos atletas. Dessa forma, no final da tarde, São Paulo assistiu a uma multidão de corintianos com bandeiras, instrumentos musicais e faixas se dirigindo à Cumbica. Eles chegavam em carros, motos, ônibus e até a pé. Aos poucos, alguns torcedores se transformaram em algumas dezenas. Algumas dezenas se multiplicaram e alcançaram a casa das centenas. De centenas rapidamente eles passaram a ser milhares. A polícia calculou que 15 mil fãs do Timão tenham ido até Guarulhos para dar adeus aos jogadores. Você consegue imaginar 15 mil pessoas indo se despedir de um time de futebol em um aeroporto fora da cidade em um dia de semana? Somente a torcida do Corinthians consegue uma proeza como essa, né?! Cumbica se transformou em uma extensão das arquibancadas do Pacaembu. A despedida de time e torcida foi marcada por muita festa, gritaria, fogos de artifício e rojões. Não cabia mais ninguém no saguão nem na parte externa do aeroporto. O ônibus dos jogadores foi escoltado pela torcida durante todo o trajeto, da saída do CT até a pista de embarque. Um mar de pessoas se aglomerou nas ruas por onde a delegação corintiana passava. A euforia era total. Os atletas do Timão, visivelmente emocionados com a homenagem e o carinho recebidos, não quiseram esperar e desceram do ônibus antes da hora. Foram acenar para os fãs. Delírio da massa! É verdade que a festa corintiana provocou alguns probleminhas para a cidade de São Paulo. O trânsito na Marginal do Tietê e na Rodovia Ayrton Senna ficou bloqueado por algumas horas. Vários voos precisaram ser cancelados, pois os demais passageiros não conseguiram chegar ao aeroporto a tempo de embarcar. Alguns atos de vandalismo foram detectados no meio da aglomeração. Porém, tudo isso é uma nota menor perto da grandeza da paixão dos corintianos e de seu poder de mobilização. A despedida foi feita na intensidade e na dimensão merecidas. Afinal, estamos falando de um time que deseja ser campeão mundial. Agora a sorte está lançada. Boa viagem para todos do Timão! Só espero que a festa seja maior na volta... 4 de dezembro de 2012 - terça-feira O embarque dos jogadores e a festa da torcida corintiana ganharam destaque na imprensa do país inteiro. Uma mobilização de tal magnitude jamais fora vista por aqui. Confira algumas manchetes de jornais e de portais da Internet publicadas hoje: "Tsunami corintiano toma saguão, cria caos e transforma aeroporto em estádio"; "Despedida de torcida do Corinthians deixa emoção e confusão"; e "Multidão de fiéis vai a Cumbica se despedir do Timão, rumo ao Japão". Agora que os jogadores já estão voando para o outro lado do mundo, podemos analisar melhor e com mais tranquilidade os principais fatos dos últimos dias. A derrota no Majestoso domingo não foi algo tão surpreendente assim. Depois de um ótimo começo de jogo, os corintianos tiraram o pé nas jogadas mais fortes. Ninguém queria se machucar na véspera do Mundial, né? Isso ficou mais evidente quando Guerrero teve que sair de campo com problemas no joelho. "Se aconteceu com ele, poderá acontecer comigo também", devem ter pensado os atletas de preto e branco. Eu refletiria dessa forma e tiraria também o pé das divididas. Isso é normal. Como do outro lado havia apenas jogadores reservas e dispostos a tudo para mostrar valor ao treinador, a vitória são-paulina foi uma consequência natural da diferente disposição dos dois times. Além disso, a expulsão infantil de Jorge Henrique só complicou ainda mais a nossa situação dentro do gramado. Apesar de natural, sob essa ótica, a derrota no clássico para o time reserva do São Paulo poderia afetar o moral dos jogadores e da torcida do Timão, justamente no dia da viagem para o Mundial. Ralf, em uma entrevista na segunda-feira de manhã, expôs esse pensamento: “Espero que isso não nos abale, mas sem dúvida é algo complicado. É um jogo que fomos bem abaixo do que podemos, e eles marcaram melhor, finalizaram bem e foram merecedores da vitória”. A mobilização da torcida corintiana à noite no aeroporto foi tão carinhosa, intensa e motivadora que duvido que nesse momento algum jogador alvinegro dentro do avião se lembre da derrota no clássico. Eles devem ter na lembrança apenas o apoio incondicional da Fiel na despedida em São Paulo. De preocupante mesmo, temos a contusão de Guerrero. O peruano passou a segunda-feira no CT corintiano fazendo tratamento no joelho direito e sua presença no Mundial é uma grande dúvida. Qual a extensão da lesão? Ainda não é possível saber a gravidade do problema do centroavante. Tite, que trabalhava com a possibilidade de Guerrero ser titular, declarou antes de entrar no voo que já pensa em alternativas. "Tenho maneiras que podemos trabalhar. As possibilidades de reposição são boas, existem. Preciso aguardar o departamento médico, a recuperação dele. Mas temos dois ajustes que já podemos usar”, disse o comandante gaúcho sem entrar em detalhes sobre seus planos. De qualquer forma, perder nosso camisa 9 para o Mundial é uma tragédia! 5 de dezembro de 2012 - quarta-feira O Corinthians chegou em Dubai, nos Emirados Árabes, e completou a metade do caminho entre o Brasil e o Japão. O voo de 14 horas foi tranquilo, mas extremamente cansativo para a delegação alvinegra. Para passar o tempo, os jogadores aproveitaram as intermináveis horas a bordo para conversar, brincar uns com os outros, ler livros, assistir a filmes e jogar games nos computadores. A comissão técnica pediu para que os atletas não dormissem, o que poderia atrapalhar a aclimatação ao novo fuso horário. A maioria dos atletas conseguiu permanecer acordada. O clima dentro do avião era o melhor possível. Os únicos momentos de maior agitação foram protagonizados pelos jornalistas, que tentavam incessantemente entrevistar os jogadores e registrar cada instante de descontração dos corintianos. Por várias vezes, os comissários de bordo ficaram bravos e pediram aos profissionais da imprensa para permanecer em seus lugares e para não atrapalhar a privacidade dos demais viajantes. Após o desembarque, a comitiva corintiana seguiu direto para o hotel. Às 8 horas da manhã (horário local), todos foram convidados para ir ao shopping center de Dubai, considerado o maior do mundo. A atividade, programada pelo preparador físico, tinha como objetivo manter os atletas acordados. Com o passeio pelas lojas e pelo gigantesco centro de compras, o grupo andou (algo fundamental depois de horas e horas no avião), se divertiu e não correu o risco de acabar na cama dormindo. No começo da noite, os jogadores do Timão foram até o Centro de Treinamento do Al Nassr, um dos times da cidade, para a atividade com bola. Cerca de 50 torcedores corintianos que moram em Dubai visitaram o local e assistiram aos trabalhos. No treino, Tite utilizou quase todos os atletas em um exercício em campo reduzido. Apenas Paolo Guerrero não treinou com bola. O centroavante peruano correu com parcimônia na beirada do gramado para avaliar como andava o joelho contundido. Ele ainda é dúvida para a estreia no Mundial. Antes de sair do Brasil, o jogador acabou tomando algumas infiltrações para aplacar as dores e aguentar a viagem. Depois do treinamento, os jogadores do Corinthians voltaram ao hotel e seguiram horas depois para o aeroporto. Era o início da segunda parte da viagem. Dessa vez, a escala final seria no Japão. A equipe de Tite ficará hospedada em Nagoya, cidade pertinho de Toyota, local da semifinal. Será ali que o elenco do Timão treinará, se ambientará às particularidades do país sede e ao novo fuso horário e se preparará para as duas partidas mais importantes da história do clube do Parque São Jorge. O Timão chegará ao Japão com seis dias de antecedência da estreia no campeonato. É um tempo considerável se pensarmos que o Chelsea, nosso provável adversário na final do Mundial, chegará em cima da hora para a primeira partida. Nossos principais rivais não terão muito tempo para treinar nem para se ambientar ao novo país. Vamos ver qual estratégia é a mais adequada. 6 de dezembro de 2012 - quinta-feira No Chelsea, a coisa está feia. E põe feia nisso! A crise que a equipe londrina atravessa é seriíssima e parece não ter fim. O mau momento do time campeão europeu ganha a cada dia contornos mais dramáticos. Ontem, os Blues conseguiram vencer uma partida depois de sete jogos de insucesso. O que era para ser motivo de alegria se transformou em grande decepção. A goleada de 6 a 1 aplicada no fraco time dinamarquês do Nordsjælland pela Copa dos Campeões não serviu para nada. O Chelsea foi eliminado na primeira fase da competição e, assim, não avançou para as oitavas de finais. Pela primeira vez na história do torneio, os campeões do ano anterior não vão para a segunda etapa. Uma vergonha! Segundo as notícias vindas da Inglaterra, o problema do clube de Londres não é técnico. O time é bom e os jogadores são talentosos. A questão parece ser mesmo comportamental. Há brigas e desentendimentos entre as principais peças do elenco. O relacionamento dos atletas entre si é péssimo e parecem existir várias "panelinhas" no grupo. A chegada de Rafa Benítez, o novo treinador, também fez piorar o clima no vestiário já que o antecessor era bem-quisto por todos, inclusive pela torcida. No último sábado, Rafa Benítez teria tido um ataque de fúria após a derrota de 3 a 1 para o West Ham em jogo pelo Campeonato Inglês. Incomodado por ainda não ter vencido no comando do Chelsea (foram três partidas), o treinador espanhol questionou o caráter dos atletas. Ele indagou se seus comandados tinham personalidade para vestir aquela camisa. Obviamente, o clima no vestiário só piorou depois disso. O presidente do Chelsea, o milionário russo Roman Abramovich, já cogita nova troca no comando da equipe. Ele já teria iniciado conversações com outros técnicos para substituir Benítez no início de 2013. Se tal notícia viesse de um time brasileiro, na certa diríamos que nossos dirigentes são amadores e imediatistas. Como a informação vem do primeiro mundo, o dirigente lá é considerado muito exigente. Ai, ai, ai. No meio de tanta confusão, o clube londrino irá disputar o Mundial de Clubes nos próximos dias. Antes, eles terão um último compromisso, no próximo final de semana, pelo Campeonato Inglês. Depois desse jogo, aí sim os Blues viajarão para o Japão. Evidentemente, chegarão muito pressionados. Se não voltarem com o título, a crise irá aumentar de proporção. Na visão dos europeus, é inconcebível um time do continente perder para as equipes das outras regiões do mundo, supostamente mais fracas e limitadas tanto no aspecto técnico quanto no quesito financeiro. Assim, muitos comentaristas esportivos consideram o Corinthians como o favorito para se sagrar campeão. Trata-se de uma mudança de paradigma. Nos últimos quinze anos, os europeus sempre chegaram ao Japão com o favoritismo ao seu lado. Nos últimos cinco anos, todas as taças do mundial foram para o Velho Continente. O Timão pode acabar com um longo tabu dos sul-americanos. A última vez que o título máximo do futebol não seguiu para a Europa foi em 2006, quando o Internacional surpreendeu o Barcelona e levou para Porto Alegre o tão desejado troféu. 7 de dezembro de 2012 - sexta-feira O Coringão chegou ao Japão. Se a viagem do Brasil a Dubai foi tranquila, não podemos dizer o mesmo do voo dos Emirados Árabes para Tóquio. Logo após a decolagem, um grande barulho assustou passageiros e tripulação. Uma das portas da aeronave apresentou falha e, com a fresta aberta, uma grande ventania se fez no interior do avião. Os comissários de bordo trabalharam rapidamente e o problema foi reparado de maneira improvisada. Mesmo assim, a apreensão foi geral. Chicão e Paulo André tiveram que mudar de poltronas enquanto os funcionários da companhia aérea agiam para reparar o dano. Ralf e Duílio Monteiro Alves, o diretor-adjunto, eram os dois passageiros mais próximos ao local do incidente e se assustaram bastante com o barulho e a ventania. Apesar do intimidante contratempo, o avião pousou na tarde desta sexta-feira em Tóquio. Os jogadores desembarcaram com segurança (ufa!) e no horário estipulado. No aeroporto da capital japonesa não havia torcedores corintianos aguardando o time. Por isso, os atletas do Timão puderam sair do local com uma calma maior do que o habitual. Essa tranquilidade é rara nos últimos dias, pois por onde eles passaram havia sempre muitos torcedores. Até mesmo em Dubai a Fiel marcou presença! A viagem de Tóquio para Nagoya foi feita de ônibus. A chegada à cidade sede do Corinthians no Mundial ocorreu no meio da noite de sexta e foi marcada por muita festa dos torcedores. Cerca de 200 corintianos enfrentaram o forte frio noturno de Nagoya e esperaram os jogadores na porta do hotel onde a delegação ficará. A recepção aos ídolos teve muito barulho e carinho. Apesar da tentativa dos funcionários japoneses do hotel em tentar organizar a recepção, o clima de descontração e a animação tipicamente brasileira preponderaram. Os torcedores invadiram o saguão do hotel para ver de perto os atletas do Timão, o que gerou um grande desentendimento com os seguranças do local. O empurra-empurra foi geral e a polícia foi chamada. "Aonde quer que vamos o torcedor sempre está junto, presente. Agora é ir para o campo e dar nosso máximo. O apoio é importantíssimo. Dá ainda mais vontade de jogar", disse o meio-campista Danilo. Visivelmente, ele estava encantado com o carinho e as boas-vindas dos torcedores na chegada ao hotel. Para completar a aventura do Timão em terras nipônicas, algumas horas após a chegada da delegação do Parque São Jorge, um pequeno terremoto de 7,3 graus na escala Richter atingiu o nordeste do Japão. O epicentro do abalo sísmico aconteceu no mar, a cerca de 200 km de Nagoya. Mesmo assim, o terremoto foi sentido no hotel. O prédio balançou e assustou os brasileiros recém-chegados. Os japoneses, acostumados com a geologia local, não mudaram a rotina nem ligaram para a trepidação. O dia de hoje foi marcado por sustos e mais sustos para os jogadores corintianos. Eles não devem ter acreditado quando voltaram para os quartos e puderam se deitar e dormir tranquilamente. Eles mereciam algumas horas sem sobressaltos. 8 de dezembro de 2012 - sábado Neste sábado, o Timão realizou os primeiros treinamentos em terra japonesa. Os jogadores foram ao campo de manhã e à tarde. O local escolhido pela comissão técnica para as atividades em Nagoya foi o Wave Stadium, uma simpática arena de um time chamado Kariya. Para agradar à Fiel, os dirigentes quebraram o protocolo e liberaram o acesso das arquibancadas para os torcedores. Com isso, aproximadamente 700 corintianos puderam ver de perto os atletas trabalhando. Além dos brasileiros que moram na região e dos integrantes da unidade japonesa da Gaviões da Fiel, muitos peruanos visitaram o treino do Corinthians. O Peru possui uma grande colônia de imigração por lá e várias pessoas foram conferir de perto o principal ídolo do país: Guerrero. A festa no pequeno estádio foi completa. Apesar do frio intenso, os torcedores não pararam de cantar, pular e fazer barulho. O incentivo aos jogadores do Timão era gigantesco. O clima ali era mais de uma partida do que de um simples treinamento. E por falar em Peru, a grande novidade do dia foi a presença de Guerrero no coletivo. O centroavante parece totalmente recuperado do problema no joelho e treinou normalmente com os companheiros. Assim, deverá ser escalado para a semifinal. Trata-se de uma melhora considerável no estado clínico do atleta. Em entrevista, o camisa 9 confessou ter dado como descartada sua presença no Mundial de Clubes. Antes da viagem, a própria comissão técnica corintiana também considerava pouco provável a utilização do jogador no Japão. Porém, tudo mudou com as infiltrações realizadas no joelho do atleta. “Eu sou católico. E vocês sabem que nesses momentos a reza é importante. Eu rezei bastante”, destacou o peruano. Sobre a infiltração, Guerrero garantiu não ser a primeira vez que se sujeita a forte medicação no local. “Doeu pra c...”, gargalhou o atacante ao se lembrar da dor na hora da aplicação da agulha. “É uma motivação a mais para querer o título. Eu estou fazendo tudo para atingir esse sonho, dar esse presente aos corintianos. E todo o Peru será Corinthians no Mundial”, disse Paolo. O time alvinegro escalado por Tite nos dois coletivos desse sábado foi: Cássio; Alessandro, Paulo André, Chicão e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Douglas e Danilo; Emerson Sheik e Paolo Guerrero. Dificilmente veremos outro time na estreia. No Brasil, a Fiel Torcida recebeu outra ótima notícia. Foi divulgado hoje que Corinthians e Nike fecharam um novo contrato de patrocínio. Nos próximos dez anos (de 2013 a 2022), a empresa norte-americana irá pagar R$ 300 milhões ao clube do Parque São Jorge para fornecer o material esportivo do Timão e para vincular sua marca ao Sport Club Corinthians Paulista. Para realizar a assinatura do acordo, a Nike ainda dará uma entrada milionária, cujo valor exato não foi revelado. As cifras do novo patrocínio são duas vezes maiores do o que o atual contrato, em vigência até o final de 2012. É o Timão mais forte e rico fora das quatro linhas, senhoras e senhores! 9 de dezembro de 2012 - domingo Meu domingo de manhã foi totalmente dedicado ao Mundial de Clubes da FIFA. Acordei antes das 5 horas para ver a partida entre Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul, e Monterrey, do México. O confronto era pelas quartas de finais. O vencedor desse jogo enfrentaria o Chelsea na próxima quinta-feira. O palco do confronto entre sul-coreanos e mexicanos era o Estádio de Toyota. Se eu estava com sono por ter saído tão cedo da cama, o pior foi vivenciado pelo narrador, Ulisses Costa, e pelo comentarista, o ex-jogador Edmundo. Pela voz da dupla que foi escalada para a primeira partida do dia, eles também estavam muito incomodados pelo despertar em plena madrugada. Foi engraçadíssimo acompanhar a luta da equipe da Band para ficar ligada e entretendo os telespectadores. O jogo não apresentou bom nível técnico. O time sul-coreano era fraquíssimo e não exigiu muito trabalho aos mexicanos. Ciente de sua força, o Monterrey atuou em ritmo lento e se poupou para a próxima partida, essa sim uma pedreira. Quando quiseram, os campeões da CONCACAF foram para o ataque e, após boas trocas de passes, chegaram aos gols. O primeiro aconteceu logo no começo. Os outros dois vieram apenas no finalzinho. No último minuto do segundo tempo, o Ulsan ainda conseguiu descontar de fora da área, em uma falha bizarra do goleiro mexicano. Pelo visto, não eram só os brasileiros que estavam com sono, né? Com o 3 a 1 sobre o Ulsan Hyundai, o Monterrey se habilitou para enfrentar o Chelsea na próxima quinta-feira. Se os ingleses não jogarem um bom futebol, é capaz de não passarem para a final. A equipe da América do Norte joga direitinho e deve dar trabalho aos campeões europeus. Após o café da manhã, me preparei para ver quem seria o adversário do Corinthians na próxima quarta-feira. Sanfrecce Hiroshima do Japão, que vencera o Auckland City da Nova Zelândia por 1 a 0 na oitava de final, e Al Ahly do Egito jogaram a segunda partida do dia em Toyota. As câmeras de TV mostraram que os jogadores e a comissão técnica do Timão estavam nas arquibancadas do estádio. Dessa vez, o jogo foi melhor tecnicamente. Pelo menos não havia tanto desequilíbrio entre as equipes como na partida anterior. Os egípcios começaram melhor e fizeram 1 a 0. Depois, só deu o time japonês, que empatou e quase virou. No segundo tempo, mesmo com o melhor futebol do Sanfrecce, o Al Ahly conseguiu fazer o segundo gol. Aí os egípcios se seguraram na defesa. O confronto terminou 2 a 1 para os africanos, que comemoraram muito a passagem para as semifinais do Mundial. Portanto, o Timão já tem definido qual será seu adversário em 12 de dezembro. É o Al Ahly. Os egípcios mostraram um futebol apenas razoável na estreia. Na parte física, eles aparentaram ser muito limitados pois cansaram no segundo tempo. Talvez o jogo de quarta não seja tão fácil para os comandados de Tite. Por outro lado, também não deve ser muito difícil derrotar os africanos. Vamos esperar para ver. 10 de dezembro de 2012 - segunda-feira A maior migração humana em tempos de paz da história. É assim que a imprensa está chamando o deslocamento dos corintianos do Brasil para o Japão. No último final de semana, cerca de 20 mil pessoas embarcaram para o outro lado do mundo para ver o Timão no Mundial. Cumbica virou praticamente a extensão do Parque São Jorge. Desde sexta-feira é impossível não achar alguém vestindo a camisa do Corinthians ou usando algo do clube em alguma parte do Aeroporto Internacional de Guarulhos. O mais incrível é que essa multidão deverá se encontrar no Japão com outra massa de torcedores do Timão. Há milhares de corintianos morando no país asiático e eles também se programaram para ver in loco a competição da FIFA. Além da Fiel Torcida que mora no Brasil e no Japão, a romaria em direção à Toyota vem de outras partes do planeta. Conforme divulgado pelo jornal O Lance!, muitos corintianos que vivem na Austrália e na Nova Zelândia se programaram para chegar nos próximos dias à sede do mundial. Assim, teremos uma nova invasão corintiana, dessa vez ao Japão. Não será surpresa se na próxima quarta-feira as arquibancadas do estádio em Toyota estiverem abarrotadas de torcedores alvinegros. Do ponto de vista de proeza histórica e de complexidade logística, a aglomeração corintiana no Mundial Interclubes de 2012 deverá superar a Invasão Corintiana no Maracanã. Na semifinal do Campeonato Brasileiro de 1976, 70 mil mosqueteiros dividiram meio a meio o estádio carioca com a torcida do Fluminense. Apesar de ter tido um número bem maior de pessoas, o deslocamento da década de 1970 foi de apenas 450 quilômetros, enquanto o de hoje é de mais de 18 mil quilômetros (eu disse 18 mil quilômetros!!!). Você consegue imaginar 20 mil pessoas largando a rotina, alterando a dinâmica social, faltando ao trabalho, deixando a família, se sacrificando financeiramente e encarando uma viagem de mais de 20 horas de duração. E para quê? Só para ver de perto o clube preferido em duas partidas de futebol. É incrível constatar a dimensão e o fanatismo dessa torcida. O amor da Fiel pelo Timão parece ilimitado. Nessa hora, me certifico que não deva existir torcida mais apaixonada (e apaixonante) no mundo. E, desculpem-me os flamenguistas, não deve ter também torcida mais numerosa. Para se ter uma ideia do que representa a migração corintiana ao Japão, vale lembrar que o Brasil enviou para a Segunda Guerra Mundial 25 mil soldados. Sim, senhores e senhoras, 25 mil brasileiros lutaram na Europa na década de 1940. E, em 2012, 20 mil vão assistir ao principal campeonato de clubes do futebol no outro lado do mundo. Pode-se até discutir qual dos dois eventos é mais importante para a humanidade (não queiram saber minha opinião sobre esse tema, tá?!!!), mas desde já podemos comparar em magnitude e em logística essas mobilizações humanas. Boa sorte para todos os que embarcaram nessa grande aventura futebolística. Infelizmente, eu não pude viajar e terei que ficar em São Paulo torcendo por cada um de vocês. Essa viagem será, tenho certeza, a mais emocionante, produtiva e feliz da vida de todos vocês. Banzai, corintianos! 11 de dezembro de 2012 - terça-feira Está chegando a hora do Mundial Interclubes começar para o Corinthians. Amanhã de manhã, às 8h30 no fuso horário de Brasília, a bola rolará para Timão e Al Ahly. A expectativa da Fiel Torcida e dos anticorintianos é imensa. Como não poderia ser diferente, esse é o principal assunto de hoje na cidade de São Paulo. A impressão que tenho é que não há outro tema sendo discutido na metrópole. Nas emissoras de rádio, nos programas de televisão, nos principais cadernos dos jornais e nas páginas de Internet, a pauta recorrente é o Corinthians no Japão. Os paulistanos estão se planejando para ver o jogo do Timão como se fosse o Brasil na Copa do Mundo: em casa, no trabalho, no bar, na padaria, junto com os amigos. Há muitas opções. Eu vou assistir em casa mesmo. No outro lado do mundo, os jogadores corintianos puderam, nessa terça-feira, conhecer de dentro do gramado o estádio da partida. Se no último domingo eles ficaram nas arquibancadas vendo o jogo da quarta de final entre Al Ahly e Sanfrecce, dessa vez eles desceram para o campo para treinar. Na atividade de 40 minutos, o treinador alvinegro fez um coletivo. A cidade de Toyota fica a apenas uma hora de distância de Nagoya, onde os atletas do Parque São Jorge estão hospedados e concentrados. O estádio, cujo nome é o mesmo da cidade, é um dos mais modernos do país e tem capacidade para 45 mil pessoas. Seu formato é bem original e lembra um acordeon. Os atletas do Timão ficaram encantados com a estrutura e com a qualidade da arena. Todos rasgaram elogios para a organização da competição. O Corinthians entrará em campo na semifinal do Mundial sem nenhuma surpresa. Tite confirmou a equipe alvinegra com a seguinte formação: Cássio; Alessandro, Chicão, Paulo André e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Danilo e Douglas; Emerson e Guerrero. Aparentemente, a maior preocupação de última hora da comissão técnica corintiana tem sido o forte frio que tem feito no Japão. No último final de semana, nevou muito em Toyota e os jogos das semifinais foram disputados com flocos de neve no gramado. A previsão do tempo para amanhã na hora da partida é de 0°C. Pelo menos não deverá nevar, segundo os meteorologistas japoneses. Para se precaver do frio excessivo, o Corinthians usará camisas térmicas sob o uniforme. A própria camisa do time foi desenvolvida com um material mais resistente do que o normalmente utilizado no Brasil. A vestimenta também é mais alongada para proteger o pescoço dos atletas. Além disso, os jogadores do Timão serão incentivados a usar pomadas térmicas antes da partida. Dessa maneira, os pés se aquecem mais rapidamente e evita-se o formigamento nos dedos. Se o frio é um inimigo dos brasileiros, também podemos dizer que ele será dos egípcios. Os atletas do Al Ahly não estão acostumados com temperaturas tão baixas. Por isso, não haverá vantagens ou desvantagens climáticas para nenhum lado na semifinal. Chegou a hora, galerinha! Agora a emoção vai tomar conta do Bando de Loucos estando seus integrantes no Brasil, no Japão ou em qualquer parte do mundo. Vai, Curintia! 12 de dezembro de 2012 - quarta-feira A tão aguardada estreia do Timão no Mundial Interclubes finalmente chegou. O Estádio de Toyota não estava totalmente lotado para a semifinal entre Corinthians e Al Ahly. Porém, a Fiel Torcida não decepcionou e a prometida invasão ao Japão se concretizou. Dos 31 mil torcedores presentes na arquibancada, a quase totalidade era de corintianos. O estádio japonês estava parecendo o Pacaembu com bandeiras e faixas do Timão. Até os gritos e as músicas entoados eram os mesmos dos produzidos em São Paulo. Talvez a grande diferença fosse o frio de 4°C, o que não desanimou os brasileiros. O primeiro tempo começou estranho. O Corinthians estava bem e controlava a posse de bola, mas não conseguia imprimir velocidade e contundência ao jogo. O Al Ahly se mantinha totalmente recuado e evitava os ataques adversários. O primeiro lance de gol aconteceu aos 9 minutos. Douglas chutou na entrada da área. A bola foi para fora. Depois disso, um novo lance de perigo só aconteceu aos 30 minutos. Aproveitando-se de um rebote originado por uma cobrança de escanteio, Douglas cruzou de primeira. A bola encontrou a cabeça de Guerrero. O camisa 9 a mandou para as redes. Gol do centroavante peruano! 1 a 0 para o Timão. O primeiro tempo terminou com a vantagem mínima e sem que Cássio tivesse trabalhado. O segundo tempo foi totalmente diferente. Inexplicavelmente, o time corintiano voltou mais recuado e muito nervoso. A equipe de Tite não acertava mais do que três passes. Douglas e Emerson estavam irreconhecíveis e não conseguiram fazer nenhuma boa jogada. Danilo estava sumido. Guerrero e Paulinho eram os únicos com o mínimo de lucidez em campo, mesmo assim estavam bem abaixo do desempenho normal. O Corinthians não chutou ao gol adversário nos 45 minutos finais. E, acredite se quiser, foi muito pressionado pelos egípcios. As chances de gol na segunda etapa foram todas do nosso oponente. Para sorte da Fiel, os atletas do Al Ahly não tinham boa pontaria. Os melhores chutes dos campeões africanos foram de fora da área. Por quatro vezes, a bola passou raspando a trave de Cássio. Meu Deus! Quando eles tentavam cruzar bolas altas na área corintiana, nosso goleirão saía do gol com a competência de sempre e as defendia com certa tranquilidade. Depois de intermináveis minutos de drama, o juiz apitou o final do jogo. Devem ter sido os três quartos de hora mais longos do ano para os corintianos. O 1 a 0 e a classificação para a final trouxeram alívio para a Fiel. Conseguimos o resultado, mas a apresentação da equipe de Tite foi lamentável. Se jogarmos novamente assim no domingo seja qual for o rival, os mexicanos do Monterrey ou os ingleses do Chelsea, dificilmente voltaremos para casa com o caneco. Disso tenho certeza. Não vamos ser pessimistas. Vamos pensar diferente, tá? Vencemos hoje e estamos classificados para a final do Mundial. Até domingo, Tite irá identificar os erros apresentados nessa quarta-feira e vai solucioná-los. Não creio que o Corinthians vá jogar duas partidas seguidas tão mal. Que venha Monterrey ou Chelsea. 13 de dezembro de 2012 - quinta-feira A quinta-feira começou com fogos de artifício e rojões no céu da capital paulista. Desta vez não se tratava da comemoração de corintianos com a conquista da vaga à final do Mundial. A festa era tricolor. O São Paulo se sagrou campeão da Copa Sul-Americana ao bater os argentinos do Tigre por 2 a 0 na quarta-feira à noite no Morumbi. Assim, o futebol paulista fecha a temporada de 2012 com todos os troféus do continente – o Timão e o Santos já tinham conquistado, respectivamente, a Libertadores e a Recopa. Com o título são-paulino de ontem, teremos Corinthians e São Paulo na Recopa de 2013. Serão mais dois belos Majestosos no calendário. Mesmo com o foguetório que se estendeu até de madrugada, acordei mais uma vez bem cedo para acompanhar a segunda semifinal do Mundial. A partida da quinta-feira era Chelsea versus Monterrey. O jogo foi em Yokohama, o mesmo palco da final de domingo. O estádio estava vazio para o duelo. Evidentemente, o Chelsea não possuía uma torcida tão numerosa e fanática como a do Timão, né? Na arquibancada, os jogadores e a comissão técnica do Corinthians estavam presentes para ver de perto os lances da partida que apontaria o seu adversário para a decisão. O jogo começou como previsto. O Chelsea partiu para cima e as chances de gols para os ingleses iam se multiplicando. Depois de 17 minutos de ótimo futebol dos europeus, o gol saiu. Em boa troca de passes pela esquerda do ataque dos Blues, o meia espanhol Mata recebeu a bola na área e chutou com precisão para as redes mexicanas. Chelsea 1 a 0. Festa dos poucos ingleses presentes no estádio. Após a metade do primeiro tempo, a partida mudou de panorama. O Monterrey abandonou a defesa e foi para frente. Com a postura mais ofensiva, os campeões da CONCACAF passaram a levar perigo ao goleiro inglês. Os mexicanos tiveram várias oportunidades para marcar, mas falharam nas finalizações. Eles mereciam ter ido para o intervalo com o empate. Entretanto, o placar ficou mesmo no 1 a 0. O segundo tempo começou arrasador para o Chelsea. Em dois minutos, o time londrino marcou mais duas vezes. 3 a 0! As duas jogadas foram iniciadas pelo belga Hazard e as conclusões foram feitas por espanhóis: Mata e o centroavante Fernando Torres. Os gols levaram os mexicanos ao nocaute. Com o adversário paralisado, os ingleses passaram a tocar a bola e esperar o tempo passar. A estratégia se mostrou inteligente, pois dessa forma era possível poupar a equipe para a final de domingo. Os 45 minutos finais passaram sem grandes sustos para os europeus. No último minuto da partida, o Monterrey ainda conseguiu aplicar um bom ataque e marcou o gol de honra. Placar final em Yokohama: Chelsea 3, Monterrey 1. Os Blues estão na decisão do Mundial como era previsível. Então, anote aí: domingo, 8 horas da manhã (horário de Brasília), Corinthians e Chelsea jogarão pelo título máximo do futebol. Serão os 90 minutos mais emocionantes do ano. E será um dia para entrar para a história da Fiel Torcida e do Sport Club Corinthians Paulista. 14 de dezembro de 2012 - sexta-feira Depois das semifinais do Campeonato Mundial, o favoritismo mudou de lado. Se antes do início da competição muitos torcedores e vários jornalistas esportivos davam como grande a chance de o Corinthians conquistar o troféu no Japão, agora as apostas são depositadas em sua maioria para o lado do Chelsea. O ótimo futebol apresentado pelos ingleses na partida contra o Monterrey encheu os olhos do mundo. Em contradição, o péssimo desempenho da equipe brasileira contra o Al Alhy assustou a torcida e a imprensa. O clima de confiança e o sentimento de alegria da Fiel antes do início do torneio se transformaram agora em apreensão. Conseguiremos vencer os europeus no domingo? Muita gente começa duvidar disso. Para os jornalistas da BBC que estão cobrindo o Mundial, o Chelsea não deverá ter dificuldades para erguer a taça no final de semana. Na quinta-feira, Pat Nevin, o principal comentarista esportivo da estatal inglesa, declarou: “Assistindo à partida entre Corinthians e Al Alhy, fica claro que o Chelsea está muito à frente destas duas equipes. O time (londrino) arrasará qualquer um deles se jogar com a atitude correta”. Apesar da arrogância das palavras, a percepção de Nevin não é totalmente equivocada e está condizente com o desempenho dos finalistas nos campos japoneses. O presidente corintiano, Mário Gobbi, tentou minimizar as consequências de uma possível derrota: “Se perdermos não será o fim do mundo. Ser segundo do mundo não é uma derrota. Tivemos um ano maravilhoso na história do Corinthians. Vencemos a Copa Libertadores”. Ele está pessimista ou só está tentando tirar a pressão das costas de seus jogadores, hein? Acredito que seja as duas coisas ao mesmo tempo. Tite é quem precisa mudar a situação! No treinamento realizado hoje no estádio do Yokohama FC, na região onde acontecerá a final, ele já começou a fazer alterações importantes no time corintiano. O comandante alvinegro sacou Douglas da equipe. O camisa 10 teve desempenho horrível na quarta-feira e não deverá entrar em campo no domingo. Em seu lugar, o treinador colocou Jorge Henrique. A ideia é dar mais velocidade ao jogo, já que o meio de campo com Danilo e Douglas ficou muito lento. “Há uma possibilidade de jogar com mais um de velocidade. Eu posso mudar na linha de três. Um jogador de mais velocidade e na transição. Mas pode ser na armação. Podem ser dois. O Chelsea tem seis jogadores altos, de imposição física diferente. Vamos pensar depois”, disse Tite logo após a vitória inglesa na quinta-feira. Jorge ajuda mais na marcação, algo importantíssimo para a final. Romarinho também está brigando por essa vaga e não será surpresa se for ele o escolhido para começar o jogo. Com Romarinho, o Corinthians fica mais ofensivo. No treinamento dessa sexta, Alessandro e Paulo André foram poupados das atividades com bola porque sentiram cansaço muscular. Eles devem treinar amanhã, na véspera do jogão. No sábado acontecerá o reconhecimento do gramado do estádio da decisão. Agora é esperar até amanhã para ver o time que será escalado por Tite. 15 de dezembro de 2012 - sábado Estamos a algumas horas do jogo mais importante da história do Sport Club Corinthians Paulista. Amanhã de manhã (horário de Brasília), o Timão enfrentará o Chelsea na final do Mundial, em Yokohama. Vencer os europeus não é algo trivial. Nos últimos cinco anos, nenhum time sul-americano conseguiu levantar o tão cobiçado troféu da FIFA. O poderio econômico, a maior organização dentro e fora de campo e a excelência das equipes do Velho Continente ficam a cada temporada mais evidentes. Se o Timão vencer a partida, será uma conquista heroica de David contra Golias. Para o confronto de domingo, Tite já definiu a mudança que promoverá na equipe corintiana. Jorge Henrique será mesmo o titular. “Está confirmado o time, sim. Entra o Jorge Henrique para dar mais velocidade na transição. Sai o Douglas”, comunicou o treinador alvinegro na entrevista coletiva após o treinamento de reconhecimento do gramado em Yokohama. A ideia do gaúcho é dar mais velocidade ao ataque alvinegro. O posicionamento ofensivo do Timão será o seguinte: Emerson atuará pela esquerda, Jorge Henrique pela direita, Danilo armará as jogadas pelo meio e Guerrero ficará na frente como centroavante. Na estrutura defensiva, nada muda. A entrada de Jorge aumenta o poder de marcação do lado direito da defesa corintiana já que ele ajuda bastante naquele setor. Vale lembrar que nos confrontos contra o Santos nas semifinais da Libertadores, o camisa 23 foi determinante para a anulação de Neymar. Como o time do Chelsea tem o rápido e talentoso Hazard naquele lado do campo, o atacante corintiano deverá auxiliar Alessandro na marcação do avante belga dos Blues. Tite disse que Douglas ficou triste com sua decisão, mas soube entendê-la. “Ele foi o primeiro a saber. Falei para ele: ‘Entendo que é a melhor opção, mas quero te dizer que te prepare porque eu posso reconsiderar durante o jogo e você pode ser decisivo’”, falou o técnico aos jornalistas. O time do Parque São Jorge que entrará em campo no domingo é o seguinte: Cássio; Alessandro, Chicão, Paulo André e Fábio Santos; Ralf, Paulinho e Danilo; Jorge Henrique, Emerson Sheik e Paolo Guerrero. Curiosamente, essa é a primeira vez em que o Timão terá tal formação. O ineditismo da escalação dos 11 titulares não preocupa Tite. Ele considera sua equipe bem treinada e preparada para o desafio. Além da mudança dos jogadores, o esquema tático também foi alterado para o próximo jogo. O time corintiano deixará o 4-4-2, utilizado na maior parte do ano (tanto no Campeonato Brasileiro quanto na Libertadores de 2012), e voltará a usar o esquema 4-3-3, mais utilizado em 2011. Confesso que gostei das mudanças. Não podíamos jogar como na semifinal, né? A estratégia de Tite parece realmente a melhor no momento. Vamos ver como ela será executada dentro de campo amanhã. Desejo boa sorte para nossos jogadores e espero a dedicação integral deles durante toda a partida. Sucesso para nossos campeões! 16 de dezembro de 2012 - domingo Ao cair da noite no Japão, a Fiel invadiu o Estádio de Yokohama. Aproximadamente 70 mil pessoas lotaram as arquibancadas e deixaram o palco da decisão como se fosse um grande Pacaembu oriental. Entre os torcedores, a coloração predominante era o preto e branco. O azul do Chelsea só apareceu quando os jogadores da equipe londrina entraram em campo. Aos gritos de "Vamos Corinthians, esta noite teremos que ganhar!", os atletas corintianos também entraram no gramado. O jogo começou equilibrado. O Corinthians tentava atacar e o Chelsea também avançava. O primeiro lance de perigo aconteceu aos 10 minutos. Após escanteio para os ingleses e bate-rebate na área corintiana, a bola sobrou livre para um jogador de azul. Ele chutou forte e Cássio defendeu com a bunda. Espetacular! Depois do susto inicial, o time do Parque São Jorge melhorou e passou a dominar as ações ofensivas. A equipe de Tite teve três chances de gol. A primeira foi com Jorge Henrique, em um chute de fora da área. O goleiro defendeu. Depois foi com Paulinho, também de longe. A bola foi para fora. E a terceira boa oportunidade começou com Guerrero. O centroavante tentou chutar para o gol. A bola caminhava para fora quando Emerson tentou sem ângulo pegar o rebote. A bola bateu na trave e saiu. Quase! Antes do término da primeira etapa, o Chelsea reagiu. Aí Cássio voltou a aparecer. O goleirão fez três excelentes defesas à queima-roupa. Sensacional! O camisa 12 do Timão seria eleito merecidamente o melhor em campo mais tarde. Se não fosse ele... A partida manteve-se muito equilibrada no segundo tempo. Os dois times tentavam atacar e deixavam o jogo aberto. Logo de cara quem quase marcou em um contra-ataque foi o Chelsea. Graças ao Cássio, a bola não entrou. No lance seguinte, Paulinho recebeu de Guerrero e chutou rente a trave. Saiu por pouco! Quase o marcador era inaugurado. Após os 15 minutos complementares, o Corinthians passou a dominar as ações. A defesa alvinegra conseguia bloquear as ações adversárias e o time chegava rapidamente ao ataque. A supremacia preta e branca se materializou de fato aos 23 minutos. Paulinho passou para Danilo, que chutou para o gol. A bola desviou na defesa e foi parar na cabeça de Guerrero. O peruano cabeceou de maneira precisa. Gooooooooooool! Timão 1 a 0. Explosão da Fiel no Japão e no mundo inteiro. Os minutos finais foram de grande pressão do time inglês. Novamente Cássio apareceu de forma precisa. Ele defendeu uma finalização que o centroavante do Chelsea teve cara a cara. Na única bola que o camisa 12 não conseguiu defender e o adversário mandou para as redes, o bandeirinha marcou corretamente impedimento. Meu coração quase parou nessa hora. No último segundo, o Chelsea ainda chutou na trave. Quanto sofrimento, Santo Deus!!! Com o apito final do juiz, a festa começou. Primeiro no campo, depois nas arquibancadas do estádio e, por fim, na cidade de São Paulo, no Brasil e nos quatro cantos do planeta. O Corinthians se sagrou bicampeão do mundo! O sonho dourado se realizava. E 2012 se materializava como o ano mais corintiano da história! 17 de dezembro de 2012 - segunda-feira A Fiel Torcida está de ressaca hoje. A festa corintiana começou no domingo de manhãzinha, tão logo terminou a decisão do Mundial, e só acabou (isso é, se acabou?!) quando a segunda-feira já havia apontado no horizonte. O que posso dizer é que a comemoração alvinegra foi linda e grandiosa. Os festejos explodiram no Japão, rapidamente se espalharam por São Paulo, tomaram muitas cidades nacionais e fizeram eco em pontos no exterior onde a presença de brasileiros (e de corintianos) é grande. Não é exagero afirmar que o mundo parou para celebrar a conquista do Timão. O Corinthians é campeão do Mundial Interclubes! Somos novamente o melhor time do planeta!! O mundo do futebol está aos nossos pés, senhoras e senhores!!! Em Yokohama, os milhares de mosqueteiros levaram, após a partida, o espírito carnavalesco e alegre da comemoração para as até então calmas e silenciosas ruas japonesas. A fria noite do outono nipônico nunca foi tão quente e animada como em 16 de dezembro de 2012. A festa foi para japonês ver e aprender como se celebra um título no futebol. Em São Paulo, as ruas e avenidas foram invadidas por uma multidão disposta a festejar intensamente a maior conquista da história do clube do Parque São Jorge. Andei pela cidade nesse domingo só para ver as cenas da Fiel comemorando. Testemunhei buzinaço dos carros; a Avenida Paulista foi invadida e tomada pelos torcedores; a quadra da Gaviões da Fiel esteve lotada o dia inteiro; havia pessoas nas calçadas soltando fogos e rojões; famílias hastearam bandeiras do Timão nas portas, janelas e terraços das residências; e milhares e milhares de pessoas com o uniforme do Corinthians vibraram nas calçadas. Foi emocionante!!! Depois vi pela televisão os festejos nas outras cidades paulistas. Em menor dimensão, as cenas dos corintianos comemorando pelas ruas também foram vistas em outras capitais brasileiras. Até no exterior, os corintianos se reuniram para celebrar a vitória sobre o Chelsea. Londres, Buenos Aires, Nova York, Tóquio e Sidney foram algumas das localidades onde a farra alvinegra teve boa dimensão e intensidade. Se pensarmos bem, o título mundial do Timão foi merecido por tudo aquilo que o clube do Parque São Jorge fez nos últimos cinco anos. Após o rebaixamento em 2007, o Corinthians se organizou, se fortaleceu e se tornou quase imbatível. Estamos invictos há 16 partidas internacionais (14 da Libertadores e 2 do Mundial). A defesa alvinegra só sofreu quatro gols nesses confrontos (média de 0,25 tento por jogo). É uma marca incrível, né? A torcida corintiana também merece citação. O comportamento da Fiel em 2012 foi exemplar. Não é errado dizer que em dezembro, o mundo conheceu a paixão e a dimensão do Bando de Loucos. A festa parou hoje, mas ela será retomada amanhã. O voo que traz jogadores, comissão técnica e dirigentes corintianos saiu do Japão nessa segunda de manhãzinha e deve pousar em São Paulo na terça às 7 horas. Uma grande recepção aos campeões está sendo preparada na cidade. Vamos conferir! 18 de dezembro de 2012 - terça-feira Nessa terça-feira, a cidade de São Paulo parou para recepcionar a delegação campeã do mundo. Os corintianos tomaram as ruas da capital paulista para celebrar a grande conquista. Dessa vez, a festa era junto dos heróis. Por cinco horas e meia, os torcedores tiveram a oportunidade de comemorar o título com jogadores, comissão técnica e dirigentes do Parque São Jorge. A festa da Fiel começou às 7 horas da manhã quando o avião vindo do Japão pousou na pista de Cumbica. O governador de São Paulo, o santista Geraldo Alckmin, já estava à postos para cumprimentar o melhor time do mundo assim que a porta da aeronave se abriu. Várias emissoras de televisão e de rádio acompanhavam tudo atentamente e cobriam o evento ao vivo com grande destaque em suas programações. De Guarulhos, os atletas corintianos entraram em dois ônibus do clube e foram em direção ao centro da cidade. A carreata foi devidamente escoltada por batedores da polícia e teve o trânsito aberto pelo pessoal da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Muitos torcedores estavam na região do aeroporto logo cedinho e puderam acenar de longe para os jogadores. A comitiva seguiu até a Avenida Tiradentes. No batalhão da Rota, a unidade especial da Polícia Militar, o prefeito de São Paulo, o são-paulino Gilberto Kassab, congratulou os campeões e entregou uma placa comemorativa pelo título ao presidente corintiano, Mário Gobbi. Ali jogadores e o técnico do Timão subiram em um trio elétrico e desfilaram em carro aberto em direção à Zona Norte da cidade. Acompanhado o tempo inteiro por uma pequena multidão, o trio elétrico seguiu até a Praça Campos de Bagatelle, onde a maior parte da torcida se concentrava à espera dos campeões. No trajeto, cenas bonitas de carinho, de fanatismo e de alegria dos integrantes do Bando de Loucos foram testemunhadas. Na praça aconteceu o apogeu da festa. Os jogadores falaram com os torcedores, cantaram e ergueram mais uma vez o troféu. A torcida retribuiu cantando músicas, soltando rojões e desfilando bandeiras. De lá, os jogadores corintianos regressaram em ônibus do clube para o CT Joaquim Grava. A ideia inicial era prolongar a comemoração por todo o dia, mas os atletas sentiram o cansaço da longa viagem. Assim, o festejo acabou pouco depois do meio-dia. No Centro de Treinamento do Timão, os jogadores e a comissão técnica foram liberados para encontrar os familiares e para ir embora para casa. Antes de deixarem o local, alguns atletas, como Emerson Sheik e Paulinho, ainda foram até o muro da unidade para saldar mais uma vez os torcedores, que não queriam arredar o pé dali. Após 350 dias de intenso trabalho, o ano de 2012 dos profissionais do Corinthians foi devidamente encerrado. Com a liberação do clube, os funcionários do Parque São Jorge entraram de férias. Eles ficarão 30 dias de folga e só deverão voltar na metade de janeiro, quando iniciarão as atividades para a próxima temporada. Boas férias a todos! Vocês merecem descansar e aproveitar o recesso de fim de ano. Até 2013! 19 de dezembro de 2012 - quarta-feira Estou viciado em assistir à final do Mundial de Clubes. Já revi quatro vezes a partida entre Corinthians e Chelsea. Se ligo a TV e o jogo está passando, paro o que estou fazendo e o acompanho novamente. Dessa maneira, me considero em totais condições para emitir algumas palavras sobre cada um dos heróis corintianos. Cássio: o melhor em campo no domingo. O camisa 12 recebeu nota 10 do jornal O Lance! pela atuação na final. Ele foi realmente sensacional! Um monstro! Para o jornalista Juca Kfouri, Cássio se transformou em São Cássio de Yokohama. Alessandro: o capitão da virada. Chegou para jogar a segunda divisão pelo Timão em 2008 e cinco anos depois ergueu o troféu mais importante do mundo. Incrível! Chicão: discreto e preciso. Não é homem de falar e sim de agir. Sempre eficiente na defesa e comandando os demais atletas em campo. É o segundo capitão do time. Paulo André: o jogador diferenciado. Leva inteligência e lucidez para o gramado. Joga bonito quando pode e feio quando precisa. Um dos salvadores da pátria lá trás. Fábio Santos: talvez o jogador mais regular do elenco corintiano. Ele tomou conta da lateral esquerda e ninguém sente falta dos antigos ídolos que vestiram a camisa 6. Ralf: o cão de guarda da nossa defesa. Se o Timão não sofre quase nenhum gol em jogos decisivos, grande parte do mérito é desse rapaz. E ele ainda joga limpo. Paulinho: é o motor do Corinthians. Defende, pressiona, arma e ataca com grande talento. Talvez seja nosso melhor jogador tecnicamente. É o craque do time do povo! Danilo: o jogador perfeito. Ele não errou nenhum lance no domingo. É frio, calculista. Sabe exatamente o que fazer em campo. Ainda por cima, é decisivo! Jorge Henrique: o cara das decisões. Entra para resolver e corre por todos os cantos do gramado. Ele não é atacante, meia, lateral ou defensor. Ele é o São Jorge! Emerson: o nosso amuleto. Mesmo quando não joga bem, ainda sim dá trabalho para os adversários. Se não foi sensacional no Mundial, o camisa 11 fez o que está acostumado – foi campeão. Sheik não disputa finais, ele as conquista. Guerrero: o Rei do Mundo. Essa foi a manchete do jornal peruano Depor na segunda-feira. Demonstrou muita garra por jogar com dores. Atuou bem e fez os gols decisivos do Timão. Volta do Japão com o nome gravado na história do Corinthians. Tite: o melhor técnico da história do Timão. O gaúcho é nosso grande comandante. Mudou a tática e motivou o time para vencer o poderoso Chelsea. Não consigo ver o Corinthians hoje sem o trabalho de Adenor Leonardo Bacchi. Obrigado, professor! 20 de dezembro de 2012 - quinta-feira Os jogadores, o técnico e os dirigentes do Timão que me desculpem, mas a grande protagonista do Mundial de Clubes não pisou nos gramados dos estádios japoneses. A principal personagem da saga corintiana em 2012 se despediu dos atletas no aeroporto em uma cerimônia grandiosa, viajou em massa para o outro lado do mundo e ficou nas arquibancadas. Ela grudou na frente da televisão para acompanhar os jogos dando recorde de audiência às emissoras e lotou agora as ruas e avenidas de São Paulo para saldar os campeões. Esse ano é definitivamente da Fiel Torcida!!! O Bando de Loucos foi notícia nos principais jornais do mundo. A invasão corintiana ao Japão foi relatada pela rede CNN, um dos principais canais de TV do mundo. Os norte-americanos se perguntavam: "Corinthians: Craziest fans in the world?" (Corinthians: Os mais loucos fãs do mundo?). Pela mobilização absurda dos corintianos para acompanhar as duas partidas do Mundial, eles chegaram à conclusão que sim. Os próprios japoneses ficaram assustados com o movimento fora do normal em seu país. Quem eram esses malucos cantando, gritando e dispostos a tudo para ver o time do coração no estádio, hein? No dia da final, alguns japoneses fãs do Chelsea foram ao campo com a camisa azul do clube inglês para torcer pelo campeão europeu. Diante do cenário preto e branco e da animação da torcida corintiana, acabaram mudando de lado antes do apito inicial e torceram pela equipe brasileira. Incrível! A Rede Globo e a TV Bandeirantes, as emissoras que transmitiram a competição da FIFA, obtiveram recordes de audiência com o jogo do Timão. Segundo o IBOPE, a emissora carioca registrou 32 pontos no domingo de manhã e a emissora paulista 12. O normal para o horário é, respectivamente, oito e dois pontos. O Corinthians é ao mesmo tempo sucesso de público nos estádios e de audiência na televisão. Há até quem diga que os corintianos foram responsáveis por melhorar a economia mundial nesse final de ano. Os gastos com milhares de passagens aéreas, hospedagem, turismo na Ásia, despesas no Japão e nos outros países visitados e a venda de itens para conseguir o dinheiro para a viagem ajudaram a economia nacional e internacional. Para completar, as compras de produtos do clube aqui no Brasil explodiram no último mês, para alegria do Natal dos comerciantes. Não dá para ficar indiferente a essa mobilização absurda da Fiel Torcida! Você certamente é corintiano ou anticorintiano – os dois tipos de pessoa existentes no universo. Por isso, ninguém consegue ficar imune às emoções proporcionadas pelo Timão, seja torcendo a favor, seja torcendo desesperadamente contra. O sucesso do Bando de Loucos só deve aumentar nos próximos anos. Saiu uma pesquisa do Datafolha indicando que o número de corintianos no Brasil já é igual ao de flamenguistas. Ambos os clubes possuem 16% da preferência da população. Com os títulos atuais do Timão e o período de seca dos cariocas, não será surpresa uma futura virada na preferência dos brasileiros. São os corintianos dominando o país e o mundo! 21 de dezembro de 2012 - sexta-feira Hoje era para ser o Dia do Fim do Mundo. Segundo rumores alardeados há algum tempo, o Apocalipse fora previsto há mais de 1 mil anos pelos maias. Essa ideia surgiu porque o calendário do antigo povo indígena que habitou a América Central terminava justamente em, segure-se na cadeira, 21 de dezembro de 2012. Como não havia nada depois para contar o tempo, estava claro (pelo menos para quem gosta de flertar com as teorias mais trágicas) que o fim da humanidade seria concretizado nessa data. Está achando graça?! Pois saiba que a ideia do fim do planeta fez muito sucesso. O encerramento abrupto do calendário maia virou tema de livros, filmes, reportagens de TV, matérias de jornais e revistas e ganhou a boca do povo. Muita gente acreditava nessa possibilidade e temia a ocorrência de catástrofes em escala global. A brincadeira ganhou tom cult e todo mundo só falava nisso ultimamente. Eu adoro tais profecias, principalmente porque todas deram errado no fim das contas. Como um cético inveterado, eu não acreditei nessa história desde o princípio. Mesmo assim, admito que não fiz nada de produtivo hoje. Não ia escrever nem trabalhar se havia a possibilidade, ainda que remotíssima, de não termos o amanhã, né? Por isso, aproveitei a sexta para passear e me divertir como há muito tempo não fazia (beijo, Thalitinha!). Se o fim chegasse, não me arrependeria das últimas horas. Ainda mais agora que estou totalmente recuperado da minha doença. Eu tinha Síndrome Nefrótica, um tipo de problema renal. Com uma semana de medicamento, voltei ao 100%. Nada como conseguir um médico, descobrir o problema e resolvê-lo. Voltando ao tema do fim do mundo, havia mesmo grandes chances de o planeta acabar. Vejamos os sinais mais evidentes: o Corinthians foi campeão da Liberta e do Mundo no Japão. Os títulos do Timão mostraram a forte mudança no plano espiritual – Deus teria virado, enfim, corintiano?! A impressionante migração de 20 mil, 30 mil pessoas do Brasil ao Japão e depois do Japão ao Brasil podia, pela quantidade e o peso, deslocar o eixo da Terra e afetar de alguma forma a natureza. Quem não garante que o fim do mundo seria causado pela ida da Fiel Torcida ao Mundial, hein? Além do mais, eu começo a suspeitar que as coisas andam perfeitas demais para ser verdade. O Timão foi campeão de tudo. O Palmeiras voltou para a Série B. A Fiel está para igualar o número de torcedores do Mengão. No ano que vem, o Timão enfrentará o São Paulo na Recopa Sul-americana. O estádio próprio em Itaquera será inaugurado em uma Copa do Mundo no Brasil. Os cofres do Parque São Jorge estão abarrotados de dinheiro. Os dirigentes corintianos estão dispostos a contratar uma infinidade de craques para 2013. Até a Thalita aceitou me dar uma nova chance (eu sumi porque estava doente, tá?!). Esse cenário idílico não poderia durar muito... Viu como havia motivos para preocupação. Porém, as horas foram passando e nada do fim chegar. Estou escrevendo essas palavras já na madrugada de sábado. O mundo continua como sempre esteve. Ainda bem! Conseguirei acabar O Ano que Esperávamos Há Anos. Vou tomar meus remédios agora e dormir. Boa noite! 22 de dezembro de 2012 - sábado Nesse sábado de manhã, fui às casas das minhas avós. Fazia um tempinho que não as via e achei interessante visitá-las. É o espírito de Natal tomando conta de mim. Antes passei na banca de jornal perto de casa para comprar o jornal O Lance! Precisava de algo para ler durante meus deslocamentos de ônibus. Aproveitei também para felicitar o Wagner, o proprietário da banca, pelo título do último domingo. Ele é corintiano e não foi trabalhar no dia do jogo do Timão com o Chelsea. Sei disso porque passei lá depois da partida e ele não estava. Isso sim é um cara fanático. Largou o trabalho para ver o Coringão. Gosto de pessoas com princípios claros! No jornal esportivo, o grande destaque era para o sorteio da próxima Copa Libertadores da América. A cerimônia de definição dos grupos da competição de 2013 havia sido realizada ontem no Paraguai e contou com a presença de todos os 38 presidentes dos clubes participantes. Como cabeça de chave, o Corinthians está no grupo 5. Enfrentaremos as equipes do São José (Bolívia), Millonarios (Colômbia) e Tijuana (México). Se pensarmos bem, não são adversários muito difíceis. Os problemas são a altitude e as longas viagens. O São José é da cidade de Oruro, a 3.700 metros de altitude e a uma distância de 2.250 km de São Paulo. O Millonarios é de Bogotá, a 2.620 metros de altitude e a 4.300 km de distância da capital paulista. E a cidade de Tijuana no México, apesar de ficar no nível do mar, está a quase 10.000 km da sede corintiana. Assim, as longas viagens e o ar rarefeito das montanhas andinas serão oponentes mais perigosos para o Timão do que os jogadores rivais. A estreia, ainda sem data definida, acontecerá fora de casa, na Bolívia, contra o São José. O São Paulo e o Grêmio enfrentarão na fase da Pré-Libertadores (fase eliminatória realizada em janeiro) o Bolivar (Bolívia) e a LDU de Quito (Equador), respectivamente. Se o tricolor paulista passar para a fase de grupos, estará junto com Atlético Mineiro, Arsenal (Argentina) e The Strongest (Bolívia). Já o tricolor gaúcho, se classificar, estará ao lado de Fluminense, Huachipato (Chile) e Caracas (Venezuela). O Palmeiras, assim como o Corinthians, não enfrentará nenhum brasileiro na primeira fase. Isso porque a equipe do Parque Antártica caiu no grupo com Sporting Cristal (Peru), Libertad (Paraguai) e o vencedor do confronto entre Tigre (Argentina) e Deportivo Anzoategui (Venezuela). Nenhuma equipe brasileira caiu em um grupo muito difícil tecnicamente. Se bem que o problema da Libertadores não é tanto a qualidade dos adversários e sim a pressão fora de campo, as altitudes às vezes indecorosas, o jogo violento e o futebol aguerrido dos hermanos. Quando analisamos apenas a excelência do jogo apresentado e o nível dos atletas, os clubes nacionais entram com grande favoritismo mais uma vez. Aposto que o caneco da principal competição do continente em 2013 permanecerá no solo pentacampeão mundial. Porém, para isso acontecer será preciso jogar muita bola e ir para a guerra! Boa Libertadores no próximo ano, times brasileiros. A esperança é pelo bicampeonato do clube do Parque São Jorge. 23 de dezembro de 2012 - domingo Os jogadores e a comissão técnica do Timão estão de férias há alguns dias, mas os dirigentes corintianos continuam trabalhando. Os cartolas estão preparando o Coringão para a próxima temporada. Como é comum nessa época do ano, começaram as especulações sobre novos reforços. Até uma boa contratação já foi acertada nessa semana. A expectativa para o ano que vem é das melhores para a Fiel Torcida. O primeiro contratado é o meio-campista Renato Augusto. O Corinthians pagará quase R$ 10 milhões (cerca de 3,5 milhões de euros) ao Bayer Leverkusen por 50% dos direitos do atleta. Renato Augusto tem 24 anos, atua na meia-direita, foi revelado no Flamengo e estava na Alemanha há quatro temporadas e meia. Lá, se tornou ídolo da torcida do Leverkusen pelo excelente futebol demonstrado. Ele é um ótimo jogador e chega provavelmente para ocupar a vaga de Douglas no meio de campo. Seu único problema é a sequência de lesões sérias sofridas ao longo da carreira. Alé m de Renato Augusto, o Timão demonstrou interesse no zagueiro Dedé do Vasco da Gama. Aproveitando-se de uma gravíssima crise financeira no clube carioca (eles não pagam os salários dos jogadores, os fornecedores e as contas há alguns meses), o Corinthians irá intensificar as negociações com os cartolas da Cruz de Malta para trazer o defensor da Seleção Brasileira. Dedé é, depois de Neymar e Paulinho, o melhor jogador do futebol brasileiro. É também o melhor zagueiro revelado no país nos últimos cinco anos. Se ele vier para o Parque São Jorge, a defesa montada por Tite ficará ainda mais forte. Tomara que dê certo. Estou torcendo. O defensor Gil, do Valencienne da França, é a opção mais barata para o setor. Outra especulação que vai ganhando força nos últimos dias é a vinda do atacante Alexandre Pato do Milan. O Timão teria oferecido ao clube do norte da Itália cerca de R$ 42 milhões (15 milhões de euros) pelos direitos do jogador. Os italianos gostaram do valor e estariam propensos a aceitar a oferta. Pato é um jogador jovem (23 anos), de grande talento (era titular até recentemente na Seleção de Mano Menezes) e tem total capacidade para assumir uma das vagas do ataque do Coringão. Eu gosto dessa contratação, apesar de achá-la muito cara. Não sei se Pato vale tudo isso, principalmente por causa do histórico de contusões. Nos últimos dois anos, ele sofreu 15 lesões musculares. Eu disse 15 em dois anos. 15!!! O cara é meio bichado. Se alguns chegam, outros saem. O atacante reserva Adilson acertou com o Ceará para o próximo ano e não ficará no Timão em 2013. O jogador, vindo do XV de Piracicaba, fez 11 jogos e não anotou nenhum gol pela equipe do Parque São Jorge. Vai embora sem deixar saudades. Quem também demonstrou vontade de mudar de ares é o argentino Martínez. O Boca Juniors quer contratá-lo e o pai do atacante (que também é seu empresário) declarou que ouvirá a proposta do vice-campeão da Libertadores. Esse aí não pode ir embora. Ele é bom de bola e pode virar titular no próximo ano. Porém, a pior notícia vem da Europa. A espetacular atuação de Guerrero no Japão chamou a atenção e grandes clubes europeus estão dispostos a abrir o bolso para tê-lo em 2013. Perderemos nosso centroavante? Vamos torcer para ele ficar aqui. 24 de dezembro de 2012 - segunda-feira Caiu o vice-presidente do Corinthians, o polêmico Luis Paulo Rosenberg. O dirigente era responsável pelas áreas técnicas do clube. Ele cuidava do Financeiro, do Marketing e do estádio de Itaquera. Em sua demissão, Luis Paulo declarou estar cansado e desgastado com a pressão sofrida nos últimos meses. Mário Gobbi até tentou convencê-lo a permanecer. "É a quarta vez que ele pede para sair. Eu não deixo. Ele é importante, vai ficar, é do meu time", disse o presidente para o jornal O Estado de São Paulo. Porém, a decisão do vice-presidente não foi revista. Rosenberg caiu em desgraça com os torcedores, conselheiros e jogadores em junho quando declarou em palestra que o time do Corinthians era medíocre. Aí o mundo dele caiu! Os conselheiros pediram sua demissão imediata. Os torcedores protestaram e passaram a hostilizá-lo. Até os jogadores ficaram possessos. Segundo informações que chegam agora, a partir dessa declaração, o vice-presidente, a pedido dos atletas, ficou proibido de visitar o CT, de ir ao hotel onde o elenco se concentrava e de viajar junto com o grupo. No Japão, Rosenberg teve que ficar em um hotel à parte (foi o único a ficar isolado), precisou pegar outro voo e não pôde entrar nos estádios onde o time corintiano treinava. Já imaginou um vice-presidente proibido de se encontrar com os jogadores, hein? Na festa do título aqui em São Paulo, os atletas ficaram constrangidos com a presença do vice no trio elétrico. Alguns não se furtaram em demonstrar publicamente a antipatia pela figura do dirigente. Há até quem diga que as celebrações teriam acabado mais cedo exatamente pela indisposição dos jogadores em ficar perto dele. A verdade é que Rosenberg errou em falar aquilo. Se na época eu não achei errado o conteúdo de suas palavras (o time era mesmo mediano), o mesmo não pode ser dito de sua compostura. Um representante da alta diretoria de um clube não pode em nenhum momento menosprezar ou desprestigiar o time no qual trabalha. Luis Paulo fez isso e jogou contra o próprio trabalho. Acabou não sendo perdoado por ninguém. As conquistas da Copa Libertadores da América e do Mundial Interclubes provaram o quanto sua análise estava equivocada. Os títulos tornaram sua situação insustentável. Com o encerramento da temporada, ele achou melhor sair. Luis Paulo Rosenberg foi um dos responsáveis por tornar o Corinthians uma máquina de arrecadação. Com ele no comando do departamento de Marketing no mandato de Andrés Sanchez e na vice-presidência no mandato de Mário Gobbi, o Timão se tornou a equipe brasileira de maior receita. O valor milionário de patrocínio colocou a camisa do Corinthians entre as mais valiosas do mundo. A estratégia de trazer Ronaldo Fenômeno em 2008 foi perfeita. É triste ver um trabalho impecável ser interrompido precocemente por palavras mal colocadas e atitudes intempestivas. O que posso desejar para Luis Paulo Rosenberg é boa sorte em seus novos projetos e agradecer ao bom trabalho prestado nesses quatro anos de Corinthians. É vida que segue para ambos os lados. 25 de dezembro de 2012 - terça-feira Feliz Natal!!! Meu desejo é que Papai Noel, ou seria Papai Fiel, como o pessoal do blog Corneta FC está chamando o bom velhinho, traga todos os presentes sonhados por você. Isso é, se os presentes almejados já não forem entregues ao longo do ano, né? No meu caso, confesso que o Papai Noel se antecipou em 2012. Já pensando em 2013, começo a rascunhar meus pedidos para o próximo Natal. Os presentes que mais espero do Sr. Noel para o próximo ano são o bicampeonato da Libertadores (dessa vez, a final pode ser contra o Palmeiras, tá?), o inédito título da Recopa Sul-americana (em cima, óbvio, do São Paulo) e a conquista do tricampeonato mundial (seria legal pegar agora o Barcelona na decisão, né?). Não seria nada mal também se eu encontrasse uma boa editora disposta a publicar meus livros... Feliz natal a todos! 26 de dezembro de 2012 - quarta-feira O Peru foi campeão do mundo em 16 de dezembro de 2012. Ele derrotou na final o Chelsea em Yokohama. Esse é o sentimento dos peruanos com a conquista do maior ídolo esportivo do país na atualidade. Os gols decisivos de Paolo Guerrero fizeram aumentar a admiração e o carinho de seus conterrâneos. Foi possível ver o quanto o centroavante corintiano é querido por lá em sua chegada ao aeroporto de Lima na semana passada. Guerrero foi recepcionado por mais de mil fãs que superlotaram o saguão do aeroporto da capital peruana. O atleta foi ovacionado e não conseguiu andar no meio da multidão. A confusão foi tamanha que o presidente da República, Ollanta Humala, teve que pedir o envio de um grupo de policiais especiais para escoltar o atleta. Com isso, ninguém conseguiu tirar fotos ou pegar autógrafos do ídolo. O corintiano foi levado para a casa de seus pais, onde passará as férias, em um carro oficial do Palácio do Governo. Quanta moral, hein? O camisa 9 do Timão é hoje o principal atleta da Seleção do Peru. Ele tem mais destaque na imprensa e entre os torcedores do que Pizarro e Farfán, os antigos ídolos nacionais. Os dois gols no Mundial elevaram ainda mais o prestígio do jogador de 28 anos. Guerrero é considerado o grande favorito para ganhar o prêmio Laureles Deportivos desse ano, maior honraria esportiva que um atleta peruano pode receber. Paolo passará as férias de Verão com a família no Peru. Sua volta ao Brasil está marcada para 14 de janeiro de 2013, data da reapresentação do elenco principal do Corinthians no CT Joaquim Grava. Curiosamente, Guerrero nunca jogou futebol profissional em uma equipe peruana. O atleta foi revelado nas categorias de base do Alianza Lima, onde se destacou fazendo mais de 200 gols. Em 2002, o jovem atacante de 18 anos assinou o primeiro contrato profissional com o poderoso Bayer de Munique. Assim, foi para a Alemanha muito novinho. No clube bávaro, Paolo atuou por quatro temporadas, sendo as duas primeiras na equipe B. Uma vez alçado à equipe principal, o camisa 9 foi bicampeão da Liga Alemã (2004-05 e 2005-06) e conquistou uma Copa da Alemanha (2005-06), suas principais conquistas na carreira até então. Em junho de 2006, o centroavante foi negociado com o Hamburgo, onde jogou até esse ano. No novo clube, Guerrero teve bons e maus momentos. No primeiro ano, uma grave contusão o atrapalhou. Na segunda temporada, já recuperado, deu quatro assistências, fez nove gols (sendo o terceiro artilheiro do campeonato nacional) e foi considerado o atleta mais importante do Hamburgo. Em julho de 2012, o Corinthians pagou R$ 7,5 milhões para ter o atacante da Seleção Peruana e o artilheiro da última Copa América. Guerrero chegou com a missão de substituir Liedson e recebeu a camisa 9. Possivelmente, esses foram os reais mais bem investidos pelos dirigentes corintianos ao longo de 2012, né? 27 de dezembro de 2012 - quinta-feira Alexandre Pato é o mais novo jogador do Sport Club Corinthians Paulista. Essa foi a notícia divulgada hoje pelo jornal Gazzetta dello Sport, o principal diário esportivo da Itália. Segundo os jornalistas de lá, o Milan aceitou a oferta de 15 milhões de euros, cerca de R$ 42 milhões, do clube paulista pelo atacante de 23 anos. Trata-se de um grande reforço para 2013! A negociação foi sacramentada em uma reunião realizada ontem no Rio de Janeiro. Duílio Monteiro Alves, diretor-adjunto do Corinthians, se encontrou com Adriano Galliani, vice-presidente do Milan. E as duas partes chegaram ao consenso. A oficialização da compra será feita apenas em 3 de janeiro, pois até lá Pato precisará passar por exames médicos. Os dirigentes corintianos querem atestar a condição clínica do atleta. Ou seja, está tudo certo, apesar da falta das formalidades. "Foi um encontro muito bom. Mas não está fechado. Vamos fazer uma nova reunião em São Paulo após a virada do ano", disse o dirigente italiano na saída do encontro. Ouviram-se palavras parecidas da boca do cartola corintiano quando ele chegou a São Paulo. "Não fechamos, mas a conversa realmente foi muito boa. Voltaremos a nos reunir no dia 3 de janeiro. A intenção é comprá-lo, mas temos que finalizar a questão de valores, do percentual, da forma de pagamento. A intenção no começo do ano é dar uma boa notícia para o nosso torcedor", declarou Monteiro Alves. Alexandre Pato está empolgadíssimo em atuar com a camisa corintiana na próxima temporada. O atacante deu vários sinais nesse sentido. Ele assistiu à final da Libertadores no Pacaembu no meio do ano. Já publicou nas redes sociais fotos de Gaviões (símbolo da torcida corintiana). Há alguns dias, até seu empresário, Gilmar Veloz, se manifestou favoravelmente ao negócio: "Pato tem um carinho e um respeito muito grande pelo Corinthians. É um admirador do Tite, tem todo um ingrediente. Quem hoje não quer jogar no Corinthians? O clube está como Barcelona e Real Madrid. Acho que se houver essa possibilidade, vamos estudar com carinho e respeito". Se o Corinthians quer comprar e tem dinheiro, se o Milan quer vender e aceitou os valores e se o atleta quer jogar aqui, não há como o negócio não dar certo. As três partes já concordaram! Agora é só esperar a oficialização do contrato no dia 3. A contratação de Alexandre Pato será a mais cara dos últimos anos do Timão. Se pensarmos bem, 15 milhões de euros (ou R$ 42 milhões) é muita grana. Com um valor inferior, cerca de 10 milhões de euros, o clube do Parque São Jorge trouxe outros três belíssimos atacantes: Paolo Guerrero (3,5 milhões de euros), Juan Martínez (US$ 3 milhões) e Renato Augusto (3,5 milhões de euros). Ao contratar Pato, a intenção da diretoria mosqueteira é, além de qualificar o grupo de jogadores, trazer um nome conhecido do futebol internacional. A ideia é tornar a marca Corinthians ainda mais conhecida no exterior e alavancar ações de Marketing do clube. Nesse sentido, Pato seria o novo Ronaldo Fenômeno do Timão. 28 de dezembro de 2012 - sexta-feira Não precisaremos nos preocupar com o setor ofensivo do Corinthians em 2013. As opções à disposição de Tite serão variadas e de excelente qualidade. O treinador terá nove atletas de ótimo nível para apenas quatro vagas do meio para frente. No meio-campo, o gaúcho poderá usar Danilo, Douglas e Renato Augusto. De atacantes rápidos teremos Emerson, Martínez, Romarinho e Jorge Henrique. Os centroavantes serão Guerrero e Pato. Qual técnico não gostaria de ter um elenco como este, hein?! Com tantas alternativas, existem infinitas possibilidades para se montar a equipe corintiana. Outra posição em que o Timão estará bem servido é a de volantes. Além de Paulinho e Ralf, unanimidades nacionais, agora também temos ótimos reservas. Guilherme e Edenílson fizeram um belo Campeonato Brasileiro e podem muito bem entrar nas partidas mais importantes. Os dois têm a confiança de Tite. Guilherme jogou bem tanto de primeiro quanto de segundo volante. E Edenílson se destacou como homem de contenção, lateral-direito e como meia (olha mais um meia aí!). Com certeza, do meio de campo para frente o Corinthians estará fortíssimo em 2013. A grande questão para a próxima temporada é a defesa. Paradoxalmente, o sistema defensivo corintiano foi o grande responsável pelas glórias do Timão nos dois últimos anos. Nas competições nacionais e internacionais de 2012, a equipe de Tite sofreu pouquíssimos gols. Entretanto, os defensores possuem idade avançada e é necessário rejuvenescer o setor. Chicão e Paulo André se machucam muito e é preciso mais alguém para fazer companhia a eles. Wallace não foi bem nessa temporada e Anderson Polga não deverá permanecer no próximo ano no Parque São Jorge. Marquinhos, que é jovem e poderia virar titular, deverá seguir na Roma em 2013. A diretoria corintiana já demonstrou interesse por Dedé do Vasco, mas as negociações não avançaram. Também se especula sobre a chegada de Gil do Valenciennes. O problema nesse caso é que o clube francês não quer se desfazer do jogador brasileiro. Anderson Martins, nome ventilado meses atrás, não deve vir, pois seu clube, o Al-Jaish do Qatar, está pedindo alto. Problemas à vista na defesa! Outro setor que precisa urgentemente de novidades é a lateral. Hoje só temos Fábio Santos pelo lado esquerdo. É necessário um bom reserva ou até mesmo um bom nome para a vaga de titular. Ramon, emprestado ao Flamengo, poderá voltar em janeiro para ser o suplente do camisa 6, mas não é o nome mais interessante segundo a comissão técnica. Se eu fosse dirigente, também contratava um bom lateral-direito. Alessandro irá se aposentar no final do próximo ano e se machuca muito, além de ser pouco confiável dentro de campo. É só lembrarmos da quantidade de besteira feita pelo nosso capitão ao longo do ano, principalmente na Libertadores. Para o Timão ficar prontinho para 2013, só faltam um ótimo zagueiro, um bom lateral-direito e um lateral-esquerdo talentoso. Com mais essas três peças, tenho certeza de que o próximo ano será repleto de novos títulos para a Fiel Torcida. Não vejo a hora de a temporada do futebol brasileiro recomeçar! 29 de dezembro de 2012 - sábado Ontem, analisei todas as posições do meu time, mas me esqueci de uma. Não sei se você prestou a atenção devida ou se sentiu falta de um setor importantíssimo que ignorei por completo. Estou me referindo aos goleiros do Corinthians! Que lapso da minha parte!!! Desculpem-me. E o que eu poderia falar dos nossos arqueiros, hein?! Nós temos Cássio! O camisa 12 foi o herói do Timão na final do Mundial, ao lado de Guerrero, e saiu de campo com o prêmio de melhor jogador da competição. Ao assistir novamente a decisão no Japão, a palavra mais usada pelos narradores esportivos durante os 90 minutos foi: "Cáaaaaaaaaaaaaaaaaasio". O nome do goleiro de 25 anos sempre vinha precedido de algum adjetivo como "espetacular", "incrível" e "perfeito". Na semana passada, Cássio teve recepção de gala em sua cidade natal, Veranópolis. O corintiano desfilou em carro do Corpo de Bombeiro e foi saldado como ídolo pela população do município do Rio Grande do Sul com 25 mil habitantes. Depois, recebeu do prefeito uma placa comemorativa pelo feito realizado em terras japonesas. O camisa 12 passará as férias com a família na pequena cidade gaúcha. Lá poderá ficar algumas semanas com a mãe Dona Ciana e com o tio João Carlos. Kojak, apelido de João Carlos, foi praticamente o pai do arqueiro e quem mais o incentivou a seguir na carreira esportiva. O pai biológico, Cássio nunca conheceu. Na infância e na adolescência, ele até tentou descobrir onde estava o progenitor, mas com o tempo desistiu. Agora não faz muita questão de saber quem é o pai. Por falar na infância do goleiro corintiano, você sabia que Cássio conhece o técnico Tite desde os seis anos de idade? O tio do goleiro, Kojak, foi massagista do time da cidade, o Veranópolis Esporte Clube (VEC) por alguns anos. O maior feito do clube interiorano foi conquistado em 1993, quando se sagrou campeão da 2ª divisão do Campeonato Gaúcho. Nessa época, um jovem treinador em início de carreira chamado Adenor Leonardo Bacchi era o comandante do VEC. Sim, o maior título do futebol do Veranópolis Esporte Clube foi conquistado pelo técnico Tite. E Kojak, funcionário do VEC nesse período, levava sempre o sobrinho de seis anos para assistir aos treinamentos e aos jogos. O garotinho logo virou mascote dos jogadores e da comissão técnica. O pequeno Cássio tinha acesso ao vestiário e às dependências do clube. Quase 20 anos depois, o garoto cresceu (e como!) e virou o goleiro campeão do mundo com o técnico que ele conheceu na infância. Cássio começou jogando ainda menino no próprio VEC. Logo foi descoberto por olheiros do Grêmio de Porto Alegre. O goleiro foi para a capital gaúcha onde se destacou até chegar à Seleção Brasileira de base. Ao se profissionalizar em 2006, o arqueiro era apontado como uma das principais promessas do futebol brasileiro. Em 2012, ele conseguiu comprovar o potencial que tem. 30 de dezembro de 2012 - domingo O final de ano é uma época cheia de simbolismos e tradições. Quando o calendário indica a chegada dos primeiros dias de dezembro, nós ficamos com a certeza de que logo mais teremos panettone na mesa, luzes de Natal nas casas e nas ruas, show do Roberto Carlos na televisão, o trânsito monstruoso nas estradas, Corrida de São Silvestre, calor intenso do início do Verão, promessas e simpatias do Réveillon, jogos de futebol beneficentes com ex-atletas, Papai Noel, fortes chuvas, presentes de amigo secreto, encontros familiares e comilanças. Se você mora no Brasil e seu dezembro não tiver nada disso, algo de muito errado está acontecendo com sua vida. Muitos gostam de fazer previsões para o próximo ano. Outros gostam de rever os acontecimentos dos últimos doze meses. Como não acredito em vidência, poderes paranormais e na capacidade futurológica do ser humano, acabo não ligando muito para as previsões. Ignoro-as completamente. O que eu gosto mesmo são das retrospectivas. Adoro reler, rever e ouvir novamente os fatos mais marcantes do país e do mundo. Se estou em uma banca de jornal, por exemplo, compro todas as revistas que se propõem a relembrar as passagens mais importantes do ano. Por isso, hoje e amanhã farei algo diferente no O Ano que Esperávamos Há Anos. Ao invés de acompanhar uma retrospectiva tradicional, farei a minha própria. Na verdade, não será exatamente a minha recapitulação e sim a desse livro. Vamos rever, em duas páginas/dois dias, tudo o que aconteceu aos corintianos no incrível 2012. E aí, preparado(a) para a Retrospectiva do O Ano que Esperávamos Há Anos? Sem mais delongas, vamos já para os melhores momentos do melhor ano da história! Janeiro – Os jogadores corintianos retornam de férias e começam a pré-temporada. A garotada sub-18 do Timão dá show na Copa São Paulo de Futebol Júnior e é campeã com 8 vitórias consecutivas. O ano mal começou e já temos um troféu. Fevereiro – Os profissionais também começam arrasando. No Campeonato Paulista, o Corinthians tem ótimo início. São sete vitórias, dois empates e nenhuma derrota. Na Libertadores, o empate heroico na estreia foi conseguido no último minuto. Fora do campo, Mário Gobbi é eleito presidente do clube e Douglas é contratado. Março – Ricardo Teixeira deixa a CBF e Adriano é demitido do Timão. Tite prioriza as partidas da Libertadores e o Corinthians vence duas e empata uma, o suficiente para ficar na liderança do grupo. No Paulistão, a ponta é mantida com a vitória sobre o Palmeiras, mas a invencibilidade cai com a derrota para o Santos. Abril – O mês começou perfeito: cinco vitórias em cinco jogos; primeira colocação no Paulistão; e liderança no grupo da Libertadores (com a segunda melhor campanha no geral). Aí o Timão pegou a Ponte Preta pelas quartas do estadual. A derrota em casa por 3 a 2 veio com falhas do goleiro Júlio César. A eliminação precoce gerou tensão no clube justamente no momento que o mata a mata da Liberta ia começar. 31 de dezembro de 2012 - segunda-feira Segue a segunda parte da Retrospectiva do O Ano que Esperávamos Há Anos: Maio – O goleiro Cássio assume a vaga de Júlio César e espanta a desconfiança da torcida com ótimas atuações. O Corinthians elimina o Emelec nas oitavas e o Vasco da Gama nas quartas de finais da Libertadores. No Brasileirão, Tite coloca os reservas em campo e perde as duas primeiras. O Timão é lanterna na competição nacional. Chelsea é campeão da Copa dos Campeões da Europa e se classifica para o Mundial. Junho – A Liberta chega às fases decisivas. O Corinthians elimina o Santos, até então o campeão sul-americano, na semifinal e avança pela primeira vez à final. O confronto derradeiro é contra o temido Boca Juniors. Na primeira partida na Argentina, Romarinho, recém-contratado, entra no finalzinho, faz o gol de empate e vira herói. Julho – Na volta, Corinthians faz 2 a 0 no Boca no Pacaembu e conquista o título da Libertadores de forma invicta. Loucura em São Paulo. Os corintianos comemoram o fim da maldição. Com os dois gols da final, Emerson Sheik vira herói da Fiel. Em seguida, o elenco do Timão passa por reformulação. Alex, Leandro Castán, Liedson e alguns reservas deixam o clube. Chegam os atacantes Guerrero e Martínez. Agosto – Começa a reação alvinegra no Campeonato Brasileiro. Jogando agora com os titulares, o Corinthians fica nove partidas invicto e deixa a zona de rebaixamento. O Timão termina o 1º turno na 12ª posição. O desempenho só não foi melhor porque a equipe de Tite perdeu os clássicos para Santos e São Paulo nas últimas rodadas do turno. Em Londres, o Brasil fica com a medalha de prata nas Olimpíadas. Setembro – A empolgação da Fiel com o Timão transforma o Pacaembu em palco de muitas festas. O estádio vive lotado. Pelo Brasileirão, Timão vence quatro jogos nesse mês (destaque para a nova vitória sobre o Palmeiras, que afundou na zona do rebaixamento), empatou dois e perdeu só um. Estamos na 8ª posição do Brasileiro. Outubro – Os principais jogadores corintianos ganham folga. Os reservas vão a campo e até o chinês Zizao joga alguns minutos, para alegria da Fiel. Com a equipe alternativa, o Timão sofre derrotas. Paulinho se firma na Seleção Brasileira e Cássio, Ralf e Fábio Santos também são convocados para algumas partidas. Novembro – O Corinthians usa os últimos jogos do Brasileirão para se preparar para o Mundial. Jogando muita bola, o Timão consegue três vitórias e um empate. Termina entre os melhores do segundo turno e em 6º na classificação geral. A equipe de Tite chega embalada ao Mundial, enquanto o Chelsea passa por séria crise interna. Dezembro – "O Planeta Bola agora é Planeta Hospício. O Bando de Loucos domina a Terra. Banzai, Corinthians, campeão mundial de 2012". Essas foram as palavras de Milton Leite, narrador do Sportv, quando o juiz apitou o final da partida Corinthians 1, Chelsea 0. Festa em São Paulo com a torcida invadindo as ruas para comemorar o bi. ----------- Oitava série narrativa da coluna Contos & Crônicas, “O Ano que Esperávamos Há Anos” é o testemunho dos doze meses de 2012. Este relato é uma espécie de diário feito no calor das emoções por um fanático torcedor corintiano. Ele previu as conquistas de seu time do coração naquela temporada que se tornaria mágica. Nessa coletânea de crônicas é possível acompanhar os jogos do Corinthians, relembrar as decisões do técnico, entrar nos bastidores do Parque São Jorge e conhecer a vida dos principais jogadores alvinegros. O leitor também sofrerá com as angústias dos torcedores do Timão, poderá acompanhar o desenrolar dos campeonatos e, principalmente, irá se emocionar com as maiores conquistas futebolísticas desse clube centenário. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? 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- Mercado Editorial: Livros - Lançamentos em março e abril de 2022
Veja a lista com as 115 principais publicações de ficção e poesia que chegaram às livrarias brasileiras no segundo bimestre desse ano. O mundo começa a voltar à normalidade. Regressamos ao tão desejado padrão pré-pandemia! Ou deveria falar indesejável normal, hein?! Na Europa, temos outra vez guerra. O conflito traz a velha ameaça do uso de armas nucleares. Os Estados Unidos seguem em conflito diplomático-ideológico com a China e a Rússia ao melhor estilo Guerra Fria. A destruição ambiental continua em ritmo frenético, a temperatura não para de subir e a inflação agora se transformou em um dragão global. No Brasil, a economia está à beira do abismo e o Governo Federal anuncia mais um passo à frente. Por falar nisso, não há corrupção por essas terras, tá? É tudo imaginação de vocês (e da imprensa golpista, claro!). A pobreza se multiplica, a violência aumenta a olhos vistos e os níveis educacionais já indecentes desabam. Pelo visto, o esforço para a chegada ao fundo do poço não foi concluído e precisará de mais um tempo para ser concretizado. Porém, quem é que se preocupa com meros detalhes estatísticos, não é mesmo? E, para completar o quadro surrealista, as viúvas do Golpe Militar se assanham e as próximas eleições prometem mais desgraças de Norte a Sul. É o nosso querido e amado país reencontrando seu lugarzinho no estimado planeta azul, senhores e senhoras. Então quer dizer que nesse cenário de normalidade anormal só há más notícias, hein?! Não. Naninanão. Quando o assunto é literatura ficcional e literatura poética, há boas novas para celebrarmos. As engrenagens do mercado editorial brasileiro continuam girando com força nesse comecinho de 2022 e o resultado é o lançamento de ótimos e variados livros. Ou seja, a fartura à disposição dos leitores nacionais é tanto em relação à qualidade quanto à quantidade. Para os fãs da boa literatura, não poderia haver notícia melhor. Se a maioria dos problemas do mundo não pode ser resolvida quando estamos com os olhos enfiados nos livros, ao menos podemos agradecer por passar o tempo em um universo que realmente vale a pena ser vivenciado. Não por acaso, essa é a principal proposta do Bonas Histórias. Além disso, se todos lessem mais, tenho certeza de que boa parte dos problemas mundanos seria minimizada ou mesmo resolvida. No mínimo as discussões seriam travadas em um patamar mais elevado de refinamento, cultura e sapiência, o que já seria uma evolução considerável. Foram tantas as publicações interessantes no campo da ficção e da poesia em março e abril de 2022 que não consegui manter o número máximo de 100 lançamentos na lista bimestral da coluna Mercado Editorial. Excepcionalmente, estendi a quantia dessa vez para 115 títulos. É a primeira vez que ultrapassamos uma centena de novas obras em nosso levantamento, o que indica a força das engrenagens da indústria editorial nos últimos meses. Na nova relação de livros recém-publicados e de obras republicadas no Brasil, temos ficção brasileira contemporânea, literatura nacional clássica, romance internacional, novela gringa, literatura infantojuvenil, antologia poética, coletânea de contos e coleção de crônicas e ensaios. Desses títulos, vou comentar agora os dez livros que mais chamaram minha atenção. Vamos começar essa conversa pela literatura brasileira. Os dois romances nacionais que destaco são “Inventário do Azul” (Alfaguara), o mais recente trabalho de João Anzanello Carrascoza, e “Enervadas” (Carambaia), obra clássica de Chrysanthème que ganhou uma nova edição. Em “Inventário do Azul”, Carrascoza, um dos meus autores favoritos, apresenta um narrador de meia-idade que expõe os erros e acertos de sua trajetória de vida. Misturando passagens autobiográficas e muitos trechos estritamente ficcionais, o escritor paulista delineia de maneira não linear o passado conturbado de sua personagem. “Enervadas” é, por sua vez, o livro mais famoso de Chrysanthème, uma das primeiras romancistas brasileiras. Publicado há exatamente cem anos, em 1922, esse romance tece uma crônica ácida sobre o machismo da sociedade carioca durante a República Velha e confere uma visão bem-humorada das extravagâncias da aristocracia nacional da época. Ou seja, é um clássico imperdível que ganha agora uma edição revisada e comentada em comemoração ao seu centenário de lançamento. Viva Chrysanthème! Pulando para a prateleira da literatura estrangeira, encontramos quatro romances indiscutivelmente incríveis: “Outlander – Um Sopro de Neve e Cinzas” (Arqueiro), nova parte da saga histórica da norte-americana Diana Gabaldon; “Sobrevidas” (Companhia das Letras), drama emocionante e instigante do tanzaniano Abdulrazak Gurnah; “Kim Jiyoung, Nascida em 1982” (Intrínseca), best-seller internacional da sul-coreana Cho Nam-joo; e “A Substituição ou As Regras do Tagame” (Estação Liberdade), último grande sucesso de Kenzaburo Oe a ganhar tradução para o português. “Outlander – Um Sopro de Neve e Cinzas” dá continuidade à interminável aventura de Claire Randall pela Escócia do século XVIII. Cheguei a comentar em 2015, na coluna Livros – Crítica Literária, "Outlander - A Viajante do Tempo" (Saída de Emergência), o romance de abertura da saga criada por Diana Gabaldon. Apesar de ter achado a trama maravilhosa, não tive fôlego para ler sua continuação. Afinal, são nove romances até agora com cerca de mil páginas cada um. “Outlander – Um Sopro de Neve e Cinzas” é o sexto livro da série e é também o mais volumoso (tem quase 1.200 páginas). Por isso, boa leitura para quem se aventurar por essa coleção de tijolões. Em “Sobrevidas”, Abdulrazak Gurnah, o mais recente vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, escancara o horror que foi a colonização europeia no continente africano ao longo dos séculos XIX e XX. A partir dos dramas individuais das personagens do romance, o escritor mostra o quanto as decisões geopolíticas do Velho Continente impactaram a vida de seus conterrâneos. Esse é um livro com doses elevadas de violência, opressão e injustiça, mas também com pitadas generosas de amor e esperança. Sensacional! O sucesso internacional de “Kim Jiyoung, Nascida em 1982”, romance de Cho Nam-joo, vem na esteira da avalanche artística chamada Hallyu ou a Onda Coreana. Além do cinema (“Parasita”), da televisão (“Round 6”) e da música e da dança (K-Pop), agora assistimos à invasão da cultura sul-coreana também na literatura. E nesse livro, Cho Nam-joo mostra o quão difícil pode ser o dia a dia de seus compatriotas, principalmente o das mulheres. Kim Jiyoung é uma jovem mãe que vive em Seul e precisa superar o machismo, o conservadorismo e a injustiça social de seu país. Ainda falando em literatura asiática, destaco “A Substituição ou As Regras do Tagame”, uma das principais obras recentes de Kenzaburo Oe, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1994. Esse livro foi publicado em 2012 no Japão e até então esperávamos sua tradução para o português. Graças à Editora Estação Liberdade, agora temos a versão em nosso idioma do drama de uma família mergulhada no cenário artístico japonês e com desavenças sérias com a máfia local. Como fã de Kenzaburo Oe desde que li “Uma Questão Pessoal” (Companhia das Letras) e “O Grito Silencioso” (Francisco Alves), não preciso dizer que aguardava a publicação dessa obra por aqui há muito tempo. Na estante dos títulos infantojuvenis, minhas sugestões vão para “Pão na Chapa” (Companhia das Letrinhas), parceria do poeta Fabrício Corsaletti com a ilustradora Ana Matsusaki, e “Gente Legal Está em Todo Lugar” (José Olympio), novo trabalho da norte-americana Alice Walker. Repare que tive a preocupação de selecionar uma obra nacional e poética e uma obra estrangeira e em prosa. Portanto, não há desculpas para quem deseja dar publicações de qualidade para os leitores mirins. Em “Pão na Chapa”, Fabrício Corsaletti, um dos principais cronistas e poetas do Brasil na atualidade, dá vazão ao seu lado de escritor infantil/infantojuvenil. Quem disse que seus livros para a criançada deveriam ficar restritos aos presentes para os sobrinhos, hein?! Ainda bem que ele começou a lançar, nos últimos anos, suas obras nessa linha para os demais meninos e meninas do país. Dividido em três partes, os poemas de “Pão na Chapa” retratam os vários momentos bonitos da rotina cotidiana. Ou seja, é uma obra simples, mas profunda. “Gente Legal Está em Todo Lugar” mostra o quão variado (e excepcional) é o trabalho literário de Alice Walker, uma das principais escritoras contemporâneas em língua inglesa. Ela produz romances, coletâneas de contos, coleções de crônicas e ensaios, antologias poéticas e, por que não, literatura infantojuvenil com a mesma qualidade. Em “Gente Legal Está em Todo Lugar”, Walker percorre vários países atrás de pessoas de alma grandiosa e indivíduos com histórias exemplares. As ilustrações são de Quim Torres. Impossível não se emocionar com o conteúdo e com as imagens dessa obra. E antes de encerrarmos essa rápida viagem pelos lançamentos bimestrais do mercado editorial brasileiro, vamos dar uma paradinha na prateleira dos livros voltados para o fazer literário. As boas novas por aqui são a publicação de “Como Escrever Mesmo Estando em Pânico” (Europa), de Carolina Zuppo Abed, e o lançamento da versão em português de “Por que Escrever?” (Companhia das Letras), de Philip Roth. “Como Escrever Mesmo Estando em Pânico” é a quarta publicação de Carolina Zuppo Abed, escritora e professora de Escrita Criativa. Depois da coletânea de contos “Tecle 2 para Esquecer” (Patuá), de 2017, da coleção fotográfica e poética de “Menos o Mar” (Carapaça), também de 2017, e da antologia poética “Passatempoemas – Desafios Verbo-lógico-matemáticos” (Quelônio), de 2020, Carolina lança dessa vez um livro direcionado para quem tem o desafio de produzir textos. O que fazer quando o bloqueio criativo impede o início ou o desenvolvimento do trabalho do ficcionista, do poeta, do produtor de conteúdo, do acadêmico, do jornalista, do estudante ou do analista encarregado de entregar um relatório? Atire a primeira pedra quem nunca parou intimidado(a) por uma folha em branco! A proposta de “Como Escrever Mesmo Estando em Pânico” é justamente orientar os diferentes tipos de escritores. Em “Por que Escrever?”, Philip Roth apresenta sua visão sobre o ofício de escritor e os aspectos práticos e teóricos do fazer literário, além de detalhar algumas particularidades de sua biografia. São mais de trinta textos do norte-americano, autor do clássico “O Complexo de Portnoy” (Companhia das Letras). “Por que Escrever?” reúne ensaios, entrevistas, discursos e crônicas de Roth. Trata-se de um prato cheio para quem quer conhecer a vida, os comentários e os detalhes do trabalho de um dos principais escritores norte-americanos do século XX. Confira, a seguir, a relação dos 115 principais livros que foram publicados no Brasil no segundo bimestre de 2022. Quem estiver chegando agora à coluna Mercado Editorial e não tem ideia de como é feito esse levantamento do Bonas Histórias, esclareço que selecionamos apenas obras ficcionais (romances, novelas, coletâneas de contos, coleções de crônicas e literatura infantojuvenil), antologias poéticas e ensaios relacionados ao fazer literário. Veja, portanto, a nossa lista completa dos principais lançamentos do mercado editorial nacional em março e abril de 2022. FICÇÃO BRASILEIRA: “Inventário do Azul” (Alfaguara) – João Anzanello Carrascoza – Romance – 344 páginas. “Enervadas” (Carambaia) – Chrysanthème – Romance – 160 páginas. “Motivos e Razões para Matar e Morrer” (Companhia das Letras) – Reginaldo Prandi – Romance – 336 páginas. “Justiça Sem Limites” (Labrador) – Francisco Gomes Júnior – Romance – 336 páginas. “Tilikum” (Melhoramentos) – Manuela Dias – Novela – 144 páginas. “Os Coadjuvantes” (Companhia das Letras) – Clara Drummond – Novela – 112 páginas. “Heresia – Tudo Menos Ser Amortal” (Record) – Betty Milan – Novela – 112 páginas. “Eva” (Todavia) – Nara Vidal – Novela – 112 páginas. “Cuidado” (Labrador) – Natalia Grimberg – Novela – 96 páginas. “O Livro das Personagens Esquecidas” (CEPE) – Cícero Belmar – Coletânea de Contos – 144 páginas. “Contos Sensuais e Algo Mais” (Patuá) – Martinho da Vila – Coletânea de Contos – 312 páginas. “A Vida É Divertida” (Labrador) – J. Lopes – Coletânea de Contos – 320 páginas. “Vuturuna” (Labrador) – Marcos Rodrigues – Coletânea de Contos – 176 páginas. “Como Escrever Mesmo Estando em Pânico” (Europa) – Carolina Zuppo Abed – Ensaio/Coletânea de Crônicas – 144 páginas. “Luzes do Norte” (Galera) – Giulianna Domingues – Infantojuvenil – 280 páginas. “Capitão Flirk e o Artefato dos Cinco Elementos” (Nova Fronteira) – Marcelo Mesquita – Infantojuvenil – 136 páginas. “Além do Desafio” (Escarlate) – Severino Rodrigues – Infantojuvenil – 96 páginas. “O Incrível Diário do Luccas Neto” (Pixel) – Luccas Neto – Infantojuvenil – 96 páginas. “Carolayne, Carolina e as Histórias do Diário da Menina” (Malê) – Simone Mota – Infantojuvenil – 28 páginas. “Nando, Vô João e as Histórias de Pescador” (Globinho) – Sônia Travassos e Odilon Moraes – Infantojuvenil – 64 páginas. “A Menina que Conversava com a Estrela” (Flamingo Edições) – Marcio Thinchinatto – Infantojuvenil – 52 páginas. “Pão na Chapa” (Companhia das Letrinhas) – Fabrício Corsaletti e Ana Matsusaki – Infantojuvenil – 40 páginas. “A Grande Convenção dos Sapos” (Globinho) – Leo Cunha e Ivan Zigg – Infantojuvenil – 40 páginas. “A Palavra da Boca pra Fora” (CEPE Editora) – Clara Angélica e Rodrigo Fisher – Infantojuvenil – 36 páginas. “Gildo Está Fora do Ritmo” (Brinque-Book) – Silvana Rando – Infantojuvenil – 32 páginas. “A Melhor Mãe do Mundo” (Companhia das Letrinhas) – Nina Rizzi e Veridiana Scarpelli – Infantojuvenil – 32 páginas. “Uma Bibliotecária Maluquinha” (Malê) – Zetó e Reinaldo Lee – Infantojuvenil – 28 páginas. FICÇÃO INTERNACIONAL: “Outlander – Um Sopro de Neve e Cinzas” (Arqueiro) – Diana Gabaldon (Estados Unidos) – romance – 1.168 páginas “Sobrevidas” (Companhia das Letras) – Abdulrazak Gurnah (Tanzânia) – Romance – 336 páginas. “Kim Jiyoung, Nascida em 1982” (Intrínseca) – Cho Nam-joo (Coreia do Sul) – Romance – 176 páginas. “A Substituição ou As Regras do Tagame” (Estação Liberdade) – Kenzaburo Oe (Japão) – Romance – 352 páginas. “Água Fresca para as Flores” (Intrínseca) – Valérie Perrin (França) – Romance – 480 páginas. “Sra. Hemingway” (Bertrand Brasil) – Naomi Wood (Inglaterra) – Romance – 294 páginas. “O Coração é o Último a Morrer” (Rocco) – Margaret Atwood (Canadá) – Romance – 416 páginas. “Alpha Girls” (Agir) – Julian Guthrie (Estados Unidos) – Romance – 288 páginas. “A Espiã da Realeza” (Arqueiro) – Rhys Bowen (Inglaterra) – Romance – 272 páginas. “Uma Rosa Só” (Companhia das Letras) – Muriel Barbery (Marrocos/França) – Romance – 176 páginas. “Dicionário dos Demônios” (Darkside) – M. Belanger (Estados Unidos) – Romance – 528 páginas. “Meu Policial” (Melhoramentos) – Bethan Roberts (Inglaterra) – Romance – 280 páginas. “Pecados Mortais” (Trama) – Maria Grund (Suécia) – Romance – 336 páginas. “Um Sinal dos Céus” (Bertrand Brasil) – Nora Roberts (Estados Unidos) – Romance – 490 páginas. “A Menina do Outro Lado – Volume 6” (Darkside) – Nagabe (Japão) – Romance – 180 páginas. “Órbita de Inverno” (Suma) – Everina Maxwell (Inglaterra) – Romance – 360 páginas. “M, o Homem da Providência” (Intrínseca) – Antonio Scurati (Itália) – Romance – 608 páginas. “A Luz na Escuridão” (Alt) – Sharon Cameron (Estados Unidos) – Romance – 448 páginas. “Segunda Casa” (Todavia) – Rachel Cusk (Inglaterra/Canadá) – Romance – 168 páginas. “Antes que o Café Esfrie” (Valentina) – Toshikazu Kawaguchi (Japão) – Romance – 208 páginas. “Maisie Dobbs” (Arqueiro) – Jacqueline Winspear (Inglaterra) – Romance – 304 páginas. “Me Encrenquei de Novo” (L&PM Editores) – Melvin Burgess (Inglaterra) – Romance – 264 páginas. “O Fogo da Perdição – A Lenda dos Quatro Soldados” (Record) – Elizabeth Hoyt (Estados Unidos) – Romance – 336 páginas. “Sete Anos de Escuridão” (Todavia) – Jeong You-jeong (Coreia do Sul) – Romance – 416 páginas. “Fim de Jogo” (Arqueiro) – Daniel Cole (Inglaterra) – Romance – 304 páginas. “Em Um Porão Escuro” (Trama) – Cara Hunter (Inglaterra) – Romance – 376 páginas. “A Metade Fantasma” (Companhia das Letras) – Alan Pauls (Argentina) – Romance – 328 páginas. “A Camareira” (Intrínseca) – Nita Prose (Canadá) – Romance – 336 páginas. “O Rei Pálido” (Companhia das Letras) – David Foster Wallace (Estados Unidos) – Romance – 608 páginas. “A Reabilitação” (Globo Livros) – Leslie Jamison (Estados Unidos) – Romance – 496 páginas. “Nunca” (Arqueiro) – Ken Follett (País de Gales) – Romance – 624 páginas. “Iluminadas” (Intrínseca) – Lauren Beukes (África do Sul) – Romance – 400 páginas. “O Poderoso Chefão” (Record) – Mario Puzo (Estados Unidos) – Romance – 518 páginas. “Natureza Morta” (Arqueiro) – Louise Penny (Canadá) – Romance – 304 páginas. “A Filha Única” (Todavia) – Guadalupe Nettel (México) – Romance – 216 páginas. “Silêncio na Floresta” (Arqueiro) – Harlan Coben (Estados Unidos) – Romance – 352 páginas. “O Pequeno Caderno das Coisas Não Ditas” (Verus) – Clare Pooley (Inglaterra) – Romance – 364 páginas. “Procurando Jane” (Paralela) – Heather Marshall (Canadá) – Romance – 328 páginas. “O Diário de Paris” (Buzz) – Jordyn Taylor (Estados Unidos) – Romance – 264 páginas. “Encontros e Desencontros em Compostela” (Record) – Graeme Simsion (Nova Zelândia) e Anne Buist (Austrália) – Romance – 406 páginas. “Os Quatro Ventos” (Arqueiro) – Kristin Hannah (Estados Unidos) – Romance – 384 páginas. “Manual de Assassinato Para Boas Garotas” (Intrínseca) – Holly Jackson (Inglaterra) – Romance – 448 páginas. “Os Dois Duques de Wyndham” (Arqueiro) – Julia Quinn (Estados Unidos) – Romance – 560 páginas. “O Visconde que me Amava” (Arqueiro) – Julia Quinn (Estados Unidos) – Romance – 304 páginas. “A Dor do Meu Segredo” (Trama) – Robyn Gigl (Estados Unidos) – Romance – 320 páginas. “Os Vigias de Sangomar” (Malê) – Fatou Diome (Senegal) – Romance – 328 páginas. “Aconteceu Naquele Verão” (Intrínseca) – Tessa Bailey (Estados Unidos) – Romance – 448 páginas. “A Música Perdida” (Verus) – Chris Cander (Estados Unidos) – Romance – 308 páginas. “O Incrível Garoto da Parada do Apito” (Globo Livros) – Fannie Flagg (Estados Unidos) – Romance – 320 páginas. “Instruções Para Dançar” (Arqueiro) – Nicola Yoon (Jamaica) – Romance – 256 páginas. “Obras Completas de Adolfo Bioy Casares – Volume C” (Biblioteca Azul) – Adolfo Bioy Casares (Argentina) – Coletânea ficcional – 952 páginas. “Padre Sérgio” (Companhia das Letras) – Liev Tolstói (Rússia) – Novela – 120 páginas. “O Acontecimento” (Fósforo) – Annie Ernaux (França) – Novela – 80 páginas. “O Crepúsculo do Mundo” (Todavia) – Werner Herzog (Alemanha) – Novela – 96 páginas. “A Tempestade” (Penguin Companhia) – William Shakespeare (Inglaterra) – Peça teatral – 280 páginas. “Contos de Fantasia Chineses” (Moinhos) – Yao Feng (China) – Coletânea de Contos – 400 páginas. “Pássaros na Boca e Sete Casas Vazias” (Fósforo) – Schweblin Samanta (Argentina) – Coletânea de Contos – 280 páginas. “Babel África” (Globinho) – Muriel Bloch (França), Angélique Kidjo (Benin), Nei Lopes (Brasil) e outros – Coletânea de Contos – 360 páginas. “O Legado” (Paralela) – Elle Kennedy (Canadá) – Coletânea de Contos – 296 páginas. “Magnus Chase e os Deuses de Asgard – 9 Contos de Nove Mundos” (Intrínseca) – Rick Riordan (Estados Unidos) – Coletânea de Contos – 176 páginas. “Quando Deixamos de Entender o Mundo” (Todavia) – Benjamín Labatut (Holanda/Chile) – Coletânea de Crônicas – 176 páginas. “Por que Escrever?” (Companhia das Letras) – Philip Roth (Estados Unidos) – Coletânea de Crônicas/Ensaios – 568 páginas. “Moksha” (Biblioteca Azul) – Aldous Huxley (Inglaterra) – Coletânea de Crônicas/Contos/Ensaios – 484 páginas. “Sob o Signo de Saturno” (Companhia das Letras) – Susan Sontag (Estados Unidos) – Ensaio – 192 páginas. “Reflexões sobre a Guilhotina” (Record) – Albert Camus (Argélia/França) – Ensaio – 96 páginas. “Sobre a Violência” (Civilização Brasileira) – Hannah Arendt (Alemanha) – Ensaio – 154 páginas. “Viúva de Ferro” (Intrínseca) – Xiran Jay Zhao (China/Canadá) – Infantojuvenil – 480 páginas. “O Herdeiro Perdido – Jogos de Herança 2” (Alt) – Jennifer Lynn Barnes (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 432 páginas. “A Ponte Entre Reinos” (Seguinte) – Danielle L. Jensen (Canadá) – Infantojuvenil – 416 páginas. “Não Nasci Para Agradar” (Intrínseca) – Michelle Quach (Chica/Vietnã/Estados Unidos) – Infantojuvenil – 400 páginas. “Heartstopper – Um Passo Adiante – Volume 3” (Seguinte) – Alice Oseman (Inglaterra) – Infantojuvenil – 384 páginas. “Os Reinos Partidos – Volume 2 da Trilogia Legado” (Galera) – N. K. Jemisin (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 378 páginas. “Amari e Os Irmãos da Noite” (Seguinte) – B. B. Alston (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 368 páginas. “Desafiando os Mundos” (Rocco) – Claudia Gray (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 352 páginas. “Você Ligou para o Sam” (Alt) – Dustin Thao (Vietnã/Estados Unidos) – Infantojuvenil – 352 páginas. “Meu Lugar ao Sol” (Alt) – Leah Johnson (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 304 páginas. “Tithe – Volume 1 da Coleção Contos de Fadas Modernos” (Galera) – Holly Black (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 252 páginas. “Gente Legal Está em Todo Lugar” (José Olympio) – Alice Walker (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 56 páginas. “Eu Quero Um Cachorro” (Pequena Zahar) – Jon Agee (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 48 páginas. “Eu Prometo” (Rocquinho) – Lebron James (Estados Unidos) – Infantojuvenil – 40 páginas. “Preciso de Espaço” (Brinque-Book) – Philip Bunting (Inglaterra/Austrália) – Infantojuvenil – 36 páginas. “Samira e os Esqueletos” (Brinque-Book) – Camilla Kuhn (Noruega) – Infantojuvenil – 36 páginas. POESIA BRASILEIRA: “Poemas Reunidos” (Fósforo) – Miriam Alves – 384 páginas. “Dança Para Cavalos” (Fósforo) – Ana Estaregui – 88 páginas. POESIA INTERNACIONAL: “Não Acredito no Eco dos Trovões” (Moinhos) – Bei Dao (China) – 96 páginas. “Uma Carta de Amor Escrita Por Mulheres Sensíveis” (Record) – Brittainy Cherry & Kandi Steiner (Estados Unidos) – 96 páginas. “O Além da Montanha” (Moinhos) – Yao Feng (China) – 128 páginas. No finalzinho de junho, retornarei à coluna Mercado Editorial para apresentar os lançamentos do terceiro bimestre de 2022 no Brasil. Não perca as novidades do setor editorial de nosso país nem os demais posts do Bonas Histórias. Até a próxima! Gostou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Se você se interessa por informações do mercado editorial, deixe aqui seu comentário. Para acessar outras notícias dessa área, clique em Mercado Editorial. E aproveite para nos acompanhar nas redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn.
- Livros: Kim Jiyoung, Nascida em 1982 - O best-seller feminista de Cho Nam-Joo
Publicado em outubro de 2016, o terceiro romance da escritora sul-coreana se tornou fenômeno da ficção internacional ao retratar o machismo em seu país. No final de semana passado, li “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” (Intrínseca), o romance mais famoso da escritora sul-coreana Cho Nam-Joo. Fenômeno recente da ficção mundial e da literatura feminista, essa obra retrata de maneira brilhante o drama de uma mulher de Seul oprimida desde a infância pela cultura e pelos valores sexistas de seus conterrâneos. Em um cenário extremamente machista, a protagonista acaba, ao ficar grávida pela primeira vez, aprisionada ao papel de mãe, esposa e dona de casa. O pior é descobrir que esse caminho não é um acidente pessoal em que ela foi vítima ou uma escolha consciente de certo estilo de vida, mas uma convenção social imposta desde sempre a todas as mulheres da Coreia do Sul. Não à toa, a personagem principal do livro acaba meio que enlouquecendo. E para quem pensa que estou contando o final da trama (não se preocupe, não damos o spoiler nas análises feitas no Bonas Histórias!), a loucura da figura central desse título de Cho Nam-Joo ocorre já nas primeiras páginas. Portanto, a brincadeira aqui é parecida à dinâmica narrativa de “Bonsai” (Cosac Naify), premiada novela de Alejandro Zambra. A graça dessas leituras não está em descobrir o que acontece e sim o porquê os fatos relatados tragicamente acontecem. Incrível, né? O que torna “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” uma publicação tão interessante e saborosa aos olhos dos leitores internacionais é que o romance retrata uma faceta pouco visível (ao menos para o público estrangeiro) e nada elogiável (para os padrões ocidentais e contemporâneos) da sociedade sul-coreana: o machismo. Afinal, como um país tão desenvolvido (a Coreia do Sul é um dos Tigres Asiáticos), charmoso (com um soft power cada vez mais influente em vários campos artístico-culturais) e tecnológico (Seul, por exemplo, é uma das metrópoles mais modernas do planeta) pode tratar as mulheres como as sociedades mais retrógradas e desumanas do Oriente Médio (para ficarmos em uma comparação em nível continental), hein?! A resposta para tal questionamento está justamente nas páginas da obra de Cho Nam-Joo: “O mundo tinha mudado bastante, mas não pequenas regras, contratos e costumes (impostos às mulheres), o que significava que na verdade o mundo não tinha mudado nada”. Curiosamente, a autora sul-coreana produziu a história de “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” a partir da própria experiência de vida de quem precisou largar o trabalho e a profissão quando a maternidade bateu à porta. Ou seja, esse é um livro ficcional com muitos elementos autobiográficos. Nascida em Seul em 1978, Cho Nam-Joo se formou em Sociologia e trabalhou por quase uma década como roteirista de televisão. Quando teve a primeira filha, ela precisou largar a carreira que adorava para cuidar exclusivamente da casa, da família e da bebê. O pior é que essa decisão foi mais uma imposição social e menos uma escolha pessoal. Inquieta, criativa, inteligente e com muita vontade de voltar a trabalhar, a sul-coreana encontrou na produção literária uma nova profissão. Surgia, dessa forma, a escritora e romancista que faria sucesso, primeiramente, em âmbito nacional e, depois, nos quatro cantos do planeta. Best-seller internacional com mais de um milhão de unidades vendidas, “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” é o terceiro romance de Cho Nam-Joo e seu livro mais celebrado até aqui. Publicada na Coreia do Sul em outubro de 2016, a obra rapidamente se tornou um grande sucesso editorial no país asiático. O que ajudou na divulgação de “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” entre os sul-coreanos foi o aparecimento de políticos, jornalistas, influenciadores digitais e personalidades do K-Pop comentando e discutindo (por vezes acaloradamente) a trama. Vale a pena dizer que a mera menção ao machismo da sociedade local e à necessidade de combater a desigualdade e a discriminação de gênero no país costuma gerar polêmicas e brigas em público. Nesse ambiente para lá de tóxico, muita gente achou exagerado e injusto o conteúdo do romance de Cho Nam-Joo. O grande número de pessoas que atacam a mensageira por causa da mensagem amarga já evidencia por si só o quão machista é a Coreia do Sul, né? Com a propaganda espontânea, ora positiva, ora negativa, o livro foi parar na lista dos mais vendidos do mercado editorial sul-coreano com números na casa dos seis dígitos. Assim como ocorre em quase todas as partes do mundo, uma boa polêmica pode ser um excelente afrodisíaco para estimular o interesse dos leitores pela ficção literária. A repercussão em âmbito doméstico foi tão surpreendente (e satisfatória!) que chamou a atenção das editoras estrangeiras para o trabalho literário de Cho Nam-Joo. Hoje, seis anos mais tarde, “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” já foi traduzido para quase duas dezenas de idiomas. No Brasil, a obra foi lançada em março de 2022 pela Editora Intrínseca. A tradução (indireta feita a partir do título em inglês: “Kim Jiyoug, Born 1982”) foi realizada por Alessandra Esteche, tradutora e preparadora de texto em língua portuguesa e em língua inglesa e que é especialista em materiais didáticos e em literatura infantojuvenil. Em nosso país, esse é, por enquanto, o único livro de Cho Nam-Joo que foi publicado em português. Contudo, o sucesso internacional de “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” fez com que editoras norte-americanas e europeias traduzissem e lançassem os demais romances da sul-coreana em seus mercados. Por isso, não se surpreenda se nos próximos anos chegarem por aqui as versões nacionais dos outros títulos de Cho Nam-Joo. Por falar em desdobramentos do best-seller, a história dramática de Kim Jiyoug saiu, em 2019, das páginas do livro e ganhou as telas de cinema. A partir da adaptação do romance, a atriz e (agora) diretora Kim Do-young lançou o filme homônimo nos cinemas da Coreia do Sul. Esse foi seu título de estreia na direção cinematográfica. E mais uma vez, o interesse do público pela trama da jovem mãe de Seul oprimida pelo machismo resultou em números bombásticos. O filme “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” (82 Nyeonsaeng Gim Jiyeong: 2019) conquistou mais de 3,6 milhões de espectadores e bilheteria superior a U$ 27 milhões nas salas de cinema, o que o colocou nas primeiras posições da temporada sul-coreana de cinema de 2019. O enredo do livro “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” (afinal, este post é da coluna Livros – Crítica Literária e não da coluna Cinema) começa no outono de 2015. Aos 33 anos, Kim Jiyoug levava uma vida aparentemente normal em um pequeno apartamento alugado em Seul. Casada desde 2012 com Jung Daehyun, rapaz de 36 anos que trabalhava em uma empresa de TI, e com uma filha de um ano, Jung Jiwon, a protagonista do romance era uma pacata dona de casa. Ela largara o emprego em uma agência de Marketing quando engravidou. Como os pais dela eram proprietários de restaurante na capital sul-coreana (o que exigia dedicação integral ao estabelecimento comercial) e os sogros moravam em outra cidade, Busan, a jovem mãe não tinha ninguém com quem deixar Jiwon após o parto. Assim, a rotina de Kim Jiyoug se limitava aos afazeres domésticos e ao cuidado da bebezinha tão logo a menina veio ao mundo. Tudo parecia caminhar tranquilamente até 8 de setembro. Nessa data, Kim Jiyoug teve pela primeira vez o que podemos chamar de comportamento incomum. O casal tomava café da manhã em casa quando a esposa começou a falar como se fosse uma mulher mais velha. Logo de cara, o marido achou que Kim Jiyoug estivesse apenas brincando. Afinal, ela estava imitando perfeitamente a mãe dela. Ou quem sabe, cogitou Jung Daehyun, a mulher estaria estressada com o cuidado em tempo integral da filha pequena e estava tendo pequenos lapsos de memória. Dias depois, Kim Jiyoug agiu como se fosse Cha Seungyeon, uma amiga do casal dos tempos de faculdade e que havia falecido por problemas no parto há alguns anos. Conversando como se fosse Cha Seungyeon, Kim Jiyoug aconselhou Jung Daehyun a valorizar a esposa e a não sobrecarregar com tantas tarefas domésticas. O que estaria acontecendo com sua mulher? A única resposta que ele chegou é que talvez Kim Jiyoug estivesse ligeiramente bêbada, apesar de ter ingerido apenas uma latinha de cerveja. Mesmo com os indícios que havia algo de errado com a protagonista do livro, nada foi feito. Aí chegou o feriado de Chuseok, uma das celebrações mais importantes da Coreia do Sul. Aproveitando a folga prolongada, Kim Jiyoug, Jung Daehyun e Jung Jiwon viajaram para Busan. A ideia era passar alguns dias com os pais e a família dele. E para a perplexidade de todos, Kim Jiyoug criticou, como se fosse sua mãe, o excesso de trabalho doméstico que os parentes de Jung Daehyun estavam impondo a filha/esposa dele por causa do feriado. A sinceridade nas palavras da moça gerou uma forte crise familiar. Por mais que tivesse que concordar com Kim Jiyoug, Jung Daehyun não podia ficar contra os pais em plena casa deles. A única alternativa encontrada pelo marido foi sair correndo de Busan com a esposa e a filha. A partir daí, temos um longo flashback da infância, adolescência, início da vida adulta, casamento e maternidade de Kim Jiyoug. Esse mergulho no passado fornece subsídios para descobrirmos o que levou a personagem a ter aquele comportamento tão incomum, quase amalucado. Paralelamente, também conhecemos um pouco da história dos pais e dos irmãos de Kim Jiyoug e da trajetória da família de Jung Daehyun. Afinal de contas, o que teria acontecido com a jovem esposa e recente mãe para ela agir de um jeito tão assustador, hein?! A versão literária de “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” possui 176 páginas e está dividida em seis capítulos (“Outono de 2015”, “Infância, 1982-1994”, “Adolescência, 1995-2000”, “Início da Vida Adulta, 2001-2011”, “Casamento, 2012-2015” e “2016”). Precisei de pouco mais de duas horas e meia para concluir a leitura do romance de Cho Nam-Joo no último sábado. Por causa do tamanho reduzido de páginas, se você preferir chamar esse livro de novela também pode. Confesso que fiquei com essa dúvida quando comecei a preparar este post para a coluna Livros – Crítica Literária. Afinal, tanto em extensão quanto em complexidade narrativa, “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” está bem no limiar entre uma novela (narrativa de tamanho e complexidade mediana) e um romance (narrativa de tamanho e complexidade longa). Independentemente das classificações do gênero narrativo, o que não muda é a qualidade do texto da publicação. Essa obra de Cho Nam-Joo é espetacular!!! Não tenho receios de dizer que “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” é um dos mais impactantes títulos literários que li nos últimos três anos e que comentei com vocês no Bonas Histórias em 2022. Para completar, esse livro tem talvez a história ficcional mais contundente sobre o machismo em uma sociedade (pretensamente) desenvolvida. Se você ficou impressionado com os romances feministas de Chimamanda Ngozi Adichie, como “Hibisco Roxo” (Companhia das Letras), “Meio Sol Amarelo” (Companhia das Letras) e “Americanah” (Companhia das Letras), então você precisa conhecer “Kim Jiyoug, Nascida em 1982”. Nessa publicação de Cho Nam-Joo, assistimos a uma série interminável de preconceitos e violências que as mulheres passam rotineiramente na Coreia do Sul da infância à velhice. E não estamos falando de eventos antigos, do século passado ou de décadas atrás. Não!!! Boa parte da trama de “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” acontece nos dias atuais e é protagonizada por uma jovem cosmopolita de um dos países mais desenvolvidos do capitalismo. Aí está justamente a questão mais assustadora do livro. O sexismo que ataca e oprime a personagem principal do romance (prefiro chamá-lo de romance à novela, tá?) está em todos os lugares da sociedade sul-coreana: dentro de casa, nos encontros familiares, na escola, na faculdade, no casamento, no trabalho, perante as instituições públicas, nas políticas governamentais, nos valores sociais, no transporte, no passeio despretensioso ao parque etc. Até dentro da barriga materna as meninas são vítimas da cultura machista e misógina (o número de abortos delas é infinitamente maior do que o realizado com os meninos). É ou não é assustador, hein?! É verdade que tudo isso não é uma grande novidade para as almas feministas e para aqueles mais atentos e engajados socialmente. Entretanto, quando olhamos o quadro completo do que acontece ao longo da vida de Kim Jiyoug, que está longe de ser exceção entre as sul-coreanas, o cenário se torna tão horripilante, tal qual uma história de terror. A impressão é que a protagonista vive literalmente presa em uma cultura de violência à mulher, de opressão masculina e de guerra entre os sexos. Exatamente por isso, adorei a intertextualidade do nome do livro, que faz uma clara referência ao romance “Nascido em 4 de Julho” (Publicações Europa-América) de Ron Kovic, que inspirou o filme homônimo de Oliver Stone. Em ambos os enredos, os cenários das tramas são os conflitos bélicos, atrozes, inexplicáveis e enlouquecedores. Se os soldados norte-americanos padeceram física e mentalmente com a rotina no Vietnã, as sul-coreanas passam pela mesma situação diariamente em seu país (elas são enviadas para a guerra tão logo entram na barriga da mãe). Repare que não estamos falando no que acontece com as mulheres na China, como os principais títulos de Xinran – “Mensagem de Uma Mãe Chinesa Desconhecida” (Companhia das Letras), “As Filhas Sem Nome” (Companhia das Letras) e “As Boas Mulheres da China” (Companhia de Bolso) – nos mostram. Não estamos tratando da situação feminina no Afeganistão, como as obras de Khaled Hosseini – “O Caçador de Pipas” (Nova Fronteira), “A Cidade do Sol” (Nova Fronteira) e “O Silêncio das Montanhas” (Globo Livros) – retratam. Também não estou me referindo à Índia de Thrity Umrigar – como visto em “A Distância Entre Nós” (Nova Fronteira). O contexto narrativo é a Coreia do Sul, o que torna tudo mais emblemático. E o que tem afinal de tão especial nesse país asiático, hein? Aí está a questão chave que trago para esse post da coluna Livros – Crítica Literária. A Coreia do Sul ganhou grande evidência nos últimos anos. Sua importância agora não é apenas econômica, mas sobretudo cultural. A arte, o esporte, o entretenimento e a cultura sul-coreanas parecem ter conquistado forte dimensão no Ocidente nos últimos vinte anos. Na música e na dança, posso citar o K-Pop como um gênero que caiu no gosto dos jovens de várias partes do mundo. No cinema, o melhor exemplo é “Parasita” (Gisaengchung: 2019), filme de Bong Joon Ho que recebeu o Oscar. Na televisão, os k-dramas angariaram fãs ao redor do planeta. Até a gastronomia tem lá suas preciosidades (confesso que sou apaixonado pelo corn dog coreano) e o futebol tem mostrado grande evolução (a Seleção da Coreia do Sul ia muito bem na Copa até enfrentar a Seleção Brasileira nas oitavas de finais). E um país com tantos aspectos positivos para mostrar aos estrangeiros é aquele mesmo que oprime, mata, violenta, menospreza, diminui, assedia e humilha as mulheres cotidianamente. É ou não é uma contradição absurda, né?!! Assim sendo, o primeiro elemento narrativo que chama a atenção do leitor em “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” é a ambientação. O clima, o tom e a atmosfera dessa história são pesados e angustiantes. O terror que as mulheres vivenciam rotineiramente na Coreia do Sul acontece em todas as classes sociais, em todos os lugares e em todas as épocas. O machismo se faz presente nos privilégios e na atenção maior que as famílias dão para os bebês e para as crianças do sexo masculino. Na overdose de trabalho doméstico que as mulheres são obrigadas a ter normalmente. Na imposição que elas devam ir para a cozinha nos feriados mais importantes da nação. Na cultura do aborto quando o feto é do sexo feminino. Na imposição ao subemprego para as mulheres casadas, de meia-idade ou com filhos pequenos que insistem em trabalhar (independentemente de suas formações e competências). No bullying sofrido pelas alunas na escola e praticado tanto pelos alunos masculinos quanto pelos professores dos dois sexos. No assédio sexual e moral disseminado na escola, no transporte público, na rua, no trabalho e em casa. Na impossibilidade da mulher casada e, principalmente, da grávida ou mãe recente de seguir com sua profissão. Na pressão social da jovem esposa em ter um filho (e de preferência homem!). Entendeu agora como a ambientação é de terror para as personagens femininas do romance?! Dois componentes narrativos favorecem a constituição da ambientação soturna de “Kim Jiyoug, Nascida em 1982”. O primeiro é o texto seco e cortante da obra. Cho Nam-Joo não é poética nem usa meias palavras para retratar a violência sofrida por sua protagonista e por suas conterrâneas. A escritora é extremamente objetiva ao pontuar o que acontece em cena. O texto árido dá um aspecto ainda mais corrosivo à trama e à experiência literária. Como efeito estilístico à lá Graciliano Ramos, o resultado é encantador. O segundo aspecto é o caráter meio híbrido da narrativa. Se notarmos bem, esse livro de Cho Nam-Joo tem vários elementos não ficcionais enxertados no meio do texto ficcional. No começo da leitura, esse expediente me pareceu meio esquisito. Confesso que pensei: por que as notas de rodapé com tantos dados estatísticos, notícias jornalísticas e pesquisas acadêmicas se estamos em um romance? Só na metade da leitura pude entender parcialmente o que estava acontecendo. Nesse momento, acreditei que a autora queria conferir um ar de crônica à narrativa. Por essa perspectiva, temos em “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” uma mistura de romance com coletânea de crônicas feministas. A parte não ficcional é obviamente direcionada ao combate ao machismo e à misoginia na Coreia do Sul. Ao trazer elementos concretos, estatísticas reais e episódios verídicos do que as mulheres sul-coreanas vivenciam ainda hoje, entendemos que o sofrimento de Kim Jiyoug é regra e não exceção. E quando compreendemos isso, o texto ficcional ganha ainda mais em dimensão dramática e engajamento. Entretanto, só no último capítulo (chamado de “2016”), entendemos exatamente o uso das notas de rodapés e a preocupação acadêmica de pontuar o drama de Kim Jiyoug com elementos bibliográficos. Obviamente, não irei revelar a descoberta que os leitores fazem na parte final do romance. O que posso dizer (sem estragar a experiência literária de ninguém) é que temos um narrador em primeira pessoa. Até o epílogo, parece que a narração da obra é em terceira pessoa. Mas ela não é, não. No desenlace descobrimos quem é que conta a história de “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” e o porquê da sua preocupação com as citações, as referências e as bibliografias virem explícitas no texto. Essa é, justamente, uma das boas surpresas contidas na parte final do livro. Por falar no narrador surpreendente do epílogo, gostei de descobrir que esse texto está em primeira pessoa e não em terceira pessoa. Essa escolha de Cho Nam-Joo tem duas qualidades mais evidentes. Logo de cara, essa característica confere um ar de maior qualidade à literatura ali praticada. Querendo ou não, é difícil valorizarmos as tramas da ficção contemporânea que tenham narradores em terceira pessoa onipresentes e oniscientes, né? Além disso, as revelações do narrador e o seu conhecimento sobre a vida inteira de Kim Jiyoug e de seus familiares (algo totalmente justificado nas páginas finais da obra) isentam a escritora de qualquer equívoco de Foco Narrativo (conforme cogitei durante a leitura, até chegar ao capítulo derradeiro e entender a dinâmica da narrativa). Se o capítulo final é espetacular, como citei acima, o capítulo inicial não fica atrás. Ele também é maravilhoso. O que mais gostei é que Cho Nam-Joo consegue imprimir dinamismo e charme ao seu texto desde as primeiras linhas. Como disse logo no comecinho deste post do Bonas Histórias, o conflito do romance é exposto diretamente e sem rodeios – Kim Jiyoug parece ter enlouquecido, pois começa a emular comportamentos e frases de sua mãe. A partir daí, nos perguntamos: por que a protagonista está agindo dessa maneira? O que aconteceu de tão grave em sua trajetória para ela ter esse tipo de distúrbio psiquiátrico? Com essas dúvidas em mente, nos transvestimos de psiquiatra e mergulhamos no passado da personagem desde a infância. Outra questão interessante de ser exaltada em “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” é a ótima visão histórica da Coreia do Sul. A trama ficcional de Cho Nam-Joo percorre vários períodos importantes da formação social e cultural da nação asiática. Nas páginas do livro, acompanhamos: a mudança da economia agrária para a industrial; a vida típica no interior do país na primeira metade do século XX; o êxodo rural; o início do capitalismo em Seul; a dificuldade da população durante o período entre Guerras e do Pós-Segunda Guerra Mundial; o vertiginoso crescimento econômico no início da década de 1990; a crise financeira do Sul da Ásia em 1997; e tantas outras passagens históricas. O que pode incomodar um pouco os leitores desacostumados aos nomes e aos termos orientais é que eles nos confundem às vezes. Isso aconteceu comigo. Mesmo lendo “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” em uma batida só (o que normalmente minimiza problemas desse tipo), em alguns momentos me confundi com um nome sul-coreano aqui e outro acolá. Porém, esse detalhe não teve a dimensão de estragar a minha experiência de leitura. Até porque, dá para solucionar as possíveis confusões algumas linhas mais à frente. O problema mais grave desse romance, na minha visão, foi o tipo de tradução escolhido: o indireto. Como ocorre com a maioria dos títulos da literatura asiática adaptados para nosso idioma, o texto de “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” foi versado do inglês e não do sul-coreano. Mesmo com o trabalho impecável de Alessandra Esteche, percebe-se um certo enrosco quando feriados, datas comemorativas, pratos, hábitos, roupas e cômodos da Coreia do Sul são trazidos para o português de forma indireta. Novamente, essa questão não prejudica tanto a questão da experiência literária. Mesmo assim, pela qualidade e pela dimensão do livro de Cho Nam-Joo, acredito que valia a pena o investimento por parte da Editora Intrínseca em uma tradução direta. Com certeza, “Kim Jiyoug, Nascida em 1982” estará na lista das melhores obras que debati na coluna Livros – Crítica Literária em 2022 (ranking que renderá um post para a coluna Recomendações em janeiro). Além disso, confesso que esse foi o romance feminista mais impactante que li nos últimos anos. Afinal, uma coisa é mostrar o drama social das mulheres em culturas muito diferentes e distantes da nossa (o termo distante usado aqui não tem a característica geográfica, tá?). A outra é retratar a agonia feminina em um país tão tecnológico, rico, capitalista, charmoso e próximo do nosso dia a dia. Por estarmos muito mais pertos culturalmente da Coreia do Sul (e do Japão, por exemplo) do que da Nigéria, China, Índia, Afeganistão, Irã, Iraque e Paquistão, as sensações de incômodo, revolta e inconformismo dos leitores ocidentais são potencializadas. Constatar por A mais B o machismo sistêmico no âmago de uma sociedade que integra a elite do capitalismo contemporâneo é realmente chocante. Durmamos com esse estrondo, amigos e amigas! Por fim, gostei dessa leitura de Cho Nam-Joo porque há muito tempo acalentava a curiosidade de conhecer um título da literatura sul-coreana. Eu já tinha mergulhado na literatura chinesa (Xinran de maneira mais profunda e Murong de forma superficial) e na literatura japonesa (Haruki Murakami e Kenzaburo Oe de um jeito mais sistemático e Kazuo Ishiguro mais pontualmente). Porém, na literatura da Coreia do Sul eu estava zerado. Acho que consegui, em grande estilo, espantar essa mácula que tinha em minha biblioteca. 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- Filmes: O Menu - O terror de Mark Mylod com jeitão de sátira gastronômica
Lançado em dezembro nos cinemas brasileiros, O Menu é estrelado por Anya Taylor-Joy, Ralph Fiennes e Nicholas Hoult e apresenta uma história alegórica dos restaurantes sofisticados. Nesse final de semana de luto futebolístico, fui ao Espaço Itaú de Cinema do Bourbon Shopping Pompeia para assistir a “O Menu” (The Menu: 2022), o thriller de terror que entrou recentemente em cartaz no Brasil. Terror de novo, Ricardo?! Sim, adoro ficção aterrorizante seja nas telonas seja nas páginas dos livros. Sem perceber, os últimos filmes que analisei na coluna Cinema são justamente desse gênero. Em agosto, comentei com os leitores do Bonas Histórias “A Teoria dos Vidros Quebrados” (La Teoria de Los Vidrios Rotos: 2021), produção uruguaia de Diego Fernández. E em outubro, debati no blog “Sorria” (Smile: 2022), o longa-metragem de estreia de Parker Finn. E hoje vamos de “O Menu”! Nada como uma boa ficção de terror para esquecermos os momentos trágicos que vimos nos campos cataris, né? Lançado no circuito nacional de cinema em 1º de dezembro, “O Menu” foi dirigido por Mark Mylod, britânico mais conhecido pelos trabalhos nos seriados televisivos (“Sucession”, “Game of Thrones” e “Shameless”) do que pelas produções cinematográficas. Nas telonas, seu título mais conhecido é a despretensiosa (e gostosinha) comédia romântica “Qual é o Seu Número” (What´s Your Number?: 2011). Por isso, não é errado enxergarmos “O Menu” como o longa-metragem mais ambicioso do diretor até aqui. Pelo que parece, enfim Mylod começa a transferir algumas fichas da bem-sucedida carreira na TV para o cinema. Com certeza, os apreciadores da sétima arte não vão reclamar da ampliação de foco do seu trabalho. Orçado em aproximadamente US$ 30 milhões, “O Menu” foi escrito por Seth Reiss e Will Tracy, dupla de roteiristas que também é mais habitual das produções televisivas e que acompanha sempre Mark Mylod nos projetos audiovisuais do britânico. No elenco principal do filme, temos Anya Taylor-Joy, que interpretou brilhantemente Beth Harmon em “O Gambito da Rainha” (The Queen’s Gambit: 2020), Ralph Fiennes, de “O Grande Hotel Budapeste” (The Grand Budapest Hotel: 2014) e “King´s Man – A Origem” (The King´s Man: 2021), e Nicholas Hoult, de “Mad Max – Estrada da Fúria” (Mad Max: Fury Road: 2015) e “Meu Namorado É um Zumbi” (Warm Bodies: 2013). A equipe de atores e atrizes é complementada por Hong Chau, Janet McTeer, Richard Liebbrandt, Judith Light, John Leguizamo, Paul Adelstein, Aimee Carrero, Arturo Castro, Rob Yang, Mark St. Cyr, Rebecca Koon, Christina Brucato e Adam Aalderks. A ideia do roteiro de “O Menu” surgiu após uma experiência verídica de Mark Mylod na alta gastronomia. Quando estava pesquisando os hábitos dos endinheirados para o seriado “Sucession”, o diretor e o roteirista Will Tracy visitaram o Cornelius Sjømatrestaurant, um renomado e exclusivíssimo restaurante norueguês. O estabelecimento é especializado em frutos do mar e fica em uma ilha ao norte de Bjørøyhamn, cidade às margens do Mar do Norte e distante sete horas de Oslo. Tracy já tinha visitado antes o local quando viajou à Noruega de lua de mel e achou interessante indicá-lo para o diretor. A partir da refinada experiência gastronômica, os cineastas puderam ter vários insights para as tramas de TV que estavam trabalhando e para as histórias de cinema que viriam a produzir mais tarde (“O Menu” entra exatamente nessa segunda categoria). No Cornelius, os visitantes são recepcionados pela equipe dos chefs desde o momento em que entram na embarcação que ruma para a ilha privativa, que fica mais ou menos a 30 minutos de barco do continente. A proposta da casa é proporcionar aos clientes uma imersão completa na culinária autoral e inovadora (leia-se gastronomia molecular). O restaurante valoriza a pesca da região (ao ponto de dizer que prepara o peixe mais fresco do mundo!) e os produtos cultivados ali mesmo. O estabelecimento serve diariamente cinco tipos de refeições (uma diferente da outra e cada uma para um momento específico do dia) e altera o cardápio (baseado nas variações meteorológicas) quando as estações do ano mudam. Se esse post fosse da coluna Gastronomia, eu gastaria mais algumas linhas falando do Cornelius. Porém, estamos na coluna Cinema, né? Foi visitando o Cornelius que Mylod e Tracy, duas mentes para lá de criativas, começaram a esboçar a história do que aconteceria se a equipe do restaurante chique estivesse mais propensa a conferir uma experiência sádica e surreal aos visitantes do que uma experiência culinária agradável e pacífica. Afinal, querendo ou não, os clientes estavam presos em uma ilha isolada da civilização e suscetíveis aos caprichos dos cozinheiros e funcionários do estabelecimento, né? Na cabeça da dupla de cineastas, se o chef principal do Cornelius fosse alguém com sede de vingança e traços de psicopatia, na certa aquela noite dos abastados comensais se transformaria em um momento trágico e aterrorizante para eles. A partir dessa proposta narrativa para lá de ousada surgiu a base da história que ancora “O Menu”. No roteiro de Seth Reiss e Will Tracy, a trama do filme não acontece na Europa e sim nos Estados Unidos. Obviamente, o nome do restaurante e dos chefs também são alterados (sai o norueguês Cornelius Sjømatrestaurant e entra o norte-americano Hawthorne Restaurant; e sai de cena os vários chefs do estabelecimento real e entra em ação o chef ficcional Julian Slowik). E a dupla de protagonistas que visita o tragicômico restaurante não é mais os colegas que trabalham com cinema e sim um jovem casal de namorados que aparentemente está se conhecendo. As filmagens de “O Menu” aconteceram essencialmente em Savannah, Geórgia, entre setembro e outubro de 2021. As cenas do litoral foram captadas na costa da Ilha Jekyll, também na Geórgia. A estreia comercial de “O Menu” aconteceu em meados do mês passado nos Estados Unidos. Desde então, o filme de Mark Mylod vem sendo lançado nas salas de cinema dos quatro cantos do planeta com boa repercussão da crítica cinematográfica (que entendeu perfeitamente a sátira inteligente e violenta à alta gastronomia) e do público (que embarcou de cabeça na proposta inovadora do longa-metragem). A bilheteria dessa produção nas duas primeiras semanas em cartaz na América do Norte foi de quase US$ 50 milhões. Em alguns dias de novembro, “O Menu” só ficou atrás do blockbuster “Pantera Negra – Wakanda Para Sempre” (Black Panther – Wakanda Forever: 2022) na lista dos mais assistidos nos cinemas norte-americanos e canadenses. Nada mal para um título de um diretor que raramente se volta para os trabalhos nas telonas! Realmente, o novo filme de Mark Mylod (com roteiro de Seth Reiss e Will Tracy) é incrível e merece ser visto com atenção por quem curte cinema de alta qualidade. Essa produção possui como ingredientes principais o humor fino (tão fino que tenho dificuldade de chamá-la de comédia), várias reviravoltas na trama, cenas com alta tensão dramática e um enredo recheado de suspense. Para completar o prato, foram inseridas generosas doses de violência e foram acrescidas pitadas do melhor do surrealismo. O resultado é espetacular! Confesso que desde “Mãe!” (Mother!: 2017), longa-metragem do excelente Darren Aronofsky, eu não assistia a um filme norte-americano de terror com uma história tão perspicaz e diferenciada. E quem foi que disse que não existe vida inteligente no cinema dos Estados Unidos, hein?! Falemos agora mais a fundo da trama propriamente dita de “O Menu”. O longa inicia-se com Tyler (interpretado por Nicholas Hoult) e Margot Mills (Anya Taylor-Joy) em um píer. O jovem casal de namorados (namorados?!) está à espera do barco que os levará ao Hawthorne, conceituado restaurante comandado pelo não menos estrelado Chef Julian Slowik (Ralph Fiennes). A embarcação cuja tripulação é formada exclusivamente por funcionários do Hawthorne é necessária pois o estabelecimento fica em uma ilha particular. Ou seja, ele está distante de tudo e todos! Ao desembarcar na ilhota, os clientes passam por um longo tour turístico-gastronômico. Só depois eles são conduzidos à mesa do restaurante. O tal tour é conduzido por Elsa (Hong Chau), a estranha maitre e braço direito de Julian Slowik. Ela apresenta cada detalhe da produção culinária do Hawthorne. A proposta do restaurante, como qualquer empreendimento sofisticado e voltado para os milionários, é oferecer uma experiência gastronômica única e memorável. Não por acaso, a maioria dos visitantes fica encantada com a complexidade do empreendimento. Por noite, apenas 12 clientes tem o privilégio (mediante pagamento de US$ 1.250) de degustar as criações do chef do Hawthorne. Tudo ali é preparado com enorme esmero e requinte. Os peixes e os frutos do mar são pescados/coletados momentos antes de serem servidos. As frutas e as hortaliças são plantadas na própria ilha para dar gosto de frescor e de natureza aos pratos. A carne e o leite vêm dos animais criados ali mesmo. A partir das matérias-primas exclusivas e de enorme qualidade, o Chef Slowik consegue criar pratos extremamente inovadores, que atiçam a curiosidade do público ávido por novidades culinárias e que exploram o paladar dos clientes mais entendidos em alta gastronomia. Assim, não é surpresa nenhuma que haja fila de vários meses para se conseguir uma reserva à mesa do Hawthorne. Por causa do preparo quase artesanal dos alimentos e da meticulosa confecção dos pratos, o exército de funcionários do restaurante reside na própria ilha (não se perde tempo ali). A rotina de trabalho no Hawthorne é insana. Diariamente os empregados de Julian Slowik acordam de madrugada para preparar os alimentos e só vão dormir tarde da noite, quando o último cliente já foi embora e o estabelecimento está prontinho para ser reaberto no próximo expediente. A equipe de cozinheiros atua sob as ordens quase ditatoriais do comandante, que é único que tem direito a um dia de folga a cada três meses. Se a jornada de trabalho é longa e bastante cansativa, o nível de exigência também é absurdo. Nada pode sair errado. Chef Slowik é um líder implacável e não aceita nada que não beire a perfeição. Como consequência, os funcionários do Hawthorne parecem ora robôs, ora integrantes de uma seita messiânica. É nesse ambiente meio amalucado que está o casal de namorados. Enquanto Tyler, um milionário apaixonado pela alta gastronomia e pelo trabalho de Julian Slowik, está empolgadíssimo com a visita ao Hawthorne, Margot acha um tanto exagerada a excitação do companheiro. Ela crê que é um absurdo pagar tão caro por uma simples refeição. E, o que é pior, à medida que os pratos servidos no restaurante chegam à mesa, a jovem irá achá-los sem graça, ilógicos e até mesmo ruins. Sua postura contrasta, obviamente, com a de Tyler, cada vez mais maravilhado com o que prova. Na visão dele, Chef Slowik é verdadeiramente um dos maiores artistas da gastronomia mundial e merece a fama conquistada nos últimos anos. No seleto grupo de clientes daquela noite, o Hawthorne recebe, além de Tyler e Margot, mais dez visitantes. Os felizardos (ou não!?) são: o casal de idosos (interpretado por Liebbrandt e Judith Light) que visitam o estabelecimento recorrentemente; a dupla de conceituados críticos gastronômicos (Janet McTeer e Paul Adelstein); o casal formado por um ator famoso (John Leguizamo) e sua assistente e namorada (Aimee Carrero); o trio de executivos (Arturo Castro, Rob Yang e Mark St. Cyr) que trabalha para o investidor que deu a grana necessária para o Chef Slowik colocar seu empreendimento de pé; e a mãe de Julian Slowik, uma senhora melancólica, alcóolatra e assustadoramente calada (Rebecca Koon). Curiosamente, a presença (e a postura desbocada!) de Margot no grupo de clientes daquela noite causa muito desconforto na equipe do Hawthorne. A moça foi levada de última hora ao restaurante por Tyler. Pelo visto, a reserva do rapaz tinha sido feita para outra mulher (o que parece não constranger nem um pouco a bela e empoderada Margot). Não demora para que o clima ruim do estabelecimento descambe para situações absurdas e trágicas. Infeliz com o próprio desempenho, um cozinheiro se mata com um tiro na boca no meio do salão. A cena ocorre na frente dos clientes e dos colegas. Para perplexidade dos visitantes, a equipe de cozinheiros e o chef não se abalam com a morte e dão prosseguimento a entrega dos pratos tão logo retiram o cadáver do salão. Incomodado com o que vê, um cliente se levanta e ameaça ir embora. Impedido pelos funcionários de deixar o local antes da hora, o senhor, um habitual frequentador do restaurante, é punido pela ousadia de querer abandonar a mesa sem o consentimento do chef. Para horror dos demais visitantes, o cliente petulante é barbaramente agredido por um dos cozinheiros. Usando a faca da cozinha, o funcionário do Hawthorne, sob as ordens de Julian Slowik, corta friamente um dedo da mão do senhor e atira o homem agonizando em um canto do salão. A única que presta os primeiros socorros ao ferido é a esposa dele, aterrorizada e chocada com o que presencia. Só aí os clientes percebem que não são visitantes corriqueiros do Hawthorne. Naquela noite especificamente, eles são prisioneiros do Chef Slowik, em postura cada vez mais transloucada e sanguinolenta. A sensação é que a equipe do estabelecimento fará de tudo para tornar a experiência gastronômica do grupo de visitantes em algo trágico e terrível. Em meio à animosidade crescente entre funcionários e clientes do Hawthorne, Margot segue desprezando categoricamente os pratos servidos e a proposta do restaurante, o que só piora as coisas para todos. Paradoxalmente, Tyler, indiferente ao desespero do grupo de comensais, continua focado em experimentar a comida feita com tanto requinte por Julian Slowik. Em meio à violência inexplicável ao seu redor, o rapaz aguarda ansiosamente os próximos pratos que serão colocados em sua mesa. “O Menu” tem aproximadamente 1 hora e 45 minutos de duração e consegue empolgar os cinéfilos mais exigentes. Entretanto, ele pode frustrar os espectadores mais recreativos, que geralmente têm dificuldade para compreender o humor sutil e os nuances tragicômicos do enredo. Como não curto comédias escrachadas e o humor mais popularesco (gosto infelizmente da maioria do público que frequenta os cinemas comerciais atualmente), admito que adorei o novo filme de Mark Mylod! A primeira questão que preciso comentar sobre essa produção é o caráter alegórico das personagens. Entender essa característica do longa-metragem abre as portas para a compreensão da graça de “O Menu” (o tal humor tragicômico que comentei no parágrafo acima) e, principalmente, o esclarecimento da dinâmica da narrativa ficcional (a guerra entre o chef e sua equipe de cozinheiros e os clientes do restaurante sofisticado não é tão absurda quanto parece à primeira vista). Repare bem no perfil dos visitantes do Hawthorne na fatídica noite retratada no filme: a crítica gastronômica metida a besta que quer sentir o que ninguém mais vê em cada prato; o editor da revista culinária que faz qualquer coisa para agradar a sua principal colaboradora; o casal fútil de milionários que visita o restaurante sem ter qualquer noção do que está comendo e do quão rica é aquela experiência à mesa; o casal de famosinhos que vai à ilha simplesmente para ver-e-ser-visto (e se eles mostrarem alguma intimidade com o badalado chef, melhor ainda!); os investidores capitalistas que estão interessados única e exclusivamente em botar dinheiro no bolso, independentemente do que o chef faça e sirva aos visitantes (mesmo assim, quando der, os donos do dinheiro vão dar uns pitacos na dinâmica do restaurante só para mostrar poder e serviço); e a família (representada pela mãe de Julian) que exige atenção, tempo e presença do chef, rivalizando com a rotina já desgastante e estressante do estabelecimento comercial. Só quando visualizamos o quão alegórico é o grupo de frequentadores do Hawthorne, percebemos o motivo do ódio que Julian Slowik e seus funcionários sentem dos comensais daquela noite tão especial. Não à toa, a equipe do restaurante quer trucidar com requintes de crueldades cada uma das personagens sentadas à mesa (os jornalistas metidos a sabichões, os clientes fúteis, os visitantes arrogantes e famosos, os capitalistas interesseiros e a família que só vê os cozinheiros como pessoas normais e não estrelas de primeira grandeza da arte gastronômica). Viu como a trama de “O Menu” faz sentido!!! À princípio, os únicos que parecem escapar da ira do Chef Slowik e de seu séquito de seguidores acéfalos são justamente Tyler e Margot. Se a admiração e os conhecimentos culinários de Tyler mexem positivamente com o ego de Julian Slowik (o rapaz é o único que parece entender os conceitos dos pratos servidos ali), por outro lado o desprezo e a indiferença de Margot (uma pessoa comum que não se empolga com o ritual social e o status de estar no restaurante multi estrelado) tiram o chef do lugar comum. Por mais paradoxal que possa parecer, os cozinheiros do Hawthorne não odeiam (ao ponto de querer matá-la) a moça que não aprecia a comida do estabelecimento. Eles a respeitam (na verdade, chegam a temê-la). O que eles não querem é que ela continue no salão, estragando a vingança planejada meticulosamente aos clientes tão afetados e (na visão dos funcionários do restaurante) tão cruéis. Por tudo isso, parece meio óbvio dizer agora que a narrativa de “O Menu” é muito sagaz. Além de inteligente e muito bem construída, a história do filme é bastante original. Digo isso porque é normal encontrarmos produções cinematográficas envolvendo a gastronomia e/ou a culinária que descambem para o drama – "Pegando Fogo" (Burnt: 2015), “Estômago” (2007) e “Super Size Me – A Dieta do Palhaço” (Super Size Me: 2004) –, para o suspense – “O Chef” (Boiling Point: 2022) e “O Jantar” (The Dinner: 2017) –, para o romance – “Chocolate” (Chocolat: 2000) e “Sem Reservas” (No Reservations: 2007) – e para a comédia – “Tel Aviv em Chamas” (Tel Aviv On Fire: 2018), “Chef” (2014), “Lunchbox” (Dabba: 2013) e “Ratatouille” (2007). Contudo, não me lembro de ter assistido a um longa-metragem com essa temática que caminhasse para o lado do terror e, o que é mais legal, para o surrealismo. Incrível, né? Pela pegada nonsense da trama, não é errado compararmos “O Menu” a “O Anjo Exterminador” (El Ángel Exterminador: 1962), obra-prima de Luis Buñuel. Se no filme mexicano do pai do Surrealismo as pessoas ficavam presas dentro de casa por vontade própria (em uma explícita crítica social à burguesia), na produção norte-americana os clientes do restaurante se tornam prisioneiros e vítimas daqueles que deveriam servi-los. Se você achou minha comparação esdrúxula, talvez o correto fosse mesmo associar “O Menu” ao já citado “Mãe!”, título recente que mistura surrealismo e terror com enorme competência e criatividade. Outro componente interessante de “O Menu” que deve ser comentado neste post da coluna Cinema é a sensação de claustrofobia que o espectador sente durante a sessão. Dos 105 minutos do filme, acredito que cerca de 80 minutos devam ser passados dentro do salão do restaurante. As personagens ficam presas ali como se estivessem em um aquário ou em uma prisão. Apesar da beleza e da sofisticação do ambiente, o clima é de opressão, medo e insegurança. Não por acaso, os clientes são observados por Julian Slowik e sua equipe, além de se observarem mutuamente (atirando por terra qualquer nível de privacidade). Acredite se quiser, a ausência de paredes entre a cozinha e o salão torna a experiência gastronômica no Hawthorne ainda mais assustadora e complexa. Gostei também dos sustos e das surpresas contidos em “O Menu”. Os sustos vêm na medida certa e as reviravoltas na trama têm o tom correto, além de serem muitíssimo inteligentes. Se comparado com os mesmos elementos de “A Teoria dos Vidros Quebrados” e “Sorria”, últimos títulos de terror que analisei no Bonas Histórias, o enredo de “O Menu” é muuuuuuuito melhor. As principais surpresas desse longa-metragem estão relacionadas às personalidades, ao passado e aos segredos dos clientes. Vários visitantes do restaurante têm lá seus mistérios e descobri-los pode mudar a perspectiva que o espectador tem da narrativa. Só não posso falar mais nada a respeito porque aí corro o risco de adiantar algumas partes interessantes do enredo (algo proibitivo nas análises da coluna Cinema). Como consequência, não temos um filme parado (algo que poderia acontecer já que temos apenas um cenário fixo). A partir do suicídio do cozinheiro do Hawthorne na frente de todos, o público na sala de cinema não consegue mais piscar os olhos da tela. E por falar em ritmo narrativo, vale a pena destacar que um dos aspectos mais intrigantes de “O Menu” é justamente a mudança de dinâmica do filme. Repare nisso durante a sessão. O longa-metragem começa como um thriller tradicional. Até aí nada demais. O suspense que atiça nossa curiosidade é formado por uma série de perguntas: quem são essas pessoas no barco a caminho do restaurante? O que há na ilha de tão especial? Por que a equipe do Hawthorne age de um jeito meio robótico e meio amalucado? Quem é Margot? E por que ela é a convidada reserva de Tyler? Enquanto ainda estamos fazendo formulações, o filme muda de cara e se torna um terror legítimo. Aí as cenas de violência saltam à tela e podem assustar as almas e os corações mais sensíveis. Depois do terror (ou seria banho de sangue?), começa a fase da ação dramática de “O Menu”. Os visitantes do Hawthorne desafiam o chef do restaurante e tentam fugir. A ideia do grupo de visitantes é sobreviver ao ataque aparentemente sem sentido e atroz dos cozinheiros. E, por fim, temos a melhor parte dessa produção de Mark Mylod que gosto de chamar de sátira gastronômica. É nesse instante que a trama (até então caótica e com jeitão de nonsense) faz sentido e se torna brilhante (com doses elevadas de humor). Quando entendemos que estamos diante de uma história satírica e que cada personagem é na verdade uma figura alegórica, o filme faz total sentido e ganha ainda mais graça (diria que o longa-metragem se torna uma tragicomédia). À medida que “O Menu” vai mudando de pegada narrativa (ou seria de estilo cinematográfico, hein?), só uma coisa não muda: a estética de programa de televisão. Achei hilária a preocupação de apresentar detalhadamente os nomes, as características e os ingredientes de cada um dos pratos servidos pelo Chef Slowik. É como se a culinária fosse uma personagem central (e é!) do filme. E se ela não fosse discriminada, o espectador teria perdido uma parte importante do enredo. Impossível não gostar dessa brincadeira intertextual. Outra questão fundamental para o sucesso de “O Menu” foi a excelente atuação do elenco. Por ser filmado quase que integralmente em um único cenário (lembre-se: o salão do restaurante é integrado à cozinha) e com várias pessoas em cena, há uma pegada quase que teatral ao longa-metragem. Nessa concepção de cinema, exige-se mais dos atores e das atrizes. Se eles não forem bem, na certa o filme não terá força dramática. E quando há dezenas de figuras o tempo inteiro no palco, quero dizer na tela, todos precisam estar em alto nível. E é o que assistimos em “O Menu”. Apesar do show particular de interpretação de Ralph Fiennes e do carisma absurdo de Anya Taylor-Joy, todo o elenco se sai muitíssimo bem e ajuda a manter acesa a chama do suspense da narrativa. Por fim, preciso dizer que o desfecho da trama é SENSACIONAL!!! Se houvesse um Oscar específico para o fechamento das produções cinematográficas, diria que “O Menu” era o meu favorito para a conquista dessa estatueta no próximo evento em Los Angeles. E olha que o desenlace é geralmente o calcanhar de Aquiles dos filmes de terror. Cansei de comentar na coluna Cinema títulos aterrorizantes que começaram muito bem e acabaram melancolicamente. E, graças ao roteiro impecável de Seth Reiss e Will Tracy, “O Menu” não sofre desse mal. Pelo contrário, ele se torna ainda melhor com o final memorável protagonizado por Margot/Anya Taylor-Joy e Julian Slowik/Ralph Fiennes. Desde “O Boneco do Mal” (The Boy: 2016), eu não via o fechamento de uma produção de terror tão bom quanto esse. E aí, ficou curioso para ver o trailer de “O Menu”? Então chega de suspense e vamos ao vídeo oficial do filme: Até o final do ano vou visitar mais algumas vezes as salas de cinema, mas desconfio que não haverá um longa-metragem melhor do que esse em cartaz no circuito comercial brasileiro. Se achar prometo contar em primeira mão para vocês aqui no Bonas Histórias. De qualquer maneira, adorei a sessão do sábado passado que misturou o conteúdo das colunas Gastronomia e Cinema. O que você achou deste post e do conteúdo do Blog Bonas Histórias? Não se esqueça de deixar seu comentário. Se você é fã de filmes novos ou antigos e deseja saber mais notícias da sétima arte, clique em Cinema. 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- Celebrações: Bonas Histórias - Oitavo aniversário do blog
Consolidado como um dos principais blogs de literatura, cultura e entretenimento do Brasil, o Bonas Histórias bateu recorde de audiência em 2022. Estamos em festa nesta semana. E as nossas comemorações não têm qualquer relação com os jogos do Brasil na Copa do Mundo de Futebol. Copa? Futebol? Brasil? Que copa, que futebol, que Brasil, hein?! O motivo das festividades por aqui é o aniversário do Bonas Histórias. Em 1º de dezembro, o blog completou oito anos de vida. Eu disse oito anos!!! Uhu! O alcance de uma marca tão expressiva nos enche de orgulho e me motivou a escrever este post especial para a coluna Premiações e Celebrações. Acredito que nossos leitores, colunistas, patrocinadores e parceiros também estejam felizes com a longevidade e com a qualidade do trabalho realizado pelo Bonas Histórias. Afinal, são quase uma década de vida, né? Criado de maneira despretensiosa no finalzinho de 2014, o blog se tornou ao longo do tempo referência na crítica literária e na crítica cultural em nosso país. Não à toa, nos transformamos em um dos principais divulgadores da literatura, da cultura, das artes e do entretenimento no Brasil. Em algumas áreas de atuação (literatura e dança, por exemplo), o Bonas Histórias é líder de audiência. De maneira geral, somos atualmente o blog de literatura, cultura e entretenimento mais acessado em língua portuguesa. No último quadrimestre (agosto, setembro, outubro e novembro de 2022), tivemos uma média de aproximadamente 28 mil visitantes únicos mensais. No mês passado, beiramos a marca de 30 mil leitores únicos (foram 29,8 mil em novembro – 1 mil por dia). Você conhece um blog (estou falando de blog e não de canais do Youtube!) que navegue de maneira profunda no universo artístico e possua métricas tão elevadas? Sinceramente, eu não conheço. E olha que frequentemente dou uma fuçada na Internet procurando. O conteúdo preferido dos nossos leitores é a literatura, não por acaso nosso carro-chefe. São sete as colunas do Bonas Histórias voltadas à arte escrita: Livros – Crítica Literária (análise individual das obras), Desafio Literário (análise do estilo dos autores), Teoria Literária (concepção mais acadêmica do fazer literário), Talk Show Literário (entrevistas com personagens clássicas), Miliádios Literários (efemérides da literatura), Contos & Crônicas (narrativas exclusivas do blog) e Mercado Editorial (notícias do setor). A parte literária do blog possui mensalmente de 11 mil a 13 mil leitores únicos. A coluna Dança também vem se destacando como referência em seu segmento e tem grande audiência. Ela atrai de 8 a 10 mil visitantes únicos mensais. Logo em seguida, em nível de popularidade, temos as colunas Cinema (de 3 a 4 mil visitantes únicos por mês) e Músicas (de 2 a 3 mil visitantes únicos mensais). São ou não são indicadores incríveis para um portal analítico exclusivamente textual e com temática artístico-cultural? Para quem se interessa por variedade, o Bonas Histórias ainda traz conteúdo nas seguintes áreas: Teatro, Exposições, Gastronomia, Passeios, TV, Rádio e Internet, Cursos e Eventos, Premiações e Celebrações, Melhores Músicas Ruins e Recomendações. Apesar de menos acessadas, essas colunas conferem um rico tempero multicultural ao blog. Se o público dessas seções é normalmente menor, confesso que não posso dizer o mesmo das qualidades analíticas e textuais dos seus posts. O mais legal é saber que o Bonas Histórias chegou ao oitavo ano trazendo ininterruptamente análises de livros, filmes, músicas, shows, danças, peças teatrais, exposições e gastronomia. Para quem não conhece nossa política de trabalho, acho interessante contar que só publicamos análises de obras que gostamos. Ou seja, não fazemos avaliações prioritariamente negativas. No caso de trabalhos artístico-culturais que não gostamos, simplesmente não escrevemos a respeito. Além disso, nossas análises são 100% independentes. Não expressamos o que não pensamos e/ou não acreditamos. E não cobramos (EM HIPÓTESE NENHUMA) pela produção do conteúdo no blog. Costumo dizer que o Bonas Histórias faz parte da velha guarda dos veículos de comunicação, quando a linha editorial e a linha comercial não se falavam. Como resultado prático deste trabalho minucioso, estamos vendo multiplicar ano a ano o número de leitores. De 2020 para 2021, para você ter uma ideia, o Bonas Histórias triplicou a audiência. Se no ano retrasado nossa média mensal era de 5 mil visitantes únicos, no ano passado ela saltou para 15 mil. E em 2022, nossos números quase que dobraram. Agora temos uma média de 25 mil visitantes únicos mensais desde abril. De agosto de 2022 para cá, como já adiantei no início deste post, pulamos para 27 mil visitantes únicos por mês. E em novembro, na última medição consolidada que o Google Analytics realizou, nos aproximamos do recorde histórico de 30 mil visitantes únicos mensais que alcançamos em junho. Os indicadores atuais do Bonas Histórias nos enchem de satisfação. Saber que há um número expressivo de leitores rotineiramente acompanhando nossos textos proporciona um misto de alegria e medo. A alegria é pela dimensão das análises críticas e pelo alcance de nossas palavras. E o medo é, obviamente, pela crescente responsabilidade que a maior audiência traz. Para 2023, a ideia é continuarmos com o mesmo trabalho criterioso, independente e de qualidade. A meta do blog para o próximo ano é alcançar a marca de 50 mil visitantes mensais. Contamos com o apoio e o entusiasmo de todos para chegar ao novo patamar. E feliz aniversário, Bonas Histórias! Desejo uma longa e bem-sucedida trajetória para você, meu querido. Que tal este post e o conteúdo do Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. 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- Crônicas: O Ano que Esperávamos Há Anos - Novembro de 2012
Com a aproximação do Mundial de Clubes, jogadores e torcedores do Corinthians só pensam nos preparativos para a viagem ao Japão em dezembro. 1º de novembro de 2012 - quinta-feira Nos últimos meses, o ambiente no Corinthians tem se caracterizado pela total harmonia entre jogadores, comissão técnica, diretores, conselheiros e torcedores. Todos estão radiantes como jamais estiveram. Vivemos algo raríssimo no Parque São Jorge: tempos de paz! Ninguém briga com ninguém. As discussões acaloradas, as picuinhas e as intrigas nos bastidores parecem fazer parte do passado. O novo Corinthians é assustadoramente diferente daquele antigo Corinthians. Ainda bem! Com as conquistas recentes do Campeonato Brasileiro (do ano passado) e da Copa Libertadores (deste ano), com a demissão de Adriano (em maio), o único atleta com a capacidade para tumultuar o clima no vestiário, e com a liderança exemplar de Tite (desde outubro de 2010 como técnico do Timão), juro que não me recordo da última grande polêmica que explodiu no clube. Neste contexto de completa paz, as declarações de Burrito Martínez (agora estou começando a entender seu apelido!) na coletiva de imprensa de hoje destoaram tanto e repercutiram tão mal. Ao ser questionado pelos jornalistas sobre sua situação no Corinthians, o argentino se saiu com essa: "Se eu ficar na reserva no início do ano que vem, eu peço para ir embora. Para ser convocado (para a Seleção da Argentina) preciso jogar no meu time. Estou pensando numa possibilidade muito importante de jogar a Copa do Mundo. Eu vou fazer tudo por isso”. E completou: “Eu quero o melhor para o Corinthians, mas o melhor para mim também. Eu não tenho problema em ficar na reserva, mas neste momento, próximo de uma Copa, quando estou sendo chamado (para a Seleção) não dá (para ficar no banco). Em outro momento, aceitaria. Agora, não”. As palavras de Martínez espantaram os repórteres na sala de entrevistas. Sinceramente, não me lembro do último atleta alvinegro que veio a público cobrar a titularidade na equipe de Tite. Talvez tenha sido o lunático do Adriano no início do ano? Pode ser. O importante é que essa não é a postura dos jogadores corintianos. Na Era Tite, apenas os melhores são alçados ao campo de jogo. E essa situação é definida nos treinos e nas partidas. Não adianta os boleiros reclamarem, espernearem e/ou chiarem nos bastidores ou nos microfones. É o desempenho efetivo de cada um nas quatro linhas que o fará ser aproveitado ou não pelo treinador. É verdade que Martínez já merece ser titular do Coringão. Ele é muito talentoso, sempre joga bem e sabe fazer gols (Romarinho, por exemplo, tem sérias dificuldades nesse último quesito). Porém, o argentino perdeu toda a razão quando reclamou publicamente da reserva. Obviamente, ele está pensando unicamente em si e não no coletivo quando tem tal atitude. Talvez Martínez não tenha entendido como funciona o novo Corinthians. Por ser novato no Timão, ele pode ter achado que se ganha a vaga no grito, como é feito normalmente em outras equipes no Brasil e na Argentina. Foi, portanto, infeliz nas declarações. A questão é saber se a polêmica entrevista do camisa 7 irá desestabilizar o grupo e azedar sua relação com o técnico. Veremos a repercussão. Veremos... 2 de novembro de 2012 - sexta-feira A sexta-feira corintiana foi marcada pelas respostas da comissão técnica e da diretoria às declarações de ontem de Martínez. Pelas palavras dos comandantes do Parque São Jorge, o clima de tranquilidade não será desfeito tão cedo. O técnico Tite e o diretor Duílio Monteiro Alves encararam com naturalidade as cobranças do argentino e não quiseram polemizar. O treinador do Timão disse achar normal um jogador ter a ambição de ser titular. Para o gaúcho, se seus atletas não tivessem esse desejo, aí sim ele teria um problemão. Entretanto, na visão do técnico, os boleiros precisam compreender que as 11 vagas de titular são conquistadas em campo, jogando bola, e não no grito. “Ambição de ser titular todos têm. É normal que tenham. E todos vão buscar dessa forma. Eu falo para ele (Martínez) o que vale para todos. A bola fala e o campo fala. É lá dentro que se fala, que se consegue a vaga. É no campo que se mostra (a competência). Todos querem ser titulares”, afirmou hoje o técnico campeão da América para os jornalistas presentes no CT Joaquim Grava. Em um futuro próximo, tenho certeza de que iremos enxergar Tite como um treinador talentosíssimo e ao mesmo tempo extremamente folclórico. Suas declarações são sensacionais! "A bola fala e o campo fala" é uma de suas principais tiradas, que já entrou para o repertório cultural do futebol brasileiro. Inclusive, já ouvi outros treinadores e jogadores repetindo esse mantra do Seu Adenor. Incrível! Ainda mais diplomático, Duílio Monteiro Alves, diretor adjunto de futebol do Corinthians, garantiu que a reclamação púbica de Martínez não foi uma surpresa. Duílio disse já ter conversado com o jogador sobre essa situação e ter aconselhado o gringo a continuar trabalhando para mostrar seu valor. Além disso, o cartola ratificou as palavras do treinador: "Insatisfação com a reserva é pré-requisito aqui no Corinthians. Eu não quero mesmo que ele fique falando que está feliz, que não quer brigar para ser titular. Mas aqui todo mundo sabe como funciona. O que posso falar é: 'Vai para o campo, treina e ganhe espaço lá', como o Tite sempre falou. O Tite é justo. Então ele vai escolher os melhores. Quase todos os titulares de hoje já ficaram no banco também. Então não tem como querer ser titular sem ganhar a posição no campo". Repare que a polêmica levantada na quinta-feira foi devidamente contornada já no dia seguinte. Além disso, para a felicidade de Martínez, ele deverá jogar na próxima rodada. Com as ausências de alguns atacantes, sobrará para o camisa 7 a tarefa de entrar em campo e mostrar que pode sim ser titular do Timão. Vamos ver se ele aproveitará a chance. Depois não poderá reclamar que ninguém ouviu o que o campo e a bola falaram, né? Porque você sabe: o campo e a bola falam muuuuuuuito! 3 de novembro de 2012 - sábado A manhã desse sábado foi especial para dois jogadores corintianos. Primeiramente, Zizao recebeu a visita da mãe no Parque Ecológico do Tietê. Em viagem ao Brasil, a matriarca do chinesinho acompanhou as atividades nos campos do CT alvinegro e ficou muito orgulhosa de ver seu garoto vestindo a camisa do Timão. Como ela não sabe falar inglês (muito menos português), acabou não conversando com ninguém, além do filho. O próprio Zizao não conseguiu explicar para os jornalistas como se soletrava o nome da mãe. Se para os chineses é complicado, imagine para nós brasileiros como deve ser difícil para escrever ou pronunciar o nome da mulher, né? Nesse ambiente bem familiar, o camisa 200 deve ter ficado feliz por não ter sido relacionado para a partida de amanhã contra o Atlético Goianiense. Na certa, o gringo aproveitará a companhia da mãe durante todo o final de semana em São Paulo. Outro atleta visivelmente contente era Jorge Henrique. Depois de vários meses frequentando o banco de reservas ou entregue ao departamento médico, o camisa 23 voltou a ser escalado na equipe principal do Corinthians. A escolha de Tite se deu muito em função das ausências de Guerrero (suspenso) e de Emerson e Danilo (machucados). De qualquer maneira, depois de quase três meses (a última vez como titular foi em 12 de agosto contra o Coritiba), Jorge retornará ao campo de jogo. Para o técnico corintiano, a partida de domingo é o segundo teste do Timão para o Mundial. Depois da boa atuação contra o Vasco, Tite poderá testar um novo ataque. Amanhã, os atacantes do Timão serão Martínez, Romarinho e Jorge Henrique. É justamente neste setor em que o gaúcho tem mais dúvidas. As opções de frente no elenco do Coringão são variadas e de qualidade. Douglas, Danilo, Romarinho, Emerson, Paolo Guerrero, Martínez e Jorge Henrique são os postulantes às quatro vagas. Ou seja, sete jogadores brigam pela titularidade. Por isso, os três escalados para a próxima partida precisam mostrar serviço. A partir de agora, qualquer vacilo poderá representar a saída do time principal que jogará no Japão. A defesa, o ponto alto da equipe do Parque São Jorge nos dois últimos anos, não deverá sofrer alteração até dezembro. Se ninguém se machucar, o setor defensivo da equipe corintiana que começará o jogo da semifinal do Mundial Interclubes será: Cássio; Alessandro, Chicão, Paulo André e Fábio Santos; Ralf e Paulinho. Pensando nisso, Tite escalou outra vez essa formação. A ideia é dar ainda mais ritmo de jogo e aperfeiçoar o entrosamento lá atrás. À princípio a partida contra o Atlético-GO não vale nada para o Corinthians na competição nacional. Por outro lado, essa é uma ótima oportunidade de treino. A pouco mais de um mês da competição realmente importante, Tite precisa saber como estão seus comandados. Será pelo desempenho nos últimos cinco jogos do Brasileirão que ele irá definir a equipe titular no Mundial. Se no lado corintiano a partida é encarada como um simples treinamento, para o Atlético o jogo é de vida ou morte. Se os goianos perderem, estarão rebaixados. Para piorar, eles não poderão jogar em sua casa. Devido à punição da CBF, o confronto com o Timão será em Brasília. 4 de novembro de 2012 - domingo O domingo foi de sol forte e muito calor em Brasília. A temperatura no Estádio Serejão indicava 35ºC nos instantes preliminares à partida entre Atlético Goianiense e Corinthians. Se Tite via o jogo de hoje como mais um preparativo para o Mundial em dezembro, evidentemente o clima não ajudava. Diferentemente do Japão, que deverá ter temperaturas negativas durante a competição da FIFA, no Planalto Central brasileiro o clima era de Verão. Sem se preocupar com a questão climática, o Timão começou pressionando. O trio ofensivo formado por Martínez, Romarinho e Jorge Henrique se mostrava animado e entrosado. Ajudado pelas assistências de Douglas e pelos vários passes errados do adversário, o Corinthians foi dono absoluto do primeiro tempo. As chances para abrir o marcador foram variadas: Douglas em cobrança de falta e Martínez e Paulinho em chutes à queima roupa. Infelizmente, todos ficaram no quase. A Fiel Torcida, que encheu o estádio e era maioria absoluta nas arquibancadas, só soltou o grito de gol no segundo tempo. Aos 8 minutos da etapa complementar, Paulinho, em outra atuação de gala, deu passe açucarado para Martínez. O camisa 7 só precisou dominar a bola na grande área e tocar no canto do goleiro. Goooooool! Corinthians 1 a 0. O argentino encrenqueiro mostrava em campo estar mesmo à altura de ser titular da equipe de Tite. A vantagem no placar aumentou a tranquilidade do Timão. No lado goiano, a necessidade de vitória para fugir do rebaixamento deixava os jogadores ainda mais nervosos. Os erros do Atlético-GO se acumulavam. A equipe paulista passou a trocar passes e com facilidade chegava à área adversária. Romarinho e Paulinho perderam claras oportunidades na frente do goleiro. Douglas, em atuação espetacular, era o responsável por deixar os atacantes alvinegros na frente da meta rival. O segundo gol só saiu no finalzinho. Guilherme, que entrara no lugar de Douglas, aproveitou bate-rebate na grande área e chutou forte. 2 a 0. Com o apito final, o segundo teste corintiano para o Mundial terminou com a segunda vitória consecutiva. É verdade que o adversário de hoje era a pior equipe do Brasileirão e não deu qualquer trabalho para o sistema defensivo do Coringão. Cássio assistiu ao jogo pacientemente embaixo da baliza. O aspecto positivo é que o Timão jogou mais uma vez bem e parece cada vez mais preparado para encarar o poderoso Chelsea. Para completar a festa corintiana, o sistema de som do estádio candango informou: o Palmeiras empatou com o Botafogo em partida realizada simultaneamente. O nosso grande rival está cada vez mais perto da Série B em 2013! O rebaixamento do Palestra é algo cada vez mais provável. E a contagem regressiva da Fiel Torcida já começou. Saibam que na próxima rodada, poderemos comemorar matematicamente essa grande façanha do Palmeirinha. Uhu! 5 de novembro de 2012 - segunda-feira O Campeonato Brasileiro de 2012 já está quase decidido. Com quatro rodadas de antecedência, já é possível prever com grande segurança quem será o campeão, quais equipes estarão classificadas para a Copa Libertadores do próximo ano e quais times serão rebaixados para a Série B de 2013. Dificilmente o Fluminense (73 pontos) perderá o título desta temporada. O tricolor carioca tem nove pontos de vantagem em relação ao vice-líder, o Atlético Mineiro (64). Como faltam apenas quatro jogos (12 pontos em disputa), ninguém em sã consciência (nem o mais otimista torcedor atleticano!) acredita em uma virada do Galo. Para os matemáticos, o Flu tem 99% de chances de terminar a competição em primeiro. Ou seja, a quarta conquista da Série A da equipe das Laranjeiras é uma questão de dias. A briga pela classificação para a próxima Libertadores também está quase sacramentada. As outras três equipes brasileiras que irão disputar o principal torneio do continente em 2013 (além do Fluminense, primeiro colocado no Brasileirão, do Corinthians, campeão da Liberta nesse ano, e do Palmeiras, campeão da Copa do Brasil) são: Atlético Mineiro, Grêmio (63 pontos) e São Paulo (59 pontos). É possível fazer essa afirmação pois os concorrentes para a vaga na competição sul-americana estão bem atrás na classificação. Internacional e Botafogo têm 51 pontos e Vasco da Gama tem 50. Enquanto o Flu e o Galo já estão matematicamente classificados para a próxima Libertadores, Grêmio e São Paulo têm 99% de chances de ir também. Até mesmo a zona de rebaixamento já parece definida com grande antecipação. Com a derrota para o Timão no domingo, o Atlético Goianiense (23 pontos) é a primeira equipe matematicamente rebaixada no Brasileirão de 2012. O Figueirense (29 pontos) tem 99% e o Palmeiras (33 pontos) tem 97% de chances de cair. Ambas as equipes podem ser definitivamente degoladas já na próxima semana em caso de nova derrota. Que maravilha! O Verdão rebaixado com três rodadas de antecedência!!! A quarta e última vaga para o descenso pode cair no colo de Sport (36 pontos – 80% de chance de cair) ou no de Bahia e Portuguesa (40 pontos e 10% de chance de cair cada um). Desse trio, dois se salvarão e um se juntará ao grupo composto por Atlético-GO, Figueirense e Palmeiras. Essa briga deverá ir até a última rodada. O Brasileirão de 2012 vai se definindo com grande antecipação, o que tira a emoção da rodada final. Isso é algo atípico. Nos últimos três anos, a competição foi decidida na última rodada e nos instantes finais dos últimos jogos. Vale lembrar, por exemplo, que a Fiel Torcida só começou a cantar "É campeão!" em 2011 após os 90 minutos do último confronto. E Flamengo e Fluminense só conquistaram os títulos de 2009 e 2010, respectivamente, com gols nos momentos derradeiros da última rodada. Aquilo sim foi emoção! Se bem que é meio complicado, como corintiano, falar em "emoção" no Campeonato Brasileiro deste ano, né? Meu time praticamente não disputou o torneio desta temporada e, para mim, a competição não teve muita graça. Estou há praticamente quatro meses esperando o Mundial Interclubes chegar... 6 de novembro de 2012 - terça-feira Trago uma ótima notícia para a Fiel Torcida. Emerson Sheik, o grande herói corintiano na final da Copa Libertadores, voltou aos treinamentos nesta semana. O camisa 11 do Timão estava no departamento médico por causa de um estiramento no ligamento do joelho. A contusão aconteceu na partida contra a Portuguesa, no Canindé, em 13 de outubro. Por isso, Sheik desfalcou o Corinthians por quase um mês (quatro partidas do Campeonato Brasileiro). O atacante treinou normalmente ontem no CT corintiano para readquirir o melhor condicionamento físico. Ele fez trabalhos físicos tanto no campo quanto na academia. Se na segunda-feira Emerson Sheik só correu ao redor do gramado por alguns minutos, nessa terça ele já teve contato com a bola. Apesar da volta do avante às atividades normais do dia a dia do clube, o departamento médico vetou a presença do camisa 11 na próxima partida do Campeonato Brasileiro. No sábado, o Timão pega o Coritiba no Pacaembu. Para a comissão técnica corintiana, Emerson precisa ainda evoluir fisicamente para voltar a atuar em alto rendimento. Assim, ele vai sendo preparado para retornar aos gramados nas partidas finais do Brasileirão. Esses últimos jogos do ano serão fundamentais para deixar o Sheik novamente em ponto de bala para o Mundial de Clubes. A grande questão é saber como estará o jogador na segunda semana de dezembro, quando a competição no Japão iniciar. Emerson foi titular absoluto nas fases finais da Copa Libertadores e foi quem decidiu os últimos confrontos, contra Santos (semifinal) e Boca (decisão). Ele é muito importante para o Corinthians e se não estiver em campo fará uma falta danada. Tite explicou que conta, à princípio, com o jogador para o Campeonato Mundial. Para Sheik chegar bem no Japão, o treinador imagina que ele deva fazer uma sequência de pelo menos três partidas antes da viagem: "Quero ter o Emerson o mais rápido possível, mas com segurança, passando pelo departamento físico, assim como foi com Wallace e Danilo, que já trabalham com bola. Vamos ver em que estágio (os jogadores do Timão) estarão para o jogo de sábado”. A ideia de Tite é testar uma formação com Guerrero e Emerson no ataque. Infelizmente, os dois ainda não puderam jogar juntos e, como consequência, não possuem o entrosamento necessário. Se Sheik não estiver 100%, as opções do treinador para completar o setor ofensivo recaem em Martínez, Jorge Henrique e Romarinho. Os três são bons jogadores, mas Emerson é mais decisivo. Precisando fazer uma escolha tão difícil (Escalar ou não escalar Emerson? Essa é a questão!), Tite respondeu aos jornalistas: “Tudo pesa a favor e tudo pesa contra. A verdade pesa. Pesa o jogador decisivo na Libertadores? Pesa. Pesa ficar machucado e parado um longo tempo? Pesa. Pesa o estágio que voltará? Pesa. Ser justo é uma coisa muito difícil”. Certamente, o treinador corintiano está intrigado sobre o que fazer. 7 de novembro de 2012 - quarta-feira Corintiano que se preze só tem três pensamentos nos últimos meses: Mundial, Mundial e Mundial de Clubes da FIFA. Muitos torcedores (e põe muitos nessa conta) já estão de malas prontas, passagem nas mãos e visto regularizado para a viagem para o outro lado do mundo. Se eu tivesse bem de saúde e com dinheiro disponível, com certeza embarcaria para a Ásia com a turma alvinegra. Até mesmo para quem vai acompanhar os jogos exclusivamente pela televisão, a ansiedade é total. Não só os jogadores do Timão e a Fiel Torcida estão focados na competição internacional. A diretoria corintiana faz planos logísticos para a viagem, desenvolve ações de marketing para serem implementadas no Japão e busca formas de angariar mais dinheiro. A camisa do Corinthians, por exemplo, segue sem um patrocinador máster fixo. Contudo, várias empresas têm cortejado recentemente os cartolas do Parque São Jorge. Por isso, há a possibilidade de se fechar um patrocínio pontual para dezembro ou mesmo um contrato anual com uma grande companhia. Com o Mundial batendo à porta, é natural o aumento do interesse dos corintianos pelo Chelsea. Quem não quer saber como está nosso principal adversário no Japão, né? Hoje, os ingleses jogaram pela 4ª rodada da Copa dos Campeões da Europa. A partida foi transmitida no final da tarde pela TV Bandeirantes. É claro que eu assisti atentamente aos lances do jogo em Londres. O Chelsea ganhou do Shakhtar Donetsk da Ucrânia por 3 a 2. Com os três pontos, os ingleses empataram na liderança do grupo com os ucranianos (7 pontos para ambos). Logo atrás vem a Juventus com 6. Minha avaliação da partida dessa quarta-feira foi que o Chelsea tem mesmo uma bela equipe. Com as contratações milionárias feitas no meio do ano, eles ficaram ainda mais fortes. O meio-campo é o ponto alto do clube londrino. O meia-armador brasileiro Oscar e o meio-campista espanhol Juan Mata são talentosíssimos. O volante Ramirez é o Paulinho deles, pois sabe marcar e sabe sair jogando maravilhosamente bem. Eles também têm um bom atacante, o belga Eden Hazard. Já o centroavante, o espanhol Fernando Torres, é um pouco limitado (minha frase contém eufemismo, tá?). O ponto fraco do Chelsea parece ser a defesa. Se eles se fortaleceram do meio para frente, perderam força lá atrás. Os defensores batem cabeça às vezes e os laterais são fracos tecnicamente. Na partida de hoje, os ucranianos tiveram muita facilidade para chegar ao ataque e poderiam ter feito mais do que dois gols. Assim, vou dormir mais tranquilo à noite. Nosso grande rival em dezembro se fortaleceu e está melhor nesta temporada. Contudo, é possível vencê-los sim! Se o Timão chegar bem física e tecnicamente ao Japão, fará um jogo de igual para igual com os europeus. Vale a pena dizer que isso já é um grande feito esportivo para o futebol sul-americano. Nos últimos anos, os campeões do Velho Continente têm humilhado os representantes da COMEMBOL. O Timão poderá quebrar a sequência de cinco anos de conquistas europeias no Mundial. Que Deus me ouça!!! 8 de novembro de 2012 - quinta-feira Voltemos ao futebol nacional. Hoje gostaria de falar um pouco mais do Campeonato Brasileiro. A polêmica que tem agitado os torcedores é sobre a atuação dos times paulistas na temporada. A poucas semanas do término de 2012, a questão é: o desempenho dos clubes de São Paulo foi um fracasso como atestam os números do Brasileirão ou o ano pode ser visto como positivo para os quatro grandes de SP? O único time com bom desempenho na principal competição brasileira é o São Paulo. A equipe do Morumbi está na 4ª colocação e deverá ganhar uma vaguinha na próxima Libertadores. As demais equipes foram meras figurantes. O Corinthians está em 8º, o Santos é 9º, a Ponte Preta está em 14º lugar e a Portuguesa é 15ª colocada. O Palmeiras é ainda pior com a antepenúltima posição (18º). O mesmo quadro desolador se repete na Série B. Nenhuma equipe do Estado de São Paulo deverá subir para a primeira divisão em 2013. O melhor é o São Caetano na 5ª posição, mas distante em pontos dos primeiros colocados. O restante dos paulistas tem tido desempenho ridículo. O Guarani, vice-campeão estadual, é 15º. O Bragantino e o Guaratinguetá são, respectivamente, 16º e 17º e brigam para não cair. Quem já foi matematicamente para a Série C é o Grêmio Barueri, lanterna da segundona. Analisando friamente os números do Brasileirão, a resposta parece clara: a temporada dos paulistas foi um grande fracasso. Há quem veja até um declínio daquele que foi até outro dia o melhor futebol do país. Pela primeira vez em muitos anos, um time de São Paulo não brigou pelo caneco da Série A. Não concordo com essa visão pessimista. O fato de os paulistas estarem mal no Campeonato Brasileiro não quer dizer nada. O Corinthians foi campeão da América. Não havia troféu mais desejado para a Fiel Torcida do que esse. O Santos foi tricampeão paulista e campeão da Recopa Sul-Americana. Se não tivesse perdido os principais jogadores para a Seleção Brasileira por tanto tempo, poderia ter brigado por mais títulos. E não podemos nos esquecer que o Peixe foi semifinalista da Liberta, né? Com a conquista da Copa do Brasil, o Palmeiras conseguiu ganhar um título nacional depois de uma década de jejum. É verdade que venceram na sorte e jogando mal e agora serão rebaixados no Brasileiro. Porém, foram campeões de alguma coisa. O único sem título em 2012 por enquanto é o São Paulo. Repare que eu disse "por enquanto". O tricolor está nas semifinais da Copa Sul-Americana e é o grande favorito para a conquista da competição. Além de levantarem uma taça depois de quatro temporadas, os são-paulinos poderão se orgulhar de um feito internacional. Nada mal! Assim, acredito que o ano foi positivo para os grandes de SP. Eles só não disputaram o título do Brasileirão porque o calendário os prejudicou. Fluminense e Atlético Mineiro só estão na ponta da tabela por terem usado suas equipes principais ao longo da maioria das rodadas. Os cariocas foram eliminados precocemente da Liberta e o Galo caiu muito cedo na Copa do Brasil. Essa é a verdade nua e crua. 9 de novembro de 2012 - sexta-feira Amanhã, o Corinthians pegará o Coritiba no Pacaembu. Depois da próxima rodada, só restarão para o Timão mais três confrontos pelo Campeonato Brasileiro: Internacional, Santos e São Paulo. Quando o Brasileirão finalmente terminar, aí sim será "Coringão rumo a Tóquio". Essa expressão quer dizer que vamos para o Japão. Afinal, o clube do Parque São Jorge não atuará na capital japonesa em nenhum momento. A semifinal será disputada em Toyota e a final ocorrerá em Yokohama. Para o jogo de sábado, a maior surpresa foi a decisão de Tite de colocar Romarinho na reserva. Pela primeira vez desde a conquista da Copa Libertadores, quando o jovem atacante foi alçado à condição de titular, o Iluminado não estará entre os jogadores que iniciam a partida. Essa escolha do treinador mostra duas coisas: a concorrência pelas vagas no setor ofensivo tem se intensificado muito nas últimas semanas; e os gols perdidos pelo ex-jogador do Bragantino foram decisivos para sua saída do time. “Já conversei com ele. Até pela circunstância (fase final de preparação para o Mundial de Clubes). A verdade é que nunca tivemos tantos jogadores (para o ataque). Justamente nesse aspecto de maturidade, esse equilíbrio será fundamental. Entrar para o jogo com nível (alto) de concentração. E ele não teve a mesma intensidade de outros jogos”, revelou Tite sobre a conversa tida com Romarinho. “Talvez a conclusão de Romarinho esteja saindo imprecisa. Foram duas chances claras contra o Atlético-GO. São necessárias algumas correções. Ele é bom menino, vai ouvir o pai e a mãe. E mesmo sem conhecer eles, já tenho muita admiração”, prosseguiu o treinador. "O momento é do Jorge e do Martínez (começarem como titulares)". Com Danilo se recuperando de um corte no pé direito e, por isso, começando o confronto contra o Coxa no banco, o time corintiano foi escalado com um meia-armador e três atacantes. Lá atrás, a mesma base de sempre: Cássio; Alessandro, Paulo André, Chicão e Fábio Santos; Ralf e Paulinho. Na frente, o Coringão vai de: Douglas; Jorge Henrique, Martínez e Paolo Guerrero. Apesar de Tite preferir o esquema com dois meias e dois atacantes, tática usada durante a fase final da Copa Libertadores, ele quer testar a formação com três atacantes. O principal ponto de observação da comissão técnica alvinegra é como a equipe se comportará com um centroavante fixo. Guerrero é atualmente o único jogador do elenco corintiano com essa característica e é fundamental perceber como os demais atletas irão se comportar ao estilo do peruano. O Coritiba vem à São Paulo motivado. Depois de flertar com o rebaixamento por várias rodadas, a equipe curitibana engrenou uma série positiva (cinco vitórias, um empate e uma derrota) e afastou o perigo de descenso. O pensamento agora dos jogadores do Coxa Branca é vencer mais um jogo e se aproximar do grupo de times que se classificam para a Copa Sul-Americana em 2013. Vai ser uma boa partida para o Timão. Creio que, como teste para o Mundial, o próximo confronto será melhor do que o do final de semana passado. Vamos ver como o Coringão se comporta. 10 de novembro de 2012 - sábado Um forte temporal castigou a cidade de São Paulo na tarde e noite deste sábado. Os torcedores que se deslocaram para o Estádio do Pacaembu para ver Corinthians e Coritiba tiveram muitas dificuldades para chegar no horário do jogo. O trânsito na região foi intenso, com várias árvores caídas nas ruas, locais com acúmulo de água e semáforos quebrados. A maioria dos corintianos só conseguiu se sentar nas arquibancadas depois que o juizão tinha apitado o início da partida. Apesar dos incontáveis transtornos, quem se prontificou a assistir ao duelo da 35ª rodada do Brasileirão não deve ter se arrependido. Todos os sacrifícios impostos à Fiel Torcida pelo dilúvio valeram a pena. O Corinthians teve sua melhor atuação desde a final da Libertadores. O time de Tite deu um verdadeiro show em campo! O Coritiba, coitado, não viu a cor da bola. Foi um massacre! No primeiro ataque, Guerrero foi derrubado na grande área. Pênalti! Chicão cobrou com categoria e fez 1 a 0. Aos 19 minutos, Fábio Santos arriscou chute de fora da área e a bola foi parar na gaveta do goleiro visitante. Golaço! No lance seguinte, a sorte ajudou Paulinho. O volante artilheiro do Timão cruzou, a bola desviou no defensor do Coxa e enganou o arqueiro. Gol do Corinthians. 3 a 0 em pouco mais de 20 minutos do primeiro tempo. O Coritiba não conseguia tocar a bola nem avançar ao ataque. O meio-campo corintiano fazia uma barreira intransponível. Em lance isolado pela esquerda da defesa do time da casa, já no final da primeira etapa, os visitantes conseguiram um raro cruzamento. Aí o centroavante paranaense completou para o gol e diminuiu o placar. Foi o único momento de vacilo dos corintianos em todo o jogo. O segundo tempo começou sem chuva. A ampla vantagem no marcador permitiu ao Timão cadenciar o jogo e trocar passes sem pressa. O futebol envolvente deixou os adversários perdidos. Os gols e os lances foram acontecendo naturalmente, sem a necessidade de os corintianos forçarem ou se desgastarem muito. Após belíssima troca de passes que contou com a participação de metade do time alvinegro, Danilo (que acabara de entrar em campo) cruzou da direita e Guerrero cabeceou para as redes. 4 a 1. Alguns minutos depois, Paulinho, que dera muito trabalho ao goleiro do Coritiba em chutes de fora da área, aproveitou escanteio para cabecear com precisão: 5 a 1. Delírio nas arquibancadas. Com a incrível goleada, o Corinthians chegou aos 53 pontos. Assim, ultrapassou momentaneamente o Internacional e o Vasco e atingiu a sexta posição na competição. Mais importante do que a conquista dos pontos e o avanço na classificação foi o excelente futebol apresentado. Se o Timão continuar jogando dessa maneira, ninguém conseguirá nos bater no Japão e seremos campeões do mundo. O entrosamento, a preparação física, a motivação e o aspecto técnico dos jogadores parecem estar chegando ao ápice no momento certo da temporada. 11 de novembro de 2012 - domingo O domingo à tarde teve clima de final de campeonato. As partidas das 16 horas do Brasileirão trariam importantes definições para a competição deste ano. O jogo transmitido por todas as emissoras de televisão que cobrem o torneio foi Palmeiras e Fluminense. Não por acaso, o duelo realizado em Presidente Prudente, no interior paulista, podia representar o título da equipe carioca e concretizar o rebaixamento do alviverde. Para isso acontecer, havia a necessidade de vitória do Fu e a combinação de alguns resultados favoráveis ao tricolor do Rio e desfavoráveis para os palmeirenses. O jogo foi nervoso. O Palmeiras, como já tinha feito nas últimas apresentações, jogou bem o primeiro tempo. O Palestra poderia ter saído com a vitória no intervalo se não tivesse errado as finalizações. No último minuto da etapa inicial, Fred, centroavante tricolor, artilheiro da competição e melhor jogador do campeonato, estufou as redes. 1 a 0 para o Flu. Já diz o velho ditado: quem não faz, toma. No segundo tempo, o Fluminense voltou melhor e ampliou o placar. 2 a 0. Aí aconteceu o improvável. Quando todos no estádio choravam a situação dramática do Palmeiras, os jogadores de verde reagiram. O Palestra diminuiu e na sequência empatou a partida. Delírio dos palmeirenses. Ainda havia esperança... As chances criadas pela equipe do Parque Antártica eram variadas. O goleiro do Fluminense operou alguns milagres. No fim, veio o castigo. Aos 45 minutos do segundo tempo, a bola sobrou para Fred na grande área. Ele disparou nova bomba. Gol do Fluminense. 3 a 2 para os cariocas. Esse foi o resultado da partida. A vitória do Flu em Presidente Prudente e o empate do Atlético Mineiro no Rio de Janeiro contra o Vasco (1 a 1) deram o título para a equipe das Laranjeiras. Com três rodadas de antecipação, os tricolores da Cidade Maravilhosa conquistaram seu quarto caneco de Brasileiro. Trata-se de uma conquista merecida. Os jogadores comandados pelo técnico Abel Braga estiveram em ótima forma, principalmente no segundo turno. A festa dos atletas do Fluminense no gramado tinha como contraste a tristeza dos palmeirenses no estádio. O Palestra só não caiu ainda porque a combinação dos outros jogos não o prejudicou ainda mais. Bahia e Portuguesa também perderam e o Sport Recife só empatou neste domingo. Agora só um milagre salva a equipe do Parque Antártica da Série B em 2013. O Verdão precisa vencer as próximas três partidas e torcer para Sport, Bahia e Portuguesa perderem quase todos os pontos que vão disputar. Uma combinação um tanto difícil, né? Se o Palmeiras perder o próximo jogo, que será no Rio de Janeiro contra o Flamengo, aí sim o descenso estará matematicamente garantido. Torcida corintiana, é questão de tempo para comemorarmos a nova façanha deste incrível ano de 2012. Quem poderia imaginar tantas alegrias em apenas 366 dias, hein?! Às vezes, começo a me questionar se isso é verdade. Alguém pode me beliscar! 12 de novembro de 2012 - segunda-feira A repercussão da goleada de sábado não poderia ter sido mais favorável para os jogadores do Timão. Tite elogiou muito os atletas corintianos pela forma como a vitória foi obtida. O treinador afirmou que vê em seu elenco 15 jogadores em condições de iniciar o Mundial na titularidade: “Eu tenho hoje 15 titulares. O campo fala isso. Conte os 11 que começaram (o jogo contra o Coritiba), os três que entraram (durante a partida: Edenílson, Romarinho e Danilo). E um que poderia entrar (eventualmente: Guilherme)”. É interessante perceber que, neste momento, Tite não vê Sheik como um dos protagonistas da equipe corintiana. “O Emerson não está nos 15 (citados). Falei aqueles que estão à disposição hoje”, complementou o treinador. Assim, é necessário o camisa 11 readquirir a melhor forma física e técnica para só depois brigar por uma vaga no time principal. Tite também ficou muito satisfeito com o comprometimento e a intensidade demonstrados em campo. Em apenas 20 minutos, o Corinthians já ganhava por 3 a 0 do Coritiba. O futebol coletivo é o grande segredo do atual grupo alvinegro. O Timão de hoje alia segurança defensiva, maturidade tática, controle emocional e rapidez ofensiva, o que o torna uma equipe quase imbatível. Paolo Guerrero foi o principal destaque individual do sábado. O centroavante chegou de maneira tímida ao Parque São Jorge e aos poucos vem mostrando bom futebol, o que o credencia a uma vaga entre os titulares. Contra o Coxa Branca, ele sofreu pênalti, fez gol e participou ativamente das jogadas ofensivas. O peruano deixou o Pacaembu duplamente feliz. A alegria, em primeiro lugar, devia-se à sua atuação. “Um centroavante como eu precisa fazer gols. Hoje eu pude fazer. Fico muito contente", comentou o jogador. Depois, ele saiu impressionado com a forma como a equipe corintiana atuou: “O time jogou muito bem. O time jogou pra c... Agora é trabalhar para ficar 100% para o Japão”. O camisa 9 ficou tão empolgado com a possibilidade de disputar a primeira competição internacional com a camisa do Corinthians que acabou soltando um palavrão diante dos microfones. Se continuar jogando assim, Guerrero deverá ser mesmo titular do Timão no Mundial. Gosto quando a equipe corintiana joga com um centroavante fixo. As melhores atuações da equipe de Tite nos últimos anos tiveram justamente essa formação. Infelizmente, todos os nossos centroavantes tiveram algum problema. Liedson tinha sérias limitações físicas que o impediam de se movimentar. Adriano não era uma pessoa confiável e estava sempre em crise existencial. Élton, o terceiro jogador da posição, era muito fraco tecnicamente. Assim, o treinador corintiano pouco pôde fazer para colocar a formação ideal. A escolha mais óbvia foi escalar jogadores rápidos pelas pontas, sem um homem de referência na grande área adversária. Agora temos esse jogador. Guerrero é o cara! 13 de novembro de 2012 - terça-feira Você deve se lembrar que no começo do ano estourou a notícia do envolvimento de Emerson Sheik com um esquema de lavagem de dinheiro e contrabando de carros. Na época, uma operação da Polícia Federal revelou que jogadores de futebol, cantores e empresários estavam envolvidos com a importação irregular de veículos de luxo. Basicamente, eles faziam compras subfaturadas e foram processados. Pois bem, a ação judicial avançou e Emerson precisou ir nesta terça-feira ao Rio de Janeiro para depor. Como consequência, o camisa 11 não pôde participar do treinamento de hoje de manhã. O corintiano compareceu à audiência como réu. Pesa sobre ele a acusação de lavagem de dinheiro, contrabando e descaminho. "Ele (Emerson Sheik) adquiriu (o veículo) de boa fé. Comprou o carro em uma concessionária conhecida. Pode até ser considerado lesado como outros por ter comprado um carro que achava ser novo", explicou o advogado do atleta, Ricardo Cerqueira, antes da audiência. Após três horas de depoimentos das testemunhas, o juiz marcou nova audiência para janeiro. Assim, liberou momentaneamente os envolvidos. Não há prazo para a conclusão dos trabalhos da Justiça e a ação será retomada apenas no início de 2013. "Não tive intenção de fazer nada de errado”, declarou o atleta na saída do tribunal. Estou trazendo essa questão ao O Ano que Esperávamos Há Anos porque Emerson não corre o risco de perder o Mundial de Clubes. A diretoria corintiana estava preocupada com essa possibilidade. Afinal, a Justiça brasileira poderia impedir a saída do jogador do país. Contudo, tal hipótese foi descartada hoje. Emerson poderá viajar normalmente para o Japão em dezembro. Ufa! Por falar em Sheik, ele deverá ir a campo no próximo final de semana. O Timão pegará o Internacional em Porto Alegre no domingo. E o camisa 11 deve formar a dupla de ataque com Guerrero. Pelo menos essa é a expectativa da Fiel Torcida. Porém, o treinador corintiano despistou: “Vamos deixar pra definir isso até sexta-feira, sábado. Vocês falam bastante. O importante é o Emerson estar de volta. Ele já treina de tarde. Vamos ver o desempenho (do jogador nos treinamentos)". Tite estava irritado na entrevista coletiva. Tudo por causa da convocação de três jogadores corintianos para a Seleção. Enquanto Paulinho e Fábio Santos disputarão o amistoso de amanhã contra a Colômbia nos Estados Unidos, Ralf se juntará depois ao grupo brasileiro para o Superclássico das Américas, que enfim será disputado no final do mês. A partida contra a Argentina foi remarcada para o Estádio de La Bombonera. "Não sei quantificar o prejuízo (por não ter o trio treinando). O que temos que saber é dosar o preparo desses atletas. A gente vai monitorar esses jogos. Tem que ver para não sobrecarregar os jogadores", explicou o treinador. "Fato é que é um momento de preparação muito importante. O Corinthians corre risco". A reclamação de Tite procede. A CBF está sim atrapalhando os treinos do Timão para o Mundial. 14 de novembro de 2012 - quarta-feira Um dos grandes defeitos do Brasil é ter pessoas que se consideram muito espertas. A palavra esperta tem aqui o sentido pejorativo. A conotação é de quem tenta enganar os outros. Você já reparou como há casos de empresas e indivíduos explorando a boa vontade e o sonho alheio?! Normalmente as vítimas são gente mais humilde, ingênua e inocente, que acabam caindo nos golpes. Estou falando sobre isso porque uma empresa chamada Apito Promocional lançou, após a Libertadores, um produto que encheu os olhos de muitos corintianos. A empresa vendia kits com adesivos e bonés do Corinthians ao preço de R$ 69,00. Até aí nada demais. O que teria de tão abominável na compra de alguns produtos do Timão? Aí vem o X da questão. O principal benefício para o comprador era ganhar cupons que davam direito a participar de uma promoção chamada "Viaje com o Timão". Os 130 sorteados ganhariam passagens para o Japão com tudo pago para ver o Coringão no Mundial. A empresa também prometia sortear carros e motos. Aí estava a graça da brincadeira. Por menos de R$ 70,00, o corintiano tinha a chance de viajar para a competição da FIFA. E se não conseguisse ganhar a tão sonhada viagem, podia se contentar com o recebimento de um automóvel ou de uma moto. Nada mal, né? Para divulgar o produto, a Apito Promocional fez uma grande campanha de marketing. Ela contratou alguns jornalistas para a divulgação, comprou espaço publicitário em TVs, rádios, jornais e revistas e estampou a logomarca da empresa na camisa do Corinthians por alguns jogos. Rapidamente muita gente soube da ideia e, na esperança de ganhar o sorteio, comprou os kits. Confesso que também pensei, no início, se deveria ou não comprar o produto da Apito Promocional. Não seria nada mal ganhar algo no sorteio... Contudo, preferi não arriscar. Tive dois motivos para a recusa. Em primeiro lugar, eu não gosto de participar de nada que envolva a sorte. É uma coisa minha. Não entro em promoções, sorteios nem loteria. A única exceção é participar da Mega Sena da Virada. Todo final de ano faço um joguinho (apenas um) só para ter a esperança de amanhecer milionário em 1º de janeiro. O segundo motivo era não confiar em uma empresa desconhecida. Quem é a Apito Promocional? Agora surge a notícia estarrecedora. No site da companhia, eles declararam suspensa a promoção. Depois de angariar o dinheiro com a venda do produto e não pagar os fornecedores (espaço da mídia e o Corinthians), a Apito Promocional declarou a falência. Espertos, não?! Com isso, milhares de corintianos ficaram na mão. Conhecendo um pouco o país no qual nasci e moro, tenho certeza de que ninguém vai receber o dinheiro de volta. Entre os lesados, o maior prejudicado é o Sport Club Corinthians Paulista. Além de não receber da empresa cerca de R$ 1 milhão pela venda do espaço na camisa, o clube pode ainda ser alvo da Justiça. Afinal, foi um parceiro comercial que deu calote nos consumidores. Ai, ai, ai. Pode uma coisa dessa, senhores e senhoras?!!! 15 de novembro de 2012 - quinta-feira Esse é o ano de Tite. Nunca o treinador gaúcho, hoje comandando o Timão, esteve tão em evidência. Ele vive a melhor fase na carreira e é considerado por muitos como o melhor técnico brasileiro da atualidade. Sou um dos que compartilha dessa opinião. Por isso, muita gente o quer na Seleção Brasileira. Nesse aspecto, meu coração corintiano (e egoísta) protesta veementemente. Tite vem sendo muito requisitado. Ele é chamado para participar de programas de televisão e de rádio, para dar entrevistas a jornais e revistas, para opinar sobre os mais variados assuntos (do esporte à política) e para participar de eventos de patrocinadores. Adenor Leonardo Bachi (sim, esse é o nome do nosso treinador) é agora uma figura pública e sua imagem vai além do campo esportivo. Seu rosto é conhecido pela maioria da população paulista e brasileira. Até mesmo aqueles que não acompanham regularmente o futebol e o Corinthians sabem quem é Tite. Prova maior disso é que o técnico do Timão foi eleito o "Homem do Ano" pela revista Alfa. A publicação divulga tradicionalmente os 25 brasileiros mais importantes do ano na edição de novembro. E em 2012, Adenor Bacchi foi o campeão. Ele superou nomes como o ator Reynaldo Gianecchini, o ginasta e medalhista olímpico Arthur Zanetti e o personagem Tufão, interpretado por Murilo Benício na Avenida Brasil, última novela das nove da Rede Globo. Leio mensalmente essa revista e foi uma grata surpresa encontrar o treinador corintiano na capa. A reportagem da Alfa narrando a trajetória profissional e a maneira de Tite trabalhar está deliciosa. Vai aqui o trecho inicial da excelente matéria sobre nosso grande comandante. Se você puder, leia-a na íntegra. Vale a pena. "Irascível, arisco, inconformado. Dono de uma lista de inimigos. Não tão profissional quanto aparenta. O homem que personifica o fim do ostracismo internacional de um dos maiores clubes brasileiros rebate elogios com a mesma facilidade com que escala volantes. Falar dos próprios defeitos virou a arma de Tite desde que se tornou alvo (só) de elogios e homenagens. Pouco confortável como ídolo, o fato é que o treinador conseguiu, em pouco mais de dois anos, multiplicar em milhões seus admiradores – e seu patrimônio. A receita? Merecimento com “titebilidade”, neologismo da arte do discurso pausado, recheado de advérbios de intensidade para descrever o futebol nem sempre bonito, mas de eficiência incontestável, que seduziu crítica, torcida e adversários. Em 2012, Tite construiu mais que o título mais importante de seus 22 anos de carreira como treinador. Aos 51 anos, consolidou-se no hall dos supertécnicos do mundo. Está na lista dos 25 mais bem pagos do planeta e acaba de renovar seu contrato, passando a receber 480 mil reais por mês. Este ano, deve embolsar pouco mais de 2 milhões de euros. No Brasil, fica atrás apenas do santista Muricy Ramalho. Um feito para um profissional que no ano passado deixou o Pacaembu vaiado e com o cargo ameaçado após a vexatória eliminação do Timão para o inexpressivo Tolima (...)". 16 de novembro de 2012 - sexta-feira Como todo mundo já sabe, a situação do Palmeiras no Campeonato Brasileiro é delicadíssima. Para nós corintianos, a provável queda do alviverde é algo maravilhoso. A satisfação pelo iminente rebaixamento do nosso rival histórico é enorme. A Fiel Torcida está esperando a concretização desse sonho com muita expectativa. Aproveitando-se do momento delicado do Palestra, alguns corintianos estão conseguindo um dinheiro extra no final do ano. É a união do útil e do agradável, né?! Conforme publicado em uma reportagem do jornalista Bruno Thadeu no UOL Esporte de ontem, uma estamparia da Zona Norte de São Paulo tem confeccionado centenas de faixas com a inscrição "Chora Porco". Os principais compradores são integrantes do Bando de Loucos que irão viajar para o Japão em dezembro para ver o Mundial. As faixas gozando o rival viraram mania entre os torcedores do Timão há algumas semanas. Elas vêm se multiplicando pelas ruas e pelas arquibancadas do Pacaembu. A pequena estamparia paulistana produz cerca de 300 faixas semanais. “Atualmente a ‘Chora Porco’ é a mais procurada pelos torcedores. A gente procura não fazer bandeiras ou faixas com provocação. Alguns ligam pedindo para a gente colocar coisas pesadas. Mas porco não é provocação, até porque a própria torcida do Palmeiras diz que é porco”, justifica Ari, corintiano e proprietário do estabelecimento. Ele garante só produzir e vender seus produtos para outros corintianos. Isso é que é ter clientes fiéis, né? Outros itens com alta saída são as faixas com os nomes das regiões e dos bairros onde os torcedores do Timão moram. Quem frequenta o Pacaembu sabe que elas viraram mania na arquibancada e no alambrado. Nos jogos do Corinthians em casa, é possível ver as mensagens indicando de onde cada um veio. É muito legal isso. Com apenas 33 pontos conquistados nesta edição do Brasileirão, o Palmeiras está a sete do Bahia e da Portuguesa, os primeiros times fora da zona de descenso. Como faltam apenas nove pontos em disputa (três rodadas), há a possibilidade de o rebaixamento verde já acontecer (matematicamente) no próximo domingo. Para tal, os palmeirenses não podem vencer o Flamengo no Rio de Janeiro e Bahia e Portuguesa precisam somar ao menos um pontinho em seus compromissos. Com essa combinação de resultados, o "Chora Porco" se concretizará. Se isso acontecer, as vendas das faixas produzidas na estamparia do Ari deverão explodir. Como prezo pela iniciativa privada, pelo empreendedorismo do pequeno empresário e pelas ideias criativas do capitalismo brasileiro, estou torcendo pelo negócio da Zona Norte de São Paulo. É sempre bom ver um empreendimento comercial prosperando e uma companhia crescendo. Acredito que você compartilha dessa opinião comigo, né? Vamos todos torcer para tudo dar certo para o Ari, para seus funcionários e para seus clientes. Vamos esperar mais alguns dias para celebrar o sucesso da pequena empresa paulistana. 17 de novembro de 2012 - sábado De manhã, o Corinthians realizou o último treinamento antes da partida contra o Internacional. O jogo será no Beira-Rio pela 36ª rodada do Brasileirão. A equipe mosqueteira viajou para Porto Alegre no sábado à tarde. O Timão é o sexto colocado do campeonato com 53 pontos e está logo à frente dos gaúchos. O Inter é o oitavo com 51 pontos. Para não ser ultrapassado pelo Colorado, é necessário pelo menos um empate no domingo. Contudo, a maior preocupação da comissão técnica e dos jogadores corintianos não está nos pontos nem na classificação da competição nacional. O objetivo maior do Timão é fazer um bom jogo e se preparar adequadamente para o Mundial Interclubes. "Temos mais algumas semanas e vários dias de treinamento. Estamos no final da temporada, mas espero ter uma sequência agora para chegar 100% ao Mundial", declarou Danilo em entrevista no CT. O meio-campista volta ao time titular após ter começado no banco o jogo contra o Coritiba na semana passada. Com o pensamento de entrosar cada vez mais o time principal, Tite escalou força máxima. O técnico não quis poupar nem os jogadores vindos da Seleção Brasileira, que atuaram no empate de 1 a 1 com a Colômbia na quarta-feira. A equipe corintiana que começará o jogo de amanhã é a seguinte: Cássio; Alessandro, Chicão, Paulo André e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Douglas e Danilo; Martínez e Guerrero. Emerson ficará no banco de reservas. O treinador alvinegro ficou empolgado com as recuperações física e clínica do camisa 11. Porém, preferiu ser conservador e não antecipar a volta do atacante para esse final de semana. “Ele pode jogar por 70 minutos, está se recuperando bem. O campo mostrou que ele está bem para a volta. Mas começará na reserva”, decretou o treinador aos jornalistas. Emerson inclusive fez gol no treinamento de sexta-feira. No lance, ele dominou a bola com a coxa, virou com rapidez e acertou um chutaço no ângulo. Pelo visto, seu pé continua calibrado. Se a expectativa corintiana é a melhor possível para a próxima partida, no lado adversário o desânimo é total. O Internacional montou um dos elencos mais caros do futebol brasileiro nesta temporada. O clube gaúcho tem uma série de jogadores de excelente nível técnico. Muitos jogam nas Seleções Brasileira, Argentina e Uruguaia. Essa qualidade toda, infelizmente, não se transformou em resultado. O Colorado não conseguiu vencer nenhuma competição importante em 2012 (conquistaram apenas o Campeonato Gaúcho). Nem para a Copa Libertadores do próximo ano eles conseguirão se classificar, já que estão distantes dos quatro primeiros colocados do Brasileirão. A crise no Beira-Rio é séria. O treinador não tem tido boa relação com os comandados e a sua demissão é dada como certa pela imprensa do Sul. Apesar dos problemas, o Internacional é um bom adversário para quem precisa fazer testes para o Mundial. Vamos torcer para o Colorado jogar bem e dar bastante trabalho para nossos jogadores. Só assim poderemos ver se o Timão está mesmo afiado para os desafios que terá logo mais em terras japonesas. 18 de novembro de 2012 - domingo O Estádio do Beira-Rio, em Porto Alegre, passa por reformas para ficar em condições de sediar a próxima Copa do Mundo. Mesmo assim, ele vem recebendo os jogos do Internacional. Por isso, o cenário da partida de hoje do Corinthians foi curiosíssimo. Os times entraram para jogar em um campo no meio de um canteiro de obras. O ambiente ali não parecia em nada um estádio de futebol. A paisagem era mais condizente com uma cidade bombardeada ou um condomínio de prédios em construção. Ao lado do gramado, havia areia, pedra, guindastes e tratores. Talvez influenciados pelo cenário pouco inspirador, os jogadores de Internacional e Corinthians começaram o confronto errando muitos passes. O time da casa mostrava vontade em atacar, mas parava na sólida defesa paulista. As jogadas áreas dos mandantes não conseguiam furar a retaguarda corintiana. Cássio demonstrava ser muito bom nas saídas de bola pelo alto. Com mais domínio territorial, o Timão trocava passes no meio de campo e tentava chegar à frente. Danilo e Douglas, os dois melhores em campo, armavam as jogadas, mas as finalizações não aconteciam. O ritmo era muito lento e a partida dava sono. Confesso que foi difícil me manter acordado na primeira etapa. Só aconteceram dois bons lances antes do intervalo, ambos dos visitantes. Aos 5 minutos, Danilo recebeu passe de Douglas e cruzou para Guerrero na pequena área. Antes do peruano concluir, o goleiro colorado salvou ao desviar a bola para linha de fundo. Nos instantes finais do primeiro tempo, Martínez acertou belo chute na trave. No rebote, Douglas cruzou e Guerrero cabeceou para as redes. Gol. Corinthians 1 a 0. No segundo tempo, o Timão voltou melhor e merecia ter ampliado o marcador. Douglas avançou pela esquerda e cruzou. Antes de chegar ao centroavante corintiano, a bola desviou no zagueiro e quase entrou. Uhhhhhhhh. Aos 17 minutos, Emerson Sheik entrou no lugar de Martínez e o time alvinegro melhorou lá na frente. Romarinho e Edenílson também substituíram Douglas e Guerrero. Perdido em campo, o Internacional não fez mais nada de produtivo. O segundo gol prometia sair a qualquer momento. Alessandro, Paulinho e Romarinho tiveram oportunidades de anotar, mas a bola simplesmente não queria entrar na meta colorada. No último minuto, Edenílson recebeu cruzamento de Romarinho. De sem-pulo, ele mandou para o gol. Golaço do volante! Timão 2 a 0. Aí não deu tempo para mais nada: o juiz encerrou a peleja. A apresentação de hoje não foi tão espetacular como a do último final de semana. Mesmo assim, o time corintiano jogou bem, principalmente no segundo tempo, e saiu com a vitória. O novo triunfo rendeu a 5ª posição no campeonato (57 pontos). O Inter perdeu a terceira partida seguida e segue despencando na tabela. Os poucos torcedores presentes no estádio-canteiro-de-obras vaiaram muito sua equipe no final da partida. Pelo visto, os colorados precisarão reformar muita coisa no ano que vem. 19 de novembro de 2012 - segunda-feira Esta é a melhor segunda-feira do ano. Diria que hoje é o dia dos rivais do Palmeiras. Enfim, depois de tanto se esmerar, a equipe do Palestra Itália finalmente garantiu matematicamente a presença na Séria B do próximo ano. O novo descenso, o segundo em dez anos, veio com o empate de domingo à tarde no Rio de Janeiro. Depois de estar vencendo o Flamengo em boa parte da partida por 1 a 0, quando inclusive jogava bem, o time do Parque Antártica sofreu um gol nos instantes finais. Aí explodiu o grito nas torcidas rivais: SEGUNDA DIVISÃO!!! Não se fala de outra coisa hoje na cidade de São Paulo. A notícia do rebaixamento verde monopoliza as capas de jornais, os programas de televisão, sejam eles esportivos ou não, e as páginas de Internet. A imprensa foca no drama dos torcedores comuns, que choram e se desesperam com a decadência do Palmeirinha. Na Folha de São Paulo, a manchete é a seguinte: "De novo: dez anos depois do seu primeiro rebaixamento, Palmeiras só empata com Flamengo e volta à Série B". A foto estampada em primeiro plano no jornal é de um torcedor com boné verde desolado na arquibancada. No O Estado de São Paulo, o título da principal notícia foi sucinto: "Caiu". Novamente a imagem é de torcedores com bonés verdes cabisbaixos. Como não podia perder a oportunidade, resolvi gozar um palmeirense. Quem poderia ser? Depois de analisar um pouco, resolvi chatear o mais fanático palmeirense que eu conheço: o Jorge! Ele é amigo de infância de meu pai, é vendedor, tem cerca de 55 anos, mora em Perdizes (bairro palmeirense) e é engraçadíssimo (quando o Palmeiras está bem, claro). Seu único defeito é o fanatismo extremo pelo Palestra. Para se ter uma ideia de como Jorge é maluco pelo Verdão, quando o seu time derrotou o Timão nas semifinais da Libertadores em 2000 (não gosto de lembrar desse dia), ele ficou algum tempo desnorteado. Não trabalhou nos dois dias seguintes, pois precisava comemorar e chatear todos os corintianos que ele conhecia. Chegou até a invadir minha casa, com o uniforme do Palmeiras, com bandeiras e faixas à tiracolo para demonstrar a felicidade com a vitória da véspera. A cena foi hilária e não será esquecida por ninguém da minha família nas próximas três gerações. Agora é a hora da vingança! Eu e meu pai passamos o dia inteiro tentando falar com Jorge. Faz um bom tempo que não conversamos com ele e não sei se ele mudou o número do celular ou simplesmente desligou o aparelho para não ser encontrado nessa segunda. Imagino o quanto seus amigos alvinegros devem estar requisitando-o hoje. Se a tentativa de ligação telefônica falhou, nada melhor do que uma visita à casa de um velho amigo, né? Novamente, ficamos frustrados. Jorge não estava lá à noite. Onde ele estaria? Teria sumido, desaparecido do mundo? Jorge, apareça! Estamos morrendo de saudades de você. Precisamos marcar de comer uma pizza e colocar a conversa em dia. Se você não quiser falar de futebol, tudo bem. Respeitaremos suas dores. Deixe que nós mesmos falemos do Palmeiras!!!! Ahahahahah. Abração. 20 de novembro de 2012 - terça-feira O Coringão fez mais um gol de placa fora dos gramados. Hoje, a diretoria do Timão reuniu a imprensa no auditório do Museu do Futebol para anunciar o novo patrocinador máster do clube. Pelos próximos dois anos, a Caixa Econômica Federal terá sua marca estampada no peito e nas costas da camisa da equipe do Parque São Jorge. Para ter tal privilégio, o banco estatal irá desembolsar R$ 30 milhões anuais. O valor total do contrato é de R$ 61 milhões: R$ 1 milhão referente aos jogos finais da temporada de 2012, mais R$ 30 milhões para 2013 e outros R$ 30 milhões de 2014. Esse valor de patrocínio é o mais alto do futebol brasileiro na atualidade. O São Paulo e o Palmeiras, que fizeram acordos parecidos no meio do ano, recebem R$ 24 milhões e R$ 25 milhões anuais, respectivamente. Entretanto, a nova quantia a ser recebida pelo Corinthians é inferior ao antigo contrato do clube assinado com a Hypermarcas que durou até o começo de 2012. O Timão recebia anteriormente cerca de R$ 40 milhões por temporada. A diferença se deve à mudança do cenário econômico brasileiro. Infelizmente, os valores pagos pelos anunciantes foram reduzidos sensivelmente de um ano para outro. Para os diretores da Caixa, a escolha do clube paulista se deu pela grandeza do parceiro, pelos altos índices de audiência da equipe e pela possibilidade de internacionalização da marca do banco. "Pesou sim (a participação do Corinthians no Mundial deste ano). A Caixa fez sua primeira incursão no exterior. Temos um projeto de internacionalizar a marca", explicou José Henrique Marques da Cruz, vice-presidente de Atendimento, Distribuição e Negócio da Caixa Econômica Federal. O novo patrocínio é uma grande conquista da administração de Mário Gobbi. O presidente corintiano e o departamento de Marketing estavam sendo muito criticados por não conseguir um parceiro de peso no momento de maior visibilidade da história do Timão. Por isso, Gobbi, o vice-presidente Luiz Paulo Rosenberg e todos os profissionais de Marketing foram ao evento no Museu do Futebol. Eles estavam visivelmente alegres e aliviados. Além do novo patrocínio, o Timão tem vários outros parceiros para a próxima temporada. A Nike pagará, em 2013, cerca de R$ 17 milhões para continuar sendo a fornecedora do material esportivo da equipe. A Fisk e Tim pagam R$ 9 milhões e R$ 2 milhões, respectivamente, para também estampar suas logomarcas no uniforme preto e branco (a Fisk na barra da camisa e a Tim nos números). No ano que vem, há ainda a possibilidade de reajustes desses valores. Dessa forma, o faturamento na próxima temporada com os patrocínios da camisa deve superar o patamar de R$ 60 milhões. O uniforme do Timão é considerado atualmente um dos mais valorizados do mundo. Pelo visto, a equipe do Parque São Jorge continuará forte e rica pelos próximos anos. Vamos torcer por isso e esperar que o dinheiro que entre nos cofres seja bem usado. Queremos boas contratações e a continuidade da modernização do patrimônio do clube. Já estou imaginando o bicampeonato da Libertadores em 2013! 21 de novembro de 2012 - quarta-feira O clima no vestiário do nosso provável adversário na final do Mundial Interclubes esquentou de vez. A derrota de ontem para a Juventus da Itália deixou o Chelsea em situação complicadíssima na Copa dos Campeões da Europa. Faltando uma rodada para o término da fase de grupos, os ingleses estão em terceiro lugar e podem ficar de fora das oitavas de finais. Com a desclassificação precoce, o presidente do clube londrino, Roman Abramovich, demitiu hoje o treinador, o italiano Roberto Di Matteo. A crise no nosso oponente era maior do que poderíamos supor! Na nota oficial divulgada em seu site, o Chelsea deu a seguinte explicação: "Os resultados e as atuações recentes do time não têm sido bons e uma mudança no comando foi considerada necessária”. Vale a pena destacar que, nos últimos oito jogos, os Blues perderam quatro (Shakhtar Donetsk 2 x 1 Chelsea, Manchester United 3 x 2 Chelsea, West Bromwich 2 x 1 Chelsea e Juventus 3 x 0 Chelsea), empataram dois (Swansea 1 x 1 Chelsea e Chelsea 1 x 1 Liverpool) e venceram apenas duas partidas (Chelsea 5 x 4 Manchester United e Chelsea 3 x 2 Shakhtar Donetsk). Como consequência, a equipe de Abramovich caiu para o terceiro lugar tanto no Campeonato Inglês (os ponteiros são as equipes de Manchester) quanto no torneio continental (as duas vagas do grupo deverão ficar com Juventus e Shakhtar). No comunicado, o Chelsea agradeceu a Di Matteo pelos serviços prestados e pela conquista da Copa dos Campeões da Europa na temporada passada, o título mais importante da história do clube: “Nunca esqueceremos a grande contribuição que teve para a história do Chelsea e ele sempre será bem-vindo em Stanford Bridge (estádio do clube)". O italiano era o treinador dos Blues desde o início do ano, quando o português André Villas Boas foi demitido. Dessa maneira, Di Matteo, que era auxiliar de Villas Boas, foi alçado ao posto de treinador interino. Os bons resultados e os títulos conquistados (ganhou também a Copa da Inglaterra) o fizeram virar técnico efetivo em julho. As más apresentações de seu time no último mês e os péssimos resultados recentes acabaram com o sonho de Roberto de prosseguir no cargo. A alguns dias do início do Mundial, o Timão está tranquilo e se preparando para as partidas de dezembro. Ontem, chegaram as bolas que serão usadas no torneio organizado pela FIFA. Os jogadores corintianos já podem usá-las nos treinamentos para se adaptar totalmente às condições de jogo. O clima é de serenidade e de otimismo no CT Joaquim Grava. Todos estão confiantes na conquista do título mundial e não há qualquer briga ou desentendimento no grupo. No outro lado do Atlântico, o mesmo não pode ser dito. O Chelsea passa por mudanças profundas. Não sabemos quem será o treinador da equipe no final do ano e se essa alteração no comando técnico será positiva ou negativa para a equipe inglesa. O que podemos dizer, neste momento, é que enquanto o Timão venceu todos os últimos jogos, os ingleses não conseguem obter bons resultados e aparentam fragilidade. Como chegarão ao Japão daqui a três semanas? E como jogarão a partir de agora? É esperar para ver, senhoras e senhores. 22 de novembro de 2012 - quinta-feira Em menos de 24 horas, o Chelsea já definiu o novo treinador. O comandante da equipe londrina é o experiente Rafa Benítez. O técnico espanhol, com passagens por Liverpool e Internazionale de Milão, estava distante das quatro linhas há um ano e meio. Ele vinha trabalhando apenas como comentarista esportivo. A escolha por Rafa Benítez se deu por três motivos: pelo seu ótimo currículo profissional, pela experiência já acumulada no futebol inglês e, principalmente, pela vivência no Mundial Interclubes da FIFA. Roman Abramovich quer mesmo conquistar o título máximo do futebol no final do ano. Benítez já participou por duas vezes da competição no Japão. Na primeira em 2005, quando dirigia o Liverpool, perdeu para o São Paulo de Danilo por 1 a 0 e ficou com o vice-campeonato. Em 2010, como treinador da Internazionale, ele conquistou o título em cima do Mazembe. Sua equipe derrotou os angolanos por um fácil 3 a 0 na decisão. Os africanos haviam derrotado surpreendentemente os brasileiros do Internacional de Porto Alegre na semifinal. O novo treinador sabe como disputar a competição da FIFA. Essa é a principal preocupação dos corintianos. Paulo André, em entrevista coletiva, externou o temor. Para o zagueiro alvinegro, Benítez pode injetar novo ânimo no grupo londrino e os resultados positivos podem voltar para Stanford Bridge. A mudança de treinador pode ser positiva para o Chelsea se os jogadores assimilarem rapidamente as novas diretrizes táticas. Estamos cansados de ver equipes que mudaram da água para o vinho com a chegada do novo comandante. Se isso realmente acontecer, o Timão terá sérias dificuldades na decisão do Mundial. Por outro lado, há casos de times que demoram para engrenar com o novo técnico. Até ele conhecer as características e as preferências de todos os atletas e conseguir transmitir sua filosofia futebolística ao grupo, pode demorar algum tempo. Assim, o prazo de 20 dias entre o início do trabalho de Benítez e a estreia do Mundial pode ser um tempo extremamente curto. Já há quem passe, neste momento, o favoritismo da semifinal para o lado dos mexicanos do Monterrey. Aí já acho um exagero, para não dizer um completo absurdo! Exageros e absurdos à parte, considero precipitada a subvalorização dos campeões europeus. Porém, não posso negar o péssimo momento vivido por eles dentro e fora de campo. Também não concordo com aqueles que acham que o Chelsea é franco favorito para a conquista do título mundial. A meu ver, o Corinthians não é inferior tecnicamente ao adversário do Velho Continente. Se nosso grande rival fosse o Barcelona ou o Real Madrid, aí sim admitiria a nossa possível fragilidade. Todavia, o nosso provável oponente é uma equipe que não vence a cinco partidas no Campeonato Inglês e que deve cair na primeira fase da copa continental... Temos chances, muitas chances de gritar "É campeão!" em poucos dias. Vai Curintia! 23 de novembro de 2012 - sexta-feira Pode parecer um pouco óbvio o que vou falar agora. Afinal, depois de mais de 300 páginas de O Ano que Esperávamos Há Anos , acho que você já entendeu a dinâmica da minha série narrativa, né? Mesmo assim lá vai: esse relato é essencialmente sobre o Corinthians e o ano maravilhoso vivenciado pelos corintianos. Às vezes, no meio dessa coletânea de crônicas, eu preciso tratar de temas que aparentemente não se relacionam tão diretamente com o Timão, mas que de alguma forma mexem com o clube, os jogadores, a comissão técnica e os torcedores. É o caso do texto de hoje. Na tarde desta sexta-feira, Mano Menezes foi demitido do cargo de técnico da Seleção Brasileira pelo presidente da CBF, José Maria Marin. O treinador gaúcho, escolhido no meio de 2010, já estava há dois anos e meio na função e não agradou ao principal dirigente do futebol nacional. Os resultados foram péssimos. Quem comunicou as mudanças na comissão técnica nacional foi o diretor de seleções, Andrés Sanchez, em entrevista coletiva para a imprensa. Alguns minutos depois do anúncio, o boato sobre os candidatos mais fortes para assumir a Seleção já corria pela mídia. Os três favoritos são: Luiz Felipe Scolari, Muricy Ramalho e Tite. Sim, o treinador corintiano é considerado um nome fortíssimo para ficar com a vaga. O problema é que ele acabou de renovar com o Timão para 2013 e sem ele o Corinthians se enfraquece muito. Ao ser questionado sobre tal hipótese, o treinador alvinegro só falou uma frase para os jornalistas: "Que o papai do céu me ilumine". Parece evidente a vontade do nosso técnico de ser o comandante da Seleção na Copa. Para não criar uma saia-justa, Tite, que concede semanalmente entrevista coletiva às sextas-feiras no CT Joaquim Grava, cancelou o bate-papo com a imprensa. Ele foi substituído por Roberto de Andrade, diretor de futebol. O cartola foi duro em suas palavras: "Tite tem contrato até dezembro de 2013 e vai cumprir o seu contrato. Se o convite surgir ali na frente, talvez a gente converse, mas a posição do clube já está aqui: o Corinthians não libera. No contrato dele não existe cláusula de saída, porém ele vai cumprir o contrato". Nesse ambiente de incertezas, o jogo de amanhã entre Corinthians e Santos no Pacaembu ganha contornos peculiares. Dois dos três treinadores favoritos para ocupar o cargo de técnico da Seleção Brasileira estarão na beira do campo. No lado santista, Muricy não contará com Neymar. O craque recebeu o terceiro cartão amarelo na última partida. No lado do Timão, Tite optou por não escalar os quatro atletas que jogaram no meio de semana pelas seleções (Ralf, Paulinho, Fábio Santos e Martínez). Além deles, Chicão e Douglas, suspensos, não podem entrar no gramado. O Corinthians está escalado com: Cássio; Alessandro, Paulo André, Wallace e Guilherme Andrade; Anderson Polga (vai jogar de primeiro volante), Edenílson e Danilo; Romarinho, Emerson e Paolo Guerrero. Esse é o último jogo do Timão como mandante em 2012. Será, portanto, uma ótima oportunidade da torcida se despedir dos jogadores. Mesmo a partida não valendo nada, o Pacaembu deverá estar lotado. 24 de novembro de 2012 - sábado O Pacaembu recebeu mais de 35 mil pessoas neste sábado à noite. O clássico entre Corinthians e Santos marcava a despedida da torcida corintiana de seu estádio na temporada de 2012. É verdade que o Timão ainda jogará na próxima semana mais uma partida pelo Brasileirão no Paulo Machado de Carvalho. Porém, como o mando de campo será do São Paulo (o Morumbi será usado para show musical), haverá poucos corintianos nas arquibancadas. Daí a despedida deste ano da Fiel Torcida do meu, do seu, do nosso Pacaembuuuu. O jogo começou com festa dos corintianos. Os torcedores se vestiram com roupas típicas do Japão para desejar boa viagem aos jogadores. Ao lado do campo, uma banda tipicamente oriental dava o ritmo. Bandeiras com símbolos do país asiático também eram estendidas nas arquibancadas. Até os nomes dos jogadores nas camisas do Timão estavam escritos em japonês. E por falar em camisa, o patrocinador desta noite já era a Caixa Econômica Federal. Mesmo com os vários desfalques, o Corinthians começou com tudo o clássico. Edenílson, o melhor em campo pelo lado do Parque São Jorge, roubou a bola na defesa, percorreu metade do campo e passou para Guerrero. O centroavante, na cara do gol, chutou para fora. Uhhhhhhhhhh. Depois foi Romarinho quem perdeu boa chance. Guerrero enfiou a bola para o Iluminado e o goleiro santista fez bela defesa. O Corinthians foi melhor no primeiro tempo. Infelizmente, nos minutos finais da etapa inicial, o Santos conseguiu um contra-ataque pela direita de seu campo e o atacante praiano ficou cara a cara com Cássio. Aliando sorte e competência, o avante do time visitante estufou as redes. 1 a 0 para o Peixe. Precisando atacar mais, Tite fez duas mudanças no segundo tempo. Ele tirou Guilherme Andrade e colocou Jorge Henrique. Depois tirou o improvisado Anderson Polga e colocou o volante Guilherme no meio de campo. As alterações deram resultado e a pressão no segundo tempo aumentou. Emerson perdeu um gol cara a cara com o goleiro adversário. Alguns minutos depois, o goleirão do Santos salvou chute de Guerrero. Na sequência, a defesa santista afastou o rebote do forte chute de Danilo. O gol corintiano amadurecia. As melhores chances para marcar vinham dos cruzamentos de Jorge Henrique. O atacante improvisado de lateral incomodava a defesa do rival. E foi em cobrança de falta de Jorge pela direita que Wallace subiu e deu cabeçada certeira. Gol de empate!!! Primeiro gol de Wallace com a camisa do Timão. 1 a 1. O jogo terminou mesmo empatado. Se o resultado não foi o melhor para a Fiel, pelo menos a festa e as comemorações de despedida da torcida de seu estádio nesse ano valeram a pena. Agora é só esperar a divulgação da lista com os nomes dos jogadores corintianos que disputarão o Mundial, fazer um treino de luxo no próximo domingo com o São Paulo e seguir rumo ao Japão para o bicampeonato mundial. 25 de novembro de 2012 - domingo Este domingo não teve cara de futebol. Com o Campeonato Brasileiro de 2012 já decidido e sem o Timão em campo, minhas atenções se voltaram exclusivamente para a Fórmula 1. Vale destacar que o clima em São Paulo durante todo o final de semana foi de automobilismo. Eu, como amante desse esporte e empolgado com os eventos que minha cidade sedia, fui influenciado pelo espírito das quatro rodas. Não fui a Interlagos, mas fiquei assistindo aos treinos e à corrida pela televisão. É incrível perceber como a capital paulista para quando o circo da F1 chega. Nos dias de GP Brasil, é um caos transitar pelas ruas, visitar restaurantes e se hospedar nos hotéis da cidade. Os visitantes simplesmente dominam todos os pontos de São Paulo. Não à toa, a corrida é o principal evento turístico do município, tanto em número de visitantes quanto em receita gerada para os estabelecimentos comerciais. Como a decisão da temporada ficou para essa última etapa, a movimentação foi maior do que o habitual em Interlagos. A cidade foi invadida por milhares de turistas e centenas de jornalistas do mundo inteiro. Todos queriam acompanhar de perto a decisão do campeonato da Fórmula 1. O título ficaria entre Sebastian Vettel, alemão da Red Bull, e Fernando Alonso, espanhol da Ferrari. Quem vencesse a corrida em SP entraria para a história como o tricampeão mais jovem da F1. Depois de uma corrida recheada de surpresas (chuva, batidas, pista seca, mais chuva, novas batidas e várias paradas nos boxes), o título acabou ficando com o alemão pela terceira vez consecutiva. A vitória no GP Brasil ficou com Jenson Button, inglês da McLaren, que dominou toda a corrida. Sebastian Vettel, o campeão, fez uma prova de recuperação. Depois de cair para o último lugar na largada, ele terminou em sexto, posição suficiente para erguer o caneco. Afinal, Fernando Alonso só terminou em segundo (se vencesse a prova, seria o campeão). O melhor brasileiro na corrida foi Felipe Massa, em terceiro lugar. Com o término do GP, não tive paciência para acompanhar os jogos do Brasileirão. Não me preocupei em ver os resultados da 37ª rodada à noite. Se o campeonato já está decidido mesmo, para que me preocupar com isso, né? Além do mais, a corrida foi sensacional. Quando ela terminou, não tive cabeça de ver mais televisão por hoje. Se você está estranhando eu ter falado de Fórmula 1 no O Ano que Esperávamos Há Anos , saiba que eu gosto muito de automobilismo. Não acompanhei com tanta atenção a temporada de 2012, mas eu curto muito as corridas. Talvez esse seja o segundo esporte de minha preferência. Por isso, me dei a liberdade de reservar um dia de meu relato futebolístico para os comentários sobre a F1. Se você não gosta de automobilismo, tudo bem. Pule essas linhas e avance para o próximo dia. Com certeza, você não encontrará mais nenhuma referência a essa modalidade nessas páginas. É isso aí então. Amanhã voltaremos a falar do principal assunto de 2012: o Coringão. Obrigado pela compreensão e até segunda-feira! 26 de novembro de 2012 - segunda-feira A segundona começou com clima diferente no Parque Ecológico do Tietê. Desde as primeiras horas da manhã, um batalhão de jornalistas se aglomerava nas dependências do clube paulista em busca da informação mais preciosa da semana: a lista de jogadores do Timão que vão disputar o Mundial de Clubes. De manhãzinha, liguei o rádio enquanto tomava café e o repórter da Jovem Pan AM disse mais ou menos assim: "Logo mais sairá a relação dos atletas corintianos. Quando os nomes forem anunciados, eu entro ao vivo para comunicar vocês". Obviamente fiquei de prontidão. Na hora do almoço, liguei a televisão para ver se a lista já havia sido apresentada. Ainda nada! Segundo o repórter da Band do programa Jogo Aberto que era encarregado da cobertura no Corinthians, a comissão técnica alvinegra estava muito preocupada com o lateral Fábio Santos. O jogador tinha voltado lesionado da Seleção na quinta-feira passada e o grau da lesão ainda era analisado pelos médicos. Segundo alguns boatos, havia a possibilidade de Fábio não poder jogar em dezembro. Se a contusão fosse mesmo séria, ele poderia até ser excluído da lista de Tite. A notícia caiu como uma bomba na Fiel. O lateral-esquerdo reserva do Timão era Ramon, emprestado para o Flamengo depois da Libertadores. Em seu lugar ficou o garoto Denner, no momento gravemente machucado. Nós não temos outro lateral para o lado esquerdo, além de Fábio Santos!!! No último jogo, Guilherme Andrade, que atua pela direita, foi improvisado pelo outro lado e foi muito mal. No segundo tempo, Tite passou Alessandro para a esquerda e colocou Jorge Henrique no lugar original do nosso capitão. Se Alessandro já é fraco na direita, imagine na esquerda! À noite, depois de não achar nenhuma notícia na Internet sobre a lista, liguei a televisão no programa Gazeta Esportiva. Os jornalistas da emissora paulistana disseram que o comunicado com os atletas do Timão sairia bem mais tarde, horário limite para ser enviado para a FIFA. Para eles, Fábio Santos seria convocado sim. A contusão do camisa 6 não parecia ser tão séria. Fui dormir um pouco mais tranquilo. Tranquilo com meu time, é claro, mas não com o meu corpo. Meu estado de saúde piora a cada dia e eu não posso nem mais andar direito. Estou travado na cama há alguns dias e só me levanto para ir (me arrastando!) ao banheiro, comer e ver um pouco de TV na sala. No restante das horas, fico esticado. Não sei o que está acontecendo comigo. Meus pés e minhas pernas estão muito inchados, completamente deformados. Muito estranho! Preciso de um médico!!! O problema é que quando visito algum hospital ou posto de saúde, os doutores me olham e dizem: "Seu estado não é tão grave. Volte para casa". E aí me mandam embora. Não sei mais como proceder. Eu preciso estar 100% para acompanhar o Mundial de Clubes. Faltam apenas algumas semanas para o torneio da FIFA e quero estar apto para ver os jogos pela televisão. Não é pedir demais, é? 27 de novembro de 2012 - terça-feira Saiu a lista com os 23 jogadores corintianos que vão para o Mundial Interclubes da FIFA. Não há nenhuma grande novidade nas escolhas do técnico Tite. Aí vão os guerreiros mosqueteiros que terão a responsabilidade de trazer novamente para o Brasil o título máximo do futebol internacional: Goleiros: Cássio, Júlio César e Danilo Fernandes. Laterais: Alessandro, Fábio Santos e Guilherme Andrade. Zagueiros: Chicão, Paulo André, Wallace, Anderson Polga e Felipe. Volantes: Ralf, Paulinho, Edenílson e Guilherme (ou William Arão). Meias: Douglas, Danilo e Giovanni. Atacantes: Emerson Sheik, Paolo Guerrero, Martínez, Romarinho e Jorge Henrique. Mesmo com a lista enviada para Zurique, na Suíça, na noite de ontem, há ainda uma pendência. A única indefinição é se Guilherme, o volante contratado da Portuguesa, poderá atuar ou não na competição do Japão. Como ele foi comprado pelo Timão depois da janela de transferência da FIFA no meio do ano, há a possibilidade de a Federação Internacional vetar sua convocação. Se isso acontecer, William Arão será seu substituto, sendo o 23º integrante da lista de Tite. Os ausentes do grupo que viajará para o outro lado do mundo já eram esperados. O peruano Cachito Ramirez há muito tempo não entra em campo com a camisa do Timão e deverá ser negociado no ano que vem com um time de seu país natal. Como não ficará no clube do Parque São Jorge para a próxima temporada, não há por que estar na lista, né? Em seu lugar foi colocado o jovem meia-atacante Giovanni, vindo das categorias de base. Ele tem agradado o treinador nos últimos meses. Outro preterido foi Zizao. O chinês perdeu a concorrência para os atletas mais experientes do grupo. Apesar de ter desagradado o Departamento de Marketing que sonhava com várias ações de publicidade na Ásia, a decisão de Tite foi a melhor do ponto de vista técnico. Esse é o grupo de 23 jogadores do Timão. Acredito que temos um time bem forte e com condições de conquistar o caneco. Além disso, a equipe do Parque São Jorge está voltando a atuar em grande forma, como no meio do ano. Como corintiano, estou tranquilo e otimista. O trabalho de Tite é excelente. Minha única preocupação é com possíveis contusões nos momentos finais da preparação. Fábio Santos, por exemplo, voltou na quinta-feira passada machucado da Seleção Brasileira. Trata-se do único jogador sem um reserva imediato. Vamos torcer para que todos os atletas do Coringão estejam 100% durante as próximas semanas. 28 de novembro de 2012 - quarta-feira Os jogadores corintianos tiveram uma atividade bem diferente nesta quarta-feira. Após o treinamento da manhã, eles experimentaram as roupas e os acessórios que serão usados na viagem ao Japão. Como o país sede do Mundial de Clubes estará na estação mais fria do ano durante a realização do torneio, com temperaturas abaixo de 0ºC, foi preciso a confecção de uma vestimenta apropriada para agasalhar os atletas. Nos deslocamentos ao e pelo Japão, os corintianos usarão cardigans nas cores azul escuro e cinza e cachecóis cinza. Para os jogos, a programação é utilizar camisas de manga curta e por baixo roupas especiais para suportar as baixas temperaturas. Do elenco atual do Timão, alguns já vivenciaram a experiência de jogar no frio extremo. Cássio, Paulo André, Paolo Guerrero e Anderson Polga jogaram por várias temporadas na Europa, tendo encarado as baixas temperaturas e até a neve. Paulinho viveu dois anos no Leste europeu no início da carreira profissional. Também sabe como é jogar com a bola vermelha. Por ser argentino, Martínez também está acostumado ao frio. Há dois jogadores do grupo do Corinthians que, além de saberem como é jogar no Inverno rigoroso, conhecem muito bem as características da cultura, do povo e do clima do Japão. Estou falando de Danilo e Emerson Sheik. Ambos os atletas atuaram por vários anos na Terra do Sol Nascente e se tornaram ídolos das torcidas do Kashima Antlers e do Urawa Reds, respectivamente. Danilo jogou a J-League, o campeonato japonês, por três temporadas. Foi campeão nas três oportunidades, além de ter erguido uma taça da Copa do Imperador. O meia-armador não cansa de declarar que adorou o período vivido por lá. "Eu já até tinha me acostumado com os terremotos. Quase todo dia tinha. Uns mais fracos e outros mais fortes. Mas a cultura deles é fantástica. Eles têm respeito enorme pelo outro, diferente daqui”, disse o camisa 20. Sempre que disputou algo no Japão, Danilo se sagrou campeão. Em 2005, em outra disputa naquele país, quando atuava pelo São Paulo no Mundial de Clubes, ele derrotou o Liverpool na decisão. Esse cara tem estrela! Emerson também é adorado na nação dos samurais. Ele chegou desconhecido ao Japão e começou jogando em um time da segunda divisão. Ficou cinco temporadas lá. Ganhou fama de ser pé quente em decisões por sempre marcar gols decisivos (algo que nos acostumamos por aqui também). Ele balançou as redes na final do Nabisco Cup de 2003, quando seu time se sagrou campeão. Naquele ano, Sheik marcou 18 gols em 25 jogos pela J-League, sendo coroado o atleta mais valioso da competição. No ano seguinte, fez 27 gols e novamente terminou como artilheiro. Para o Mundial de Clubes da FIFA, o Timão precisará contar com as estrelas de Emerson e Danilo e com as experiências dos nossos jogadores mais tarimbados no frio para levantar o caneco. Vai Curintia! 29 de novembro de 2012 - quinta-feira Agora é oficial. Guilherme não poderá disputar o Mundial. Seu registro foi negado pela entidade máxima do futebol. A FIFA alegou que o jogador foi contratado após a janela de transferência internacional. O Corinthians até tentou argumentar, sem sucesso, dizendo tratar-se de uma negociação de cunho doméstico. Dessa forma, o volante reserva de Ralf que viajará para o Japão será o jovem William Arão. Vindo das categorias de base do Timão, Arão tem apenas 20 anos e 10 jogos como profissional no currículo. A notícia é um tanto preocupante. Se acontecer algo com o Ralf, o time corintiano perderá muito em força de marcação. Guilherme é um jogador muito talentoso e deverá nos próximos anos ganhar mais espaço no elenco do Parque São Jorge. Na maioria das vezes em que entrou em campo substituindo Ralf ou mesmo Paulinho, ele se saiu muitíssimo bem. Mesmo tendo apenas 21 anos, Guilherme, com quase 50 jogos como profissional, é mais experiente se comparado a William Arão. Guilherme foi contratado da Portuguesa em setembro. Formado na categoria de base da Lusa, o jogador foi promovido ao time profissional do Canindé em 2009. Rapidamente, ele se tornou titular e virou um dos destaques da equipe. Por lá, o meio-campista foi campeão da Série B em 2011 e tornou-se ídolo da torcida. Seu futebol aliava força na marcação e habilidade para sair jogando. No início de 2012, o interesse corintiano pelo jogador desagradou a fanática e intempestiva torcida da Portuguesa. Os torcedores viram a contusão do jogador no começo da temporada e a queda de seu rendimento em campo como indícios da vontade do volante em se transferir para o Parque São Jorge. Guilherme passou a ser hostilizado no Canindé e há quem diga que fora agredido por alguns torcedores. A situação se tornou crítica com o rebaixamento da Lusa no Campeonato Paulista. As negociações se arrastaram por meses e meses e só foi concretizada depois de muitas reuniões entre os dirigentes dos dois clubes. Aliviado com o final feliz, Guilherme chegou empolgadíssimo ao novo clube, onde pôde demonstrar outra vez bom futebol. Com a divulgação prévia de seu nome na lista de atletas convocados por Tite para o Mundial, o volante não se aguentou de emoção. Em uma rede social, ele confessou, na terça-feira, ser corintiano desde pequenininho. Inclusive divulgou uma foto de criança vestindo a camisa preta e branca. No texto, o jovem talentoso dizia: “Sonho realizado (disputar o Mundial pelo Timão)! Obrigado, Senhor”. Agora veio a frustração. O jogador não poderá atuar no Japão. Ficará em São Paulo e verá as partidas apenas pela televisão. Deve ser muito difícil viver uma situação como essa, né? Desejo boa sorte ao Guilherme e espero que a tristeza momentânea seja recompensada com a participação dele nos próximos Mundiais. Quem sabe, nas próximas vezes, ele não viaje para a principal competição interclubes do planeta como titular da delegação corintiana. É só dar tempo ao tempo para vermos o que o destino reserva para ele e para sua promissora carreira. 30 de novembro de 2012 - sexta-feira A paixão da Fiel Torcida pelo Timão tem se aflorado nas últimas semanas. É incrível como têm aparecido reportagens sobre as maluquices dos integrantes do Bando de Loucos. Todos querem ir ao Japão para acompanhar in loco os jogos do Corinthians no Mundial. Na mídia, há várias matérias jornalísticas contando como os torcedores corintianos farão para ir ao outro lado do mundo. Para se ter uma ideia do que está acontecendo, tem gente que largou o emprego para conseguir os benefícios trabalhistas, como o valor do 13º, das férias vencidas e do FGTS. É o caso do serralheiro João Paulo Ribeiro. Aos 33 anos e sendo pai de três meninas pequenas, ele pediu demissão e cancelou o Natal da família em 2012. Ninguém receberá presente, pois não haverá dinheiro suficiente. A quantia recebida pela rescisão trabalhista foi integralmente para a compra da passagem de avião. João Paulo também não sabe onde trabalhará quando voltar da Ásia. Outros venderam carros, propriedades e até a casa para conseguir recursos. Onde irão morar e como se deslocarão depois do Mundial, ninguém sabe. Os exemplos mais emblemáticos são do Jorjão, segurança de uma casa de baile funk, e de Tiago Maldonado, integrante da Pavilhão Nove de Franca. Jorjão vendeu a moto Honda 750cc Hollywood, conhecida como “Sete Galo” e sua grande paixão, para adquirir as passagens e os ingressos para a competição internacional. Por sua vez, Tiago deixará de comprar a casa própria, pois a quantia foi direcionada para a excursão japonesa. Há quem tenha pegado o dinheiro da poupança da família, economizado por anos e anos, só para ver o Timão no Mundial. Nessa hora, o torcedor pensa apenas em si. Alguns corintianos arrumaram um segundo emprego, assim que a Copa Libertadores acabou, apenas para conseguir grana para a viagem. Há o caso de um torcedor alvinegro, Roberto de Freitas, morador de Sydney, na Austrália, que contou com a sorte. Na véspera da final da Libertadores, ele foi até uma casa de aposta e apostou US$ 500 que o Corinthians seria campeão e que o placar seria 2 a 0. Com o acerto, ele ganhou US$ 2.200. Esse dinheiro será usado agora para Roberto ir ao Japão. Para terminar os casos malucos de corintianos fanáticos, o programa CQC da Rede Bandeirantes fez uma promoção chamada “Um Louco no Japão”. Quem enviasse o vídeo com a demonstração mais impactante de amor pelo time do Parque São Jorge ganharia uma viagem para o Mundial. Choveu gravações na emissora paulista. Para a final do concurso, foi selecionado um trio de vídeos: o corintiano que dava um beijo de língua em uma vaca, o que andava em pé em cima de uma bicicleta no meio da estrada e outro que comeu as fezes de um neném. Muita loucura desses caras, né? Perto desses casos, me sinto pouco corintiano. Será que me conformei facilmente em não conseguir ir ao Japão? Poderia ter feito alguma loucura também para angariar dinheiro e ver do estádio meu time do coração enfrentando o Chelsea, hein? Começo a me considerar um torcedor pouco criativo e bastante desmotivado... ----------- Oitava série narrativa da coluna Contos & Crônicas , “O Ano que Esperávamos Há Anos” é o testemunho dos doze meses de 2012. Este relato é uma espécie de diário feito no calor das emoções por um fanático torcedor corintiano. Ele previu as conquistas de seu time do coração naquela temporada que se tornaria mágica. Nessa coletânea de crônicas é possível acompanhar os jogos do Corinthians, relembrar as decisões do técnico, entrar nos bastidores do Parque São Jorge e conhecer a vida dos principais jogadores alvinegros. O leitor também sofrerá com as angústias dos torcedores do Timão, poderá acompanhar o desenrolar dos campeonatos e, principalmente, irá se emocionar com as maiores conquistas futebolísticas desse clube centenário. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias ? Compartilhe sua opinião conosco. Para acessar outras narrativas do blog, clique em Contos & Crônicas . 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