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  • Crônicas: Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora - Item 1 - Usar telefone fixo

    Você passa vergonha com você mesmo?! Saiba que eu sou o campeão mundial de autoconstrangimento. Se houvesse Copa do Mundo ou Jogos Olímpicos com essa modalidade, na certa, eu seria reconhecido nas ruas como um herói nacional. Afinal, sempre acabo me encabulando com algumas coisas que faço ou digo. Normalmente, o causador dos embaraços em que acabo metido é a minha personalidade retrógrada. Às vezes, desconfio da minha capacidade de evoluir tão rápido quanto as tecnologia e as demais pessoas. Se você duvida do quão complicado é viver tendo como companhia uma alma pré-histórica e, principalmente, uma mente tão antiquada, meu conselho é ler todos os meses os textos autobiográficos de "Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora". Nesta série de crônicas, vou tentar apresentar meus dramas mais rotineiros. Vou contar um problema de cada vez para não assustar ninguém. E começo, hoje, falando sobre algo que tem tirado o meu sono. Pior do que me constranger rotineiramente (já estou acostumado com isso, acredite) é quando passo vergonha tentando impressionar positivamente os outros ou tentando ser gentil com quem mais estimo. Aí, é fogo! E não há nada mais retrógrado nos dias atuais do que telefonar para alguém em um (não ria, por favor!) telefone fixo. Sim, eu ainda faço isso com alguma frequência... Item 1 da Lista de 12 Indícios que Envelheci Antes da Hora: Usar telefone fixo. Por exemplo, sempre que telefono para alguém para dar os parabéns pelo aniversário, sou recebido com risadas e mais risadas. Aí, pergunto: "O que fiz de errado?". Do outro lado da linha, meu interlocutor (eita palavrinha antiga esta, né?) me responde sem cerimônias: "Só você mesmo para me ligar no dia do meu aniversário! Ninguém mais faz isso, Ricardo. Todo mundo agora manda uma mensagem no Face ou no Whats. Para piorar, você ligou no meu telefone fixo! A única pessoa que ainda me liga no fixo é a minha avó. E você, é claro". Juro que não entendo o motivo para tanto estranhamento. Eu sempre gostei de felicitar amigos e parentes no dia de seus aniversários. Gosto de trocar umas palavras carinhosas ao invés de enviar uma mensagem fria e muitas vezes impessoal pelas redes sociais. Além disso, se a pessoa tem telefone fixo é para ser usando, né? Vai entender esta gente! O que era para ser um instante de gentileza e de atenção da minha parte torna-se de fato mais um momento de gozação do outro para com meus hábitos. O aniversariante lembra-se mais do quanto o amigo ou parente do outro lado da linha é um ser desajustado aos novos tempos do que uma pessoa gentil e carinhosa. Onde este rapaz irá parar se continuar ligando para telefones fixos em pleno século XXI, devem pensar todos preocupados. Para piorar, ainda costumo ouvir: "Fale a verdade, Ricardo: seu telefone aí é daquele em que precisamos ficar girando os números para discar, né?". Eu rio porque acho graça dessas brincadeiras. Quem me conhece melhor ainda solta um acertadíssimo comentário: "Aposto que você ainda usa aquela sua agenda de papel velha para anotar o meu número ou sabe de cabeça o meu telefone, né?". Brincadeiras à parte, só não consigo entender o motivo de tanto estardalhaço. Por que será que todo mundo deixou de usar o bom e velho telefone fixo? E por que não podemos nos apegar a um ou outro comportamento antigo?! Enquanto eu continuar vivo, lutarei com a finco para a perpetuação desse lindo hábito. Por mim, os aparelhões com fios não entrarão em extinção nunca. E para quem ainda estiver com dúvida, saiba que há um bom tempo não tenho mais aparelho fixo de discar em casa. O meu aqui é de clicar as teclas. Não sou tão retrógrado assim, tá! Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para acessar outras narrativas do blog, clique em Contos & Crônicas. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.

  • Crônicas: Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora - Item 3 - Ouvir rádio e CD

    Ouvir música é um entretenimento universal e atemporal. As pessoas, ao longo de todas as épocas e em todas as culturas humanas, sempre se divertiram ao som de melodias. Os homens das cavernas, por exemplo, dançavam e cantavam à espera da chuva ou para agradecer aos deuses. Há oito séculos, os gregos já apresentavam espetáculos artísticos elaborados nos quais a musicalidade era o eixo central. Na Idade Média, um dos principais programas das cortes europeias era a sessão musical no salão nobre do castelo junto à família real. Na minha juventude lá na década de 1980, o passatempo favorito da moçada era assistir aos videoclipes na MTV. Hoje em dia, os jovens ouvem suas músicas favoritas em plataformas de streaming, pelo Youtube, em aparelhos de MPs (MP3, MP4, MP5, MP6, MP7, MP8, MP9, MP10...), pelos celulares e em aplicativos que nem faço ideia de como chamam ou funcionam. São inegáveis as vantagens dos novos meios de comunicação quando o assunto é música. Os aplicativos e aparelhos mais recentes trazem mais mobilidade, variedade e praticidade para os amantes da música. Muitas dessas novas opções são, inclusive, mais baratas do que aquelas disponíveis nas gerações anteriores. Jovens artistas contemporâneos também têm a possibilidade de apresentar seus trabalhos sem passar pelo crivo das grandes empresas que monopolizavam até outro dia a distribuição das canções. Músicos e fãs agora interagem diretamente um com os outros. Dito tudo isso, parece impossível alguém não gostar do caminho traçado nos últimos anos pela indústria fonográfica. Contudo, admito (um pouco envergonhado, é verdade) que nada disso me atrai. Eu continuo ouvindo minhas músicas nos bons e velhos aparelhos de rádio. E adoro apreciar os meus álbuns favoritos no tradicional CD player. Ainda não vejo problema nenhum em utilizar essas tecnologias do século passado, ao menos quando estou sozinho. O único problema é ter tal comportamento em público. Aí, acabo sempre virando alvo fácil do bullying das pessoas mais modernas e menos saudosistas. Item 3 da Lista de 12 Indícios que Envelheci Antes da Hora: Ouvir rádio e CD. Sei que não é bonito escancarar minha desatualização tecnológica, mas eu ainda gosto de ouvir música nas estações de rádio. Faço isso principalmente quando estou em casa. Por mais que esse seja um hábito em desuso, ainda prefiro que escolham para mim as canções do que ter de selecionar a minha própria playlist. Também não fico preso a uma única emissora da FM. Ouço várias, sem medo do desconhecido. Dessa maneira, acabo sabendo o que está rolando de novo e de diferente em vários gêneros musicais. Sempre encarei as pessoas que SÓ (reparem na palavra SÓ colocada nessa frase) ouvem suas próprias listas como indivíduos mimados, egocêntricos, preconceituosos e pouco versáteis musicalmente. Provavelmente estou errado em meu julgamento, mas é a forma como os vejo (desculpem-me pelo meu preconceito infantil). Quando quero ouvir algo específico (sim, porque às vezes também tenho essa vontade), vou até minha coleção de CDs e coloco o álbum desejado para tocar no CD player. É muito bom, em alguns momentos, aprofundar o ouvido em algo específico. E não vejo motivos para substituir algo que esteja funcionando tão bem por uma opção mais moderna. Por mais interessantes que sejam os novos aparelhos, o CD e o CD player conseguem me atender perfeitamente. "Então, por que você não ouve música pela Internet?", costumam me interrogar amigos, familiares e a namorada. Simplesmente por falta de hábito, respondo. A rádio e a minha coleção de CDs suprem minhas necessidades de música. Além disso, é muito legal ouvi-las. O único problema é que não posso fazer isso na frente de ninguém. Quase sempre sou alvo de bullying quando me veem ouvindo rádio e, principalmente, CD. Sabendo disso, prefiro não comentar com ninguém nem mostrar esses meus hábitos antiquados. Nos últimos anos, ouço radio e CD sozinho, bem escondido de todos. É tanta vergonha que sinto que jamais falei para alguém que (prepara-se: lá vai uma bomba) ainda ouço as estações de rádio da AM. De manhãzinha, ligo na AM para ouvir as notícias do dia, enquanto tomo o café da manhã. Também guardo em meu quarto (cuidado: lá vem outra bomba ainda mais forte) algumas fitas K7 (se não souber o que é isso, pesquise no Google ou visite algum museu). Tenho várias delas. As minhas favoritas são as do Raul Seixas, gravadas por um tio há mais de trinta anos. Entretanto, não tenho coragem de ouvi-las. Não vá pensar que ainda ouço K7, por favor. Não ache que sou um dinossauro. Se admitisse isso, na certa ninguém mais continuaria lendo a série "Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora". Há coisas que fogem dos limites aceitáveis da sociedade moderna. Mesmo que sejamos obrigados a mentir um pouco, não podemos reconhecer nossos comportamentos mais retrógrados. É melhor terminar logo esta crônica. Daqui a pouco vão pensar que ainda ouço disco em vitrola. Já imaginou ter vários discos de vinil em casa?! Inacreditável como pode existir pessoas tão obsoletas ainda hoje... Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para acessar outras narrativas do blog, clique em Contos & Crônicas. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.

  • Crônicas: Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora - Item 4 - Ler jornais e revistas impressos

    Depois de algumas revelações bombásticas feitas aqui no Blog Bonas Histórias nos últimos três meses (como, por exemplo, não usar telefone celular, telefonar para aparelhos fixos para dar parabéns aos aniversariantes do dia e ainda ouvir música no rádio e em CD player), o quarto hábito ultrapassado que vou comentar hoje na série "Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora" não deverá parecer tão estranho aos olhos das pessoas. Pelo menos se comparado aos anteriores, ele parece fichinha... Mesmo assim, às vezes, esse comportamento pode assustar um pouco aqueles desacostumados com o mundo off-line. Dessa forma, apesar de uma ponta de vergonha (sim, tenho vergonha na cara por agir como se estivesse no século passado), consigo admitir com um ligeiro arrependimento que ainda (lá vai a revelação: seja o que Deus quiser!) leio diariamente jornais e revistas impressos. Pronto, falei. Item 4 da Lista de 12 Indícios que Envelheci Antes da Hora: Ler jornais e revistas impressos. Sei que parece impossível uma atitude dessas nos dias de hoje. É realmente muito difícil de acreditar, mas garanto que estou falando a verdade. Leio diariamente jornais e revistas impressos como fonte de informação. Não conheço mais ninguém com esse hábito tão antiquado. Um conhecido meu (pai da Débora - beijo, Debinha!) ainda lê toda manhã seu jornal. Contudo, ele não é chegado a uma revista. O Roberto (um amigo mais velho de longa data) gosta de ler algumas revistas. Ele é (acredite!) assinante de vários títulos. Porém, não lê jornal impresso há vários anos. Quando compra jornal na banca aos domingos é para limpar, conforme confessado, as sujeiras dos seus cachorros de estimação. Fazer as duas coisas (ler jornal e revistas impressos) parece algo pré-histórico. Admito o quanto é estranho até mesmo para mim. Por isso, me sinto uma espécie rara ou em extinção. Será que há algo de muito errado comigo por agir inapropriadamente nos novos tempos?! Para não despertar a ira de ninguém, juro que tomo o cuidado de agir escondido no meu lar ou discretamente nos ônibus ou nos vagões do trem e do Metrô. Quando vejo que estou incomodando alguém com minhas atitudes antigas, imediatamente interrompo a leitura e não abro mais as páginas do material que tenho em mãos. Sou um leitor consciencioso do mal que posso causar àqueles que estão a minha volta. Onde já se viu ter a petulância de ler materiais impressos hoje em dia, hein?! Meu receio de parecer alguém deslocado do tempo é tanto que até minha namorada desconhece meus hábitos de leitura. Amor, se você estiver lendo esta crônica, por favor, não acredite nela. Estou só fazendo tipo para os leitores. É óbvio que não leio essas coisas do século passado, tá? Beijinhos. Engraçada essa questão, né? Tenho a impressão que ninguém mais em São Paulo lê jornais e revistas no formato que não seja o digital/eletrônico. Posso contar nos dedos de minhas mãos quantas pessoas que conheço que ainda têm esse hábito (abraço, pai da Debinha e Roberto!). Nenhum desses indivíduos, porém, tem menos de setenta anos de idade. Sou, portanto, a exceção da exceção, a mosca branca com três asas. Ler notícias de maneira off-line parece que se tornou "algo fora de moda" e "coisa de velho excêntrico". Isso porque até mesmo a maioria do pessoal com mais idade já abandonou os jornais e as revistas há muito tempo. Muitos ainda podem recebê-los em casa como hábito (e por impossibilidade de cancelar suas assinaturas), mas ler que é bom ninguém mais o faz. "Você não tem nojo de manusear aquele calhamaço de papel com cheiro ruim e que solta tinta?", "Para que pagar por notícia se você as tem de graça na Internet?", "Não há nada mais ultrapassado do que o jornal de hoje; Ele só traz notícias de ontem" e "Que bom saber que você ainda compra/recebe jornal. Você poderia me dar para eu colocar a sujeira do meu cachorro?" são os comentários que mais ouço quando alguém descobre esse meu segredo infame. É triste, mas sei que esse meu comportamento exótico não deverá durar por muito tempo. Logo mais, as empresas de mídia deixarão de imprimir seus produtos. Vários títulos de revistas e jornais já foram cancelados e muitos outros caminham para esse fim sombrio. Enquanto isso não acontece, vou aproveitando... Mesmo que seja mal visto por quem está a minha volta, não deixarei de ler meu jornal e minhas revistas diariamente. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para acessar outras narrativas do blog, clique em Contos & Crônicas. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.

  • Crônicas: Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora - Item 5 - Usar caderno

    Estudar é uma ótima forma de rejuvenescer a mente. Quem sempre aprende algo novo parece ter espírito aventureiro e alma de adolescente. Isso é fantástico! Quando se está ao lado de pessoas mais jovens esse processo se potencializa. Falo sobre esse tema com propriedade. Estou fazendo uma nova graduação com estudantes que têm a metade da minha idade. Além disso, leciono em uma escola com crianças com um terço das minhas primaveras. É muito legal essa diferença etária e a troca mútua de experiências. Conviver com colegas de 18, 19, 20 anos é um sopro de dinamismo e de modernidade para alguém que é quase um quarentão. Às vezes, penso que aprendo mais com eles do que eles comigo. Dependendo da aula, as principais lições que recebo vêm dos estudantes da classe e não tanto do professor (que é da minha geração). O mesmo ocorre quando dou aula para a garotada. A criançada tem uma energia e uma curiosidade pelo saber que não deixe ninguém a sua volta parado. Contudo, por mais que tentemos esconder as diferenças de gerações, elas acabam ficando evidentes uma hora ou outra durante o convívio diário. Curiosamente, são os gestos mais simples e os comportamentos mais banais que escancaram o abismo existente entre grupos tão distintos. Quando menos imagino algo que faço corriqueiramente provoca grande comoção entre meus colegas de graduação e/ou entre os alunos do ensino médio. O que poderia provocar tal alvoroço neles? O uso de uma máquina de escrever, de um cartão de telefone público, de um suspensório e de uma pochete ou a leitura um jornal impresso? Não, nada disso! O uso de um simples caderno é o que deixa o pessoal indignado. Sim, um simples caderno. Ao usá-lo no dia a dia acabo sendo taxado de pré-histórico pelos estudantes contemporâneos. Item 5 da lista de 12 Indícios que Envelheci Antes da Hora: Usar Caderno. Toda vez que vou à faculdade sou alvo de comentários sarcásticos dos meus colegas mais brincalhões: "Olha ali, ele ainda usa caderno!". Sou visto como um extraterrestre por todos os estudantes da classe com menos de 30 anos. O meu pecado é anotar em folhas encadernadas o que os professores falam durante as aulas. Não há nada mais retrógrado, segundo a visão atual, do que trabalhar ou estudar usando caneta e papel. As novas gerações acreditam que no século XXI não há espaço para tecnologias tão primitivas. Tenho a impressão que ninguém mais usa caderno nas escolas e nas faculdades do Brasil. Nas aulas de literatura que dou nas instituições de ensino médio, a molecada simplesmente aboliu o caderno há muito tempo. Isso é, se eles já chegaram a usar tal material algum dia. De qualquer forma, esse item que para mim ainda é essencial para eles deixou de fazer parte de suas rotinas escolares. E fique você sabendo que não adianta cobrar pelo seu uso. Alguns alunos não sabem nem do que se trata ou onde comprá-lo. Se fizermos uma pesquisa com os estudantes do ensino médio, acredito que haja mais jovens que saibam as características físicas do planeta Marte do que a constituição de um caderno pautado ("Caderno o quê?"). Quando pergunto como eles fazem para estudar ou para guardar as principais informações transmitidas durante a aula, ouço ao menos um dos seguintes discursos: "Quando é algo importante, nós tiramos fotos pelo celular do slide ou da lousa"; "Quando achamos interessante o que o professor fala, nós pedimos para ele repetir. Então, gravamos o som ou filmamos a explicação para checar depois"; e "Para que anotar se tudo o que precisamos já está na Internet? É só ir lá depois e consultar". Juro que até agora não entendo como essa gente chegou à faculdade, como conseguem estudar para o vestibular (no caso dos meus colegas de graduação) ou como se preparam para as provas (no caso dos meus alunos). Há estudantes (tanto do ensino médio quanto do ensino superior) que não usam caneta. Às vezes, chego a pensar que eles jamais seguraram uma em seus dedos na vida. Inacreditável! E o E.T. sou eu que uso caderno e (pasmem!) consigo manusear com habilidade incomum uma esferográfica ("Uma o quê?"). Para meu desespero, não sou maluco por anotações manuais apenas nas aulas. Fora delas, não abro mão da companhia de um bloco com folhas, agendas físicas, fichários ou do bom e velho caderno (tenho de todos os tamanhos, um para cada situação). No trabalho e em casa, organizado minhas tarefas e pensamento nas páginas do papel. Não consigo digitar, por exemplo, a lista de compras do supermercado na tela do computador ou do celular. Para que fazer isso, pensou eu, se anotar em uma folha é tão mais simples e rápido? Será mesmo que estou ficando velho? Será que estou me tornando um alienígena do século passado em pleno século XXI? Nesse caso, só me resta uma saída. Alguém sabe quando parte o próximo voo para Marte? Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para acessar outras narrativas do blog, clique em Contos & Crônicas. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.

  • Crônicas: Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora - Item 6 - Gostar (Apenas) de Livro Impresso

    Uma das maneiras de se perceber que alguém envelheceu antes da hora (ao menos em relação à parte psicológica) é notar se ele (ou ela) está "brigando" o tempo inteiro com as novas tecnologias. Infelizmente, a luta contra a modernidade é mais frequente do que podemos supor (e é um ótimo indicativo de quão velha a cabeça de um indivíduo pode estar). Ao invés de usufruir do conforto e dos benefícios das novas invenções, a pessoa passa a repudiá-las simplesmente por aversão a tudo o que é recente e/ou por saudosismo doentio aos itens do passado. Quem ainda escreve texto nas máquinas de escrever (preterindo o computador), quem pesquisa nas velhas enciclopédias encadernadas (desprezando, assim, a Internet) e quem prefere acompanhar as partidas de futebol no rádio (quando se tem à disposição a televisão), para ficarmos em apenas três exemplos aleatórios, pode ser enquadrado na categoria "envelheceu antes da hora". Afinal, nesses casos, as novas tecnologias vieram para facilitar em muito nossa vida e melhorar substancialmente as atividades realizadas. É impossível questionar as vantagens trazidas por cada uma dessas invenções (computador, Internet e televisão). Nesse sentido, me parece que o mesmo pode ser dito dos livros eletrônicos. Eles são realmente incríveis! Quando comparados aos similares impressos, eles vencem de goleada em todos os quesitos. Os e-books (e seus dispositivos) economizam espaço (concentram uma biblioteca inteira em um só lugar), são mais práticos (carregamos conosco a tal biblioteca para todos os lugares e o tempo todo), permitem a leitura em ambientes escuros (a maioria dos aparelhos atualmente vêm com luz própria), são mais baratos (em quase 100% dos casos as versões eletrônicas têm preços menores do que as versões físicas), a compra é instantânea (não é preciso sair de casa para comprá-los nem esperar seus envios) e podem durar muito mais tempo (afinal, o papel está sujeito as várias intempéries). Na minha visão, o livro eletrônico só tem um probleminha: ele não é impresso. Juro que continuo preferindo a boa e velha brochura com suas várias, pesadas e perecíveis páginas de papel. Será que envelheci precocemente e não reparei?! Apesar dos olhares enviesados da nova geração, da incompreensão coletiva e, porque não, da falta de lógica em minha preferência, continuo só lendo as versões físicas dos livros. Item 6 da Lista de 12 Indícios que Envelheci Antes da Hora: Gostar (Apenas) de Livro Impresso. Um dos momentos em que a escolha do livro eletrônico é mais vantajosa é nas viagens de ônibus, trem ou avião. Quanto mais longos forem os percursos e mais livros forem lidos, mais interessante é a opção pelos e-books. Ao invés de levar várias obras impressas na mochila ou na mala (e ficar carregando esse peso o tempo inteiro), você pode levar um pequeno e leve aparelhinho que concentra todas as obras que você deseja ter à mão. Além disso, como a maioria desses aparelhos já vem com sistema de luz embutida, você não precisa mais ficar brigando com o passageiro ao lado se a luz deve ficar acessa ou apagada. Incrível, né? Como não preferir essa tecnologia? Esse é o meu problema... Até mesmo nas viagens ainda prefiro levar comigo os livros impresso. Esse meu hábito impressionou uma passageira que se sentou ao meu lado no ônibus durante a última viagem que fiz para Minas Gerais. Quem acompanha frequentemente o Blog Bonas Histórias sabe que vou mensalmente para lá. Como o trajeto de ida é de quase seis horas (e tem as outras seis horas de volta!), sempre levo alguns livros em minha mochila para me distrair. Quando digo alguns, saiba que são pelo menos cinco publicações (imagine o peso!). A viagem estava tranquila até que chegou o momento mais delicado do trajeto. Quando precisei trocar de livro (tinha terminado um e iria começar outro), a moça de aproximadamente vinte anos que até então se mantinha muda ao meu lado (e que eu não conhecia) reagiu indignada ao que achou uma aberração da minha parte. Ela arregalou os olhos e me perguntou: "Por que você não lê em e-book? Não é mais fácil e prático do que ficar carregando dois livros?". Mal sabia ela que havia mais em minha bagagem... Repare que ela ficou brava mesmo não tendo que se mexer da poltrona. O segundo livro estava junto comigo. E eu juro que fiz a troca com a maior discrição possível. Afinal, ninguém se orgulha dos péssimos hábitos, né? Entendi sua dúvida e expliquei que jamais tinha lido um livro digital em minha vida. Sempre preferi as obras impressas por mais "trabalhosas" que fossem para carregá-las de um lado para outro. Ela passou a viagem me encarando como se a qualquer momento eu fosse desmentir o que havia falado. Acreditava que eu era um piadista que estava tirando uma com a cara dela. O livro digital pode ter um milhão de benefícios (reconheço!), porém, o livro impresso não tem nenhum defeito. É por isso que eu continuo lendo as suas versões em papel. O livro impresso continua sendo uma das melhores tecnologias desenvolvidas pelo homem. Se ele fosse tão ruim como dizem os mais modernos, ele não teria sobrevivido por tantos séculos e não teria auxiliado tanto no desenvolvimento da nossa espécie. A experiência de virar as páginas de uma boa obra ainda é algo muito prazeroso (e insubstituível) para mim. Vocês podem ficar aí me olhando incrédulos e rindo dos meus hábitos antigos, mas não pretendo mudar tão cedo meu comportamento. Pera aí! Não é essa a conduta típica de quem luta contra as novas tecnologias? Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para acessar outras narrativas do blog, clique em Contos & Crônicas. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.

  • Crônicas: Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora - Item 7 - Torcer por um time de futebol naciona

    Esta situação aconteceu comigo no ano passado. Estava eu em uma festa de gente fina, elegante e sincera. Evento grande para mais de duzentas pessoas. Comes & bebes à vontade, música ambiente de ótima qualidade, convidados jovens e bonitos, anfitriões extremamente simpáticos, desfile de carros importados no estacionamento e de roupa de grife no salão e animação quase que geral. Quase porque o único a estampar uma cara enfezada era eu. Para começo de conversa, odeio qualquer tipo de encontro social. Sou um antissocial da pior espécie. Ainda mais em um evento daquele tipo, onde era um peixe fora d'água (na verdade, nem peixe eu sou...). Rapidamente me lembrei do Eduardo, amigo do Renato, que gritava na Brasília da década de 1980: "Festa estranha, com gente esquisita/Eu não tô legal". Para complicar ainda mais minha vida naquela noite, o evento tinha o predomínio de pessoas na faixa dos 20 anos (um tipo de indivíduo que, no alto dos meus trinta e muitos anos, eu tenho sérios problemas para fazer uma interação minimamente aceitável - nem digo harmônica). Esse público não me compreende e eu não os entendo. É uma antipatia mútua. Para quem possa estranhar o meu comparecimento à festa deste naipe, minha presença ali não era nada voluntária. Eu tinha sido obrigado a ir e ponto. Desde que começara a namorar uma moça de vinte anos recém-completados, era convocado a comparecer a tais encontros com ela com certa frequência. Até aí, tudo bem. Mostrava o meu esforço para ficar na moda e indicava minha vontade para nossa relação dar certo. O pior momento da noite era, sem dúvida nenhuma, quando tinha que conversar a sós com os amigos da minha namorada. Ela desaparecia pelos salões por vários motivos (Por que mulher vai tanto ao banheiro, hein?) e eu ficava com um monte de garotos ao meu redor. Juro que tentava dialogar com eles sobre qualquer assunto. Contudo, era aí que notava o gigantesco abismo existente entre mim e eles. Nossos mundos eram totalmente antagônicos. O problema era provocado, em primeiro lugar, pela diferença das nossas classes sociais. Impossível não notar isso. Sou e sempre fui um pobretão inveterado. Porém, o mais grave era o hiato causado pelas nossas idades. Coisas importantes para eles eram irrelevantes para mim. Coisas que julgava interessantes eram enfadonhas para o grupo. Como conversar desse modo, hein? Esse dilema durou até que, enfim, o assunto caiu em um território aparentemente consensual: futebol! Graças a Deus eu poderia interagir sem problema com as pessoas que me cercavam. Afinal de contas, é possível falar de bola com qualquer indivíduo no mundo, seja ele homem, mulher, criança, adulto, velho, rico ou pobre... Até mesmo estrangeiros que não falam uma língua em comum dialogam animadamente sobre futebol. Eu já havia visto milagres acontecerem em se tratando de relacionamentos quando se coloca na mesa essa questão universal. Estava eu, então, salvo do constrangimento. Pelo menos foi o que pensei no começo... Item 7 da Lista de 12 Indícios que Envelheci Antes da Hora: Torcer por um Time de Futebol Nacional. Em menos de dois minutos de bate-papo, infelizmente, revi minha opinião. Nem isso eu poderia ter em comum com o grupo. Eu gostava e assistia futebol nacional. Na minha concepção, não havia nada mais importante no universo do que o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores da América. Os amigos da minha namorada, por outro lado, só acompanhavam as principais ligas europeias e amavam a Copa dos Campeões da Europa (que eles teimavam em chamar de Uefa Champions League). Alguns já haviam visto jogos no Santiago Bernabéu, no San Siro e em Wembley, mas jamais pisaram no Pacaembu, no Canindé ou no Mineirão. Eles, inclusive, não se apresentavam como corintianos, flamenguistas, são-paulinos ou atleticanos. Não! Eles torciam para Barcelona, Real Madrid, Chelsea ou Bayer de Munique. Clássico de verdade, segundo suas concepções, não era Palmeiras e Corinthians, Internacional e Grêmio e Bahia e Vitória. Jogão mesmo era Manchester United e Manchester City, Barça e Real e Milan e Juventus. Neste momento, notei nitidamente o quanto eu era antiquado... As coisas só pioraram quando disse, descuidadamente, que me lembrava da final da Copa do Mundo de 2002. "Como assim?! Você se lembra daquele jogo?!" era o comentário de espanto que ouvia se propagar entre a rodinha de jovens. Sim! Eu lembrava porque tinha assisto à partida. Naquela época, eu já tinha 20 anos e até trabalhava. Não tenho culpa se aqueles fedelhos ao meu lado mal tinham acabado de nascer ou ainda vestiam fraldas. Minha namorada, para tornar aquela situação um pesadelo total, completou ao se aproximar da gente após alguns minutos de ausência: "O mais assustador, pessoal, é que ele assistiu a todas as finais de Campeonato Brasileiro que o Corinthians conquistou. E fala isso com orgulho... Inclusive viu a final de 1990, não é amor?". "De 1990?!!!!" gritaram todos assombrados. "Quantos anos você tem, afinal?". Não é surpresa que aquele namoro não tenha durado muito. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para acessar outras narrativas do blog, clique em Contos & Crônicas. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.

  • Crônicas: Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora - Item 8 - Não Assistir às Séries de TV

    Nunca é fácil ficar velho. Desconfie sempre de quem diz o oposto. O pior de envelhecer é notar isso acontecendo com você o tempo inteiro. Afinal, quando não reparamos no processo, pelo menos não sentimos seus efeitos nem ficamos com a sensação de culpa. Nesse sentido, esta série de crônicas que escrevo aqui no Blog Bonas Histórias tem sido um suplício para mim. Estou produzindo "Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora" desde janeiro. Todo mês coloco o dedo em uma ferida. Exponho para o público o lado mais obscuro da minha personalidade retrógrada. Para quem me acompanha com frequência sabe que já falei de coisas delicadíssimas da minha vida. A lista de pecados já está gigantesca: Usar telefone fixo; Não ter celular; Ouvir música no rádio e em CD; Ler jornais e revistas impressos; Usar caderno; Gostar apenas de livro impresso; e Torcer por um time de futebol nacional. Esses são hábitos que não podemos falar em um primeiro encontro (nem no segundo, terceiro, quarto, quinto...) nem devemos expor abertamente para os amigos mais íntimos. Porém, a maioria desses pontos da minha rotina pode ser omitida. Se eu não falar para ninguém ou me mantiver discreto nos meus hábitos ultrapassados, eu consigo escondê-los sem grandes complicações. Infelizmente, isso não pode ser dito do item que vou tratar hoje. Por mais que tente, as pessoas uma hora ou outra descobrem a minha fraqueza. Sabendo dessa condição, vou logo avisando: eu não assisti às séries norte-americanas de televisão que todo mundo vê. Pronto, falei! Item 8 da Lista de 12 Indícios que Envelheci Antes da Hora: Não Assistir às Séries de TV. "O que você assiste, então?" é o questionamento que mais ouço quando afirmo nunca ter visto "Sense8", "Orange is The New Black", "Game of Thrones", "House of Cards", "Mad Men", "The Walking Dead", "Revenge, Breaking Bad" e seus infinitos similares. Que culpa tenho eu de não gostar de televisão e não ter o hábito de ver as séries norte-americanas mais populares do momento?! Para ser sincero, nem sei falar direito esse monte de nome gringo. Por que não se traduz mais os nomes dos seriados agora, hein?! Pelo que me lembre, até pouco tempo atrás ver TV era algo démodé (Até o meu linguajar está envelhecendo, perceberam o nível da minha agonia?!). Recordo daquele outdoor famoso (outra coisa que não existe mais na cidade de São Paulo - Outdoor é uma placa publicitária colocada em vias públicas) na Marginal do Rio Tietê que dizia: "TV é a Imagem da Besta!". Agora a coisa parece que se inverteu completamente. Assistir televisão e, principalmente, séries estrangeiras é um programa maneiro, jovem e (acredite!) cult. A pior parte de não acompanhá-los é ficar boiando (palavra da década de 1990) enquanto o povo comenta calorosamente os últimos acontecimentos dessas histórias. Repare que tem sempre alguém falando a esse respeito, seja no trabalho, na academia, na balada ou no metrô. "Saiu a nova temporada de Orange is The New Black!", "Você viu o último episódio de Game of Thrones?", "Cara, a atuação do Kevin Spacey em House of Cards está espetacular, não está?!" e "Baixei a terceira temporada de Outlander". Boiando, caso você não saiba, é quando alguém não entende o assunto em questão... É a mesma coisa que eu sentia quando o pessoal comentava sobre os acontecimentos da "Casa dos Artistas" e eu não sabia nada o que a Bárbara Paz, o Supla e o Alexandre Frota tinham feito no programa. Por que você está rindo? Qual o problema de ter citado a "Casa dos Artistas"?! Ou você ainda está rindo porque usei descuidadamente a palavra "boiando"? É melhor eu encerrar esta crônica por aqui. Quanto mais eu falar, pior poderá ficar. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para acessar outras narrativas do blog, clique em Contos & Crônicas. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.

  • Crônicas: Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora - Item 9 - Não Ter Facebook

    Certa vez, estava participando de um processo seletivo em uma empresa e a entrevistadora ficou indignada quando afirmei que não possuía conta em nenhuma rede social. "Como vou fazer agora?", ela anunciou com os olhos arregalados de preocupação. "É preciso preencher um campo aqui no formulário com a sua página do Facebook. Sem isso, você não conseguirá avançar para a próxima fase". Na hora, até tentei justificar minha opção, que sempre me pareceu lógica e sensata. Rede social é perda de tempo e contraprudente para a produtividade das pessoas. Nunca achei a menor graça em ficar vendo o que os outros andam fazendo e não tenho qualquer interesse em ser visto por todo mundo. Para ser sincero, achei no início que a moça do RH estava brincando comigo. Contudo, ela falava sério. Muito sério. Inclusive, disse entender perfeitamente a minha escolha. "Eu também devia sair do Facebook. Metade das brigas com meu namorado é causada pelo que vemos na página um do outro". E, para minha surpresa, ela completou: "Eu preciso mesmo preencher esse campo". Aí, ela acabou confidenciando: parte do processo seletivo consistia em analisar a vida do candidato nas redes sociais. Nesse momento, simplesmente me levantei da cadeira e agradeci a oportunidade de ser entrevistado por ela. Fui embora porque assim como eu não era um candidato compatível com o perfil de funcionário daquela empresa (afinal, tinha cometido o sacrilégio de não passar horas e mais horas do meu dia com os olhos pregados na frente do computador), ela também não era um modelo de empregadora para mim (a burocracia era mais importante do que eu tinha a oferecer). Item 9 da Lista de 12 Indícios que Envelheci Antes da Hora: Não Ter Facebook. Hoje em dia, é melhor você não ter RG do que não ter Facebook. Há uma pressão social gigantesca exigindo que você escancare sua vida (pessoal e profissional) para todos olharem, analisarem e, principalmente, curtirem. Se você não se expõe, boa coisa você não anda fazendo. Não entendo esse raciocínio. Já ouvi pessoas (coloquei a frase no plural porque aconteceu mais de uma vez) falarem para minhas ex-namoradas: "Ele deve estar te enganando, sua boba! Claro que ele tem um Face. Ele só não fala porque não quer que você descubra o que ele anda aprontando por aí". Segundo a crença coletiva, portanto, todo homem que não está conectado à rede social (ou não divulga sua página) é uma pessoa infiel. Desta maneira, concluo que todos que estão no Facebook (e divulgam sua página) são uns anjinhos, né? Santo Face! Ele fez mais pela monogamia e pela fidelidade conjugal em uma década do que as religiões monoteístas conseguiram fazer durante séculos. Eu não tenho Facebook por dois motivos básicos: não possuo curiosidade para bisbilhotar a vida alheia e não considero meu cotidiano interessante a ponto de divulgar seus detalhes para o mundo. Podem ser dois defeitos da minha personalidade, admito. Ser pouco curioso e possuir uma vida desinteressante não são aspectos que a gente possa sair por aí se vangloriando. Entretanto, não sou uma má pessoa por não ter uma página em nenhuma rede social (posso até ser uma má pessoa, mas isso se deve a outros motivos). Também não me considero um guerrilheiro que combate o sistema capitalista-tecnológico. Sou apenas alguém que não gosta de desperdiçar as horas do dia (e da noite) em algo tão fútil. Se há pessoas que veem benefícios nisso, eu respeito. Nesse sentido, também exijo ser respeitado por não concordar com a massa. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para acessar outras narrativas do blog, clique em Contos & Crônicas. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.

  • Crônicas: Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora - Item 10 - Usar palavras e expressões antigas

    Vc (você) até se esforça para lacrar (mandar bem). Sua roupa é igual ao das novinhas ou dos boys (moçada). Suas novas tatoos (tatuagens) ficaram ótimas. Os novos apps (aplicativos) que baixou (instalou) são realmente sensacionais, muito úteis até. Seus hábitos e comportamentos estão condizentes com os novos tempos. Vc curte F1 (fumar um). Tá na Disney (ficar doidão) é uma gíria que passou a usar com frequência. Suas conversas também estão alinhadas ao do pessoal da moda. Pode pá (pode crer), pisa menos (troca umas ideias na moral) com qualquer um com metade ou um terço da sua idade. Vc sabe os assuntos discutidos e o ponto de vista da galerinha. Ninguém diz que vc flopou (fracassou) naquele último rolê (baladinha) do fds (fim de semana). Pelo contrário: dizem frequentemente que vc mitou (arrebentou). Tombou (arrasou), véy (velho). Portanto, não há o porquê de alguém desconfiar da sua idade avançada. Vc é, definitivamente, chavoso (legal) e tumblr (bonito, estiloso). Aí, vc fica tranquilo e relaxa. Nesse momento, quando você se sente pra frente (moderno) e transado (na moda), uma mancada (erro imperdoável) acontece. Você abre a boca e comete, meu Deus como isso foi ocorrer contigo, uma gafe (atitude inapropriada)! Quando a ficha cai (se toca), já é tarde de mais. O caldo engrossou (a coisa ficou feia). Bicho (amigo), na certa a turma (pessoal) está falando que você é brega (fora de moda) e cafona (antigo). Como isso pode acontecer justamente agora que você estava estourando a boca do balão (arrasando)? Berro (Escândalo)! Vc até tenta consertar. Contudo, já é tarde. Mostrou sem querer o quanto você está bugado (desatualizado). Na certa, seu crush (affair) irá ficar pistola (bravo). Sem deprê (desespero), parça (amigo). TMJ (estamos juntos nessa)! Item 10 da Lista de 12 Indícios que Envelheci Antes da Hora: Usar Palavras e Expressões Antigas. Como evitar o uso de palavras e de expressões antigas, hein?! Juro que não sei como fazer para não entregar minha desatualização vocabular. Creio que seja impossível ocultar no dia a dia esse choque de gerações. Se aprender as novas gírias é uma tarefa relativamente viável (basta estar ligado com o jeito como a molecadinha se comunica), largar as antigas parece, ao menos para mim, algo quase impossível. Inconscientemente, estamos fadados a falar e a escrever como estamos acostumados. Diferentemente do que diz a expressão popular, o hábito faz sim o monge. Podemos evitar uma ou outra gíria mais antiga, mas acabamos, em um momento ou outro, tropeçando nas palavras e nas expressões das quais estamos habituados. O pior é quando fazemos isso nas situações mais constrangedoras possíveis. Sou o campeão mundial de cometer gafes com vocábulos fora de moda nos momentos mais inoportunos. Por isso, nem vou me dar ao trabalho de aprofundar muito esse debate. Na certa, quem está acompanhando as crônicas de "Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora" já percebeu minha séria dificuldade para ficar na moda quando a questão é a língua portuguesa. Talvez nem fosse necessário comentar esse meu problema aqui. Ele é conhecido e notório. Talvez a única solução para evitar esse mal seja ficar calado ou procurar não escrever tanto. Assim, vou encerrar esse texto agora mesmo. Menos parágrafos em minha crônica serão menos palavras antigas atiradas ao mundo ávido por juventude. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para acessar outras narrativas do blog, clique em Contos & Crônicas. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.

  • Crônicas: Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora - Item 11 - Não usar carro

    Até hoje não sei se eu não dirijo porque não tenho carro ou se não tenho carro porque não dirijo. O fato é que nunca achei prazeroso nem o ato de guiar nem a possibilidade de ter um veículo só para mim. No meu ponto de vista, sempre foi mais prático e cômodo me deslocar pela cidade de transporte público ou mesmo a pé. Adoro caminhar. Quanto mais longas forem as caminhadas melhor. Por isso, não vejo lógica em andar de automóvel pelas ruas aos finais de semana ou nos dias úteis. Em trinta e seis anos de existência, nunca tive um carro sequer. O hábito de não dirigir sempre foi considerado pelos outros como mais uma das minhas grandes excentricidades. Ao lado de não usar celular, não ter veículo próprio sempre causou as maiores polêmicas e os principais aborrecimentos nas pessoas que me conhecem e que convivem comigo. Jamais fui compreendido... Curiosamente, alguns amigos até acham, em um primeiro momento, essa uma iniciativa legal da minha parte. Dizem que é uma medida ecologicamente correta e até mesmo financeiramente inteligente. Juro que nunca me preocupei com esses aspectos. Contudo, basta algum tempo de convívio ou esbarrarmos em determinadas situações para o discurso inicial ser esquecido. "Como assim não vamos de carro?!", são as palavras que me são gritadas no ouvido. Aí, volto a ser visto como o maluco ou o exótico de sempre, que se recusa a ter uma geringonça de rodas na garagem de casa. Dessa maneira, o que posso afirmar com segurança é que à medida que o tempo passa, não dirigir e, por consequência, não usar carro têm se tornado cada vez mais difícil e mal visto pelos meus familiares, amigos e namorada. Sim, um homem de quase quarenta anos não pode viver desmotorizado. Onde já se viu agir assim, hein?! Não sei se com as mulheres da minha idade e classe social acontece algo parecido. Só tenho como confirmar a questão pela experiência pessoal de um integrante do meu sexo. Não usar carro é encarado, ainda hoje, como uma postura esperada para jovens descolados e com um estilo de vida mais hippie. Pelo menos é assim aqui no Brasil (lá fora não sei como as coisas funcionam). Alguém sério, de boa renda e com alguns fios brancos na cabeça e na barba deve ter um veículo próprio e ponto final. É assim, infelizmente, que nossa sociedade enxerga essa questão. Não há exceções nem ressalvas. Duvida disso? Então vou provar para você os incontáveis dissabores que tenho rotineiramente por não usar carro. Item 11 da Lista de 12 Indícios que Envelheci Antes da Hora: Não usar carro. Chame uma moça para sair e fale para ela que você não tem carro. Saia com os amigos à noite e na hora de ir embora diga que você retornará para casa de ônibus ou a pé. Comunique para seus pais que sua esposa está grávida e que mesmo assim você não pensa em comprar um veículo. Diga para seu chefe que mesmo com sua promoção ou com o bom cargo que você possui na companhia, você não irá usar automóvel no dia a dia, nem mesmo para os deslocamentos até os clientes. Ou convide sua família para almoçar no domingo em um restaurante e os avise que você está pensando em não usar um veículo particular para o ir e vir. Pronto. Está declarara a terceira guerra mundial. Na certa, ou eles vão se ofender por você não usar carro ou vão querer que você use o deles ou de alguém. Ficar desmotorizado é impensável. Um erro. Uma afronta. Uma humilhação. Um disparate! Diferentemente do discurso cada vez mais difundido em nossa sociedade da necessidade de usarmos menos veículos individuais, na prática o que vejo no dia a dia é a perpetuação de hábitos antigos. No Brasil, é cada vez mais complicado não dirigir. Isso ocorre tanto nos grandes centros urbanos quanto nas pequenas cidades do interior do país. Ninguém escapa da exigência social de ter e usar um automóvel particular. O único alento que tive nos últimos anos foi o da criação do Uber. Apesar de eu nunca usá-lo (lembre-se: não tenho celular para chamá-lo), muita gente acredita que essa seja a minha opção preferencial. Ledo engano. Ao menos, todo mundo pensa que o deslocamento para alguém que não dirige tenha ficado infinitamente mais fácil com os carros pretos à nossa disposição. Obrigado, Garrett Camp e Travis Kalanick, pela ajuda involuntária. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para acessar outras narrativas do blog, clique em Contos & Crônicas. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.

  • Crônicas: Doze Indícios que Envelheci Antes da Hora - Item 12 - Não trabalhar 24 horas por dia

    Nunca a cultura do trabalho excessivo esteve tão em voga como agora. Você já reaparou nisso?! A moda atual é trabalhar 24 horas por dia, de preferência sete dias por semana e doze meses ao ano. E sem férias ou folga. Essa tendência vale tanto para quem é funcionário quanto para quem é empreendedor. Vale para quem está no alto da pirâmide social e para quem está na parte de baixo dela. Minha impressão é que todos os homens e mulheres entre 25 e 39 anos do planeta que gostam dos seus empregos e que são responsáveis profissionalmente se transformaram em workaholics inveterados. É claro que estou excluindo dessa lista os indivíduos que não gostam de trabalhar ou odeiam suas profissões. Essa outra turminha faz qualquer coisa para manter a inércia e estender as horas de folga infinitamente. Assim, fico diante de uma grande polarização: o grupo que faz tudo para não trabalhar e o grupo que faz tudo para não parar de trabalhar... Como nunca me identifiquei com o pessoal preguiçoso e infeliz com suas profissões (em minha família, infelizmente, tem uma boa dose de gente assim), decidi não comentar nesta crônica as atitudes e as preocupações dessa galerinha pouco assídua. Volto minha atenção unicamente para a turma que realmente me preocupa: aqueles que trabalham em excesso. Item 12 da Lista de 12 Indícios que Envelheci Antes da Hora: Não trabalhar 24 horas por dia. Quando digo que li dois romances na última semana ou estive no cinema na quinta-feira para ver o lançamento que está sendo comentado com estardalhaço nas revistas e jornais, meus amigos e familiares me olham surpreendidos. Quando falo que fui ao parque correr de manhãzinha ou que reservei uma noite do final de semana para curtir uma peça de teatro, a indignação à minha volta cresce. Aí, quando menciono estar escrevendo um livro, produzindo uma série de crônicas ou atualizando rigorosamente meu blog, os questionamentos explodem: "Como você arranja tempo para essas coisas todas?! Você não trabalha, não?". Acho muito engraçada a concepção atual de que alguém que trabalha não pode e não deve ter tempo para mais nada além da sua profissão. Vida pessoal, lazer, cultura, diversão e hobbies não fazem parte da rotina do profissional bem-sucedido da atualidade. O empregado produtivo ou o empresário competente são aqueles que passam 15, 16 horas no escritório e abrem mão de suas vidas fora da empresa. Curiosamente, esse povo tem orgulho disso. Eles falam com um sorriso no rosto que não têm tempo para nada e que estão sempre ocupados com as tarefas corporativas. Juntam os dias da semana aos finais de semana e não conseguem diferenciar o dia da noite. Sair do escritório às 18 horas é uma falta grave em suas consciências. Será que esse estilo de vida é correto? Sinceramente não sei. Eu prefiro trabalhar menos e melhor. Há muitos anos não fico 24 horas por dia, sete dias por semana e doze meses ao ano enfurnado em um escritório. Para ser franco, nos dias de hoje fico contente quando atuo por apenas seis horas em quatro dias da semana. Para conseguir isso, sou obrigado a me policiar e avisar previamente meus empregadores. Afinal, quando gostamos do que fazemos acabamos propensos a exagerar na dose. E quando exageramos, ficamos (sem perceber) menos produtivos. E para compensar, acabamos trabalhando mais e mais. A bola de neve, desse modo, só cresce. Daí a importância da escolha: realizar um serviço de excelência ou realizar atividades extensas. Saiba que é impossível juntar as duas coisas. Ou você trabalha muito ou você trabalha bem. Qualidade e quantidade são elementos dicotômicos em qualquer ramo de atividade. Não existe no atletismo, por exemplo, um corredor que seja velocista e maratonista ao mesmo tempo. Ou ele corre muito ou ele corre rápido. As duas coisas juntas são inviáveis. O mesmo acontece com nosso trabalho. Ou trabalhamos com excelência ou trabalhamos em longas jornadas. As duas coisas juntas são humanamente inconcebíveis. Assim, você precisa escolher qual o tipo de profissional que você deseja ser. Até meus trinta anos, eu optava pela quantidade. Achava que horas e horas dedicadas ao trabalho me faziam um profissional melhor. Na época, não percebia o quão equivocado estava sendo. Quanto mais tempo eu ficava fechado na empresa, menos criativo, menos rápido, menos eficiente e menos preciso eu me tornava em minhas funções diárias. Hoje, entendo que há outra opção completamente distinta. Meu foco profissional está dirigido exclusivamente à excelência (e não mais à quantidade de horas trabalhadas). Busco a qualidade genuína das minhas atividades. Por isso, não abro mão da qualidade de vida e das minhas infinitas atividades pessoais (que de uma forma ou outra ajudam no meu rendimento profissional depois). Garanto que sou agora mais criativo, rápido, eficiente e preciso do que antes. Por mais lógico que seja esse raciocínio, a maioria dos profissionais parece não querer entendê-lo. Meus amigos e minha família me enxergam muitas vezes como um extraterrestre por causa das várias atividades que tenho fora do âmbito profissional. Ninguém acredita que seja possível hoje em dia alguém ser produtivo e ter uma vida saudável, ativa e interessante fora do ambiente corporativo. Infelizmente, vejo as relações pessoais, as diversões e os momentos de lazer cada vez mais interligados às dinâmicas profissionais. Você só pode sair e se divertir sem culpa se for dentro da empresa ou com os colegas de trabalho. Assim, você está fazendo networking e estreitando vínculos profissionais. Quanta bobagem! Apesar de me ver nadando contra a corrente, sei que não vou ser um escravo da minha profissão. Trabalho porque gosto e porque tenho coisas grandes para realizar. Porém, isso não me faz abrir mão das infinitas coisas que gosto e tenho para realizar também em minha vida pessoal. Mais importante do que a carreira é a vida do sujeito. Nesse caso, estar fora de moda me deixa tão orgulhoso! Não trabalhar 24 horas por dia é motivo de felicidade para mim. E por falar nisso, você já viu o último filme do Woody Allen ou o mais recente romance do Mia Couto? E você já foi naquele novo restaurante que abriu ou naquele parque recém-reformado? Não?! Então, você não sabe o que está perdendo. Gostou deste post e do conteúdo do Bonas Histórias? Compartilhe sua opinião conosco. Para acessar outras narrativas do blog, clique em Contos & Crônicas. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook.

  • Teoria Literária: Análise Literária - Conclusão

    Ao longo deste ano, discutimos, aqui na coluna Teoria Literária, muitas questões relativas à Análise Literária. Tratamos dos seguintes temas: o que é uma Análise Literária; tipos de Análise Literária; como se faz uma Análise Literária; fundamentos e extensão da Análise Literária; modelo padrão da Análise Literária; definição do Estilo Literário; e identificação do Estilo Autoral. Quem gosta e literatura deve ter se esbaldado com esses posts do Bonas Histórias. Contudo, não me preocupei de explicar alguns pontos sobre a Teoria Literária e sobre a maneira de se trabalhar segundo seus princípios. Como uma investigação de bases científicas, há a exigência do embasamento metodológico dos procedimentos aqui realizados (SOUZA et al, 2011, p. 11). O fato de o campo de estudo ser a literatura, popularmente associada à subjetividade analítica quando veiculada como crítica literária (MOISÉS, 2014, p. 18-24), não altera em nada o quadro procedimental. A pesquisa científica, seja ela da área literária ou de qualquer outro ramo do conhecimento humano, não pode nem deve estar ancorada na relatividade conceitual, no julgamento de valores, na crítica pessoal e/ou na falta de objetividade metodológica. Se isso correr, não se pode caracterizar o trabalho, por melhor que seja, como sendo científico (KAUS, 2011, p. 19-33). Apesar de alguns percalços ao longo da história, os estudos literários têm sido cada vez mais encarados como um campo das ciências humanas (TODOROV, 2013, p. 9). A análise da narrativa, especificamente, é um dos campos mais bem desenvolvidos dentro deste ramo de estudo (BARTHES, 2009, p. 12), estando associada muitas vezes aos conceitos da linguística (BORBA, 2002). Vale a pena adiantar que o próximo tema de estudo da coluna Teoria Literária será justamente os Elementos da Narrativa (BONACORCI: 2019). No ano que vem, vamos discutir detalhadamente cada um dos onze componentes de uma trama ficcional. Portanto, sempre que a análise literária é feita seguindo as técnicas epistemológicas e as argumentações da teoria literária, preceitos estes científicos e/ou filosóficos de interpretação textual, o trabalho adquire relevância metodológica e pode ser visto como um estudo científico (MOISÉS, 2014, p. 18-24). A pesquisa científica não é nada mais do que uma investigação minuciosa e sistematizada com o objetivo de se averiguar a realidade. A partir da comprovação procedimental de fatos mensuráveis e de dados concretos é possível interpretar de forma fidedigna determinado contexto natural ou experiência humana (TOZONI-REIS, 2008 apud KAUS, 2011, p. 9). Em outras palavras, a ciência é um conjunto de conhecimentos obtidos metódica e sistematicamente que apresentam como resultados finais informações/dados verificáveis, precisos e estáveis (LAKATOS & MARCONI, 2000 p. 19). Em suma, é possível realizar sim um trabalho científico tendo como campo de estudo temas da ciência humana. A literatura é uma das áreas que podem (e devem) ser investigadas segundo essa forma de pesquisa. É esse o compromisso da coluna Teoria Literária. Por isso, a necessidade da explanação metodológica do seu trabalho. Não perca, no ano que vem, nossa segunda temporada. Até lá! Bibliografia: BARTHES, Roland et al. Análise Estrutural da Narrativa. 6a ed. Petrópolis: Vozes, 2009. BONACORCI, Ricardo. Análise Literária dos Romances de Rubem Fonseca - Investigando a Nova Literatura Brasileira. Projeto de Iniciação Científica. Varginha: Centro Universitário do Sul de Minas (UNIS-MG), 2019. BORBA, Maria Antonieta Jordão de Oliveira. Literatura e Linguística - Limites Interdisciplinares. Anais do VI Congresso Nacional de Lingüística e Filologia. Rio de Janeiro: UFRJ, Ago. 2002. Link disponível em: http://www.filologia.org.br/vicnlf/anais/caderno04-08.html KAUS, Rebeca Nogueira Lourenço. Guia de Estudo Introdução ao Pensamento Científico - Unidades 2, 3 e 4. Varginha: GEaD do Centro Universitário do Sul de Minas (UNIS/MG), 2011. LAKATOS, Eva Maria & MARCONI, Maria de Andrade. Metodologia Científica. 3a ed. São Paulo: Atlas, 2000. MOISÉS, Massaud. A Análise Literária. 19a ed. São Paulo: Cultrix, 2014. SOUZA, Gleicione A. D. Bagne de (Org) et al. Técnicas para Elaboração de Trabalhos Acadêmicos. Varginha: Grupo Unis, 2012. TODOROV, Tzvetan. As Estruturas Narrativas. 5a ed., Coleção Debates, São Paulo: Perspectiva, 2013. Que tal este post? Gostou do Blog Bonas Histórias? Seja o(a) primeiro(a) a deixar um comentário aqui. Para saber mais sobre esse tema, clique em Teoria Literária. E não se esqueça de curtir a página do Bonas Histórias no Facebook. #TeoriaLiterária #AnáliseLiterária

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